Contabilidade gerencial como ferramenta de controle e apoio à gestão: Um estudo de caso na Associação de Pequenos Produtores Rurais do Litoral Norte da Paraíba

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ARTIGO ORIGINAL

FERREIRA, Elton Cesar da Silva [1]

FERREIRA, Elton Cesar da Silva. Contabilidade gerencial como ferramenta de controle e apoio à gestão: Um estudo de caso na Associação de Pequenos Produtores Rurais do Litoral Norte da Paraíba. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 06, Ed. 11, Vol. 11, pp. 97-117. Novembro de 2021. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/contabilidade/apoio-a-gestao

RESUMO

O estudo teve como objetivo identificar quais são as características das informações contábeis gerenciais utilizadas pelos pequenos produtores rurais do Litoral Norte da Paraíba nas atividades desenvolvidas em suas propriedades. Para analisar as informações contábeis gerenciais dos pequenos produtores, partiu-se tanto da pesquisa bibliográfica quanto de um estudo de caso, bem como aplicou-se um questionário para o estabelecimento de uma amostra que contou com 34 pequenos produtores rurais de diversos ramos de atividade na região citada. Levantou-se como problema de pesquisa: Quais são as características das informações contábeis gerenciais utilizadas pelos pequenos produtores rurais do Litoral Norte da Paraíba nas atividades desenvolvidas em suas propriedades? Neste contexto e procurando entender as características das informações gerenciais das atividades rurais, realizaram-se entrevistas na associação com pequenos produtores rurais para: verificar as demonstrações contábeis e relatórios gerenciais utilizados em suas atividades; identificar os métodos utilizados para contabilização; evidenciar os custos e benefícios proporcionados pelas informações gerenciais; e apresentar as caraterísticas das informações financeiras e gerenciais mantidas para o gerenciamento das atividades da produção rural dos produtores estudados. As conclusões do estudo conduziram à constatação de que os produtores gerenciais têm deficiências de informações financeiras e de associá-las com as gerenciais, sendo relatado pela maioria dos empresários a necessidade de que os profissionais contábeis abordem mais essas questões financeiras e gerenciais para melhorarem suas habilidades pessoais, entendimento do mercado rural e para a obtenção de uma participação mais ativa no processo de gestão decisório das organizações.

Palavras-chave: Contabilidade gerencial; Pequenos produtores; Tomadas de decisões.

1. INTRODUÇÃO

O avanço de conceitos e técnicas da Contabilidade tem sido um referencial importante para que os usuários das informações contábeis possam agregar conhecimento nas práticas produtivas e na gestão de seus recursos, sejam estas financeiras, humanas, tecnológicas, materiais e, principalmente, voltadas à  informação. A contabilidade é importante por desenvolver e acompanhar as demonstrações das entidades, de modo que gera informações valiosas, essenciais e com qualidade para facilitar a tomada de decisão dos gestores. A escassez dos recursos e a competitividade empresarial influenciam fortemente nos resultados patrimoniais de maneira que a ausência de informações gerenciais úteis e tempestivas poderá levar a uma situação de resultado negativo, bem como pode comprometer a continuidade do negócio, o que não é algo desejado por uma boa gestão. 

No caso dos pequenos produtores rurais, a situação ainda pode ter mais agravantes, pois fenômenos naturais, a falta de profissionalização, a concorrência de grandes empresas produtoras e a pouca disponibilidade financeira podem levá-las a correrem riscos eminentes que, consequentemente, provocam grandes prejuízos em sua atividade. O desenvolvimento produtivo, econômico e financeiro das empresas e dos empreendedores rurais pode atuar como um fator que fornece auxílio relevante ao processo de tomada de decisões das ferramentas da Contabilidade Gerencial. A ausência de conhecimento contábil dificulta o gerenciamento das atividades rurais desenvolvidas, influenciando os resultados, pois não exerce relevância e eficiência nas tomadas de decisões. A sobrevivência no mercado competitivo fica frágil e provoca até mesmo o encerramento das atividades rurais por falta de planejamento estratégico e de informações que auxiliam a gestão organizacional.

Os profissionais contábeis têm responsabilidade de organizar e processar os dados recebidos das empresas e transformá-los em informações por meio das demonstrações contábeis de maneira que estas sirvam de apoio à gestão produtiva e econômico-financeira para auxiliar como instrumento estratégico gerencial que possa ser aplicado eficientemente nas estruturas organizacionais. A informação contábil aparece como uma das mais confiáveis fontes de informação organizacional. Com isso, o sistema contábil abrange o processo de registro dos eventos econômicos com a principal finalidade de organizar e resumir informações que possam ser consultadas a qualquer tempo e que forneçam o perfil econômico em um determinado período ao longo do ciclo de vida do negócio. Assim, apóia as decisões de planejamento, organização, coordenação e controle, além das ações corretivas dentro de uma empresa.

Quanto mais os administradores souberem sobre contabilidade gerencial, mais estarão capacitados para tomarem decisões de planejamento e controle dentro de uma organização. A Contabilidade Gerencial como mecanismo estrutural permite a geração de informações úteis e tempestivas que sirvam nas tomadas de decisões que vigoram nos empreendimentos dos produtores de médio e grande porte. Contudo, mesmo com a sua importância, ainda existem produtores de pequeno porte que não utilizam por falta de conhecimentos específicos ou pensamentos equivocados quanto aos altos custos e baixos benefícios relacionados à implantação e manutenção da sistematização gerencial.  Portanto, com intuito de buscar mais conhecimento da área e diante dos argumentos mencionados, surge o problema de pesquisa: Quais são as características das informações contábeis gerenciais utilizadas pelos pequenos produtores rurais do Litoral Norte da Paraíba nas atividades desenvolvidas em suas propriedades?

Para que o problema de pesquisa fosse investigado, como objetivo principal, verificar-se-á quais são as características da Contabilidade Gerencial como ferramenta de controle e apoio à gestão dos pequenos produtores rurais do Litoral Norte da Paraíba que podem influenciar seu processo gerencial. Foi necessário apresentar as características das informações dos relatórios financeiros e gerenciais desenvolvidos pelos pequenos produtores estudados, com foco nos custos e benefícios proporcionados pelas informações gerenciais. Visa-se, também, verificar os métodos utilizados nas atividades para a obtenção de informações relevantes que viabilizem a identificação dos pontos positivos e negativos da gestão. Tais informações servirão de comparativos para as tomadas de decisões e estas podem ser capazes de influenciar o desenvolvimento estrutural, econômico e financeiro das organizações rurais desta região.

Segundo Iudícibus e Marion (2011), os empresários, principalmente os pequenos, afirmam que, frequentemente, enfrentam vários problemas voltados à sobrevivência, como carga tributária, encargos sociais e falta de recursos, juros altos, etc., fatores estes que, sem dúvida, contribuem para debilitar a empresa e até provocar a falência. Entretanto, ele aprofundou a investigação e constatou que os fatores principais que provocavam esses problemas não eram as críticas, mas sim a má gerência, as decisões tomadas sem respaldo, sem dados confiáveis e, sobretudo, o apoio em uma contabilidade irreal, distorcida e elaborada exclusivamente para atender as exigências fiscais.

Segundo a CNA BRASIL (s.d), a atividade rural do agronegócio contribui de maneira significativa com o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro, com representação de 26,6% da produção no ano de 2020. O sucesso de qualquer empreendimento está subordinado ao conhecimento contábil gerencial: à gestão operacional e financeira da área de atuação do seu negócio, o que implica conhecer as influências impostas pelo mercado e a sociedade para, com isso, conseguir obter resultados eficazes e eficientes. É justamente nesse aspecto que os pequenos produtores rurais da região do litoral norte da Paraíba apresentam uma de suas mais visíveis carências, o que prejudicou todo o processo de desenvolvimento do segmento no estado da Paraíba. O estudo proporcionou aos produtores conhecimentos específicos da contabilidade gerencial, o que possibilitou novos conhecimentos sobre noções de gestão administrativa.

Atribuiu-se a eles uma maior habilidade criativa agregada à formação do planejamento estratégico, sendo este indispensável para melhor desempenharem as atividades com mínimo de recursos possíveis, para, com isso, maximizar a lucratividade e o patrimônio.

2.FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.1 CONTABILIDADE GERENCIAL

Segundo Santos e Schimdt (2008), a Contabilidade nasceu das antigas práticas primitivas de organização estrutural do patrimônio, na época em que os primórdios registravam seus rebanhos nas pedras, visualizando os aspectos quantitativos. A Contabilidade é considerada uma ciência social aplicada, porque estuda a essência dos fenômenos patrimoniais por meio dos fatos ocorridos na entidade. Interpreta as variações e os fatores que interferem ou influenciam a riqueza para fornecer, aos usuários, o máximo de informações fidedignas com qualidade, sendo útil e tempestiva no processo decisório, visando, assim, alcançar os objetivos e finalidades com a elevada saúde empresarial.

Alguns autores conceituam a contabilidade geral como:

A contabilidade é o grande instrumento que auxilia a administração a tomar decisões. Na verdade, ela coleta todos os dados econômicos, mensurando-os monetariamente, registrando-os e sumarizando-os em forma de relatórios ou de comunicados, que contribuem sobremaneira para a tomada de decisões (IUDÍCIBUS; MARION, 2011. p.1).

Crepaldi e Crepaldi (2012, p. 6), afirmam que: “o papel da contabilidade torna-se ainda mais importante nas complexas economias modernas. Uma vez que os recursos são escassos, temos de escolher entre as melhores alternativas, e para identificá-las são necessários os dados contábeis.” Segundo Marion (2014), a Contabilidade, quando estudada de forma universal, é denominada contabilidade geral ou contabilidade financeira, mas, quando aplicada a um ramo específico, reconhece sua nomenclatura, de acordo com atividade fim daquele ramo. Existem diversos conceitos contábeis para os inúmeros segmentos desta ciência, tais como: contabilidade rural, financeira, de custos, comercial, industrial, entre outros. Os usuários da contabilidade necessitam de uma ferramenta interna que presencie o cotidiano das organizações e que possa auxiliar o processo decisório, com vistas a ampliar a visão dos administradores, oferecendo-lhes melhores alternativas para aplicação dos recursos.

Portanto, a Contabilidade Gerencial proporciona ao ambiente empresarial todos os instrumentos necessários para ampliar o conhecimento detalhado das atividades exercidas nas empresas, auxiliando o processo de tomadas de decisões para se obter eficácia e eficiência organizacional. Dentre os segmentos, segundo Atkinson (2011), a Contabilidade Gerencial é uma ferramenta essencial que produz informações sobre os eventos operacionais e financeiros para funcionários e administradores, devendo ser o processo de gestão direcionado pelas necessidades informacionais dos indivíduos internos da empresa para que eles possam tomar melhores decisões operacionais e de investimentos.

Crepaldi e Crepaldi (2012, p. 2) definem que:

A contabilidade gerencial proporciona aos seus administradores informações que permitem avaliar o desempenho de atividades, de projetos e de produtos da empresa, bem como a sua situação econômico-financeira através da apresentação de informações claras e objetivas de acordo com a necessidade de cada usuário.

Para Jiambalvo (2009), o objetivo da Contabilidade Gerencial é fornecer-lhes as informações necessárias para o planejamento, o controle e a tomada de decisão, tornando o gestor eficiente e essencial a partir do momento que possui um bom entendimento sobre o segmento contábil-gerencial. Todos os autores partem de uma concepção que entende a Contabilidade Gerencial como uma ramificação da Contabilidade Geral, que tem a finalidade de fornecer informações, principalmente para os usuários internos, mas também podem, eventualmente, atenderem aos externos com um único propósito: o de auxiliar a tomada de decisão e acompanhar o desempenho organizacional de maneira eficaz e eficiente.

2.2 COMPARAÇÃO ENTRE CONTABILIDADE GERENCIAL E A FINANCEIRA

Existe uma familiaridade entre a Contabilidade Financeira e a Contabilidade Gerencial, pois elas elaboram os demonstrativos para os seus respectivos grupos de usuários, com o objetivo de atender suas exigências e conseguir auxiliar nas decisões. Podemos observar algumas diferenças entre esses segmentos contábeis e a destinação de seus relatórios, sendo os relatórios da contabilidade financeira criados para enfatizarem, principalmente, as exigências dos usuários externos, enquanto os relatórios da contabilidade gerencial são elaborados para atenderem às perspectivas empresarias de gestão, tendo como principal finalidade auxiliar os usuários internos no processo decisório.

Segundo Atkinson (2011, p. 37):

Contabilidade financeira é o processo de geração de demonstrativos financeiros para públicos externo, como acionistas, credores e autoridades governamentais. Esse processo é fortemente limitado por autoridades governamentais que definem padrões, regulamentações e impostos, além de exigir o parecer de auditores independentes (contrasta com a contabilidade gerencial).

Contudo, os administradores também fazem uso significativo dos relatórios da contabilidade financeira e os usuários externos podem solicitar informações que são geralmente consideradas apropriadas para os usuários internos da Contabilidade Gerencial. Jiambalvo (2009) afirma que a Contabilidade Financeira é direcionada, primordialmente, aos usuários externos das informações contábeis. Os usuários externos incluem investidores, credores e órgãos governamentais que precisam dessas informações para fazerem investimentos, empréstimos e tomarem decisões quanto à regulamentação vigente no país. Os relatórios são elaborados de acordo com os princípios de contabilidade geralmente aceitos (PCGA) sobre jurisdição da comissão de valores mobiliários (CVM). As informações financeiras são bastante resumidas, uma vez que se preocupam com a apresentação dos resultados das transações passadas.

A Contabilidade Gerencial é direcionada aos usuários internos (gerentes de empresas), que precisam de informações detalhadas para planejar, controlar e tomar decisões. Além disso, os relatórios gerenciais não necessitam seguir os padrões (PCGA), mas precisam atender às expectativas dos gerentes que envolvem estimativas de custos e benefícios de transações futuras.

2.3 EMPRESA RURAL X CONTADOR GERENCIAL

Segundo Marion (2014), no Brasil, encontram-se duas formas bastante frequentes de exploração rural: pessoa física e pessoa jurídica. A exploração na forma de pessoa física tem algumas vantagens no Brasil, sendo pequeno produtor, ela está isenta de impostos e de demonstrações fiscais específicas das jurídicas. Contudo, quanto às pessoas físicas tidas como grande produtor rural, a legislação equipara como pessoa jurídica, devendo as mesmas recolherem seus impostos e contribuições, demonstrando, contabilmente, seus relatórios pelos métodos legais. A principal desvantagem da pessoa física é a limitação e a capacidade de adquirir recursos de terceiros em instituições bancárias, devido à insuficiência patrimonial, enquanto as pessoas jurídicas têm acompanhamento contábil e maiores recursos patrimoniais, devido à junção dos sócios ou acionistas e facilidade na captação de recursos de terceiros.

De acordo com Marion (2014, p.2), as empresas rurais são definidas como aquelas que exploram a capacidade produtiva do solo por meio do cultivo da terra, da criação de animais e da transformação de determinados produtos agrícolas. Feijó (2010) define que as associações rurais são formadas por grupos de pequenos produtores que têm uma estrutura organizacional (propriedade) própria. Basicamente, os associados exploram as mesmas culturas. Os produtores rurais necessitam de conhecimentos específicos da Contabilidade Gerencial, de forma que seja utilizada internamente como uma ferramenta de gestão para proporcionar aos administradores habilidades gerenciais que possam ajudá-los a desenvolverem as atividades e atender suas expectativas futuras, evidenciado as transações passadas para preverem as estimativas futuras, o que faz com que as empresas tenham crescimentos financeiros e maximização do patrimônio.

Segundo a definição do IFAC – International Federation of Accounting (Federação Internacional de Contabilidade) – citado por Crepaldi e Crepaldi (2012, p.7), o contador gerencial é o profissional que:

[…] identifica, mede, acumula, analisa, prepara, interpreta e relata informações (tanto financeiras quanto operacionais) para uso da administração de uma empresa, nas funções de planejamento, avaliação e controle de suas atividades e para assegurar o uso apropriado e a responsabilidade abrangente de seus recursos.

De acordo com Coronado (2009), o papel do contador gerencial está refletido no envolvimento em inovações de gestão de redução dos custos e análise dos demonstrativos contábeis, visando dar suporte às decisões gerenciais por meio das ferramentas tecnológicas e criativas agregadas à parceria empresarial.

2.4 CONTABILIDADE GERENCIA NA ATIVIDADE AGRICOLA

Marion (2014), afirma que os produtores podem explorar três categorias diferentes de atividades, que são: atividades agrícolas, zootécnicas, agroindustriais e definem as atividades rurais como:

      • Atividade agrícola – consiste em extrair a capacidade produtiva da terra, baseada na produção vegetal que cultiva diversas culturas como cereais, hortaliças, tubérculos, fibras, floricultura, arboricultura, entre outras. Também é considerada atividade rural o cultivo de florestas que se destina ao corte para comercialização, consumo ou industrialização. Pode ser uma cultura de caráter temporário ou permanente, distinguida pelo período curto de vida, pela forma como é realizada a colheita e pelo seu replantio;
      • Atividade zootécnica – explora a produção animal, tais como apicultura, avicultura, cunicultura, suinocultura, sericicultura, pecuária, piscicultura e outras criações de pequenos animais.
      • Atividade agroindustrial – transforma as matérias primas agrícolas ou zootécnicos em produtos indústrias, tais como cana-de-açúcar em álcool e açúcar; uvas em vinhos; soja em óleo etc., sem que seja alterada a composição ou as características do produto in natura.

Segundo Marion (2014), a atividade agrícola divide-se em dois grandes grupos de cultura: culturas temporárias e culturas permanentes. São conceituados da seguinte forma:

      • Culturas temporárias são culturas agrícolas in natura que têm seu ciclo vital curto e está sujeita ao replantio após a colheita como, por exemplo, os cultivos de cerais (soja, milho, trigo, feijão, arroz, trigo…); hortaliças (verduras, legumes…); tubérculos (batata, mandioca, cenoura…); entre outros. Durante o ciclo produtivo desta cultura, os custos pagos serão acumulados em conta específica do subgrupo “estoque”, nomeada como “Cultura Temporária em Formação” sendo que, depois da colheita, esta conta deverá ser baixada pelo seu valor de custo e transferida para uma nova conta denominada “Produtos Agrícolas”, especificando-se o tipo de produto.
      • Cultura Permanente são culturas agrícolas que permanecem vinculadas ao solo e propiciam mais de uma colheita ou produção, bem como apresentam um ciclo vital longo, sendo superior a um ano, como, por exemplo: frutas arbóreas, citricultura, cana-de-açúcar e outras. Durante a formação dessa cultura, os custos são acumulados na conta “Cultura Permanente em Formação” do “Imobilizado” e, quando estiver em condições de produzir, o saldo da conta da cultura em formação será transferido para a conta “Cultura Permanente Formada” do ”imobilizado” e, após a colheita, o saldo da cultura formada será transferido para a conta “Produtos Agrícolas” do “estoque”, caracterizando-se o produto pronto para comercialização.

A Contabilidade Gerencial, por utilizar métodos aplicados internamente para conseguir obter as informações, torna-se a principal ferramenta utilizada pelos gerentes e, na atividade agrícola, não é diferente: os pequenos produtores necessitam incrementar esse sistema de informação gerencial em suas produções, pois fornecerá conhecimento e habilidade para que possam monitorar e mensurar seu desempenho operacional e, com isso, o sistema auxiliará ao fornecer informações fidedignas que ajuda o usuário a planejar e controlar estrategicamente seu orçamento financeiro para alcançar suas metas estabelecidas com o mínimo de recursos possíveis para, assim, conseguir a maximização do patrimônio que a principal finalidade estrutural de qualquer organização com fins lucrativos.

Um dos métodos mais procurado pelos usuários na Contabilidade Gerencial é a viabilização de informações que possibilitam a identificação e redução dos custos e despesas proveniente do ativo para gerar mais benefícios econômicos. Na atividade agrícola, algumas culturas têm seu exercício prolongado, que difere do prazo estabelecido pelo exercício social de terminar no último dia de cada ano. Os custos, despesas e lucros resultantes do exercício social dessas atividades agrícola só poderão serem apurados no último dia do mês subsequente que encerra o exercício agrícola para que o ciclo em questão não se encerre antes da colheita. Para Marion (2014), se o exercício social fosse encerrado antes da colheita, dificilmente seria possível mensurar o valor econômico da cultura em formação e a Contabilidade Gerencial, portanto, seria insignificante para os produtores tomarem decisões.

2.5 IMPORTÂNCIA DO PLANEJAMENTO E SISTEMAS DE INFORMAÇÕES PARA A ATIVIDADE AGRÍCOLA

Segundo Müller (2013), planejamento significa uma ação intencional contínua que integra um conjunto de componentes inter-relacionados que coletam, processam, armazenam e distribuem informações para controle e decisões nas organizações, focando na missão para alcançar o objetivo futuro. Sendo a principal técnica de previsão, por detectar as ameaças que interferem no ambiente empresarial, o planejamento necessita estabelecer as estratégias para aproveitar as oportunidades mais vantajosas que o mercado pode proporcionar. Para Müller (2013), a estratégia define as metas e os objetivos da empresa, levando em consideração toda a estrutura organizacional e seus aspectos econômicos para criar um ambiente sustentável que não seja influenciado por ocorrências do cotidiano empresarial.

Segundo Audy (2011, p.25) afirma que:

A formulação de estratégias pode ser concebida como um processo de criação empreendedor e imaginativo, em que os executivos (estrategistas) decidem como agir em relação ao futuro, identificando oportunidades e riscos e determinando recursos disponíveis, sejam eles financeiros, pessoais ou materiais. Enquanto o processo de planejamento estratégico como um todo é sistemático e abrangente, possibilitando o desenvolvimento de um plano de ação, a etapa de formulação de estratégias pode derivar de vários estágios do pensamento e do envolvimento com o processo decisório de solução de problemas e escolha de alternativas para a ação.

O planejamento é aplicado de acordo com o nível hierárquico empresarial, de forma integrada e decrescente, sendo desempenhado em todos os níveis, sem restrição. O planejamento estratégico é responsável pela missão e exercer o mais alto níveis hierárquicos da organização, estabelecendo metas a serem cumpridas e obtém o poder de direcionar o ambiente empresarial como um todo, de forma inovadora e diferenciada.  Planejar estrategicamente significa utilizar os recursos de forma eficiente, com vistas a aumentar a produtividade, havendo, com isso, a diminuição dos riscos, bem como um melhor aproveitamento das oportunidades de mercado.

O resultado da utilização do planejamento estratégico para pequenas empresas é muito grande, pois as empresas maiores, mesmo que não tenham o planejamento estratégico formal, normalmente já desenvolvem atividades ligadas a ele, como a análise ambiental, mas as pequenas dificilmente fazem qualquer reflexão estratégica e, para surpresa dos empresários, muitas vezes descobrem que pequenas mudanças de rumo podem alterar completamente o resultado da empresa (ALMEIDA, 2010, p. 2).

Para Atkinson (2011), o controle garante a integridade das informações financeiras das atividades e dos recursos utilizados em uma organização, de forma que o monitoramento e mensuração do desempenho e indução a ações corretivas serão exigidos quando necessário retornar a atividade a seu curso planejado, com vistas a fornecer informações operacionais e funcionais que possam ser usadas para atingir o desempenho desejável. Anthony (2008) afirma que o controle gerencial é uma ferramenta imprescindível para os empresários, pois pode influenciar o planejamento estratégico das organizações. Quando as empresas atuam em um mercado em que as alterações ambientais são previsíveis, é recomendado que desenvolvesse primeiro as estratégias, mas, quando o mercado tem bastante variação, é necessário executar um sistema gerencial que, por meio de experimentação, processa e formula estratégias que podem ser facilmente influenciadas pelo próprio controle gerencial.

Para Atkinson (2011), o controle estratégico é um conjunto de métodos e instrumentos que mantém o foco no objetivo da empresa e fornece aos usuários informações relevantes sobre o desempenho competitivo completo da unidade de negócios, tanto do ponto de vista econômico-financeiro quanto do ponto de vista operacional. O planejamento e controle da produção são instrumentos gerenciais de grande importância para as empresas, pois os planos determinam as etapas iniciais do processamento de metas e estratégias estabelecidas com ênfase na missão empresarial. O controle verifica o desempenho da empresa, com ênfase no objetivo final, que é a eficácia e eficiência dos resultados econômicos. Caso não obtenha os resultados esperados ou negativos, utiliza-se do sistema de controle gerencial para corrigir as prováveis influências que interferem no resultado. A informação gerencial deve ser justificada pelos benefícios fornecidos à organização.

O poder da informação é algo inquestionável. A informação contábil aparece como a mais confiável das fontes de informação organizacional. Segundo Marques (2013), o sistema de informação gerencial (SIG) é a principal ferramenta das organizações para o processamento dos dados e a obtenção de conhecimento específico da atividade exercida, de modo que seja transformado em informações que têm a finalidade de ampliar a visão dos usuários para a tomada de decisão, para, assim, alcançar as metas estabelecidas pelo administrador. Segundo Marques (2013, p. 32): “para planejar um (SIG) é preciso transformar um conjunto de estratégia em um conjunto de ações para sistemas de informações gerenciais de uma empresa. Deve focar nas áreas e fatores críticos para atingir o sucesso”. O sistema de informação gerencial é um conjunto de sistemas de informação e subsistemas interligados em redes com seus canais de comunicação dentro de uma organização, que dará o suporte necessário às funções.

Aponta-se, também, como serão definidos e para onde serão direcionados os dados coletados dentro da organização de uma empresa, podendo, assim, fornecer as informações concretas e seguras em tempo real e hábil para tomada de decisão. Para Atkinson (2011), os gerentes das empresas precisam mensurar exatamente os custos e a perspectiva de rentabilidade de suas linhas de produtos, sendo necessário um sistema de controle operacional para melhoria de custo, qualidade e atividades de redução do tempo de processo de seus funcionários, para, com isso, obter uma informação gerencial relevante e tempestiva, que contribui para eficácia e eficiência das decisões tomadas. Os sistemas de informação são ferramentas que auxiliam os produtores no desenvolvimento das atividades com base na tecnologia da informação e da informática, com vistas a viabilizar o desempenho e o processo decisório nas organizações.

3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Para analisar o conhecimento dos produtores com relação à Contabilidade Gerencial, utilizou-se, inicialmente, de uma pesquisa exploratória bibliográfica, com base em livros e artigos que abordassem sobre o segmento gerencial na atividade rural, para permitir que o pesquisador conhecesse o assunto pesquisado. A pesquisa, diante das informações, identificou a necessidade de se aplicar um estudo de caso com características metodológicas qualitativas, pois foi verificado o uso das demonstrações contábeis e dos métodos utilizados para contabilizar, evidenciando os benefícios econômicos e financeiros gerados pela Contabilidade Gerencial e a relevância das informações no processo decisório. 

O estudo foi realizado na associação de pequenos produtores rurais da região litoral norte da Paraíba. Partiu-se de métodos qualitativos, com foco no estudo de caso, com aplicação de entrevista e análise dos relatórios contábeis para que os entrevistados demonstram espontaneamente seus mecanismos gerenciais e administrativos utilizados para obtenção das informações, sendo que as opiniões e atitudes explícitas conscientes foram obtidas de forma indutiva, sem que o pesquisador tivesse nenhuma interferência. Foi aplicada durante o período de agosto a setembro de 2021. A pesquisa focou na associação e coleta de uma amostra com 34 relatos dos produtores e empresários de diferentes atividades rurais.

A análise e interpretação dos dados aprofundou uma investigação fidedigna da situação a qual se enquadram os pequenos produtores rurais e forneceu conhecimento sobre a Contabilidade Gerencial na atividade rural e sua contribuição com informações relevantes para o processo decisório, o que melhorou o seu direcionamento empresarial.

4. APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS

Para Iudícibus (2013), a evolução proporciona aos profissionais da ciência contábil a identificação das contribuições e os benefícios da sua presença no planejamento das técnicas de gestão, sendo capaz, portanto, de influenciar o desenvolvimento estrutural, econômico e financeiro das organizações. Simplesmente, a ciência contábil demonstra que o contador é um profissional indispensável para as empresas que necessitam de planejamento, habilidade, estratégia e criatividade para superar as expectativas do mercado.

O estudo foi realizado com a finalidade de oferecer aos produtores conhecimentos gerenciais e administrativos que situassem melhor a sua entidade, demonstrando a importância da realização de uma contabilidade completa e eficiente, doença do profissional da entidade a o que possibilitou o contato com noções práticas e informações fidedignas constantemente para o desenvolvimento gerencial e o controle nas tomadas de decisões.

Diante disso, analisou-se as características das informações contábeis utilizadas pelos produtores para auxiliar as tomadas de decisões e avaliar a relevância das informações transmitidas pelo profissional para melhor acompanhar as mudanças da evolução da produtividade econômica financeira das entidades.

Gráfico 01: Análise da estrutura de empreendimento e modalidade organizacional desenvolvida pelos produtores rurais.

Fonte: Elaborada pelo autor

O gráfico acima demonstra que os empreendimentos rurais foram, em sua maioria, desenvolvidos na modalidade específica de micro empresas, pois são 64,7%. 35,3% dos entrevistados executam suas atividades como empreendedores individuais, mas a maioria tem características e porte para se enquadrarem como empresas. A maioria dos produtores rurais são masculinos, cerca de 50% têm o segundo grau como instrução educacional e aproximadamente 39 % fizeram o ensino fundamental, restando apenas quatro que representam 11% com graduação ou  que estão cursando o ensino superior. Os entrevistados têm experiência de mercado e já atuam no ramo, com tempo entre 5 e 15 anos, o que representou 85% da amostra, sendo as experiências adquiridas por familiares.

Os entrevistados eram, em sua maioria, proprietários de um único empreendimento, apresentando um quadro de funcionários temporários, tendo apenas alguns permanentes, mas que não ultrapassaram a soma de três funcionários. O resultado evidenciou que existe uma deficiência no direcionamento dos empreendimentos individuais e que algumas características das empresas analisadas, diante dos resultados, poderiam ser alteradas e melhoradas, dependendo apenas de estudos minuciosos que associaram informações contábeis com as gerências específicas à atividade exercida. Portanto, evidenciou-se que a maioria dos pesquisados possuíam micro empresas.

Gráfico 02: As principais atividades dos produtores rurais

Fonte: Elaborado pelo autor

De acordo com o gráfico, demonstra que as atividades exercidas pelos pesquisados na associação do litoral norte da Paraíba eram ligadas à agropecuária, com 47% das atividades, tendo, também, culturas diversificadas de grãos, verduras, legumes e frutas, porém, representou a minoria, com 11,7% das amostras pesquisadas.

4.1 ANÁLISE DO PLANEJAMENTO GERENCIAL

No intuito de saber qual a estrutura competitiva dos entrevistados, perguntou-se qual seria a sua própria avaliação com relação à concorrência. A análise apresentou que 68% consideravam seu poder de concorrência superior a dos seus concorrentes, 29% afirmaram que estavam na média e consideravam uma concorrência acirrada e 3% avaliaram que estavam um pouco abaixo da concorrência por motivos de não possuírem, à época da aplicação do estudo, recursos financeiros suficientes para atenderem à competitividade de mercado, mas os mesmos afirmaram que conseguiam manter a atividade, obtendo lucro e a sustentabilidade para os seus empreendimentos. O planejamento de produção, conforme os pesquisados, está organizado por temporadas e ciclos operacionais, que comparando os períodos anteriores e os recursos disponíveis, os produtores conseguiram prever sua produção e estabelecer preço.

Estipularam, com isso, uma provisão de receita durante a safra ou produção. Caso os fatores externos ou fenômenos naturais prejudiquem sua produção, os entrevistados ficavam impossibilitados de mensurar suas provisões de faturamento, podendo até provocarem danos que influenciaram o aumento dos preços ou ocasionam baixa lucratividade, havendo prejuízos. Para saber os atributos organizacionais dos entrevistados e o nível de satisfação dos seus clientes, perguntou-se se eles realizavam pesquisas com os seus clientes. Cerca de 70% dos pesquisados responderam que sim, mas com frequência semestral. Frisaram que a frequência poderia variar de acordo com a demanda. Aproximadamente 30% dos entrevistados afirmaram que não realizavam pesquisas, mas tinham noção da importância da satisfação de seus clientes por meio do fortalecimento da comunicação pessoal.

Gráfico 03: Análise dos atributos para aquisição de clientesFonte: Elaborado pelo autor.

Para melhor entender os atributos escolhidos pelos produtores e identificar o nível de satisfação de seus clientes, foram questionados sobre qual seria o atributo mais forte usado pelos entrevistados como ferramenta para chamar atenção e obter a satisfação da clientela. O resultado demonstrou que 41,1% afirmaram que o preço é o melhor artifício para despertar a atenção dos clientes e, consequentemente, aumentar suas vendas. Já outros 20,5% responderam que a qualidade dos produtos seria o melhor atributo e 11% asseguraram que são as instalações físicas. Contudo, os pesquisados também afirmaram, somando 27,4% que os atributos para chamar atenção e obter a satisfação de seus clientes não se centralizam apenas em um determinado artifício, mas em um conjunto de atributos, como foi citado no gráfico, somado com mais outros fatores, como atendimento, prazo e facilidade nas vendas.

4.2 ANÁLISE DO PLANEJAMENTO FINANCEIRO

Na análise do planejamento financeiro, ficou evidente que os recursos são oriundos de capital próprio. Quanto à busca por recursos de terceiro ou financiamentos, os produtores afirmaram que recorrem às entidades bancárias que incentivam a produtividade rural. Assim, surgiu o questionamento se os produtores faziam planejamento econômico e financeiro. Para alcançar esse objetivo, aplicou-se perguntas relacionadas à identificação das receitas, despesas, custos e lucros dos produtos ofertados.

Gráfico 04: Análise das informações financeiras dos produtores

Fonte: Elaborado pelo autor.

Conforme pôde-se observar, existem mudanças na estrutura para identificação dos dados financeiros, pois os produtores responderam que a maioria utilizam-se de sistemas específicos, somando 41,3%, pois afirmam serem eficientes e eficazes ao desenvolvimento de relatórios, porém, 32,3% não utilizam sistemas, mas calculam seus dados financeiros por meio de planilhas eletrônicas. A minoria, com 26,4%, respondeu que utilizam relatórios manuais para identificarem seus dados, mas sabendo que essa forma de identificação toma muito tempo e por esse fato torna-se imprecisa, servindo apenas de parâmetro para controle. Da mesma forma, questionou-se se havia a existência de controle de caixa, das contas a pagar e das contas a receber, resultando nas seguintes informações:

Gráfico 05: Informações de fluxo de caixa

Fonte: Elaborado pelo autor

Constatou-se que o controle de caixa e o de contas tanto a pagar quanto a receber era identificado, em sua maioria, por programas financeiros específicos, com representação de 41,3% dos entrevistados, porém, 38,2% afirmaram sua identificação por planilhas eletrônicas e 20,5% por relatórios manuais. Os produtores que faziam relatórios manuais gostavam de praticar outros métodos, mas a falta de informação fez com que estes desconhecessem as novas práticas, equipamentos, sistemas econômicos e até mesmo os cursos e subsídios oferecidos pelos programas governamentais.

4.3 CARACTERÍSTICAS DAS INFORMAÇÕES CONTÁBEIS E SUA UTILIDADE NAS TOMADAS DE DECISÕES

As informações contábeis obtidas por meio de demonstrações são essenciais para o processo decisório de qualquer entidade, tendo o principal foco a fidedignidade dos fatos. Nesse sentido, questionou-se os empresários se seus contadores contribuíam com a interpretação das demonstrações contábeis e, com isso, não surgiu uma resposta positiva, pois os relatórios contábeis se diferenciam dos gerenciais, surgindo uma necessidade de melhoria que os produtores requerem dos profissionais contábeis quanto à adaptação dos relatórios gerenciais para facilitar as tomadas de decisões. Outra necessidade visível foi a falta de informações sobre a aquisição de recursos de terceiros, como investimentos e financiamento com subsídios e baixos juros.

Devido às pequenas empresas terem recursos financeiros escassos, houve uma exigência por parte dos gestores de mudança na contabilidade gerencial, pois os produtores estão se preocupando cada vez mais com o setor gerencial, sendo esse responsável pela manutenção, estabilidade organizacional e a precisão nas atividades produtiva e administrativa, garantindo, assim, economia nos custos e a viabilidade de informações tempestivas e eficazes para que os produtores pudessem tomar decisões concretas e obter resultados eficientes, garantindo, dessa forma, consequentemente, a continuidade e o desenvolvimento empresarial. Segundo os entrevistados, as decisões tomadas baseavam-se em relatórios gerenciais elaborados e interpretados pelos mesmos, com a finalidade de detalhar todas as operações realizadas no processo organizacional, com o objetivo de oferecerem informações da real situação empresarial.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Retomando a questão norteadora: Quais são as características das informações contábeis gerenciais utilizadas pelos pequenos produtores rurais do Litoral Norte da Paraíba nas atividades desenvolvidas em suas propriedades? Conclui-se que, diante das respostas obtidas pelos entrevistados, que havia a existência de dependência de informações por parte dos produtores com relação ao direcionamento dos investimentos e a obtenção de recursos financeiros de terceiros para melhor gerir as atividades. Evidenciou-se que os recursos financeiros aplicados nas produções, em sua maioria, são oriundos de capital próprio e, quanto à busca por recursos de terceiros, os produtores recorriam, exclusivamente, às entidades bancárias, sendo, algumas vezes, adquiridos na forma de pessoa física sem incentivo a produtividade rural, por questões da falta de documentações legais das terras ou a burocracia do processo de legalização, que os obrigaram a recorrerem às práticas desvantajosas, com juros elevados e prazos curtos.

A pesquisa observou que alguns produtores individuais puderam migrar para outra modalidade empresarial. Desta forma, eles conseguiram obter mais vantagens e facilidades na aquisição de investimentos e financiamento, o que motivou o desenvolvimento do setor rural nesta região, alterando, principalmente, e as características das informações proferidas aos empresários para atenderem às expectativas e competitividade do mercado, dependendo apenas de estudos minuciosos que associaram as informações contábeis com as gerenciais específicas da atividade exercida pelos produtores. Os relatórios financeiros e as informações gerenciais utilizados como base para a tomada de decisão foram elaborados e interpretados exclusivamente pelos produtores rurais, com pouco auxílio das assessorias contábeis.

O artigo apresentado espera ter conseguido mostrar, de maneira clara e, também, objetiva, as características das informações contábeis utilizadas pelos empresários rurais, com foco particular no enriquecimento de conhecimento e na sua influência nas tomadas de decisões, como, também, no desenvolvimento produtivo, econômico e financeiro. Estabeleceu-se a eficiência dos conhecimentos gerenciais, o que proporcionou crescimento e globalização no setor rural, constatando-se uma a melhora na competitividade entre os produtores pesquisados com relação ao mercado. Portanto, o estudo, embora possa ser útil para outras atividades de diversos segmentos, como também para o corpo docente e discente, ficará centralizado a produtores rurais independentes e residentes, especificamente, na região do litoral norte da Paraíba.

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[1] Bacharel em Ciências Contábeis (UFPB), Pós-Graduação em nível de Especialização em MBA em Planejamento Contábil Tributário (UNIP) e Pós-Graduação em nível de Especialização em MBA em Controladoria de Empresas (UNIP). ORCID: 0000-0002-1619-5223.

Enviado: Novembro de 2021.

Aprovado: Novembro de 2021.

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