Avaliação da massa muscular de pacientes hemodialíticos portadores e não portadores de diabetes mellitus

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ARTIGO ORIGINAL

PIMENTEL, Lincon Ribeiro [1] , SILVA, Juliana Marques Fontes [2] , BORGES, Géssica Santos [3] , MOURA, Milena Santos [4] 

PIMENTEL, Lincon Ribeiro. Et al. Avaliação da massa muscular de pacientes hemodialíticos portadores e não portadores de diabetes mellitus. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 06 , Ed. 02, Vol. 01, pp. 05-20. Fevereiro de 2021. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/nutricao/massa-muscular

RESUMO

Introdução: Alguns fatores presentes na doença renal crônica estão associados à inflamação e geram uma condição hipercatabólica, o que contribui para a desnutrição energético proteica de pacientes submetidos terapia renal substitutiva. A hiperglicemia acelera e agrava a sarcopenia. Diante das associações descritas acima, o presente estudo pretende avaliar a composição de massa muscular de pacientes hemodialíticos portadores e não portadores de Diabetes Mellitus, através de parâmetros antropométricos. Metodologia: Constitui-se de um estudo comparativo e transversal, sendo composto por avaliação dos prontuários de pacientes com insuficiência renal crônica que são submetidos ao tratamento de hemodiálise em uma instituição particular situada na cidade de Salvador – BA. No prontuário foram colhidas informações como idade, sexo, tipo da Diabetes e dados antropométricos. Resultados: Foram analisados prontuários de 45 pacientes no total, sendo 35 deles (77,8%) hemodialíticos não diabéticos e 10 (22,8%) hemodialíticos portadores de DM. Do total de pacientes analisados, 23 (51,1%) são do sexo feminino e 22 (48,9%) do sexo masculino. Os pacientes foram divididos em portadores e não portadores de Diabetes Mellitus. Discussão: Os resultados mostram que os pacientes diabéticos estão mais propensos ao excesso de peso, de acordo com o IMC. Conclusão: Diante dos resultados obtidos, pode-se perceber que pacientes não diabéticos apresentaram maior reserva de massa muscular quando comparados aos pacientes diabéticos.

Palavras – Chave: Doença Renal Crônica; Hemodiálise; Diabetes Mellitus; Sarcopenia; Antropometria.

1. INTRODUÇÃO

No Brasil, a Doença Renal Crônica (DRC) apresenta crescimento nas taxas de prevalência e incidência a cada ano, de modo significativo. No ano de 2000 a 2012, foi possível notar o crescimento de aproximadamente 2,3 vezes em 12 anos, correspondendo a uma taxa de prevalência de tratamento dialítico de 503 pacientes por milhão da população (pmp) (SESSO, 2014; PEREIRA, 2016).

Dados da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) indicam que o número estimado de pacientes em diálise no ano de 2016 foi de 122.825. As taxas de prevalência e de incidência de pacientes em tratamento dialítico foram 596 por milhão da população, 92% dos pacientes estavam em hemodiálise, 8% em diálise peritoneal, e 24% estavam em fila de espera para transplante. A taxa anual de mortalidade foi de 18,2% (SESSO, 2017).

De acordo com o estudo de Marinho et al. (2017), que avaliou a prevalência de doentes renais crônicos no Brasil, há um aumento na incidência de pacientes que iniciam o tratamento dialítico, o que sugere uma dificuldade na obtenção do tratamento da doença em estágios iniciais. O estudo ainda sugere que a falta de diagnósticos precoces dificultam o controle desses estadiamentos.

De acordo com a definição da Kidney Disease Outcome Quality Initiative – KDOQI (2002) caracteriza-se portador de Doença Renal Crônica (DRC) o indivíduo que apresentar uma taxa de filtração glomerular (TFG) menor que 60 mL/min/1,73 m² ou TFG acima de 60 mL/min/1,73 m² com presença de ao menos um problema renal parenquimatoso – a exemplo da proteinúria, presente há, pelo menos, 3 meses. Por ser irreversível, grande parte dos pacientes evoluem para uma terapia renal substitutiva, como as diálises ou transplante renal (BITENCOURT, 2013).

Com relação às causas da doença renal e seus potenciais fatores de risco, em 2016 as patologias mais frequentemente associadas foram HAS (34%) e diabetes (30%), seguidos por glomerulonefrite crônica (9%) e rins policísticos (4%) (SESSO,2017; INKER, 2014).

Uma das desordens mais frequentes na DRC é a desnutrição energético proteica (DEP), e pacientes em hemodiálise (HD) são um grupo de risco para desenvolvimento dessa patologia (RUPERTO, 2014; ALVARENGA, 2017). A depleção de massa muscular é um importante agravante do estado nutricional. Essa situação contribui para um estilo de vida sedentário, aumentando a morbimortalidade e reduzindo a qualidade de vida (BÖHM, 2017).

Alguns fatores presentes na DRC, como a uremia, a acidose e a própria HD, estão associados à inflamação e geram uma condição hipercatabólica, o que contribui para a DEP de pacientes submetidos à tal terapia renal substitutiva (TRS) (ESSADIK, 2017; REN, 2016). Devido à essa sobreposição de fatores, uma análise de composição corporal por meio da antropometria mostra-se relevante no acompanhamento clínico desses pacientes, pois esta pode auxiliar, de maneira simples, na identificação de um risco nutricional através da mensuração e classificação do percentual de massa muscular. A deterioração da função renal torna pacientes urêmicos mais vulneráveis ao desenvolvimento de sarcopenia, pois a redução da atividade dos rins pode trazer mudança na estrutura e atrofia da massa magra (SOARES, 2013).

A praticidade e o baixo custo da avaliação antropométrica tornam essa medida atraente para a análise do estado nutricional de indivíduos portadores de doenças crônicas. A prega cutânea tricipital (PCT) associada à circunferência do braço (CB) tem sido utilizadas para determinar a circunferência muscular do braço (CMB), e estes são parâmetros importantes na avaliação do estado nutricional de portadores de DRC em HD (SOARES, 2013).

A hiperglicemia – peculiar do diabetes (patologia frequentemente associada a DRC) – acelera e agrava a sarcopenia, ocasionando situações indesejadas, como ganho de peso entre as sessões, dificuldade no controle da hipertensão arterial sistêmica (HAS), hipercalemia grave, anorexia, fraqueza e alterações no nível de consciência ou apenas sintomas inespecíficos (SOARES, 2013).

Diante das associações descritas acima, o presente estudo pretende avaliar a composição de massa muscular de pacientes hemodialíticos portadores e não portadores de Diabetes Mellitus (DM), através de parâmetros antropométricos.

2. METODOLOGIA

Constitui-se de um estudo comparativo e transversal, sendo composto por avaliação dos prontuários de pacientes com doença renal crônica que são submetidos ao tratamento de hemodiálise em uma clínica particular situada na cidade de Salvador-BA. Foram avaliados 45 pacientes, com idade entre 23 e 72 anos, sendo 35 pacientes (77,8%) hemodialíticos não diabéticos e 10 pacientes (22,2%) hemodialíticos diabéticos. Os pacientes escolhidos realizavam hemodiálise no turno da manhã em dias alternados, desse modo a coleta de dados foi realizada em dias seguidos a fim de alcançar maior numero possível de pacientes coletando informações das duas turmas que realizaram hemodiálise ao longo da semana. Dentre os indivíduos diabéticos participantes da pesquisa, 5 pacientes eram homens (50%) e 5 eram mulheres (50%). Já os não portadores de DM, foram divididos em 17 pacientes (48,6%) homens, e 18 pacientes (51,4%), mulheres.

A coleta de dados foi feita nos dias 04 e 05 de maio de 2018, após a autorização dos proprietários da clínica, por meio da assinatura de um Termo de Consentimento. Os dados foram coletados a partir dos prontuários dos pacientes assistidos nestas datas, que permitiram a coleta e assinaram um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido – TCLE.

Foram incluídos na pesquisa pacientes classificados como adultos (de 20 à 59 anos de idade) e idosos (a partir de 60 anos) segundo a Organização Mundial de Saúde, portadores e não portadores de Diabetes Mellittus, com Doença Renal Crônica em programa de hemodiálise, sem intercorrências clínicas ou interrupção no tratamento, e com condições de se comunicar e informar o estado de saúde. Foi utilizado como critério de exclusão, pacientes em uso de cateter e sem fístula arteriovenosa (FAV), pacientes com hiperparatireoidismo secundário, pacientes com osteodistrofia e pacientes ausentes.

Os pacientes em critério de exclusão possuíam condições associadas que aumentavam os riscos de alterações na massa magra, comprometendo o objetivo do presente estudo de avaliar a massa muscular dos pacientes hemodialíticos portadores e não portadores de diabetes mellitus.

Os dados contidos nos prontuários foram coletados na própria clínica com auxilio do Nutricionista da unidade, que realizou avaliação antropométrica, utilizando parâmetros como:

  • Peso: aferido em balança digital;
  • Altura: aferido através de estadiômetro;
  • Circunferência Braquial (CB): aferido através de fita inelástica, e;
  • Prega Cutânea Tricipital (PCT): aferido através de adipômetro.

No prontuário foram colhidas informações como idade, sexo, tipo da Diabetes e dados antropométricos (peso, altura, CB e PCT).

A partir das medidas coletadas, foram calculados os seguintes parâmetros: Índice de Massa Corporal (IMC), Circunferência Muscular do Braço (CMB), Adequação de PCT (%PCT), Adequação de CB (%CB) e Adequação da CMB (%CMB).

O IMC foi calculado por meio da razão do peso corporal e o quadrado da altura, sendo classificado segundo a Organização Mundial da Saúde (1998) para adultos, e segundo Lipschitz (1994) para idosos. A CMB foi calculada a partir da seguinte fórmula: CMB (cm) = CB (cm) – π x (PCT (mm) ÷ 10). Os valores anotados de PCT, CB e CMB foram comparados aos valores propostos por Frisancho (1990) e, logo após, foram efetuadas as adequações e classificadas de acordo com Blackburn (1979), a saber: desnutrição grave (adequação menor do que 70%), desnutrição moderada (adequação entre 70 e 80%), desnutrição leve (adequação entre 80 e 90%) e eutrofia (adequação entre 91 e 110%).

Os dados adquiridos foram analisados no softwere Microsoft Office Excel 2013, com propósito de calcular o resultado dos valores antropométricos coletados.

3. RESULTADOS

Foram analisados prontuários de 45 pacientes no total, sendo 35 deles (77,8%) hemodialíticos não diabéticos e 10 (22,8%) hemodialíticos portadores de DM. Do total de pacientes analisados, 23 (51,1%) são do sexo feminino e 22 (48,9%) do sexo masculino. Os pacientes foram divididos em portadores e não portadores de Diabetes Mellitus.

De acordo com o parâmetro sexo, não houve grande diferença  nas quantidades de homens e mulheres avaliados. No grupo dos diabéticos, 5 pacientes (50%) eram homens e 5 (50%), mulheres. Já o dos não diabéticos foi dividido em 17 pacientes (48,6%) homens, e 18 pacientes (51,4%), mulheres.

Segundo o diagnóstico nutricional a partir do IMC, o grupo dos diabéticos apresentou menor percentual de eutrofia e maior de excesso de peso (50% e 40%, respectivamente) quando comparados ao grupo dos não portadores de DM, que teve 60% dos seus pacientes em eutrofia e 22,84% em excesso de peso. Ainda no grupo dos não diabéticos, 17,12% representam os pacientes desnutridos, enquanto no outro grupo esse número foi de 10%. O gráfico representado na Figura 1 ilustra as classificações dos grupos.

Figura 1. Diagnóstico nutricional de pacientes hemodialíticos diabéticos e não diabéticos, segundo o IMC.

Fonte: Autoral.

Quanto às classificações de Adequação da CB, nota-se uma variação entre desnutrição e obesidade. Nesse parâmetro, pelo menos metade dos pacientes de ambos os grupos encontram-se eutróficos (50% dos diabéticos e 51,43% dos não diabéticos). Um maior percentual de excesso de peso é observado no grupo dos diabéticos, que estão distribuídos em 20% de sobrepeso e 10% de obesidade, enquanto 8,57% dos não diabéticos estão em sobrepeso e 5,71% obesos. Em desnutrição, o grupo dos diabéticos apresenta 20% e o dos não diabéticos, 28,56%. O gráfico representado na Figura 2 detalha os diagnósticos obtidos a partir da adequação da CB, para cada grupo.

Figura 2. Diagnóstico nutricional de hemodialíticos diabéticos e não diabéticos, segundo Adequação da CB.

Fonte: Autoral.

Nos diagnósticos referentes à Adequação da PCT, houve diferença importante nos percentuais de entre os dois grupos. No grupo dos diabéticos, 40% dos pacientes estavam eutróficos. Já entre os indivíduos não diabéticos apenas 5,71% estavam dentro da faixa de normalidade. Entre os desnutridos em geral, foram identificados 40% no grupo dos diabéticos, e no outro grupo esse número foi de 65,71%. Quanto aos obesos, os diabéticos apresentaram 20% e os não diabéticos, 28,57%. Os resultados podem ser analisados a partir da Figura 3.

Figura 3. Diagnóstico nutricional de pacientes hemodialíticos diabéticos e não diabéticos, segundo Adequação da PCT.

Fonte: Autoral.

Por fim, no parâmetro de maior correlação com a massa muscular (Adequação da CMB), a grande maioria dos pacientes analisados de ambos os grupos apresentou-se dentro da faixa de normalidade. Porém, o percentual de eutrofia no grupo dos não diabéticos (82,86%) se sobrepôs ao dos diabéticos (80%). Em contrapartida, foram identificados mais diabéticos em desnutrição (20%) do que não diabéticos (17,13%). A análise deste parâmetro pode ser observada a partir da Figura 4.

Figura 4. Diagnóstico nutricional de pacientes hemodialíticos diabéticos e não diabéticos, segundo Adequação da CMB.

Fonte: Autoral.

4. DISCUSSÃO

4.1 IMC

Os resultados mostram que os pacientes diabéticos estão mais propensos ao excesso de peso, de acordo com o IMC. Esse fato pode ser explicado pela correlação existente entre essa patologia e o excesso de peso, uma vez que tal desordem pode desencadear a resistência insulínica e, por consequência, o DM (SBD, 2018). Essa constatação também foi observada no estudo de Flor et al. (2015), que obteve resultados positivos quanto a prevalência do excesso de peso na patologia do DM, ao identificar um percentual de 70,6% entre as mulheres e 60,3% entre os homens, segundo análise do IMC.

O estudo de Yigit et al. (2016) também confirma o resultado obtido neste estudo, ao identificar um maior percentual de eutrofia em diabéticos hemodialíticos, quando comparados às outras classificações referentes ao  IMC.

Essa evidência mostra que, ainda que exista uma sobreposição de fatores que contribuem para a perda ponderal nos pacientes hemodialíticos diabéticos, o IMC não sofreu grande interferência dessas condições metabólicas nos indivíduos analisados.

4.2 ADEQUAÇÃO DA CB

Ao avaliar a composição de tecido muscular e adiposo, a adequação da CB classificou a maioria dos pacientes como eutróficos, tanto entre os diabéticos (50%) quanto entre os não diabéticos (51,43%). A desnutrição entre os não diabéticos foi superior ao outro grupo: enquanto o primeiro alcançou 28,56%, o segundo é representado por 20% dos pacientes.

Diante desta análise, é possível perceber que a maior parte dos pacientes de ambos os grupos tem boas reservas (de massa magra e gorda). No entanto, ainda é imprecisa a análise da CB em relação à composição de massa magra, haja vista que esta não é analisada individualmente por esse parâmetro. Por isso, a interferência do tecido adiposo pode negligenciar os resultados, principalmente diante da observação dos resultados da adequação da PCT, que indicaram maior percentual de diabéticos com boa/ elevada reserva de tecido adiposo – o que pode superestimar os valores de eutrofia/ obesidade neste parâmetro para esse grupo.

4.3 ADEQUAÇÃO DA PCT

Em relação à adequação da PCT, houve uma diferença importante nos resultados encontrados. Quando comparados aos pacientes diabéticos, os indivíduos não diabéticos apresentaram um maior número de desnutridos, o que pode ser explicado pela correlação do DM com o excesso de tecido adiposo (FLOR, 2015). Tendo em vista que o parâmetro de PCT avalia a massa de tecido adiposo, os pacientes diabéticos tendem a apresentar maiores medidas de massa gorda, acarretando diagnósticos menos voltados à deficiência deste tecido.

Os resultados desse estudo corroboram com aqueles obtidos no estudo de Machado et al. (2013), que, ao avaliar pacientes em tratamento por HD, também encontrou um maior percentual de desnutridos graves (63,3%) em comparação às outras classificações de PCT.

4.4 ADEQUAÇÃO DA CMB

Os diagnósticos obtidos a partir da adequação da CMB explanaram que, ainda que os pacientes apresentem a patologia da DRC – que tem característica catabólica e pode gerar desde perdas ponderais à sarcopenia – associado ao processo de HD (que também estimula perda de massa muscular), eles se mantém eutróficos, em sua grande maioria. Nos hemodialíticos diabéticos a deficiência de massa magra mensurada a partir da CMB é mais notada do que no outro grupo, apesar da pouca diferença entre as proporções: 80% de eutróficos e 20% de desnutridos dos diabéticos, contra 82,86% de eutróficos e 17,13% de desnutridos dos não diabéticos (SOUZA, 2015; SOARES, 2013).

A análise feita através da CMB demonstrou pouca influência da associação do DM nos pacientes renais em HD, no que se refere à alteração da composição de massa muscular destes. Os diagnósticos foram semelhantes, com percentuais próximos entre os grupos. Contudo, os diabéticos apresentaram menor quantidade de eutróficos e maior de desnutridos do que os não diabéticos. A classificação de eutrofia entre pacientes hemodialíticos também prevaleceu no estudo de Machado et al. (2013), em comparação às  demais classificações relacionadas à CMB.

As respostas desta análise merecem atenção, uma vez que a conduta nutricional pode contribuir para a melhora do quadro clínico dos pacientes hemodialíticos portadores de DM, ao realizar ajustes relacionados a essa comorbidade, além da daqueles pertinentes à DRC em estágio final com tratamento por HD.

O estudo de Yigit et al. (2016) identificou um maior número de pacientes hemodilíticos (entre diabéticos e não diabéticos) em condições de normalidade de acordo com as medidas de CB e CMB. Tal resultado foi semelhante aos do presente estudo, pois, apesar de apresentarem-se em diferentes classificações (desnutridos e eutróficos), houve pouca diferença nas medidas de CB e CMB entre os grupos.

De maneira geral, os resultados das adequações de CB e CMB contradizem aqueles obtidos no estudo de Sousa et al. (2017), que avaliou pacientes em HD. Neste, os pacientes desnutridos prevaleceram sobre os eutróficos, segundo as adequações de CB e CMB, enquanto nos indivíduos analisados neste estudo ocorreu o inverso. Porém, de acordo com o parâmetro da PCT, os resultados foram semelhantes, observando-se um maior percentual de desnutridos entre os pacientes não diabéticos.

Considerando a análise conjunta das variáveis antropométricas analisadas, foi observado que: o IMC indicou maior excesso de peso em indivíduos diabéticos; a CB – que avalia tecido adiposo e muscular – obteve maior classificação de eutróficos entre os não diabéticos; a adequação da PCT indicou déficit de tecido adiposo em indivíduos não diabéticos, e; a adequação da CMB (que avalia a massa magra) apresentou valores semelhantes entre os grupos, indicando eutrofia em, pelo menos, 80% dos avaliados

5. CONCLUSÃO

Diante dos resultados obtidos, pode-se perceber que pacientes não diabéticos apresentaram maior reserva de massa muscular quando comparados aos pacientes diabéticos.

O resultado encontrado deve ser levado em consideração no momento da conduta nutricional. Deste modo, sugere-se que ajustes nutricionais voltados para a manutenção/ recuperação de massa magra de hemodialíticos diabéticos sejam mais direcionados, já que estes apresentaram um quadro maior de sarcopenia entre os avaliados. Porém, sabe-se que o presente estudo apresenta limitações, como numero pequeno de população pesquisada e análises simples (percentuais), podendo influenciar nos resultados encontrados. Assim, sugere-se a realização de novas pesquisas a fim de verificar fatores que estariam influenciando no estado nutricional desta população.

6. REFERÊNCIAS

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ANEXOS

ABREVIATURAS E SIGLAS

CB: Circunferência do Braço

CMB: Circunferência Muscular do Braço

DEP: Desnutrição Energético Proteica

DM: Diabetes Mellitus

DRC: Doença Renal Crônica

FAV: Fístula Arteriovenosa

HD: Hemodiálise

IMC: Índice de Massa Corporal

KDOQI: Kidney Disease Outcome Quality Initiative

PCT: Prega Cutânea Triciptal

SBD: Sociedade Brasileira de Diabetes

SBN: Sociedade Brasileira de Nefrologia

TFG: Taxa de Filtração Glomerular

TRS: Terapia Renal Substitutiva

[1] Mestre em Alimentos, Nutrição e Saúde. Professor na Universidade Salvador, Escola de Ciências da Saúde, Curso de Nutrição. Salvador, Bahia, Brasil.

[2] Graduanda na Universidade Salvador, Escola de Ciências da Saúde, Curso de Nutrição. Salvador, Bahia, Brasil.

[3] Graduanda na Universidade Salvador, Escola de Ciências da Saúde, Curso de Nutrição. Salvador, Bahia, Brasil.

[4] Graduanda na Universidade Salvador, Escola de Ciências da Saúde, Curso de Nutrição. Salvador, Bahia, Brasil.

Enviado: Agosto de 2020.

Aprovado: Janeiro de 2021.

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