Bitcoins: moeda criptografada como potencial investimento ótimo

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ARTIGO ORIGINAL

BRAGA, Reinaldo da Silva [1]

BRAGA, Reinaldo da Silva. Bitcoins: moeda criptografada como potencial investimento ótimo. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 04, Ed. 02, Vol. 02, pp. 142-162. Fevereiro de 2019. ISSN: 2448-0959.

RESUMO

Este artigo tem como objetivo apresentar uma breve introdução às criptomoedas, à tecnologia blockchain — o bitcoin. Faz uma análise no sistema monetário tradicional e suas diferenças com o novo modelo — a criptomoeda. Apresenta o modo de operação e possíveis aplicações de criptomoedas e tecnologia blockchain, os valores — subidas e quedas da criptomoeda. Discorre acerca dos principais acontecimentos no contexto histórico no que diz respeito ao sistema monetário e a introdução da criptomoeda. Traz por meio de uma revisão de literatura uma abordagem financeira/ contábil, a moeda de cada país, sua relação articuladora de confiança e a valorização dos recursos. A explorar desde sua criação, valorização, declínio, uso para fins ilícitos, regulação ou não, países que utilizam. A questionar a abordagem sob a ótica empresarial/financeira. Discute o posicionamento do usuário da criptomoeda e o porquê de sua ascensão.

PALAVRAS-CHAVE: Bitcoins, Moeda virtual, Sistema Monetário.

INTRODUÇÃO

Bitcoin foi criado por Satoshi Nakamoto. Não se sabe ao certo se é uma pessoa ou um grupo de pessoas, sua real identidade desconhecida. Em 31 de outubro de 2008, Nakamoto enviou um whitepaper com o detalhamento do sistema bitcoin para uma lista de discussão de criptografia. Foi, então, implementado o código aberto configurado como criptomoeda[2].

O Bitcoin foi criado para fornecer uma nova forma global de moeda eletrônica. Para ser usada no lugar dos dólares americanos, euros ou outras moedas tradicionais. Nakamoto descreveu bitcoin como “um sistema de dinheiro eletrônico peer-to-peer” Isso seria fundamentalmente inovador e diferente do sistema monetário tradicional. Essa diferença se dá devido à ausência de qualquer mediadores terceirizados, e se pode traduzir isso como bancos centrais, empresas de cartão de crédito e outras intermediários.²

A BTC foi desenvolvida a partir de uma arquitetura de redes de computadores descentralizada (território-rede), configurada por pontos de articulação interconectados via P2P. Os registros dos dados transacionados na rede P2P são operados em uma cadeia de blocos de algoritmos, que realiza o processamento dos dados por meio de criptografia.

Os avanços da criptomoeda foram cercados de paradigmas pelo fato de ser um número em uma tela do computador, por esquemas de pirâmides, traders, apostas, o mercado negro da internet — dark web e deep web. E, também, por questões que romperiam com o sistema monetário tradicional trazendo um desconforto para o que há de vir.

No entanto, o comércio na Internet passou a depender quase exclusivamente de instituições financeiras ​​para processar pagamentos eletrônicos. O sistema funciona bem para a maioria das transações, mas ainda sofre das fraquezas inerentes do modelo baseado em confiança. Transações completamente reversíveis não são realmente possíveis, uma vez que as instituições financeiras não podem evitar mediar disputas.

O custo da mediação aumenta os custos de transação, limitando a tamanho mínimo prático de transação e corte a possibilidade de pequenas transações casuais. Há, também, um custo mais amplo na perda da capacidade de efetuar pagamentos não reversíveis para serviços não reversíveis. Com a possibilidade de reversão, a necessidade de confiança se espalha.

As transações que são computacionalmente impraticáveis ​​para reversão protegeriam os vendedores de fraudes, e mecanismos de depósito de rotina poderiam ser facilmente implementados para proteger os compradores. A confiança é ainda um mecanismo que confere cada compra e suporta cada queda do mercado. Isso ainda reflete sobre o universo das criptomoedas e diminui a velocidade que o bitcoin entra no mercado.

Fato é que a moeda digital é um fenômeno que cresce e muda o cenário econômico. Ainda é um mistério para alguns — e de fato incompreensível para muitos — devido à sua estrutura labiríntica. Com o objetivo de fornecer uma compreensão desse enigmático valor, este trabalho incidirá sobre o mundo da moeda digital através das lentes do bitcoin — o primeiro, o mais conhecido —, a criptomoeda dominante por capitalização de mercado, que criou a base em que outras criptocorrências.

Antes de explorarmos onde o bitcoin está atualmente, se deve ter um lugar em uma carteira de investimentos que preserve a riqueza em longo prazo, vamos analisar o seu começo e como ele funciona. Em uma abordagem financeira e contábil. Explorando sua criação, valorização, declínio, uso para fins ilícitos, regulação ou não, países que utilizam. Enfim, uma abordagem sob a ótica empresarial/financeira.

O SISTEMA MONETÁRIO TRADICIONAL

Berentsen (2017) ressalta que para entendermos o bitcoin, é preciso analisar o funcionamento dos mercados financeiros tradicionais/atuais — sistema monetário fiduciário. EM sua etimologia, a palavra “fiat” do Latim significa “deixa acontecer” e faz referência ao fato de que moeda tradicional tem valor apenas porque um governo “declara” que tem valor. Também pelo fato dos usuários da moeda esperam que esse valor seja mantido no futuro.

Uma moeda fiduciária não tem valor intrínseco, na medida em que não é resgatável por nenhum ativo físico (em contraste com a forma como o ouro ou o imobiliário tem valor intrínseco), por isso a expectativa de valor futuro depende da capacidade de um governo para manter esse valor por meio de seu controle da oferta e demanda da moeda.

Desde que os governos têm um controle significativo do valor do decreto moeda, os usuários devem confiar que os governos manterão o valor da moeda e agirão no melhor interesse de seu povo. Isso funciona relativamente bem, por exemplo, nos Estados Unidos, onde o Federal Reserve pode aumentar a oferta monetária para estimular economia, mas deve aderir a um mandato de inflação, e é restringido por uma meta de inflação.

Segundo Berentsen (2017), isso levou a relativa estabilidade no valor do dólar americano (USD), que sustenta a estabilidade econômica geral. No entanto, em países como a Venezuela, a fé no compromisso do governo de proteger o valor da moeda não é um dado. O governo aumentou drasticamente a oferta de moeda nos últimos anos para inflar afastado o valor de suas dívidas. Isto, por sua vez, levou a uma inflação desenfreada (Fundo Monetário prevê uma inflação venezuelana de 720% em 2017), tornando Bolívar venezuelano essencialmente sem valor – causando estragos econômicos como resultado, deixando seus usuários incapazes de arcar com as necessidades básicas da vida.

Mesmo em nações com moedas relativamente estáveis, o bitcoin pretendia resolver tais questões financeiras. Nakamoto viu no atual sistema de pagamento eletrônico (que usa cartões de crédito e débito, transferências bancárias, etc.) a falta de confiança entre contrapartes no que diz respeito a fazer e receber pagamentos devido ao risco de fraude. O sistema atual depende terceiros centrais (bancos, empresas de cartão de crédito e outros intermediários) para verificar e manter um registro digital de transações monetárias e proteger os usuários contra fraudes.

A CRISE DE 2007-2008

De acordo com Nakamoto, nós pagamos por essa verificação central, manutenção de registros e proteção contra fraude por perda de privacidade (onde informações de identificação pessoal tais como nome, endereços e números de cartão de crédito são frequentemente necessários para transações) e taxas de transação, que são pagas diretamente aos terceiros centrais.

O bitcoins cresceu nos anos de 2007-2008, na memorável crise e com a aparição da tecnológica da cadeia de blocos, ou blockchain: a bitcoin (BTC).

É possível afirmar que a crise financeira internacional de 2007 e 2008, impulsionada pela globalização neoliberal e a desregulamentação financeira, conduziu à instabilidade do valor das moedas e geraram uma insegurança econômica extraordinária. A expansão do endividamento dos EUA e das economias centrais foram reflexos deste cenário de incertezas do capitalismo. Certamente o surgimento de tecnologia baseada em algoritmos criptografados em transações financeiras, como a tecnologia da blockchain, representou uma reação inovadora à falta de limites e regras, impostas pelo cassino financeiro do capitalismo global, e também à busca de estabilidade no valor das moedas. (Long, 2013, p.9)

Segundo os registros no IGF Fórum (2015), desde sua criação, em 2008, a BTC é uma criptomoeda desenvolvida em sua concepção criptografada do dinheiro é capaz de romper com a regulamentação jurídica de Estados e agentes financeiros globais. É uma quebra estrutural monetária que assusta a muitos. Articula ações e corrompe o sistema que até então era impenetrável e imutável. A bitcoin foi projetado para ser descentralizado. Sem governo central, empresa ou outro terceiro para determinar o seu valor.

A CRIPTOMOEDA E A CONFIANÇA

O sistema foi criado com um eventual fornecimento fixo predeterminado de 21 milhões de unidades de bitcoin, então, há pouco ou nenhum risco de que um aumento na oferta monetária que desvalorize a moeda. Dessa forma a criptomoeda resolve a questão da confiança e seus custos associados na corrente eletrônica sistêmica de pagamento por meio da criação de um ledger distribuído, chamado de “blockchain”.

O livro-razão distribuído é um registro público e completo de todas as transações de pagamento que fornece a história e prova de propriedade de cada bitcoin em circulação, como um livro aberto que todos possam ver. Uma rede de computadores, chamada “nós” mantém cópias deste livro distribuído. Isso elimina a necessidade de qualquer central terceiros para manter uma contabilidade, removendo a energia dessa única instituição e dispersando-o em muitas partes por meio do sistema de contabilidade distribuída.

Indivíduos ou empresas conhecidas como “mineiros” fazem o trabalho de manter o livro de contas, verificando as transações (um trabalho anteriormente feito pelos bancos centrais de terceiros e empresas de cartão de crédito). Pelo tempo e poder de computação contribuíram para manter o blockchain, os mineiros recebem uma recompensa na forma de bitcoin, que dá a eles uma participação no sistema. A tecnologia blockchain na qual o bitcoin é construído criou um sistema de pagamento completamente novo.

A inovação blockchain poderia ser tão perturbadora como o advento do Internet, embora possa levar anos ainda para o seu pleno potencial vir a ser concretizado. Está forma de descentralizar o processo de manutenção de registros é revolucionário porque cria um sistema que permite que os indivíduos sejam participantes ativos em vez de destinatários passivos.  Blockchain pode mudar a forma como as transações são feitas não apenas no espaço monetário, mas em inúmeros outros campos, devido à sua capacidade de eliminar “Intermediário” e também criar transparência e confiança na propriedade de ativos todas às vezes.

MINERAÇÃO/BLOCKCHAIN

Para minerar Bitcoin é necessário ter um computador com alta capacidade de processamento. Diante da dificuldade de minerar Bitcoin, atualmente não é mais possível fazê-lo com seu computador caseiro. Os computadores para mineração são máquinas feitas especialmente para essa finalidade, como as ASICS.

Elas devem encontrar uma sequência que torne um bloco de transações de bitcoin compatível com o bloco anterior. O computador efetua milhares de cálculos por segundo em busca da combinação.

Quando a sequência compatível é encontrada, o minerador recebe uma recompensa em bitcoin. Essa recompensa é para cada bloco minerado. Essa recompensa paga as pessoas mantém a rede do bitcoin funcionando, conhecida como blockchain. Um bloco de transações de Bitcoin surge a cada10 minutos, nesse período há uma competição acirrada entre os mineradores.

ACEITAÇÃO DA CRIPTOMOEDA

Para Murphy (2011), a tecnologia blockchain permitiu que o bitcoin introduzisse no sistema uma capacidade inédita e transformadora de descentralizar o processamento de pagamentos. Isso leva a reflexão sobre se a moeda digital terá sucesso em substituir as tradicionais moedas, servindo como uma forma de dinheiro. Nessa perspectiva, para uma análise mais ampla, o dinheiro tem três papéis em nossa sociedade:

O Bitcoin passou por algumas transformações na medida em que diz respeito à capacidade da moeda para ser usada como um formulário pagamento de bens e serviços, mas não atingiu um nível de uso amplo para inúmeras razões. Por exemplo, relatórios recentes mostram que apenas três dos 500 principais Varejistas da Internet atualmente aceitam bitcoin.

Embora algumas empresas reconhecíveis, tais como Overstock.com, redes DISH, Microsoft, Paypal (através de uma subsidiária chamada Braintree), e a Intuit atualmente aceita bitcoin, a moeda ainda tem que ganhar aceitação mainstream pelos comerciantes nos EUA. Em contraste, o Japão, com seu reconhecimento recente do bitcoin como uma forma legal de pagamento, tem visto um interesse crescente na aceitação do varejista.

O Bitcoin ainda não parece ter atingido este marco de ter bens e serviços com preços puramente em bitcoin, já que a maioria dos itens custa somente em relação ao USD (ou outras moedas tradicionais). Sua extrema volatilidade ainda apresenta um impedimento para bitcoin sendo usado como uma unidade de conta.

Ao contrário de imóveis, arte, ouro ou outro ativo físico similar usado para este propósito, o bitcoin não tem nenhuma propriedade tangível para suportá-lo. Seu valor intrínseco, portanto, provavelmente virá da força da demanda futura (dado que a oferta está concentrada). Porque há alguma expectativa de que o bitcoin irá sobreviver, atualmente fornece uma reserva de valor em longo prazo. Só o tempo dirá se isso vai continue a ser o caso. Assim, até hoje, o bitcoin parece ter sido usado principalmente como uma reserva de valor, com o interesse especulativo é um fator determinante da ação volátil dos preços de 2016-2017.

Murphy (2011) afirma que uma medida muito simples que pode ser usada para avaliar isso é a proporção do comércio de bitcoin valor do volume nas trocas relativas ao valor do volume transacional na rede, como mostra interesse em negociar bitcoin amplamente em relação à negociação para o propósito de transacionar em bitcoin. Para Nakamoto (2018) isso sugere que o interesse de investimento especulativo o bitcoin dominou em comparação com o uso de criptomoeda nas transações. E em proporção do valor comercial nas trocas é quase duas vezes o valor comercial para transações como de agosto de 2017.

Dado que o bitcoin ainda não está sendo usado como um meio difundido de troca ou unidade de conta, e um dos principais motores de seu uso como reserva de valor parece ser impulsionado pelo interesse especulativo, não parece que a moeda se tornará viável alternativa à moeda tradicional no curto prazo.

UMA ABORDAGEM FINANCEIRA

Embora o bitcoin já exista há mais de oito anos, a criptomoeda cresceu ao longo do tempo e isso resultou no envolvimento de mais usuários. Sua ascensão à proeminência, especialmente ao longo do passado ano, tem sido impulsionada por oscilações de preços e subidas lucrativas. No começo de 2013, bitcoin tinha um valor de mercado de aproximadamente US$ 47,74 que começou a crescer no final de 2013, quando o Banco Popular da China (PBOC) sugeriu que investidores participassem do mercado de bitcoin.

O valor de mercado da Bitcoin subiu para quase US$ 14 bilhões em dezembro de 2013, já que a demanda de investidores chineses se projetava no mercado. O PBOC respondeu a este aumento de atividade implementando restrições à participação dos bancos em empreendimentos de bitcoin no início de 2014. Isso causou um revés na capitalização de mercado. (NAKAMOTO, 2011, p.7)

No entanto, a sua aplicação destes regulamentos tornou-se negligente e a capitalização de mercado começou a aumentar de forma constante. Nakamoto (2018) ressalta que o bitcoin com base na China fez com que os usuários se tornassem uma força dominante no mercado entre 2013 e 2016, com volumes bitcoin vs. CNY subindo para quase 99% do mercado no final de 2016.

Como observado na introdução, o mercado de bitcoin continua a ser notoriamente imprevisível. No início de 2017, houve um drástico mergulho no volume de negociação de bitcoin CNY para perto de 10%, enquanto os reguladores chineses começaram a investigar. No entanto, os volumes de negociação de bitcoin se expandiram pela rede.

Berentsen (2017) afirma que a moeda japonesa ganhou notoriedade desde então, com o governo do Japão anunciando que reconheceria bitcoin como uma forma legal de pagamento a partir de abril de 2017 (embora ainda não seja considerada fosse legal). A perspectiva de regulamentações governamentais para mudar a estrutura dos mercados de criptomoeda continua a ser um coringa. Em 14 de setembro de 2017, as negociações continuaram de forma abrangente e isso trouxe euforia não só no país, mas em todo o continente.

QUEDA DO BITCOIN

O bitcoin caiu quase 35% em relação à sua alta histórica de 1º de setembro, com valor de mercado caiu de US$ 81 bilhões para US$ 55 bilhões. Em duas semanas foi relatado que os reguladores chineses estariam fechando as trocas de bitcoin bem como banir as ofertas iniciais de moedas ou ICOs, em que as empresas levantam capitais através da criação e venda de criptomoedas, em vez de usar o financiamento tradicional. As acentuações negativas tanto na queda e nas possíveis empresas que trabalhavam com trade e esquema de pirâmide financeira fez com que o bitcoins fosse proibido em vários países. A China proibiu a compra e venda de bitcoin, a partir de 30 de setembro de 2018. Essa proibição desencadeou uma correção no valor da criptomoedas, de menos 30% por cento dos recordes atingidos no inicio do mês. O Brasil seguiu o mesmo caminho que os chineses e os coreanos, as criptomoedas passaram a não serem qualificadas como ativos financeiros. A aquisição direta pelos fundos de investimento não é permitida.

A CRIPTOMOEDA NA DARK WEB

Não é uma instituição financeira que emite a criptomoeda. Isso faz com que a criptomoeda esteja imune às interferências governamentais. O governo não pode estabelecer custos, i.e., taxas e/ou semelhantes, para a execução das transações. O fato de estar livre das medidas governamentais garante o anonimato para quem trabalha com a moeda. Este é o principal fator que torna a criptomoeda indispensável para a Dark Web.

Barratt, Simon, Maddox, Allen (2016) afirmam que a criptomoeda é a moeda para negócios na rede obscura. Além do anonimato, ela traz diversas facilidades para o mundo virtual. Uma delas é o fato de não ser possível falsifica-la. Não há como falsificar a moeda da internet. Outro ponto importante é o pagamento quase instantâneo e sem qualquer tipo de rastreamento.

Dentro da Dark Web, os clientes aparecem somente como números criptografados, por meio de assinaturas digitais. É a única forma de confirmação de autoria, propriedade e/ou concordância, sem a identificação nominal. Isso afasta as chances de um rastreamento, visto que não há nomes ou qualquer vestígio que leve ao cliente e/ou vendedor.

A denominação específica de cada criptomoeda denominação do sistema de transações a qual ela pertence. De forma geral, a denominação do sistema tem a letra inicial maiúscula, enquanto a criptomoeda relacionada tem a mesma denominação com a letra inicial minúscula. Por exemplo, o sistema Bitcoin utiliza a criptomoeda bitcoin (abreviada por BTC), que é considerada a primeira criptomoeda implementada e hoje é a mais utilizada.

O BITCOIN E SEUS RECURSOS

A moeda bitcoins fez com que o site acoplasse a ideia de anonimato para que se exercesse o contrabando. No entanto, a Silk Road possuía uma sistematização de compras e procuras que faziam do seu plano de negócio algo conciso para o cliente. Conseguia sistematizar, às vezes, por meio do processo de busca, aquilo que o cliente queria.

Embora se mantenha incerta no mercado convencional, agindo de forma especulativa, por conta da independência estatal, no mercado indexado a moeda cumpre o seu papel. A criptomoeda é a moeda de troca na Dark Web. Isso facilitou a atuação de organizações criminosas, profissionais do crime, indústria do sexo e o tráfico de drogas presente na Dark Web.

A facilidade de negociação e o pagamento virtual com uma moeda online proporcionaram requisitos para que a Dark Web fosse o caminho mais fácil para negócios ilícitos. A Deep Web já carregava está agilidade em seu processo. A Dark Web surgia para facilitar a comercialização do impróprio.

Figura 5Bitcoins a moeda da internet. Fonte: HTTPS://opcoesbinariasbrasil.com. br.

 

Segundo Monteiro e Fidêncio (2014) O sistema possuía um armazenamento de informações e por esse mecanismo colocava os produtos mais procurados à frente em sua prateleira. Assim, quando o cliente visitava o site, encontrava facilmente aquilo que queria. Isso para facilitar que o indivíduo ficasse muito tempo na frente de um computador, procurando, horas, por seu produto. Normalmente, americanos faziam as transações em Lan Houses e o policiamento era forte nos estabelecimentos. O cliente precisava de agilidade; a SIlk Road proporcionava isso.

Radner (2005) menciona que outro ponto forte da Silk Road era o seu nível de coordenação e estrutura envolvida em transações. Aas relações entre fornecedores e consumidores eram alicerçadas em níveis de confiança e profissionalismo. Havia uma imparcialidade do site e da forma de trabalho. Os fornecedores eram uma espécie de freelances. Não tinha vínculo com a plataforma, apenas usavam o espaço para vender. Dessa forma, cada fornecedor tinha seu método de negociação. Isso englobava a forma de ocultar a relação com o cliente sem se expor ou expô-lo.

A entrega de produtos era a forma que se media a autenticidade e compromisso do fornecedor. A qualidade do produto e a abordagem/atendimento construíam as pontuações do vendedor. Havia um sistema de qualificação, no qual o cliente atribuía pontos para o vendedor. A base para a qualificação eram esses pontos acima citados.

Sobre os pagamentos, o cliente fazia por meio da criptomoeda e a forma de recebimento para o vendedor era bem simples. A cobertura com o sistema de garantia aos vendedores que, se a taxa flutuasse após um pedido, mas antes que o pagamento tivesse sido efetuado, o vendedor receberia o valor em USD. Se o pedido era no valor de 20 BTC e isso valesse US $ 100, o vendedor receberia 20 BTC. Essa compensação ocorria no caso da flutuação no momento da transação — antes de fechar o pedido.

Para Moore (2016), o sistema de criptomoedas por se tratar de um sistema virtual e sem um repositório de dados logicamente direcionados apresenta ganhos que podem ser removidos. O saldo dos usuários do sistema pode ser simplesmente apagado em virtude de uma pane computacional generalizada, caso não exista um robusto e consistente back-up de todos os dados do sistema. Talvez, seja esse, o ponto negativo das criptomoedas.

Há outros tipos de criptpmoeda — a Litecoin, a Namecoin e a Peercoin Cada um deles carregam as mesmas observações citadas acima e possuem características exclusivas dentro do mercado. No caso da Dark Web, mais precisamente a Silk Road, a moeda usada é a Bitcoins. Isso pelo fato de cada sistema financeiro se adaptar melhor a um tipo de criptomoeda.

O TRÁFICO DE DROGAS NA DARK WEB E A CRIPTOMOEDA

O plano de negócios é uma ferramenta útil e versátil que consolida o idealizador, o negócio e o cliente. É um guia para a atuação. Colhe informações e captura ideias que levem a um melhor resultado, no que diz respeito a vendas e produção.

O ambiente de negócios é altamente competitivo. As empresas, sejam grandes ou pequenas, não podem esperar competir e crescer sem um planejamento adequado. É preciso analisar o mercado atuante, as diversidades que refletem no plano de negócio e o campo de atuação a ser descrito com probabilidades de perdas e ganhos.

Diante de tais considerações, algumas questões permeiam o mercado da Dark Web e o tráfico de drogas. Como o processo venda e compra acontece dentro da Dark Web? Quais questões são relevantes para tais negociações? Qual a relação do produto com o cliente? Quem é o cliente? É certo que em um ambiente hostil como a Dark Web muito se difere o produto dos que se tem lá fora. Mas será que a abordagem e condução do plano de negócios são mesmo diferentes?

Sabe-se que consumidores do século 21 demonstram profunda insatisfação com experiências de consumo massificadas e procuram experiências autênticas e diversificadas (Thompson, 2006). Isso cabe para qualquer ramo de atuação/tipo de negócio. Esta tendência leva clientes a adotarem novos estilos de vida e passam a desenvolver um novo olhar para o mercado. Assim, consumidores desenvolveram um tipo de resistência ao consumo imediato. Toraram-se atentos e sensíveis a outras formas de adquirir produtos ou serviços. A evitar as formas convencionais principalmente quando a não convencional proporcionar certo conforto e segurança.

Price (1998) ressalta que outro ponto forte são os juros, taxas bancárias quando o cliente usa o cartão de crédito, cheques especiais; parcelas e juros são severamente analisados. A resistência ao consumo depreende-se assim com a tentativa de sair do modelo económico que predomina. Isso de certa forma, em qualquer tipo de negócio — e aqui não é diferente, isso acontece no tráfico de entorpecentes — pode desestruturar o mercado, quebrá-lo e moldar uma nova forma de mercado.

Esta nova tendência dos consumidores surgiu após a grande crise económica de 2008. A situação económica da época trouxe cortes nos orçamentos familiares e um decréscimo dos rendimentos de grande parte da sociedade. Este foi um dos principais fatores que ocasionou uma avalanche econômica. O nível de desemprego subiu e atingiu as famílias que tiveram de diminuir os gastos. Esta situação obrigou os consumidores a ponderarem as suas compras e a perceber aquilo em que podiam cortar por ser dispensável ou irrelevante. Esta quebra no consumo da sociedade e as consequentes dificuldades financeiras de pequenas empresas originaram um maior sentido de comunidade e um olhar mais atento à partilha com os outros. Isso diante de uma procura coletiva por empréstimos e produtos bancários para suprir o dinheiro inexistente. (Bostman & Rogers, 2011).

É óbvio que o ato ilícito de comprar entorpecentes faz com que a Dark Web seja um lugar para consumir sem ser apanhado. Isso leva milhares de usuários para lá. Então, diante dessa realidade, sendo que há diversos tipos de vendedores/produtores, a fidelização do cliente se dá por questões intrínsecas. Schumpeter (1997) afirma que a qualidade do produto é talvez o ponto forte dentro do mercado de drogas. Mas há também o atendimento e a forma de entrega. Isso, sem sombra de dúvidas, deixa o cliente com certo conforto em relação à transação.

Na questão do tráfico de drogas, o primeiro diferencial que a Dark Web oferece é a segurança. Depois o conforto. O fato de efetuar uma compra anônima e não precisar ir a um ponto de venda faz toda a diferença.

MODELO DE NEGÓCIO

Fredrickson, (2010), afirma que as plataformas mudaram o mercado e sistematizaram a dinâmica da economia. Os grandes players não são fabricantes, apenas estendem um serviço. Um bom exemplo é a Silk Road não fabrica/produz drogas, ela apenas disponibiliza os serviços de tráfico — intermedia a relação entre traficante/fornecedor e usuários.

Segundo Coomber (2014), quando nos aprofundamos no assunto percebemos que entre os 10 maiores fornecedores de drogas da Dark Web, pelo menos nove já migraram para a nova economia e seguem esse modelo para comprar coisas para o seu dia-a-dia. Isso pelo fato do plano de negócios, forma de trabalho trazer conforto e objetividade na busca de produtos, além do atendimento rápido.

Gansky (2010) fala sobre os modelos de negócios e ressalta a importância dos novos modelos, pois se ajustam com a tecnologia. O foco de sites como a Silk Road é o modelo open source, ou seja, que estejam abertos às conexões e direcionados a dar oportunidade para profissionais e clientes. Esse modelo não passa de um empréstimo de um local que proporcionará o encontro que gerará um negócio. Em troca, um percentual fica retido na plataforma que proporciona esse encontro.

ANÁLISE DE PORTER

É importante caracterizar os fatores de competitividade que são determinantes na estruturação de uma plataforma, site e distribuidor de serviços. Desta forma, deve ser notar a forma atuante e atrativa que a plataforma online tem no seu meio. Para Porter (1979), o que determina a atuação e sucesso no mercado é, basicamente, de cinco forças competitivas.

Portes (1979) sistematiza como a entrada de novos concorrentes, ameaça de produtos substitutos, poder de negociação dos clientes, poder de negociação dos fornecedores e rivalidade entre os concorrentes existentes. A rentabilidade é determinada por esses cinco indicadores. Eles são fundamentais para o desenvolvimento de estratégias.

Existe uma procura significativa por plataformas de atuação/vendas na Dark Web. Pelo mercado online ter se tornado cada vez mais fácil de usar a procura duplicou nos primeiros anos e em pouco tempo mais de 35 % dos internautas surfavam pela Deep Web. Com esse dado é possível que surjam ideias idênticas, sendo assim considerado o potencial de entrada de novos produtos no mercado.

Para além do crescimento deste mercado, o interesse em conceitos como partilha e colaboração têm aumentado exponencialmente, sendo que os consumidores estão cada vez mais atentos a novas formas de consumo colaborativo, elevando a probabilidade de impulsionar a entrada de novos concorrentes no mercado.

A UTILIZAÇÃO DO BITCOIN PELO MUNDO

O Japão aprovou uma lei que torna o Bitcoin moeda para pagamento on-line, eliminando os impostos e estabeleceu um marco regulatório para negócios baseados em Bitcoin. A Austrália removeu o duplo imposto  que penalizava os usuários e deu legalidade ao uso criptomoeda.

No Vietnam as transações acontecem, no entanto, o governo emitiu uma declaração em 2014 a se posicionar contra a criptomoeda e proibiu as instituições de crédito.

O governo da Islândia e posicionou a restringir o uso das criptomoedas. Um comunicado do Banco Central da Islândia em 2014 apresentou ser transgressor usar o Bitcoin. Assim, não há autorização para comprar moeda estrangeira de instituições financeiras na Islândia ou para transferir moeda estrangeira através das fronteiras com base em transações com moeda virtual. Apenas por esta razão, as transações com moeda virtual estão sujeitas a restrições na Islândia.

O Equador proíbe todas as criptomoedas. O governo decidiu desenvolver sua própria criptomoeda. A Assembleia Nacional do Equador aprovou um projeto de lei que altera as leis monetárias do país em julho de 2014, proibindo as criptoconversões e permitindo que o governo emita e transforme em seu “dinheiro eletrônico”.

Em maio de 2014, o banco central do país, El Banco Central de Bolívia proibiu o Bitcoin, algumas outras altcoins e demais moedas que fujam do estado.

O BITCOIN NO BRASIL

Em janeiro de 2018 a Superintendência de Relações com Investidores Institucionais da CVM desqualificaram as criptomoedas na posição de ativos financeiros. Dessa forma, a aquisição direta pelos fundos de investimento não era permitida.

O uso das criptomoedas foi autorizado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para o investimento indireto por meio de aquisições de derivativos e cotas de fundos do exterior. Dessa forma, prevê outros ativos negociados em terceiras jurisdições, desde que admitidos e regulamentados naqueles mercados. Na prática, uma pessoa poderia comprar cotas em um fundo, por exemplo, que tivesse 60% Bitcoin, 20% Ethereum e 20% Litecoin. Esse fundo faria a administração do dinheiro em troca, possivelmente, de uma comissão — similar a um fundo de ações.

O documento preocupa-se com a lavagem de dinheiro. Para a CMV, a maneira mais adequada é realizar os investimentos por meio das Exchange de criptomoedas que deveriam ser submetidas à supervisão de órgãos reguladores que tenham poderes para coibir tais práticas ilegais.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Embora se mantenha incerta no mercado convencional, agindo de forma especulativa, por conta da independência estatal, no mercado indexado a moeda cumpre o seu papel. O Bitcoin permanece em seu caminho que é fornecer uma nova forma global de moeda eletrônica. Para ser usada no lugar dos dólares americanos, euros ou outras moedas tradicionais.

A moeda digital continua sendo um fenômeno que cresce e muda o sistema monetário. Ainda é um mistério — devido à sua estrutura labiríntica — e embora estejam proibidas em vários países, as movimentações continuam em plataformas de troca de moeda o que garante avanço para se estabelecer no mercado.

A moeda bitcoins fez com que os sites acoplassem a ideia de anonimato para que se exercesse o contrabando. Isso fez com que a deep web e a darkwbe elegessem a moeda como fonte de pagamento. A criptomoeda é a moeda de troca na Dark Web. Isso facilitou a atuação de organizações criminosas, profissionais do crime, indústria do sexo e o tráfico de drogas presente na Dark Web.

A facilidade de negociação e o pagamento virtual com uma moeda online proporcionaram requisitos para que a Dark Web fosse o caminho mais fácil para negócios ilícitos. A Deep Web já carregava está agilidade em seu processo. A DArk Web surgia para facilitar a comercialização do impróprio. O que resultou em paradigmas que sustentaram fragmentos de que a moeda fosse um mecanismo para a atuação criminosa.

REFERÊNCIAS

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COOMBER, R., & Moyle, L. Beyond drug dealing: Developing and extending the concept of ‘social supply’ of illicit drugs to ‘minimally commercial supply’. Drugs: Education, Prevention, and Policy, 2014

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[1] Contador.

[2] https://guiadobitcoin.com.br/quem-e-satoshi-nakamoto/

Enviado: Janeiro, 2019.

Aprovado: Fevereiro, 2019.

 

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