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A influência da gestão escolar no processo de alfabetização

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CONTEÚDO

ARTIGO ORIGINAL

XAVIER, Dara Gabriela Ferreira [1], FREITAS NETO, Joaquim Generoso de [2]

XAVIER, Dara Gabriela Ferreira, FREITAS NETO, Joaquim Generoso de. A influência da gestão escolar no processo de alfabetização. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano. 10, Ed. 12, Vol. 02, pp. 109-131. Dezembro de 2025. ISSN: 2448-0959. Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/educacao/influencia-da-gestao, DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/educacao/influencia-da-gestao

RESUMO

O presente trabalho investiga a influência da gestão escolar no processo de alfabetização, enfatizando seu papel como articuladora de práticas pedagógicas, administrativas e sociais que sustentam o funcionamento da escola. Busca-se compreender de que forma a liderança e as ações dos gestores escolares interferem diretamente no desempenho e no desenvolvimento dos alunos nos anos iniciais do ensino fundamental, analisando estratégias de gestão democrática, políticas de apoio pedagógico aos professores e o envolvimento ativo da comunidade escolar. Além disso, aborda os conceitos, métodos e desafios do processo de alfabetização, enfatizando a importância da formação continuada dos docentes, da supervisão pedagógica e da articulação curricular como instrumentos que fortalecem a prática educativa. Por fim, analisa como a gestão escolar, ao promover boas práticas de ensino, otimização de recursos, acompanhamento sistemático do aprendizado e participação coletiva de toda a comunidade educativa, torna-se elemento essencial para garantir uma alfabetização de qualidade, equitativa e transformadora. Conclui-se que a atuação ética, participativa e comprometida dos gestores contribui significativamente para transformar a escola em um espaço de aprendizagem significativa, inclusão social e exercício pleno da cidadania.

Palavras-chave: Gestão escolar, Alfabetização, Gestão democrática, Formação docente, Participação comunitária.

1. INTRODUÇÃO

A alfabetização constitui-se como um dos pilares fundamentais da educação básica, tanto no processo de aquisição da leitura e escrita, como ferramenta essencial para a inclusão social, exercício da cidadania e transformação das estruturas sociais. No cenário educacional brasileiro, marcado por profundas desigualdades sociais a eficácia desse processo depende intrinsecamente da qualidade da gestão escolar, que atua como articuladora central das dimensões pedagógicas, administrativas e comunitárias (Souza, 2017).

A relevância desta investigação reside na necessidade de compreender como as práticas de gestão interferem diretamente nos resultados educacionais, especialmente em um contexto onde as políticas públicas frequentemente priorizam metas quantitativas em detrimento da qualidade pedagógica. Conforme evidenciado por Libâneo (2004) e Luck (2000), a atuação do gestor como líder pedagógico e não apenas administrativo é determinante para a articulação entre currículo, formação docente e envolvimento familiar, fatores críticos para a alfabetização. No entanto, persiste uma lacuna significativa na literatura especializada quanto à análise sistemática dessa relação, particularmente no que tange às estratégias concretas que viabilizam a gestão democrática como suporte ao processo de alfabetização em escolas públicas.

Diante desse cenário, este estudo tem como objetivo geral analisar a influência da gestão escolar no processo de alfabetização, identificando como as práticas de liderança, o apoio pedagógico aos professores e o envolvimento da comunidade impactam o desempenho dos alunos. Como objetivos específicos, busca-se: a) Mapear os modelos de gestão escolar e sua evolução histórica no Brasil, com ênfase nos marcos legais que consolidam a gestão democrática; b) Investigar os desafios e possibilidades da articulação entre gestão e práticas alfabetizadoras; c) Analisar estratégias de formação continuada docente e participação comunitária como ferramentas de fortalecimento da gestão.

A justificativa para esta pesquisa fundamenta-se na urgência de superar a dissociação histórica entre gestão e pedagogia, como uma gestão comprometida pode transformar a escola em espaço de aprendizagem significativa – conforme preconiza o Projeto Político-Pedagógico (LDB 9.394/1996) , este trabalho contribui para o fortalecimento de políticas educacionais que reconheçam a gestão alem de mera executora de normas, e como protagonista na garantia do direito à alfabetização plena.

Adicionalmente, busca-se oferecer subsídios teórico- metodológicos para gestores e educadores, fomentando práticas que alinhem eficiência administrativa, inovação pedagógica e justiça social.

2. A GESTAO ESCOLAR E SEUS MODELOS

A gestão escolar, em suas múltiplas dimensões, constitui-se como elemento central para o funcionamento das instituições educativas, articulando aspectos pedagógicos, administrativos e sociais. Mais do que um conjunto de práticas organizacionais, ela representa um processo dinâmico que busca integrar professores, alunos, famílias e comunidade na construção de uma educação de qualidade. Diferentes modelos de gestão foram sendo desenvolvidos ao longo da história, refletindo contextos políticos, sociais e culturais distintos, e revelando a necessidade de conciliar eficiência administrativa com práticas pedagógicas inclusivas e democráticas.

Compreender os modelos de gestão escolar é fundamental para analisar suas implicações no cotidiano das escolas e nos resultados educacionais, oferecendo subsídios para a construção de processos participativos, inovadores e alinhados às demandas da sociedade, “considerando o caráter intencional de suas ações e as interações sociais que estabelecem entre si e com o contexto sócio-político, nas formas democráticas de tomada de decisões” (Libâneo, 2007, p. 324).

2.1 CONCEITO DE GESTÃO ESCOLAR

A gestão escolar compreende a organização da instituição, o planejamento e a execução dos processos pedagógicos e administrativos, além de promover a integração da comunidade escolar e contribuir para a formação docente. De acordo com Garcia e Miranda (2017) ela abrange as dimensões administrativa, pedagógica, democrática e participativa.

A gestão escolar desempenha um papel essencial no monitoramento e na avaliação, acompanhando de forma contínua a execução de projetos e programas para assegurar sua efetividade em termos de tempo, recursos e resultados. Atualmente, o uso do conceito de gestão na área educacional está amplamente associado à responsabilidade de conduzir e assegurar a qualidade da educação e dos processos de ensino em todos os níveis escolares. Nesse sentido, Sacristán (apud Ferreira, 2000, p. 15) aborda novas formas de compreender a função da direção escolar, destacando que,

A gestão escolar constitui uma dimensão da educação institucional cuja prática põe em evidência o cruzamento de intenções reguladoras e o exercício do controle por parte da administração educacional, as necessidades sentidas pelos professores de enfrentar seu próprio desenvolvimento profissional no âmbito mais imediato de seu desempenho e as legitimas demandas dos cidadãos de terem interlocutor próximo que lhes dê razão e garantia de qualidade na prestação coletiva deste serviço educativo.

O monitoramento e a avaliação são etapas complementares no processo de gestão escolar: enquanto o monitoramento acompanha o desenvolvimento das ações, a avaliação examina os objetivos atingidos e os fatores que influenciaram os resultados. Em um contexto de rápidas transformações sociais, torna-se essencial que as escolas estejam preparadas para planejar e conduzir seus processos de maneira eficiente. Nesse sentido, a gestão democrática propõe a participação ativa da comunidade escolar nas decisões pedagógicas, administrativas e financeiras, promovendo relações mais colaborativas e fortalecendo o compromisso coletivo com a qualidade da educação (Freitas, 2012).

É fundamental desenvolver um espírito coletivo e participativo dentro da escola, formando uma comunidade engajada que fortaleça a prática democrática. Segundo Paro, a democratização ocorre justamente no enfrentamento das dificuldades do cotidiano escolar, quando professores, funcionários e demais membros da comunidade se envolvem ativamente na solução dos problemas e no acompanhamento do desenvolvimento da instituição (Paro, 2001). Assim, a democracia se concretiza por meio das ações e das relações construídas no dia a dia da escola.

O gestor exerce papel central ao transformar a escola em um espaço de parceria, troca de experiências e formação cidadã. Assim, a democratização da gestão possibilita maior qualidade no ensino, integração entre os diferentes segmentos da escola e construção de projetos pedagógicos alinhados à realidade local, fortalecendo a participação efetiva de professores, alunos, pais e funcionários nos processos decisórios.

2.2 BREVE HISTÓRICO DA GESTÃO ESCOLAR NO BRASIL

A gestão escolar no Brasil passou por diferentes fases ao longo da história, acompanhando transformações sociais e políticas. Até meados do século XX, prevalecia um modelo centralizador e burocrático, em que o diretor escolar se limitava a funções administrativas, refletindo a estrutura autoritária do Estado. A partir da década de 1970, iniciou- se um movimento de reflexão sobre a administração escolar e o papel do gestor. A gestão escolar desse tempo estava fortemente marcada pela racionalização do trabalho pedagógico e pelo distanciamento da participação democrática (Paro, 2001; Libâneo, 2002).

Com a redemocratização do país, na década de 1980, a gestão escolar passou a incorporar práticas de participação da comunidade, refletindo a valorização da colaboração entre diferentes segmentos da sociedade na tomada de decisões educacionais. Nesse contexto, a gestão democrática surge como um modelo que incentiva a mobilização das pessoas para atuarem coletivamente na promoção dos objetivos educacionais, fortalecendo a participação de professores, alunos, pais e demais membros da comunidade escolar (Luck, 2000; Freire, 1996; Saviani, 2008).

A Constituição Federal de 1988 representou um marco histórico, ao consolidar a educação como direito de todos e ao estabelecer a obrigatoriedade da gestão democrática do ensino público, significando uma ruptura com práticas anteriores e a abertura de espaço para a participação ativa de professores, pais e estudantes. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB 9.394/1996) reafirmou a gestão democrática como princípio norteador da educação brasileira. Previu a participação da comunidade escolar na elaboração do Projeto Político-Pedagógico (PPP) e no acompanhamento das decisões institucionais (Brasil, 1996).

O papel do gestor escolar também foi ressignificado ao longo do tempo. Antes compreendido principalmente como administrador, passou a ser reconhecido como líder e articulador social, pedagógico e político, capaz de mediar processos educativos e fomentar a participação de toda a comunidade escolar. Nesse sentido, a escola precisa se organizar como um espaço inovador e democrático, acompanhando as rápidas transformações do conhecimento e das formas de aprender, de modo a garantir práticas pedagógicas mais inclusivas e eficazes (Luck, 2009; Souza, 2019; Libâneo, 2012).

A trajetória histórica da gestão escolar no Brasil revela um deslocamento de práticas autoritárias e centralizadas para um modelo democrático e participativo. Esse avanço foi garantido por marcos legais, como a Constituição de 1988 e a LDB de 1996, e pela atuação de educadores e movimentos sociais. Atualmente, entende-se a gestão escolar como um processo coletivo, no qual o gestor, os professores, os estudantes e a comunidade compartilham responsabilidades na busca por uma educação de qualidade.

2.3 O PAPEL DO GESTOR ESCOLAR

O gestor escolar desempenha uma função essencial no desenvolvimento educacional, pois é o responsável por articular os diferentes atores da escola – professores, alunos, funcionários e comunidade em torno de um objetivo comum: a promoção de uma educação de qualidade. A atuação do diretor e do coordenador pedagógico se destaca como elementos fundamentais para a efetivação da gestão democrática e para a construção de um ambiente escolar participativo e inclusivo (Gil, 2013).

O diretor tem como atribuição central coordenar as atividades administrativas e pedagógicas da escola, garantindo condições adequadas para o trabalho docente e para a aprendizagem dos alunos. Sua liderança deve ir além das funções burocráticas, além de supervisionar processos, mas mobilizar e motivar a equipe escolar, assegurando que todos compreendam seus papéis e responsabilidades na busca de resultados coletivos.

Segundo Lück (2000), até recentemente predominava nas escolas um modelo de gestão em que o diretor atuava sob forte tutela dos órgãos centrais, sem autonomia para tomar decisões sobre o rumo da instituição. Essa falta de voz própria resultava também na ausência de responsabilidade direta pelos resultados de suas ações e pelo desempenho da escola.

Já o coordenador pedagógico atua como mediador entre a gestão e o corpo docente. Ele é o responsável por acompanhar, avaliar e apoiar o trabalho pedagógico, incentivando práticas que favoreçam o desenvolvimento integral dos estudantes (Castro, 2020).

A articulação entre diretor e coordenador pedagógico é indispensável para que a gestão escolar cumpra sua função social. O diretor garante as condições estruturais, administrativas e institucionais, enquanto o coordenador pedagógico atua diretamente na melhoria da prática docente. Juntos favorecem a criação de espaços de diálogo, o fortalecimento do trabalho em equipe e a construção de uma escola mais democrática, na qual professores, alunos e pais se sintam corresponsáveis pelas decisões (Libaneo, 2004; Agostini, 2010; Pavan et al., 2023).

Outro aspecto importante é a relação da escola com a comunidade. O gestor escolar, em sua função de liderança, deve criar parcerias e estimular a participação de pais e membros da sociedade civil nas decisões e projetos da escola. Essa integração amplia a função social da instituição, tornando-a mas que um espaço de ensino, um núcleo de formação cidadã. Libaneo (2012) destaca que a relação entre a escola e a comunidade é um tema essencial e de grande importância nos tempos atuais, especialmente diante das rápidas e constantes transformações que ocorrem na vida social.

2.4 GESTÃO DEMOCRÁTICA E QUALIDADE DO ENSINO

A gestão democrática constitui-se como um princípio essencial para a efetivação de uma educação de qualidade. No Brasil, esse ideal está consolidado na Constituição Federal de 1988, que, em seu artigo 206, estabelece a gestão democrática como um dos princípios do ensino público. Da mesma forma, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/1996) reforça a importância da participação coletiva na construção e execução dos projetos político-pedagógicos das escolas.

A qualidade do ensino, por sua vez, não se restringe a indicadores de rendimento escolar, mas está ligada à capacidade de a instituição educativa promover a formação integral do estudante, o fortalecimento da cidadania e o estreitamento dos laços entre escola e comunidade (Irassochio, 2013).

A gestão democrática envolve a participação efetiva de todos os sujeitos escolares gestores, professores, alunos, famílias e comunidade nos processos de decisão, planejamento e avaliação da escola.

A autonomia da escola “consiste na ampliação do espaço de decisão, voltada para o fortalecimento da escola como organização social comprometida reciprocamente com a sociedade, tendo como objetivo a melhoria da qualidade do ensino”. Nesse sentido, a participação coletiva é o motor da democratização do espaço escolar e da consolidação de uma educação significativa (Lück, 2006, p. 30).

A qualidade educacional é resultado de um conjunto de fatores interdependentes, entre eles: ambiente educativo, práticas pedagógicas, formação e valorização dos profissionais, condições de trabalho, infraestrutura escolar, acesso e permanência dos estudantes, além da gestão escolar democrática (Dourado, 2007).

A gestão democrático-participativa fundamenta-se na relação orgânica entre a direção escolar e os demais profissionais da instituição, buscando a construção de objetivos comuns assumidos por todos. Isso implica compreender que a escola é mais que uma instituição de ensino, é um espaço de socialização e construção de cidadania (Libâneo, 2008).

Na mesma linha, Irassochio (2013, p. 41) destaca que “ a democratização, transparência, participação, coletividade e compartilhamento de ações educacionais na gestão escolar” são elementos indispensáveis para que a educação infantil, e por extensão toda a educação básica, alcance qualidade social e política. Esse envolvimento garante maior corresponsabilidade e amplia a permanência dos alunos na escola, prevenindo situações de evasão escolar.

De acordo com Ferreira (2000, p. 79), a gestão democrática representa um processo contínuo de aprendizado e de construção política que vai além do ambiente escolar. Por meio dela, é possível criar espaços reais de participação e fortalecer a vivência do exercício democrático, permitindo também a reflexão e a transformação das estruturas autoritárias presentes nas relações sociais e educacionais.

Consolidar a gestão democrática implica, assim, superar práticas autoritárias e centralizadoras, valorizando o diálogo, a participação e a transparência. Somente com o engajamento coletivo é possível garantir que a educação cumpra seu papel de formar cidadãos críticos, conscientes e preparados para os desafios de uma sociedade em constante transformação.

3. O PROCESSO DE ALFABETIZAÇÃO

O processo de alfabetização, enquanto etapa inicial da escolarização, constitui um dos maiores desafios da educação brasileira, pois vai além do simples ato de ensinar letras e palavras. Ele envolve dimensões cognitivas, sociais, culturais e políticas que refletem diretamente na formação do sujeito como cidadão. Nesse sentido, a alfabetização deve ser vista como um processo contínuo e dinâmico, que articula o aprendizado formal da língua escrita com a inserção do indivíduo em práticas sociais significativas.

3.1 CONCEITOS DE ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO

O conceito de alfabetização é compreendido de diferentes maneiras: alguns autores a associam ao simples domínio das técnicas de leitura e escrita, enquanto outros a entendem como um processo mais amplo, ligado à construção de sentidos e significados. Nesse processo, a alfabetização representa o primeiro contato com o sistema da escrita, onde que se dá a formação das palavras em sua relação com sons, letras e funções sociais (Kramer, 1986; Soares, 2016).

A alfabetização, em seu sentido inicial, referia-se ao aprendizado do alfabeto e à habilidade de ler e escrever, ou seja, ao reconhecimento e uso de um conjunto de símbolos linguísticos. No contexto brasileiro, a alfabetização ganhou relevância principalmente com a criação das primeiras escolas, cujo propósito era preparar as novas gerações para atuarem como cidadãos competentes, alinhados às exigências políticas e sociais da época.

O termo letramento, derivado do inglês literacy (de littera + cy, significando letra + estado ou condição), surge na literatura brasileira em 1986, com a obra No mundo da escrita: perspectiva psicolinguística, de Mary Kato, e em seguida com os estudos de Leda Verdiani Tfouni (1988). Segundo o Glossário de Ceale, citado por Soares:

Letramento é palavra que corresponde a diferentes conceitos, dependendo da perspectiva que se adote: antropológica, linguística, psicológica, pedagógica. É sob esta última perspectiva que a palavra e o conceito são aqui considerados, pois foi no campo do ensino inicial da língua escrita que letramento – a palavra e o conceito – foi introduzido no Brasil. Posteriormente, o conceito de letramento se estendeu para todo o campo do ensino da língua e da literatura, e mesmo de outras áreas do conhecimento, mas, neste verbete, letramento é considerado apenas em sua relação com alfabetização (Soares, 2014. p.35).

A Alfabetização e o letramento devem caminhar juntos no âmbito escolar, como estabelecido por Soares, é preciso repensar as práticas de ensino utilizadas nas escolas atualmente, de forma a distinguir letramento e alfabetização. Ela aponta que letramento e alfabetização são dois conceitos que embora diferentes não podem caminhar separadamente. O processo de alfabetização exige o letramento para que os alunos participem ativamente na sociedade que estão inseridos.

Destarte, a alfabetização, entendida como o processo de codificação e decodificação da linguagem escrita, configura-se como uma etapa fundamental para o desenvolvimento cognitivo e social do indivíduo.

[…] um indivíduo alfabetizado não é necessariamente um indivíduo letrado; alfabetizado é aquele indivíduo que sabe ler e escrever; já o indivíduo letrado, o indivíduo que vive em estado de letramento, é não só aquele que sabe ler e escrever, mas aquele que usa socialmente a leitura e a escrita, pratica a leitura e a escrita, responde adequadamente às demandas sociais de leitura e de escrita. (Soares, 2000, p. 39-40).

Historicamente, antes da década de 1950, prevalecia a lógica de ensinar primeiramente a leitura para, em seguida, introduzir a escrita. A partir de então, esse paradigma foi invertido, priorizando a escrita como etapa inicial para depois desenvolver a leitura (Souza, 2017). Havia ainda a crença de que a repetição contínua seria a chave para a aprendizagem, quando, na realidade, esse método levava apenas à memorização, sem necessariamente promover compreensão efetiva.

Alfabetização e letramento se constituem como um importante instrumento de inclusão social, cidadania, construção democrática e até mesmo desenvolvimento econômico (Soares, 2000). A ideia de sociedade moderna, coloca-se contrária à aceitação de uma sociedade cujos cidadãos permaneçam na condição de analfabetos. Assim, há muitas décadas, um conjunto de discursos e ações combatentes ao analfabetismo ganharam força, expressando pelo menos duas concepções de sociedade (Mortatti, 2006).

De um lado, aquela que localiza a alfabetização/escolarização como condição para o desenvolvimento econômico, na medida em que ampliaria a capacidade competitiva dos sujeitos no mercado de trabalho, qualificando-os frente às demandas; de outro, a dimensão que atribui à alfabetização e à escolarização potencial capacidade de transformação da ordem social, com vistas à superação das desigualdades e injustiças inerentes à estrutura capitalista.

“[…] além de alfabetizar, educar o povo para a racionalidade imposta pela lógica da produção, a escola passa a cumprir um papel importante nesse controle como elemento preventivo e disciplinador” (Mortalli, 2006, p. 32).

Grande parte das propostas educacionais se ancora na primeira expressão de sociedade mencionada anteriormente, uma vez que não visa à emancipação do público da EJA, cumprindo predominantemente o objetivo de atender às demandas da atual fase de acumulação flexível do sistema capitalista.

3.2 IMPORTÂNCIA DA FORMAÇÃO CONTINUADA DE PROFESSORES E DA ARTICULAÇÃO CURRICULAR

A formação de professores deve ser entendida como um processo permanente, que não se encerra na graduação. A formação continuada é apontada como condição necessária para garantir a qualidade do ensino, pois permite ao docente atualizar-se frente às transformações sociais, tecnológicas e pedagógicas. Magalhães e Azevedo (2015, p.12) destacam que “ a formação continuada precisa ir além de modelos meramente técnicos e utilitaristas, garantindo autonomia ao professor e favorecendo práticas pedagógicas emancipatórias, em consonância com o PNE e as Diretrizes Curriculares Nacionais”.

A articulação curricular entre formação inicial e continuada é outro aspecto fundamental. Segundo Canário (2001) “não se deve pensar a formação como etapas estanques, mas como um percurso integrado em que teoria e prática se retroalimentam”. O autor sustenta que a escola é o espaço em que o professor aprende sua profissão, e que a prática profissional deve ser considerada elemento estruturante do currículo, funcionando como eixo de formação tanto inicial quanto contínua.

De acordo com ImbernónHYPERLINK “https://www.scielo.br/j/pp/a/RX9KwXKNBPLpfmmBcqdJY3z/?format=html&lang=pt&B35_ref” HYPERLINK “https://www.scielo.br/j/pp/a/RX9KwXKNBPLpfmmBcqdJY3z/?format=html&lang=pt&B35_ref”(2010), há uma centralidade dos eventos em,

Um tipo de formação continuada que, apesar de tudo e de todos, persiste em um processo composto de lições-modelo, de noções oferecidas em cursos, de uma ortodoxia do ver e do realizar a formação, de cursos ministrados por especialistas – nos quais o professor é um ignorante que assiste a sessões que o “culturalizam e iluminam” profissionalmente … Deixa-se de lado o que se vem defendendo há algum tempo: processos de pesquisa-ação, atitudes, projetos relacionados ao contexto, participação ativa dos professores, autonomia, heterodoxia, didática, diversas identidades docentes, planos integrais, criatividade didática, etc. (pp. 8-9)

Assim, a formação docente precisa ser concebida em uma lógica de educação permanente, em que a prática cotidiana seja também espaço de aprendizagem; nesse sentido, a formação continuada e a articulação curricular contribuem para a constituição do professor como sujeito crítico, capaz de refletir sobre sua prática e transformar o contexto educacional em que atua.

4. INFLUÊNCIA DA GESTÃO ESCOLAR NA ALFABETIZAÇAO

A melhoria da relação entre gestão escolar e corpo docente pode ser alcançada por meio de uma comunicação clara e objetiva, que favoreça o compartilhamento de informações, o alinhamento de expectativas e a resolução de problemas; do incentivo ao trabalho colaborativo; da realização de reuniões pedagógicas periódicas; e da oferta de apoio contínuo por parte da gestão, promovendo um ambiente de aprendizagem e desenvolvimento profissional mais consistente.

A organização e gestão da escola são práticas educativas que influenciam diretamente o processo de ensino na alfabetização. Para o autor, a articulação entre a equipe gestora e os professores é essencial para alcançar melhores resultados educacionais (Libâneo, 2004, p. 35).

A influência da gestão escolar na alfabetização ultrapassa os limites do acompanhamento administrativo, tornando-se elemento estruturante do processo educativo. Ao coordenar recursos, pessoas e estratégias pedagógicas, a gestão atua diretamente sobre as condições de ensino e aprendizagem. Como destaca Lück (2000), uma gestão eficaz organiza o trabalho escolar de forma participativa, potencializando os resultados da alfabetização.

Nesse contexto, o gestor deve assumir um papel articulador, promovendo diálogo constante com professores, pais e comunidade, de modo a construir um ambiente que valorize práticas inovadoras de leitura e escrita e que ofereça a todos os alunos oportunidades concretas de se apropriarem do mundo letrado.

4.1 A GESTÃO ESCOLAR COMO SUPORTE PEDAGÓGICO PARA A ALFABETIZAÇÃO

A gestão escolar exerce papel fundamental no planejamento pedagógico, garantindo que as práticas de alfabetização estejam alinhadas às diretrizes curriculares e às necessidades dos alunos. De acordo com Libâneo (2004, p. 221) “[…] a gestão escolar tem suas atribuições como: Responder por todas as atividades pedagógico-didáticas e curriculares da escola e pelo acompanhamento das atividades de sala de aula, orientar a organização curricular e o desenvolvimento do currículo, incluindo assistência direta aos professores na elaboração dos planos de ensino, escolha de livros didáticos, práticas de avaliação da aprendizagem”.

A organização das rotinas escolares, a definição de metas de aprendizagem e a construção de um projeto pedagógico coletivo favorecem a consistência e a continuidade do processo alfabetizador. Outro aspecto essencial é o acompanhamento do desempenho escolar, permitindo identificar dificuldades e propor intervenções pedagógicas adequadas.

A escola pode ser compreendida como uma unidade social, reunindo indivíduos com diferentes visões e experiências na busca de objetivos educacionais comuns. Caracterizando como uma instituição dotada de estruturas e processos organizativos específicos.

Assim, a organização escolar refere-se aos princípios e procedimentos relacionados à ação de planejar o trabalho da escola, racionalizar o uso de recursos (materiais, financeiros, intelectuais) e coordenar e avaliar o trabalho das pessoas, tendo em vista a consecução de objetivos. (Libâneo, Oliveira & Toschi, 2009, p. 316).

A alfabetização é um dos processos mais importantes da educação básica, pois garante aos estudantes o acesso inicial ao mundo letrado. Para que esse processo ocorra de maneira eficaz, a gestão escolar precisa assumir uma função articuladora entre os aspectos pedagógicos, administrativos e sociais. A gestão, nesse cenário, precisa garantir que o Projeto Político-Pedagógico (PPP) incorpore objetivos claros de promoção da alfabetização, sustentados em práticas democráticas.

Isso significa transformar a escola em um espaço vivo de aprendizagem, onde a leitura e a escrita sejam vistas como instrumentos de emancipação social.

“O projeto político pedagógico, ao se constituir em processo participativo de decisões, preocupa-se em instaurar uma forma de organização do trabalho pedagógico que desvele os conflitos e as contradições, buscando eliminar as relações competitivas e autoritárias, rompendo com a rotina do mundo pessoal e racionalizado da burocracia e permitindo as relações horizontais no interior da escola”. (Veiga, 1998:13)

É importante destacar também que a alfabetização não se reduz à aquisição de códigos linguísticos. Trata-se de um processo de formação integral, que envolve aspectos cognitivos, sociais e culturais. Nesse cenário, o papel do gestor escolar é também o de mediador entre as políticas educacionais e práticas cotidianas da escola. Cabe a ele traduzir as diretrizes externas em ações que façam sentido para o contexto local, garantindo que a alfabetização seja contemplada como prioridade.

4.2 RECURSOS, PARTICIPAÇÃO E BOAS PRÁTICAS NA GESTÃO ESCOLAR

A gestão escolar não se sustenta sem a utilização adequada de recursos. Segundo Lück (2009), a gestão escolar eficaz depende do uso adequado dos recursos materiais, humanos e financeiros, pois é por meio deles que se viabilizam as ações pedagógicas e administrativas necessárias ao alcance dos objetivos educacionais. Dessa forma, o gerenciamento responsável desses recursos torna-se elemento essencial para a qualidade da educação e para o bom funcionamento da escola.

No entanto, é importante compreender que recursos não se limitam a aspectos materiais e financeiros, mas englobam também os recursos humanos e culturais disponíveis. Os recursos só ganham sentido quando associados à maneira como são utilizados pelas pessoas, o que reforça a necessidade de uma gestão participativa e consciente. Esse olhar permite maximizar os recursos existentes e aplicá-los na melhoria da alfabetização (Luck, 2000)

A participação da comunidade escolar é elemento fundamental na construção de boas práticas de gestão, a presença das famílias na escola, especialmente em conselhos e associações, contribui para avaliar e fiscalizar a qualidade do ensino (luck, 2009) No campo da alfabetização, essa participação pode se traduzir no acompanhamento das tarefas, no estímulo à leitura em casa e na construção de um vínculo mais próximo entre a escola e os responsáveis.

A formação continuada dos profissionais da educação constitui outra boa prática de gestão. De acordo com Nóvoa (2002), a formação continuada é um elemento central para o desenvolvimento profissional dos educadores, pois permite a reflexão sobre a prática e a construção coletiva do conhecimento. Nesse sentido, investir na formação permanente dos profissionais da educação é uma prática essencial de gestão, uma vez que contribui para a melhoria da qualidade do ensino e para o fortalecimento da autonomia docente.

Quando gestores investem no desenvolvimento profissional de seus professores, contribuem para que novas metodologias de alfabetização sejam aplicadas. Isso fortalece a prática docente e melhora o desempenho dos estudantes. A gestão cumpre seu papel de mediadora do conhecimento, incentivando o aprendizado contínuo de sua equipe.

4.3 POLÍTICAS PÚBLICAS, DESAFIOS E REFLEXÕES SOBRE A GESTÃO DA ALFABETIZAÇÃO

As políticas públicas desempenham papel central na definição dos rumos da educação e, consequentemente, na gestão da alfabetização. A Constituição Federal de 1988 e a LDB de 1996 consolidaram a gestão democrática como princípio do ensino público, prevendo a participação da comunidade e a autonomia das escolas. Essa legislação reflete o entendimento de que o processo de alfabetização não pode ser conduzido de forma isolada, mas precisa estar amparado por políticas que incentivem a colaboração e a corresponsabilidade (CF/88, art. 206).

A implementação dessas políticas ainda enfrenta desafios significativos. A gestão democrática avança de forma gradual e encontra dificuldades para articular a participação de gestores, professores e comunidade escolar. Para que seja eficaz, é necessário que essas políticas sejam acompanhadas de estratégias concretas que deem prioridade à alfabetização no planejamento pedagógico da escola.

A gestão deve transformar metas educacionais em ações concretas, o que exige investimento adequado por parte do poder público. Sem esse apoio, a responsabilidade recai unicamente sobre os gestores escolares, que muitas vezes não dispõem das condições necessárias (Bordigon; Gracindo, 2004, p.4).

Outro desafio está relacionado à formação inicial e continuada dos professores alfabetizadores. Muitas vezes, a política pública prioriza metas quantitativas, como índices de aprovação, em detrimento da qualidade efetiva do processo de ensino-aprendizagem. Segundo Libâneo (2012) “a formação inicial e continuada dos professores é essencial para assegurar a qualidade do ensino, especialmente na alfabetização”. No entanto, políticas educacionais frequentemente privilegiam indicadores quantitativos, como taxas de aprovação ou desempenho em testes padronizados, em detrimento da efetiva aprendizagem dos alunos. Dessa forma, a falta de atenção à formação docente compromete a profundidade e a qualidade do processo educativo. A gestão escolar deve atuar como espaço de resistência, garantindo que a alfabetização seja desenvolvida de forma significativa (Bordignon; Gracindo, 2004).

As reflexões sobre a gestão da alfabetização apontam para a necessidade de ampliar os espaços de debate e participação. A luta por uma gestão democrática efetiva deve ser coletiva e contínua, envolvendo professores, alunos, famílias e sociedade civil. Somente assim será possível garantir que a alfabetização cumpra seu papel de base para toda a trajetória escolar e de formação cidadã (Libaneo, 2007).

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Esta investigação demonstrou que a gestão escolar vai além da esfera administrativa, configurando-se como elemento estruturante do processo de alfabetização ao articular dimensões pedagógicas, sociais e políticas da educação. Uma gestão comprometida com princípios democráticos e participativos otimizando recursos e rotinas, e criando condições subjetivas e relacionais indispensáveis para que a alfabetização se configure como prática de emancipação e formação cidadã.

Nota-se que o sucesso da alfabetização depende diretamente da capacidade da gestão em integrar o Projeto Político-Pedagógico às práticas cotidianas, superando a fragmentação entre teoria e realidade escolar. A promoção de formação continuada docente crítica, alinhada às demandas contemporâneas do letramento, e o estabelecimento de canais efetivos de participação comunitária transformando famílias e comunidade em parceiras ativas do processo educativo revelaram-se estratégias centrais para essa integração.

Entendemos que, apesar dos avanços legais consolidados pela Constituição Federal de 1988 e pela LDB 9.394/1996, persistem obstáculos significativos à consolidação da gestão democrática. Nesse cenário, o papel do gestor como líder transformador mostrou-se decisivo. Sua atuação como mediador entre políticas públicas e necessidades locais, articulador de uma cultura escolar colaborativa e gestor de conhecimentos que promove a circulação de saberes entre professores, alunos e comunidade, reconfigura a própria identidade da função gestora.

Percebemos também que é fundamental reformular os processos de formação de gestores, com ênfase em liderança pedagógica e gestão democrática; investir em infraestrutura e recursos humanos que garantam condições materiais para a inovação; valorizar a participação comunitária como eixo estruturante do PPP; e criar redes de colaboração entre escolas para compartilhamento de experiências bem-sucedidas. Somente assim será possível superar a dissociação histórica entre gestão e pedagogia que ainda limita o potencial transformador da escola pública.

Em síntese, este estudo reitera que a gestão escolar, quando exercida como prática política e pedagógica, revela-se condição essencial para uma alfabetização plena. Ela organiza recursos e processos, e tece os fios que conectam a escola à sua missão transformadora: formar sujeitos críticos, capazes de ler o mundo e nele intervir. Concluimos que investir em gestão democrática é, portanto, investir no futuro de uma educação pública que, de fato, emancipa.

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INFORMAÇÕES SOBRE OS AUTORES

[1] Graduando em pedagogia. ORCID: https://orcid.org/0009-0000-6714-3426. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/1753983319927782.

[2] Orientador. Doutorando (Stricto Sensu) em Estudos da Linguagem – Universidade Federal de Catalão (UFCAT); Mestre (Stricto Sensu) em Estudos da Linguagem – Universidade Federal de Catalão (UFCAT, 2021); Especialização (Lato Sensu) em Práticas em Educação Bilíngue (2023); Especialização (Lato Sensu) em Metodologia do Ensino de Língua Inglesa, Portuguesa e Literatura – FAVENI (2021); Especialização (Lato Sensu) em Linguística Aplicada – Faculdade APOGEU Brasília; Graduação em Letras – Português/Inglês e Literaturas – Universidade Estadual de Goiás (UEG, 2011); Graduação em Educação Física – Centro Universitário UniFAVENI. ORCID: https://orcid.org/0000-0001-6846-5785. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/7275866945434390.

Contribuição dos autores:

Dara Gabriela Ferreira Xavier: Concepção, planejamento, análise, interpretação e redação do trabalho.

Joaquim Generoso de Freitas Neto: Interpretação e redação do trabalho.

INFORMAÇÕES SOBRE O MATERIAL

Conflito de interesse:

Não há conflito de interesse.

Agradecimentos e Financiamento:

Não há financiamento.

Nota:

Os autores utilizaram a Inteligência Artificial COOPILOT PRO, QUILBOT PRO, CHAT GPT 4.0 para coreções ortograficas. Reconhecendo as diretrizes éticas e os cuidados necessários quanto ao uso de IA em trabalhos acadêmicos. As referidas ferramentas foram empregadas exclusivamente para correções ortográficas, ajustes de clareza textual e reescrita de trechos sem alteração de conteúdo conceitual. No entanto, todas as buscas pelos conteúdos e classificação da qualidade dos artigos foram realizadas de maneira autoral. Os autores se responsabilizam pelo material.

Informações sobre Direitos Autorais e Licença:

Este é um artigo de Acesso Aberto distribuído sob os termos da Creative Commons Attribution License, que permite uso, distribuição e reprodução irrestritos em qualquer meio, desde que o autor e a fonte originais sejam creditados.

Os nomes e endereços informados nesta revista serão usados exclusivamente para os serviços prestados por esta publicação, não sendo disponibilizados para outras finalidades ou a terceiros.

  • ISSN (versão eletrônica): 2448-0959
  • Licença Creative Commons: Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição 4.0 Internacional.

Histórico da Publicação:

Material recebido: 13 de outubro de 2025.

Material aprovado pelos pares: 07 de novembro de 2025.

Material editado aprovado pelos autores: 17 de dezembro de 2025.

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