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Psicopedagogia e arteterapia encontros no processo ensino aprendizagem

DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/educacao/psicopedagogia-e-arte-terapia
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CONTEÚDO

ARTIGO ORIGINAL

MAINARDI, Maria Lucia Teixeira [1], AMARAL, Célia Regina Da Silva [2]

MAINARDI, Maria Lucia Teixeira. AMARAL, Célia Regina Da Silva. Psicopedagogia e arteterapia encontros no processo ensino aprendizagem. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 05, Ed. 02, Vol. 03, pp. 39-54. Fevereiro de 2020. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/educacao/psicopedagogia-e-arte-terapia, DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/educacao/psicopedagogia-e-arte-terapia

RESUMO

O objetivo deste estudo foi compreender o processo de ensino aprendizagem em crianças com dificuldades, visando melhorar seu desempenho escolar e interação com outras crianças. Os sujeitos escolhidos foram duas crianças: uma proveniente de escola particular e a outra de uma unidade de Educação Infantil Municipal por demonstrarem dificuldades de aprendizagem, linguagem, interação e socialização. Para esta pesquisa foi realizado o pareamento entre os conceitos da Psicopedagogia e Arteterapia , buscando subsidiar ambas como ferramenta estratégica para o desenvolvimento cognitivo, considerando que o encontro de atividades, desenhos, pinturas, e modelagens agem nas emoções das crianças que possuem dificuldade em verbalizar suas descobertas no aprendizado.

Palavras-chave: psicopedagogia, arteterapia, crianças, dificuldades, aprendizagem.

INTRODUÇÃO

Este artigo trata de uma pesquisa oriunda de uma monografia em Psicopedagogia, na qual estão relatadas duas experiências vividas em sala de aula. Este estudo teve como objetivo compreender o processo de ensino aprendizagem em crianças com dificuldade, visando melhorar seu desempenho escolar, interação e socialização com outras crianças.

Os sujeitos escolhidos foram duas crianças: uma proveniente de escola de educação infantil privada e a outra de uma unidade de educação infantil municipal. Ambas as crianças foram escolhidas por demonstrarem dificuldade em apresentar linguagem e interação.

[…] ainda que saibamos as noções de arteterapia por incluir em seu contexto tratamento psicoterapêutico, que utiliza como mediação a expressão artística (dança, teatro, música e outros), nosso conhecimento ainda está limitado, no que diz respeito à representação plástica: pintura desenho, gravura, modelagem, máscara, marionete. (PAIN, 1996, p.9)

Para esta pesquisa foi realizado o pareamento entre os conceitos da Psicopedagogia e Arteterapia. O intuito dessa pesquisa foi demonstrar que tanto a Psicopedagogia, quanto a Arteterapia podem ser facilitadoras do desenvolvimento cognitivo dessas crianças, considerando que o encontro de atividades, desenhos, pinturas e modelagens, agem nas emoções dessas crianças e verbalizam suas descobertas no aprendizado, valorizando desde mundo lúdico com histórias de contos de fadas até brinquedos de roda como forma de reconstrução interna.

A psicopedagogia e a Arteterapia possuem pontos semelhantes na condução e prevenção das dificuldades no aprendizado das crianças, tendo como diagnóstico, a intervenção, os profissionais devem conceber um aguçamento no olhar e uma apurada noção de compreensão, para entender as mensagens que são transmitidas através da forma não verbal de comunicação.

Para tanto, é necessário observar todo o comportamento apresentado pela criança, como o seu caminhar, o tom de voz, seu “ritmo” geral, sendo assim, este tipo de estudo trata de problemas simples e comuns, assim como mostra simbologia infantil e formas criativas de lidar em cada caso.

Tendo em comum, referenciais teóricos que definem conceitos semelhantes e estudos que dizem a respeito da autoexpressão, a psicopedagogia assim como a Arteterapia, visam o bem estar, o desenvolvimento e o equilíbrio na área do aprendizado e consciência de si mesmo. Ambas, tratam sobre a arte ilimitada unida ao processo terapêutico para transformar e ampliar o potencial criativo.

Estas duas áreas de estudo visam o bem-estar, o desenvolvimento e o equilíbrio, tanto na área do aprendizado quanto na autoconsciência. Portanto, é um modo de trabalhar utilizando a linguagem artística como base de comunicação cliente – profissional, ou seja, professor – aluno. Sua essência, é a criação não estética e a elaboração artística em prol da saúde e do aprendizado, fazendo uso de linguagens plásticas, sonoras, dramáticas, corporais e literárias, além de técnicas de desenho, pintura, modelagem, construção, sonorização, musicalização, dança, drama, poesia, e brinquedo de roda cantado. Nestes segmentos, também é aplicado uma avaliação para que se comprovem os resultados alcançados.

Priorizando a qualidade de vida na instituição escolar, a ciência da Psicopedagogia utiliza os conhecimentos da Psicologia para constituir uma forma de ver e sentir a necessidade da criança como principal elemento, visando compreendê-la da maneira que é.

A relevância deste artigo justifica-se pela associação das duas áreas do conhecimento, uma vez que o trabalho Psicopedagógico e Arteterapia objetivam o crescimento cultural e emocional aos alunos e professores a partir do momento em que propiciam o bem estar do outro.

Nesse sentido o objetivo geral deste estudo foi: compreender o processo de ensino aprendizagem em crianças com dificuldade, visando melhorar seu desempenho escolar e interação com outras crianças. E como objetivo específico: identificar as crianças com maior dificuldade em verbalizar através do seu imaginário, assim como, comparar o desempenho entre as crianças atendidas através da Psicopedagogia. Tendo nesse processo, a Arteterapia como facilitador do ensino/ aprendizagem.

REFERENCIAL TEÓRICO

BREVE HISTÓRICO DA PSICOPEDAGOGIA

Os primeiros centros Psicopedagógicos foram fundados na França, em 1946, por J. Boutonier e George Mauco, com direção médica e pedagógica, tentavam readaptar crianças com comportamentos socialmente inadequados, na escola ou no lar, e atender crianças com dificuldades de aprendizagem, mesmo as crianças sendo inteligentes. Estes centros uniam conhecimentos da Psicologia, Psicanálise e Pedagogia. (MERY, apud BARBOSA, 2000).

Na América do Sul, influenciado pelas correntes europeias, os primeiros estudos psicopedagógicos surgiram em 1960, na Argentina, em sua capital, Buenos Aires. Logo após, na década de 70 surgiram os centros psicopedagógicos.

No Brasil, em Porto Alegre na década de 70 iniciaram cursos de formação especialista em psicopedagogia com enfoque em problemas de aprendizagem. Tendo como um dos principais difusores, o professor argentino Jorge Visca, que divulgou estes conhecimentos por meio de cursos em diversas cidades brasileiras.

A psicopedagogia nasceu como uma ocupação empírica pela necessidade de atender as crianças com dificuldade na aprendizagem, cujas causas eram estudadas pela medicina e psicologia. Com o decorrer do tempo, o que inicialmente foi uma ação subsidiária destas disciplinas, perfilou-se como conhecimento independente e complementar, possuidor de um objeto de estudo (o processo de aprendizagem) e de recursos diagnósticos, corretores e preventivos próprios.(VISCA, 1987, p.7).

A psicopedagogia não pode ser definida apenas como uma disciplina, mas sim como um método interdisciplinar, pois atua em várias áreas de conhecimento, estuda e trabalha nas aprendizagens humanas, oferece campo de intervenção cujos limites são amplos, entre outros assuntos. O próprio processo humano de aprendizagem é um fenômeno complexo, que envolve múltiplos fatores e desafia qualquer tentativa de explicação a partir de um discurso científico único, portanto, não é possível reduzi-la a apenas uma disciplina.

Segundo Fernandez (1990), o ser humano aprende a partir do seu organismo individual herdado e de seu corpo construído de forma espetacular, de uma inteligência construída de forma interacionista, ou seja, o sujeito e o meio em que vive são permeados por desejos, sejam eles seus ou de outros.

Esses aprendizados transcorrem no seio do vínculo humano, cujo seu primeiro núcleo está na família, pois o ser humano é o único ser que precisa, até o fim de sua vida, aprender para poder viver.

Allessandrine (1996) enfatiza que a psicopedagogia trabalha a práxis com a totalidade do ser, possibilitando ao educando o seu desenvolvimento integral. Considera, também, que é uma forma dele construir seu conhecimento e processo de aprendizagem ao longo da vida. A autora é mestre em Psicologia, Psicopedagogia e, Arteterapia estudou o construtivismo de Jean Piaget e seus desdobramentos nos pensamentos clínicos, na maneira de se pensar o mundo no universo da formação dos conceitos e da construção cognitiva.

Para sintetizar as teorias apresentadas, foi elaborado um quadro para compreender a definição dos autores sobre os conceitos básicos que subsidiam este artigo.

Quadro 01: Definição dos autores sobre alguns conceitos básicos da pesquisa

CONCEITOS

                PSICOPEDAGOGIA ARTETERAPIA
ALLESSANDRINI: A Psicopedagogia trabalha a práxis com a totalidade do ser, possibilitando ao educando o seu desenvolvimento integral. Considera também que é uma forma de ele construir seu conhecimento e seu processo de aprendizagem ao longo de sua vida.

BARBOSA: O aprendiz é um ser inteiro; ao mesmo tempo em que possui aspectos comuns a todos os aprendizes, têm uma particularidade que está interligada às relações que estabelece como meio no momento da interação.

VISCA: A Psicopedagogia nasceu como ocupação empírica pela necessidade de atender as crianças com dificuldade na aprendizagem, cujas causas eram estudadas pela Medicina e Psicologia. Com o decorrer do tempo, o que inicialmente foi uma ação subsidiária destas disciplinas, passou a ser possuidor de um objeto de estudo (processo de ensino aprendizagem) e de recursos diagnósticos, corretores e preventivos próprios.

FERNANDEZ: A aprendizagem é um processo cuja matriz é vincular, lúdica e sua raiz corporal; seu desdobramento, criativo põe-se em jogo através da articulação: inteligência, desejo, equilíbrio, assimilação e acomodação.  

 

 

PAIN: A Arteterapia tem um papel importante – de acompanhar o processo da aprendizagem e ser testemunha de sua aventura, ajudando a superar obstáculos encontrados, considerando um ponto de vista subjetivo. Por isso é preciso que haja norma na observação dos sujeitos que estão realizando uma atividade criativa para decidir a oportunidade e o conteúdo de intervenção

CIORNAI: A importância da subjetividade e do inconsciente (“daquilo que influencia e pesa nas escolhas humanas não obedecem às leis cartesianas, lógica racional”) e das imagens oníricas e pictóricas como elemento diagnóstico e revelador daquele que passa a se fazer revelador nos trabalhos de Freud, Jung.

FERGUSON: Diz respeito a estudos da subjetividade humana complexa e sua transformação, ou seja, a transformação da consciência: estar consciente da própria consciência.

VALADARES; FUSI: A Arteterapia como processo de estímulo à criatividade permite aos clientes a expressão e comunicação de ideias e emoções, possibilitando o aumento da auto – estima e expressão emocional, diminuindo sua ansiedade.

JUNG: processo de individuação é uma engenharia entre o self centro organizador de onde emana a ação reguladora que o autor chamou de “núcleo Atômico” do nosso sistema da Psique.

Fonte: Acervo da pesquisadora/2007.

DEFINIÇÃO DA ARTETERAPIA

De acordo com Pain(1996) essas atividades têm em comum o objetivo da representação visual do domínio figurativo, a partir da transformação da matéria. Por ser uma área recente, que data do período pós-guerra, é preciso tomar a palavra “arte” no sentido que foi adquirido na segunda metade do século, no qual, não é mais ofício da recriação da beleza ideal, nem tampouco está a serviço da religião ou da exaltação à natureza. Essa observação constitui um reconhecimento da ruptura da arte contemporânea com aquelas que a precederam, indagando nessa nossa época, qual a função da arte e qual mudança é possível ocorrer, a partir da escolha das técnicas a serem utilizadas e também da ideologia do sujeito que a vive.

A linguagem da Arteterapia se torna híbrida, a partir da compreensão de que outros povos utilizam diversos meios de arte terapêuticos. No entanto, o desenho e a pintura são os que mais expressam a contextualização do “ser si mesmo”, levando o indivíduo atendido à aquisição de uma melhor qualidade de vida, relacionando-se e se integrando com seu meio e com o mundo que o cerca.

Das tendências atuais, segundo Pain (1996), o trabalho em arteterapia é o mais próximo da clínica psicoterápica, que considera a atividade plástica como meio secundário porque atribui o efeito terapêutico vindo das trocas verbais em torno do conteúdo da obra.

[…] ainda que saibamos as noções de arteterapia por incluir em seu contexto tratamento psicoterapêutico, que utiliza como mediação a expressão artística (dança, teatro, música e outros), nosso conhecimento ainda está limitado, no que diz respeito à representação plástica: pintura desenho, gravura, modelagem, máscara, marionete. (PAIN, 1996, p.9)

Por outro lado, a Arteterapia dá suporte ao indivíduo para que possa, por meio das imagens adquiridas em seu universo interior, dar significados, explorando e expurgando os conflitos subjetivos.

A Arteterapia, para a autora, tem um papel importante, que é o de acompanhar o processo da aprendizagem e ser testemunha de sua aventura, ajudando a superar os obstáculos encontrados, considerando-os, ao mesmo tempo, de um ponto de vista subjetivo e objetivo. Para isso, é preciso que haja normas na observação dos sujeitos que estão realizando uma atividade criativa e, por outro lado, decidir a oportunidade e o conteúdo das intervenções.

No contexto do terapeuta é exigida uma grande capacidade de concentração cada vez que o processo de construção simbólica é considerado como uma aventura contínua, em que as transformações sucessivas são mais importantes do que o resultado final. De acordo com a mais recente definição, a Arteterapia :

[…] baseia-se na crença de que o processo criativo envolvido na atividade artística é terapêutico e enriquecedor da qualidade de vida das pessoas. Arteterapia é o uso terapêutico da atividade artística no contexto de uma relação profissional por pessoas que experienciam doenças, traumas ou dificuldades na vida, assim como por pessoas que buscam o desenvolvimento pessoal. Por meio do criar em arte e de refletir sobre os processos e trabalhos artísticos resultantes, pessoas podem ampliar o conhecimento de si mesmo e dos outros, aumentar a auto-estima, lidar melhor com sintomas, estresse e experiências traumáticas, desenvolver recursos físicos, cognitivos e emocionais e desfrutar e desfrutar do fazer vitalizador do fazer artístico. Arteterapeutas são profissionais com treinamento tanto em arte como em terapia. Tem conhecimento sobre o desenvolvimento humano, teoria psicológica, prática clínica, tradições espirituais, multiculturais e artísticas e sobre o potencial curativo da arte. Utilizam a arte em tratamentos, avaliações e pesquisas, oferecendo consultoria a profissionais de áreas afins. Arterapeutas trabalham com pessoas de todas as idades, indivíduos, casais, famílias, grupos e comunidades. (AATA, 2003).

Allessandrini (1969), foi a implementadora das oficinas criativas e da elaboração de uma metodologia para trabalhar em atelier terapêutico, a autora, contextualiza que é um espaço em que o participante, por meio de uma atividade artística, expressa criativamente uma imagem, que se processa na descoberta e sensibilização.

Pain; Jarreau (apud ALLESSANDRINI, 1969), consideram o atelier terapêutico como um lugar de aventura, no qual o participante escolhe os riscos que deseja correr, à medida que entra em contato com o material que teve afinidade: um fazer interessante no lugar de um fazer bonito. Criar é explorar mundos interiores, despertar através da sensibilização, dialogar e sentir o material que aflora as emoções, compartilhando e avaliando seu resultado final.

Para explorarmos mundos interiores é necessário entender o outro pelo desenvolvimento humano, o seu tempo, consciente e inconsciente.

A Psicologia, segundo Winnicott (apud ALLESSANDRINI, 2004) tem estudado o mecanismo consciente e inconsciente da psique. Nesse sentido, o desvendar dos processos psíquicos a partir de Freud, Jung, Winnicott e outros nos ajudam, de forma contundente, a entender a importância de tais mecanismos no desenvolvimento humano.

ESTUDO DE CASO I

Este artigo trata-se de um relato de experiência vivido em uma instituição escolar da rede pública municipal, com o objetivo de diagnosticar alguns problemas de aprendizagem, tendo como pano de fundo, o relacionamento entre pais e crianças da Educação Infantil. Essa análise ocorreu com base nas mudanças de comportamento das crianças durante o percurso, bem como na evolução do desenvolvimento da aprendizagem com as crianças que possuem dificuldade em verbalizar.

O presente estudo deu-se através de observações no jardim I e II, nos quais encontramos uma criança, cujo nome fictício é (M) que apresenta dificuldades de aprendizagem, especificamente na fala e na linguagem. A criança tem seis anos de idade, estuda pela manhã no Jardim l e à tarde no Jardim ll, sob os cuidados da mesma professora em ambos os turnos. Ressalta-se que foi realizada entrevista com os seus familiares, professores e demais colegas de suas turmas.

Sabemos que a aprendizagem nos primeiros anos escolares é um fator primordial no desenvolvimento infantil, tanto na escola quanto na família, além dos fatores afetivo-emocionais que permitem que a criança adquira seus conhecimentos com bastante êxito. Por isso, foram utilizadas preparações de atividades lúdicas envolvendo motricidade, concentração, equilíbrio e percepção para verificar quais as dificuldades de aprendizagem que (M) apresentava.

O artigo se embasa na leitura e perspectiva da Psicologia Analítica estruturada por Carl Gustav Jung, na qual há ênfase na relação da família com a aprendizagem, pois de acordo com Jung (apud SARGO, 2005, p.57):

[…], a base indispensável para o desenvolvimento do Ego da criança é a sua relação com a mãe pessoal ou substituta, a qual vai humanizar o arquétipo da Grande Mãe, que tem como padrão proporcionar segurança e, principalmente, proteção para continuidade da existência desse ser. Esse arquétipo é regido pelos princípios do prazer, da fertilidade, da sensualidade, da emoção e da nutrição.

 Posto que,

 […] neste ciclo, não só tem sentido de nutrir fisicamente, mas, principalmente, de nutrir afetivamente. Nesta medida, entende-se que o alimento dado sem afeto não é capaz de nutrir com qualidade em nenhum dos dois sentidos (Ibid. p.58)

Desta forma, é necessário que a relação da criança com sua mãe nos primeiros meses de vida sejam indispensáveis e de um caráter excepcional.

Observou-se durante a entrevista realizada com os pais e avós que o nascimento de (M) foi um pouco problemático, uma vez que a criança em questão nasceu de parto normal, em casa, com oito meses de gestação, ficando internada na Santa Casa de Misericórdia durante uma semana, em virtude de apresentar manchas no seu corpo, denominada: cianose.

Como sua mãe mesmo nos relata, (M) sempre foi uma criança debilitada e propensa a ter doenças, sendo que até os quatro ano de idade chegou a ser tratada com medicamentos para pneumonia e somente após uma determinada consulta com o pneumologista foi detectado um problema cardíaco, levando-a a ser medicada constantemente com remédios controlados e a ter que visitar periodicamente os médicos, além de fazer exames regularmente.

(M) apresenta dificuldades na fala, ou seja, linguagem e, por conta disso, sua escrita, ou seja, seus registros ou códigos escritos ainda não estão desenvolvidos o suficiente para sua idade. Então, suas professoras pediram à mãe que procurasse o auxílio e o acompanhamento de um fonoaudiólogo. Sendo assim, a mãe da referida criança pediu um encaminhamento ao médico, porém, esta senhora havia perdido o papel, a guia médica, para tal especialista.

O que podemos observar e detectar durante nossas entrevistas com os pais de (M), é o fato interessante de haver muita semelhança entre o comportamentos dos pais com a criança, sendo estes: tom de voz baixo e muito cauteloso ao se expressar; são introvertidos, não gostam muito de conversar, mas sim, observar bastante e somente falam quando são instigados. Além do mais, tanto os pais quanto as pessoas que convivem com (M) não possuem o hábito de ler e de conversar entre si; a mãe apenas realiza as tarefas do lar, como se fosse sua total obrigação e não demonstra qualquer voz de comando para com seus filhos; são figuras apáticas, com expressões muito tristes e sofridas.

Quanto à interação em sala de aula, sente dificuldade em se relacionar, pois detectamos que não consegue concluir as atividades propostas. Em alguns momentos começa, mas em seguida desiste de prosseguir. Identificamos em (M), que não reagia a estímulos e é quase sempre apática. Durante as atividades desenvolvidas em grupo, sempre procura se afastar.

Percebemos, então, que após as intervenções (M) se expressa muito mais, embora de uma forma debilitada e precária, pois possui uma boa coordenação motora grossa (correr, pular e ultrapassar obstáculo). Ao final do segundo semestre, verificou-se que a referida criança já estava se expressando voluntariamente, por exemplo, que iria ao banheiro, ao sorrir quando sua mãe chegava para buscá-la, além de, diversas vezes ter demonstrado interesse em manusear o brinquedo alphabyte, levado para realizar intervenções psicopedagógicos, inclusive tendo que conversar com (M) que havia outros mecanismos, ou seja, outras formas de escrita como o lápis, por exemplo, já que se recusava a registrar seus códigos escritos nessa forma simples. (M) através de muita conversa para que se convencesse e através da cooperação de algumas crianças e das professoras que a acompanhavam.

Para Jung (apud SARGO, 2005, p.166):

 Sabemos que as implicações das relações interpessoais no processo de aprendizagem são, indubitavelmente, inquestionáveis. Uma relação insatisfatória pode criar conflitos nas crianças gerando além de dificuldades específicas (escrita, leitura, raciocínio) problemas como Apatia dispersão e indisciplina. Estes comportamentos são sintomas gerados por mecanismos de defesa, utilizados pelas crianças e adolescentes contra as influências externas dos adultos, para que possam se entregar, sem serem incomodados, aos processos internos da fantasia (p.166)

ESTUDO DE CASO II

Esse estudo de caso e de observação teve como princípio o acompanhamento do desenvolvimento da aprendizagem do aluno, cujo nome fictício é (E), proveniente do Jardim I de uma escola particular.

Acompanhar o crescimento de uma criança é como plantar uma semente e vê-la germinar gradativamente, com alguns momentos de interrupção causados por doenças como gripes, alergias e outros que impedem, muitas vezes, que a criança vá à escola com mais satisfação.

Para iniciar, foi realizada uma entrevista com a mãe da criança para saber sobre (E) e também sobre sua família. A mãe da criança informou que teve uma gravidez normal, sem problemas: fez pré-natal e teve um bom acompanhamento médico. No entanto, seu parto foi Cesariano, pois a criança estava com o umbigo enrolado no pescoço. Após o nascimento, alguns dias depois, a mãe percebeu que a criança estava com a pele e os olhos amarelados. Preocupada, levou ao médico pediatra que informou que se tratava de icterícia e que deveria tomar sol todas as manhãs antes do banho. (E) é o segundo filho e tem cinco anos de idade. (E) se desenvolveu muito bem, gatinhou, andou no tempo certo, aprendeu no seu espaço, ou seja, em sua casa, a subir, descer e reconhecer os seus limites. Até um ano de idade seus pais ainda moravam juntos, mas, quando (E) tinha dois anos de idade se separam, e daí por diante percebeu-se o quanto a presença do pai lhe fazia falta. Essa falta começou a interferir no aprendizado e na concordância de (E) para desenvolver suas atividades. Essas descobertas foram detectadas no Jardim l ( tendo em consideração que esse ano está no Jardim ll). Em uma das entrevistas com as professoras de (E), fomos informados como era o relacionamento com os amigos em sala de aula e se ele se desenvolvia bem durante as atividades de coordenação motora fina e grossa.

As professoras informaram que ele socializa bem com os amiguinhos, exceto com um menino da mesma idade, que possui um porte físico bem maior e que levou algum tempo até se acostumar. Também foi relatado, que todo o processo de desenvolvimento foi bom em alguns parâmetros segundo a professora, porém tinha uma grande carga emocional que o impedia, por exemplo, de participar das atividades festivas que exigiam a dança, o movimento com o corpo, citando como exemplo umas das apresentações de festa junina em que todos os amigos de (E) dançaram o carimbó dança típica do Pará, porém ele ficou estático e não teve quem o fizesse se movimentar.

As sequências de observações quanto ao aprendizado foram se enveredando conforme as atividades propostas dentro do currículo escolar. A professora encaminhava as atividades e ele sempre dizia “não sei fazer isso” e não demonstrava interesse em olhar para o que os outros estivessem fazendo. Na maioria das vezes estava sempre acompanhado por seus bonequinhos relacionados aos desenhos assistidos pela televisão, com os quais conversava e se distraía.

Após uma série de observações contínuas foi percebido a segurança dele (E) ao ser registrada em sala de aula, as atividades psicopedagógicas com ênfase à arteterapia. Sempre iniciadas com sensibilização, trabalhando a respiração para que houvesse um relaxamento nas crianças, a fim de que ficassem mais à vontade para a escolha da brincadeira. Em uma das atividades realizadas, em específico a brinquedo de roda, as crianças foram convidadas para que escolhessem entre a música “Tantas laranjas maduras” ou “Todos os patinhos sabem bem nadar”. Nesta, escolheram “Tantas laranjas maduras”.

Essa música fala de cores, instigando o aprendizado, deixando-as mais soltas, mais participativas e sem resistência. Era o caso de (E), no momento da brincadeira, aconteceu o “ponto chave”, e então, participou. Após o término do brinquedo de roda, foi pedido que pegassem o material escolar, lápis e folhas de papel sulfite, e, em silêncio, sentassem cada um em seu lugar. Então, após as instruções da professora, começaram a desenhar: foi observado o potencial criativo de (E) e o que ele poderia revelar para nós com sua história.

Chegou o momento de (E) compartilhar seu desenho, pois terminou primeiro, coisa que ele não fazia antes ao ser aplicado a Arteterapia. Esperou-se que todos terminassem, até porque era um grupo de cinco crianças. Ao perguntar a eles quem queria falar sobre seu desenho, (E) respondeu: Eu!

Por conseguinte, ele descreveu o seu desenho desta maneira: “Essas aqui em cima, (no caso era na parte superior do papel), estas que estão aqui são as nuvens” nesse dia estava chovendo e ele disse que tinha muito medo de chuva e trovão, no rodapé da página, desenhou crianças brincando de roda então disse que eram as laranjas maduras, revelando –“ Essas crianças estão felizes porque estão todas dançando”, talvez estivesse se referindo à própria pessoa.

Um fato interessante, é o fato da mesma brincadeira ter sido realizada na casa de (E), pois a mãe gostaria de participar dessa atividade de Arteterapia. Deste modo, a mesma brincadeira foi realizada em sua casa, (E) participou, e imitou todos os movimentos da brincadeira, como em sala de aula.

Percebeu-se que sua recusa em fazer os trabalhos da escola estava associada às brincadeiras e, daquele dia em diante, (E) realizou todos os deveres sem reclamar.

Segundo Rubinstein (1999, p.32):

Vivenciar o “não saber” com condição para saber. Poder viver um processo de ensino/aprendizagem em que o terapeuta pode mostrar-se também no seu processo de aprender e no qual também esteja presente o “não saber”, no sentido de que não tem a resposta para tudo lidar com o erro no sentido construtivo e também com falta, no sentido da nossa incompletude, deve estar constantemente presente no processo interventivo. Vivenciar durante o tratamento estes dois aspectos certamente contribuiria para a constituição de um sujeito que aprende de forma autônoma criativa e produtiva.

Dessa forma, pode-se perceber que quando uma criança precisa de atenção maior, além do próprio professor compreender enquanto pessoa que lida com os desafios, angústia e tristeza das crianças e seus não saberes. Dos lados psicopedagógicos e arte terapêutica, é preciso aprender a lidar com esses problemas que incomodam a alma das crianças. Nesse aspecto, fazer uma analogia à sabedoria das abelhas para construção dos conhecimentos e novos seguimentos para melhorar a qualidade de seu mel. Essa é uma analogia às descobertas das crianças no seu aprender.

As abelhas têm uma rainha que mostra ou fica como guardiã da colmeia, enquanto as abelhinhas vão à caça de qual a melhor flor dará um bom mel, ou seja, o resultado ao término de seu longo trabalho. Assim acompanha-se o desenvolvimento e aprendizado de uma criança: o que acontecer nesse trajeto será de inteira responsabilidade dos pais e dos professores na produção da consciência do ser si mesmo, das ondas e oscilações que representam o crescimento cognitivo da criança.

CONCLUSÃO

Acredita-se, ao chegar ao final deste artigo, que os objetivos tenham sido alcançados, tanto na parte psicopedagógico quanto na arte terapêutica, pois se percebe que os instrumentos de trabalho que foram utilizados foram inovadores e que as crianças estudadas tiveram a oportunidade de se redescobrir como verdadeiros aprendizes.

No caso l, da criança (M), a utilização do instrumento Alphabyte, que estaria fora do seu alcance, ou seja, fora da sua realidade fez com que seu rendimento com relação à escrita (códigos) e à fala melhorassem significativamente. E como foram citados pela professora, os pais da criança são pessoas acomodadas, por não insistirem em buscar o tratamento adequado para a mesma. Mas que estes questionamentos sirvam de exemplo para que no futuro (M), reivindique seus direitos como cidadã e que siga em busca de uma educação melhor e não fique mais inerte ou acomodada, como seus pais.

No caso II, da criança (E), que encontrou em um instrumento simples, como a massa de modelar, um meio para criar situações familiares que gostaria que ocorressem em sua vida real, transmitiu, a professora e a pesquisadora, que poderia se expressar muito bem por outros meios, não só pela linguagem oral, mas pela linguagem da arte.

Um ponto exposto neste artigo foi à construção do conhecimento em toda a rede de ensino, na qual haveria o planejamento por projetos e o papel mediador do professor.

Partindo sempre da noção de que a aprendizagem ocorre desde que o indivíduo nasce e que o desenvolvimento e a aprendizagem se constituem mutuamente, em uma unidade dialética, o objeto de estudo interage com o mundo, conferindo à educação papel fundamental.

Por conta disso é que não se pode ver a educação infantil apenas como lugar de recreação, de cuidados ou de preparação de aprendizagem futura, mas como espaço de construção de conhecimento e de ampliação do universo simbólico das crianças.

Partindo da concepção histórico-cultural, todos que fazem parte desta rede educacional infantil, atuam como mediadores entre a criança e o conhecimento. Não somos observadores do amadurecimento da criança, nem aqueles cuja responsabilidade principal é apenas repassar informações absorvidas. Como mediadores, iremos colocá-las em contato com diferentes conteúdos ou formas de encontrá-los, e ajudá-las a processá-las criticamente. Crianças e conhecimento emergiram ressignificados em cada encontro, pois partindo dos conhecimentos anteriores já adquiridos pela criança, o professor indicará o caminho de novos conteúdos conceituais.

O professor passa a ser um intercessor, ou seja, aquele que promove a intercessão entre a criança e o conhecimento, indicando, a cada intercessão, suas possibilidades de novas ligações com outros campos do saber, fazendo surgir à emergência da noção de construção de conhecimento em rede.

Tendo este conhecimento, deve-se considerar que o sujeito que aprende tem que ser envolvido em constantes transformações e que o mesmo se modifica após cada nova interação. Afinal, sujeito e meio não existem enquanto instâncias isoladas, pois o que cada um é, a cada momento, define-se a partir de suas interações que provocam continuamente novas configurações.

A construção do conhecimento, nessa perspectiva, deve encontrar-se vinculada a projetos que tenham como tema gerador acontecimentos sociais que as crianças estejam vivenciando no momento ou eventos culturais que estejam previstos na programação da escola (como a visita a exposições ou excursões) ou que sejam decididas e planejadas pelas crianças e/ ou professores. Isto as levará à necessidade de uma divisão de tarefas e à busca de informações em diferentes fontes, o que suscitará a aprendizagem colaborativa e a produção do conhecimento tão almejado em rede.

Temos a clareza de que o eixo entre a Psicopedagogia e a Arteterapia, desvelada neste artigo, é de suma importância, no sentido de ressignificar o encontro da criança com o conhecimento, apesar de enfrentar muitos obstáculos. Tal encontro deve ser experienciado na escola como algo atraente, necessário à vida e à cidadania.

Conclui – se que temos que contar com a ajuda e o auxílio de outros profissionais especializados (psicopedagogo, fonoaudiólogo, arte terapeuta, e outros), junto ao professor no universo escolar, para que as possibilidades de avançar no desenvolvimento das crianças sejam mais plenas e verdadeiras, para que, enfim, todos em um futuro próximo tenham mais oportunidades em sua educação.

Sugere-se que novas pesquisas sejam realizadas na área da Arteterapia junto à Psicopedagogia aqui em Belém do Pará e que sejam dadas oportunidades a esses profissionais, pois estas duas especialidades contribuem de forma especial com os professores na vida cotidiana para compreensão dos fatos que vivenciam em sala de aula, posto que muitas vezes tenham fundamentação. Nesse ponto, o professor passará a ter mais participação nos discursos das leis da escola, auxiliando a compreender o porquê de escutar as crianças ou dialogar com elas, partindo da perspectiva da criança, indo à busca da compreensão de suas inquietações e desejos, bem como de seus mecanismos de aprendizagem, reconhecendo que a criança deve desenvolver-se por meio de uma aprendizagem junto à família e ao grupo do qual faz parte.

Tendo na Arteterapia o auxílio para proporcionar às crianças condições para que estabeleçam uma relação de aprendizagem diferenciada com seus semelhantes e com o mundo que os rodeia, fazendo-os compreender e se expressar através dos sentidos, das formas, das cores e das imagens.

REFERÊNCIAS

ALLESSANDRINI, Cristina Dias. Oficina Criativa e Psicopedagogia. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1996.

BARBOSA, Laura Monte Serrat. Psicopedagogia: Um dialoga entre a psicopedagogia e a educação. 2.ed.rev. e ampl. Curitiba: Bolsa Nacional do Livro, 2006.

CALVINO, Ítalo. Salto para o futuro: reflexões sobre a educação no próximo milênio. Brasília: Secretaria de Educação à Distância/SEED/MEC, 1998.

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[1] Especialista em Psicopedagogia Institucional. Universidade Estadual Do Vale Do Acaraú. Graduação: Licenciatura em Artes Visuais e Tecnologia Da Imagem- Universidade da Amazônia.

[2] Aperfeiçoamento em O Plano Anual de Trabalho e os recursos de Tecnolo. Especialização em Docência do 3º Grau. Especialização em Psicologia Educacional. Mestrado em Psicologia Escolar pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas.

Enviado: Junho, 2019.

Aprovado: Fevereiro, 2020.

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