Dois Perfis Femininos em Mariquinha: Análise Mítica do Conto Amor de Maria, de Inglês de Sousa

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Dois Perfis Femininos em Mariquinha: Análise Mítica do Conto Amor de Maria, de Inglês de Sousa
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ROCHA, Roberto Jorge de Montenegro [1]

ROCHA, Roberto Jorge de Montenegro; Dois Perfis Femininos em Mariquinha: Análise Mítica do Conto Amor de Maria, de Inglês de Sousa. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 03, Ed. 06, Vol. 03, pp. 89-105, Junho de 2018. ISSN:2448-0959

Resumo

O conto ‘’Amor de Maria’’, de Inglês de Sousa, publicado no livro Contos Amazônicos, é uma leitura literária da atuação da personagem Mariquinha na narrativa, sob a ótica dos teóricos de gênero fundamentadas na sociedade da época. O narrador retrata na história a personagem principal de forma pejorativa e ainda se intitula dentro da narrativa de forma sarcástica, com uma postura sexista. A literatura demonstra de forma histórica as imposições feitas às mulheres, como no conto abordado, fazendo uma crítica à sociedade da época prolongando-se até a contemporânea, em que há um efeito ilusório de submissão e regras voltado ao feminino, de forma a mostrar uma possibilidade e caminhos a serem percorridos sem discussão. Contudo, serão feitas comparações de ideias encontradas em “Maria bíblica” e com a Lenda da Iara. Para tanto a pesquisa fundamenta-se na teoria da Residualidade Literária e Cultural organizada por Roberto Pontes e na Morfologia do Conto Maravilhoso, por Vladimir Propp.

Palavras-chaves: Conto, Mito, Residualidade, Sexismo, Maria e Iara.

1. Fundamentação teórica

1.1 Teorias do conto

Antes de abordamos as análises e comparações neste conto, é de fundamental importância sabermos com qual gênero textual estamos lidando, entender a sua estrutura e características, encontrando-as dentro da saga de Mariquinha. A história Amor de Maria do escritor Paraense Inglês de Sousa, pertence a uma modalidade de texto, chamado texto narrativo, ou seja, está relacionado com o ato de narrar, relatar sobre um determinado assunto. Entre os tipos de textos que representam esta modalidade está o conto. É este gênero textual que encontramos na saga Inglesiana, ao qual corroboremos e discorreremos a respeito.

No que se refere às origens, nos remonta aos tempos antigos, representado pelas narrativas orais dos antigos povos nas noites de luar, passando pelos gregos e romanos, lendas orientais, parábolas bíblicas, novelas medievais italianas, pelas fábulas francesas de Esopo e La Fontaine, chegando até os livros, como hoje conhecemos.

Em meio a esta trajetória, revestiu-se de inúmeras classificações, resultando nas chamadas antologias, as quais reúnem os contos por nacionalidade: brasileiro, russo, francês e por categorias relacionadas ao gênero, denominando-se em contos maravilhosos, policiais, de amor, ficção científica, fantásticos, de terror, mistério, dentre outras classificações, tais como tradicional, moderno e contemporâneo.

O conto é uma obra de ficção, um texto ficcional. Cria um universo de seres e acontecimentos de ficção, de fantasia ou imaginação. Como todos os textos de ficção, o conto apresenta um narrador, personagens, ponto de vista e enredo.
Classicamente, diz-se que o conto se define pela sua pequena extensão. Mais curto que a novela ou o romance, o conto tem uma estrutura fechada, desenvolve uma história e tem apenas um clímax. Num romance, a trama desdobra-se em conflitos secundários, o que não acontece com o conto, este é conciso.

Por outro lado, o conto é um gênero literário que apresenta uma grande flexibilidade, podendo se aproximar da poesia e da crônica. Os historiadores afirmam que os ancestrais do conto são o mito, a lenda, a parábola, o conto de fadas e mesmo a anedota. É importante salientar para as diferenças entre um conto e uma crônica, o conto é sempre uma narrativa inventada, um texto ficcional, com personagens e estrutura mais elaborada; a crônica é um relato do cotidiano, discorre sobre a realidade, com estrutura mais simples. O ato de contar histórias remonta a épocas antigas da humanidade. A verdade é que a maioria das pessoas, em um determinado momento de sua existência, já teve a oportunidade de se entender em meio às encantadoras ou até mesmo as horripilantes histórias contadas pelos nossos antepassados. Historias que nossos avôs contaram aos nossos pais e eles nos contaram, os contos veem sendo transmitidos a gerações através da linguagem humana.

Desde pequeninos ouvimos histórias contadas por alguém, seja por familiares, amigos, e uma grande parte delas pelos livros. Quem não conhece a história do Chapeuzinho Vermelho, A bela Adormecida, Os Três Porquinhos, entre tantas outras.

Quando nos reportamos à referida referencia, sabemos que toda historia se perfaz de um encadeamento de fatos, e que estes ao serem narrados vão conferindo sentido ao enredo e envolvendo o interlocutor mediante os acontecimentos. Tal particularidade permite que o conto, didaticamente, pertença ao gênero narrativo diante aos padrões estabelecidos pela literatura. Deste modo o conto se assemelha aos demais textos no que se referem aos aspectos constitutivos já mencionados, tais como: personagens, tempo, enredo, espaço, dentre outros. Entretanto, é importante mencionar que em termos comparativos, o conto possui uma diferença aos demais textos. Segundo FIORUSSI (200, p. 103),

Um conto é uma narrativa curta. Não faz rodeios: vai direto ao assunto.
No conto tudo importa: cada palavra é uma pista. Em uma descrição, informações valiosas; cada adjetivo é insubstituível; cada vírgula, cada ponto, cada espaço – tudo está cheio de significado […]

O conto se caracteriza por ser uma narrativa curta, no qual o espaço e o tempo são reduzidos, como também, apresenta poucos personagens, revela-se como uma narrativa mais completa, fechada.

1.2 Teoria da residualidade literária e cultural

Para demonstrar a presença de resquícios do passado que se acumulam na mente humana e são refletidos no texto de forma involuntária através de diferentes estruturas e temáticas. A teoria aqui trabalhada parte, então, do pressuposto que na cultura e na Literatura nada é original, tudo em sua origem é um resíduo. Assim, resíduo vem a ser composto de sedimentos mentais que remanescem de uma cultura em outra. Em Mariquinha podemos ver os aspectos comportamentais e culturais que na prática foram transmitidos através da linguagem por gerações passadas até chegar neste dado momento histórico. Então na narrativa inglesiana as funções e as falas dos personagens não seriam algo tão inovador, surgidos do nada. Mas, seriam resquícios literários e culturais transmitidos de gerações passadas, com algumas mudanças, não deixando perder a essência desses resíduos literários e culturais.

Com essa teoria, quis Roberto Pontes, primeiramente, mostrar (sobretudo na Literatura) que certos aspectos comportamentais e culturais “vivos” e tidos como pertencentes a um dado momento histórico são, na verdade, traços característicos duma era passada, que foram retomados, por uma pessoa ou por um determinado grupo, de forma consciente ou inconsciente. (TORRES. 2001, P. 85)

Essas mentalidades podem ser retomadas de forma involuntária ou não, por um grupo ou um indivíduo, as ideias que se tem de feminilidades e masculinidades já foram criadas e fundamentadas no passado, e foram sendo transmitidas através das gerações, de certa forma podemos ter no presente muitas ideias contrarias umas as outras, mas vale ressaltar que nada é totalmente original, e todas partem de ideias antigas, são imitações de mentalidades culturais e literárias que remanescem do passado. Temos na história de Mariquinha resquícios de mentalidades tidas a dois milênios atrás na imagem da Virgem Maria repassadas de forma inconsciente ou não ao texto. Os indivíduos podem transmitir uns aos outras mentalidades, de forma que se chegue a uma mentalidade coletiva que seria a soma dessas mentalidades transmitidas entre os indivíduos. Entretanto, mesmo que essas mentalidades sejam consideradas individuais até se chegar em um “todo” na mentalidade coletiva, elas tiveram de ser transmitidas de alguma maneira a cada individuo, para poder fazer parte de seu acervo linguístico. É uma mera ilusão acreditar que essas mentalidades individuais são inovadoras, provavelmente são imitações de mentalidades já existentes na cultura e na literatura que foram retomados.

Resíduo tudo aquilo que remanesce do passado, independente de ter sido retomado de forma consciente ou inconsciente por parte de um indivíduo ou de um grupo ou camada social. (TORRES, 2001, p. 88)

A mentalidade tem a ver não só com aquilo que a pessoa de um determinado momento pensa. Mas um indivíduo e mais outro indivíduo e mais outro indivíduo, a soma de várias individualidades, redunda numa mentalidade coletiva. E essa mentalidade coletiva é transmitida através da História. Por meio da mentalidade dos indivíduos, a mentalidade coletiva se constrói. E esta última é transmitida desde épocas remotas, e mesmo remotíssima a épocas recentes (PONTES in TORRES, 2001, p. 91).

De forma cultural e literária as ideias foram sendo transmitidas através das gerações. O conto é um grande exemplo de residualidade, sendo transmitido de forma oral, escrita ou pela linguagem de sinais, são histórias repassadas através de gerações, de uma cultuara a outra, dentro do mesmo território ou vindas de lugares mais distantes, como da Europa ao Brasil, como no caso das Sereias, seres mitológicos trazidos da cultura grega, passando por transformações e enquadramentos na cultura local, até chegar a Lenda da Iara. Essas transformações e lapidamentos na imagem primitiva das Sereias Roberto Pontes caracteriza como termo “cristalização”.

O termo cristalização, da forma como foi pensado por Pontes, relaciona-se ao refino de um elemento cultural, como acontece ao melaço de cana ao se transformar em açúcar, ou então à simples transformação de um elemento cultural em outro. (TORRES, 2001 p. 88)

Em uma cultura existem vários resquícios de outros, são caminhos que se convergem, temos um grande exemplo na mitologia, onde resíduos do passado são retomados e modificados de acordo com cada cultura. No conto tratamos da Lenda da Iara, um ser do Folclore Brasileiro, que tem na sua estrutura transformacional interferências da cultura europeia, das primitivas sereias retratadas na Odisseia de Homero, sereias da mitologia grega que foram modificadas de acordo com as características locais, residualidade literária e cultural, transmitidas a Iara que se trata de um ser hibrido metade mulher e metade peixe, retomando características das primeiras sereias que eram descritas como metade mulher e metade animal.

Hibridação cultural é expressão usada para explicar que as culturas não andam cada qual por um caminho, sem contato com as outras. Ou seja, não percorrem veredas que vão numa única direção. São rumos convergentes. São caminhos que se encontram, se fecundam, se multiplicam, proliferam. A hibridação cultural se nutre do conceito de hibridismo comum à mitologia. Que é um ser híbrido? É aquele composto de materiais de natureza diversa (PONTES in TORRES, p. 94).

1.3 Análise proppiana no conto Amor de Maria

Um dos membros da família sai de casa, temos o afastamento fraternal, a ausência da mãe e um pai desnaturada, que não reconhece Mariquinha como filha legitima. A ausência dos pais remete a uma distancia sentida pela maioria dos jovens. “Quem nunca viu a afilhada do Álvaro Bento (à boca pequena, se dizia ser sua filha natural) não pode ajuizar das graças daquela moça”. (SOUSA, 2005, p. 47).

I. Um dos Membros da Família Sai de Casa (definição: afastamento; designação: β). 1) O afastamento pode ser de uma pessoa da geração mais velha. Os pais saem para trabalhar (113). O príncipe teve de partir para uma longa viagem deixando sua mulher confiada a estranhos. (265). Ele (o mercador) parte para países estrangeiros. (197). As formas habituais de afastamento são: para o trabalho, para a mata, para dedicar-se ao comércio, para a guerra, a negócios. (β 1 ). 2) A morte dos pais representa uma forma intensificada de afastamento (β2). (PROPP, 2006, P. 24).

Impõe-se a mariquinha uma proibição, ela não poderia recusar tantos pretendentes, vários pedidos de casamento, “Desde que chegara aos quatorze anos, começara a moça a ser pedida em casamento e aos dezoito recusara nove ou dez pretendentes, coisa admirável numa terra de poucos rapazes solteiros.” (SOUSA, 2005, p. 47), não poderia acreditar na paixão, ou se apaixonar-se, isso era algo de inacreditável em extremo para a sociedade. “Vivia triste e aflita, vítima indefesa de uma paixão ardente, de uma dessas paixões que a gente só admite nas novelas, mas que também existem na vida real, principalmente entre as mulheres de nossa terra, impressionáveis em extremo”. (SOUSA, 2005, p. 50). II. Impõe-se ao Herói uma Proibição (definição: proibição; designação: γ). (PROPP, 2006, P. 24).

A proibição a qual Mariquinha é submetida fora transgredida por ela, quando se apaixona “[…] despertaram no coração da afilhada do Álvaro Bento uma paixão profunda[…]”(SOUSA, 2005, p. 50) e vai contra as imposições feitas a ela recusando os pedidos de casamentos algo que seria admirável de se ver. “Se a interrogavam sobre a razão de um procedimento pouco comum às moças pobres, a Mariquinha tinha um sorriso adorável dizendo: – Ora, não tenho pressa.” (SOUSA, 2005, p. 48).

III. A Proibição é Transgredida (definição: transgressão; designação: δ).

As formas de transgressão correspondem às formas de interdito. As funções II e III constituem um elemento par. O segundo membro pode existir, às vezes sem o primeiro. As princesas vão ao jardim (β 3) Voltam para casa com atraso. Aqui falta a proibição de atrasar-se. A ordem executada (δ 2) corresponde, como foi observado, à proibição transgredida (δ 1). (PROPP, 2006, P. 24).

Dentro do conto amor de Maria aparece Lourenço tentado persuadir mariquinha enganando-a jurando amor a Maria, somente a Mariquinha, de forma que pudesse ir conquistando-a para poder possui-la. O antagonista ia tentando enganar mariquinha e fazer com que ela se apaixonasse por ele. “Os galanteios de Lourenço, as suas maneiras delicadas, a excitação da vaidade pela emulação provocada pela filha do juiz, despertaram no coração da afilhada do Álvaro Bento uma paixão profunda” (SOUSA, 2005, p. 50). VI. O Antagonista Tenta Ludibriar sua Vítima para Apoderar-se dela ou de seus Bens (definição: ardil; designação: η). (PROPP, 2006, P. 25)

Disse que era a moça mais formosa da vila, e que no Pará, mesmo naquela grande cidade, tão rica em mulheres bonitas, jamais viu formosura igual. Que o seu maior desejo era possuí-la toda para si, porque a amava como nunca poderia amar e morreria, certamente, se não fosse correspondido. – E a Lucinda? – perguntou a moça radiante de amor e de felicidade. A Lucinda era uma tola à custa de quem gostava de divertir-se. Só a Mariquinha amava, só de Mariquinha sentia separar-se, quando se esgotasse o tempo da licença e tivesse de voltar a tomar o seu lugar na alfândega. (SOUSA, 2005, p. 51).

O antagonista Lourenço conseguiu enganar Mariquinha, Maria se iludiu com falsas palavras, no decorrer do conto acreditava que iria conseguir conquistar Lourenço, mas não foi bem sucedida quebrando as suas perspectivas, findou se apaixonando loucamente por Lourenço sucumbindo aos galanteios do rapaz. “Mariquinha sentia a felicidade inundar-lhe a alma, o seu coração abria-se às mais lisonjeiras esperanças, os olhos brilhavam com um fulgor que embriagava a Lourenço.” (SOUSA, 2005, p. 51). Vivia triste e aflita, vítima indefesa de uma paixão ardente […]. (SOUSA, 2005, p. 50). VII. A Vítima se Deixa Enganar, Ajudando assim, Involuntariamente, seu Inimigo (definição: cumplicidade; designação: θ). (PROPP, 2006, P. 25).

Mariquinha some no final do conto sem que alguém saiba o seu destino, provavelmente por todos os fatos ocorridos, por ter se apaixonado por Lourenço, por não ter essa paixão correspondida, pela morte de Lourenço e pela tragédia que ocorreu em Vila Bela. “Tão profunda foi a impressão deixada no meu espírito pela desgraça de que foi autora e vítima ao mesmo tempo a afilhada do tenente-coronel Álvaro Bento”. (SOUSA, 2005, p. 47). XI. O Herói Deixa a Casa (definição: partida; designação: ↑). (PROPP, 2006, P.29).

Quanto à formosa e infeliz Mariquinha, desaparecera de Vila Bela, sem que jamais se soubesse o seu paradeiro. Ter-se-ia atirado ao rio e confiado à incerta correnteza aquele corpo adorável, tão desejado em vida? Ter-se-ia internado pela floresta para perder-se na solidão das matas? Quem jamais o pôde dizer? Hoje, dos seus infaustos amores só resta como lembrança em Vila Bela o nome de Amor de Maria, dado pelo povo ao terrível tajá que matou o filho do capitão Amâncio. (SOUSA, 2005, p. 47).

Mariquinha enfrenta Lourenço algumas vezes no decorrer da narrativa como já mencionado anteriormente, eles ficam frente a frente, e o rapaz sai vencendo nos encontros, conseguindo ludibriar Mariquinha. O Herói e seu Antagonista se Defrontam em Combate Direto (definição: combate; designação: H). (PROPP, 2006, P.35) No entanto Maria no fim do conto aparece preparando um elixir amoroso que de forma omissa mata Lourenço, vencendo a disputa travada pelos dois. XVI. XIV. O Meio Mágico Passa às Mãos do Herói (definição: fornecimento – recepção do meio mágico; designação: F). (PROPP, 2006, P.31).

Mariquinha foi à gaveta da cômoda buscar o tajá que a Margarida havia na véspera trazido do Lago da Francesa, e que, absorvido em pequena porção pelo filho do capitão Amâncio, devia deixá-lo louco de amores pela pessoa que lhe ministrasse. Ela mesma ralou uma porção de raiz em uma língua de pirarucu. Tomou uma colherinha, encheu-a com o resíduo obtido, misturou-o com açúcar e depositou-o numa xícara de café que lhe trouxera a mãe preta. Chamou o moleque e disse: – Aqui está o café para o sr. Lourenço. (SOUSA, 2005, p. 52).

Lourenço, ao tomar o café, coitado! bebeu-o de um trago, sentiu fogo vivo a abrasar-lhe as entranhas. Deitou a correr pelas ruas como um louco. Meia hora depois, falecia em convulsões medonhas, com o rosto negro, e o corpo abriu-se-lhe em chagas. (SOUSA, 2005, p. 53).

2. Análise mítico-residual do conto Amor de Maria

Há nitidamente uma divisão social entre os personagens, no conto em questão, os homens exerciam mais poder e mandavam e desmandavam em Vila Bela. Como resíduo presente na mentalidade amazônica, os homens tinham direito de se aventurarem, fazerem as suas escolhas, e somente depois, pensarem em casamento, as mulheres eram vistas como uma aquisição, um produto. “Eu (apesar de (homem viajado) já ter estado no Pará, no Maranhão e na Bahia)” (SOUSA, 2005, p. 47). A exemplo disso temos em Bocaccio, uma visão da identidade masculina:

[…] as mulheres, […], conservam-se a maior parte do tempo encerradas em seus aposentos; mantêm-se ali, sem nada fazer, sentadas, querendo e não querendo; numa hora só, nutrem pensamentos vários, e não é possível que sejam sempre alegres esses pensamentos. […]. são as mulheres muito menos fortes do que os homens, e necessitam de amparo. (BOCACCIO, p.)

Trabalhando a história “Amor de Maria” sob uma ótica de gênero, podemos analisar as ações, as falas e a atuação de Mariquinha na trama. No decorrer do conto, Mariquinha tem suas falas transmitidas por meio do narrador/personagem que a descreve de forma pejorativa e sua história de maneira sarcástica, apontando que a trama não poderia ter um final diferente diante dos acontecimentos. “Depois, com um sorriso entre sardônico e triste, começou”. (SOUSA, 2005, p. 47) A personagem tinha ido contra a “tradição” ao invés de esperar pelo príncipe encantado, queria agir por conta própria.

O narrador/personagem destaca que Mariquinha é a rapariga mais gentil de Vila Bela. De fato, ela era muito bonita e sabia lidar com as pessoas, realmente gentil e bondosa, agradava a todos. Mas há uma forte ênfase nos atributos físicos da personagem, “mulher sedutora, atraente, era uma donzela de dezoito anos, alta e robusta, de tez morena, de olhos negros.” (SOUSA, 2005, p. 47).

São citadas outras qualidades da Mariquinha e de outras moças, Lucinda e Margarida, mas essa primeira não se difere muito da protagonista no que diz respeito à visão da mulher na sociedade, e a segunda, que cuidava de Mariquinha. “Chorava, e chorava no seio da Margarida, de sua querida mãe preta.” (SOUSA, 2005, p. 50).

Voltando a perspectiva de gênero entre feminino e masculino, há uma divisão na sociedade. Os homens tinham os grandes cargos no governo, eram donos de propriedades, viajantes, aventureiros e assim eram caracterizados. Enquanto percebe-se que são destacados apenas os pormenores físicos sexuais da mulher: moça de família, gentil, sua feminidade, pureza, a inocência, a fragilidade e ingenuidade.

“Porque Lourenço de Miranda era um desses moços que julgam ser-lhes tudo permitido. Acostumado aos namoros fáceis do Pará pensava que em Vila Bela, na vida estreita da aldeia, podia impunemente brincar com o sentimentalismo das raparigas, sem refletir que as nossas moças não estão como as da cidade, fartas de ouvir galanteios nos passeios e nos bailes.” (SOUSA, 2005, p. 50).

As ocupações das mulheres seriam passar os dia nas casas dos familiares cuidando da casa e dos filhos e um dos maiores trabalhos seria a distribuição do tempo de modo a não criar descontentamentos e poder terminar todos os afazeres.

“Choviam convites para passar o dia em casas de amigas, e um dos maiores trabalhos da moça era distribuir o tempo de modo a não criar descontentamentos. Tão agradável era a sua companhia, que as próprias companheiras bebiam os ares pela afilhada do tenente-coronel!” (SOUSA, 2005, p. 48).

Isso seria a visão sexista da época, a jovem depois dos quatorze anos deveria se casar e esta deveria ser a solução, o caminho para o futuro de uma mulher, ideais que se perduravam até o século XIX, tendo a imagem da submissão feminina, de viver sobre regras impostas pela sociedade. “Desde que chegara aos quatorze anos, começara a moça a ser pedida em casamento” (SOUSA, 2005, p. 48).

Finalmente, chegando ao desfecho do conto, Mariquinha tem um final infeliz por causa das suas escolhas. Os caminhos feitos iam contra o habitual, opostas as escolhas que seriam consideradas normais. Por ela desafiar a sociedade e querer traçar os seus próprios passos, Mariquinha sofre a punição. Deixa evidente que essa seria uma história que não deveria ser seguida, não é o ‘’roteiro social‘’ adequado.

Essas ideias contraditórias aos pensamentos conservadores da época — que na prática estaria extinta – onde a mulher nasceu para o casamento, para ser submissa, o padrão ideal, ser mulher/mãe/esposa, comprovando o pensamento sexista e a ideia de que para ter um futuro ou ser adulta a mulher deveria casar.

O triste fim acontece para quem tenta ir contra as regras, os paradigmas da sociedade. Uma sociedade que dita as opções feitas à mulher, uma poderosa e perversa máquina que parece determinar os caminhos a serem percorridos, no entanto Mariquinha vai contra e o conto vira uma trama, sem final feliz. “Foi a espirituosa Mariquinha, que o vira pela primeira vez à missa do Natal, mas que, coitada! logo depois foi castigada pela liberdade com que falara do homem, cuja vida seria ligada ao seu destino.” (SOUSA, 2005, p. 49).

2.1 Virgem maria em mariquinha

Continuamos a análise do conto Amor de Maria sob o olhar bíblico nos traz um pensamento tido há milênios atrás. Em Mariquinha, ser mulher deveria ser casada, as moças tinham o casamento e a construção de uma família como opção de futuro. Mariquinha, aos 18 anos, deveria aceitar uma das propostas de casamento oferecidas a ela. “Desde que chegara aos quatorze anos, começara a moça a ser pedida em casamento e aos dezoito recusara nove ou dez pretendentes, coisa admirável numa terra de poucos rapazes solteiros.” (SOUSA, 2005, p. 48).

Mariquinha era mulher e frágil, as mulheres teriam nascidos para completar o homem, para o casamento. Esse pensamento exposto evidencia um posicionamento encontrado em falas que traduzem um conhecimento de mundo bastante conservador, arcaico e de todo modo avaliado, no qual a mulher e um homem se unem através de laço matrimonial e consequentemente para a procriação, uma confirmação de crescer e multiplicar como citado no livro de Gênesis. Há explicitamente um jogo de poder entre os seres femininos e masculinos dentro do conto Amor de Maria de forma mascarado e sútil, quando a personagem desafia e vai contra o habitual da sociedade. “E disse o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma ajudadora para ele.” Gênesis 2:18

A Instituição do casamento registrado em Gênesis mostra que Deus criou o homem (Adão), e este deu nome a todos os animais, todos estes formavam um casal e, no entanto estava sozinho, então foi feita a mulher (Eva).

‘’Deus criou o homem e depois fez a mulher osso do seu osso’’ para fazer companhia ao homem, auxiliar, ajudar, forma um casal. Comparando com a trama de Mariquinha e o contexto social da época, observa-se o pensamento de que a mulher nasceu do homem e para o homem, sendo submissa e tendo a união como perspectiva para o futuro.

Maria, citada no Novo Testamento bíblico, traz consigo as características do estruturalismo sexista presente no conto Amor de Maria. Os evangelhos canônicos de São Matheus e São Lucas descrevem Maria como uma virgem, passou a sua infância servindo a igreja, de acordo com o costume judaico, e seu noivado teria ocorrido quando ela tinha por volta de 12 anos. Engravidou antes do casamento, concebeu seu filho milagrosamente, permaneceu virgem após o parto. Imaculada­­, Maria foi concebida sem pecado original (a impureza adquirida pelo primeiro pecado de Adão).

Analisando o conto Amor de Maria em comparação com aspectos encontrados em Maria bíblico, em primeiro lugar encontra-se o fator social, pois Maria noivou quando tinha aproximadamente 12 anos e milênios depois a sociedade mostrava a mesma estrutura conservadora que estipulava como os caminhos deveriam ser percorridos. Já Mariquinha, aos 14 anos, era vista como uma pretendente ao casamento pelos moradores do lugarejo, inclusive recebera propostas. “Desde que chegara aos quatorze anos, começara a moça a ser pedida em casamento e aos dezoito” (SOUSA, 2005, p. 48).

Em segundo lugar, nota-se a virgindade. Maria engravidou imaculada, permaneceu virgem pelo resto de seus dias na terra. Mariquinha também permaneceu virgem. Em muitas religiões a virgindade se atrela a pureza, tanto da alma como do corpo. Até pouco tempo a pureza de uma mulher era o seu principal atributo.

O carmim tingiu-lhe as faces descoradas. O tronco do grande taperabá protegeu o primeiro e único beijo que trocaram aqueles dois amantes. No dia seguinte, Mariquinha amanheceu cantando, o que surpreendeu a todos de casa, menos à velha Margarida, que durante a noite ouvira a história do passeio à Prainha. (SOUSA, 2005, p. 51)

A imagem a se destacar em ambas as partes é a figura da mulher, a feminilidade, a inocência, fragilidade, e ambas permaneceram virgens também. Aliás, a personagem do conto inglesiano foi inocente até quando preparou o café temperado com tajá, pois não mensurava as consequências que teria o desandar dos acontecimentos, não sabia o real efeito deste café temperado com tajá. “O tajá inculcado à pobre moça, como infalível elixir amoroso, é um dos mais terríveis venenos vegetais do Amazonas” (SOUSA, 2005, p. 53).

“Pobrezinha também não sabia o que era o amor até seus olhos começarem a se abrirem”.

2.2 Iara em mariquinha

Sereia é um ser mitológico parte mulher e parte peixe (ou pássaro, segundo vários escritores e poetas antigos). É provável que o mito tenha tido origem em relatos da existência de animais, com características próximas do que mais tarde foram classificados como sirênios.

Trabalhando o conto Amor de Maria em comparação com a história mitológica das sereias, observa-se as similaridades, partindo do ponto em que a sereias são seres místicos e em sua história rejeitadas por seu pai ou pais (deuses), jogadas na terra em uma certa ilha e a partir daí começam a encantar os homens. Mariquinha, também rejeitada pelo pai (coronel/comandante) e morando em uma ilha, um povoado em Vila Bela, também encantava os homens.

No conto inglesiano, identifica-se que Mariquinha, assim como as sereias, era capaz de atrair qualquer homem que a visse com a sua beleza de jovem mulher. “Impossível ver aquelas perfeições todas, sem ficar de queixo no chão, encantado e seduzido” (SOUSA, 2005, p. 47). Como as sereias encantavam com o seus cantos, Mariquinha fascinava os homens com o seu andar e com seu dançar, seu belo corpo, cabelos, olhos atraentes, nariz bem feito e mãos delicadas. Além do modo de saber lidar com as pessoas, tratava a todos bem, ninguém era capaz de resistir a seus encantos.

As sereias representam o sexo e a sexualidade na cultura contemporânea. Assim se apresenta Mariquinha dentro do conto. Sua feminilidade e a sensualidade são destacadas na narrativa, a delicadeza e sua bela fisionomia. Ou seja, a sensualidade e a feminilidade são encontradas tanto no mito das sereias como no trabalho inglesiano, o emprego do sexo (gênero) e a sensualidade (encanto).

Em análise do encanto encontrado nas sereias e no encanto encontrado em Mariquinha além de bela fisionomia, tem o canto da sereia, onde se encontraria esse canto em Amor de Maria? Logo se encontra o dançar de Mariquinha, que encantava os homens, e o modo de lidar com as pessoas, que cativava a todos com o seu carisma.

“Quando nas contradanças a moça embalava brandamente os quadris de mulher feita e os seios túrgidos tremiam-lhe na valsa, um murmúrio lisonjeiro enchia a casa, era como um encanto mágico que percorria os ares, prendendo com invisível cadeia os corações masculinos aos passinhos miúdos da feiticeira. Feiticeira, sim, e não como a do Paranamiri, abjeção do sexo, do poder fantástico e, com licença, compadre Estêvão, inadmissível ante a boa razão e a lógica natural: mas com um poder real, um elixir perigoso que tonteava e ensandecia, transformando a gente em coisa sem vontade, pela demasiada vontade que dava!” (SOUZA, 2005 p. 48)

No desfecho do conto inglesiano, Mariquinha aparece tentando fazer um feitiço para conquistar o amor de Lourenço, como uma própria feiticeira, assim como nos mitos das sereias, os homens são encantados. No conto de mariquinha, Lourenço é encantado e tem um final, não tão feliz. Oque acontece com Mariquinha? É um enigma. Esses aspectos de feitiços e feiticeiras são destacados na narrativa inglesiana.

Considerações finais

A análise de Mariquinha no conto Amor de Maria, sob uma perspectiva de gênero, encontrou alguns paradigmas e estereótipos existentes na sociedade. É importante remeter essa análise como uma inquietação, ou questionamento as perguntas encontradas na narrativa.

A preferência por fazer uma leitura de gênero foi a tentativa de desvendar os pressupostos sociais encontradas de forma implícita no conto Inglesiano (determinam ou ditam o que os personagens deveriam fazer). Em análise, encontra-se no decorrer da trama esses impasses entre o ideal e o não ideal imposto pela teia social juntamente encontrado com as críticas a trama social, na qual a mulher deva ser submissa, a visão que se tem de mulher e de homem (masculinidades e feminilidades), diferenças sociais presentes no conto.

As diferenças de identidades discutidas nesse tempo, nos anos de 1800 são ideologias que encontramos na idade contemporânea. É inegável a existência de pensamentos passados de geração a geração, uma linha de pensamento presente na sociedade. É perfeitamente possível fazer tal problematização e foi o que se buscou fazer.

Ao analisar a trama de mariquinha em Amor de Maria e ao fazer comparações com outros contos ou com outros textos. Apesar de serem problematizações presentes na sociedade contemporânea, elas não são tão inquestionáveis como eram no tempo de Mariquinha não seria mais aceitável como algo inquestionável como algo não contestatório.

Este estudo focou na saga de mariquinha, em análise, não toma-se a neutralidade. Não aceitando apenas a visão do narrador/procurador (envolvido na trama social, pertencente ao grupo elitizado e dominante, um procurador sarcástico e sexista, constituindo a divisão social).

O estudo possibilitou levantar alguns pontos, a cerca dessa atuação da personagem mariquinha, consideram-se:

  1. No que concerne o matrimônio, que seria uma consequência natural para a moça, a opção principal para o seu futuro, pressuposto encontrado no gênero bíblico. Aos dezoitos anos mariquinha não pensava em casar tendo já rejeitado vários pretendentes, o que equivale a uma transgressão ao ordenamento social cultural vigente a sua época.
  2. No que se refere à vivência de sua afetividade, percebe- se uma interferência da comunidade, o que não permite Mariquinha ter maiores opções de viver sua sexualidade, onde a sociedade dita caminhos a serem percorridos. A mulher seria frágil, inocente (feminilidade), não teria o direito de se expressar, viver, aventuras, mergulhar em paixões, exercer grandes cargos. E o que pode ser mostrado acerca da objetividade de Mariquinha foi um beijo e a sua forte paixão por Lourenço, tendo como desfecho a tragédia.

Esses pontos evidenciam as tensas relações de poder entre o discurso sexista do narrador e a resistência da personagem quanto ao casamento, relações que surgem de forma implícita no conto inglesiano.

Nota-se uma disputa de poder travada através do discurso verbal (ideologia do ‘’não tenho pressa’’ de mariquinha), da ótica do procurador/narrador da Amazônia interioridade dos 1800 são impressionáveis em extremo; do próprio título da narrativa que faz uma referência de forma irônica ao sentimento de mariquinha por Lourenço. “Se a interrogavam sobre a razão de um procedimento pouco comum às moças pobres, a Mariquinha tinha um sorriso adorável dizendo: – Ora, não tenho pressa. Assim plácida e feliz corria aquela existência.” (SOUSA, 2005, p. 48)

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[1] Graduando em Letras – Língua e Literatura Portuguesa pela Universidade Federal do Amazonas

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