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Uma Reflexão Acerca da Formação de Professores e a Realidade Educacional na Contemporaneidade

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Uma Reflexão Acerca da Formação de Professores e a Realidade Educacional na Contemporaneidade
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CELESTINO, Joseilma Ramalho [1]

CELESTINO, Joseilma Ramalho. Uma Reflexão Acerca da Formação de Professores e a Realidade Educacional na Contemporaneidade. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 1. Vol. 9. pp 85-98 dezembro de 2016. ISSN:2448-0959

RESUMO

Este artigo teve por objetivo refletir questões pertinentes acerca de temas corriqueiros no sistema educacional: a formação de professores, o modelo de escola e as mídias e tecnologias na sala de aula. Para tanto, algumas questões motivaram nossa pesquisa bibliográfica e revisão de literatura, as quais permearam todo o nosso trabalho, dentre elas: até que ponto, o professor está preparado para interagir proficuamente na sala de aula? O modelo de escola que temos, favorece ou não o aluno a aprendizagem? Observa-se que o modelo de escola que temos é engessado, pautado no tradicionalismo o qual predomina a disciplina, o controle e o currículo, tal contexto dificulta ações pontuais que despertam o aluno a buscar respostas a seus questionamentos.  Nesse processo, o professor acaba assumindo a responsabilidade de todo um problema complexo, o fracasso escolar, que perpassa todas as fases da educação brasileira. Como proposta atual, cremos ser de suma importância o uso das tecnologias midiáticas na sala de aula, intermediando conhecimento e formação. Para tanto, é preciso um olhar crítico quanto a seu uso e adaptação, para que as mesmas não sejam apenas mero repetidores de práticas arcaicas e tradicionais.

Palavras-chave: Formação de professores. Escola. Sala de aula. Aluno. Tecnologias

Introdução

O modelo educacional brasileiro, vem nos últimos anos passando por sérias transformações, as quais tem suscitados debates acerca da qualidade da formação dos professores e, por conseguinte suas respectivas práticas.

Observar-se com isso, que a realidade educacional brasileira é muito complexa, tendo em vista os sujeitos nela inseridos, as políticas públicas educacionais, e o mais   importante, o modelo educacional e escola que está pautado na tradição e engessado com práticas arcaicas.

Tais pressupostos nos levam a perceber que é preciso o envolvimento dos sujeitos nesse processo, para que respostas plausíveis sejam dadas a situação, ao passo que professor e aluno mantenham um diálogo constante em favor da educação, das tecnologias e do contexto educacional. Para tanto, as tecnologias são de suma importância, já que traz para sala de aula uma carga semântica significativa do contexto do aluno e, por conseguinte permitirá ao professor mediar o conhecimento na sala de aula.

A formação dos professores e os desafios contemporâneos

As grandes mudanças almejadas para a sociedade têm dado lugar a utopias mais modestas e próximas à realidade social, uma vez que, se não é possível mudar a escola enquanto sistema ou enquanto espaço engessado, talvez algo possa ser feito em relação a unidades menores: a formação do professor. Se é impossível mudar a sociedade, ou o todo, uma parte desta, ou inserido nela, talvez seja mais fácil. Neste caso, a sala de aula seja mais viável e, nesse ponto, a formação docente volta ao centro da discussão e vira assunto presente nas mais diversas situações e contextos, tendo em vista a valorização dos mesmos, e mais, enquanto sujeitos inseridos na realidade social e formadores de mentes pensantes.

Vivemos um momento muito particular, na sociedade contemporânea. Esta tem nos revelado grandes transformações individuais e sociais, as quais se refletem nas relações dos sujeitos com os seus pares e o seu entorno. A competitividade, o individualismo e o isolamento ditam os comportamentos a serem seguidos. Em alguns casos não sabemos o que somos, já que assumimos identidades múltiplas, e não temos mais o controle de nossas ações, uma vez que estas são ditadas e pautadas na virtualidade e na adequação dos sujeitos ao momento e ao espaço. A crise identitária a qual passamos é constante. Já não sabemos mais o quê e nem quem somos, os relacionamentos são virtuais, distantes e frios, as relações de poder e conquistas ditam as regras de um jogo o qual não se sabe jogar nem o que ganhar quando se joga. Uma vez despreparados para o embate, perdemos o controle da situação e nos perdemos em meio a todas essas regras, procurando dar respostas plausíveis, a situações pontuais. E com todas as relações se transformando, nos tornamos seres líquidos ao tentar responder a tudo e a todos.  (BAUMAN, 2007).

Nesse processo, situamos a figura do professor, sua formação acadêmica e sua prática de sala de aula, que frente às mudanças sociais e contemporâneas, tem buscado respostas para não ficar fora deste processo, atualizando-se constantemente, para dar respostas significativas e convincentes ao mercado de trabalho. Para tanto, se faz necessário entender e interpretar a formação de professores neste contexto, já que o mesmo tem exigido profissionais mais qualificados e atualizados, respondendo as necessidades do seu tempo e a demanda social que vai surgindo. Daí a necessidade de desvendar, no atual contexto, os vários sentidos da formação e as demandas da escola hoje em dia (UNESCO, 2004).

Neste caso, observa-se que:

Os desafios na área de formação dos professores são muitos. Os processos formativos não e dão no abstrato, porque estão destinados a profissionais que, como os demais trabalhadores, têm tido suas condições concretas de existência acentuadamente deterioradas. Assim, é nessa realidade social que a formação se desenvolve e é na sua complexidade e nas suas contradições que atuam as escolas. (UNESCO, 2004, p. 36)

Para tanto, é preciso ressaltar que por mais que a formação seja pautada no modelo acadêmico, às vezes engessado com currículos sistemáticos, observa-se que a realidade da sala de aula é dinâmica e heterogênea, e muitas das facetas criadas para driblar as dificuldades do fazer do professor, são adquiridas com a prática diária e não na academia. Se por um lado, a sala de aula exige maior preparação dos professores, o modelo de escola que foi sendo configurado nos últimos anos, continua a perpetuar-se sem proporcionar aos sujeitos condições de inovar e de sair do tradicional, ou seja, o modelo de escola que temos não tem respondido às necessidades de nossos alunos e a academia não tem preparado os professores para que estes enfrentem com mais proficiência os desafios do cotidiano escolar. Daí é preciso ter em mente a dinamicidade da sala de aula, uma vez que a atividade docente é sistemática e científica, na medida em que toma objetivamente (o conhecer) o seu objeto (o ensinar e o aprender) e é intencional, não casuística (PIMENTA, 2012, p.95).

Dessa forma, cremos que o saber dos professores, está relacionado com suas escolhas e identidades, com a sua experiência de vida e com a sua história profissional, além das relações com os alunos em sala de aula e toda a comunidade escolar. Ou seja, o trabalho do professor é sempre em parceria, não deve ser algo isolado. Assim, concordamos com Tardif (2002), quando este afirma-nos que a profissão docente é perpassada pelos saberes, os quais constroem e caracterizam a práxis dos mesmos. Como tal, uma vez que estes envolvem os saberes da formação profissional, destacando-se as ciências da educação e da ideologia pedagógica, os saberes disciplinares, aqueles que regem a ordem, os saberes curriculares, os que estão ligados ao conteúdo e as metas, aqueles saberes que partem das experienciais dos sujeitos, uma vez que este surge da prática e são validados pelo professor e perpassam o seu fazer diário.

Tais reflexões nos levam a conclusão que durante longas décadas e, em especial, na atualidade, a formação docente tem ocupado boa parte das discussões sobre a educação. Uma vez que, o professor mais qualificado, tende a criar meios que facilitem a sua ação na sala de aula, e, por conseguinte, se sobressair aos desafios da mesma, porém, mesmo diante de tantos debates, é preciso envolver a todos nesse processo, dos pais a comunidade escolar, da academia as formações em geral. Constata-se que a escola não é o único instrumento a produzir uma revolução na sociedade, uma vez que outros meios ou veículos, tendem a ajudar os sujeitos a pensar a sociedade e nela atuar, é o caso por exemplo, da   internet e das redes sociais que com seu poder de sedução e atratividade tem atingido as mais diversas classes sociais, dado oportunidades até então nunca vistas, proporcionando a seus usuários posicionar-se acerca de determinadas situações e em certos contextos.

Assim, para que a formação dos professores aconteça efetivamente, é preciso ter a mesma pauta das ações, e que esta não seja vista apenas como paliativo ou reciclagem. É preciso ir além do que é oferecido e pensado acerca da formação dos professores, e buscar soluções práticas para contextos dinâmicos. E diante de tantas barreiras atreladas a escola e suas formas engessadas de conceber a educação pouco pode ser feito para ocorrer mudanças substanciais e imediatas neste ambiente. Porém, ao menos a formação docente qualificada e preparada poderá alterar determinados quadros do atual cenário educacional brasileiro e possibilitar que mudanças significativas passam a acontecer.

O modelo de escola do dia a dia e as reflexões contemporâneas da escola diária 

Outro assunto bastante discutido nos últimos anos, tão quanto a formação de professores, é o modelo de escola e sua configuração. Porém, para se entender esse processo é preciso fazer um recorte histórico e situar nossa reflexão.

Assim, na década de 1960, um grande debate entra na pauta das discussões e envolve toda sociedade: o acesso das camadas pobres à escola pública e a ampliação da oferta de vagas para todos os que a procurasse. Pensa-se na inclusão de todos e na acessibilidade ao espaço físico, e esquece-se da qualidade do que se oferece, pois, os que chegam à escola, sabem o que farão nesta? A escola está adaptada a realidade do grupo social que a busca? Não refletir estas e outras questões que passam a surgir, é colocar os sujeitos de fora do debate e pensar apenas um lado dos problemas. Tendo em vista que muitos problemas foram surgindo, dentre os quais a precariedade das condições físicas, a identificação e adequação do público ao que se é ofertado, a participação efetiva da sociedade e a inclusão dos sujeitos, de fato, nesse processo, tendo em vista suas reais necessidades. Não sendo pensada tais questões e estando na pauta das discussões, a sociedade se deparou com um enorme problema, o qual tem de conviver até os dias atuais, este é o fracasso escolar, que como um vírus, invisível e silencioso, está presente nas salas de aulas brasileira, desde a educação básica à universidade.

Não é nosso propósito refletir sobre o fracasso escolar e seus problemas, mas ter em mente que o modelo de escola que temos, favorece a sua propagação, tendo em vista que desde seu bojo, este acompanha silenciosamente as políticas públicas educacionais.[2]

Assim, concordamos com Soares (1987) quando a mesma nos afirma que:

O discurso em favor de uma educação popular é antigo, uma vez que ele procedeu à proclamação da república. E uma vez que o ensino era oferecido para o povo era precário e vergonhoso, Rui Barbosa já apresentava na época uma proposta de multiplicação de escolas e de melhoria na qualidade de ensino. Ela chega à conclusão que, até hoje, diagnósticos, denúncias e propostas de uma educação popular está sempre presente no discurso político sobre educação no país. E por ser um discurso, a inspiração do mesmo é em ideais democrático-liberais, onde o objetivo é a igualdade social e a democratização do ensino é instrumento da conquista desse objetivo. (SOARES, 1987, p.8)

Enquanto discurso, este se propaga ao longo dos anos, e chega até os dias atuais. Porém, o que se observa é que não passam de meras falácias ideológicas, já que a boa educação e de qualidade não necessita de palavras, mas sim de ações enérgicas, coisas que os governos brasileiros tende a esquecer.

Sobre o mesmo assim, a democratização da escola pública brasileira, Esteban (2007) assinala-nos que:

As reflexões sobre a escola pública no Brasil passam necessariamente por suas articulações com as classes populares e com a dinâmica de produção do fracasso escolar. O reconhecimento da escolarização como um direito faz-se acompanhar de políticas públicas que visam à expansão de vagas, no sentido de garantir a presença de todas as crianças na escola, de fomentar a educação de jovens e adultos e de ampliar o acesso aos ensinos médio e superior. Os procedimentos implementados dirigem-se especialmente aos sujeitos das classes populares, uma vez que são eles que constituem fundamentalmente a escola pública e vêm sendo historicamente excluídos da educação escolar. (ESTEBAN, 2007, p. 10)

Esse modelo, que tem por pressuposto em seu bojo a inclusão, acaba excluído, já que muitos dos que nele se encontram, não conseguem se localizar e fazer parte do processo. Daí concordarmos com a autora quando esta afirma-nos que os processos instituídos têm por objetivo a ampliação do acesso à escola e, por conseguinte a permanência neste.  Porém, a realidade revela-nos que o tempo de permanência e de identidade do aluno com o ambiente escolar é mínimo já que ao ir à escola, neta não fica, e quando fica não se adéqua ao processo de escolarização. Não se sente parte do processo.

Portanto, o acesso à escola, não é apenas ao espaço físico, mais sim, ao saber. Assim, mesmo que a incorporação dos sujeitos à escola envolva as mais diversas classes sociais, até então dela excluídos, se apresenta como meio de dar aos sujeitos o conhecimento e a partir deste sair da condição subumana, a que se encontra e passam a ser sujeitos pensantes. Porém, até que ponto o governo está interessado em manter o povo informado e transformá-los para que aja ativamente na sociedade? Quais são os reais interesses dos sujeitos em estar na escola e permanecer? Mesmo sem dar-se conta, percebe-se que o grande acesso que as classes populares foram tendo nas últimas décadas, é a consciência política, a qual os faz cidadãos ativo no processo democrático. E mesmo sendo considerados, números estatísticos, eles revelam a necessidade de investimentos e melhorias para a escola.

É preciso ressaltar que nesta prática, o processo de escolarização proposto para as massas, tem em seu contexto fortes vínculos com os processos de subordinação social, autoritarismo, o controle, coerção, distância, e o não-reconhecimento das qualidades do outro, uma vez que os sujeitos não são tidos enquanto seres, mas sim, enquanto números, o contato com os sujeitos é frio, e numericamente falando este faz, ou não, parte do sistema. Tais práticas são incompatíveis com o diálogo e a proposta até então disseminada, a democratização e o acesso ao ensino.

Mosé (2013) em uma reflexão bastante pertinente acerca da escola na contemporaneidade e seus desafios, chama-nos a atenção para o seguinte fato:

A escola foi e ainda é, em nossas vidas, um dos primeiros momentos em que o mecanismo de exclusão é aplicado. Primeiro porque a escola é uma instituição isolada da comunidade, da cidade. Segundo porque o sistema de reprovação é um dos primeiros processos de exclusão que atinge as crianças, com enorme prejuízo para seu desenvolvimento: a escola não se responsabiliza pelo desempenho insuficiente do aluno; ao contrário, quando reprova transfere para o aluno todo o fracasso escolar. (MOSÉ, 2013, p.44)

Mais adiante a mesma autora ressalta que:

A exclusão do saber, do conhecimento, é a raiz de toda exclusão. É especialmente em função disso que precisamos de uma nova escola. Precisamos, na verdade, nos recusar a ser o que somos e repensar o tipo de individualidade que nos foi imposto durante tantos séculos, a subjetividade do sim ou do não, do certo e do errado, do bonito e do feio. E promover novas formas de lidar com a vida. (MOSÉ, 2013, p. 45)

Não é nosso propósito afirmar que o modelo de escola que temos não serve para nossos alunos, pelo contrário, temos consciência de seu papel sócio transformador junto àqueles que desta necessitam. Porém, ressaltamos que a configuração que temos vem se perpetuando a um longo tempo, e já não responde mais as necessidades dos alunos na contemporaneidade. Esse modelo de trazer para a sala de aula as coisas prontas, seguindo roteiros e traçando objetivos os quais destoam da realidade, já não cabe mais no ambiente escolar de hoje em dia.

Vale ressaltar que a escola, exerce um papel importante na sociedade, formar os sujeitos em seres pensantes e históricos, situados no tempo e no espaço, e para tanto, é necessário um ambiente social que possibilite a construção e a socialização do conhecimento em conjunto. Para que este seja um conhecimento vivo e se caracteriza como processo em construção, ou seja, inacabado.

Dessa forma, a educação, como prática social que se desenvolve nas relações estabelecidas entre os grupos e os sujeitos nestes inseridos, seja na família, na escola ou em outras esferas da vida social, se caracteriza como campo social de disputa hegemônica, disputa essa que se dá na perspectiva de articular as concepções, a organização dos processos e dos conteúdos educativos, e na escola estes  são mais explícitos, já que ela é o espaço das disputas, dos interesses e da ideologia e do sistema  dominante.

É preciso uma escola dinâmica, participativa a qual os alunos sejam desafiados a pensar e a resolver os problemas que vão surgindo em seu cotidiano, em seus mundos. Uma escola que incite questionamentos, motive a buscar e a resolução de problemas. Que seja participativa quanto à efetivação do conhecimento e a busca do mesmo.

As tecnologias e a sala de aula: uma parceria necessária

Estamos num momento crucial de nossa história. Informações acontecem e se renovam a cada minuto. A comunicação já não é mais concebida como algo passivo, em que os sujeitos aceitam sem questionar e propagam a mesma sem se posicionar acerca do pensam e sentem. A sociedade vive uma nova era, a qual tende a somar com o conhecimento e, por conseguinte, com o próprio ser humano. Assim, surgem novos sujeitos, novos homens, autônomos, motivados a aprender um pouco mais, curiosos com o que se busca, motivados a buscar respostas sem contentar-se com as que são oferecidas espontaneamente pelo senso comum.

Olhando por esse prisma, voltamos nosso olhar para a realidade educacional e as práticas da sala de aula. Até que ponto o uso das tecnologias vem sendo prioridade na sala de aula e como os professores trabalham essa realidade frente às necessidades de adaptação do conteúdo ao currículo? As escolas e os professores estão preparados a usar as tecnologias como parceiras, auxiliando o processo ensino aprendizagem dos alunos em suas aulas?

Muito são os questionamentos, quando o assunto é tecnologia na sala de aula, uma vez que seu uso, na maioria das vezes, é limitado, e quando se pensar em fazer algo diferente, este é tomado apenas para substituir as velhas formas de se ensinar. É o caso, por exemplo, do data show, que serve para substituir o quadro negro e o giz. Porém, o aluno continua a copiar da imagem projetada na tela.

Acesso à internet, conta nas redes sociais e uso das tecnologias, tudo isso os alunos têm, e isso é perceptível quando os jovens chegam a escola. Estes portam celulares, tabletes, notebooks etc… Tais mídias fazem parte do cotidiano destes sujeitos, chegando até a ser extensão de si, caracterizando-os por cor, sons, capaz e códigos. Não dá para fugir desta realidade e pensar que nada, acontece na sociedade, as tecnologias aí estão e a cada dia tendem a mudar as relações e comportamentos humanos.

Frente a tudo isso, concordamos com Gabriel (2013) quando nos afirma que:

Inquestionavelmente estamos vivendo uma nova revolução, a Revolução Digital, que está nos levando a uma nova era: a Era Digital. Os impactos das tecnologias digitais em nossa vida são sem precedentes na história da humanidade, pois, diferentemente de qualquer outra revolução tecnológica do passado, a atual tem causado uma modificação acentuada da velocidade da informação e desenvolvimento tecnológico, acelerando em um ritmo vertiginoso o ambiente em que vivemos. Essa aceleração tem causado efeitos profundos na sociedade e na educação, e está nos levando para Era do crescimento exponencial. (GABRIEL, 2013, p.03)

Ainda segue afirmando que:

Toda tecnologia introduzida no ambiente nos afeta e modifica, e pode também ampliar as nossas capacidades cognitivas, no caso das tecnologias intelectuais. Somando-se a isso a proliferação tecnológica em que vivemos hoje e o ritmo vertiginoso em que isso ocorre, podemos afirmar que as transformações humanas nunca aconteceram em um ritmo tão intenso e acelerado. (GABRIEL, 2013, p.11)

A partir das reflexões da autora, percebe-se que estamos vivendo uma revolução sem precedentes –  A revolução Digital, seus impactos no comportamento humano são visíveis, pois modificam consideravelmente as formas de comunicação e informação e tem mudado os comportamentos sociais dos indivíduos. Hoje somos considerados seres digitais. E a juventude deste século, é considerada nascida na era digital (PALFREY, 2011)

Mesmo com tantas mudanças, a escola parece distante de toda essa realidade. É como se esse ambiente fosse blindado contra qualquer forma externa que venha modificar suas bases e estruturas. É preciso ter em mente que a juventude que hoje vai e está na escola, já nasceu na sociedade da informação, tem contatos com as redes sociais, são donos de suas ações.

Concordamos com Mosé (2013) ao assinalar que:

A tecnologia nos permitiu reproduzir essa rede de conceitos, de imagens, não apenas nos ligando a nós mesmos, como faz nossa consciência, mas ligando todos a todos. De modo que, hoje, ninguém mais é dono dessa rede, com seus agenciamentos múltiplos, seus, acordos inusitados, nem sempre éticos ou sustentáveis, mas sempre abertos à participação, à interferência. (MOSÉ, 2013, p.26)

Tomando por pressuposto tal afirmação da autora, percebe-se que esse é o grande atrativo da juventude ao usar as tecnologias e as redes sociais, uma vez que nesta os jovens detêm o controle do que querem e buscam, diferentemente na escola, que os controla o tempo todo.

Temos hoje uma juventude curiosa, que a tudo e a todos questiona, e se esse pressuposto não for levado em conta, não teremos o aluno como amigos, mais sim, inimigos, já que ao se deparar com modelos sólidos e práticas tradicionais o aluno nunca olhará para nossa ação como algo motivador, pelo contrário, não encontrará sentido algum daquilo que se ensino com suas necessidades. É preciso trazer o aluno para o diálogo, proporcionando na sala de aula, momentos de debates e posicionamentos críticos, traçando parcerias e cumplicidades com os mesmos, para que estes se sintam acolhidos e coparticipes do processo ensino-aprendizagem.

Quando isso acontecer, vamos percebendo que aquilo que move os sujeitos e os coloca pacientemente ou impacientes diante do mundo que não construiu, são as suas indagações que surgem ao longo de sua formação e que ao olhar para essa realidade ele pode mudar. Mas até que ponto a escola tem proporcionado esse espaço de mudança? Tem instigado a busca de respostas para questões atuais e existências que permeiam a realidade e o contexto de nossos alunos?

Ao voltarmos nosso olhar para a realidade da sala de aula e as práticas cotidianas nestas desenvolvidas, percebemos que em algumas ocasiões, nossa postura vai se tornando utópica, uma vez que queremos um amanhã bem melhor do que o temos hoje, nossos sonhos se distanciam da realidade.

A realidade nos projeta a pensar em práticas e experiências que signifiquem para o professor e gerem sentidos no aluno. Assim, as tecnologias podem ser esse elemento que venha a contribuir para a melhoria das atividades, ou seja, a prática do professor e o processo ensino-aprendizagem como um todo. Assim, nossa postura não é a de que as dificuldades encontradas pelo professor e pelo aluno são oriundas da falta do uso das tecnologias, como se as mesmas viessem a sanar toda a problemática da educação. Pelo contrário, temos a certeza da necessidade de ousar criar, testar, fazer da prática rotineira – prática essa vivenciada fora da sala de aula, algo comum e vivaz.

Ensinando novos modos de aprender, como ocorre em outras áreas da atividade humana, professores e aluno precisam aprender a tirar vantagens de tais artefatos.

Considerações finais

Pensar a sala de aula, seu cotidiano não é algo fácil, tendo em vista a complexidade dos sujeitos, sua singularidade, seu ser. Olhar para essa realidade, é visualizar os sujeitos em constantes trocas simbólicas, as quais modificam vidas, ampliam sonhos, possibilitam conquistas.

Cremos que para à escola ser um espaço atrativo, não adianta mudar cadeiras, cor, trocar profissionais, investir em acessibilidade ou ampliar o número de vagas ofertadas, é preciso mais que isso. É preciso envolver todos os sujeitos na condição de aprendizes, fazendo com que o conhecimento seja algo instigado, inspirado. Daí ser de suma importância o envolvimento de todos. Preparados para tais desafios, nem sempre estamos, mas se houver a predisposição em querer aprender e buscar um pouco mais, é possível a mudança.

Assim, sonhar com uma escola nova, em que os sujeitos sejam coparticipe, não é algo distante ou inatingível, e para que isso aconteça são necessários alguns passos, desde a reflexão a ações pontuais. Dessa forma, o aluno poderá pensar do lugar onde pisa, trazendo para a sala de aula suas angustias, leituras de mundo e como atuam nestes. E o professor, a partir de sua prática visualizará mudanças na forma de conceber a educação na prática educativa.

Referências Bibliográficas

ESTEBAN, M. T. Educação popular: desafio à democratização da escola  pública. Cad. Cedes, Campinas, vol. 27, n. 71, p. 9-17, jan./abr. 2007. Disponível em http://www.cedes.unicamp.br  <Acesso em  06 de junho de 2015>

GABRIEL, M. Educar. A (r) evolução digital na educação. -1ª ed. –São Paulo: Saraiva, 2013.

PALFREY, J. Nascidos na era  digital: entendendo a primeira  geração de nativos  digitais. Tradução: Magda França Lopes; revisão técnica: Paulo Gileno Cysneiros. –  Porto Alegre: Artmed, 2011.

PATTO, M. H. S. A Produção do Fracasso Escolar: histórias de submissão e rebeldia. São Paulo: T. A. Queiroz, 1990.

PIMENTA, S, G. O estágio na formação de professores: unidade  teoria e prática?.- 11. ed. – São Paulo: Cortez, 2012.

PROFESSORES do Brasil: impasses e desafios. Coordenado por Bernadete Angelina Gatti e Elba Siqueira de Sá Barreto. Brasília: UNESCO, 2009.

UNESCO/Pesquisa Nacional. O Perfil dos professores brasileiros: o que fazem, o que pensam, o que almejam. São Paulo: Editora Moderna, 2004.

SOARES, M. B. Linguagem e Escola: uma perspectiva social. São Paulo: Ática, 1987

TARDIF, M. Saberes docentes e formação profissional. Petrópolis: Vozes, 2002.

[1] Doutoranda em Educação ULHT- Lisboa/PT, Mestre em Ciências da Educação – ULHT- Lisboa/PT. Esp. em Desenvolvimento e Políticas Educativas, Esp. Em AGP e Graduada em Psicóloga Clínica – UEPB.

[2] Não é fácil definir o que é o fracasso escolar a partir de uma situação ou contexto, uma vez que o mesmo ao longo da história vai sendo produzido e se perpetuam no sistema educacional brasileiro. E enquanto fenômeno, este não é natural, mas sim, resultado das condições de interação entre a proposta de ensino, a assimilação do aprendizado por parte dos alunos, os modelos de ensino e de avaliação, a forma como é conduzida a sala de aula, o acompanhamento direcionado de alunos e pais, além do contexto escolar e familiar dentre outros. In: PATTO, M. H. S. A Produção do Fracasso Escolar: histórias de submissão e rebeldia. São Paulo: T. A. Queiroz, 1990.

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