Inclusão escolar: um estudo de caso a partir da deficiência visual

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CONTEÚDO

ARTIGO ORIGINAL

CAMPOS, Rosimeri de Jesus da Silva [1], JOERKE, Gabriel [2], JESUS, Jorge Souza de [2]

CAMPOS, Rosimeri de Jesus da Silva. JOERKE, Gabriel. Inclusão escolar: um estudo de caso a partir da deficiência visual. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano. 06, Ed. 11, Vol. 09, pp. 29-41. Novembro 2021. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/educacao/inclusao

RESUMO

Atualmente, as Políticas de Inclusão tem sido muito discutida no Brasil e no mundo, tendo em vista a dimensão dos direitos humanos, bem como da educação em uma perspectiva social. Conforme a sociedade foi se democratizando, grandes e importantes avanços ocorreram na Educação, principalmente em se tratando da inclusão escolar. A inclusão escolar consiste no primeiro passo para se trabalhar a inclusão de modo geral, pois, dessa forma, mediante processo de convivência coletiva, as crianças já crescem sabendo respeitar as diferenças. Elegemos como questão norteadora deste artigo a indagação: A Escola Municipal Professora Maria Villany Delmondes no município de Jaciara em Mato Grosso – MT, consegue desenvolver o princípio da inclusão? O objetivo deste trabalho é evidenciar por meio de um estudo de caso a inclusão relativa à uma criança com deficiência visual, popularmente conhecido como cego. A fim de atender aos objetivos propostos, realizamos uma análise dos dados coletados para elaborar a compreensão das dificuldades e dos obstáculos existentes na vida escolar deste aluno. Metodologicamente, o artigo consiste em uma pesquisa qualitativa bibliográfica mediante estudo de caso, cujos dados foram coletados por meio de entrevistas junto aos professores que atuam junto ao discente em questão. A pesquisa foi realizada na Escola Municipal professora Maria Villany Delmondes, tendo como base de pesquisa a realidade que inclui um discente com deficiência visual. A investigação evidencia que existe por parte dos docentes da Escola Municipal Professora Maria Villany Delmondes no município de Jaciara em Mato Grosso – MT, certo esforço em realizar a inclusão do aluno Danilo, sujeito desta investigação. Contudo, ainda há muito a ser feito por parte do poder público, a fim de que estudantes com deficiência visual sejam de fato incluídos.

Palavras-chave: Inclusão, Acesso escolar, Braille.

1. INTRODUÇÃO

Sabedores de que a educação consiste em um direito social assegurado pela Constituição Federal e pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação no Brasil, a educação é ofertada mediante o desenvolvimento e prática de políticas públicas.

Política pública consiste em “um conjunto de decisões inter-relacionadas que são adotadas por um ator ou grupos de atores políticos que envolvem a definição de metas e meios para a sua realização em um quadro de uma situação particular” (DUNN, 1994, p. 70). O conceito mostra que as políticas públicas se apresentam, neste sentido, em um conjunto de opções coletivas interdependentes, associadas às decisões adotadas pelos governos e seus representantes para as diferentes áreas, a saber: segurança, saúde, educação, bem-estar e previdência social dentre outras.

É possível observar que em qualquer das áreas em questão, existem inúmeras possibilidades de ações políticas vinculadas às iniciativas governamentais em desenvolvimento, cujo potencial de operacionalização irá envolver, necessariamente, conflitos e tensões entre diferentes grupos e atores sociais. Ainda na busca pela compreensão de políticas públicas, temos, a partir de Minogue (s/d., p. 5), que:

[…] o que governos fazem” envolve o todo da vida social, econômica e política, seja prática ou potencialmente. Políticas públicas são […], não um campo estreito de investigação, embora analistas de políticas possam bem se concentrar apenas em áreas estreitas de todo o campo. Políticas públicas fazem coisas a economias e sociedades, de forma que, em última análise, qualquer teoria explicativa satisfatória de políticas públicas deve também explicar as inter-relações entre Estado, política, economia e sociedade. são muitas as discussões sobre políticas de inclusão, conforme a sociedade foi se democratizando, grandes e importantes avanços foram desenvolvidos e muito defendidos por movimentos de direitos humanos, em prol da inclusão de pessoas com deficiências intelectuais e físicas nos diversos segmentos da sociedade.

O principal segmento de inclusão está relacionado à educação, pois a inclusão escolar consiste no primeiro passo para se trabalhar a inclusão de modo geral, uma vez que a escola é o lugar onde as crianças crescem aprendendo a respeitar as diferenças e o aluno com deficiência, além de aprender a lidar com as diferenças, com o mundo fora de casa, local que poder ser o único espaço de socialização para muitas crianças especiais.

Partindo da idéia de que uma Escola Inclusiva trabalha para que toda criança possa nela estudar, dispondo-se a se modificar para aceitar qualquer pessoa, porém existe outra maneira de ensinar, avaliar e designar atividades, o foco principal deste trabalho está relacionado à deficiência visual, ou seja, sobre a criança que não tem a visão e é mais popularmente conhecido como cego. A partir da questão norteadora que consiste na seguinte indagação: A Escola Municipal Professora Maria Villany Delmondes no município de Jaciara em Mato Grosso – MT, consegue desenvolver o princípio da inclusão? Intentamos realizar um trabalho metodológico científico com base nessa deficiência, analisando o aluno Danilo do sexto ano da Escola Municipal Professora Maria Villany Delmondes no município de Jaciara em Mato Grosso – MT.

2. COMPREENDENDO O FENÔMENO

A necessidade de acontecer uma mudança no ambiente escolar se deu através de lutas e como os próprios pais observaram que os filhos com deficiências poderiam sim fazer parte da escola como discente dela. Crianças surdas são umas das que sofreram grandemente com essa situação.

Para Lacerda (2006, p. 165):

Devido às dificuldades acarretadas pelas questões de linguagem, observa-se que as crianças surdas se encontram defasadas no que diz respeito à escolarização, sem o adequado desenvolvimento e com um conhecimento aquém do esperado para sua idade. Disso advém a necessidade de elaboração de propostas educacionais que atendam às necessidades dos sujeitos surdos, favorecendo o desenvolvimento efetivo de suas capacidades.

A necessidade de elaboração de propostas educacionais visa não só crianças surdas, mas também as que possuem outras deficiências, pois nas salas de aula há muitos alunos na maioria das escolas públicas do país, causando uma certa fragilidade no sistema de ensino. Para Lacerda (2006, p. 168):

A fragilidade das propostas de inclusão, neste sentido, reside no fato de que, frequentemente, o discurso contradiz a realidade educacional brasileira, caracterizada por classes superlotadas, instalações físicas insuficientes e quadros docentes cuja formação é insuficiente.

Analisando essa grande importância para a educação especial pode-se dizer que simplesmente a sociedade chegou a esse nível de compreensão, solidariedade, respeito e valorização dos sujeitos sem distinção porque o ser humano aprendeu com as diversas situações que foram enfrentando ao longo da história, daí, surge a visão de que a inclusão é um novo modelo educacional a ser inserido no sistema.

Para Lacerda (2006, p. 166):

A defesa deste modelo educacional se contrapõe ao modelo anterior de educação especial, que favorecia a estigmatização e a discriminação. O modelo inclusivo sustenta-se em uma filosofia que advoga a solidariedade e o respeito mútuo às diferenças individuais, cujo ponto central está na relevância da sociedade aprender a conviver com as diferenças.

A história da educação inclusiva é de muitos anos uma luta, onde profissionais relacionados às áreas de saúde e educação tiveram que enfrentar muitos preconceitos para a inclusão de pessoas com deficiências no ambiente escolar. Para Mendes (2006, p. 387):

A história da educação especial começou a ser traçada no século XVI, com médicos e pedagogos que, desafiando os conceitos vigentes na época, acreditaram nas possibilidades de indivíduos até então considerados ineducáveis. Assim, o acesso à educação para portadores de deficiências vai sendo muito lentamente conquistado, na medida em que se ampliaram as oportunidades educacionais para a população em geral.

A proposta da inclusão é nada mais do que adequada para a comunidade escolar, e a escola também se mostra disposta a atender e ao contato com as diferenças, porém não é totalmente satisfatória para aqueles que, tendo necessidades especiais, necessitam de atendimento um pouco especializado e com uma estrutura adequada, que na maioria dos casos, não têm sido propiciadas pela escola. (LACERDA, 2006, p. 166).

Devido às políticas públicas governamentais, passou-se à investir um pouco mais nas escolas pensando nesse paradigma que é o atendimento a educação especial, ou seja, ao atendimento às crianças com deficiência. Para Mendes (2006, p. 388): “Assim, a educação especial foi constituindo-se como um sistema paralelo ao sistema educacional geral, até que, por motivos morais, lógicos, científicos, políticos, econômicos e legais, surgiram as bases para uma proposta de unificação”.

Para Mendes (2006, p. 389) “O princípio tinha como pressuposto básico a ideia de que toda pessoa com deficiência teria o direito inalienável de experienciar um estilo ou padrão de vida que seria comum ou normal em sua cultura […]”.

Este estilo de vida e essas experiências, para o autor, se dão através da inclusão escolar, onde a criança cresce se habituando e sabendo conviver com as demais e por outro lado, aquelas sem deficiência já crescem sabendo respeitar as diferenças.

3. METODOLOGIA

A fim de atender aos objetivos propostos para este artigo, adotamos a pesquisa qualitativa bibliográfica, via estudo de caso. A metodologia qualitativa surge com o advento da fenomenologia, que destaca a subjetividade comportamental dos indivíduos. Conforme Bogdan (1994), quando o pesquisador, faz uso da abordagem qualitativa, utiliza de pontos diferentes daqueles que se utiliza quando faz um estudo do comportamento humano tendo a finalidade de desvendar fatos e causas.

Diante do exposto, a opção pela metodologia qualitativa corrobora com a definição de Bogdan e Biklen (1994, p. 16) para os quais pesquisa qualitativa é compreendida como: “[…] um termo genérico que agrupa estratégias de investigação que partilham de determinadas características. Os dados recolhidos são […] ricos em pormenores descritos relativos a pessoas, locais e conversas e de complexo tratamento estatístico”.

Nossa preocupação como pesquisadora esteve focada no levantamento de informações, primando pelo conceito do desenvolvimento das percepções dos indivíduos e não somente com os resultados e o produto final.

Tal fundamentação encontra respaldo nas características básicas propostas por Bogdan e Biklen (1994). Conforme esses autores, para realização de estudo utilizando abordagem qualitativa as informações são coletadas no local de sua natureza, inexistindo manipulação proposital; os dados são entendidos como relevantes e exibidos de maneira descritiva sem exceção; tendo atenção mais voltada ao processo do que ao resultado; o pesquisador se preocupa com o sentido que o participador define às concepções e à respectiva vida e, o estudo das informações coletadas têm partido de um conceito mais amplo para um mais delimitado. A natureza do estudo proporcionou à pesquisadora, interagir com os sujeitos pesquisados e por intermédio da comunicação, responder perguntas, num processo de debate, interação e reflexão.

A pesquisa bibliográfica por sua vez se configura como sendo o exame de materiais de natureza diversa, que ainda não receberam um tratamento analítico, ou que podem ser reexaminados, criando novas ou interpretações complementares, atividade localização de fontes, para coletar dados gerais ou específicos a respeito de determinado tema. É um componente obrigatório para qualquer pesquisa.

Na visão de Lakatos:

A pesquisa bibliográfica permite compreender que, se de um lado a resolução de um problema pode ser obtida através dela, por outro lado, tanto a pesquisa de laboratório quanto a de campo (documentação direta) exigem, como premissa, o levantamento do estudo da questão que se propõe a analisar e solucionar. A pesquisa bibliográfica pode, portanto, ser considerada também como o primeiro passo de toda pesquisa científica (LAKATOS, 1992, p. 44).

A característica principal da pesquisa bibliográfica, é a de possibilitar ao pesquisador uma bagagem teórica variada, contribuindo para ampliar o conhecimento, de forma a fazer da pesquisa um material rico sobre o assunto, fundamentando do ponto de vista teórico o material a ser analisado.

Nas concepções de Bogdan e Biklen (1994), a “Investigação Qualitativa” tem como estratégia mais representativa: a “entrevista em profundidade”. Para Triviños (1987) a entrevista, além de valorizar a presença do investigador, oferece as perspectivas necessárias para que o informante tenha liberdade e espontaneidade, o que enriquece o estudo num enfoque qualitativo.

O estudo de caso segundo Fonseca:

[…] pode ser caracterizado como um estudo de uma entidade bem definida como um programa, uma instituição, um sistema educativo, uma pessoa, ou uma unidade social. Visa conhecer em profundidade o como e o porquê de uma determinada situação que se supõe ser única em muitos aspectos, procurando descobrir o que há nela de mais essencial e característico. O pesquisador não pretende intervir sobre o objeto a ser estudado, mas revelá-lo tal como ele o percebe. O estudo de caso pode decorrer de acordo com uma perspectiva interpretativa, que procura compreender como é o mundo do ponto de vista dos participantes, ou uma perspectiva pragmática, que visa simplesmente apresentar uma perspectiva global, tanto quanto possível completa e coerente, do objeto de estudo do ponto de vista do investigador (FONSECA, 2002, p. 33).

Diante do exposto, com base nas entrevistas realizadas em campo, buscamos apreender as relações estabelecidas entre os atores sociais e a educação para o mundo de um discente com deficiência visual.

A investigação foi desenvolvida na Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental Professora Maria Villany Delmondes situa-se na Rua Jurucê, bairro Centro, na cidade de Jaciara MT, e funciona nos turnos: matutino e vespertino. Atende a Educação Infantil e Ensino Fundamental e é uma das escolas cicladas no estado de Mato Grosso, que tem como forma de avaliação o uso de registros sob a forma de relatórios, os quais registram os fatos ocorridos em sala de aula que são o produto de uma reflexão sobre a aprendizagem e o ensino.

A referida escola tem em seu quadro de alunos, um razoável número de alunos com deficiência, entre elas a visual e a mental, porém a pesquisa se deu analisando o trabalho da escola e o comportamento do aluno Danilo do sexto ano, pois ele tem deficiência visual de nascença, ou seja, é uma pessoa dita como no popular um cego.

O aluno é acompanhado por uma auxiliar de sala que possui curso livre de Braille. Já entre os professores do aluno, somente duas sabem um pouco sobre esse sistema de escrita, os demais se interessaram em aprender, como foi evidenciado pela pesquisa. Há também dois professores que atuam na sala de recursos que possuem cursos de especialização em atendimento a crianças com deficiência visual e que possuem experiência e bagagem para atender os alunos com deficiência da escola.

A secretária de educação do município junto à escola tem feito um excelente trabalho na elaboração de materiais didáticos em Braille para que os professores tenham suporte, além disso, uma vez por mês é realizado um curso para docentes e auxiliares de sala sobre o trabalho e didática para educação especial.

O aluno demonstrou muitas habilidades e principalmente ao sair para o recreio, uma de suas habilidades inclui o fazer amigos, parece ser bem-humorado e é tratado na escola por alunos, professores e funcionários como um aluno normal, mas, com uma metodologia diferente.

4. APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS

O processo educativo que o aluno Danilo experiência no 6º ano do Ensino Fundamental conta com 7 (sete) profissionais professores, formados em diferentes áreas do conhecimento, sendo todas relativas à licenciatura, dentre as quais podemos citar Pedagogia, Ciências Biológicas, Letras, História, Geografia, Educação Física e Matemática.

A fim de obtermos os dados de análise relativo ao Estudo de Caso, foi realizado um questionário junto aos 7 (sete) professores que atuam diariamente com o aluno sobre o conhecimento mobilizados no atendimento a Danilo, sujeito desta investigação e que possui a necessidade de um atendimento personalizado, em função da deficiência visual.

Tabela 1: Sobre o conhecimento do Braille.

Você já estudou Braile?
Sim 2
Não 5

Fonte: Elaborado pela pesquisadora.

O quadro 1 evidencia que nem todos os docentes possuem conhecimento sobre o Braille. Tal fato mostra que é complexo pensar na inclusão quando as pessoas desconhecem o fenômeno que justifica tal necessidade, como no caso dos alunos com deficiência visual.

Ao observarmos o gráfico, constatamos que mais de 50% dos professores que responderam ao questionário desconhecem o Braille, conforme pode-se observar:

Gráfico 1: Você já estudou Braille?

Você já estudou Braille
Fonte: Elaborado pela pesquisadora.

O processo de escrita Braille, o qual tem base em 64 símbolos feitos com a mescla de até seis pontos em relevo organizado em duas colunas sendo cada coluna formada por três pontos. Neste processo é possível representar não apenas letras como também, sinais de pontuação e algarismos. Os sujeitos que utilizam o Braille são os deficientes visuais, não apenas aqueles considerados cegos, mas também, aqueles com baixa visão, a leitura é realizada começando pela esquerda e seguindo para direita, com o tato utilizando juntamente as duas mãos, ou apenas uma mão (NOVA ESCOLA, 2009).

Criado pelo francês Louis Braille (1809 – 1852), o qual teve sua visão debilitada em seus 3 anos e aos 16, criou o sistema. Ele teve seu olho furado por uma das ferramentas do seu pai, que exercia trabalho com couro. Depois deste acontecimento, o garoto teve seu olho gravemente infeccionado ocasionando assim cegueira total.

Sobre buscar conhecer o Braille já que possui aluno com deficiência visual:

Tabela 2: Você já estudou Braille agora que tem um aluno com deficiência visual?

Você já estudou Braille agora que tem um aluno com deficiência visual?
Sim 4
Não 3

Fonte: Elaborado pela pesquisadora.

Mesmo diante do fato de terem como aluno uma criança com deficiência visual, nem todos os docentes buscam se apropriar do assunto, conforme pode-se observar no gráfico 2.

Gráfico 2: Sobre estudo de Braille para docentes

Sobre estudo de Braille para docentes
Fonte: Elaborado pela pesquisadora.

A falta de informação é ainda o principal problema em relação ao Braille, uma vez que diversos educadores acreditam ser fácil ensinar o Braille a um estudante cego. Contudo, a alfabetização utilizando este sistema tem suas peculiaridades, e para que o educador realize esse objetivo com sucesso, tem de procurar ajuda.

Diante do exposto, com base em observações e nas entrevistas realizadas em campo, foi possível apreender as relações estabelecidas entre os atores sociais e a educação para o mundo de um discente com deficiência visual. As observações se deram sobre o comportamento e desempenho do aluno, sendo uma em sala de aula e outra no recreio, e também mediante o questionário aplicado junto aos professores do aluno incluído os professores da sala de Atendimento Educacional Especializado AEE.

Observou-se que em sala de aula, o aluno tem facilidade em compreender a explicação do professor, tendo participação oral e escrita, interagindo bem com todos em sala. Os materiais entregues ao aluno são em braile com exceção de materiais manipuláveis como poliedros nas aulas de matemática e materiais das aulas de educação física.

As maiores dificuldades do aluno em relação à realização das atividades, está ligada ao pouco conhecimento dos professores em trabalhar com alunos com deficiência visual e pouco ou nada de conhecimento sobre braile. Contudo, os professores da sala de recursos, que se dedicam em estudar sobre vários tipos de deficiências, possuem mais facilidade para trabalhar com o aluno.

No recreio, o aluno se comporta de forma normal, exigindo a ajuda da auxiliar apenas no retorno para sala de aula, ele quer correr e brincar com os demais alunos e não aceita ser considerado como diferente. Neste caso, as dificuldades observadas são sobre a interação de brincadeiras por parte de alguns alunos que talvez por preconceito ou não acreditar nas condições do colega com deficiência visual, recusam a brincar com ele.

Podemos afirmar que a escola inclusiva é aquela que sente que é seu papel se adaptar aos alunos. Diante de uma criança surda, contrata-se um intérprete de sinais, ao cego, oferece material em braile; ao cadeirante, carteiras compatíveis; à pessoa que necessita de digitar o aprendizado, providencia-se um computador etc.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Embora esta investigação tivesse por foco a inclusão de um aluno com deficiência visual, é importante destacar que a inclusão implica uma mudança de perspectiva educacional, pois vai além do atendimento dos alunos com deficiência e os que apresentam dificuldade de aprender, devendo também incluir as diferenças culturais, sociais, étnicas, religiosas e de gênero. Ou seja, a diversidade humana está sendo cada vez mais desvelada e destacada, sendo condição imprescindível para se entender como aprendemos e como compreendemos o mundo e a nós mesmos.

Com base na fundamentação teórica, na pesquisa e na análise dos dados, pode-se concluir com esse estudo que a Escola Estadual Professora Maria Villany Delmondes, localizada em Jaciara no estado do Mato Grosso-MT, trabalha de acordo com as políticas de inclusão e que os docentes estão buscando obter conhecimento, ainda mais e principalmente no que diz respeito ao Braille para poder atender ao aluno que carece de um atendimento especializado em sua totalidade de pessoa com deficiência visual.

É possível afirmar a Escola Municipal Professora Maria Villany Delmondes no município de Jaciara em Mato Grosso – MT, consegue desenvolver o princípio da inclusão junto a realidade educacional experienciada pelo aluno Danilo, sujeito nuclear desta pesquisa. Contudo, se faz importante destacar que ainda há muito a ser feito para que as escolas públicas possam incluir com qualidade todos os alunos que precisam de atendimento especializado.

REFERÊNCIAS

BOGDAN, R.; BIKLEN, S. Investigação Qualitativa em educação: uma introdução à teoria e aos métodos. Porto, Portugal: Porto Ed. Coleção Ciências da Educação, 1994.

BRASIL. Constituição Federal. Brasília. 1988.

BRASIL.  Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB. Lei Nº9394/96. Brasília. 1996.

DUNN, W. N. Public policy analysis: An introduction. 2. ed. Englewood Cliffs, N. J.: PrenticeHall, 1994.

FONSECA, J. J. S. Metodologia da pesquisa científica. Fortaleza: UEC, Apostila. 2002.

HAM, C.; HILL, M. The Policy Process in the Modern Capitalist State. Ed. Prentice-Hall. 1993.

LACERDA, C. B. F. de. A inclusão escolar de alunos surdos: O que dizem alunos, professores e intérpretes sobre esta experiência. Cad. Cedes, Campinas, vol. 26, n. 69, p. 163-184, maio/ago. 2006.

LAKATOS, M. E.; MARCONI, M. de A. Metodologia do Trabalho Científico. 4 ed. São Paulo. Revista e Ampliada. Atlas, 1992.

MENDES, E. G. A radicalização do debate sobre inclusão escolar no Brasil. Revista Brasileira de Educação v. 11 n. 33 set./dez. 2006. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rbedu/v11n33/a02v1133.pdf. Acesso em: 02 de maio de 2018.

NOVA ESCOLA. Como funciona o sistema Braille? São Paulo SP.  Setembro de 2009.

PAULON, S. M. et. al. Documento Subsidiário a política de inclusão. Brasília: Ministério da Educação, Secretária de Educação Especial, 2005.

[1] Mestrado em Educação Incompleto, especialização em educação infantil e graduação em licenciatura plena em Geografia.

[2] Orientador.

[3] Mestrado em Educação Incompleto; Especialização em Informática na Educação; Graduação em Licenciatura Plena de Ciências Biológicas.

Enviado: Julho, 2021.

Aprovado: Novembro, 2021.

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