Literatura em Língua Inglesa: Leitura e Análise Textual no Ensino Médio

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DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/literatura/lingua-inglesa
Literatura em Língua Inglesa: Leitura e Análise Textual no Ensino Médio
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SILVÉRIO, Moisés [1]

SILVÉRIO, Moisés. Literatura em Língua Inglesa: Leitura e Análise Textual no Ensino Médio. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 03, Ed. 07, Vol. 04, pp. 51-67, Julho de 2018. ISSN:2448-0959

Resumo

Por meio de uma análise qualitativa, revestida da concepção teórica de renomados doutrinadores e pesquisadores, o presente artigo se propõe a refletir a respeito da busca de modelos alternativos ao ensino da Língua Inglesa aos estudantes do Ensino Médio, intentando se evitar o tradicional, ultrapassado e comprovadamente inadequado método repetitivo e decorativo de verbos e palavras na língua estrangeira. Assim, após verificados os objetivos do ensino-aprendizagem estabelecidos pelos próprios Parâmetros Curriculares Nacionais atuais, conclua-se que os métodos tradicionais de ensino são, de fato, defasados ao que se pretende: o efetivo desenvolvimento do discernimento do aluno perante o mundo globalizado, demonstrando a existência de novas culturas e ampliando a compreensão de mundo do estudante.

Palavras-chave: Língua Inglesa, Literatura, Ensino e Aprendizagem, Ensino Médio.

Introdução

O processo de ensino e aprendizado nos anos finais do Ensino Médio é matéria de constante e progressivo debate por parte de docentes e demais profissionais que atuam em seu desenvolvimento. Sobretudo na disciplina de língua estrangeira, são notáveis as dificuldades que o educador encontra, em seu dia a dia, para atingir os resultados pretendidos ao longo da elaboração da aula.

Os motivos são diversos – e este é justamente o objetivo do presente artigo: expor e refletir, através da coleta de célebre material bibliográfico, pautado em renomados doutrinadores e pesquisas atuais sobre a temática, a respeito da possibilidade de se trabalhar a leitura e a análise textual na língua inglesa na sala de aula, de modo a se encontrar diferentes e efetivos caminhos de transmissão do conteúdo intentado, evitando-se, assim, o ineficiente modelo padrão lecionado atualmente.

Dessa maneira, o presente artigo pretende, através da exposição teórica da temática, não apenas conceituar o tema e apresentar a problemática como objetivo geral, mas realizar verdadeira reflexão a respeito das tão urgentes e necessárias mudanças ao método de ensino-aprendizagem da língua inglesa nas escolas públicas, como objetivo específico, buscando, por fim, correlacionar as informações reunidas com a abordagem do ensino da língua inglesa que é proposta pelos próprios Parâmetros Curriculares Nacionais atuais.

Para tanto, o presente estudo se utiliza do método qualitativo de pesquisa, fazendo-se uso da coleta de dados e materiais relevantes e atuais para o desenvolvimento da sua problemática.  Assim, como entende Gil (2002), a pesquisa revisional qualitativa é a metodologia mais eficiente a ser utilizada quando se pretende averiguar um fenômeno por meio de uma reunião bibliográfica pré-definida. Deste modo, se percorrerá ao longo deste trabalho seguindo os preceitos estabelecidos por doutrinadores renomados e recentes abordagens sobre o tema, como é o caso de Alvarez (2009), Miccoli (2007), Bohn (2006) e Rozenfeld e Viana (2006).

Desenvolvimento

O ensino e aprendizagem de Língua Estrangeira é algo decorrente da própria sociedade, tendo evoluído com o passar dos anos, se desdobrando em várias técnicas de aprendizagem, dentre estas a mais utilizada foi a Abordagem da Gramática e Tradução, ainda presente em alguns países na atualidade, onde o foco principal era a leitura e escrita, e esteve bastante presente nos ensinos de língua estrangeira até meados do século XIX, onde cerceada por diversas críticas ao método acabou cedendo espaço à Abordagem Direta, que tinha como foco principal a oralidade, ensinada através da língua a ser aprendida e nunca pela língua nativa, o que ocasiona grande discussão acerca deste método. Mais adiante houve uma mistura das duas abordagens, em especial nas escolas dos Estados Unidos, por não aceitarem a Abordagem Direta como método de ensino, a qual ficou conhecida como Abordagem para Leitura, tendo como ponto negativo a pouca atenção dada à oralidade no ensino. Outro método desenvolvido na época, foi o chamado Método de Línguas Situacional, implantado no ensino Britânico, que priorizava o vocabulário com aspecto mais importante na aprendizagem de uma nova língua, consistindo em um estudo baseado na repetição e substituição (TIBERIO, 2014).

Voltando ao ensino nos EUA, durante a segunda guerra mundial passou-se a utilizar a abordagem chamada de Audiolingual, que era baseada na oralidade, diante na necessidade que os solados tinham de aprender uma nova língua de maneira mais rápida e eficaz, utilizando-se colaboradores nativos da língua a ser ensinada, através da memorização e repetição de diálogos, que veio a cair por terra devido a diversas críticas recebidas, inclusive dos alunos, por considerarem o método cansativo (TIBERIO, 2014).

Vários outros métodos foram desenvolvidos ao longo dos anos, sempre cercados de críticas, destes últimos, vale ressaltar a chamada Abordagem Comunicativa, desenvolvida na Europa, após a grande insatisfação e desejo de mudança nas estratégias de ensino. Esta abordagem considerava que o ensino linguístico não deveria estar enraizado apenas na estrutura linguística, mas na interpretação comunicativa da língua, dando prioridade ao processo interativo de comunicação. Este último é bastante utilizado nos dias de hoje (TIBERIO, 2014).

Atualmente a necessidade em se aprender e se estudar um segundo idioma nunca se mostrou tão latente na vida do homem contemporâneo, dado aos avanços tecnológicos e sociais, onde indivíduos de diferentes culturas e distintos idiomas são facilmente reunidos em um mesmo espaço virtual através da rede mundial de computadores. Ademais, a própria mídia, em seus diferentes contextos, contribui para a aproximação das culturas, enquanto os meios de transportes se mostram cada vez mais acessíveis e velozes, de modo a ultrapassar barreiras que, em um passado não tão distante, eram vistas como problemas.

Neste cenário, o processo de ensino e aprendizagem de uma língua estrangeira revela-se fundamental graças à globalização. Contudo, indo à contramão dessa importante necessidade, os métodos utilizados, neste estudo em especial, nas escolas de Ensino Médio Público, se verificam ineficazes e ultrapassados, voltados, muitas vezes, para a maçante atividade de decoração e repetição de verbos e palavras pelos alunos. Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Estrangeira, o estudo da segunda língua objetiva atender:

[…]por um lado, às necessidades da educação formal, e, por outro, é a habilidade que o aluno pode usar em seu contexto social imediato. Além disso, a aprendizagem de leitura em Língua Estrangeira pode ajudar o desenvolvimento integral do letramento do aluno. A leitura tem função primordial na escola e aprender a ler em outra língua pode colaborar no desempenho do aluno como leitor em sua língua materna. (BRASIL, 1998, p. 20).

Verifica-se, dessa maneira, que os Parâmetros Curriculares Nacionais em língua estrangeira se ancoram em dois principais caminhos: o do desenvolvimento cultural do estudante, que utiliza a língua estrangeira em seu contexto social, permitindo amplificar suas fontes de conteúdo, e o caminho do próprio progresso no aperfeiçoamento da leitura em sua língua materna, porém, conforme sintetiza Laura Miccoli(2007), em sua obra Experiências de professores no ensino de língua inglesa: uma categorização com implicações para o ensino e a pesquisa, o trabalho do professor de língua inglesa, na sala de aula do Ensino Médio, é voltado, em sua maioria, aos métodos ultrapassados de ensino pautado no ato de repetir e se decorar.

Miccoli (2007) critica veementemente o método atual de ensino, se posicionando a favor de uma abordagem voltada para a interação entre professor e aluno, com base nas experiências sociais de ambos, buscando trazer o aluno para dentro do tema abordado, conforme se vê:

As experiências pedagógicas se caracterizam a partir da determinação de uma abordagem de ensino que vem acompanhada de um material didático para o desenvolvimento de uma ou mais habilidades no uso da língua inglesa, em que as novas tecnologias e a avaliação da aprendizagem são uma preocupação comum aos professores. A relação professor-aluno em sala de aula passa por experiências sociais que revelam como o professor se vê e como ele vê o estudante. Inclui também a natureza da interação entre eles: se colaborativa ou conflituosa. Quando a interação é colaborativa, o professor a aprecia como positiva para a aprendizagem; quando negativa, materializa-se na indisciplina ou na não participação (MICCOLI, 2007, p. 82.)

Ademais, conforme denuncia a autora, a problemática em se trabalhar com leitura e análise textual em língua inglesa, frente às próprias carências no aprendizado da própria língua materna, agrava-se com a questão comportamental dos estudantes: é habitual a desmotivação dos alunos em frequentar ou participar das aulas de língua inglesa.

Frente a este problema, Rozenfeld e Viana (apud. MICCOLI, 2007, p. 82.) acreditam que o distanciamento do estudante quanto à participação das atividades em língua inglesa se verifica pela própria disparidade entre o conteúdo abordado e a realidade do aluno.

Percebe-se assim, que leitura como método de aprendizagem acaba por se tornar algo intrínseco de cada um, não se pode esperar que uma sala inteira reaja da mesma forma ao mesmo tipo de ensino baseado na leitura, posto que, é preciso haver uma interpretação por parte do professor acerca da realidade a qual está inserido o aluno, e como ele reage a determinado método de ensino.

Corroborando com este entendimento, Green e Meyer (1991), acerca da leitura no processo de ensino afirma:

a leitura é vista como um processo situado em eventos de sala de aula e socialmente construído. O que conta como leitura em qualquer sala de aula ou evento de sala de aula não pode ser definido a priori, mas é definido ao longo das interações de professor e alunos com textos ou a respeito de textos. Em outras palavras, a leitura é definida pela situação e é produzida socialmente em eventos de sala de aula (GREEN, J. L.; MEYER, 1991, p. 141).

Acerca do aprendizado, Vigotsky (1996), em sua teoria sociointeracionista, afirma que este se desenvolve a partir de contextos histórico, culturais e sociais aos quais o indivíduo está inserido, se dando a partir da interação deste com a sociedade que o cerca (VIGOTSKY, 1996, apud  Buto, 2013).

Em relação ao papel do professor, Vigotski traz este como mediador da relação aluno/aprendizagem, a partir da concepção de que todo conhecimento adquirido pelo indivíduo desde criança, provém da mediação deste com o ambiente ao qual faz parte, por meio de concepção consolidadas naquele ambiente cultural (VIGOTSKY, 1996, apud  Buto, 2013).

Destarte, a reflexão sobre novas tratativas de abordagens do ensino de língua inglesa nas salas de aula do Ensino Médio faz-se evidente. Neste caminho, compreende Maria Luísa Ortiz Alvarez, em seu estudo Reflexão sobre teoria e prática na formação do profissional de línguas, que:

O perfil desejado do professor de línguas é de reflexivo, crítico, comprometido com a educação, é também o de ser o político que conhece bem seus direitos e deveres, assim como questões sobre política linguística. Mas para poder atingir a mudança no processo de ensino/aprendizagem de línguas, em que o professor está inserido, a reflexão é condição fundamental, pois ela acontece dentro da sala de aula e provoca a tal desejada “evolução” tanto do aluno, como do professor, assim como do processo de ensino e aprendizagem em si. (ALVAREZ, 2009, p. 13).

Deve, portanto, o profissional responsável pela disciplina refletir a respeito de novos caminhos a serem adotados na sala de aula, aproximando-se, ao longo do processo de ensino-aprendizagem, da realidade do estudante, de modo a não somente facilitar a compreensão no conteúdo, mas também permitir com que floresça, desta maneira, o interesse no conhecimento de novas linguagens e culturas. Deste entendimento compartilha Bohn (2006, p.709), ao dispor que o uso de novas estratégias sociais e cognitivas são eficazes ao processo de aprendizagem.

Bowen e Marks (1994) trazem algumas colocações acerca do ensino da literatura e desenvolvimento da leitura dos alunos. Segundo estes inicialmente o foco principal deve ser o tipo de texto a ser apresentado, sendo necessário selecionar textos que estejam inseridos no contexto de interesse dos alunos, e trazer sempre inovação ao leitor. O professor deve manter uma ponte entre aluno e texto a ser lido, demonstrando e despertando interesse no aluno por aquela temática, de forma que o aluno se sinta inserido naquele tema. O professor pode buscar utilizar-se das estratégias de leitura, a quais serão pormenorizadas adiante, mas em resumo, afim de se evitar o desinteresse do aluno quando à leitura, pode-se explicar que a leitura nem sempre precisa ser feita em sua totalidade, mostrando a importância das palavras chaves, e como isso facilita a leitura e o aprendizado, mas não deixando de incentivar as leituras extensas.

Adentrando mais ao tema das estratégias de leitura, Jansen(2002) apud Angelo, considera que estas são de extrema importância para o desenvolvimento da aprendizagem. Dentre as principais estratégias a serem utilizadas, faz-se mister ressaltar algumas, quais sejam (JANSEN (2002) apud ANGELO (2014).

Skimming, trata-se de uma leitura superficial do texto, afim de se aferir de maneira superficial uma ideia geral do que se trata o texto, apesar de não ser uma leitura atenta ao texto em si, exige uma certa habilidade em leitura, para que a pessoa consiga abstrair de logo as informações que precisa, afim de ter uma noção se vale a pena a leitura ou não.

Scanning é semelhante ao Skimming, porém sua finalidade é mais objetiva, a leitura rápida é feita buscando informação e termos exatos, onde o leitor procura por palavras chave.

ANGELO (2014), considera essa técnica muito útil ao aprendiz da literatura Inglesa, conforme suas palavras:

O leitor que usa o scanning nas suas leituras, principalmente em sala de aula, pode ter o entendimento de um texto com mais rapidez e eficácia, sendo que através dos pontos específicos que ele observar por meio dessa estratégia entendera do que se trata o texto e ainda terá seus objetivos de leitura alcançados (ANGELO, 2014, p. 31).

Prediction é uma estratégia básica de leitura baseada na suposição. Quando se inicia uma leitura, de imediato se faz predefinições baseadas em termos, expressões e frases do texto, assim o leitor agrega o seu conhecimento ao que está lendo e consegue através de dedução chegar a uma compreensão mais clara do texto. Essa estratégia trará um rendimento maior ou menor de acordo com a carga de conhecimento já trazida pelo leitor a respeito do que está lendo.

Scott (1990) apud Angelo (2014, p.32):

a inferência é uma estratégia em que o leitor faz uso da dedução de vocábulos de acordo com as informações do contexto e também de seu conhecimento prévio. É importante essa estratégia, pois, o estudante sabendo fazer uso da inferência, ficará mias seguro em sua leitura, facilitando assim a compreensão do texto […].

Cognates estratégia de aprendizado através de palavras que possuem mesma raiz, e se assemelham às palavras do vocabulário português, sendo algumas praticamente idênticas.

ReapetedWord baseia-se na utilização de palavras que mesmo grafadas de forma diferentes, quando repetidas ao longo do texto, facilitam a compreensão da língua.

Typography, nessa estratégia utiliza-se de elementos que transmitem a informação do texto sem a necessidade de estar escrito, como a utilização de imagens.

KeyWords, através de palavras chaves próximas ao tema do texto, utilizada em conjunto com a skimming, auxilia na interpretação e entendimento do texto de forma mais rápida e eficaz.

Lima (2009) também sobre o uso da literatura no ensino da língua inglesa assevera que está deve ser compreendida em três fases distintas, sendo a primeira fase a pré-leitura onde os alunos iram se ambientar com o texto e com o assunto ali proposto, pode ser por meio de imagens, ou qualquer outro aparato que permita essa familiarização, com a obra, com o autor, de forma a instigar a leitura e provocar a discussão.

A segunda fase é a leitura, aonde os alunos vão se concentrar na leitura propriamente dita do texto, de forma silenciosa, buscando palavras conhecidas, tentando compreender o texto, seus personagens, o lugar e tempo onde a história se passa, fazendo uma análise do que se passa na história.

A terceira e última fase é a pós-leitura, onde professor e alunos devem discutir e fazer uma reflexão crítica, de forma que estes interajam entre si e debatam a ideias que aferiram com a leitura do texto.

Saindo um pouco do campo das práticas de ensino, interessante trazer a baila alguns pontos que devem ser compreendidos a respeito da importância da literatura neste aprendizado, indo além dos quesitos da educação, e adentrando o  universo pessoal/social dos alunos, são eles:

Motivação

A literatura como método de ensino fundamentalmente carece de uma motivação por parte dos alunos, uma vez que existe uma resistência natural das pessoas mais jovens quanto ao estudo de obras clássicas. Tal motivação pode ser conseguida através do relacionamento da literatura clássica estrangeira com obras de outras mídias, como o cinema e séries televisivas, que adaptam diversas obras clássicas que de outra forma não seriam de conhecimento dos alunos. A motivação nasce através de uma ligação do clássico com o moderno ( LAZAR, 1993).

Autenticidade

A literatura irá inserir o aluno na cultura do outro país, de forma autêntica, a partir do momento que são utilizadas obras oriundas de países originalmente de língua inglesa, da mesma forma que na disciplina de literatura e língua portuguesa apoiam-se em obras de autores brasileiros, contribuindo não só para o aprendizado da língua, gramaticalmente, mas também fornecendo conhecimento histórico da cultura do país em diferentes épocas.  A motivação é base para o estudo de toda e qualquer disciplina, de forma que sem a mesma, o aprendizado fica deficiente pois o aluno não está sintonizado nem interessado em aprender a respeito do assunto. Tendo isso em mente, é preciso que os professores de língua inglesa tenham conhecimento de ferramentas e linguagens que melhor se adequem à juventude atual e seu ritmo de consumo de informação e conteúdo (COLLIE; SLATER, 1998).

Conhecimento de outras culturas

Através da literatura o aluno terá contato com outras culturas, que juntamente com o seu conhecimento adquirido servirão para a formação psicossocial do indivíduo. Assim como citado no tópico anterior, o contato com obras originalmente de outra cultura é capaz de proporcionar uma imersão à uma realidade, contexto histórico importante para a formação de qualquer pessoa, enquanto cidadã. Sendo assim, associa-se intrinsecamente com a aquisição de maturidade social dos indivíduos no momento em que possuem base para refletir sobre fatos históricos, conceitos relevantes para a sociedade de um modo geral (COLLIE; SLATER, 1998).

Estímulo à aquisição da língua

O contato com a literatura nas aulas de língua inglesa tende a auxiliar na percepção e absorção da nova língua a ser aprendida. Partindo da ideia que, da forma correta, o interesse em conhecer mais a respeito de determinando assunto, o aluno por si mesmo teria interesse em estudar mais da outra cultura através da literatura, e estaria, simultaneamente, tendo contato direto com outro idioma, este por sua vez, intimamente ligado à outra cultura. A base do conhecimento está presente nas obras literárias, independente do avanço tecnológico, a literatura exerce um papel de suma importância no que diz respeito à preservação de todo histórico cultura, por isso, é não só impossível deixar de lado a leitura de literatura, como imprescindível à sua prática (LAZAR, 1993).

Desenvolvimento de habilidades de interpretação

Ponto crucial quando o quesito é aprendizado, a leitura traz ao aluno uma bagagem cultural muito maior, aumentando a capacidade de compreensão tanto do texto quanto do idioma. A interpretação também capacita o aluno a se questionar e realizar reflexões a respeito de um tema, como por exemplo, um período histórico específico demonstrado através de uma obra literária. A formação da consciência social de qualquer indivíduo depende de sua reflexão acerca de temas que são relevantes para a sociedade assim como do conhecimento de momentos importantes que ajudaram o mundo a se tornar o que é nos dias atuais. A notável deficiência na questão da capacidade interpretativa de boa parte dos alunos da rede pública de ensino, não só nos dias presentes, mas desde gerações passados, é um fator alarmante de que algo precisa ser feito, e reconhecer que a metodologia há tanto utilizada está não só ultrapassada mas também impedindo que o estudo da língua inglesa seja melhor visto pelos alunos, e consequentemente, estes desenvolvam habilidades fundamentais para sua vida em caráter profissional, acadêmico e social (LAZAR, 1993).

Expansão da consciência de uso da língua

O estudo de uma língua estrangeira ainda é visto com certa resistência por boa parte dos alunos, muitas vezes ocasionado  pela associação dos métodos com os do ensino da língua portuguesa. A leitura em si em sala de aula já é recebida com certo repúdio, nesse ponto faz-se importante trabalhar o estímulo a dessa prática Quando o professor consegue superar essas barreiras e mostrar aos alunos o outro lado da leitura e do aprendizado de outra língua, tem-se uma aproximação destes com a disciplina, possibilitando resultados mais satisfatórios, e uma visão diferente a respeito de outras culturas (LAZAR, 1993).

Estímulo emocional

A leitura de um determinado texto pode construir sentidos diferentes de acordo com o repertório de conhecimento que o leitor tem. Portanto, ao propor atividades de leitura em Língua Inglesa, o professor como agente provedor do progresso do conhecimento de seu aluno deve se atentar diligentemente para a maneira como seu aluno interpreta o texto, como faz a leitura, isto é, como ele consegue deduzir o que pode ou está escrito no texto que tem em mãos para ler. Para isso, o professor lhe explicará acerca da leitura com o auxílio dos cognatos, assunto que trataremos no próximo tópico. Quando o aluno faz a leitura de textos em Língua Inglesa, percebemos que ele é capaz de ir além da aquisição de conhecimentos sobre a Língua Estrangeira em estudo. É facultado a esse aprendiz a oportunidade de vivenciar seu aprendizado, já que ao obter a habilidade de leitura, consegue ter acesso à informação como, por exemplo, notícias internacionais veiculadas principalmente na internet, que ampliam a visão desse educando quanto a sua capacidade de observar e chegar às conclusões. Desafios para a Docência em Língua Inglesa: Teoria e Prática acerca das diferenças do que está escrito no exterior em relação ao que se escreve por aqui na mídia brasileira. Se o aluno for instruído para ser um leitor que seja sujeito no texto que ele lê, as aulas de Língua Inglesa passarão de uma simples disciplina a mais no currículo para um alvo a ser alcançado, já que os envolvidos nesse processo sentirão real necessidade de se lançar em um compromisso que os compelirá a um objetivo investigativo, no qual serão sujeitos daquilo que estudarão (MARTINS, 2013).

Na medida em que o texto pode ser visto com um meio de quebrar as barreiras sociais, este deve ser utilizado para propiciar uma maior interação do indivíduo com a sociedade. Essa concepção é defendida no PCN de língua estrangeira (BRASIL, 1998), o qual afirma também que:

Para que isso seja possível, é fundamental que o ensino de língua estrangeira seja balizado pela função social desse conhecimento na sociedade brasileira. Tal função está, principalmente, relacionada ao uso que se faz de língua estrangeira via leitura embora se possa também se considerar outras habilidades comunicativas em função da especificidade de algumas línguas estrangeira e das condições existentes no contexto escolar” (BRAZIL, 1998).

Assim, o ensino atinge um nível muito mais elevado do que apenas o mero aprendizado do conteúdo, tomando também lugar como função social.

Trazendo este contexto para atualidade, percebe-se que há uma crescente expansão da literatura estrangeira no país, com temáticas quase sempre voltadas para adolescentes, juntamente com a facilidade com que as informações são passadas, um livro é lançado, logo se torna filme, muito embora as adaptações em sua maioria fogem do roteiro inicial, essa tem atraído o público jovem para o mundo literário, esse deveria ser então um ponto a ser observado, introduzir o aluno à literatura, de forma que este a perceba de forma natural (MARTINS, 2013).

A necessidade de uma mudança de paradigmas quanto à rotina das aulas de inglês no ensino médio, torna-se visível a partir do momento em que se pode observar que o aluno se empenha mais na leitura da atividade proposta, como que em uma simples e mera repetição, do que com a real compreensão e aprendizado do que está sendo lido. Situação que deveria se mostrar de forma diferente, partindo do pressuposto de que aluno está constantemente em contato com a língua inglesa todos os dias, pelos meios de comunicação, no comércio, na internet, e infinitas outras opções que faz o universo da língua inglesa cada dia mais presente na vida do estudante. (MARTINS, 2013).

Neste sentido o trabalho com a leitura de forma a aproximar a aluno tanto de outra língua quanto da sua realidade social mostra não apenas opção, mas uma necessidade ímpar no universo do aprendizado e crescimento pessoal deste. (MARTINS, 2013).

Corroborando com este entendimento, Heloísa Cerri Ramos (2008), se posiciona sobre os métodos de ensino da atualidade, da seguinte forma:

O ideal é utilizar meios que ajudem a seduzir os alunos. A exibição de vídeos baseados nas histórias do autor pode ajudar. Porém o mais importante é o professor contar a relação que tem com a obra, ler trechos dos quais possam falar com paixão e entusiasmo, mostrando os encantos (literários ou não), que chamaram a atenção, as conversas com amigos que ele se identificou e descobriu sobre si mesmo em cada personagem.

Sob esse prisma, é preciso uma consciência dos professores a respeito das ferramentas que tem a mão que possam auxiliar o ensino da leitura, e a introdução da literatura no universo acadêmico, de forma a instigar o aluno a querer aprender,

Fazendo-o perceber o quanto esse momento será valioso tanto nos estudos quanto na vida, de forma a buscar a interação, comunicação e pensamento crítico de um modo geral, cuidando para fazer desse momento algo satisfatório e não uma leitura algo obrigatoriedade, que por consequência irá afastar o leitor (OLIVEIRA E RIBEIRO, 2018).

Conclusão

O presente artigo buscou analisar a temática sobre o ponto de vista da vasta bibliografia disponível e observações pontuais de sua concepção e objetivos percorridos pelos Parâmetros Curriculares Nacionais, procurando reflexionar a respeito da própria importância do ensino e aprendizagem da língua inglesa no ambiente do Ensino Médio sob a perspectiva de se utilizar de novos métodos para promover um aprendizado eficaz e motivador.

Deste modo, verificou-se a importância que um professor reflexivo e experimentalista possui para alterar a realidade estudantil, assumindo um verdadeiro papel de protagonista da relação de ensino-aprendizagem, quebrando conceitos ultrapassados que fazem com que o padrão educacional fique estagnado nos mesmos níveis, principalmente quando se trata de instituições da rede pública de ensino, além de continuar permitindo que os jovens temam ou, no mínimo, não se interessem pelo aprendizado de uma nova língua, por não serem capazes de perceber que através estudo, está presente uma imersão profunda em uma nova cultura, a qual está mais presente no seu dia a dia do que imaginam.

De certo, conforme se pontuou, porquanto o ser humano vai se evoluindo e se adequando às necessidades do mundo globalizado, o estudo da língua inglesa mostra-se evidente e necessário. Há ainda, conforme se observou, clara defasagem pedagógica na construção de tais ensinamentos, de modo que, como resultado lógico, sob a perspectiva doutrinária, o professor contemporâneo necessita buscar novas ferramentas para aproximar a língua estrangeira da realidade do discente, com o intuito de criar uma ligação da sua realidade diária com a cultura de outro país através da literatura e, consequentemente, do aprendizado do novo idioma.

Assim, esta pesquisa perfaz trabalho relevante de exposição dos possíveis desafios que o docente em língua inglesa no Ensino Médio encontrará em seu horizonte, de modo que deve, então, a partir deste momento, abandonar métodos repetitivos e decorativos de gramática e vocábulo estrangeiro, tão danoso para a edificação do interesse dos participantes deste processo, e se valer de técnicas mais bem preparadas para os dias de hoje, onde a informação navega de forma rápida através da internet além da grande presença de mídias como cinema e televisão na vida das pessoas, principalmente os mais jovens. Analogamente à tecnologia, a metodologia de ensino também deve seguir de acordo com os avanços da humanidade sem perder o caráter auxiliador na formação de consciência social que uma instituição de ensino deve ter, de forma que continue contribuindo para que os jovens reflitam sobre o passado e temas necessários para a formação da consciência social, a qual está intimamente relacionada à bagagem cultura e, a partir disto compreendam melhor seu presente e pensem melhor sobre o futuro.

Referências

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[1] Graduação em LICENCIATURA PLENA EM LETRAS (PORTUGUÊS/INGLÊS) pela FACULDADE PEDRO II DE BELO HORIZONTE – FAPE II (2015)

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