Alimentação Complementar: Uma Pesquisa Teórica Sobre Consumo De Açúcar Por Lactentes E Suas Consequências

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ARTIGO DE REVISÃO

PEREIRA, Dayane Peclat [1]

PEREIRA, Dayane Peclat. Alimentação Complementar: Uma Pesquisa Teórica Sobre Consumo De Açúcar Por Lactentes E Suas Consequências. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 06, Ed. 04, Vol. 10, pp. 105-122. Abril de 2021. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/nutricao/acucar-por-lactentes

RESUMO

Observa-se que, no Brasil, existe notável falta de conhecimento e aplicabilidade do mesmo, quando o assunto em pauta são hábitos alimentares saudáveis. Em detrimento disto, a introdução alimentar sofre grande impacto, culminando na manutenção de hábitos ruins e que se propagam pela juventude e vida adulta. Por este motivo, o presente estudo teve o objetivo de analisar e avaliar as consequências da introdução precoce do açúcar na saúde de crianças menores de dois anos através de revisão bibliográfica e análise quantitativa de rótulos de alimentos direcionados ao público infantil. Este consumo precoce se dá de forma bastante frequente e exacerbada, sendo este um fato preocupante para os profissionais de saúde, visto que, pode causar diversos prejuízos à saúde da criança, como cáries, desinteresse por alimentos saudáveis, assim como danos futuros, como o surgimento de diversos tipos de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT). Este consumo está associado a diversos fatores, dentre os quais, podemos citar: falta de informação por parte da mãe ou do cuidador, marketing e propaganda direcionados para crianças e também os fatores socioeconômicos, tornando primordial realizar um acompanhamento multiprofissional, tanto com a criança, quanto com o cuidador, no intuito de alertar e mudar este cenário.

Palavras-chaves: Nutrição, Alimentação infantil, Crianças, Hábitos inadequados.

1. INTRODUÇÃO

Após os seis meses de idade, é recomendado iniciar a alimentação complementar, seguindo as orientações da Organização Mundial de Saúde (OMS) e da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), visto que, a partir desta idade, o leite materno não é mais suficiente para suprir as necessidades nutricionais das crianças (OMS, 2015).

De acordo com os dez passos para a alimentação saudável para crianças menores de dois anos de idade, deve-se evitar açúcar, café, enlatados, frituras, refrigerantes, balas, salgadinhos e outras guloseimas, nos primeiros anos de vida. Porém, vem sendo observado que, está recomendação é, muitas vezes, deixada de lado e estes alimentos não recomendados são ofertados às crianças, até mesmo antes dos seis meses de vida, período em que o aleitamento materno deveria se dar de forma exclusiva (MS, 2010).

Esta introdução precoce de alimentos não recomendados está associada a alguns fatores que influenciam na alimentação do lactente, dentre os principais, podemos destacar a falta de conhecimento por parte do cuidador, levando a introdução errônea de certos alimentos, por acreditarem que estes são necessários para as crianças, a idade e grau escolaridade materna, o marketing deste tipo de produto, que é direcionada ao público infantil e acaba por estimular o seu consumo, e também a situação socioeconômica da família, quanto mais alto o poder aquisitivo, maior tende a ser o consumo de alimentos ultra processados, ricos em açúcar, sódio e aditivos alimentares (LIMA et al., 2014).

Como consequência destes hábitos inadequados, podemos observar diversos prejuízos à saúde das crianças, tais como o surgimento de cáries precoces na infância (CPI), de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), principalmente obesidade e diabetes e também o surgimento de alergias ou intolerâncias alimentares (KRAUSE, 2013).

A partir desde cenário, podemos afirmar que o papel do nutricionista é fundamental para que a introdução alimentar se dê de forma saudável e consciente, o que é imprescindível, uma vez que os alimentos ofertados nos primeiros anos de vida tendem a gerar preferências futuras. O acompanhamento nutricional da mãe, tanto no período pré-natal, quanto no período pós-natal, também é fortemente aconselhado, pois é observado que a programação metabólica influencia no estado nutricional da criança nos primeiros anos de vida, que algumas substâncias voláteis são transmitidas através do leite materno (LM), e que a alimentação da mãe pode levar ao surgimento de alergias no bebê (VÍTOLO et al., 2014).

Foi identificado um aumento considerável da incidência de DCNT em crianças e adultos e surgiu a necessidade de investigar tal fato. Qual ou quais os fatores que potencializam esse aumento? Esses fatores acontecem isoladamente ou existe uma combinação de fatores para que isso aconteça?

Para obter os resultados e respostas acerca da problematização apresentada neste trabalho foi feita uma análise de diversos artigos e livros do tema através de uma pesquisa teórica. O estudo deste trabalho será fundamentado em ideias e pressupostos de teóricos que apresentam significativa importância na definição e construção dos conceitos discutidos nesta análise: O consumo de açúcar por lactentes e suas consequências. Para tal, tais objetos serão estudados em fontes secundárias como trabalhos acadêmicos, artigos, livros e afins, que foram aqui selecionados.

Assim sendo, o trabalho transcorrerá a partir do método conceitual-analítico, visto que utilizarei conceitos e ideias de outros autores, semelhantes com os meus objetivos, para a construção de uma análise científica sobre o objeto de estudo.

O presente estudo foi realizado com base em livros e periódicos nacionais e internacionais que correlacionam com o tema nos últimos dez anos. Para o levantamento da pesquisa foram utilizados dados das revistas científicas: SCIELO (Scientific Electronic Library Online), PUBMED (PublicMedline) e Google Acadêmico, que permitem o acesso a artigos publicados em periódicos de alta qualidade no período de Fevereiro de 2020 a Agosto de 2020, utilizando como palavras-chave: Nutrição, alimentação infantil, crianças, hábitos inadequados. Foi realizada também a análise quantitativa de rótulos dos principais alimentos consumidos pela população lactente, afim de avaliar açúcar e calorias presentes nos mesmos.

Observa-se que, no Brasil, existe notável falta de conhecimento e aplicabilidade do mesmo, quando o assunto em pauta são hábitos alimentares saudáveis. Em detrimento disto, a Introdução Alimentar sofre grande impacto, culminando na manutenção de hábitos ruins e que se propagará pela juventude e vida adulta.

A Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE2015), mostra que 32,3% de crianças com idade até 2 anos consomem refrigerantes e sucos artificiais. Este consumo precoce do açúcar pode gerar consequências graves no presente e no futuro dessas crianças, adolescentes, adultos e futuros pais e educadores alimentares.

Obesidade e diabetes são as principais doenças apontadas como consequências de uma dieta calórica e rica em açúcar. Assim, trazemos em discussão a importância de uma alimentação adequada para essa faixa etária, apresentando os impactos que a má alimentação pode causar. Desta forma, conseguiremos entender a necessidade de fornecer uma alimentação saudável a essas crianças, desde os primeiros anos de vida. Com base em  meus conhecimentos acadêmicos e desse estudo, posso e pretendo contribuir para a transformação e melhoria da saúde de futuros adultos.

O objetivo deste trabalho é analisar e avaliar as consequências da introdução precoce do açúcar na saúde de crianças menores de dois anos. Por meio dos seguintes tópicos: Avaliar a prevalência do consumo de alimentos ricos em açúcar na alimentação complementar; Identificar fatores que levam à introdução precoce do açúcar em lactente; Discutir os impactos futuros na saúde da criança; Analisar a quantidade de açúcar presente em produtos voltados para o público infantil, através da rotulagem nutricional.

2. REVISÃO DE LITERATURA

2.1 FATORES QUE INFLUENCIAM NA ALIMENTAÇÃO DO LACTENTE

Existem diversos fatores que podem influenciar no consumo alimentar do lactente. Dentre eles, podemos citar: a fata de conhecimento, idade materna, marketing e propaganda de produtos voltados para alimentação infantil, situação financeira, convívio social, inserção da mulher no mercado de trabalho, dentre outros.

2.1.1 MARKETING

O Estatuto da criança e do adolescente prevê que o público infantil tem o direito à informação, à cultura e a produtos e serviços que sejam adequados à sua idade e ao seu estágio de desenvolvimento (HENRIQUES, 2010).

Assim a publicidade para tal público, torna-se abusiva, aproveita-se do fato da criança ser vulnerável devido ao seu processo incompleto de formação psíquica e física (INSTITUTO ALANA, 2013).

A criança devido a sua hipossuficiência cognitiva, não tem condições de avaliar criticamente o que lhe é apresentado, entretanto quem anuncia o produto sabe exatamente as características daquele produto que está sendo vendido (INSTITUTO ALANA, 2013).

Algumas formas de propagandas na mídia acabam difundida por influências na escolha da alimentação da criança devido a comparação com alimentos de alto poder nutritivo, temos como exemplo: “Danoninho vale mais por um bifinho”, apesar da propaganda ter sido proibida acabou se estabelecendo no meio social (LIMA et al., 2014).

2.1.2 ESCOLARIDADE E IDADE MATERNA

O consumo de bebidas ou alimentos açucarados é influenciado pelo baixo poder aquisitivo, pouca idade e grau de instrução da mãe (PESSANHA et al., 2018)

A idade materna é um dos fatores que influenciam negativamente no consumo alimentar do bebê. Mães jovens, por falta de informação ou “pressa” em voltar a sua rotina normal, tendem a ofertar alimentos industrializados antes dos 6 meses, optam pela praticidade pois acreditam que assim ganham mais tempo para conciliar suas outras atividades (LIMA et al., 2014).

Os hábitos alimentares estão inseridos nos grupos sociais, sendo reproduzido pelas mães adolescentes com mais facilidade, as representações que são desenvolvidas são portando baseadas de acordo com o contexto social em que o indivíduo está inserido, supondo que a mãe adolescente pela sua pouca experiência estabelece de forma inapropriada a alimentação do seu filho, a partir do que é compartilhado e reproduzido como alimentação adequada e rotineira pelo seu grupo (LIMA et al., 2014).

Em relação a baixa escolaridade materna haverá influência negativa sobre as informações de prática alimentares saudáveis em relação a mulher com maior número de anos escolares, pois pode acarretar a possível dificuldade em compreender materiais educativos fornecidos pelo serviço de saúde (DALLAZEN et al., 2018).

2.1.3 SITUAÇÃO SOCIOECONÔMICA

O convívio social da criança é outro fator importante na alimentação. Mães pertencentes às famílias com menor renda, costumam, com maior frequência, oferecer uma alimentação inadequada ao lactente devido à baixa aceitação do aleitamento materno nos primeiros dois anos de vida (SOTERO et al., 2015).

Encontra-se um alto consumo de açúcar e produtos industrializados em crianças antes dos 12 meses de famílias que possuíam uma renda per capita de R$ 59,19 (SOTERO et al., 2015).

2.2 CONSEQUÊNCIAS DA ALIMENTAÇÃO RICA EM AÇÚCAR

Existem vários fatores que influenciam a introdução precoce do açúcar nos lactentes, como consequência disso é o aumento das DCNT em crianças (KRAUSE, 2013).

2.2.1 OBESIDADE

A obesidade se define por um distúrbio do metabolismo energético e é uma doença crônica, muito complicada e sua prevalência vem crescendo cada vez mais no Brasil e com isto é uma das pioneiras das DCNT. Seu índice de mortalidade também vem crescendo ao passar dos anos, isso ocorre pela falta de informação, mudanças nos hábitos alimentares e o estilo de vida das pessoas (KRAUSE, 2013).

Um estudo realizado pelo IBGE mostra que mais de 50% da população encontra-se sobrepeso e obesos. A prevalência da obesidade infantil vem crescendo cada vez mais, chegando a 15% no Brasil e assim o número de crianças com sobrepeso e obesas no mundo poderá chegar a 75 milhões caso nada seja feito para modificar isto (IBGE, 2013).

Sabemos que a obesidade infantil pode ser uma predisposição genética, porém o aumento dessa doença é tão grande que não podemos só considerar um problema genético e sim fatores que contribuem para ingestão energética em excesso dessas crianças. (KRAUSE, 2013).

Nos seis primeiros meses de vida, o aleitamento materno exclusivo é recomendado, não sendo recomendada a complementação da dieta com qualquer outro tipo de alimento. Após os seis meses, a introdução de alimentos como frutas, legumes e verduras deve ser lenta e gradual conforme a aceitação da criança, mas infelizmente essa não é a realidade da maioria das crianças, pois a introdução precoce de refrigerantes, doces, sucos e complementos à base de carboidratos está cada vez mais precoce. A consequências da introdução alimentar inadequada e precoce de açúcares é uma população adulta obesa e doente (OLIVEIRA; FISBERG, 2003).

Além do consumo de alimentos ricos em açúcares simples e baixo consumo de frutas, legumes e verduras, existem também outros fatores que contribuem para o aumento deste índice para a obesidade infantil como, o aumento das porções servidas, a presença de TV, computadores e videogame nas residências no momento de realizar as refeições e diminuição de práticas de exercícios físicos (OLIVEIRA; FISBERG, 2003).

2.2.2 DIABETES MELLITUS TIPO 2

DM tipo 2 é uma doença crônica que afeta a forma como o corpo metaboliza glicose, é a forma mais comum de diabetes, sendo secundária a fatores extra pancreáticos que ocasionam redução na sensibilidade à insulina endógena (KRAUSE, 2013).

Com o aumento de tecido adiposo na criança a captação de insulina pelos receptores é reduzida, chegando, em alguns casos, bloqueada, aumentando a concentração de glicose no sangue, assim o pâncreas produz mais hormônio, não conseguindo atender a demanda por muito tempo, os níveis de glicose sobem e com isso é desenvolvida a DM tipo 2 (DIAS; MACIEL; SABLICH, 2007).

DM tipo 2 era considerada uma doença menos comum na infância, mas nas últimas décadas e em países industrializados observa-se um aumento da incidência desta doença. É uma doença que afeta principalmente crianças obesas, que por suas consequências são crianças que tiveram uma alimentação rica em alimentos de baixo valor nutricional, a introdução precoce de alimentos diabetogênicos, ricos em gorduras e pobres em fibras. Outros fatores importantes são o sedentarismo e a facilidade dos produtos industrializados (GABBAY et al., 2003).

2.2.3 CÁRIE

A cárie dentária é uma doença não transmissível mais prevalente do mundo. A cárie ocorre devido os ácidos orgânicos produzidos pelo metabolismo de levar à desmineralização gradual do esmalte do dente, seguida de rápida destruição proteolítica de estrutura do dente (KRAUSE, 2013).

A cárie precoce na infância (CPI), ou a cárie de mamadeira, afeta os dentes frontais superiores e algumas vezes os dentes pósteros inferiores. A CPI é comum entre as crianças com dietas ricas em açúcar ao longo do dia e da noite, principalmente se forem oferecidas mamadeiras ou bebidas adocicadas à essas crianças na hora de dormir (KRAUSE, 2013).

A introdução precoce de alimentos com açúcares é desvantajosa pois além de diminuir a duração do aleitamento materno e absorção de nutrientes importantes, contribui para o aumento do risco contaminação e o desenvolvimento de cárie dentária (BIRAL et al., 2013).

Uma boa nutrição e hábitos alimentares saudáveis são fatores importantes que contribuem para uma boa saúde oral. A ingestão adequada de nutrientes é necessária para produzir dentes fortes e gengivas saudáveis, por tanto assim introduzir alimentos adequados em idades corretas é fundamental para uma boca sem cáries (KRAUSE, 2013).

2.2.4 ALERGIA ALIMENTAR

Alergia alimentar é a forma como o corpo recebe e processa o alimento onde ocorre uma reação adversa a um antígeno alimentar mediada por mecanismos fundamentalmente imunológicos. Alergia alimentar vem se tornando um problema

nutricional e principalmente em lactentes, pois além de imaturidade do seu sistema imunológico, os mesmos são apresentados precocemente alimentos alergênicos como os processados ricos em açúcares, corantes artificiais e leite de vaca (COSTA et al., 2012).

Existe uma ampla variedade de manifestações associadas à alergia alimentar, podendo ser gastrointestinais como vômitos e diarréias, cutâneas como urticária e eritema, respiratória como asma brônquica e tosse, sistêmica como anafilaxia e hipotensão arterial ou condições com possível comportamento alérgico como síndrome do intestino irritável e otite média, por isso é muito importante o cuidado para que isso não ocorra com crianças, pois essas reações podem ser fatais (KRAUSE, 2013).

A prevenção é a melhor maneira para que não ocorra o desenvolvimento da alergia alimentar em lactentes, como uma dieta restritiva, pois sabemos que a acidez gástrica, a atividade proteolítica, a produção e secreção do muco jejunal, e o sistema imunológico, passam por um processo de maturação e se essas crianças ingerem alimentos alergênicos antes do recomendado, podem acarretar grandes dificuldades à sua saúde levando a morte. Por tanto a amamentação no tempo correto, uma orientação nutricional adequada e a exclusão de alimentos como iogurtes, balas e bolos do cardápio desses pacientes, podemos evitar problemas na saúde da população infantil (PEREIRA et al., 2008).

2.3 IMPORTÂNCIA DO NUTRICIONISTA NA PROMOÇÃO DA ALIMENTAÇÃO COMPLEMENTAR ADEQUADA

É de extrema importância a figura do nutricionista nessa etapa da vida, pois é nessa fase que as modificações biológicas acontecem a todo vapor para o desenvolvimento e alterações no corpo de um futuro adulto e se essa criança não tem suas necessidades nutricionais e energéticas adequadas para o seu melhor crescimento, ela provavelmente terá muitas complicações na fase adulta (KRAUSE, 2013).

A OMS recomenda uma redução na ingestão pelo menos de 5% de açúcares livres, tanto para adultos como para crianças, sabendo que grande ingestão de açúcares livres não é uma boa opção para aumento de ingestão calórica. Entendendo assim que uma orientação nutricional com uma dieta adequada para cada indivíduo separadamente, cada um com a sua exclusividade, é a melhor opção para a saúde da população (OMS, 2015).

Todos esses fatores ocorrem já na gestação quando uma mulher que não tem conhecimento algum do que é importante comer para suprir suas necessidades e do bebê. Logo após vem o nascimento do bebê onde muitas mulheres não sabem que a amamentação é recomendada exclusiva nos seis primeiros meses e assim começam a introdução precoce dos alimentos e principalmente produtos industrializados como refrigerantes, guloseimas e salgadinhos, e isso se estende por meses. Por isso o nutricionista tem um papel importante, que é dar conhecimento e orientação a essas gestantes para manter a amamentação no tempo correto e a restrição desses produtos que trazem tantos malefícios para seus filhos. Para isso o nutricionista deve implantar estratégias educacionais alimentares, voltada para essas mães onde passa o conhecimento do que se deve ou não comer, dando opções de alimentos saudáveis. Mostrar ações que possam modificar esses hábitos, como os Dez passos para uma Alimentação Saudável (VÍTOLO et al., 2014).

Essa implantação também deve ocorrer em creches e escolas, para incentivar e estimular essas crianças a comerem frutas, verduras e legumes variados no seu dia-dia e desestimulando introdução de alimentos ricos em açúcares e industrializados. O nutricionista também deve levar conhecimento para as pessoas responsáveis pelos preparos das refeições das crianças nestas instituições, mostrando opções de cardápio e modos de preparo, tornando uma alimentação agradável, saborosa e ao mesmo tempo dando aporte energético adequado para essas crianças (VÍTOLO et al., 2014).

A formação de bons hábitos alimentares deve começar mais cedo possível e por isso é muito importante apresentar desde cedo a essas crianças variedade de alimentos, sempre dando preferência a alimentos mais nutritivos e in natura. É normal que as crianças rejeitem frutas, legumes e verduras no primeiro momento, principalmente se ele não tiver o costume de comê-las em casa, mas o papel do nutricionista e justamente persistir e mostrar estratégias para que essa alimentação não seja tão complicada. Se essa criança é apresentada primeiramente para os alimentos com açúcares e industrializados é muito mais difícil tirar esses vilões da sua dieta. O nutricionista, junto com a colaboração dos pais, consegue implantar uma alimentação adequada para essa criança e cuidar assim da saúde desses pequenos (OMS, 2002).

O nutricionista deve ir além da nutrição, ele tem também o papel de dá informações sobre os alimentos, dando orientações a população na melhoria na qualidade desses alimentos. E sabendo da importância da educação alimentar e nutricional, o nutricionista deve promover práticas saudáveis, ações educativas e mudanças na alimentação dessas crianças. A educação alimentar e nutricional está associada à produção de informações, análises, recomendações e orientações sobre melhores escolhas para um consumo adequado dos alimentos e se isso é implantado desde cedo para as crianças, consequência disto é a melhoria na saúde deles, prevenindo-os de DCNT e outras patologias (SANTOS, 2005).

Observamos e entendemos que as DCNT como a obesidade, DM tipo 2, cáries e alergia alimentar que vem crescendo radicalmente em todo o Brasil, conseguem ser controladas e até mesmo ser combatidas, se todos tivessem a conscientização que alimentação não é um mau e sim uma necessidade muito importante para nos manter vivos com e saúde podendo viver por muitos anos (KRAUSE, 2013).

3. DISCUSSÃO E RESULTADOS

Foram avaliados os líquidos em uma porção de 100ml e os sólidos em uma porção de 45g, os refrigerantes foram avaliados cinco marcas, os sucos industrializados foram avaliados quatro marcas e o petit suisse e os biscoitos foram avaliados quatro marcas.

No gráfico 1 foram avaliadas cinco marcas diferentes de refrigerantes, observamos que o que apresentou maior quantidade de açúcar em uma porção de 100mL foi a Dolly ® , seguido da Pepsi ® , Cola-Cola ®, Guaraná Antarctica® e por último o Fanta Laranja® , com 12,5g, 11g, 10,5g, 10g e 7,5g de açúcar, com 55kcal, 41,5kcal, 42,5kcal, 41,5kcal e 31kcal, respectivamente.

Gráfico 1 – Quantidade de açúcar em 100 ml de Refrigerante.

Fonte: Elaborado pela autora (2021)

No gráfico 2, quatro marcas diferentes de sucos industrializados, observamos que o que apresentou maior quantidade de açúcar em uma porção de 100 mL foi o Tial® , seguido do Kapo®,Dell Valle® e por último o AdeS® , com 12,5g, 9,5g, 7g e 2,8g de açúcar, 50kcal, 39kcal, 29kcal e 18,5kcal, respectivamente.

Gráfico 2 – Quantidade de açúcar em 100ml de suco industrializado.

Fonte: Elaborado pela autora (2021)

No gráfico 3 quatro marcas diferentes de petitsuisse, observamos que o que apresentou maior quantidade de açúcar em uma porção de 45g foi o Vigorzinho®, seguido do Batavinho®, Chambinho®  e por último o Danoninho®, com 7,5g, 6,7g, 6,16g e 6g de açúcar e 54kcal, 53kcal, 50,6kcal, 38,5kcal, respectivamente.

Gráfico 3 – Quantidade de açúcar em 45g de petitsuisse.

Fonte: Elaborado pela autora (2021)

No gráfico 4 foram avaliadas quatro marcas diferentes de biscoito, observamos que o que apresentou maior quantidade de açúcar em uma porção de 45g foi o Negresco Biscoito Wafer ® , seguido do Biscoito OREO Recheado ®, Negresco Biscoito Recheado® e por último o Biscoito Cookies Chocooky®, com 13g, 12,45g, 11g, 10g de açúcar e 161kcal, 141kcal, 132kcal e 149kcal, respectivamente.

Gráfico 4 – quantidade de açúcar em 45g de biscoito.

Fonte: Elaborado pela autora (2021)

Os valores encontrados pelo estudo de Longo-Silva (2015) foram maiores em refrigerantes e menores em sucos industrializados que os observados em nossa pesquisa. Este fato pode estar relacionado aos produtos utilizados por ela no estudo, serem diferentes dos de nossa pesquisa. Ela afirma que a média de açúcar e calorias em sucos industrializados foi de 7,5g e 32kcal em 100ml e em refrigerantes 10,8g em 42,7 kcal em 100ml, já em nossa pesquisa de campo, foram encontrados valores um pouco inferior em refrigerantes com 10,3g e 42,3 kcal em 100ml e um pouco superior em sucos industrializados com 7,95g e 34,1kcal em 100ml. Não foram encontrados artigos referentes às calorias e quantidade de açúcar em petitsuisse e biscoitos, a média observada em nossa pesquisa foi de 6,59g de açúcar e 49kcal em 45g de petitsuisse e 11,61g de açúcar e 145,7kcal em 45g de biscoito.

Segundo Levy (2012), o açúcar proveniente de produtos industrializados, representava cerca de 17% do total de calorias da dieta ao final da década de 80, este valor disparou em média 18%, chegando a 35% em 2002/2003. Sendo assim, podemos afirmar que o consumo de açúcar por lactentes tem se dado de forma ascendente com o passar dos anos, excedendo consideravelmente as recomendações da OMS. Isto está relacionado ao fato da oferta de produtos industrializados, ricos em açúcar, sódio e gorduras, às crianças, estar mais frequente a cada dia.

4. CONCLUSÃO

Por meio deste estudo, podemos avaliar que o consumo de açúcar por lactentes se dá de forma bastante frequente e exacerbada. Sendo este um fato preocupante para os profissionais de saúde, visto que, pode causar diversos prejuízos à saúde da criança, como cáries, desinteresse por alimentos saudáveis, assim como danos futuros, como o surgimento de diversos tipos de DCNT.

Este consumo está associado a diversos fatores, onde os principais são: falta de informação por parte da mãe ou do cuidador, marketing e propaganda direcionados para crianças e fatores socioeconômicos. Devido a isso, é primordial que seja feito um acompanhamento multiprofissional, tanto com a criança, quanto com o cuidador, afim de alertar sobre assuntos como a importância do aleitamento materno e os malefícios causados por uma alimentação complementar inadequada.

Observamos também que os rótulos de alimentos, mesmo aqueles voltados para o público infantil, são calculados tendo como base uma dieta de 2000 kcal/dia, apesar da recomendação para o primeiro ano de vida ser de apenas 1000 kcal/dia, acrescidas de 100 kcal/dia no segundo ano de vida. Desta forma, as porções oferecidas às crianças acabam sendo superestimadas, aumentando ainda mais o consumo de açúcar e alimentos ultra processados nessa faixa etária.

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[1] Pós-graduação em nutracêuticos e nutricosméticos na prática clínica e pós-graduação em nutrição com ênfase em obesidade pediátrica, graduação em bacharelado em nutrição.

Enviado: Janeiro 2021.

Aprovado: Abril, 2021.

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