Análise das demonstrações contábeis: um estudo de caso na Fiat automóveis S/A

DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/contabilidade/fiat-automoveis 
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CONTEÚDO

ARTIGO ORIGINAL

NASCIMENTO, Alan Jacson Ferreira [1], MOURA, Edvander Luis de [2]

NASCIMENTO, Alan Jacson Ferreira. MOURA, Edvander Luis de. Análise das demonstrações contábeis: um estudo de caso na Fiat automóveis S/A. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 06, Ed. 04, Vol. 07, pp. 107-133. Abril de 2021. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/contabilidade/fiat-automoveis, DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/contabilidade/fiat-automoveis                                

RESUMO

O setor Automobilístico no Brasil, tanto internamente quanto externamente, desde a primeira revolução industrial, vem trazendo avanços para sociedade, desenvolvendo tecnologia e aquecendo a economia. Este trabalho foi realizado com o objetivo de estudar os demonstrativos financeiros e econômicos da empresa Fiat Automóveis S.A. A análise das demonstrações contábeis resume de forma ordenada a situação financeira e econômica da empresa. Serve para informar e proporcionar uma avaliação da gestão passada/presente, bem como subsidia as decisões estratégicas para gestões futuras. Através das demonstrações, como balanço Patrimonial e a demonstração do resultado do exercício, extraem-se índices de dois períodos para observar a situação financeira e econômica da empresa Fiat Automóveis S.A. A metodologia fundamentou-se em pesquisa qualitativa, bibliográfica e explicativa sobre a importância da analise de balanço. Por sua vez o resultado encontrado é de uma avaliação constituída de análise especificas, demonstrando a situação financeira e econômica da empresa, tendo como referência comparativa a gestão 2006 e 2007.

Palavras-Chave: Análise financeira e econômica, análise de balanço, demonstrativos contábeis e financeiros.

1. INTRODUÇÃO

São claras as importâncias do setor automobilístico no Brasil. Tanto internamente, quanto externamente, desde a primeira revolução industrial, vêm trazendo avanços para sociedade, desenvolvendo tecnologia, gerando empregos e aquecendo a economia.

Segundo a ANFAVEA – Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, o Brasil alcançou no ano de 2006 a posição de nono maior produtor mundial de veículos automotores, com dois milhões e 600 mil unidade produzidas.

A Fiat Automóveis S.A possuía no final de 2007, 15.543 empregados, um aumento de 3.891 em relação a 2006. A empresa em 2007 teve uma receita líquida operacional de R$17.115.187 mil, com um crescimento de 39,5% sobre 2006, refletindo o maior volume de vendas no mercado local (+31,9%), bem como o aumento de 7,76% dos preços em dólar das exportações, buscando reduzir a corrosão das margens provocadas pelo real supervalorizado.

No cenário interno o desempenho em 2007 foi positivo, com crescimento da economia mundial. Esse setor foi ainda responsável por investimento de um bilhão e 572 milhões de dólares segundo a ANFAVEA.

O volume das exportações de veículos leves aumentou em relação a 2006 em 10,4% (105.912 unidades em 2007 e 95.912 unidades em 2006), com aumento de 27,0% em valor de US$1.106,8 milhões em 2007 em comparação com a US$ 871.5 milhões em 2006.

Ressalta-se que a contabilidade é uma ciência que cuida da geração das informações contidas no patrimônio da empresa e tem como função interpretar, registrar e controlar todos os fatos que afetem a situação patrimonial da empresa. Através das demonstrações contábeis levantadas pela empresa, podem ser extraídas informações a respeito de sua posição econômica e financeira daí, a importância desse estudo.

A importância da análise de balanço é desenvolver com base nas demonstrações contábeis informações suficientes para uma tomada de decisão, porque cada vez mais as informações estão assumindo um papel decisivo na gestão dos negócios. As informações proporcionam uma avaliação da gestão passada/presente, bem como subsidiam as decisões e estratégias para as gestões futuras.

Este trabalho tem o objetivo de analisar as demonstrações contábeis da Fiat Automóveis S.A através de uma comparação dos índices da gestão de 2006 e 2007, identificando os fatores que levaram a empresa a ter aumentado seu lucro  líquido em 107,40%.

Por fim, o problema dessa pesquisa foi analisar os aspectos que levaram a Fiat Automóveis S.A ter aumentado seu lucro líquido em 2007 em 107,40% em relação a 2006. Foi definido como hipótese a diminuição nos custos de 2006 para 2007, onde a Fiat com os custos melhores aumentou seu lucro.

O conhecimento adquirido com este trabalho de conclusão de curso proporcionará a oportunidade de aprofundar o estudo do tema, ampliando fontes de pesquisa e conhecimentos técnicos agregados ao longo do curso de ciências contábeis e tributos.

2. ORGANIZAÇÃO EM ESTUDO

Conforme as informações obtidas no site da Fiat Automóveis S/A, a empresa do referido estudo está instalada em Betim/MG, desde 1976. A Fiat opera atualmente, em três turnos, com ritmo de produção diária de aproximadamente 2.500 carros.

As empresas Fiat no País são hoje parâmetro de eficiência e qualidade no mundo empresarial brasileiro. São 15 empresas ocupando posição de liderança em quase todos os setores onde atuam e disputando a liderança nos demais.

As principais atividades do grupo no Brasil concentram-se na produção e venda de automóveis e caminhões (Fiat Automóveis e Iveco); produção de peças fundidas em ferro para quase 100% da indústria automobilística nacional (Teksid do Brasil); fabricação de máquinas agrícolas e de construção (CNH); produção e comercialização de componentes automotivos (Magneti Marelli); fornecimento de equipamentos de automação industrial (Comau); consultoria e formação de pessoal (Isvor); consultoria e administração empresarial (Business Solutions). O Grupo Fiat também atua no setor de crédito financeiro (CNH Capital), gestão financeira (Fiat Finanças) e corretagem de seguros (Fides), além de manter no Brasil uma escola Bilíngue, a Fundação Torino.

2.1 MISSÃO

Desenvolver, produzir e comercializar carros e serviços que as pessoas prefiram comprar e tenha orgulho de possuir, garantindo a criação de valor e a sustentabilidade do negócio.

2.2 VISÃO

Estar entre os principais players do mercado e ser referência de excelências em produtos e serviços automobilísticos.

3. REFERENCIAL TEÓRICO

3.1 HISTÓRICO

No Brasil, as empresas S/A são obrigadas a, ao final de cada exercício contábil, fazerem a publicação de seus números por meio das demonstrações contábeis. A finalidade de trazer à tona a intenção e o correto desempenho de seus administradores.

O crescimento das empresas levou os gestores a uma preocupação com as decisões tomadas no decorrer do tempo, o que fez surgir a necessidade de se criar ferramentas que os ajudassem na gestão da empresa. As ferramentas que monitoram as decisões tomadas são denominadas demonstrações contábeis.

Análise financeira é importante para o conhecimento econômico-financeiro de outras empresas, notadamente concorrentes e fornecedores. O mais importante do instrumento de análise, porém, é sua utilização internamente pela empresa. (PADOVEZE, 2004, p. 191).

3.2 FUNÇÃO DA CONTABILIDADE

A contabilidade tem a função de interpretar, registrar e controlar todos os atos que originam fatos que afetem a situação patrimonial, financeira e econômica da empresa. Um bom conhecimento de mecanismos contábeis é necessário para o desenvolvimento de uma boa análise financeira, porém ele por si só não é suficiente.

3.3 RELATÓRIOS OBRIGATÓRIOS

Conforme a exigência do código civil já mencionada, o artigo 176 da lei nº 6.404/76 estabelece que, ao final de cada exercício social, a diretoria da empresa deve elaborar, com base na escrituração mercantil, as seguintes demonstrações financeiras, que deverão exprimir com clareza a situação patrimonial da empresa e as mutações ocorridas no exercício:

3.3.1 BALANÇO PATRIMONIAL

No Balanço Patrimonial (BP) a empresa demonstra a natureza e os valores que compõem o patrimônio da empresa, em um determinado período.

O balanço apresenta a posição patrimonial e financeira de uma empresa em dado momento. A informação que esse demonstrativo fornece é totalmente estática e, muito provavelmente, sua estrutura se apresentará relativamente diferente algum tempo após seu encerramento. No entanto, pelas relevantes informações de tendências que podem ser extraídas de seus diversos grupos de contas, o balanço servirá como elemento de partida indispensável para o conhecimento da situação econômica e financeira de uma empresa. (ASSAF NETO, 2006, p.67).

3.3.2 DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO

A Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) revela o resultado do período e os fatores geradores desse resultado.

A demonstração do resultado do exercício visa fornecer, de maneira esquematizada, os resultados (lucro ou prejuízo) auferidos pela empresa em determinado exercício social, os quais são transferidos para contas do patrimônio líquido. O lucro (ou prejuízo) é resultante de receitas, custos e despesas incorridos pela empresa no período e apropriados segundo regime de competência, ou seja, independentemente de que tenham sido esses valores pagos ou recebidos. (ASSAF NETO, 2006, p.84).

3.3.3 DEMONSTRAÇÃO DOS LUCROS OU PREJUÍZO ACUMULADOS

A Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA) que mostra a variação na conta lucros e prejuízos acumulados de um período para o outro.

Segundo Iudícibus (1998, p.59) define que se encerra a demonstração do resultado exercício com a apuração do lucro líquido. Em seguida, transporta-se o lucro líquido para a demonstração de lucros ou prejuízos acumulados para efetuar sua distribuição.

3.3.4 DEMONSTRAÇÃO DAS MUTAÇÕES DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO

A Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) que revela a variação ocorrida no grupo do patrimônio liquido.

Conforme ASSAF (2006, p.100) a demonstração das mutações do patrimônio liquido é um demonstrativo contábil mais abrangente que a demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados, podendo a sociedade optar por sua elaboração ou não. Se publicado, esse demonstrativo substitui legalmente o dos lucros acumulados.

3.3.5 NOTAS EXPLICATIVAS

Além das demonstrações contábeis mencionadas acima, a contabilidade adiciona àquelas demonstrações outras informações complementares no sentido de enriquecer os relatórios e evitar que estes se tornem enganosos.

As notas explicativas visam esclarecer certas informações importantes que não podem ser detalhadas nas demonstrações contábeis elaboradas. Por exemplo: composição de capital social; detalhamento das dividas de longo prazo; participação acionária da empresa em outras empresas; principais critérios de avaliação de elementos patrimoniais etc. (ASSAF NETO, 2006, p.57).

3.3.6 PARECER DO CONSELHO

É importante lembrar que a lei não obriga a publicação do parecer do conselho fiscal; quando este existir. Tal parecer precisa ser oferecido à assembléia geral dos acionistas, mas sua publicação é optativa.

3.3.7 PARECER DOS AUDITORES INDEPENDENTES

O Parecer dos auditores independentes é sempre de responsabilidade da administração da empresa e são assinadas pelo contabilista devidamente autorizado.

3.3.8 DEMONSTRAÇÃO DO FLUXO DE CAIXA

 A Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) visa mostrar como ocorreram as movimentações de disponibilidades em um dado período de tempo.

Conforme IUDICIBUS (2002, p.220), a Demonstração do Fluxo de Caixa constitui-se em fluxo financeiro, por refletirem as movimentações de dinheiro ocorridas nas entidades. A diferença é verificada na amplitude de enfoques desses relatórios.

3.3.9 DEMONSTRAÇÃO DO VALOR ADICIONADO

Demonstração do Valor Adicionado (DVA) tem o objetivo de informar a riqueza criada pela empresa e a forma de distribuição.

3.3.10 RELATÓRIO DA ADMINISTRAÇÃO

O Relatório da administração evidencia os negócios sociais e os principais fatos administrativos ocorridos no exercício, os investimentos em outras empresas, a política de distribuição de dividendos e de reinvestimentos de lucros.

3.4 ANÁLISE DE BALANÇO

A análise de balanço é de extrema importância para as empresas, pois são nelas que se encontram todas as informações de sua situação econômica e financeira. A análise de balanço permite depurar as informações estáticas das demonstrações contábeis trazendo ao leitor a correta ideia do movimento das contas ocorrido com determinada empresa no exercício.

3.5 ANÁLISE VERTICAL/HORIZONTAL

Através da análise horizontal, compara-se uma mesma conta ou grupo de contas em vários períodos, procurando avaliar as variações ocorridas, ou seja, sua evolução.

Número-índice =  Vd / Vb x 100

Na análise vertical calcula-se o percentual de cada conta em relação ao total do ativo. No balanço patrimonial por exemplo, é quanto representa uma conta em relação ao total de um grupo de contas.

Av n = RUBRICA n  /  BASE n  x 100

3.6 ANÁLISE DOS INDICADORES FINANCEIROS E ECONÔMICOS

A avaliação da empresa se faz através de índices, exige obrigatoriamente a comparação com padrões e a fixação da importância relativa de cada índice.

Os índices são divididos em dois grupos que evidenciam os aspectos financeiros e aspectos econômicos.

Aspectos Financeiros se dividem em: de estrutura e liquidez.

-Os índices de estruturas são: participação de capital de terceiros, composição do endividamento, imobilizado do patrimônio líquido e imobilizado dos recursos não correntes.

Estes índices mostram o detalhamento das grandes linhas de decisões financeiras, termos de obtenção e aplicação de recursos.

3.6.1 PARTICIPAÇÃO CAPITAL DE TERCEIROS

Indica quanto a empresa tomou de capital de terceiros para R$100 de capital próprio. Quanto menor este índice melhor.

Fórmula: Capital de terceiro / Patrimônio Liquido x 100

3.6.2 COMPOSIÇÃO DO ENDIVIDAMENTO

Indica qual o percentual de obrigações a curto prazo em relação ao total das obrigações. Quanto menor melhor.

Fórmula: Passivo / Capital de terceiros circulante x 100

3.6.3 IMOBILIZAÇÃO DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO

Indica quanto a empresa aplicou no ativo permanente para cada R$100 de patrimônio líquido, ou seja, quando de capital próprio a empresa tem aplicado em ativo permanente. Quando menor melhor.

Fórmula: Ativo permanente / Patrimônio Líquido  x 100

3.6.4 IMOBILIZAÇÃO DOS RECURSOS NÃO CORRENTES

Indica o percentual dos recursos não correntes do patrimônio líquido mais o exigível ao longo prazo que foi destinado ao ativo permanente. Quanto menor melhor.

Fórmula: Ativo permanente / patrimônio líquido + Exigível ao longo prazo x 100

3.6.5 LIQUIDEZ GERAL

Esse índice também objetiva verificar a capacidade da empresa em efetuar seus pagamentos, só que agora compara a capacidade geral de pagamentos a curto e a longo prazo.

Fórmula:  Liquidez Geral = AT+ RLP / PC + ELP

3.7.6 LIQUIDEZ CORRENTE

Este indicador tem por objetivo verificar se a empresa tem capacidade de efetuar seus pagamentos a curto prazo. Para se calcular a liquidez corrente toma-se o ativo circulante e dividi-o pelo passivo circulante. Entenda-se por circulante os valores a receber e a pagar de curto prazo (Até 360 dias).

Fórmula: Liquidez Corrente = Ativo Circulante / Passivo Circulante

3.6.7 LIQUIDEZ SECA

Este indicador é semelhante ao anterior, a diferença é que neste o estoque é excluído do cálculo do ativo. Desta forma o índice será menor que o índice anterior.

Fórmula: Liquidez Seca = (Ativo Circulante-Estoques) / Passivo Circulante

Aspectos Econômicos se dividem em: de rentabilidade

-Os índices de rentabilidade são: Giro ativo, margem líquida, rentabilidade do ativo e rentabilidade do patrimônio líquido.

3.6.8 GIRO ATIVO

Indica quanto a empresa vendeu para cada R$ 1,00 de investimento total. Quanto maior melhor.

Fórmula: Vendas Líquidas / Ativo

3.6.9 MARGEM LÍQUIDA

Indica quanto a empresa obtém de lucro para cada R$ 100 vendidos. Quanto maior melhor.

Fórmula: Lucro Líquido / vendas x 100

3.6.10 RENTABILIDADE DO ATIVO

Indica quanto a empresa obtém de lucro para cada R$ 100 investido. Quanto maior melhor.

Fórmula: Lucro Líquido / Ativo x 100

3.6.11 RENTABILIDADE DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO

Indica quanto a empresa obtém de lucro para cada R$ 100 de capital próprio investido. Quanto maior melhor.

Fórmula: Lucro Líquido / patrimônio líquido médio x 100

3.6.12 PRAZO MÉDIO DE RECEBIMENTO DE VENDAS

Fórmula: Duplicas a receber / vendas diárias

Fórmula: Duplicatas a receber / vendas x 360

O prazo médio de recebimento das vendas indica quantos dias, em média, a empresa leva para receber suas vendas. O volume de duplicatas a receber é decorrência de dois fatores básicos: (a) montante de vendas a prazo; e (b) prazo concedido aos clientes para pagamento. Os termos de vendas em uma empresa compreendem os prazos concedidos aos clientes, os descontos concedidos para pagamento à vista e os instrumentos de formalização da venda a prazo. (SILVA, 2005, p.279).

3.6.13 PRAZO MÉDIO DE PAGAMENTO DE COMPRAS

Fórmula: Fornecedores / compras x 360

Segundo Silva (2005, p.281) “O prazo médio de pagamento das compras indica quantos dias, em média, a empresa demora para pagar seus fornecedores”.

3.6.14 PRAZO MÉDIO DE RENOVAÇÃO DE ESTOQUES

Fórmula: Estoques / Custo médio de venda x 360

O prazo médio de rotação dos estoques indica quantos dias, em média, os produtos ficam armazenados na empresa antes de serem vendidos. O volume de estoques mantido por um empresa decorre fundamentalmente do seu volume de vendas e de sua política de estocagem. (SILVA, 2005, p.277).

3.6.15 CICLO OPERACIONAL

Esta figura mostra a sequência natural das fases operacionais da empresa, definida por ciclo operacional, iniciando-se na compra de materiais que serão diretas ou indiretamente utilizados e desembocando na cobrança das vendas.

Este indicador mostra a compra e o recebimento da venda.

Formula: PMRV + PMRE

4. METODOLOGIA

4.1TIPO DE PESQUISA

4.1.1 QUANTO A ABORDAGEM

O método adotado nesta pesquisa é de características qualitativas, mais voltada para o âmbito social. Caracteriza-se por abordagens complexas relacionadas aos problemas sociopolíticos, econômicos e culturais, através da utilização de recursos  e técnicas estáticas.

4.1.2 QUANTO AOS FINS

Quanto aos fins a pesquisa foi de características descritiva e explicativa. O estudo proposto teve como um de seus principais objetivos explicar os indicadores econômicos e financeiros que proporcionaram uma avaliação da gestão passada/presente, bem como subsidiam as decisões estratégicas para a gestão futura, o que caracteriza como pesquisa descritiva.

4.1.3 QUANTO AOS MEIOS

Quanto aos meios a pesquisa foi de característica bibliográfica e de estudo de caso. Quanto a bibliográfica, pois se recorreu ao uso de material acessível ao publico em geral, como livros, jornais, revistas, artigos e balanços e demonstrações contábeis já publicadas.

4.2 UNIVERSO E AMOSTRA

O universo dessa pesquisa é a Fiat automóveis S/A onde será analisado suas principais demonstrações contábeis do exercício de 2006/2007.

A amostra dessa pesquisa é a demonstração contábeis da Fiat Automóveis S/A.

4.3 COLETA DE DADOS

Quanto a coleta de dados a pesquisa foi de característica bibliográfica. Os dados foram coletados de livros, jornais, artigos, revista e na internet. Foram extraídas da internet também as demonstrações contábeis da empresa do referido estudo.

4.4 TRATAMENTO DOS DADOS

Quanto ao tratamento dos dados a pesquisa foi por análise de conteúdo.

Com o levantamento dos dados foi necessário analisar os principais indicadores econômico-financeiros da empresa. Calculados através de índices e fórmulas que levaram a um diagnóstico econômico atual da empresa em estudo.

5. ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS

5.1 ESTRUTURAS DE CAPITAIS

5.1.1 ESTRUTURAS DE CAPITAIS

No tocante da participação de capital de terceiros, a empresa Fiat teve um crescimento, ou, seja, para cada R$ 100,00 de capital próprio em 2006 ela tinha R$ 214,16 de capital de terceiros, passou para R$ 360,02 em 2007 variando expressivamente R$ 145,86 de um período para o outro. As principais variações foram as contas fornecedores, que aumentou para 38,75%, empréstimo e financiamentos de curto prazo aumentaram para 51,40% e de longo prazo aumentou para 26,67% e o salários e obrigações sociais e tributarias aumentou para 37,64% estas contas variou de 2006 para 2007.

5.1.2 COMPOSIÇÃO DO ENDIVIDAMENTO

Quando à composição do endividamento, no que diz respeito as obrigações de curto prazo em relação as obrigações totais em 2006, representou 67,16 % do total. Já em 2007 representou 69,08% do total de curto prazo. Houve um aumento de 1,925% do curto prazo em relação do total das obrigações. A principal variação foi a conta de empréstimo e financiamento de curto e longo prazo que totalizou um aumento de 78,07% no ano de 2006 para 2007.

5.1.3 IMOBILIZAÇÃO DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO

Em 2006 a empresa Fiat aplicou R$93,88 no ativo permanente, para cada R$ 100,00 do patrimônio líquido em, 2007 este valor aumentou para R$126,45. Representando um crescimento de R$32,57 para cada R$100,00 de patrimônio líquido.

5.1.4 IMOBILIZAÇÃO DOS RECURSOS NÃO CORRENTES

Para cada R$100,00 de patrimônio líquido e exigível a longo prazo em 2006 a empresa Fiat destinou R$55,12 de seus recursos não correntes para o ativo permanente, variando em 2007 para R$59,84, teve uma pequena variação de R$4,72.

5.2 LIQUIDEZ

5.2.1 LIQUIDEZ GERAL

A liquidez geral para cada R$1,00 de passivo circulante mais exigível a longo prazo, a empresa Fiat possui no seu ativo circulante a longo prazo em 2006 R$1,03.  Em 2007 para cada R$1,00 de dívida total ela teve R$0,93 de ativo circulante e realizável em longo prazo, fazendo com que a Fiat necessite realizar seu ativo permanente para fazer face as suas obrigações totais que está negativa.

5.2.2 LIQUIDEZ CORRENTE

A liquidez corrente para cada R$1,00 de passivo circulante, a empresa Fiat possui de ativo circulante em 2006 R$1,21, ou seja, uma sobra de R$ 0,21. Já em 2007 o ativo circulante caiu para R$1,11 e mesmo assim a Fiat teve uma sobra de R$0,11. Essa diferença de um período para o outro deveu-se a variações das contas fornecedores, empréstimos e financiamentos que aumentaram mais do que o ativo circulante.

5.2.3 LIQUIDEZ SECA

Quanto a liquidez seca a empresa Fiat possui para cada R$ 1,00 de ativo circulante menos estoques, ou seja, não necessita de realizar os estoques para cobrir o passivo. Já em 2007 teve uma queda e passou a representar R$ 0,88, tendo uma queda de 0,12. A diferença desse índice em relação ao índice de liquidez corrente deve-se principalmente a conta de estoques que passou de 9,40% do total do ativo em 2006 para 12,32% em 2007.

5.3 RENTABILIDADE

5.3.1 GIRO DO ATIVO

Quanto à rentabilidade o giro do ativo aumentou de um período para o outro, ou seja, em 2006 para cada R$1,00 investido a empresa Fiat vendeu R$2,32 chegando em 2007 para cada R$1,00 investido no ativo, à R$2,69. Com isso houve uma variação de R$0,37 de 2006 para 2007. Isso se deveu ao aumento de 39,49% nas vendas líquidas de 2006 para 2007.

5.3.2 MARGEM LÍQUIDA

A margem líquida teve um aumento de um período para outro, onde para cada R$100,00 vendidos em 2006 o lucro líquido foi de R$6,55 aumentando em 2007 para R$9,74 de lucro, com um aumento de 107,40%. Isto deveu-se principalmente ao aumento nas vendas de 39,49% de 2006 para 2007.

O crescimento de 27,7% de veículos vendidos em relação a 2006, foi puxado pela redução da taxa de juros, expansão de crédito, alongamento dos prazos e motorização “FlexFuel” que estimulou a troca de veículos a gasolina por flexíveis à gasolina ou álcool.

Os principais fatores de sucesso continuaram sendo a constante melhoria de qualidade do produto, do atendimento e dos serviços da rede de concessionárias, a boa comunicação com os clientes, do lançamento do Novo Palio e do Punto e da maior rapidez com que a empresa respondeu ao aumento da demanda do mercado. (DIÁRIO DO COMÉRCIO, 2008, p.5).

Houve uma diminuição dos custos de produtos vendidos que passou a representar 68,08% do total da receita em 2007 já em 2006 era de 69,28%.

A Fiat foi favorecida pela diminuição das despesas vendas, gerais e administrativas que passaram a representar 14,66% e 3,33% sobre a receita em 2007 contra 15,35% e 4,06% em 2006, respectivamente. O resultado financeiro que foi positivo em 2006 teve um aumento para 2007 de 652%.

5.3.3 RENTABILIDADE DO ATIVO

A rentabilidade do ativo para cada 100,00 investidos em 2006 foi de R$15,17 de lucro líquido, já em 2007 passou a representar 26,21.

5.3.4 RENTABILIDADE DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO

Quanto a rentabilidade do patrimônio líquido, demonstrou-se que em 2006 para cada R$100,00 do capital próprio investido, a Fiat conseguia R$47,65 de rentabilidade, já em 2007 representou R$120,57.

5.4 PRAZOS MÉDIOS

5.4.1 PRAZO MÉDIO DE RECEBIMENTO DE VENDAS

A empresa Fiat Automóveis S.A em 2006 seu prazo médio de recebimento de vendas foi de 18 dias, enquanto em 2007 cai para 16 dias seu prazo de recebimento. Totalizando que houve uma queda de 2 dias entre 2006 para 2007 no prazo de recebimento de vendas.

5.4.2 PRAZO MÉDIO DE PAGAMENTO DE COMPRAS

A empresa Fiat Automóveis S.A, em 2006 o prazo de pagamento dos fornecedores era de 55 dias. Já em 2007, os dias se mantiveram.

5.4.3 PRAZO MÉDIO DE RENOVAÇÃO DE ESTOQUES

O prazo médio de renovação de estoques da Fiat Automóveis S.A, em 2006 representou 21 dias para produzir e estocar seu produto. Já em 2007 aumentou para 24 dias.

5.4.4 CICLO OPERACIONAL

A Fiat em 2006, leva 39 dias para receber suas vendas e para produzir e estocar seu produto.  Para pagar seus fornecedores leva 55 dias, ou seja, a Fiat tem um superávit de 16 dias na operação.

Já em 2007 a Fiat leva 40 dias para receber suas vendas e para produzir e estocar seu produto. Para pagar seus fornecedores leva 55 dias, ou seja, a Fiat tem um superávit de 15 dias na operação.

6. CONCLUSÃO

A Fiat Automóveis S.A, no ano de 2006 para 2007 aumentou suas vendas líquidas em 39,49%. A empresa diminuiu seus custos de produtos vendidos que passou a representar 68,08% do total da receita em 2007, já em 2006 era de 69,28%. A Fiat foi favorecida pela diminuição das despesas de vendas, gerais e administrativas que passaram a representar 14,66% e 3,33% sobre a receita em 2007 contra 25,35% e 4,06% em 2006, respectivamente. O resultado financeiro que foi positivo em 2006 teve um aumento para 2007 de 652%. Com isso o lucro operacional aumentou 108,51%, permitindo-se assim um lucro recorde de R$1.666.952 mil em 2007 contra um lucro de R$803.725 mil em 2006, ou seja, um aumento excepcional de 107,40% no lucro líquido.

A Fiat mantém como empresa líder em vendas no mercado de veículos leves com 607.598 unidades e 25,9% do mercado em 2007 teve um desempenho melhor que a média da economia. O crescimento de 27,7% de veículos vendidos em relação a 2006, foi puxado pela redução da taxa de juros, expansão de crédito, alongamento dos prazos e motorização “FlexFuel” que estimulou a troca de veículos a gasolina por flexíveis à gasolina ou álcool.

Os principais fatores de sucesso continuaram sendo a constante melhoria de qualidade do produto, do atendimento e dos serviços da rede de concessionárias, a boa comunicação com os clientes, do lançamento do Novo Palio e do Punto e da maior rapidez com que a empresa respondeu ao aumento da demanda do mercado.

O volume de exportações aumentou em relação a 2006 em 10,4% (105.912 unidades em 2007 e 95.912 unidades em 2006), com um aumento de 27,0% em valor (US$1.106,8 milhões em 2007 em comparação com US$871,5 milhões em 2006).

Em 2007, a Fiat Automóveis S.A aumentou seus investimentos no ativo fixo no valor de R$443,3 milhões, dos quais R$274,4 milhões no desenvolvimento de novos produtos. Ainda em 2007, a Fiat, efetuou despesas com pesquisa e desenvolvimento de novas tecnológico e de produtos no valor de R$306,7 milhões.

No ano de 2007 a Fiat aumentou seu numero de empregados para 15.543, este aumento deveu-se ao aumento da produção com implementação do terceiro turno e desenvolvimento de novas tecnologias.

O Brasil alcançou no ano de 2006 a posição de nono maior produtor mundial de veículos automotores, com dois milhões e 600 mil unidades produzidas. A industria automobilística e de grande importância para o Brasil no que se refere à geração de emprego, exportação e desenvolvimento de novas tecnologias.

REFERÊNCIAS

ASSAF NETO, Alexandre. Estrutura e análise de balanços: um enfoque econômico-financeiro. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2006. 371 p.

ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS FABRICANTES DE VEICULOS AUTOMOTORES. Disponível em: <http://www.anfavea.com.br/anuario.html>. Acessado em 10/02/2009

BELO HORIZONTE. Diário do Comércio. Sexta-Feira, 08 de Fevereiro de 2008. Caderno de economia. p.5

BRASIL. Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Dispõe sobre as Sociedades por Ações. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, 15 dez. 1976.Disponível em: <www.senado.gov.br>. Acesso em: 19 abril. 2008.

BRASIL. Lei nº 11.638, de 28 de dezembro de 2007. Dispõe sobre as Sociedades por Ações. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, 28 dez. 2007. Disponível em: <www.planalto.gov.br>. Acesso em: 25 abril. 2008

IUDÍCIBUS, Sérgio de. Análise de balanços. 4.ed. São Paulo: Atlas, 1982. 250p.

__________; MARTINS, Eliseu; GELBCKE, Ernesto Rubens. Manual de contabilidade das sociedades por ações: aplicável também às demais sociedades. 6. ed. rev. atual. São Paulo: Atlas, 2003. 569 p.

__________; Analise de balanço: análise da liquidez e do endividamento, análise de giro, rentabilidade e alavancagem financeira. 7. ed.  São Paulo: Atlas, 1998. 225 p.

__________; MARION, José Carlos. Introdução à teoria da contabilidade: para o nível de graduação. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2002. 288 p.

 MATARAZZO, Dante C. Análise financeira de balanços: abordagem básica e gerencial. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2003. 459 p.

PADOVEZE, Clóvis Luís. Contabilidade gerencial: um enfoque em sistema de informação contábil. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2004. 609 p.

SILVA, José Pereira da. Análise financeira das empresas. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2005. 535 p.

VERGARA, Sylvia Constant. Projetos e Relatórios de pesquisa em Administração. 8 ed. São Paulo: Atlas, 2007. 96 p.

VIEIRA, Marcelo Milano Falcão; ZOUAIN, Débora Morais. Pesquisa Qualitativas em Administração 2 ed. São Paulo: FGV, 1995. 32 p.

APÊNDICE A – BALANÇO PATRIMONIAL ANÁLISE VERTICAL/HORIZONTAL

APÊNDICE B – DEMOSTRAÇÃO DO RESULTADO ANÁLISE VERTICAL/HORIZONTAL

Exercícios findo em 31 de Dezembro de 2007 e 2006

(Em milhares de reais exceto o lucro por ações)

Demonstração do Resultado do Exercício 2006 AV % 2007 AV % AH %
RECEITA OPERACIONAL LÍQUIDA 12.269.610 100,00 17.115.187 100,00 39,49
Custo dos produtos vendidos (8.500.564) (69,28) (11.652.105) (68,08) 37,07
Lucro Bruto 3.769.046 30,72 5.463.082 31,92 44,95
DESPESAS OPERACIONAIS
Despesas vendas (1.883.399) (15,35) (2.509.282) (14,66) 33,23
Despesas gerais e administrativas (497.668) (4,06) (570.309) (3,33) 14,60
Despesas financeiras (355.421) (2,90) (336.315) (1,97) (5,38)
Receitas financeiras 391.374 3,19 606.767 3,55 55,04
Equivalência patrimonial 11.423 0,09 (25.222) (0,15) (320,80)
Outras receitas (despesas) operacionais, líquidas (239.169) (1,95) (134.612) (0,79) (43,72)
(2.572.860) (20,97) (2.968.973) (17,35) 15,40
Lucro (Prejuízo) Operacional 1.196.186 9,75 2.494.109 14,57 108,51
Ganho de capital em investimentos (1.413) (0,01) 0 0,00 (100,00)
Perda de capital na baixa de ativo permanente (2.393) (0,02) (10.224) (0,06) 327,25
Provisão para desvalorização de ativo imobilizado (29.731) (0,24) 35.471 0,21 (219,31)
Lucro/Prejuízo antes IR/CS 1.162.649 9,48 2.519.356 14,72 116,69
IR/CS (358.924) (2,93) (852.404) (4,98) 137,49
Lucro Líquido do exercício 803.725 6,55 1.666.952 9,74 107,40
Prejuízo por lote de mil ações – R$ 651,58 1.351,39

 

APÊNDICE C – ÍNDICES

Índices Fiat Automóveis S.A
 Índices 2006 2007
Estrutura de Capitais
Participação de capitais de terceiros 214,16 360,02
Composição do endividamento 67,16 69,08
Imobilizado do patrimônio líquido 93,88 126,46
Imobilizado dos recursos não correntes 55,12 59,84
Liquidez
Liquidez geral 1,03 0,93
Liquidez corrente 1,21 1,11
Liquidez seca 1,00 0,88
Rentabilidade
Giro do ativo 2,32 2,69
Margem Liquida 6,55 9,74
Rentabilidade do Ativo 15,17 26,21
Rentabilidade do patrimônio líquido 47,65 120,57
Prazos Médios
Prazo médio de recebimento de vendas 18 dias 16 dias
Prazo médio de pagamento de compras 55 dias 55 dias
Prazo médio de renovação de estoques 21 dias 24 dias
Ciclo operacional 39 dias 40 dias

 

ANEXO A – BALANÇO PATRIMONIAL

ANEXO B – DEMOSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO

[1] Pós Graduação em Controladoria e Auditoria, Graduação em Contabilidade.

[2] Orientador. Mestrado em Contabilidade.

Enviado: Setembro, 2020.

Aprovado: Abril, 2021.

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