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A Dislexia e a Dificuldade na Aprendizagem

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A Dislexia e a Dificuldade na Aprendizagem
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SILVA, Nilza Sebastiana da [1]

SILVA, Fabio José Antônio da [2]

SILVA, Nilza Sebastiana da; SILVA, Fábio José Antônio da. A dislexia e a dificuldade na aprendizagem. Revista Científica Multidisciplinar, Ano 1, Vol 5 , pp. 75-87  Julho 2016, ISSN: 2448-0959

RESUMO

A presente pesquisa bibliográfica tem por finalidade discutir a dislexia como um dos sérios problemas dentro do sistema de ensino-aprendizagem que interfere a capacidade de leitura, de entendimento das palavras, da escrita, a soletração, bem como a compreensão e interpretação de textos e de atividades que envolvem o raciocínio lógico. Justifica-se o presente estudo no sentido de divulgar as elucidações que estão presentes no segmento educacional, e, como objetivo central descrever a dislexia, sintomas, causas, diagnósticos e as possibilidades de intervenções pelos profissionais da educação. A escola como responsável pelo desenvolvimento das potencialidades educativas das crianças deve ter em seu quadro de docentes e equipe pedagógica, profissionais capacitados para que a dislexia e a dificuldade de aprendizagem sejam diagnosticado o mais cedo possível e serem encaminhados para um tratamento com profissionais especializados e tomar iniciativas que propiciem atividades pedagógicas que vá ao encontro do aluno disléxico. Todo processo e todo procedimento escolar é conduzir o aluno com dislexia a vencer as barreiras, onde o professor deverá ter uma postura de acolhimento, de paciência, tolerância, perseverança e programas educativos específicos de apoio e auxílio no desenvolvimento desta criança. O presente trabalho foi de cunho bibliográfico que contou com pesquisas em trabalhos acadêmicos e de autores com profundos conhecimentos sobre o tema proposto.

Palavras-chave: Dislexia. Dificuldade de Aprendizagem. Distúrbios. Leitura. Escrita.

1. INTRODUÇÃO

A escolha da temática fundamenta-se na percepção de que é muito pouco disseminado o estudo da dislexia na formação dos professores de um modo geral.

O presente trabalho propõe como objetivo central buscar informações e contribuições que estejam correlacionadas com as dificuldades de escrita e de leitura que apresentam no desenvolvimento pessoal e educacional de crianças tidas como portadoras de Dislexia.

Propõe-se também estudar conceitos, definições, características, principais sintomas, identificação dos componentes físicos e intelectuais, seu reconhecimento pela família e educadores, observar quais são as possíveis ações e estratégias de professores, seu papel como educador e facilitador do processo de aprendizagem e os meios de se trabalhar pedagogicamente com uma criança portadora de dislexia.

Parte-se do princípio que a discussão sobre o problema da dislexia é um dos entraves mais proeminentes no cotidiano da sala de aula, onde fica expresso o comprometimento da capacidade da criança em ler, entender as palavras manuscritas ou impressas, de escrever e de soletrar palavras, bem como a compreensão de textos e raciocínio lógico.

Em rápidas palavras, a dislexia é considerada como um distúrbio ou apresentação de dificuldades na aprendizagem e na linguagem, não sendo, entretanto, os diagnósticos relacionados a este fator, serem considerados e detectados como dislexia, pois outros fatores também podem estar influenciando o aprendizado da criança.

Como será visto no decorrer do presente trabalho a dislexia é um distúrbio de aprendizagem que afeta crianças, adolescentes e adultos em diferentes níveis educacionais, dificultando o processo de aquisição de leitura e escrita.

Entende-se que para que haja uma definição de estratégias e de intervenção por parte do professor, é de extrema importância à realização do diagnóstico e da avaliação da dislexia, sendo que a partir de dados específicos o educador dará um encaminhamento mais específico nas atividades apoiadas com ênfase na leitura e na escrita.

Para que haja um enfrentamento deste problema dentro do contexto escolar é necessário que a escola tenha ciência e consciência da sua responsabilidade na análise e na observação para com os alunos que apresentem dificuldades e/ou transtornos no quesito leitura e escrita, e, sendo que ao constatar casos de dislexia como a dificuldade elementar da linguagem, deve ser tratada ainda, por profissionais especializados como médicos, fonoaudiólogos, psicólogos, psicopedagogos e ao mesmo tempo, cabe a escola tomar iniciativas que denotem a construção de metodologias em prol do aluno com dislexia, colaborando com este aluno a superar barreiras através de estratégias eficazes em consonância com a contribuição coletiva da instituição escolar.

Para que haja um atendimento positivo, eficiente e apropriado que propicie o aluno sentir-se capaz, ajustado ao ambiente escolar, a participação da família é de extrema importância, uma vez que é ela, a família, que tem o contato maior com o indivíduo, tendo condições de fornecer relevantes informações para a preparação do processo tanto de caráter médico como do empreendimento pedagógico.

Tais medidas e prevenções, através de medidas preparatórias e uma postura de enfrentamento, permitira à escola acolher os alunos com dislexia, sem necessariamente modificar os seus projetos pedagógicos curriculares.

Pretende-se que com este estudo sobre as dificuldades de aprendizagem e a dislexia no seu contexto, contribuir para acadêmicos e profissionais que atuam na área da educação e que tem como responsabilidade em informar para a sociedade a importância desta síndrome no contexto cultural que ela produz direta e/ou indiretamente a todos os envolvidos no meio educacional.

O presente estudo foi o de cunho investigativo, na qual se buscou compreender um pouco mais sobre o transtorno da dislexia. Utilizou os recursos da pesquisa bibliográficas baseadas em referenciais teóricos como livros, artigos acadêmicos, trabalhos acadêmicos e Internet que possibilitaram um suporte na construção do proposto.

2. UMA BREVE PANORAMA SOBRE A DISLEXIA

São diversificados o modo de entendimento do que vem a ser dislexia, principalmente no meio escolar.

São registrados como resultado de uma precária alfabetização, da forma metodológica utilizada nas escolas que tratam da educação infantil, o despreparo dos profissionais da educação, aluno desatento, rotulação de “burro”, “preguiçoso” e outras variantes mais.

Figueira (2012) analisa que é comum ouvir, quando se trata do tema dislexia, correlacionada com a palavra doença. Atualmente é um termo equivocado, pois na realidade trata-se de uma dificuldade, um distúrbio de ordem congênita hereditária. Como há diferentes níveis de dislexia (leve, moderado e agudo), a duração do acompanhamento profissional não é precisa, podendo atingir até quatro em média.

Complementa Figueira (2012) que vale lembrar que tal acompanhamento não visa uma cura, pois não há cura. Trata-se de fornecer meios para que o disléxico possa caminhar com as próprias pernas.

Cândido (2013, p. 13) diz que a:

[…] dislexia é um transtorno de aprendizagem que se caracteriza por dificuldades em ler, interpretar e escrever. Sua causa tem sido pesquisada e várias teorias tentam explicar o porquê da dislexia. Há uma forte tendência que relaciona a origem à genética e a neurobiologia.

De acordo com Fonseca (2011) o conceito básico de dislexia expressa “dificuldade da fala ou da dicção”. Do ponto de vista comportamental, a dislexia distingue-se por dificuldades no reconhecimento correto de palavras e na capacidade de decodificá-las.

Fonseca (2011) ainda enfatiza que na grande maioria das definições, o critério da falta de habilidade no nível fonológico é constante, bem como a dificuldade no reconhecimento de vocábulos. E, em todos os estudos verificados por Fonseca (2011), ocorreu exclusão de fatores socioeconômicos e do fator inteligência. Alguns chegam a afirmar que os disléxicos são na verdade, pessoas muito talentosas, com habilidades básicas comuns que se não forem suprimidas pela sociedade, resultarão em extraordinária criatividade.

Segundo Moura (2013):

Os disléxicos recebem informações em uma área diferente do cérebro, portanto o cérebro dos disléxicos é normal. Infelizmente essas informações em áreas diferentes resultam de falhas nas conexões cerebrais. O resultado é que devido a essas falhas no processo de leitura, eles têm dificuldades de aprender a ler, escrever, soletrar, pois é difícil assimilarem as palavras.

Moura (2013) explica ainda que detectar o distúrbio da dislexia não é uma tarefa fácil. Há alguns sinais e sintomas que podem indicar a presença da dislexia desde cedo, mas um diagnóstico preciso só é possível a partir do momento que a escrita e a leitura são apresentadas formalmente à criança. […] Como o distúrbio é comprovadamente genético, os especialistas afirmam que as crianças podem ser avaliadas a partir dos cinco anos de idade […]

Partindo-se de princípios em que a dislexia não é uma doença, que é uma dificuldade e provém de vínculos genéticos, é interessante observar-se outros aspectos que correlacionam a dislexia com relação à aprendizagem.

Neste contexto recorre-se a Figueira (2012) que identifica que dislexia não significa somente dificuldades com as palavras, mas significa uma disfunção linguística. Por isso, defende-se que a dislexia não é, simplesmente, uma dificuldade de aprender as letras, possui dificuldade em identificar e organizar símbolos, ou seja, como ele vai ler se aqueles símbolos não lhe dizem absolutamente nada?

Figueira (2012) ainda expõe que aos que se depara com um aluno disléxico, não se pode perder de vista que sua dificuldade não tem nenhuma relação com desmotivação, falta de esforço, vontade ou interesse, nem sequer possui relação com qualquer deficiência sensorial. O disléxico é uma mente que por vezes supera os ditos “normais”, sendo que necessitam de um tratamento diferenciado, pois suas mentes trabalham de forma diferenciada. Trabalhando de maneira correta, os disléxicos funcionam, também, perfeitamente.

Ainda, em se tratando, sobre a forma de tratar o aluno disléxico, infelizmente nem os pais e a grande maioria dos profissionais da área da educação não estão preparados para lidar com crianças tidas como disléxica. São muitas as causas que precisam ser corrigidas, no entanto são poucos os profissionais que conhecem e entendem os problemas e suas possíveis correções e soluções.

Moura (2012) explica que a maioria dos tratamentos enfatiza a assimilação de fonema, o desenvolvimento do vocabulário, a melhoria da compreensão e fluência da leitura. Ajudar o disléxico a melhorar sua leitura é muito trabalhoso e exige muita atenção, mas toda criança disléxica necessita de apoio e paciência, pois essas crianças sofrem de falta de autoconfiança e baixa autoestima, pois se sentem menos inteligentes que seus amigos.

Cita Moura (2012, p. 17):

Cabe ao orientador pedagógico antes de mais nada oferecer a estas crianças (pais e responsáveis e professores) a informação que a dislexia é uma dificuldade de aprendizagem e que se deve dar oportunidades para que o aluno aprenda usando estratégias fáceis e simples.

Fonseca (2011) corrobora com o sistema pedagógico citando que se a dificuldade não for detectada e equacionada adequadamente, o portador de dislexia, desencadeia um processo de conflituosidade que não se reflete apenas na escola, como também na família e no meio social. Deve-se, entretanto, criar estratégias a fim de fazer com que supere as dificuldades, adequando métodos e materiais, como parte de um processo de desenvolvimento linguístico que irá contribuir expressivamente para o crescimento de outros vários saberes.

Por fim, entende-se que necessário se faz caminharem juntos, professores, escola e pais/responsáveis na busca do atendimento da criança disléxica e, principalmente que a proposta pedagógica contemple atividades significativas, com contínua dinâmica e que a interação se faça uma constante entre as condições cognitivas do aluno e as intervenções pedagógicas do profissional da área da educação.

2.1 Identificação dos Componentes Físicos e Intelectuais

Os sinais da Dislexia podem surgir em maior ou menor amplitude dependendo de vários fatores como a idade, estimulação, etc. E podem também se agravar durante o processo de crescimento da criança. Alguns desses sinais segundo o autor são: histórico familiar; falta de atenção e memória; atraso na aquisição da fala e da linguagem; dificuldade de nomear objetos; imaturidade, timidez exagerada; alterações de humor; atraso ou falta de coordenação fina (desenhar, escrever, etc); dificuldade na alfabetização e na aprendizagem de matemática; dificuldade na passagem da escrita e da linguagem falada; incapacidade de aprender a lembrar de palavras visionadas; escrita em reflexo (como espelho); dificuldade em soletrar; falta de prazer na leitura; movimento errático dos olhos na leitura; confusão entre vogais ou substituição de consoante (MARSILI, 2010, p. 15).

Ao solicitar para uma criança portadora de dislexia para que faça um texto, pequeno que seja visivelmente se observa a dificuldade de sua organização de pensamento para realizar a atividade. Trocam-se muito as letras, a escrita na maioria das vezes é ilegível, por problemas decorrentes também da dificuldade da coordenação motora.

Selikowitz (2001, p. 50) apud Moura (2013, p. 15) citam que são muitos os sinais que identificam a dislexia. Crianças disléxicas têm dificuldades em identificar fonemas e reclamam que ler é muito difícil, tem dificuldades em soletrar, em ler em voz alta e memorizar palavras, elas também confundem palavras. Suas habilidades aritméticas são afetadas, ela parece confusa quando lhe pedem para fazer cálculos que se espera de uma criança de seu nível de escolaridade. A criança tem grande dificuldade para aprender o significado das operações aritméticas, como adição, subtração, multiplicação e divisão.

As manifestações mais habituais são a pronuncia arritmia, sincopada, silabada com entoação inadequada; palavras mal agrupadas com cortes e pontuação não respeitada; interpretação prejudicada ou impossibilitada; síntese e análise prejudicada ou impossibilitada; resumos ou relatos dificultados (FONSECA, 2011, p. 36).

2.2 Os Passos Para a Aprendizagem do Disléxico

Importante deixar registrado já no início deste tópico que o tratamento de uma criança com dislexia não têm cura total, entretanto, vai auxiliar o paciente em relação às suas limitações, oportunizando uma sensível progressão de sua melhoria no processo de aprendizado e ainda, auxilia na perspectiva dos problemas que podem levar a criança sobre a autoestima e sua socialização.

Cândido (2013, p. 17) cita que:

[…] uma criança com dislexia não é portadora de deficiência nem mental, física, auditiva, visual ou múltipla. O disléxico, também, não é uma criança de alto risco. Uma criança não é disléxica porque teve seu desenvolvimento comprometido em decorrência de fatores como gestação inadequada, alimentação imprópria ou nascimento prematuro. A dislexia tem um componente genético, exceto em caso de acidente cérebro vascular (AVC).

 

Sendo, portanto, uma criança disléxica não considerada como “doente grave”, mas o mais importante para o educador é entender, conhecer, diagnosticar e promover ações que levem o estímulo para o desenvolvimento escrito e oral do educando.

Brandão (2015, p. 12) diz que: “a aprendizagem é um processo mental ativo, tendo em vista, aquisições, por meio das quais a lembrança do conteúdo internalizado e o uso deste conhecimento fazem com que o sujeito possa dominá-lo e manipulá-lo, quando necessário”.

As crianças portadoras de dislexia normalmente apresentam um quadro onde está presente a dificuldade na aprendizagem, entretanto, em contrapartida, desenvolvem outras habilidades. Podem solucionar simples problemas, e, em outras situações, apresentam dificuldades ao realizar tarefas de resoluções bastante óbvias.

Vygostsky (1992) apud Brandão (2015, p 16) diz que não é possível pensar na construção da escrita como um processo linear e constante. Durante a aquisição da linguagem oral, a criança também apresenta instabilidades: errando, tentando, manipulando e acertando. É preciso aceitar que todo processo de apropriação de novos conhecimentos requer reflexões e comparações em um percurso de idas e vindas, o qual, longe de estabilidades, nos leva a perguntas, indagações e perplexidades.

Entende-se que são necessárias uma estimulação e participação ativa e a criatividade de imaginação, para que se possa dar espaço para as crianças agirem por conta própria.

Em relação à adoção de alguns métodos, Moura (2013, p. 14) cita que a partir do diagnóstico (ou profissionais) que vai tratá-la. Entre os vários métodos adotados, a Associação Brasileira de Dislexia aconselha a terapia multissensorial, cumulativa e sistemática que trabalha todos os sentidos ao mesmo tempo (como o disléxico assimila facilmente tudo que é vivenciado concretamente, ele pode ser treinado para ler e ouvir, enquanto escreve, por exemplo), o tratamento normalmente é feito por fonoaudiólogos, psicopedagogos e psicólogos especializados no assunto.

Moura (2013) faz uma importante análise. Cita o autor que o orientador pedagógico deve auxiliar o professor a planejar regularmente atividades que propiciem liberdade de ação às crianças, promovendo um ambiente relacional, oferecendo-lhes condições de superar as dificuldades e principalmente conhecendo a importância das brincadeiras no desenvolvimento da criança.

Diz ainda Moura (2013) que cabe ao orientador pedagógico juntamente com a equipe, pesquisar, estudar, refletir e levar ao educando o processo do conhecimento, observando quais as habilidades e interesses dos alunos, sugerindo estratégias e recursos no que diz respeito às dificuldades que o aluno poderá apresentar em relação à dislexia.

Marsili (2010, p. 33) cita que compete à escola proporcionar aos pais de alunos e aos próprios alunos, métodos interessantes e eficientes, na concepção pedagógica, para atender os alunos especiais, os que apresentam dificuldades em leitura, escrita e ortografia. É obrigação da escola e, principalmente dos professores, oferecer recuperação de estudos para aqueles que têm baixo aproveitamento escolar.

Em relação à postura e algumas ações do professor frente à dislexia, Marsili (2010) em primeiro plano o professor necessita estar capacitado e ter conhecimento sobre a Dislexia, o que é e suas causas.

Outra forma de auxiliar este aluno é esclarecendo para ele que sua dificuldade na aprendizagem na leitura e escrita chama-se Dislexia, e que o professor só poderá ajudá-lo a superar este problema, caso ele próprio não desista no primeiro empecilho. Seguindo em frente, firme, com bravura e perseverança. O professor precisa ter calma com este aluno, pois ele será mais lento que os outros, precisando de mais tempo para ele fazer um este, copiar a matéria do quadro, resolver um problema. Por isso, é necessário usar diversas estratégias para com este aluno para que ele compreenda o conteúdo: usando materiais estimulantes e interessantes, como jogos, histórias, etc., procurando ensiná-lo de forma que ele entenda melhor o conteúdo proposto (MARSILI, 2010).

Marsili (2010, p. 35) aconselham que:

[…] as crianças precisam ser ensinadas a soletrar as palavras para estarem conscientes dos sons que ouvem. Treiná-las para repetir palavras para si mesmas, enquanto ouve a ordem dos sons. […] O ensino precisa ser multissensorial e o aluno deve estar ativamente envolvido na tarefa.

Várias são as formas de promover estratégias de ações para o pedagogo, para o professor e a para o apoio maciço da família.

Giroto (2001, p. 50) apud Moura (2013, p. 41) com a devida orientação, o aluno conseguirá ser bem sucedido em classe. O professor pode auxiliar com algumas estratégias para auxiliar o aluno disléxico, abaixo selecionado:

– A criança disléxica deve sentar-se perto do professor, de modo que a mesma possa encorajá-lo a solicitar ajuda;

– Cada ponto deve ser revisto várias vezes;

– Nunca comparar seu trabalho escrito com os colegas;

– Seus conhecimentos devem ser julgados mais pelas respostas orais do que pela escrita o que significa que deverá ser avaliado diariamente;

– Sempre que possível peça a criança para ela repetir várias vezes com suas próprias palavras, o que a professora pediu para ela fazer, pois isso ajuda na memorização;

– Ensinar a criança a “sentir” as letras através de diferentes texturas de materiais;

– Nunca forçar o aluno a aceitar a lição do dia;

– Evitar submeter o aluno a pressão do tempo ou competição com outras crianças;

– Estimular a escrever em linhas alternadas, pois ajudará ao professor a ler uma caligrafia imprecisa e frequentemente amontoada;

– Imitar e reproduzir sons e palavras;

– Não exigir grandes redações;

– Nunca o force a escrever no quadro-negro/

– Nunca peça que ele responda perguntas sem ter se oferecido para tal;

– Realizar aulas de revisão que permitam o tempo adequado para perguntas e respostas;

– Permita o uso de máquina de calcular durante as lições de matemática;

– Dê a ele a oportunidade de responder às questões dos testes oralmente, e de refazer o teste quando necessário, atribuindo nota extra para compensar as notas baixas;

– Avaliar sempre o conhecimento dos alunos com dislexia usando métodos alternativos, inclusive avaliações orais, trabalhos feitos em casa e apresentações individuais.

Um dos eventos que mais vão ao encontro da criança é trabalhar brincando. Por isso, Fonseca (1999) apud (Marsili (2010) cita que as atividades lúdicas são benéficas, pois conseguem o envolvimento do aluno e garantem que os elementos fonológicos necessários sejam inseridos no trabalho que vai ser desenvolvido com cada criança, como: invenção de rimas e palavras, atividades de reconhecimento e utilização de palavras que rimam, mistura e segmentação de sílabas, identificação de fonemas iniciais e ligação de símbolos a sons, jogos de discriminação de vogais, canções com rimas, entre outras atividades.

Citam ainda os mesmos autores acima que há também, abordagens de apoio que podem ser improvisadas na sala de aula pelo professor que são: a utilização do portfólio, soletração oral simultânea, software específico, desenvolvimento de competências de estudo, atividades de intensidade visual e jogos de palavras.

Portanto, não se esgota aqui as inúmeras ações pedagógicas para serem ministradas em sala de aula, acompanhadas pelos pais e responsáveis, mas é importante para o educador que tenha a consciência de que o estímulo, a criatividade, a perseverança, a dedicação, o cuidado e amor, podem proporcionar ao aluno disléxico situações para serem superadas permitindo assim o alcance de graus variados de conhecimentos.

Para que haja um enfrentamento deste problema dentro do contexto escolar é necessário que a escola tenha ciência e consciência da sua responsabilidade na análise e na observação para com os alunos que apresentem dificuldades e/ou transtornos no quesito leitura e escrita, e, sendo que ao constatar casos de dislexia como a dificuldade elementar da linguagem, deve ser tratada ainda, por profissionais especializados como médicos, fonoaudiólogos, psicólogos, psicopedagogos e ao mesmo tempo, cabe à escola tomar iniciativas que denotem a construção de metodologias em prol do aluno com dislexia, colaborando com este aluno a superar barreiras através de estratégias eficazes em consonância com a contribuição coletiva da instituição escolar.

3. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Conclui-se que a dislexia é tida como um distúrbio que provocam dificuldades na aprendizagem da leitura e escrita, produzidas em bases neurológicas, além de fatores genéticos ou adquiridos. Não se caracterizando como uma doença no meio científico.

É fator de estudos científicos que quanto mais cedo for diagnosticada a Dislexia, maiores serão os resultados eficazes dos tratamentos e das estratégias de ações voltadas para este indivíduo. Mesmo com dificuldades de aprendizagem de escrita e de leitura, os disléxicos apresentam um grau de inteligência normal ou até mesmo acima da média.

Para que haja um trabalho pedagógico que se aproxime ao máximo da necessidade do aluno disléxico, é importante que o educador tenha os conhecimentos essenciais para os diagnósticos, para que os diferentes tipos de transtornos de aprendizagem possam ser trabalhados estrategicamente e que a construção do conhecimento também seja motivada precocemente, subsidiando progressos efusivos do educando e na relação de seus familiares.

Fica evidente que cabe ao educador e equipe pedagógica apresentar intervenções que criem situações desafiadoras provocando o interesse pela aprendizagem, esboçando também a oportunidade do desenvolvimento da autonomia do aluno, sua independência e estímulo para a busca de resolução de problema e que saiba lidar com as possibilidades de frustração.

O lúdico, a brincadeira, os jogos educativos podem ser um instrumento de valia para propiciar ao disléxico uma abordagem mais agradável na busca de superações, na melhora do rendimento escolar, o desenvolvimento da abstração, da criatividade e imaginação, destacando o fator de desenvolvimento da autoestima e do bom equilíbrio emocional e de sociabilidade.

Outro fator de registro é a necessidade da relação afetiva, do desvelo, do cuidado, da boa vontade do professor para que as práticas educativas resultem em efeitos positivos, tendo como ponto de apoio, o respeito e a aceitação da criança como um ser em construção, e, que por fatores inerentes à natureza da criança, necessita de uma atenção mais apurada pelo educador.

REFERÊNCIAS

BRANDÃO, Letícia Peixoto Morais. Dislexia: Características e Intervenções. Especialização em Educação Especial e Inclusiva. Universidade Cândido Mendes. Rio de Janeiro: RJ. 2015. Disponível em: http://www.avm.edu.br/docpdf/monografias_publicadas/R201671.pdf. Acessado em: 02/04/2016.

CÂNDIDO, Edilde da Conceição. Psicopedagogia para a dislexia nas séries iniciais do ensino fundamental. Especialização em Psicopedagogia. Universidade Cândido Mendes. Rio de Janeiro: RJ. 2013. Disponível em: http://www.avm.edu.br/docpdf/monografias_publicadas/T208833.pdf. Acesso em: 01/04/2016.

FIGUEIRA, Guilherme Luiz Mascarenhas. Um olhar psicopedagógico sobre a dislexia. Especialização em Psicopedagogia. Universidade Cândido Mendes. Niterói: RJ. 2012. Disponível em: http://www.avm.edu.br/docpdf/monografias_publicadas/N204682.pdf. Acesso em 02/04/2016.

FONSECA, Vitor da. Introdução às Dificuldades de Aprendizagem.  2a. ed. Porto Alegre: Artes M´dicas, 1999.

FONSECA, Rosamaria Maria Reboredo Martins da. O desenvolvimento da competência linguística na Dislexia. Especialização em Psicopedagogia Institucional. Universidade Cândido Mendes. Rio de Janeiro: RJ. 2011. Disponível em: http://www.avm.edu.br/docpdf/monografias_publicadas/G200735.pdf. Acesso em: 01/04/2016.

GIROTO, C.R.M. (Org.). Perspectivas atuais da fonoaudiologia na escola São Paulo: Plexus, 2001. Disponível em: https://books.google.com.br/books?hl=en&lr=&id=fxPKQ-VVGH8C&oi=fnd&pg=PA7&dq=info:3kwj7wE114wJ:scholar.google.com&ots=Kf19kKuS6A&sig=3eW1UzC3-nixYmr7H3zrntFlOxY&redir_esc=y#v=onepage&q&f=false. Acesso em: 01/04/2016.

MARSILI, Mira Allil. Dislexia no contexto da aprendizagem. Especialização em Controladoria e Finanças. Universidade Cândido Mendes. Rio de Janeiro: RJ. 2010. Disponível em: http://www.avm.edu.br/docpdf/monografias_publicadas/c205242.pdf. Acesso em: 01/04/2016.

MOURA, Suzana Paula Pedreira Tavares de. A dislexia e os desafios pedagógicos. Especialização em Orientação Educacional e Pedagógica. Universidade Cândido Mendes. Niterói: RJ. 2013. Disponível em: http://www.avm.edu.br/docpdf/monografias_publicadas/N205864.pdf. Acesso em: 01/04/2016.

[1] Graduada em Pedagogia pela UNOPAR – Universidade o Norte do Paraná. Aluna do Curso de Especialização (Lato Sensu) em Neuropedagogia Educacional pelo Instituto RHEMA – FATEC – Faculdade de Tecnologia do Vale do Ivaí – Arapongas – Paraná. E-mail: autor@nucleodoconhecimento.com.br

[2] Professor Mestre em Educação do Instituto RHEMA – FATEC – Faculdade de Tecnologia do Vale do Ivaí – Arapongas – Paraná.E-mail: autor@nucleodoconhecimento.com.br

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