Como o Processo de Avaliação contribui para a formação dos educandos na Educação Profissional  

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ARTIGO ORIGINAL

NASCIMENTO, Maria Liziane de Oliveira [1]

NASCIMENTO, Maria Liziane de Oliveira. Como o Processo de Avaliação contribui para a formação dos educandos na Educação Profissional. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 05, Ed. 11, Vol. 12, pp. 93-104. Novembro de 2020. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/educacao/formacao-dos-educandos

RESUMO

Este trabalho apresenta uma discussão do processo de avaliação para a formação dos educandos na educação profissional, evidenciando a importância da avaliação no processo de desenvolvimento das capacidades e a essencialidade do professor nesse campo. O estudo, portanto, objetiva destacar a avaliação diagnóstica, formativa e somativa como caminho de pertinente de avaliação. Realizou-se uma pesquisa bibliográfica sobre a concepção de avaliação, em especial na formação do educando no ensino profissional. Os resultados desta pesquisa indicam que, por meio de uma aprendizagem significativa e intencional, é possível desenvolver as competências dos estudantes, compreendendo que os critérios de avaliação devem condizer com o que se espera como resultados do aluno, sendo estes quantitativos e qualitativos.

Palavras-Chave: Avaliação, aprendizagem, formação, Educação Profissional.

1. INTRODUÇÃO

Este estudo apresenta modalidades de avaliação na escola profissional, de modo a destacar cada uma delas durante o processo de formação do discente, explicando o significado e como ocorre o desenvolvimento das avaliações diagnósticas, formativa e somativa. Enfatizamos, como contribuição à área, a importância da junção dessas três modalidades dentro do âmbito escolar.

Por muitos anos, a avaliação nas escolas foi vista como instrumento de aferição de nota e medição da capacidade do aluno, que definia se o mesmo estava apto a ser aprovado ou não. Na escola, a avaliação é um recurso fundamental para verificar o grau de aprendizagem do aluno. É algo concreto, que pode ser classificado como quantitativo e qualitativo. Ainda hoje, em nossas escolas, encontramos docentes que utilizam o método tradicional de provas e testes que instigam a memória e atenção do educando. Para Luckesi (2002, p.28), “a avaliação exercida apenas com a função de classificar alunos, não dá ênfase ao desenvolvimento e em nada auxilia o crescimento deles na aprendizagem.”

O aluno vem de uma cultura educacional em que os conhecimentos se  desenvolvem por meio de uma aprendizagem que conta com memorização de conteúdos, métodos e estratégias que não trabalham as capacidades esperadas e requeridas pelo mundo do trabalho. O processo de avaliação dessas metodologias se baseia em testes escritos que compreendem o conhecimento dos estudantes de forma quantitativa, diante dos acertos apresentados pelo estudante.

A fim de atingir o objetivo, que é discutir formas de avaliação e destacar a pertinência da avaliação diagnóstica, formativa e somativa, utilizamos como referencial teórico autores como Sant’ana (2001), Vasconcelos (2010) e Gil (2006), dentre outros estudiosos que abordaram essa temática no cenário que nos é pertinente. Investigamos a importância da avaliação na aprendizagem, com o intuito de compreender como ocorre esse processo, de averiguar quais métodos são utilizados e as vantagens de propor uma avaliação significativa, pautada nos conhecimentos e habilidades dos educandos.

2. AVALIAÇÃO PARA A APRENDIZAGEM

O ato de avaliar significa muito mais que verificar se o aluno conseguiu obter nota suficiente para ser aprovado. Avaliar representa o comprometimento com o resultado apresentado pelo estudante. Nesse sentido, o processo avaliativo é algo que acompanha docente e discente e que pode auxiliar a aproximação dos envolvidos, criando uma relação de parceria e confiança, em que há trocas de conhecimentos, experiências e habilidades.

A avaliação está ligada ao caminho a ser percorrido pelo aluno, ou seja, quais objetivos o educador deseja que o aluno alcance. Por meio do planejamento, o docente consegue criar estratégias de ensino para atingir os resultados, que interferem no crescimento pessoal e profissional de todos os envolvidos no processo.

São diversas as técnicas de avaliação, dentre elas podem ser utilizadas a observação, a auto avaliação, o feedback. Já os  instrumentos de avaliação podem ser as avaliações escritas (dissertativas ou de múltipla escolha), portfólios, exercícios, recursos educacionais tecnológicos etc.

2.1 CRITÉRIOS A SEREM AVALIADOS NA APRENDIZAGEM

Os critérios de avaliação para aprendizagem na educação profissional dependem muito dos níveis de qualificação, assim como todos os conhecimentos e capacidades que estão inseridas na aprendizagem. São estabelecidos de um modo geral os seguintes critérios:

Domínio técnico-profissional: são os conhecimentos ligados à teoria e à prática que o alunos devem desempenhar, conforme as competências esperadas pelo mercado de trabalho;

Iniciativa: capacidade de agir diante de situações adversas, sem um direcionamento específico, incluindo vários níveis de decisão, da mais simples à mais desafiadora;

Autonomia: Refere-se ao desenvolvimento de ações de forma independente;

Responsabilidade: Comprometimento com os resultados, num contexto em que o trabalhador esteja diretamente inserido, sendo estes técnicos e/ou produtivos;

Coordenação e relacionamento: Realização de atividades em equipes para alcançar boas relações pessoais e profissionais, considerando todos os níveis, sejam eles superiores ou inferiores;

Tomada de decisão: Trabalhar a solução de problemas de forma consciente, em todos os aspectos, sejam eles técnicos, produtivos e humanos.

Por meio dos critérios de avaliação, o aluno é observado, com base nas competências definidas no perfil profissional, bem como as capacidades sociais, organizativas e metodológicas.

A avaliação pode ser quantitativa e qualitativa, portanto:

Avaliação Quantitativa: O foco recai sobre os critérios de quantidade explicitados por indicadores numéricos.

Avaliação Qualitativa: O foco recai sobre os critérios de qualidade, como aspecto visual, acabamento e funcionamento ou a autonomia e a criatividade do aluno na realização de determinada atividade. (SENAI, 2014, p. 146).

O docente, em suas práticas, deverá viabilizar momentos de auto avaliação, para que o aluno possa analisar, de forma crítica, a própria atuação, a partir dos critérios de avaliação proposto pelo docente.  Assim, é fundamental que o educador tenha um efetivo conhecimento desses critérios e como estes serão observados nas atividades.

Critérios de Avaliação Críticos, são os essenciais, aqueles que o aluno deve necessariamente alcançar durante o desenvolvimento de uma determinada Situação de Aprendizagem;

Critérios de Avaliação Desejáveis, são também relevantes, porém não essenciais em uma dada Situação de Aprendizagem e ainda a;

Auto avaliação, aquela que é realizada pelo próprio aluno que passa pela ação formativa. Para sua realização, os critérios que servirão como parâmetros de avaliação devem estar claramente definidos pelo docente e conhecidos pelo aluno. (SENAI 2014, p. 149)

2.2 APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA

A avaliação significativa consiste em promover um ambiente acolhedor, com bem-estar, parcerias, empatia e convivência agradável entre os envolvidos, não comprometendo os objetivos a serem alcançados no processo de ensino e aprendizagem.

Na aprendizagem significativa, acontecem as transformações entre os conhecimentos prévios com os novos e ocorrem uma interação e, consequentemente, novos desafios e resultados relevantes no desenvolvimento das habilidades.

O ênfase no aprender a aprender, refere-se à intencionalidade do docente em despertar no aluno a motivação para aprender, o interesse por querer saber mais e melhor. Ao favorecer o autodidatismo, o docente mobiliza no aluno a capacidade e a iniciativa de buscar por si mesmo novos conhecimentos, favorecendo a curiosidade, a autonomia intelectual e a liberdade de expressão. No momento atual, em que o conhecimento que se aplica hoje pode não mais se aplicar amanhã, mobilizar o aprender a aprender é fundamental para favorecer ao aluno descobrir suas próprias ferramentas para enfrentar as mudanças constantes e os desafios que elas acarretam. (SENAI, 2014, p. 114).

Desse modo, é possível incentivar pensamento criativo, a aceitação da dúvida como impulsora no ato de pensar e a idealização com um olhar para a inovação. Por meio desse estímulo, o docente oportuniza uma aprendizagem que vai além da representação da realidade e proporciona novas descobertas. Para uma aprendizagem significativa, o docente deve utilizar didáticas diferenciadas para o alcance dos objetivos. Como exemplo podemos citar:

Exposição dialogada: é uma exposição realizada pelo docente com temas e assuntos diversos que instiguem o interesse, a curiosidade e a participação ativa dos alunos. Na exposição dialogada, o docente deve dar espaços ao diálogo, aos questionamentos, às reflexões e às críticas. Essa técnica pode acontecer por meio de rodas de conversa, tempestade de ideias, considerando os conhecimentos prévios e utilizando as dúvidas como mola propulsora para o debate de ideias.

Atividade em campo, laboratórios e oficinas: acontece por meio da integração entre teoria e prática, baseada em situações reais, principalmente nos contextos adversos no âmbito profissional. Oportuniza ao aluno a realização de um conjunto de ações que envolvem habilidades cognitivas (planejamento) e psicomotoras (operações), na execução de processos e produtos (bem ou serviço).

Trabalho em grupo: refere-se à interação dos alunos para desenvolver os conhecimentos de forma coletiva. O trabalho em grupo incrementa capacidades, como saber ouvir seus pares, na tomada de decisões de forma conjunta, na argumentação e no comprometimento com atividades coletivas.

Dinâmica de Grupo: utilizada na sensibilização e integração de pessoas, para trabalhar com temáticas específicas, com o objetivo de alcançar algumas metas, bem como identificar o perfil do grupo, perceber o envolvimento dos alunos, de forma dinâmica e criativa. Podem acontecer por meio de ações atrativas, onde promovam ou sejam observadas a cooperação e aceitação de forma mútua.

2.3 MEDIAÇÃO DA APREDIZAGEM

Nessa perspectiva, alinhando todos os elementos que englobam o processo de aprendizagem, o professor deve motivar os alunos para que sejam autônomos e sintam-se responsáveis pela própria aprendizagem.

Mediar é um tipo especial de interação entre o docente e o aluno que se  caracteriza por uma intervenção intencional e contínua que o docente realiza para ajudar o aluno a desenvolver capacidades e construir conhecimentos. Essa interação proporciona ao aluno, um melhor entendimento quanto à problemática proposta pelo educador, criando assim um elo entre teoria e prática. Essa junção de conhecimentos, com as capacidades desenvolvidas pelo aluno ao longo dos momentos em sala de aula, faz com que o aluno reflita, tire conclusões e alcance os objetivos. SENAI (2014, p. 115).

Quanto ao trabalho realizado entre aluno e docente, é possível haver uma relação mais próxima, uma forma especial de interação, no sentido de um suporte, de um acompanhamento mais eficiente, para um melhor entendimento das situações de aprendizagem. Esse acompanhamento torna a dinâmica das aulas e a realização das atividades fluídas, situação na qual o professor mediador faz o reconhecimento das dificuldades do aluno de perto e consegue compartilhar saberes, experiências e fazer troca com o aluno.

As  estratégias de ensino devem contemplar a intervenção mediadora, planejada pelo docente de forma minuciosa, e a formação baseada nas competências a serem desenvolvidas pelo aluno.

A seleção de Estratégias de Ensino requer que o docente leve em consideração dois aspectos: A adequação de cada uma delas para o que se quer desenvolver, considerando-se os Fundamentos, as Capacidades e os Conhecimentos intrinsecamente relacionados, a Estratégia de Aprendizagem Desafiadora elaborada, bem como o desempenho que se espera do aluno; e a carga horária disponível para o desenvolvimento das atividades propostas, considerando que algumas Estratégias de Ensino levam mais rapidamente a um resultado, enquanto outras exigem mais tempo. (SENAI, 2014, p. 174)

Capacidades como as sociais, organizativas e metodológicas são mais eficientes por meio de atividades vivenciais. Isso referente à educação profissional, mas também são válidas para aplicação na educação básica. Ressaltamos que deve haver o envolvimento do aluno para que o processo de ensino e aprendizagem seja satisfatório, bem como o resultado na avaliação do professor. Para o desenvolvimento de estratégias de aprendizagem desafiadoras, o docente deve buscar práticas, a fim de enriquecer a aprendizagem. Assim, o educador consegue reter a atenção do aluno, tornando a aula mais didática.

3. AS MODALIDADES DE AVALIAÇÃO NA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL

Nesta seção, tratamos da avaliação diagnóstica, formativa e somativa e da relevância que possui para a educação profissional. Compreendemos que esse conjunto de avaliações é pertinente, pois auxilia a formação do aluno e aproxima professor e discente ao longo de todo processo educacional.

3.1 AVALIAÇÃO DIAGNÓSTICA

A avaliação diagnóstica é a primeira fase do processo de avaliação e auxilia o docente na verificação dos conhecimentos do estudante. A partir desse diagnóstico, o educador pode planejar com qualidade as ações que precisam ser executadas, a fim de que possam suprir as necessidades educativas dos alunos e atingir os objetivos propostos dentro do planejado para formação do educando. Nesse caso, a avaliação da aprendizagem aparece como suporte para o planejamento do ensino, devendo acontecer logo no início do processo de ensino e aprendizagem. Para Luckesi (2002, p. 28):

O objetivo dessa avaliação diagnóstica é orientar docente e aluno qual o melhor caminho a ser percorrido para obtenção dos conhecimentos necessários dentro de cada módulo. É identificar as aprendizagens e as necessidades de aprofundamento em determinados assuntos e conhecimentos. A partir da avaliação diagnóstica, professor e aluno poderão reajustar os planos de ação. Esta avaliação deve ocorrer no início de cada ciclo de estudos, pois o tempo utilizado a partir do diagnóstico das aprendizagens do discente pode ser favorável ou prejudicial às trajetórias que seguem.

A maneira de aplicação dessa avaliação analítica deve ocorrer por meio da observação de cada aluno durante os primeiros dias de aula. É importante uma investigação prévia dos conhecimentos e habilidades que cada um apresenta. Utilizando entrevistas direcionadas, o educador pode perceber as deficiências e habilidades de cada discente e, assim, planejar com qualidade as atividades e avaliações ideais para os objetivos propostos.

Esta avaliação deve ser executada com um certo rigor técnico, fato que exige instrumentos de avaliação bem elaborados, executados e aplicados no ambiente escolar. Os resultados obtidos por meio dessa avaliação poderão ser comparados com os objetivos que foram propostos antes do ciclo de ensino se iniciar. Dessa forma, no caso de alterações no planejamento de ensino, essa mudança será orientada pela avaliação realizada com os educandos, configurando-se como decisão de atividades mais assertivas para o alcance dos objetivos.

3.2 AVALIAÇÃO FORMATIVA

A função desta avaliação é informar professor e aluno sobre os resultados durante o desenvolvimento das atividades, identificando as possíveis falhas com o intuito de eliminá-las. Por meio da avaliação formativa, é possível verificar se tudo o que foi planejado pelo docente em relação aos conteúdos a serem abordados durante as aulas está sendo atingido ao longo do processo.

Segundo Sant’ana (2001, p. 34):

A Formativa tem como função informar o aluno e o professor sobre os resultados que estão sendo alcançados durante o desenvolvimento das atividades; melhorar o ensino e a aprendizagem; localizar, apontar, discriminar deficiências, insuficiências, no desenvolvimento do ensino- aprendizagem para eliminá-las; proporcionar feedback de ação (leitura, explicações, exercícios).

Para Gil (2006)

A avaliação formativa tem a finalidade de proporcionar informações acerca do desenvolvimento do processo de ensino e aprendizagem para que o professor possa ajustá-lo às características dos estudantes a que se dirige. Suas funções são as de orientar, apoiar, reforçar e corrigir.

As estratégias utilizadas pelo docente para recuperação paralela de algum conteúdo devem ser modificadas com atenção às necessidades de cada educando. Nesse sentido, é relevante reorganizar os objetivos e métodos utilizados durante a explanação dos conhecimentos, visando a uma aprimorada compreensão dos objetivos apresentados.

Esse tipo de recuperação deve fazer parte da avaliação continuada, que pode acontecer de forma individual ou em grupo, com atividades de pesquisas, apresentações ou testes individuais ou coletivos.

Existem dois métodos de recuperação: Recuperação Contínua: É realizada no decorrer das aulas por orientações de ensino e atividades diversas adaptadas à dificuldade de cada aluno. É feita também através de aulas extras para alunos que apresentam uma dificuldade mais acentuada e que requer mais contato com a matéria. Recuperação Paralela: É realizada no final de cada semestre onde o aluno recebe junto com o boletim um plano de estudo para ser realizado em julho e depois em dezembro com um plano de estudo anual. Após o término dessas aulas, o aluno fará uma prova a respeito do conteúdo dado no plano de estudo específico e será aprovado se conseguir atingir a nota necessária. (BRASIL ESCOLA, 2017).

Com esse modelo de avaliação e acompanhamento, o educador pode refletir sobre o processo e adequar seu planejamento e ações, a fim de intervir e adaptar suas práticas dentro da sala de aula. Essa avaliação deve ser contínua, de modo a verificar se as habilidades e capacidades estão sendo desenvolvidas pelo discente.

A avaliação formativa deve, a todo tempo, considerar exatamente estas instâncias: a) a aprendizagem tem sido conduzida de forma mediada? B) tem tido significância para os alunos? C) os alunos tem conseguido com as situações de aprendizagem propostas desenvolver as capacidades que sustentam as competências? D) a abordagem dada aos princípios norteadores da prática docente está sendo eficaz no desenvolvimento das capacidades, ou seja, conhecimentos, habilidades e/ou atitudes? (SENAI, 2014, p. 6).

A investigação do erro e o retorno dado ao integrante do processo, o aluno, caracterizam a avaliação formativa. Por meio dessa investigação e detecção de onde está a lacuna, é possível reparar o que foi perdido, propiciando ao protagonista da aprendizagem a oportunidade de aprimoramento. Em outras palavras, o objetivo da avaliação formativa é a verificação da aprendizagem e o replanejamento do ensino, visando ao alcance do resultado significativo.

Neste tipo de avaliação, são utilizados os feedbacks, nos quais o educador apresenta ao educando a omissão de saberes durante o processo, propiciando ao aluno compreender porque acertou ou errou, a partir dessa compreensão, o discente refaz o trajeto a ser percorrido.

Conforme SENAI (2014, p.193):

Nesse caso específico, os feedbacks são extremamente importantes e direcionadores das ações necessárias para o aprendizado, pois identificam as deficiências do processo de aprendizagem, em que o docente verifica as habilidades adquiridas pelo aluno, auxiliando-o no aperfeiçoamento de suas práticas pedagógicas e ajudando o discente a aprimorar seu desenvolvimento.

A avaliação formativa possui uma ideologia mais ampla e direcionada  concluindo que a avaliação está a serviço do conhecimento. Todo processo visa à formação integral do aluno, e esta deve acontecer diariamente, observando os desempenhos durante as práticas, sejam elas executadas de forma presencial ou EAD.

3.3 AVALIAÇÃO SOMATIVA

Na conclusão do processo de formação, é necessário a certificação de aptidão. Para tanto, é essencial os registros qualitativos e quantitativos para essa certificação. Nesse momento, surge a avaliação somativa, responsável por atribuir uma nota que dirá se o discente pode concluir as etapas com aproveitamento.

Este tipo de avaliação julga se os alunos aprendem da mesma maneira e ao mesmo tempo. Porém algumas pessoas, por vários motivos, têm maiores condições de aprender, enquanto outras pessoas não conseguem adquirir os conhecimentos e informações com tanta facilidade. Nessa perspectiva somativa de avaliação, essas últimas aprendem cada vez menos e, por vezes acabam sendo excluídas do processo de escolarização. Os alunos têm sua atenção centrada na promoção. A avaliação somativa é cumulativa e não permite que seja realizada nenhuma alteração no processo.

Hoffman (2001, p. 93) afirma:

Essa avaliação estabelece o nível de conhecimento mínimo, seja ele alto ou baixo, a uniformização, classifica o estudante de acordo com o nível de aproveitamento. Por ser classificatória tem o objetivo de atribuir notas e conceitos para que o discente seja promovido ou não de uma série a outra, geralmente acontece durante o bimestre ou semestre.

Por muitos anos, a avaliação escolar tem sido classificatória. Atualmente, é perceptível o foco nos estudos e na execução de avaliações que priorizam a aprendizagem do discente e, consequentemente, o seu crescimento.

Nas escolas profissionalizantes, as avaliações somativas são um complemento/finalização das avaliações diagnósticas e formativas que acontecem desde o início do processo de ensino e aprendizagem até a saída do discente da escola, completando assim o ciclo de aprendizagem. No ensino profissional, a classificação é algo real por meio da avaliação somativa. Essa classificação está diretamente ligada a todo o processo ao qual o discente foi submetido durante suas avaliações, desde o primeiro dia de aula até a atribuição de conceito para fechamento do módulo.

Durante a avaliação somativa, o docente poderá constatar as condições e níveis de aprendizagem dos educandos, confirmando que a avaliação é um processo e não um fim. Essa evidência se dá ao final do processo, pois o aluno já terá passado pelos métodos de aprendizagem e pelos tipos de avaliações orientadas.

A avaliação somativa também é um processo, pois permite avaliar a aprendizagem do aluno ao final de uma etapa de ensino e de aprendizagem. A etapa pode ser formada por uma situação de aprendizagem, por uma unidade curricular ou por um módulo e permite decidir sobre a promoção ou retenção do aluno, considerando o desempenho alcançado. São exemplos de instrumentos avaliativos: provas escritas, debates, seminários, atividades comunitárias e provas práticas. (SENAI, 2014, p.189).

A avaliação somativa ou avaliação final promove a definição de propósitos e geralmente está baseada nos conteúdos e procedimentos de medida. Tanto a avaliação diagnóstica, quanto a avaliação formativa colaboram para a avaliação somativa, visto que a aprendizagem é um ciclo de intervenções pedagógicas de um mesmo processo.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Observou-se, por meio dos apontamentos, a relevância da avaliação da aprendizagem, para o desenvolvimento das competências dos alunos na educação profissional.

Analisamos ainda as formas de avaliação, as particularidades de cada uma delas e os impactos explanados no contexto da aprendizagem. Destacamos também como as avaliações diagnóstica, formativa e somativa auxiliam o docente para identificar as estratégias relevantes para obtenção dos resultados.

A reflexão desse trabalho girou em torno do planejamento docente, que contempla o nível dos estudantes, os objetivos a serem alcançados e os instrumentos de avaliação. Assim, compreendemos como o processo de avaliação potencializa a formação dos estudantes, com vistas às competências esperadas pelo mundo trabalho, desafiando o discente com situações de aprendizagem realistas ou próximo da vivência do âmbito profissional.

REFERÊNCIAS

BRASIL ESCOLA. Recuperação Escolar. Disponível em <http://brasilescola.uol.com.br/educacao/recuperacao-escolar.htm>. Acesso em: 15 de novembro de 2017.

GIL, A. Carlos. Didática do ensino superior. São Paulo: Atlas, 2006.

HOFFMANN, Jussara. Avaliar para promover: as setas do caminho. Porto Alegre: Mediação, 2001.

LUCKESI, Cipriano C. Avaliação da aprendizagem escolar. 13. ed. São Paulo: Cortez, 2002.

SAEP – Avaliação de Desempenho dos Estudantes do SENAI. 2016 (http://www.portaldaindustria.com.br/senai/canais/educacao-profissional/sobre- educacao-profissional/sistemas-de-avaliacao).

SANT’ANNA, Ilza M. Por que avaliar? Como avaliar?: Critérios e instrumentos. ed. Vozes. Petrópolis 2001.

SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM INDUSTRIAL. Departamento Nacional. Fundamentos Norteadores da Prática Docente: Avaliação da Aprendizagem. Porto Alegre: SENAI-RS, 2014.

VASCONCELOS, Celso dos S. Planejamento: projeto de ensino-aprendizagem e projeto político-pedagógico. 20. ed. São Paulo: Libertad, 2010

[1] Pós-Graduando em Engenharia Industrial 4.0; Especialista em EAD e Novas Tecnologias Educacionais; Graduada em Pedagogia.

Enviado: Agosto, 2020.

Aprovado: Novembro, 2020.

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