A utilização dos jogos na alfabetização matemática

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ARTIGO ORIGINAL

MACHADO, Sandra [1], MATEUS, Adriele Elias [2], BLASIUS, Luirdes Aparecida Kruczkevicz [3], SCAPINI, Renata Janine Bellei [4]

MACHADO, Sandra. Et al. A utilização dos jogos na alfabetização matemática. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 05, Ed. 03, Vol. 09, pp. 67-80. Março de 2020. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/educacao/utilizacao-dos-jogo

RESUMO

Este trabalho tem como objetivo analisar através de leituras e estudos em diferentes meios de pesquisa a importância da utilização de jogos lúdicos na alfabetização dos alunos. Lembrando que o jogo é uma ferramenta de grande importância na educação de crianças, pois fornece estímulos para o desenvolvimento integral do aluno, possibilitando a construção do seu raciocínio lógico matemático de forma diferenciada e eficaz. Por meio de uma proposta lúdica, utilizando jogos podemos proporcionar ao aluno uma aprendizagem significativa, pois o jogo pode agir como um objeto facilitador do conhecimento no ensino da matemática, ajudando o aluno a despertar o interesse para a elaboração do entendimento dos conteúdos abordados, iniciando assim a construção de um pensamento logico matemático. A criança constrói suas bases matemáticas a partir da necessidade de resolver situações problemas no seu cotidiano, vivenciadas no seu contexto escolar. A contribuição dos jogos pedagógicos no ensino da matemática, despertando no aluno um nível de conhecimento essencial para uma educação de qualidade sendo um instrumento excelente para o desenvolvimento dos alunos nos primeiros anos de sua formação escolar, pois o jogo amplia sua capacidade de pensar e sua interação social, sistematizando a fantasia dos conhecimentos reais por ela adquiridos.

Palavras-chave: Jogo, estímulos, matemática, aprendizagem.

1. INTRODUÇÃO

O estudo aqui apresentado visa abordar um tema essencial para uma educação de qualidade, onde o ato de brincar na escola torna-se uma ferramenta importantíssima para a aprendizagem da criança de uma maneira onde a intervenção pedagógica e a preparação do professor tende somente a somar na aquisição do conteúdo por parte do aluno. O papel fundamental da educação escolar é a formação do aluno, porém, o que faz a diferença é a qualidade do trabalho pelo professor em sala de aula.

Neste sentido, compreende-se que um recurso pedagógico de suma importância é o jogo, pois este desenvolve a aprendizagem do aluno de forma lúdica e quando bem utilizado, pode ser usado nas diferentes áreas do conhecimento. Por meio da atividade lúdica através de jogos e brincadeiras, os alunos desenvolvem a comunicação, a socialização, a interpretação, o raciocínio, o trabalho em equipe, o pensamento crítico, o cálculo mental e muitos outros. Porém para que o jogo seja utilizado pedagogicamente é necessário um planejamento prévio, onde se verifica sua intencionalidade, o que se pretende ensinar, não apenas usá-lo aleatoriamente em momentos de ludicidade em sala de aula. O jogo pode e deve ser utilizado para introduzir, revisar, fixar e avaliar desde que bem planejado e elaborado. O professor é o mediador conduzindo os alunos sendo o responsável pelo ensinamento das regras, interferindo quando necessário.

Essa forma de abordagem pedagógica onde se utiliza o lúdico como jogos e brincadeiras contribuem para a resolução de problemas matemáticos num processo de aprendizagem significativa, devido à criança construir suas bases matemáticas por meio da necessidade que no seu dia a dia tenha que resolver situações problemas despertando assim no aluno um nível de conhecimento essencial para sua educação. É citado também a importância dos jogos no processo da alfabetização por meio de atividades lúdicas e jogos, pois já é sabido que os jogos transformam a forma de apresentar os conteúdos que não trazem interesse para os alunos. Aliando o jogo ao processo ensino aprendizagem proporciona também a promoção da disciplina à atividade por meio de jogo desperta o interesse do aluno permitindo assim um melhor desempenho na aprendizagem dos educandos. Este trabalho tem por objetivos descrever a importância dos jogos pedagógicos no processo educativo da criança, compreendendo a importância do lúdico na aprendizagem da criança, refletir sobre o papel do material manipulável em sala de aula e demonstrar o quanto os jogos pedagógicos propiciam melhor entendimento do conteúdo trabalhado. A metodologia desta pesquisa foi realizada por meio de estudos bibliográficos, onde o objetivo buscou analisar as ideias de pensadores e filósofos sobre o tema, observando a contribuição dos jogos pedagógicos na aprendizagem da criança.

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.1 ALFABETIZAÇÃO MATEMÁTICA

No dia-a-dia é constante estar próximo dos números, como por exemplo, olhar as horas, um endereço, o número de telefone, as datas especiais e muitas outras atividades do cotidiano. Não necessariamente se atribui significados a elas, pois geralmente a única correspondência que ocorre é sua representação e não o seu significado propriamente dito.

A matemática, por sua vez, é uma ciência abstrata com uma linguagem simbólica, portanto para ler as informações desta ciência não é suficiente conhecer sua linguagem, mas o seu significado e o seu sentido. É possível definir a alfabetização matemática como uma ação inicial de ler e escrever, quer dizer compreender e interpretar os conteúdos básicos da matemática sabendo expressar-se por meio de sua linguagem especifica.

A alfabetização matemática deve ter seu início nos anos iniciais da escolarização, juntamente com as demais áreas do conhecimento, representando a base para a aquisição dos conhecimentos futuros da criança. Relembrando aqui a fundamentação matemática propriamente dita, onde se é possível constatar que se o aluno não consegue assimilar o processo inicial da aprendizagem, dificilmente conseguirá avançar para adquirir os conceitos mais complexos ou que exijam um conhecimento prévio. É necessário, portanto, que o professor tenha não somente uma única maneira de introduzir os conteúdos, mas sim um repertório vasto e diferenciado onde possa atender todos os níveis possíveis do conhecimento. Caso a escola não souber como trabalhar sistematizando o conhecimento, está poderá acarretar danos irreversíveis no aprendizado da criança.

Apesar de ser definida como o ato de aprender a escrever e ler, a linguagem matemática, a alfabetização matemática é um tema ainda pouco transmitido na esfera educacional. Saber ler, escrever e pronunciar os dados matemáticos é importante, porém, não é suficiente para saber compreender e expressar as ideias que estão cravadas no conceito de número. Isso não significa saber matemática.

Geralmente a criança vê a matemática fora da escola de modo rudimentar e enquanto dentro da sala de aula faz-se necessário utilizar um nível de abstração diferenciado de seu jeito de pensar, o que, muitas vezes acaba confundindo-a e acarretando problemas em sua aprendizagem. Carvalho (1991) reforça que:

Os significados atribuídos aos números fora da escola devem ser considerados e incorporados na abordagem mais ampla que esse assunto assume na sala de aula. A humanidade demorou séculos para descontextualizar o número, não podemos esperar que o aluno o faça espontaneamente ao entrar na escola (CARVALHO, 1991, p. 33).

De acordo com Carvalho (1991) é necessário que o conhecimento que a criança traz de casa seja sistematizado na escola de forma gradativa, sendo que é necessário inicialmente atribuir situações concretas para que o aluno possa sistematizar e abstrair o conteúdo, construindo gradativamente sua compreensão matemática.

Desde que nasce a criança está em contato com o mundo. Através da visão, da audição, do tato, de seus movimentos, ela vai explorar e interpretar o ambiente que a rodeá, antes mesmo de dominar as palavras, conhecer o espaço e as formas nele presentes (TOLEDO, 1997, p. 221)

Toledo (1997) diz que é necessário estar atento a todo conhecimento que o aluno traz em sua bagagem. É essencial que se possa saber utilizá-las de forma que o aluno abstraia aquilo que ele tem de concreto, conseguindo utilizar todas as informações e dados matemáticos nos mais diferenciados contextos.

2.2 O JOGO NA SALA DE AULA

Nos dias atuais, um dos principais objetivos da educação é respeitar o ritmo e as diferenças de cada indivíduo a partir das mudanças culturais, sociais e porque não dizer tecnológicas, pensando em tornar o ensino da matemática divertido, desafiador e motivador, aliando-se a construção e formulação de conceitos relacionados à disciplina em questão. Pensando desta forma, o jogo entra na disciplina como um dos recursos metodológicos, apresentando um caráter lúdico e desafiando novos conceitos.

A partir do jogo, o aluno pode representar elementos da literatura infantil, dentre eles fadas, bruxas, cavaleiros, príncipes, médicos e tantos outros. A representação lúdica é vivida de forma intensa dando prazer ou não à criança, mas apesar do intenso envolvimento, a criança não perde a noção da sua realidade no processo de sua imaginação, conseguindo desta forma, interagir entre realidade e o imaginário.

Lembrando que o lúdico não é somente o ato de brincar ou jogar, ele também é um método para se trabalhar a linguagem oral, a leitura, a escrita, de um modo mais prazeroso que os tradicionais métodos de alfabetização. A criança necessita ter a mente ativa e livre para aprender e desenvolver, explorando, interrogando e agindo, pois a aprendizagem deve sempre partir do que o indivíduo já possui, da sua realidade.

Os jogos lúdicos na matemática, leitura e escrita passam a ter conotações educativas mais específicas e os alunos começam a expandir suas habilidades e conhecimentos através deles. Assim, a influência da ludicidade passa a fazer parte do desenvolvimento e da formação do indivíduo.  O professor ao utilizar-se do jogo em suas aulas de matemática como estratégia para o desenvolvimento da habilidade do raciocínio lógico e da organização de ideias, como exemplos os jogos de memória e amarelinha, terá ferramentas que vão auxiliar na compreensão do número.

Para Nhary:

O jogo uma das atitudes do homem que se vincula ao prazer, a satisfação de estar junto, ao companheirismo, aos antagonismos (competição), as complementaridades (equipes), faz-se presente cotidianamente, sobretudo entre crianças, levando-nos no campo da educação a investigá-lo com um olhar sensível, capaz de compreendê-lo como fenômeno social e cultural onde o brincar/jogar faz parte do aprendizado dos indivíduos, levando-os a vivenciar emoções e situações próprias da natureza humana” (NHARY, 2006. p. 42).

A ludicidade por meio do jogo tem seu papel fundamental principalmente na disciplina de matemática, pois o jogo é muito significativo para a formação do aluno. Salienta-se que no decorrer do processo de ensino-aprendizagem o aluno deve ser conduzido de forma afetuosa, de modo que o professor possa estar instigando, explorando sua curiosidade, viabilizando sua criatividade. O professor deve ainda permitir que os mesmos se sintam estimulados em aprender a parir do jogo, despertando neles um maior interesse. É através dos jogos e brincadeiras que o aluno pode compreender e fixar melhor os conteúdos, tornando o ato de aprender mais harmonioso e com certeza muito mais eficaz.

O trabalho com jogos representa uma atividade lúdica no ensino da matemática, quando trabalhado de forma intencional pelo professor, além de propiciar o “aprender brincando”, também deve ter como objetivo o desenvolvimento da linguagem matemática, de forma a trabalhar estratégias de resoluções de problemas, desenvolvendo também o raciocínio logico do aluno.

Por meio da resolução de problemas, o aluno vivencia o prazer de ultrapassar diversos obstáculos por meio de investigações e a exploração dos jogos com a intervenção do professor de forma adequada, onde o mesmo deve desafiar o aluno para que este possa elaborar estratégias de maneira a percorrer o caminho da problematização, visando assim vencer o jogo, quer dizer resolver o problema, superando os obstáculos.

Os Parâmetros Curriculares Nacionais de Matemática, do Ministério da Educação e Cultura (MEC), faz a seguinte pontuação em relação à inserção dos jogos no ensino de matemática:

Constituem uma forma interessante de propor problemas, pois permitem que estes sejam apresentados de modo atrativo e favorecem a criatividade na elaboração de estratégias de resolução de problemas e busca de soluções. Propiciam a simulação de situações-problema que exigem soluções vivas e imediatas, o que estimula o planejamento das ações (MEC, 1998, p. 46).

Os PCN’s (1998) orientam a utilizar os jogos, porém não fazem orientação sobre o modo como deve ser encaminhado o trabalho pedagógico após se ter jogado, ficando a sensação de se dar o jogo sem ter feito uma intervenção adequada para que aconteça a aprendizagem a partir desta ferramenta, desencadeando e formalizando conceitos matemáticos.

Segundo o Programa de Formação Continuada de Professores dos Anos/Séries Iniciais do Ensino Fundamental – Pró Letramento – Matemática.

Os jogos tem suas vantagens no ensino da Matemática, desde que o professor tenha claros objetivos que pretende atingir com a atividade proposta. Não concordamos com o fato de que o jogo, propiciando simulação de problemas, exija soluções imediatas, como defendem os PCN’s. Entendemos que as situações vivenciadas durante a partida levam o jogador a planejar as próximas jogadas para que tenha um melhor aproveitamento. Gostaríamos de lembrar que isso só ocorrerá se houver intervenções pedagógicas por parte do professor (FASCÍCULO 7, p. 27)

Quando se pensa em trabalhar jogos juntamente com os alunos é necessário que os mesmos venham acompanhados de atividades que envolvam problematizações, propiciando uma maneira diferente de repensar os jogos no ensino da matemática, desencadeando com ele os conteúdos de conservação de quantidade, das situações problemas, do cálculo mental, dentre outros.

2.3 O JOGO E A RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS NO ENSINO DA MATEMÁTICA

Trabalhar jogos aliando a resolução de problemas poderá criar um ambiente de aprendizagem vivenciada pelo aluno. Este por sua vez poderá questionar ousando propor soluções aos problemas e construindo estratégias que o levem ao conhecimento matemático em evidência.

Os problemas com os jogos podem ser vistos como desencadeadores de conceitos, ou como verificadores dos mesmos.

O jogo tem fortes componentes da resolução de problemas na medida em jogar envolve uma atitude psicológica do sujeito que, ao se predispor para isso, coloca em movimentos estruturas do pensamento que lhe permitem participar do jogo. (…) O jogo, no sentido psicológico, desestrutura o sujeito, que parte em busca de estratégias que o levem a participar dele. Problema que envolve a atitude pessoal de querer jogar tal qual o resolvedor de problemas, que só tem quando estes lhes exigem busca de instrumentos novos de pensamento (MOURA, 1992, p.53).

Para Moura (1992), o jogo se torna desencadeador de desafios, onde o indivíduo é desestruturado possibilitando a ele desenvolver análise das situações, criando estratégias próprias para a resolução dos problemas, lembrando sempre que este tipo de atividade desenvolve habilidades como: tomada de decisões, analise de possibilidades, saber ganhar e principalmente perder, o trabalho em equipe, dentre outros.

Lembrando que não é o jogo por si só que trabalha a matemática, mas a intervenção pedagógica que se faz nele, onde a orientação e a mediação do professor são de suma importância para que se crie um ambiente de aprendizagem propiciando assim uma maneira diferenciada para que o aluno adquira novos conhecimentos. A partir dos jogos, o aluno é levado a refletir sobre que estratégias poderão ser utilizadas durante as jogadas, avaliando suas consequências na habilidade de resolver a situação proposta. Esta forma espontânea do aluno refletir que estratégia utilizar, permite a ele o crescimento cognitivo e apropriação de conhecimentos lógicos imprescindíveis às próximas etapas ou nível de conhecimento.

É necessário que antes de o professor propuser um jogo como estratégia em sala de aula, ele tenha jogado anteriormente para conhecimento, e assim conseguir produzir e registrar as regras do jogo, podendo assim realizar adequadamente as intervenções pedagógicas no momento da aplicação da atividade em sala de aula. Também deve ser ciente que imprevistos possam acontecer e por isso deve estar atento para explorá-los da melhor maneira possível, procurando explorar novas possibilidades com os alunos. Desse modo, podem contribuir para a construção da autonomia, responsabilidade, criatividade, criticidade e cooperação entre os jogadores participantes, tornando o estudo da matemática mais prazeroso para os alunos. O professor pode e deve fazer uso de qualquer jogo, pois não é o jogo em questão que faz a diferença no aprendizado, mas a maneira como ele é conduzido pelo professor que favorece para que a aprendizagem aconteça.

Portanto, os jogos realizam um papel educativo nas crianças, pois é necessário respeitar as regras a si mesmo e ao outro, fazendo-o amadurecer, preparando-o para os desafios da vida. A prática dos jogos em sala de aula leva o aluno a conhecer a si próprio e ao outro, levando-o a tornar-se um adulto responsável e preparado para viver em sociedade.

3. A IMPORTÂNCIA DOS JOGOS NO ENSINO-APRENDIZAGEM

 No decorrer dos tempos, os estudos vêm mostrando a eficiência da coesão entre o letramento e o lúdico, onde teóricos afirmam a importância de brincadeiras e jogos na vida escolar do aluno, pois o jogo é parte integrante do ambiente do aluno e por meio dele se desenvolve muitas de suas habilidades.

Para Kishimoto:

O jogo como promotor de aprendizagem e do desenvolvimento passa a ser considerado nas práticas escolares como importante aliado para o ensino, já que coloca o aluno diante de situações lúdicas como o jogo pode ser uma boa estratégia para aproximá-los dos conteúdos culturais a serem vinculados na escola (KISHIMOTO, 1993, p.13).

Portanto, para Kishimoto os jogos podem auxiliar o desenvolvimento motor, da percepção, da memória, do equilíbrio, da linguagem, apropriando, dessa forma, dos signos sociais e das transformações significativas da consciência da criança, sendo fundamentais para o seu desenvolvimento e aprendizado.

Ao utilizar-se dos jogos, o professor faz suas aulas mais dinâmicas, dando vida e tornando-as mais atraentes e assim possibilita ao aluno ampliar seus conhecimentos, facilitando o processo de ensino aprendizado e levando-o ao conhecimento gradativo e eficaz.

Sabe-se que o ser humano vive a aprender em seu cotidiano e está aprendizagem acontece por meio da interação com o meio em que vive, compreendendo dessa forma o mundo, encarando desafios, buscando o conhecimento e a aprendizagem. O professor, por sua vez, deve recorrer a formas diferenciadas para que assim aconteça a aquisição do conhecimento, levando ao aluno o aprender realmente.

Para Vygotsky:

O brinquedo cria uma zona de desenvolvimento proximal da criança. No brinquedo, a criança sempre se comporta além do comportamento habitual da sua idade, além do seu comportamento diário; no brinquedo é como se ler fosse maior do que é na realidade. Como no foco da lente de aumento, o brinquedo contém todas as tendências do desenvolvimento sob forma condensada, sendo, ele mesmo, uma grande fonte de desenvolvimento (VYGOTSKY, 2007, p.122)

Portanto, para Vygotsky (2007), o desenvolvimento está ligado aos procedimentos de mudança que acontecem no decorrer da vida de cada um. Este desenvolvimento é percebido implicitamente nas práticas culturais e educativas, passando é claro, pelo processo de aprendizagem, onde estão interligados às experiências de cada um e sua interação com o mundo.

Na escola o jogo não deve somente ser visto como um mero passatempo, mas como um instrumento enriquecedor, onde passa a ter grande significado no processo ensino aprendizagem, pois a partir do jogo o aluno procura levantar hipóteses para solução de problemas na construção formal de seu conhecimento. Dessa forma, o jogo tem sido visto como objeto fundamental na construção da aprendizagem, pois o desenvolvimento é decorrente de um processo de elaboração essencialmente baseado em atividades desenvolvidas pelo aluno. Ao interagir com o meio, o aluno está desenvolvendo estruturas através de esquemas de ação físicas e mentais e o jogo auxilia neste processo, tornando o aluno mais ágil na evolução de seu conhecimento.

O jogo deve ainda ser considerado bem mais do que uma simples atividade lúdica, onde o aluno possui o papel fundamental de jogador. Ele é algo que atualmente deve estar intrínseco ao processo educacional, sendo visto como uma atividade que proporciona o crescimento e o desenvolvimento físico e psíquico das pessoas.

4. METODOLOGIA

Este trabalho foi elaborado por meio de estudos bibliográficos, onde foi utilizado, além de materiais impressos, pesquisas on-line em sites com referências pedagógicas tendo-as como segura.  O objetivo da leitura foi analisar as ideias de pensadores e filósofos sobre o tema, observando a contribuição dos jogos pedagógicos na aprendizagem da criança.

Foi utilizado neste trabalho autores renomados tais como: Carvalho, Toledo, Moura, entre outros autores que contribuem para que o desenvolvimento da alfabetização seja fundamental, e auxiliam para resolver a situação problema proposta neste artigo sem ela: Qual a contribuição dos jogos pedagógicos no desenvolvimento da criança nos anos iniciais? A pesquisa torna-se fundamental para compreender e elaborar atividades que possam auxiliar todos os alunos na aprendizagem matemática.

Dessa forma, leituras sistemáticas e diversos fichamentos foram realizados em diversos materiais como artigos, sites, revistas, jornais, teses e livros que são bases na fundamentação teórica da pesquisa em questão, abrangendo diversos autores que reforçam a temática aqui discutida. Portanto, todos os estudos permitiram a conclusão de mais essa etapa, sendo que todas as informações aqui contidas foram analisadas e estudadas com muita cautela para que nada fosse inserido no artigo sem que tivesse total ligação com o tema. Assim, é possível perceber como os jogos são fundamentais no processo de ensino-aprendizagem da matemática.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

É possível definir a Alfabetização Matemática como uma forma de aprender a escrever e ler os códigos matemáticos, compreendendo e interpretando os sinais, signos e símbolos que representam ideias que são consideradas básicas para o domínio desta disciplina que em muitas décadas vem causando pânico na maioria dos educandos.

O trabalho aqui apresentado tinha por objetivo analisar a utilização dos jogos na alfabetização matemática, utilizando uma maneira lúdica de ensinar o conteúdo de matemática nas séries iniciais, pois é neste momento que se necessita explorar ao máximo a criatividade do aluno, e com a utilização dos jogos possibilita que o mesmo construa de maneira mais significativa seu conhecimento, lembrando também que para que isso ocorra é importante o planejamento do professor, sempre iniciando dos conhecimentos prévios do aluno, e o professor precisa estar atento ao seu conhecimento prévio do jogo que irá utilizar, pois deverá mediar o conhecimento interferindo quando necessário, sanando as dúvidas dos jogadores para que realmente aconteça a aprendizagem com a utilização do jogo.

Trabalhar com jogos explorando a ludicidade no ensino da matemática é poder vivenciar o novo, utilizando-se do concreto para a elaboração mental dos conceitos, facilitando assim o desenvolvimento do raciocínio logico matemático e sua aprendizagem.

O jogo em si aparenta apenas um vencedor, mas na realidade todos ganham, pois não existe quem consiga chegar ao fim de uma partida sem ter adquirido algum conhecimento, pois a prática pode levar a facilidade com os cálculos mentais, a memorização de conceitos importantes, assim o jogo na verdade se torna um aliado como ferramenta para o ensino aprendizagem na alfabetização matemática e também porque não dizer demais disciplinas.

A escola precisa repensar seus conceitos, pois a utilização dos jogos ainda é visto como forma de burlar as aulas um faz de conta somente para suprir algum tempo vago na sala de aula. Na realidade a utilização de jogos permite estabelecer um vínculo maior entre professor e alunos, dando maior aproveitamento nas situações de aprendizagem, onde os conteúdos abordados passam a ser o meio da construção do conhecimento e não a finalidade do aprendizado, pois com o jogo o aluno interage constantemente com o grupo, trocando informações sobre o tema abordado.

Quando o professor traz métodos diferenciados para sua sala de aula consequentemente consegue melhorar a disciplina do seu aluno que muitas vezes não consegue focar diretamente no conteúdo repassado apenas por quadro e giz, mas quando a metodologia é diferenciada seja no caso do jogo, faz com que o aluno desperte seu interesse promovendo a disciplina e em decorrência disso melhora a qualidade do ensino aprendizado.

O jogo é somente uma ferramenta que visa possibilitar e viabilizar uma construção de conhecimento mais significativa onde os alunos sem perceber adquirem experiências superam desafios, através do jogo a contribuição para a melhoria do ensino aprendizado e de sua formação, consequentemente melhorando a qualidade do ensino. Essas situações lúdicas visam desafiar os alunos, estimulando o aprendizado e superando suas dificuldades.

REFERÊNCIAS

CANAL, Denise Cristina; CRUZ, Leandra Barcelos da; GOSTENSKI, Hilda Maria de Carvalho; BARBIERI, Marcia; CAMARGO, Edson Carpes. O ensino da matemática nos anos iniciais numa perspectiva ludopedagógica. Disponível em: http://www.conferencias.ulbra.br/index.php/ciem/vi/paper/viewFile/624/152 acesso em 20 de fevereiro de 2017, às 21h34.

CARVALHO, D. L. Metodologia do Ensino da Matemática. São Paulo: Cortez, 1991.

GRANDO, Regina Célia. O jogo e a matemática no contexto da sala de aula. São Paulo: Paulus, 2004.

KISHIMOTO, T. M. Jogos infantis: o jogo, a criança e a educação. Petrópolis: Vozes, 1993.

KISHIMOTO, T. M. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei n° 9.394/1996.

MEC – Ministério da Educação – Secretaria de Educação Fundamental – PCN’s: Parâmetros Curriculares Nacionais. Brasília: MEC/SEF, 1998.

MOURA, Manoel Oriosvaldo. A séria busca no jogo: do lúdico na matemática. In: KISHIMOTO, T. M. (org.). Jogo, brinquedo, brincadeira e a educação. São Paulo: cortez, 1996.

MOURA, Manoel Oriosvaldo. O Jogo e a Construção do Conhecimento Matemático. Publicação séries e ideias, n° 10, São Paulo, 1992.

NACARATO, Adair Mendes; MENGALI, Brenda Leme da Silva; PASSOS, Cármen Lúcia Brancaglion. A matemática nos anos iniciais do ensino fundamental: tecendo fios do ensinar e do aprender. Belo Horizonte: Autentica editora, 2009. – (Tendências em Educação Matemática).

NHARY, Tânia Marta da Costa. O que está em jogo no jogo. Cultura, imagens e simbolismos na formação de professores. Dissertação de Mestrado em Educação. UFF. Niterói, 2006.

PIAGET, Jean. A formação do símbolo na criança: imitação e sonho, imagem e representação. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1975.

PIAGET, Jean. Pró-Letramento: Programa de Formação Continuada de Professores dos Anos/Séries Iniciais do Ensino Fundamental: matemática. – ed. rev. e ampl. Incluindo SAEB/Prova Brasil matriz de referência / Secretaria de Educação Básica – Brasília: Ministério da Educação, Secretaria da Educação Básica, 2007.

VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente. São Paulo: Fontes, 2007.

[1] Pós-graduada em Educação Infantil e em Educação Especial, graduada em Licenciatura em Matemática.

[2] Graduada em Ciências contábeis pelo Licenciada em Matemática pela UNINTER. Pós-graduada em Gestão Estratégica de Pessoas.

[3] Graduada em Licenciatura em Ciências, com habilitação plena em matemática. Especialista em Educação Matemática e Especialista em Pedagogia Escolar.

[4] Graduada em Ciências Biológicas. Pós-graduada em Educação Ambiental.

Enviado: Março, 2020.

Aprovado: Março, 2020.

3 COMENTÁRIOS

  1. Amei entra nesse site, pois estou construindo o meu artigo cientifico, sobre a Neurociencia: Dislexia na alfabetização e o Ludico. Obrigada.

  2. Parabéns !! Os Jogos auxilia muito na compreensão dos números com o material concretos e posterior as problemáticas proposta em nível abstrato.

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