A Gestão Escolar no Século XXI: Os Desafios nos Novos Gestores

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A Gestão Escolar no Século XXI: Os Desafios nos Novos Gestores
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MACHADO, Christian David [1], PROBST, Melissa [2]

MACHADO, Christian David; PROBST, Melissa. A Gestão Escolar no Século XXI: Os Desafios nos Novos Gestores. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 02, Vol. 01. pp 453-460, Abril de 2017. ISSN:2448-0959

Resumo

Com certeza absoluta a escola do século XXI mudou, e muito. Automaticamente os professores, coordenadores e gestores devem se adaptar a esses novos desafios que a nova geração está trazendo para escola com seus smartphones, veneração a youtubers e toda a tecnologia e pensamento rápido traz consigo, menos para assuntos escolares. O presente trabalho trata exatamente sobre a relação de pensamentos entre os velhos costumes de escola rígida do século XIX, com professores e coordenação do século XX, e com alunos do século XXI. Estamos vivendo em um mundo globalizado, onde temos de nos adaptar continuamente se quisermos sermos profissionais diferenciados e preparados para o mercado selvagem que exige: formação, técnica adequada, e principalmente experiência e aprender a aprender. O acesso a informação, novas formas e novos assuntos nos PPPs, a nova forma de organizar a família e como o coordenador/diretor deve encarar isso, a ascensão do EJA.  Realizei essa pesquisa em escolas que já trabalhei, e onde trabalho no momento (EJA do SESI), sendo o meu objetivo perguntar a coordenadores e diretores quais são os principais desafios em ser um gestor/coordenador em plena época “digital”, onde quem cria os filhos são (geralmente) os avós, internet, TV e pais do mesmo gênero.

Palavras Chave: Gestão Escolar, Nova Geração, Desafios.

1. INTRODUÇÃO

Por mais que houvesse um enorme avanço na questão ao acesso à escola, a optimização ao acesso de jovens e adultos a retornarem os seus estudos, e a recente valorização dos salários dos professores, em alguns estados diga-se de passagem, o Brasil tem muito atraso em relação a outros países desenvolvidos, e até mesmo de países não desenvolvidos. Em recente pesquisa da OCDE [3], entre os 36 países listados, o Brasil encontrava-se em 35º lugar, ficando apenas a frente do México, mas ficando atrás de países como a Turquia e Israel.

A pergunta da pesquisa é: como ser um gestor/coordenador em um país que nos dá difíceis condições de trabalho, onde nos proporciona um stress elevadíssimo, pais que não educam os filhos e pensam que as escolas deveriam o fazer, famílias famigeradas pelo uso e abuso de drogas, isso quando estão unidas.

Através de pesquisa com pais e alunos, coordenadores e gestores conseguimos tirar algumas conclusões do que pode ser transformado e melhorado para as escolas funcionarem melhor e com mais participação da família e comunidade nas decisões e modificações dos PPPs, por exemplo.

2. O GESTOR E SUAS FUNÇÕES

Uma escola não é feita somente de alunos e professores, ou apenas de uma estrutura física, visto que existem muitas que nem o prédio têm. Um colégio necessita dos alunos, professores, coordenadores, gestão, corpo de funcionários, segundo Lücke (2009 p.20). A escola é uma organização social constituída pela sociedade para cultivar e transmitir valores sociais elevados e contribuir para a formação de seus alunos, mediante experiências de aprendizagem e ambiente educacional condizentes com os fundamentos, princípios e objetivos da educação.

Para escola ter funcionamento é necessário tomar cuidado com a prática pedagógica dos professores, qual o tipo de comunidade na qual ela está inserida, sempre se preocupando com o tipo de aprendizagem, e que a mesma, tenha significado crítico/social, que seja uma formadora de opiniões, e ainda que tange os cuidados para o funcionamento, Lück (2009 p. 21) cita:

A qualidade do ambiente escolar como um todo determina a qualidade do pro- Dimensões da gestão escolar e suas competências 21 cesso pedagógico da sala de aula e esta é determinada por uma série de cuidados, dentre os quais, como destaca a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional: i) a elaboração e execução de sua proposta pedagógica; ii) a administração de seu pessoal e seus recursos materiais e financeiros; iii) o cumprimento dos 200 dias letivos e correspondentes 800 horas-aula estabelecidos; iv) o cumprimento do plano de trabalho de cada docente; a recuperação dos alunos de menor rendimento; vi) a articulação com as famílias e a comunidade, e a criação de processos de integração da sociedade com a escola; vii) a informação aos pais sobre a frequência e rendimento dos alunos (LDB, Art. 12).

Os professores são responsáveis pela formação propriamente dita dos alunos, desde que devidamente preparados e com a formação adequada, e citaria também, principalmente os professores de humanas, que sejam bem informados e preparados para os alunos da dita nova geração. Os professores devem participar da elaboração da proposta pedagógica, cumprindo os seus planos de aula, e sempre que possível promovendo a interdisciplinaridade.

Toda escola devem ter um corpo de funcionários, todo colégio “bom” tem bons funcionários que participam também de forma prática, desde PPP até a discussão de feiras e projetos extra sala.

E o que faz uma escola existir? Os alunos, sem eles não haveria nada do que fora descrito acima, a escola deve ter ações para a formação de cidadãos, e a capacidade de desenvolver atividades para tal proeza, LÜCK (2009 p.21) diz que para essa prática os alunos: (…) “devem ser envolvidos em ambiente e experiências educacionais estimulantes, motivadoras e de elevada qualidade”. Alunos tendo sucesso na escola, pelo desenvolvimento de seu potencial e o gosto e hábito de aprender, são o foco principal da escola.

Mas e o gestor escolar?  Esses são responsáveis pela gestão no que diz respeito a questão educativa e também a parte financeira da instituição, ou seja a orientação administrativa e pedagógica, ou segundo Lücke (2009 p.21), tem uma definição bem interessante para os gestores escolares. Aos diretores escolares compete zelar pela realização dos objetivos educacionais, pelo bom desempenho de todos os participantes da comunidade escolar e atingimento dos padrões de qualidade definidos pelo sistema de ensino e leis nacionais, estaduais e municipais.

Embora haja delegações de funções na escola, ele é a autoridade máxima da escola, ele é a pessoa que deve resolver os principais assuntos referentes a mesma, inclusive os assuntos pedagógicos. Essa divisão, onde o diretor fica somente com assuntos administrativos, pude perceber em todas as escolas que trabalhei, inclusive em escolas particulares, onde há vários coordenadores, e um diretor administrativo e um pedagógico, o primeiro cuida das finanças e segundo também, ficando delegado as funções pedagógicas aos inúmeros coordenadores, você encontrava o diretor pedagógico no conselho de classe do exame final, nem no começo do ano você o encontrava.

Percebemos que os diretores evitam assuntos pedagógicos, ficando somente com assuntos administrativos, ou segundo os próprios alunos relatam, o diretor as vezes é alguém de mente impenetrável, alguém que não devemos nos aproximar, creio que o diretor deve sim, ser o líder pedagógico, afinal de contas ele é um gestor de escola, e não de uma empresa. Mas então qual é a função, pelo menos na teoria, de um gestor escolar? As funções do trabalho do gestor estão diretamente relacionadas à organização e gestão da escola, não se resumindo a um mero papel administrativo, e sim um agente, um transformador político/social, mantendo a escola dentro de normas educacionais, e sendo sim a principal referência pedagógica da escola.

Ainda na questão funções dos gestores, Para Menezes e Santos (2002 apud Oliveira 2008 p.68) […]

Relacionada à atuação que objetiva promover a organização, a mobilização e a articulação de todas as condições materiais e humanas necessárias para garantir o avanço dos processos sócio/educacionais dos estabelecimentos de ensino orientados para a promoção efetiva da aprendizagem pelos alunos, lembrando que as delegações de função são necessárias.

3. GESTÃO PEDAGÓGICA E ADMINISTRATIVA

Uma escola não existe sem os alunos, e nós educadores estamos lá por causa deles, e para a formação de uma pessoa com pensamento crítico e social, a escola tem em suas obrigações a formação de alunos prontos para a sociedade, por mais difícil que seja essa tarefa hoje em dia, ainda mais com muitos teóricos que ficam apenas no campo das ideias mesmo, pois na grande maioria alguns nomes renomados em questão educação, há anos não entram numa sala, e nem imaginam a realidade vivida por professores, coordenadores e gestores, falar e bem fácil, estar numa escola rodeada por atrativos mais “interessantes” aos alunos é outra coisa.

Os diretores têm em suas obrigações a questão administrativa e pedagógica, como já foi citado acima, os gestores não devem apenas se ater a assuntos administrativos, e sim, envolver-se em assuntos pedagógicos, ser a referência pedagógica da escola, não apenas estar presente no conselho de classe do exame final, ficando distante dos alunos o ano todo e só conhecendo o mesmo através de relatórios, a escola precisa de um diretor presente e que atue em assuntos pedagógicos e não se preocupe apenas em resolver atritos de pais revoltados com o a maneira que o professor leciona. As funções dos gestores ficam divididas em “administrativa” e “pedagógica”, conforme Costa (2010)

Administrativa: organização e articulação de todos os setores da escola e recursos humanos, cria e organiza as normas que devem ser seguidas no âmbito escolar e o diretor ainda faz o elo de ligação comunidade e ambiente das escolas.  Supervisiona e orienta a todos que foram delegado alguma função. (COSTA 2010).

Pedagógica: liderança e inspiração, ação integradora e cooperativa; comunicação entre professores, alunos e a comunidade e principalmente estimula uma inovação e melhoria constante no processo educacional. (COSTA 2010).

4. DESAFIOS DOS NOVOS GESTORES

Não é nada fácil ser educador no século XXI, os alunos cada vez mais estão achando a escola um local ruim de se ficar, aliás já ouvi claramente que muitos vão à escola somente para socializar com os colegas, aliado às novas tecnologias que evoluem de maneira rápida e absurda, e ainda junte a isso o fato que os novos ídolos dos adolescentes são os youtubers, os criadores de conteúdo no site de vídeos youtube, que falam claramente que não estudaram e nem precisam, pois o que eles fazem não necessita conhecimento “da escola” para tal empreitada.

E uma das coisas que achamos mais interessante para facilitar o nosso contato com os alunos, que não tiveram a mesma educação que nós tivemos, é conhecer ele, e também conhecer o seu cotidiano e como ele se encaixa no cotidiano escolar, segundo Lück (2009 p. 128)

O conceito de cotidiano escolar é importante por colocar em evidência a realidade da escola como ela é, o que se constitui em importante elemento da ação educacional.

Conhecer como se dão as práticas e as relações no dia-a-dia da escola constitui-se em condição fundamental para promover o que ela precisa e deve ser para constituir-se em um ambiente educacional capaz de promover a aprendizagem e formação que os alunos precisam ter para poderem desenvolver as competências pessoais necessárias para enfrentar os desafios de vida com qualidade na sociedade globalizada da informação e do conhecimento.

A cultura brasileira vem passando por muitas transformações, principalmente na maneira de como educar seus filhos, o que acaba refletindo na escola, desde transformações sociais até mesmo psicológicas, que levam os pais a educarem seus rebentos de maneira diferente, mais frouxa, por exemplo: hoje os pais não podem mais dar palmadas, não podem mais chamar a atenção, principalmente na frente de outros pais, e se caso o fizerem, ainda correm o risco de serem agredidos, ou pior, denunciados por tentarem educar seus filhos e até mesmo presos.

Há ainda um problema bem grande, os salários dos homens já não são mais tão altos quanto já foram um dia, obrigando as mulheres a irem trabalhar e, inevitavelmente, deixando seus filhos sozinhos em casa, sendo criados pela TV e a internet, às vezes pelos avós, que sempre mimam os netos, isso é natural, porém assim estamos criando uma geração que geralmente nunca teve regras, sendo a escola o primeiro local.

Assim, a corda vai arrebentar sempre na escola, local onde já se transformou num depósito de pessoas, é lá que vai aparecer o filho do traficante, a mãe que abandonou os filhos, e várias outras situações que educadores, coordenação e gestão terão de enfrentar.

Compete à gestão escolar estabelecer o direcionamento e a mobilização capazes de sustentar e dinamizar a cultura das escolas, de modo que sejam orientadas para resultados, isto é, um modo de ser e de fazer caracterizado por ações conjuntas, associadas e articuladas. (LIMA 2008 [4]).

Paulo Freire, 1996 p. 36, diz: que para ensinar é necessário ter bom senso (…) e que não é preciso de um professor de ética para isso, mas pense como é difícil administrar uma escola nos dias de hoje com todos os contras citados acima?

E ainda por cima o gestor encontra a falta de aceitação dos profissionais gerando uma série de dificuldades.

O trabalho do educador é com seres humanos, e a escola não tem se atualizado ultimamente, o que torna o trabalho do gestor, por exemplo, muito mais difícil.

Por mais que muitos digam que isso é uma vocação, não devemos aceitar isso em detrimento ao descaso dos governantes com a educação, professores e gestores têm e família e também comem. Segundo Costa, (2010 pg.5)

Fica claro que ao assumir uma direção escolar é necessário estar atento, pois os desafios são muitos, tanto a violência, quanto a carência qual atinge a vida da escola, encontra-se também a não participação da família, acredita se também sobre o despreparo de profissionais que atuam desatualizados no ambiente escolar, além disso há também a falta de recursos físicos e materiais que são os mais necessários. A desvalorização e perspectivas trazem bastantes dificuldades, pois vários profissionais se deslocam de duas ou três instituições para manterem o seu padrão de vida.

A falta de recursos é algo que chama a atenção realmente, desde caderno, folhas A4, canetas, uniformes, entre tantos outros que aqui poderiam ser citados, é normal a falta de matérias básicos, isso em quase todos as escolas visitadas para a realização desse trabalho, chegando ao ponto de gestores pedirem para os seus professores comprarem folhas para as provas e ou passar no quadro mesmo, por não haver nem a folha, nem a copiadora na escola.

Una esse descaso dos governos com a má qualificação dos professores, ainda existem muitos professores que não são formados, e estão lecionando, até mesmo no ensino médio, com a falta de apoio familiar, com alunos cada vez mais indisciplinados e gestores ainda preocupados apenas com questões administrativas.

Administrar qualquer empresa é difícil, agora imagine com todos esses problemas, e mais, praticamente sem autonomia, visto que muito do que será planejado é enfiado de goela abaixo, dependendo qual o governo que está no poder.

Não deveria ser assim, mas ainda hoje há uma interferência gigantesca de política, no que tange a eleição dos gestores escolares, principalmente em algumas escolas, pois se o mesmo não for filiado a algum partido político, ele não será nem indicado, e esse assunto é bem complicado de falar com qualquer gestor, eles negam até certo ponto, porém quando o assunto é aprofundando nas entrevistas, fica bem clara essa prática absurda, o que dificulta mais ainda se caso o diretor da escola “x” ou “y” não for do partido do governo, falando português bem claro, não recebe verba.

Outro fator intrigante, é o número de alunos na escola. Se a escola tem um número “x” de alunos, o gestor receba mais, ou menos verba, bom, isso inclui o próprio salário do gestor[5], que pode ser até R$ 2.000,00 maior se a escola tiver mais de 1200 alunos, o que já muda se escola tiver apenas 500 alunos ou menos, porém escola maior, mais técnicos e coordenadores auxiliando, escola pequena, grupo de gestão menor.

Isso deixa os gestores de escolas pequenas numa situação bem complicada, tendo de buscar outros meios para melhorar a receita da escola.

5. A INDISCIPLINA, O MAIOR DOS DESAFIOS

Por mais que haja um afrouxamento por parte dos pais, em relação a educação, aquela que vem de casa, há ainda hoje, quem defenda que a culpa da indisciplina dos alunos de hoje em dia, seja do professor e ou escola.

Algo intolerável, pensamentos de pessoas que nunca entraram na escola, ou já não a frequentam durante um bom tempo.

Os profissionais de educação já não têm mais respeito, já não têm mais dignidade, e ter o disparate de colocar a culpa pela indisciplina dos alunos nos profissionais da educação é com certeza o maior dos sacrilégios de esquerdistas marxistas que não têm o que fazer, pois é sabido que os profissionais da educação hoje têm de ser: o pai, o amigo, advogado, o psicólogo, e Deus o livre se ele levantar a voz ou chamar a atenção em público da criança de 17 anos…

Segundo Garcia, 1999, p 104

A indisciplina escolar não apresenta uma causa única, ou mesmo principal. Eventos de indisciplina, mesmo envolvendo um sujeito único, costumam ter origem em um conjunto de causas diversas, e muito comumente reflete uma combinação complexa de causas. Esta complexidade é parte do perfil da indisciplina e deve ser considerada, se desejamos compreendê-la e estabelecer soluções efetivas. Para fins de sistematização, as diversas causas da indisciplina escolar podem ser reunidas em dois grupos gerais: as causas externas à escola e as causas internas. Entre as primeiras vamos encontrar, por exemplo, a influência hoje exercida pelos meios de comunicação, a violência social e o ambiente familiar. As causas encontradas no interior da escola, por sua vez, incluem o ambiente escolar e as condições de ensino-aprendizagem, os modos de relacionamento humano, o perfil dos alunos e sua capacidade de se adaptar aos esquemas da escola.

Claro que ainda existem aqueles profissionais que utilizam o método arcaico, porém isso a cada dia é mais raro, e Garcia (1999) diz que a autoridade do professor vem da sua competência para ensinar.  Os profissionais que ali estão, na sua esmagadora maioria são competentes sim!

O grande problema da indisciplina escolar com certeza vem de outros fatores, como alunos insociáveis, com complexo de inferioridade, com problemas em casa, não têm educação rígida em casa, o pai é traficante e a mãe prostituta; ou ainda o mal desempenho escolar, isso só para citar alguns problemas que são enfrentados no dia-a-dia escolar.

Esses sim são os verdadeiros problemas de indisciplina, os problemas do mundo real, não aqueles problemas dos anos de 1980 e 1990, citados por profissionais de educação que estão desatualizados e sentados em seus gabinetes, dos quais eu prefiro não citar os nomes.

É tudo muito bonito na teoria, na prática há casos que não encontram soluções, por exemplo: um dos entrevistados para essa pesquisa, disse que certa vez expulsou um aluno de 18 anos, que ainda frequentava o segundo ano do ensino médio, três vezes por indisciplina (espancar alunos e professores que lhe deram notas baixas), e mesmo assim a gerência de educação do seu estado, mandava o aluno de volta à escola, por ele não ter onde estudar.

Clássico caso de influência externa a escola, filho de pai e mãe separados, vivia sozinho em casa o tempo todo e não tinha regras onde vivia.

Se todos os professores, coordenadores e o gestor da escola, já no começo do ano, juntamente com a elaboração correta do PPP, se reunissem e chegassem a conclusão que nos primeiros dias de aula fosse dito o que Freire, (1996 p. 17):

Porque não discutir com os alunos a realidade concreta a que se deva associar a disciplina cujo conteúdo se ensina, a realidade agressiva em que a violência é a constante e a convivência das pessoas é muito maior com a morte do que com a vida? Porque não estabelecer uma necessária “intimidade” entre os saberes curriculares fundamentais aos alunos e a experiência social que eles têm como indivíduos? Porque não discutir as implicações políticas e ideológicas de um tal descaso dos dominantes elas áreas pobres da cidade? A ética de classe embutida neste descaso? Porque, dirá um educador reacionariamente pragmático, a escola não tem nada que ver com isso. A escola não é partido. Ela tem que ensinar os conteúdos, transferi-los aos alunos.

Esse tipo de discussão, amenizaria a questão do “coitadismo” que está fincado nos jovens brasileiros, daí a ideia    de Freire dar esse choque de realidade nos mesmos.

Se os alunos por exemplo: saberem para que serve aquela conta de matemática, ou para que serve estudar a Grécia Antiga, a indisciplina cairá 95%.

Freire afirma, 1996 p. 39

O professor autoritário, o professor licencioso, o professor competente, serio, o professor incompetente, irresponsável, o professor amoroso da vida e das gentes, o professor mal-amado, sempre com raiva do mundo e das pessoas, frio, burocrático, racionalista, nenhum desses passa pelos alunos sem deixar sua marca. Daí a importância do exemplo que o professor ofereça de sua lucidez e de seu engajamento na peleja em defesa de seus direitos, bem como na exigência das condições para o exercício de seus deveres. O professor tem o dever de dar suas aulas, de realizar sua tarefa docente. Para isso, precisa de condições favoráveis, higiênicas, espaciais, estéticas, sem as quais se move menos eficazmente no espaço pedagógico. Às vezes, as condições são de tal maneira perversa que nem se move. O desrespeito a este espaço é uma ofensa aos educandos, aos educadores e a pratica pedagógica.

Ainda sobre isso, Freire, 1996 p. 64

É importante que os alunos percebam o esforço que faz o professor ou a professora procurando sua coerência. É preciso também que este esforço seja de quando em vez discutido na classe. Há situações em que a conduta da professora pode parecer aos alunos contraditória. Isto se dá quase sempre quando o professor simplesmente exerce sua autoridade na coordenação das atividades na classe e parece seus alunos que ele, o professor, exorbitou de seu poder.

Sem essa percepção, ou sem as condições favoráveis, ou ainda sem essa discussão do esforço de cada profissional da educação, fica realmente difícil controlar a indisciplina, afinal de contas, os novos teóricos da educação não gostam de conversar? Utilizemos essa conversa sempre.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O gestor escolar hoje é um profissional com muitas obrigações, muitos desafios, é um profissional que deve ter uma boa percepção do que está ao seu redor, saber administrar bem os recursos de sua escola, enfrentar os problemas diários sabendo que a palavra final, a autoridade pedagógica no ambiente escolar ainda é ele, por mais que muitos deixem um pouco de lado a parte pedagógica relegando-se apenas cuidar dos problemas administrativos.

Trabalhar com educação hoje é um grande desafio, e sem dúvida, o maior dos desafios enfrentados por profissionais de educação é a indisciplina.

A família mudou, as leis ficaram brandas demais, os filhos não obedecem mais os seus pais, não respeitam mais ninguém, são basicamente tratados como deuses intocáveis, e é esse aluno que nós recebemos na escola hoje, sendo um local com regras um pouco mais rígidas que sua casa, o que gera conflitos.

Ser um gestor moderno é ser advogado, médico, professor, psicólogo, administrador, um acúmulo de funções, e ainda há o agravante da tecnologia, que se desenvolve rápido demais, e geralmente a escola, e nós educadores, não conseguimos alcançar essa velocidade de transformações tecnológicas e até mesmo sociais.

REFERÊNCIAS

Fuentes, André. Impávido Colosso. GRÁFICOS, ESTATÍSTICAS E CURIOSIDADES NADA LISONJEIROS DO BRASIL. Disponível em <http://veja.abril.com.br/blog/impavido-colosso/em-ranking-da-educacao-com-36-paises-brasil-fica-em-penultimo/ >. Acesso em 17 d dezembro de 2015.

LÜCK, Heloísa. Dimensões da Gestão Escolar e Suas Competências. Segunda Edição. São Paulo: Editora Positivo: 2009

OLIVEIRA, Luciana Paula de. Gestão Escolar. Administradores.com: o portal dos administradores. Abril de 2008. Disponível em: < http://www.administradores.com.br/informe-se/artigos/gestao-escolar/39700/> acesso em dezembro de 2015

PARO, Vitor Henrique, 1945- Gestão Escolar Democrática e Qualidade de Ensino. São Paulo: Ática 2007

COSTA, Maria Antonia Ramos. A Função do Gestor Escolar. Disponível em http://www.webartigos.com/artigos/a-funcao-do-gestor-escolar/44851/ Acesso em Janeiro de 2016.

LIMA, Fabíola da. GESTÃO ESCOLAR HOJE: a cultura tecnológica no espaço escolar. 2008. Dísponível em https://docs.google.com/viewer?a=v&pid=sites&srcid=

ZGVmYXVsdGRvbWFpbnxhZ2VzdGFvZWR1Y2FjaW9uYWx8Z3g6MmNjMjlkMzcyZjNhMzc4Mw.

Acesso em janeiro de 2016

FREIRE, PAULO. Pedagogia da Autonomia. Saberes Necessários a Prática Educativa. São Paulo: Ega 1996.

GARCIA, JOE. Indisciplina na Escola: uma reflexão sobre a dimensão preventiva. Disponível em: Dialnet-IndisciplinaNaEscola-4813435.pdf. Acesso em janeiro de 2016.

[1] Mestrando em educação pela UDE de Montevideo, pós-graduação em gestão escolar. Criador do projeto Pré-Histórica – Músicas que Ensinam História.

[2] Orientadora. Mestre em Educação pela Universidade Regional de Blumenau (FURB) e doutoranda em Educação pela Universidade Tuiuti do Paraná (UTP).

[3] http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/educacao-brasileira-fica-entre-35-piores-em-ranking-global acesso em novembro de 2015

[4] https://docs.google.com/viewer?a=v&pid=sites&srcid=

ZGVmYXVsdGRvbWFpbnxhZ2VzdGFvZWR1Y2FjaW9uYWx8Z3g6MmNjMjlkMzcyZjNhMzc4Mw

[5] http://www.sed.sc.gov.br/secretaria/plano-carreira-profissionais-educacao-basica

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