As Práticas Pedagógicas no Ensino Fundamental: Superando Problemas com Atividades Lúdicas [1]

0
3409
DOI: ESTE ARTIGO AINDA NÃO POSSUI DOI SOLICITAR AGORA!
As Práticas Pedagógicas no Ensino Fundamental: Superando Problemas com Atividades Lúdicas [1]
4.3 (85%) 4 vote[s]
ARTIGO EM PDF

SILVA, Neuziane Gomes da [2]

SILVA, Neuziane Gomes da. As Práticas Pedagógicas no Ensino Fundamental: Superando Problemas com Atividades Lúdicas. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Edição 08. Ano 02, Vol. 01. pp 103-133, Novembro de 2017. ISSN:2448-0959

RESUMO

No âmbito escolar, o lúdico nos ano iniciais do Ensino Fundamental é pouco discutido, porque oferece uma educação que não conduz com a realidade e necessidade de cada cidadão. Assim, o objetivo desta monografia é observar se as práticas pedagógicas desenvolvidas nos Anos Iniciais do Ensino fundamental adequadas para o desenvolvimento do ensino/aprendizagem dos alunos. Alguns tópicos que nortearam a escolha do tema e do problema principal foram: por que as crianças brincam e de que forma? Qual a importância e o papel das atividades lúdicas no desenvolvimento do ensino/aprendizagem nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental. Que metodologia as Escolas utilizam para desenvolver o processo ensino/aprendizagem dos educandos. E como o lúdico, por meio da formação do educador, interfere neste processo. Discorrer sobre tal tema inclui um vasto estudo teórico a respeito das estratégias voltadas para o conceito histórico de criança, concepção sobre o cuidar, fundamentos sobre as instituições escolares e abordar conceitos de ludicidade e estudiosos que defendem o lúdico como um entre os diversos instrumentos que podem ser contextualizados e que influenciam no desenvolvimento cognitivo e social dos educandos, agindo de forma dinâmica na relação de educandos e educadores no processo de ensino e aprendizagem. Viram-se atividades nas quais foram observados conteúdos que envolvessem as brincadeiras lúdicas e que confirmam que as crianças aprendem com mais facilidade brincando. No entanto, a ludicidade diante do aprimoramento da educação, pode ser crítica e criativa, desenvolvendo possibilidades que permitirá aos educandos a experimentação, o confronto com situações que interferem na aprendizagem, bem como a importância do educador mediar esta relação de ensino e aprendizagem com a ludicidade.

Palavras-Chave: Ensino Aprendizagem, Ludicidade, Metodologia de Ensino Fundamental.

INTRODUÇÃO

A metodologia do presente trabalho encontra-se pautada pesquisa bibliográfica que abordou teorias sobre Práticas Pedagógicas dos Anos Iniciais e Ludicidade no Ensino Fundamental.

Autores como: Tizuko Morchida Kishimoto, Eva Maria Marconi, Marina de Andrade, Ana Cristina Azevedo, Sara Pain, Piaget, Ana Bock, Odair Furtado, Maria Teixeira, Karoline Kahl, Maria Lima, Izabel Gomes entre outros, foram de grande importância para o desenvolvimento deste trabalho, com contribuições científicas dando suporte a todas as fases desta pesquisa, uma vez que auxiliaram na definição do problema, na determinação dos objetivos, na construção de hipóteses, na fundamentação da justificativa da escolha do tema e na elaboração do relatório final. Na atualidade, os marcos teóricos que buscam explicar os processos de ensino e de aprendizagem tem seguido trajetórias paralelas, a diversidade de correntes de interpretação destes processos contribuiu para que muitos educadores menosprezassem informações primordiais defendidas pela psicologia da aprendizagem. Neste sentido, a desconfiança estabelecida semeou o ceticismo a respeito das contribuições desta ciência, fato que implicou na manutenção de formas tradicionais de atuação na sala de aula.

No entanto, não podemos perder de vistas a existência de uma série de princípios comuns a todos marcos teóricos, o de que a aprendizagem depende das características singulares de cada um dos aprendizes; correspondem, em grande parte, as experiências que cada um viveu desde o nascimento; a capacidade, motivação e interesse de cada educando, enfim a maneira e a forma como se produzem as aprendizagens é resultado de processos que sempre são singulares e pessoais.

Assim, o presente trabalho vem contribuir para que professores do Ensino Fundamental possam basear-se em estudiosos da área abordada apresentando conceitos de dificuldade de aprendizagem, os quais popularizaram-se comumente, pois  encontramos crianças estigmatizadas por seus ritmos diferentes de aprendizagem.. As dificuldades de aprendizagem estão diretamente relacionadas ao não  aprender, que pode ser uma situação passageira e não deve ser entendido como uma limitação permanente. Pois a aprendizagem é um processo amplo que envolve diversos fatores relacionados ao sujeito e às relações deste com o meio, o que exige do educador a busca constante em compreender o contexto em que o sujeito está inserido, bem como a situação em que se explicitou a dificuldade de aprendizagem.

O ingresso das crianças no âmbito escolar mostra-se um momento crucial no processo de escolarização, por se tratar de uma situação na qual podem ocorrer rupturas durante o mesmo. Assim, o Lúdico nos anos Iniciais do Ensino Fundamental é uma das atividades mais importantes na infância, pois a criança necessita brincar, jogar, criar e inventar para manter o equilíbrio.

A criança é um ser social que nasce com a capacidade afetiva e emocional e cognitiva tem desejos e estão próximas as pessoas e é capaz de interagir e aprender com elas de forma que possa compreender e influenciar seu ambiente. Ampliando suas relações sociais, interações e forma de comunicação. (TRAVALLA e CASAGRANDE, 2007p. 77).

Neste contexto, a ludicidade é fundamental e parte constitutiva do processo de ensino-aprendizagem das crianças, pois elas possuem imaginação criadora, e esta surge em forma de jogo, instrumento primeiro de enfretamento da realidade.  O brincar e o jogar são atos indispensáveis à saúde física, emocional e intelectual e sempre estiveram presentes em qualquer povo desde os mais remotos tempos. Através deles, a criança desenvolve a linguagem, o pensamento, a socialização, a iniciativa e a auto-estima, preparando-se para ser um cidadão capaz de enfrentar desafios e participar na construção de um mundo melhor.

O jogo e a brincadeira são por si só, uma situação de aprendizagem. As regras e a imaginação favorecem a criança um comportamento além dos habituais. Ela reproduz muitas situações vividas em seu cotidiano, que através do faz-de-conta são reelaboradas criativamente, vislumbrando novas possibilidades e interpretações do real.

O elemento que separa um jogo pedagógico de outro caráter apenas lúdico é que os jogos e brinquedos pedagógicos são desenvolvidos com intenção explicita de provocar uma aprendizagem significativa, estimular a construção de um novo conhecimento e principalmente despertar o desenvolvimento de uma habilidade operatória.

Neste cenário o presente estudo procura demonstrar quais são as possibilidades lúdicas que são oportunizadas nas séries iniciais do ensino fundamental, tendo em vista as expectativas de aprendizagem, desvelando a importância dos jogos e brincadeiras com o processo de aprendizagem, vendo-o como um facilitador do desenvolvimento psicomotor da criança.

Buscando aprofundar o tema apresentado, este trabalho monográfico será desenvolvido em cinco capítulos. O primeiro capítulo abordará à temática Aprendizagem e seus Conceitos, esta vista como um sistema dinâmico de interação, por se tratar de um processo, biológico, intelectual, emocional e social e estar vinculada à história do homem, à sua construção e evolução enquanto ser social com capacidade de adaptação a novas situações, pois desde sempre se ensinou e aprendeu, de forma mais ou menos elaborada e organizada. É sabido que não existe uma fonte única, capaz de englobar os elementos fundamentais à compreensão da aprendizagem, mas acreditam-se nas propostas que ressaltam a importância dos processos mentais superiores, sendo resultado da interação do organismo com o meio.

No segundo capitulo, transcorre-se sobre o Papel do Educador, que deve ser um exímio estimulador e possuir capacidade de gerar um clima de fascínio e sedução em torno de atividades que desafiem o aluno a pensar e construir seu próprio conhecimento entorno da situação apresentada. Sua responsabilidade é ensinar a pensar, estimulando a construção de esquemas inteligentes e geradores de solução, produzindo e oferecendo para isso desafios à imaginação e à criação. O educador interessado no desenvolvimento da inteligência do educando no ato mobilizador de ações intelectuais pode contar com as atividades lúdicas como um eficiente recurso pedagógico.

O papel do educador, neste contexto, deve ser o daquele que gera necessidades de ação em seu aluno, o que consegue conquistar seu empenho na resolução de problemas. Quando seu objetivo é o de construir inteligência lógica ele abrirá mão dos jogos que permitem que o educando se envolva emocionalmente nas buscas ou tentativas de soluções para os problemas apresentados durante o processo de aprendizagem, e na maioria das vezes conseguem construir seu conhecimento, pois as atividades lúdicas têm como papel principal oferecer possibilidades de acertos.

O Terceiro Capitulo trata da Importância da Ludicidade Para o Processo de Ensino e Aprendizagem, entendendo as contribuições e a grande importância que a ludicidade, como os jogos, brincadeiras, brinquedos, podem influenciar no desenvolvimento da criança e no seu comportamento, e até como uma aliada do processo de aprendizagem, haja vista que as viagens pela imaginação, o moldar e o dar forma aos diferentes elementos que podem ser transformados promovem mudanças no comportamento do individuo.

O brincar e o jogar são atos indispensáveis para a formação humana, pois através deles, a criança desenvolve a linguagem, o pensamento, a socialização, a iniciativa e a auto-estima, preparando-se para ser um cidadão capaz de enfrentar desafios e participar na construção de um mundo melhor. Assim, eles são por si só, uma situação de aprendizagem, já que as regras e a imaginação favorecem a criança um comportamento além dos habituais; ela reproduz muitas situações vividas em seu cotidiano, que através do faz-de-conta são reelaboradas criativamente, vislumbrando novas possibilidades e interpretações do real.

O quarto capítulo aborda temas sobre Os Jogos e as Brincadeiras como Facilitador da Aprendizagem, pois o brincar é vital para o desenvolvimento do corpo e da mente. Nele se reconhece um meio de proporcionar educação integral, em situações naturais de aprendizagem que geram forte interesse em aprender e garantem prazer. Viabilizam a construção do conhecimento de forma interessante e prazerosa, garantindo nas crianças a motivação intrínseca necessária para uma boa aprendizagem, até convertê-las em adultos maduros, com grande imaginação e autoconfiança, mesmo aqueles que apresentam alguma dificuldade na sua aprendizagem ou na aquisição do conhecimento. Damos ênfase às metodologias que se alicerçam no “brincar”, no facilitar as coisas do aprender através do jogo, da brincadeira, da fantasia, do encantamento. A arte-magia do ensinar-aprender (ROJAS, 1997), permite que o outro construa por meio da alegria e do prazer de querer fazer.

1. APRENDIZAGEM E SEUS CONCEITOS.

Conceitualmente aprendizagem é o processo de aquisição ou modificação de competências, habilidades, conhecimentos, comportamento e valores através de estudo, experiência, formação, raciocínio e observação. Ela é uma das funções mentais mais importantes dos seres humanos e está relacionada à educação e ao desenvolvimento pessoal.

A aprendizagem como atividade humana remonta à própria origem de nossa espécie, já que o ser humano nasce potencialmente inclinado a aprender, necessitando de estímulos externos e internos para o aprendizado. Estes podem ser considerados natos, como o ato de aprender a falar, a andar, vinculado ao processo de maturação física, psicológica, o que acontece no meio social e temporal onde o indivíduo convive, favorecendo mudança em sua conduta, e os de predisposições genéticas, que permite subsídios e alicerces para manutenção do equilíbrio do individuo.

Há muito, filósofos e pensadores preocuparam-se com os fatos da aprendizagem do tipo verbal ou ideativo. Daí a razão porquê as primeiras teorias se confundiram com as explicações dos processos lógicos com as do conhecimento. Já que o aprender se confundia com a ação de captar idéias, fixar seus nomes, retê-los e evocá-los, mantidos na afirmação que sempre houve na vida humana o ato de ensinar e aprender.

As explicações e estudo sobre a aprendizagem se deram com o desenvolvimento da psicologia enquanto ciência, baseada nos conhecimentos e teorias da neuropsicologia, da educação e da pedagogia, que a considerou como um processo de associação entre uma situação estimuladora e a resposta, verificada na teoria conexionista, como um processo de ajustamento ou adaptação do individuo ao ambiente, defendida pela teoria funcionalista, ou como processo de percepção onde o conhecimento é resultado de estruturas pré-formadas, defendida pela teoria racionalista.

Para Hilgard (apud CAMPOS, 1987) a aprendizagem é um processo pela qual uma atividade tem origem ou é modificada pela reação a uma situação encontrada, desde que as características da mudança de atividade não possam ser explicadas por tendências inatas de respostas, maturação ou estados temporários do organismo.

Assim, não podemos considerá-la somente como um processo de memorização, tampouco como um conjunto das funções mentais ou unicamente como elementos físicos ou emocionais, pois ela é o desenvolvimento de todos os poderes, capacidades e potencialidades do homem, tanto físicas quanto mentais e afetivas.

Já Coelho e José (1999) a define como o resultado da estimulação do ambiente sobre o indivíduo já maduro, que se expressa, diante de uma situação-problema, sob a forma de uma mudança de comportamento em função da experiência.

Acreditam que a efetiva mudança de comportamento e ampliação do potencial do individuo, exige que haja efetiva relação entre o que está aprendendo com a vida, ou seja, o sujeito precisa ser capaz de reconhecer as situações em que aplicará o novo conhecimento ou habilidade. Tal fato necessita estar baseado na maturação do individuo.

Alguns estudiosos afirmam que a aprendizagem é um processo integrado que provoca uma transformação qualitativa na estrutura mental daquele que aprende. Essa transformação se dá através da alteração de conduta, seja por condicionamento operante, por experiência ou ambos, mas de forma permanente. As informações podem ser absorvidas através de técnicas de ensino ou até pela simples aquisição de hábitos.

O ato ou vontade de aprender é uma característica essencial do psiquismo humano, pois somente este possui o caráter intencional de aprender. Este ato pode ser dinâmico, por estar sempre em mutação e procurar informações para o aprendiz; ou criador, por buscar novos métodos visando à melhora da própria aprendizagem através da tentativa e do erro.

Outro conceito de aprendizagem é uma mudança relativamente duradoura do comportamento, de uma forma sistemática, ou não, adquirida pela experiência, pela observação e pela prática motivada. Assim o ato de aprender necessariamente deve incluir aspectos motores, emocionais, ideativos ou mentais, pois a mudança de comportamento terá qu exige a participação total e global do individuo para que todos os aspectos constitutivos de sua personalidade entrem em atividade no ato de aprender, a fim de que seja restabelecido o equilíbrio vital, rompido pelo aparecimento de uma situação problemática.

A aprendizagem só é real quando o individuo incorpora novas condutas, novas maneiras de agir e novas maneiras de responder diante das realidades apresentadas no cotidiano. Ela deve estar sempre presente, desde o início da vida e ser apreendida individualmente, pois a mesma é considerada intransferível de um indivíduo para outro, já que a maneira e o próprio ritmo de aprender variam de individuo para individuo, denominado aqui como caráter pessoal de aprendizagem.

O processo de aprendizagem não é estanque, ele se dá de forma contínua e crescentemente complexo, pois cada nova situação envolve maior número de elementos. Assim, cada nova aprendizagem acresce novos elementos à experiência anterior, sendo flexível e cumulativa levando a organização de novos padrões de comportamento, que são incorporados pelo sujeito.

Neste momento os conhecimentos gerados na história pessoal e educativa têm um papel determinante na expectativa que o indivíduo tem, do processo e de si mesmo, nas suas motivações e interesses, em seu autoconceito e em sua auto-estima. Para tanto fatores e processos afetivos, motivacionais e relacionais são importantes. Assim, a função fundamental da aprendizagem humana é interiorizar ou incorporar novos comportamentos fundamentais ao desenvolvimento de uma aprendizagem significativa, que oportunizará ao individuo construir uma representação de si mesmo como alguém capaz.

Para os behavioristas o homem não pode ser considerado um ser passivo. Ele organiza suas experiências e procura lhes dar significado. Enfatiza a importância dos processos mentais do processo de aprendizagem, na forma com se percepciona, seleciona, organiza e atribui significados aos objetos e acontecimentos. Numa abordagem social, as pessoas aprendem observando as outras no interior do contexto social. Nessa abordagem a aprendizagem é em função da interação da pessoa, do ambiente e do comportamento.

Os objetivos da aprendizagem são classificados em: domínio cognitivo (ligados a conhecimentos, informações ou capacidades intelectuais), neste o individuo tem habilidades de memorização, compreensão, aplicação, análise, síntese e avaliação; domínio afetivo, (relacionados a sentimentos, emoções, gostos ou atitudes) onde as habilidades de receptividade, respostas, valorização, organização e caracterização são desenvolvidas; domínio psicomotor (que ressaltam o uso e a coordenação dos músculos) garante habilidades relacionadas a movimentos básicos fundamentais, movimentos reflexos, habilidades perceptivas e físicas e a comunicação não discursiva.

A educação vista sobre o prisma da aprendizagem representa a vez da voz, o resgate da vez e a oportunidade de ser levado em consideração. O conhecimento como cooperação, criatividade e criticidade, fomenta a liberdade e a coragem para transformar, sendo que o aprendiz se torna no sujeito ator como protagonista da sua aprendizagem.

Aprendizagem é um destes fatores. Diferentemente dos outros animais, no homem a aprendizagem é vista como um sistema dinâmico de interação, pois é um processo, biológico, intelectual, emocional e social.

Nos últimos anos, muitos são os estudos sobre o aprender, e o não aprender, e que direta ou indiretamente procuram desvelar como o homem aprende. Não existe uma fonte única, capaz de englobar os elementos fundamentais à compreensão da aprendizagem, mas acreditam-se nas propostas que ressaltam a importância dos processos mentais superiores, sendo resultado da interação do organismo com o meio.

Portanto, a aprendizagem tem um sentido amplo: abrange os hábitos que formamos os aspectos de nossa vida efetiva e assimilação de valores culturais. Enfim, aprendizagem refere-se a aspectos funcionais e resulta de toda estimulação ambiental recebida pelo individuo no decorrer da vida, pois o ato de aprender é resultado da maturação e da experiência individual, onde ninguém aprende senão por si e em si mesmo, pela automodificação.

1.1 EDUCAÇÃO ESCOLAR E APRENDIZAGEM.

O individuo está em constante processo de aprendizagem e de ensinamento, portanto todos os espaços ocupados por ele possuem processos educativos. Assim, ele aprende e ensina ao mesmo tempo, pois o fazer necessita do saber, o ser e o conviver precisam ser aprendidos a cada momento.

Sendo a escola um dos espaços significativo de aprendizagem, ela necessita estabelecer em seu contexto uma importante função: a de contribuir com individuo na organização de seu pensamento a partir do conhecimento informal, da cultura até então adquirida em ambientes não-escolares, ou seja, atuar na sistematização do conhecimento científico e na formação de conceitos.

Para a concretização desta função o individuo não pode ser visto como sujeito passivo no qual é depositado conhecimentos e informações, mas como um ser ativo capaz de construir novos conhecimentos a partir de sua vivência em diferentes conceitos. O ponto crucial para esta prática está ligado ao estimulo que se deve proporcionar ao individuo em ocupar seu lugar de sujeito atuante na sociedade, como agente de transformação.

As teorias contemporâneas definem o conhecimento como construção de significados a partir das relações que o sujeito estabelece entre o objeto a conhecer e sua própria capacidade de observação, de reflexão e de informação. Ensinar é, pois, ajudar o indivíduo a construir significados, que implicam em sua totalidade e não só nos seus conhecimentos prévios ou em sua capacidade de estabelecer relações substantivas entre estes e o novo material de aprendizagem, ou entre as diferentes partes deste material.

Para Garvin, (1993), uma organização de aprendizagem deve ter a habilidade de criar, adquirir e transferir conhecimento e de modificar seu comportamento para refletir sobre novos conhecimentos e insights, pois nas organizações de aprendizagem as pessoas não são treinadas para exercer suas funções, mas sim educadas a desempenhar com satisfação suas atividades, desenvolvendo o espírito de equipe e a criatividade. Nesse sentido, Paulo Freire tem contribuído significativamente para a aprendizagem organizacional.

Entendemos, portanto, que a educação escolar deveria promover a veiculação e a construção do chamado conhecimento pertinente que tem sua sustentação na compreensão complexa da realidade, pois compreender a realidade significa olhá-la, analisá-la e interpretá-la com base nos princípios organizadores do conhecimento, tendo em vista que o pensamento científico não consegue mais elaborar explicações convincentes sobre a complexidade do real, já que se assenta sobre saberes isolados, especializados e estanques traduzidos em disciplinas compartimentadas e incomunicáveis entre si.

O conhecimento pertinente, portanto, não é algo situado fora do individuo e que ele simplesmente adquire, nem algo que ele constrói independentemente da realidade e dos demais indivíduos, é antes, uma construção histórica e social na qual interferem fatores de ordem cultural e psicológica. Por este motivo, a educação escolar deve ser vista como um processo de atuação de uma comunidade sobre o desenvolvimento do indivíduo a fim de que ele possa atuar numa sociedade pronta para a busca da aceitação dos objetivos coletivos.

Neste contexto, a escola deve buscar mecanismos que a configure como uma organização efetivamente significativa, inovadora e empreendedora, e os/as alunos/as devem ser considerados/as no plano físico e intelectual consciente das possibilidades e limitações, capaz de compreender e refletir sobre a realidade do mundo que o/a cerca, devendo considerar seu papel de transformação social, buscando solidariedade entre as pessoas, respeitando as diferenças individuais de cada um.

Não dá pra negar que a escola tem papel imprescindível dentro da proposta de formação humana, para isso deve preocupar-se não apenas com o conteúdo em si, com o repasse do conhecimento existente para os/as alunos/as, mas sim de promover a mediação da construção de conhecimentos. Isto requer que antecedendo a escolha do método de ensino, que deve estar atrelado à visão de educação do professor, ela deve compreender o comprometimento dos atores do processo de ensino-aprendizagem (professores/as e alunos/as) com um tipo de educação que colabore com a libertação e emancipação do homem, através de sua conscientização para a construção de uma sociedade mais digna e justa.

Segundo Charlot (2000), aprender é exercer uma atividade em uma situação, em um local, em um momento da sua história e em condições de tempo diversos, com a ajuda de pessoas que ajudam a aprender. A relação com o saber é relação com o mundo, em um sentido geral, mas é, também, relação com esses mundos particulares. O autor considera que os indivíduos aprendem porque têm oportunidades para tal, em um momento em que estão disponíveis para aproveitá-las.

Para atender as exigências do processo de aprendizagem escolar, os propósitos da escola em relação ao conhecimento devem ser repensados, e redirecionados os rumos até então encarados como viáveis para a construção do conhecimento. É necessário transformar a escola numa instância mediadora e facilitadora da aprendizagem, revendo constantemente as metodologias de ensino e as estratégias didáticas utilizadas para que o aluno aprenda a aprender, aprenda a conhecer, enfim, aprenda a pensar bem.

Freire e Shor (1997, p. 18) esclarecem esta questão de forma muito convincente:

[…] se observarmos o ciclo do conhecimento, podemos perceber dois momentos, e não mais do que dois, dois momentos que se relacionam dialeticamente. O primeiro momento do ciclo, ou um dos momentos do ciclo, é o momento da produção, da produção de um conhecimento novo, de algo novo. O outro momento é aquele em que o conhecimento produzido é conhecido ou percebido. Um momento é a produção de um conhecimento novo e o segundo é aquele em que você conhece o conhecimento existente. O que acontece, geralmente, é que dicotomizamos esses dois momentos, isolamos um do outro. Consequentemente, reduzimos o ato de conhecer do conhecimento existente a uma mera transferência do conhecimento existente.

O processo da aprendizagem escolar deve considerar a apropriação dos conceitos na perspectiva do senso comum supondo um novo respeito a algumas utilizações habituais do conceito de aprendizagem e colocando novas e apaixonantes questões sobre os mecanismos através dos quais a influência educacional é exercida, isto é, sobre os mecanismos que possibilitam que o professor ensine e que o aluno aprenda e construa o seu próprio conhecimento, e que ambos cheguem a compartilhar, em maior ou menor grau, o significado e o sentido do que fazem.

Ferreiro & Garcia (2000), afirmam que as noções científicas foram inicialmente extraídas das noções do sentido comum, e a pré-história dessas noções espontâneas e comuns pode permanecer para sempre desconhecida. Legitima-se então a relação entre o método histórico-crítico e o psicogenético, entre a comparação natural e o científico.  A aprendizagem é condicionada, de um lado, por sua estrutura cognitiva – seus esquemas de conhecimento que englobam tanto o nível da organização do pensamento como os conhecimentos e experiências prévias e, de outro lado, pela interação com outros indivíduos.

O processo de ensino e aprendizagem deve sempre contar com o enfoque social capaz de provocar discussões pedagógicas sobre inúmeros aspectos de extrema relevância, em particular no que se refere à maneira de entender as relações entre desenvolvimento e aprendizagem, à importância da relação interpessoal, à relação entre cultura e educação e ao papel da ajuda educativa ajustada à situação e às características que, cada momento, está presentes na atividade mental construtiva do aluno.

Tapia e Fita (2003), afirmam que a aprendizagem implica uma interação do/a aluno/a com o meio, propiciando-lhe condições de captar e processar os estímulos provenientes do exterior, os quais, por sua vez, foram selecionados, organizados e seqüenciados pelo/a professor/a. Assim, por meio da aprendizagem, o/a aluno/a altera seu estado inicial, tornando-se capaz de manter uma conduta com vistas a realizar algo que antes não podia ou não sabia fazer.

Para que a escola possa desempenhar adequadamente este papel, é necessário que a mesma despoje de muitas das conotações que foram se acumulando de forma sub-reptícia e desenvolva concomitantemente outras que até o momento foram escassamente levadas em consideração. Pois ela precisa, de forma concreta, atender tanto ao sentido como ao significado da aprendizagem escolar; renunciar às conotações mais individualistas do processo de construção de significados e sentidos; e, por último, recituar este processo de construção no contexto de relação interpessoal que é intrínseco ao ato de ensino.

Segundo César Coll (1994), na aprendizagem escolar devem estar presente conteúdos significativos, estruturados e com uma lógica intrínseca, pois ao contrário dificilmente o/a aluno/a compreenderá os mesmos e tão pouco será capaz de construir novos conhecimentos a partir deles. Assim, se o projeto educacional exige ressignificar o processo de ensino e aprendizagem, é preciso preocupar-se em preservar o desejo de conhecer e de saber com que conhecimento todas as crianças chegam à escola, manter a boa qualidade do vinculo com esse conhecimento e não destruí-lo com o fracasso reiterado, garantindo experiências de sucesso, mas sem omitir ou disfarçar o fracasso.

Fundamentações teóricas direcionadas a compreensão sobre o desenvolvimento cognitivo e a forma pela qual os/as alunos/as constroem o conhecimento, foram fornecidas pela psicologia genética. Por isso é de grande importância um desenvolvimento sadio que propicie uma aprendizagem de qualidade, pois a aprendizagem escolar trará o conhecimento e a criança terá a oportunidade de se transformar em um ser mais autônomo, pensante, independente e protagonista de sua própria história, onde possa ser respeitado e capaz de dar a sua opinião a favor ou contra algo, embasado em sua história de vida e naquilo que acredita ser verdadeiro e essencial.

Entendamos assim o processo de aprendizagem na perspectiva apontada por Meirieu: a interação entre as informações e o projeto não se inicia na escola, nem nas situações de aprendizagem formalizadas; ela existe desde muito cedo e faz com que a criança, ao chegar à sala de aula, como o adulto em nível de formação, disponha de toda uma série de conhecimentos, o/a professor/a, dentro desta perspectiva deverá ser o mediador do processo de busca de conhecimento, organizando e coordenando as situações de aprendizagem, adaptando suas intervenções às características individuais dos/as alunos/as para desenvolver suas capacidades e habilidades intelectuais.

2. O PAPEL DO PROFESSOR NA MEDIAÇÃO DA APRENDIZAGEM.

A Escola que hoje busca ser um espaço de rupturas, transformações e de construção de uma sociedade verdadeiramente democrática deve ter seu trabalho primeiramente, pautado no fazer pedagógico e nas premissas das quatro aprendizagens: aprender a conhecer, isto é, adquirir os instrumentos da compreensão; aprender a fazer, para poder agir sobre o meio envolvente; aprender a viver juntos, a fim de participar e cooperar com os outros em todas as atividades humanas e aprender a ser, via essencial que integra as três precedentes.

Em se tratando do fazer pedagógico, cabe a ela voltar seus olhos especialmente para seus/suas educadores/as, devolvendo-lhes a ousadia diante do ato de educar, pois as mudanças necessárias para a educação de qualidade se manifestam primeiro diante da quebra de paradigmas internos, crenças e valores arraigados ao ato de ensinar. Quando educadores/as tomam consciência destas novas perspectivas, dão o primeiro passo para a mudança e se tornam agentes transformadores.

Salazar traz a tona uma reflexão emancipadora, quando estampa o cotidiano de professores, de diretores, de técnicos e especialistas em educação, ao discutir a prática pedagógica e a postura diante de questões que colocam em cheque crenças e valores que davam sustentação ao seu desempenho como educadores. Demonstra claramente que uma nova ordem se instituiu na organização da sociedade em geral, e como tal é papel da educação acompanhá-la, a fim de promover um fazer pedagógico libertador, democrático, autônomo e capaz de proporcionar a todo e qualquer indivíduo os mecanismos necessários para se firmar como parte indissociável da sociedade e de suas construções, pois como afirma a autora nessa escola, o saber terá função validada socialmente, pois tudo é construído de competências e de habilidades requeridas pela vida no século XXI.

Diante do exposto, percebemos que em relação à educação, o/a docente tem nas mãos a responsabilidade de agir como sujeito em meio ao mundo e de ensinar para seus/suas educandos/as o conhecimento acumulado historicamente, dando-lhes a oportunidade de também atuarem como protagonistas na sociedade. Pois, o/a professor/a além de ser educador/a e transmissor de conhecimento, deve atuar também como mediador. Ou seja, ele/ela deve se colocar como ponte entre o/a estudante e o conhecimento para que, dessa forma, ele/ela aprenda a pensar e a questionar por si mesmo e não mais receba passivamente as informações como se fosse um depósito do/a educador/a.

Freire (1979), afirma que a ação docente é a base de uma boa formação escolar e contribui para a construção de uma sociedade pensante. Porém, o/a docente precisa assumir seu verdadeiro compromisso e encarar o caminho do aprender a ensinar e a cada dia renovar sua ação pedagógica no intuito de atender a necessidade de seus/suas alunos/as no ato da construção de seus conhecimentos e aprendizagem.

A escola e os/as educadores/as devem assegurar que os/as alunos/as aprendam com qualidade e que sejam capazes de desenvolver sua autonomia intelectual. Para tal faz-se necessário que os instrumentos de planejamento, metodologia e registro para a consolidação de uma ação pedagógica estejam pautados na ação-reflexão-ação, assim como o papel do/a professor/a, dentro do processo educativo, seja visto como de ator capaz de assegura ao/a aluno/a seu direito de aprender e se desenvolver de acordo com suas limitações e capacidades, sem perder de vista as possibilidades ofertadas e exigidas pela sociedade.

Por isso, como afirma Kramer (1989), para que essa função se efetive na prática:

[…] o trabalho pedagógico precisa se orientar por uma visão das crianças como seres sociais, indivíduos que vivem em sociedade, cidadãs e cidadãos. Isso exige que levemos em consideração suas diferentes características, não só em termos de histórias de vida ou de região geográfica, mas também de classe social, etnia e sexo. Reconhecer as crianças como seres sociais que são implica em não ignorar as diferenças. (KRAMER, 1989, p. 19)

É exatamente nesse sentido que devemos considerar as experiências sociais acumuladas de cada aluno/a e seu contexto social, de modo a construir a partir daí, um ambiente escolar acolhedor em que o/a aluno/a se sinta parte do todo e esteja totalmente aberto a novas aprendizagens.

Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais (2001), o enfoque social oferecido aos processos de ensino e aprendizagem traz para a discussão pedagógica aspectos de excepcional importância, em particular no que se refere ao modo como se devem entender as relações entre desenvolvimento e aprendizagem, à relevância da relação interpessoal nesse processo, à relação entre educação e cultura e ao papel da ação educativa ajustada às situações de aprendizagem e às características da atividade mental construtiva do/a aluno/a em cada momento de sua escolaridade.

O enfoque social da aprendizagem deve partir da problematização embutida na realidade social da criança, pois somente a partir deste aspecto é que o conhecimento realmente começará a ser construído individualmente e socializado através da mediação do/a professor/a. Assim, ele/ela precisa estar atento e comprometido com sua prática e ser capaz de trabalhar com inovação sem deixar de lado o planejamento de suas ações, pois o processo educativo exige organização sistemática, sem abandonar os princípios de liberdade, atendimento as necessidades individuais e coletivas, oportunidades para todos e formação para cidadania.

Libâneo (1994) afirma que:

A aprendizagem escolar tem um vínculo direto com o meio social que circunscreve não só as condições de vida das crianças, mas também a sua relação com a escola e estudo, sua percepção e compreensão das matérias. A consolidação dos conhecimentos depende do significado que eles carregam em relação à experiência social das crianças e jovens na família, no meio social, no trabalho. (LIBÂNEO, 1994, p. 87)

A concretização do processo de aprendizagem com caráter histórico-cultural exige que a criança seja provocada e instigada a se colocar como sujeito da construção do seu próprio conhecimento e aprendizado, para tal ela deve ser ouvida e suas palavras problematizadas e transformadas numa aprendizagem ativa e critica. Neste sentido, o papel do/a professor/a é de fundamental importância, pois é através dele que ocorrerá a intervenção da prática educativa resultante de orientações, intervenções, mediações e provocações.

Ainda nesta perspectiva, Fontana e Cruz (1997), declaram que pensar sobre o modo como a criança utiliza a palavra, é pensar em uma atividade intelectual nova e complexa. Assim, o/a professor/a deve partir dos conhecimentos historicamente acumulados e levar as crianças a desenvolverem um tipo de atividade intelectual que elas ainda não realizam por si mesmas, ou seja, ao fim do processo, ela deve ter a capacidade de reelaborar o conhecimento e de expressar uma compreensão prática em termos tão elaborados quanto é possível ao/a educador/a.

Evidencia-se então, que a prática social do processo de ensino-aprendizagem só é alcançada a partir do momento em que se estabelece uma ação pedagógica mediadora e problematizadora dos conteúdos sistematizados, das vivencias dos/as alunos/as e dos acontecimentos da sociedade, já que na relação de ensino estabelecida na sala de aula, o/a professor/a deve entender que ensinar é possibilitar ao/a aluno/a momentos de reelaboração do saber dividido, permitindo seu acesso critico a esses saberes e contribuindo para sua atuação como ser ativo e critico no processo histórico-cultural da sociedade. Isso vai além da simples transferência de conhecimento.

Segundo Libâneo (1994, pg.88):

O trabalho docente é atividade que dá unidade ao binômio ensino-aprendizagem, pelo processo de transmissão-assimilação ativa de conhecimentos, realizando a tarefa de mediação na relação cognitiva entre o aluno e as matérias de estudo.

A inter-relação entre dois momentos do processo de ensino – transmissão e assimilação ativa – é de fundamental importância, haja vista que supõe o confronto entre os conteúdos sistematizados, trazidos pelo/a professor/a, a experiência sócio-cultural e as forças cognoscitivas do/a aluno/a, o que permite o enfrentamento dos mesmos, às situações escolares de aprendizagem por meio da orientação do/a professor/a.

Na dimensão do trabalho docente o/a professor/a deve ter bem claro que o/a aluno/a é o centro de seu trabalho e exige muito mais do que olhares tecnicista que estejam distantes de sua própria realidade, precisa olhares que falem a sua língua, que sejam capazes de explorar suas capacidades, que sejam capazes de torná-los cada vez mais e continuamente, atores sociais conscientes não somente da revelação do mundo e de si, mas de sua construção, de sua intervenção em sua história e na do mundo, contingenciando fazeres e pensares para a dimensão de seu destino.

Para pontuar melhor as ações pedagógicas o/a professor/a precisa partir de uma intervenção sistematizada em relação ao desempenho de seus/suas aluno/as, utilizando sempre do conhecimento de instrumentos mais apropriados ou reconstruídos. Pois, não vale conhecer e aplicar qualquer aparato interventivo se, segundo a solicitação do grupo, mudanças são necessárias. Diante de seu comprometimento será capaz de perceber onde, como e quando precisa modificar os referenciais metodológicos, porque melhor do que qualquer outro ator social da escola aproxima-se do seu aluno e consegue realizar leituras que lhe permitem reorientar a sua prática pedagógica.

Pois o processo de apropriação e produção do conhecimento só se efetivará mediante a relação ativa e critica do/a aluno/a com o conhecimento, já que ele/ela necessita refletir, aprofundar o objeto de estudo compreender a realidade e não simplesmente memorizar informações, e é o/a professor/a o grande responsável por conduzir o processo de apropriação do novo conhecimento, permitindo o desvelamento do real e a percussão da própria situação histórica.

Cunha (1989) apresenta algumas habilidades da prática pedagógica e dentre elas destaca que o/a professor/a é a principal fonte de conhecimento sistematizado, e cabe a ele/a se preocupar com os conteúdos, as atividades propostas aos/as alunos/as, porque o desempenho destes depende muito de como ocorreu o processo de mediação, pois o ensino se bem planejado e conduzido, ativa várias funções mentais. Para efetivar esta prática, o/a professor/a é desafiado e precisa buscar meios que motivem, estimulem e levem os alunos à aprendizagem.

Proporcionar um processo intencional de mediação do conhecimento é responsabilidade primária do/a professor/a, pois a educação interfere diretamente no desenvolvimento do individuo que, mediante a qualidade de ensino e aprendizagem que a escola proporcionou e através da apropriação dos conhecimentos científicos, terá condições de compreender as condições sociais de sua vida, transformar sua consciência e agir no sentido de transformá-la.

Vázquez apud Saviani (2003), afirma que:

A teoria em si […] não transforma o mundo. Pode contribuir para sua transformação, mas para isso tem que sair de si mesma, e, em primeiro lugar tem que ser assimilada pelos que vão ocasionar, com seus atos reais, efetivos, tal transformação. Entre a teoria e a atividade prática transformadora se insere um trabalho de educação das consciências, de organização dos meios materiais e planos concretos de ação; tudo isso como passagem indispensável para desenvolver ações reais, efetivas. Nesse sentido, uma teoria é prática na medida em que materializa, através de uma série de mediações, o que antes só existia idealmente, como conhecimento da realidade ou antecipação ideal de sua transformação. (VÁZQUEZ apud SAVIANI, 2003, p. 73)

Dessa forma, observa-se que somente através da ação pedagógica é possível promover a transformação e formar sujeitos sociais críticos e ativos numa sociedade pensante, já que é justamente, pela formação de sujeitos autônomos e produtivos que a educação deve se destacar, pois por meio dela, professores e alunos, reciprocamente aprendem, de modo que assim ambos possam inserir-se criticamente em seu processo histórico e na sociedade.

3. O LÚDICO COMO FACILITADOR DA APRENDIZAGEM.

A evolução humana associada à revolução tecnológica e transformações sociais há muito vem exigindo mudanças no processo educacional escolar. Este por sua vez, ao ser entendido como prática social passa a ser questionado quanto à eficácia dos métodos utilizados por professores/as na construção do conhecimento e conseqüentemente da aprendizagem significativa.

Para atender as reais exigências estabelecidas para um espaço social de formação o conhecimento deve ser focalizado nas experiências e nas vivências das crianças, despertando interesses e facilitando o processo ensino-aprendizagem. Assim, o/a educador/a percebe que ensinar não é apenas transmissão de conhecimento, mas criação de condições e situações para que aconteça a aprendizagem, levando a criança a agir e ter coragem de arriscar-se. É necessário que deixe que a criatividade esteja sempre presente no preparo de seus planos de aula e conseqüentemente nas práticas de sala de aula.

De acordo com Steiner (1986, p. 10):

Quando começamos como educadores a introduzir a coação por mínima que seja, naquilo que a natureza individual quer: quando não compreendemos ser necessário deixá-la livre e sermos apenas os guias auxiliares, prejudicamos então a organização humana para a vida eterna.

Assim, o clima de segurança e de afetividade na sala de aula é importante, pois a criança deve sentir capaz de participar, de propor alternativas, reagir aos estímulos apresentados e avaliar todo o processo de aprendizagem do qual é elemento chave. Para a efetivação deste clima, cabe ao/a professor/a oferecer á criança metodologias eficientes e eficazes, capaz de criar oportunidades de utilizar procedimentos que facilitem sua trajetória para adquirir habilidades, melhor compreensão e utilização das informações recebidas, que favorecerão o desenvolvimento de suas aptidões e relações cognitivas.

Neste contexto o/a professor/a tem um grande papel no processo de ensino-aprendizagem. Pois, ela é muito mais significativa à medida que o novo conteúdo é incorporado às estruturas de conhecimento do/a aluno/a e adquire significado para ele a partir da relação com seu conhecimento prévio. O desenvolvimento deste/a com as atividades criam oportunidade impar para a sua integração com o objeto do conhecimento lhe possibilitando automatizar suas formas, compreender suas possibilidades e enfim efetivar a aprendizagem, dando assim abertura para novas aprendizagens.

Brenelli (1996) declara que:

O sujeito quando interage com o objeto, abstrai suas propriedades segundo suas possibilidades de interpretação. Esta atividade condiciona a abertura de novas possibilidades cada vez mais numerosas e seguidas de interpretações mais ricas. (BRENELLI, 1996: p. 39)

A interação com o objeto gera no/a aluno/a mais segurança para participar ativamente das propostas educacionais, proporciona-lhe condições de estruturar as situações de forma organizada e coerente, de interpretar as possibilidades, de preencher as lacunas, de buscar explicações, de adaptar-se às dificuldades e finalmente de tomar consciência de seus erros e acertos através de reflexão, chegando assim a uma construção cognitiva positiva e satisfatória.

Neste sentido, quando o/a professor/a respeita as potencialidades e capacidades de compreensão da criança, mais chance terá de alcançar os objetivos do processo ensino-aprendizagem, pois ela irá canalizar toda sua motivação e interesse e será um agente de todo esse processo, coordenando idéias, produzindo, percebendo, expressando, conceituando, deixando de ser mero receptor de informações.

Animar o processo de ensino-aprendizagem é dever e função que cabe aos/às docentes desempenhar e, portanto, precisam ser competentes, investigadores, nutrir certos conhecimentos de forma a desenvolverem atividades que sejam divertidas e, que, sobretudo, toquem a sensibilidade dos/as alunos/as, sabendo discernir o que aquilo vai gerar de bom ou ruim para eles/as. Porém a simples busca de novas idéias e metodologias não é suficiente para solidificar as transformações necessárias e propostas, é preciso que transforme também seu material pedagógico, acompanhando assim o interesse da criança por novas descobertas e experiências, gerando situações estimuladoras, eficazes e eficientes para o processo.

A promoção de uma aprendizagem mais ativa e atraente que resulta na efetividade da educação exige o estabelecimento de um ambiente agradável, lúdico, prazeroso e colaborativo que facilitem a execução de brinquedos, brincadeiras e jogos capazes de possibilitar a discussão e troca de conhecimentos entre alunos/as e professor/a. E conseqüentemente de um espaço onde possa demonstrar sua autonomia, independência e participação ativa, capazes de demonstrar seu entendimento das informações absorvidas.

Vale ressalta que a execução de uma atividade ou mesmo a análise de um conteúdo, desperta na criança a curiosidade e faz com que ela avalie e considere a forma como tudo está sendo trabalhado ou apresentado. Assim, o/a professor/a deve pode utilizar diversos recursos pedagógicos, com os quais possibilitarão a construção do conhecimento de forma intensa e abrangendo uma totalidade de indivíduos constituídos em identidade e autonomia tocados pelo saber.

Atualmente, dentro da conjuntura de mudanças estabelecidas ao processo educacional, uma das metodologias considerada como eficiente e eficaz é a ludicidade. Isto porque ela permite maior clareza na aplicação dos conteúdos e serve como ponte de ligação entre o aluno e o conhecimento.

O lúdico tem o poder de motivar o educando, de tornar o aprendizado mais interessante, de facilitar a compreensão dos conteúdos e informações apresentados e de exercer grade influencia no processo de aprendizagem. Ao reproduzir muitas situações vividas em seu cotidiano, por meio da combinação entre experiências passadas e novas possibilidades de interpretações e reprodução do real, de acordo com suas afeiçoes, necessidades, desejos e paixões a criança está construindo o conhecimento e conseqüentemente efetivando a aprendizagem. Estas ações são fundamentais para a atividade criadora do homem.

Miranda (2001) reconhece que a criança aprende vivendo, experimentando, fazendo descobertas e agindo, pois nesta fase tudo gira em torno das brincadeiras, dos brinquedos e das pessoas. Daí a importância do lúdico na escola como instrumento que garanta a criança explorar objetos e situações e elaborar representações mentais sobre o significado do conteúdo, facilitando sua compreensão. Pois ao acreditar em sua capacidade, ela irá se empenhar e participar com maior envolvimento e comprometimento na construção do conhecimento.

WEISS (2004), afirma que a atividade lúdica ajuda na aprendizagem, porém ela deve ser trabalhada levando em consideração algumas observações, como: propor tarefas que sejam adequadas com o nível de desenvolvimento da criança e transformar o ambiente num espaço agradável e bem descontraído. Haja vista que a ludicidade, neste contexto, não pode ser vista apenas como entretenimento, ou um brincar por brincar, mas como metodologia a ser trabalhada com objetivo educacional promotor da aprendizagem significativa.

A ludicidade é de grande eficácia na construção do desenvolvimento da criança, pois o brincar gera um espaço para pensar, e que por meio desta ela avança no raciocínio, desenvolve o pensamento, estabelece contatos sociais, compreende o meio, satisfaz desejos, desenvolve habilidades, conhecimentos e criatividade. As interações que o brincar e o jogo oportunizam favorecem a superação do egocentrismo, que é natural em toda criança, desenvolvendo a solidariedade e a socialização.

Negrine (1994, p.19) afirma que:

…as contribuições das atividades lúdicas no desenvolvimento integral indicam que elas contribuem poderosamente no desenvolvimento global da criança e que todas as dimensões estão intrinsecamente vinculadas: a inteligência, a afetividade, a motricidade e a sociabilidade são inseparáveis, sendo a afetividade a que constitui a energia necessária para a progressão psíquica, moral, intelectual e motriz da criança.

Qualquer ação da família, da escola ou de outro grupo social é considerada como atividades promotoras de aprendizagem, motivo pelo qual o lúdico não pode ser considerado como um passatempo ou diversão superficial, já que, as fantasias na brincadeira simbólica fazem parte de um conjunto de ações que precisam ser estimuladas no intuito de promover um desenvolvimento sadio e equilibradas. É necessário que o/a professor/a tenha clareza quanto à importância da ludicidade para as crianças, compreendendo que o lúdico não se materializa apenas nos brinquedos ou nas brincadeiras, mas nas belas artes, nas cantigas, na arquitetura, nos contos e historias, no design, na cultura etc.

Para Oliveira (2000, p.10) o homem é capaz de durante sua vida desenvolver sua inteligência aprendendo e construindo permanentemente o conhecimento de maneira prazerosa representando simbolicamente sua realidade e interagindo melhor em sociedade. Pois o lúdico não está nas coisas, nos brinquedos ou nas técnicas, mas nas crianças, ou melhor, dizendo, no homem que as imagina, organiza e constrói.

Para a autora a postura lúdica não é necessariamente aquela que ensina conteúdos por meio de brinquedos e brincadeiras, mas no modo de ensinar do/a professor/a, que deve ser ativo, na seleção de conteúdos e no papel do/a aluno/a, que aparece dentro do processo como sujeito da aprendizagem.

Segundo Szymanski (2006), o lúdico utilizado como ação pedagógica é fundamental para o processo de aprendizagem, pois os jogos, brinquedos, brincadeiras, historias infantis, músicas e poesias oferecem um grande leque de possibilidades às crianças em participarem, competirem, produzirem, socializarem além de desenvolverem ato de interpretação, dança e declamação, demonstrando assim habilidades que ainda não foram detectadas, criando novas possibilidades de conhecimentos pertinentes para seu aprendizado.

Quando a criança percebe que existe uma sistematização na proposta de uma atividade dinâmica e lúdica, a brincadeira passa a ser interessante e a concentração do aluno fica maior, assimilando os conteúdos com mais facilidade e naturalidade. Ao contrário, as dificuldades de aprendizagem são evidenciadas. Sob esta visão, aponta-se a importância do imaginário como processo de aprendizagem, neste inclui-se o brinquedo. Brincar é um ato natural e faz parte do desenvolvimento do ser humano. O faz de conta mostra a realidade e são maneiras encontradas pela criança de atuar e modificar, contribuindo para o desenvolvimento tanto motor como psíquico.

Para Dockrell (2000 p 11):

As dificuldades de aprendizagem afetam um número substancial de crianças em nossa sociedade. São heterogêneas, leves, moderadas, graves, de curta ou longa duração e as mesmas exigem avaliações e intervenções e uma teorização dos modelos de funcionamento cognitivo […] As dificuldades de aprendizagem podem ser classificadas de várias formas, a mais relevante é relacionada à base cognitiva subjacente a uma dificuldade, pois a intervenção procura afetar o funcionamento cognitivo, avaliação apresenta um perfil das potencialidades dentro dos domínios relevantes do funcionamento cognitivo. (Dockrell 2000, p.11).

Normalmente a criança, por vivenciar dentro de seu ambiente, momento de curiosidade ela está predisposta a realizar todas as atividades propostas e gosta de aprender. No ambiente escolar quando isso não acontece é porque alguma coisa não está indo bem, neste sentido, é necessário questionar e levantar hipóteses dos motivos das dificuldades apresentadas. Partindo do diagnostico realizado o/a professor/a deve mudar sua postura e buscar métodos que atendam as necessidades e exigências da criança em todos seus aspectos. De acordo com Morais (1986), a falta de estimulação adequada, métodos de ensino inadequados, problemas emocionais, falta de maturidade e dislexia, são causas de dificuldades na aprendizagem.

Geralmente os primeiros sinais de dificuldade de aprendizagem aparecem, normalmente, no ingresso da criança no espaço escolar, momento onde é exigido dela uma maior atenção voltada para as atividades sistematizadas. Nesse sentido, por meio da ludicidade é possível desenvolver na criança a memória, estimular a atenção, se apropriar de conceitos e respeitar regras, condições importantes para que a criança supere suas dificuldades.

Simpson (1973) acredita que mesmo quando as crianças apresentam dificuldades na leitura e na escrita, elas podem desenvolver-se em outras áreas do conhecimento, desde que suas áreas de interesses sejam estimuladas para desenvolver sua auto-estima. Crianças com dificuldade para ler e escrever tem geralmente habilidades para a música, pintura, matemática, ciência e cabe ao professor estimular o desenvolvimento dessas habilidades, auxiliando a utilizar com meio de compensar suas limitações. Daí a importância da utilização do lúdico dentro do processo educacional escolar, já que através dele a criança centraliza suas energias, ultrapassa suas dificuldades, reconstrói sua realidade, cria condições favoráveis fantasia e a transforma em uma fonte de prazer na construção de seu conhecimento e aprendizado.

De acordo com Vygotsk (1984, p.97):

…a brincadeira cria para as crianças uma zona de desenvolvimento proximal que não é outra coisa senão a distancia entre o nível de desenvolvimento real, determinado pela capacidade de resolver independentemente um problema, e o nível de desenvolvimento potencial, determinado através da resolução de um problema sob a orientação de um adulto ou com a colaboração de um companheiro mais capaz.

Assim, o ato de brincar proporciona à criança a zona de desenvolvimento proximal que se define por funções que ainda não amadureceram, mas que estão em processo de maturação, presentes desde seu estado embrionário. Daí a importância de se respeitar o desenvolvimento da criança e oferecer a ela um ambiente propicio a aprendizagem por meio de atividades lúdicas que garantem a apropriação de conceitos necessários para seu desenvolvimento acadêmico de forma gradativa sem queima de etapas da aprendizagem, garantia de excluir do processo prejuízos futuro.

Segundo Maluf (2003, p. 29), as brincadeiras enriquecem o currículo, podendo ser propostas na própria disciplina, trabalhando assim o conteúdo de forma prática e no concreto. Porém, é o/a professor/a, em sala de aula ou fora dela, que deve estabelecer metodologias e condições para desenvolver e facilitar este tipo de trabalho, criando oportunidades para que o brincar aconteça de maneira educativa.

Alicia Fernandéz, (1991), afirma que o aprender, necessita das personagens ensinante e aprendente, ao mesmo tempo do vínculo que se estabelece entre ambos. O ensinante precisa conectar-se com a sua posição de aprendente e favorecer que os/as alunos/as possam conectar-se com a sua posição ensinante. O/a professor/a não é transmissor de informações, mas um favorecedor da construção de conhecimentos no espaço onde se cria entre ele/a e seu/sua aluno/a.

Diante do exposto, podemos afirmar que o conhecimento ao ser construído através do lúdico faz com que a criança aprenda de maneira mais fácil e divertida, estimulando a criatividade, a autoconfiança, a autonomia e a curiosidade, pois faz parte do seu contexto naquele momento o brincar e jogar, garantindo uma maturação na aquisição de novos conhecimentos. Isso é de suma importância, pois ao se expressarem ludicamente deixam aflorar sua criatividade, frustrações, sonhos e fantasias, e assim aprendem agir e lidar com seus pensamentos e sentimentos de forma espontânea.

4. A IMPORTÂNCIA DOS JOGOS E BRINCADEIRAS NA FORMAÇÃO INTEGRAL DAS CRIANÇAS

A interação do individuo com os outros e com o seu meio, feita por intermédio de regras que representam o limite que regula as relações presentes entre as pessoas, na mais tenra idade, se dá através da brincadeira o que lhe proporciona o conhecimento da própria realidade, com o desenvolvimento cognitivo, motor e intelectual e social.

A partir do momento em que a criança tem contato com brinquedos e brincadeiras ela passa a assumir papéis diferentes, vivencia responsabilidades diferentes, podendo assim construir normas para suas brincadeiras e, assim descobrir, interagir e ampliar seus conhecimentos.

Essas práticas são manifestações produzidas nos momentos de ludicidade que darão forma aos aspectos culturais pertinentes a sociedade na qual cada criança está inserida. Assim, segundo Huizinga (1999) estas expressões humanas são anteriores a cultura, por compreender que o homem é antes de se perceber homem, Homem ludens, ou seja, aquele que brinca e no brincar produz-se, produzindo cultura. Afirma ainda que em épocas remotas, os divertimentos eram um dos principais meios de que dispunha a sociedade para estreitar seus laços coletivos e se sentir unido. Isso se aplicava as brincadeiras, aos jogos e em  realização de grandes festas sazonais.

Neste contexto, os jogos e as brincadeiras têm uma importância fundamental na construção do equilíbrio emocional do individuo, pois os mesmos favorecem a ele o processo de separação e integração de eu com o outro, principalmente num ambiente que lhe dê condições não só de interagir, mas também de adquirir conhecimentos do mundo ao seu redor.

Na educação Greco-romana se dava muita a importância ao brinquedo, a brincadeira e aos jogos como instrumentos do processo de aprendizagem, conforme aponta Kishimoto (1990). No século XVIII, com as obras de Rousseau, o uso de tal instrumento foi sendo intensificado no cotidiano das instituições escolares. Porém ao longo da Idade Média, os jogos e as brincadeiras foram banidos das escolas e somente no século seguinte adentra de forma definitiva no campo da educação, isto devido a teoria de Fröebel (1837) que defendia o brinquedo e a brincadeira como cerne do trabalho pedagógico.

Esta pedagogia fröebeliana, serviu de sustentação para o movimento de valorização do brinquedo nas unidades de jardins de infância instaladas em território brasileiro destinadas a educar crianças de três a seis anos. Surge aí o universo lúdico dentro das instituições escolares de forma mais ampla envolvendo o brincar, a brincadeira, o jogo e o brinquedo.

A inserção da brincadeira e do jogo no currículo do ensino fundamental é uma das formas de se considerar as crianças enquanto sujeitos históricos, que participam e transformam a realidade em que vivem. Em virtude da diminuição do espaço do brincar na sociedade atual, cabe a escola disponibilizar este espaço com objetivo de contribuir com a criança na produção do conhecimento e oferecer reais possibilidades de experimentação de situações que envolvam o brincar.

Segundo os PCN’s – Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL, 1997)

As diferentes competências com as quais as crianças chegam à escola são determinadas pelas experiências corporais que tiveram oportunidade de vivenciar, ou seja, se não puderam brincar, conviver com outras crianças, explorar diversos espaços, provavelmente suas competências serão restritas.

Assim, evidencia-se a real necessidade de se inserir na escola a brincadeira e o jogo como papel didático a ser desenvolvido com intuito de educar, ensinar sem cobrança e ao mesmo tempo desenvolver e estimular a interação e a troca de experiência com os outros indivíduos e com o seu próprio meio.

Segundo Zin (2001, p.12):

A brincadeira refere-se à ação de brincar, ao comportamento espontâneo que resulta de uma atividade não estruturada; jogo é compreendido como uma brincadeira que envolve regras; brinquedo é utilizado para designar o sentido de objeto de brincar; atividade lúdica abrange, de forma mais ampla, os conceitos anteriores.

A utilização do brincar, da brincadeira e dos jogos no estabelecimento das ações pedagógicas será de importante valia, já que essas atividades irão de encontro com as necessidades físicas e psicológicas da criança além de contribuírem com elas a entrarem em contato com o mundo do conhecimento e da informação, desenvolver suas habilidades de criar e relacionar esses conhecimentos e aprender a dominar todo tipo de informação.

De acordo com Kahl ( 2003, p. 02):

…no mundo do brinquedo e dos jogos, no qual o educador aprende a editar as regras, a brincadeira não é uma atividade inata, mas sim uma atividade social e humana supõe contextos sociais a partir dos quais o aprendiz comanda uma Nova realidade e estabelece suas normas.

As brincadeiras e os jogos têm como objetivo desenvolver nos alunos as trocas, a interação, a socialização e a vivenciar através da imaginação o seu dia a dia, por isso elas são importantes na formação integral dos/as alunos/as.  Neste sentido o brincar, como momento de aprendizagem, é uma atividade que necessita ser incluída na proposta pedagógica da escola, para proporcionar continuidade às ações desenvolvida em sala de aula e outros espaços ocupados pelo individuo.

Vygostky e Fröebel nos mostram a importância do lúdico, colocando-o como primordial no processo do ensino e da aprendizagem, como preparação da criança, assim ele não podem ser considerado apenas como um passatempo para ocupar o tempo da criança, esses recursos devem ser planejados com a intenção de promover aprendizagem e habilidades no desenvolvimento dos/as educandos/as, que estão em processo de construção e aquisição do conhecimento.

Na escola os jogos e as brincadeiras estão presentes nas mais variadas situações, sob as mais diversas formas e concepções, assim eles podem ser traduzidos em métodos educacionais e recursos didáticos importantes para a valorização da aprendizagem. É na escola que outros valores, caminhos, possibilidades de pensar atribuídas as brincadeiras vão ser descobertos.

De acordo com Oliveira (2002, p 43), no processo de desenvolvimento,

[…] a criança começa usando as mesmas formas de comportamento que outras pessoas inicialmente usaram em relação a ela. Isto ocorre porque, desde os primeiros o ocorre porque, desde os primeiros dias de vida, as atividades da criança adquirem um significado próprio num sistema de comportamento social, refratadas através de seu ambiente humano que auxilia a atender seus objetivos

É importante ressaltar que a brincadeira realizada na escola é diferente daquela que acontece em outros locais. Normalmente, as brincadeiras e os jogos têm uma função, uma intenção, que são determinadas, adequadas, dependendo de onde acontecem. Para Kahl (2003), as brincadeiras ocorridas na escola têm que estar sempre buscando alcançar um objetivo, seja para a alfabetização, seja para o repasse de boas maneiras, ou com quaisquer fins educativos. Isto porque, a brincadeira, em seu todo, é um período de aprendizagem significativa para a criança, independente de onde ocorra.

Kahl (2003) continua a afirmar que:

“Na escola, mais precisamente nas series iniciais, o trabalho com o lúdico pode ser feito de forma a reconhecer as questões da infância, despertando interesses, e como tentativa de estudar os assuntos de modo mais agradável” (KAHL 2003, p. 05).

Conjunturalmente, tais atividades são importantes no sentido de as mesmas serem novas possibilidades de compreensão e apreensão dos conteúdos propostos dentro do contexto escolar, principalmente quando se trata de alunos/as com mais dificuldades. Também não só para desenvolver conteúdos, mas para garantir a motivação e prazer do/a educando/a em participar do cotidiano escolar, assim a utilização do lúdico na escola caracteriza-se como um recurso pedagógico riquíssimo. Segundo Alves, através da brincadeira, a professora pode explorar a criatividade, a valorização do movimento, a solidariedade, o desenvolvimento cultural a assimilação de novos conhecimentos e as relações da sociedade, incorporando novos valores. Neste sentido, a realização da brincadeira na escola é uma garantia do momento mágico acontecer.

Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL, 1997), pode-se afirmar que o aluno precisa elaborar hipóteses e experimentá-las para que se alcance uma aprendizagem significativa sempre são singulares e pessoais.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente estudo contribuiu para a compreensão de que os professores do Ensino Fundamental possam elaborar  conceitos práticos-teóricos sobre a dificuldade de aprendizagem.

Compreende-se que dificuldades de aprendizagem estão diretamente relacionadas ao não aprender, que pode ser uma situação passageira e não deve ser entendido como uma limitação permanente. Pois a aprendizagem é um processo amplo que envolve diversos fatores relacionados ao sujeito e às relações.

Por isso, ao término do presente estudo nos permite concluir que o clima de segurança e de afetividade na sala de aula é importante, a criança deve sentir capaz de participar, de propor alternativas, reagir aos estímulos apresentados e avaliar todo o processo de aprendizagem do qual é elemento chave. No entanto, para a efetivação deste clima, cabe ao educador oferecer á criança metodologias eficientes e eficazes, capazes de criar oportunidades de utilizar procedimentos que facilitem sua trajetória para adquirir habilidades, melhor compreensão e utilização das informações recebidas, que favorecerão o desenvolvimento de suas aptidões e relações cognitivas. Por fim, como afirma Kahl (2003), na escola, mais precisamente nas series iniciais, o trabalho com o lúdico pode ser feito de forma a reconhecer as questões da infância, despertando interesses, e como tentativa de estudar os assuntos de modo mais agradável.

REFERÊNCIAS

BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais. Apresentação dos temas transversais e ética. Brasília: MEC/SEF, 1997.

CAMPOS, D. M. de S. Psicologia da aprendizagem. Petrópolis: Vozes, 1987. COELHO, M. T; JOSÉ, E. A. Problemas de aprendizagem. São Paulo: Ática, 1999.

WRUCK, Dianne Françoise. Desenvolvimento e aprendizagem na escola/Dianne Françoise Wruck, Fernanda Germani de Oliveira. – Blumenau: Edifurb: Gaspar: ASSEVALI. Educacional, 2008.

Por: Iara Maria Stein Benítez em 16/03/2012
Colaboradora do site Cola da Web

[1] Artigo apresentado como requisito Parcial para conclusão do curso de Pós-Graduação em Educação Infantil e Educação especial.

[2] Especialização em Educação Infantil e Educação Especial

 

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here