Início Educação Educação Física escolar na promoção da Saúde

Educação Física escolar na promoção da Saúde

RC: 6042 -
Educação Física escolar na promoção da Saúde
4.6 (92.73%) 11 votes
1247
0
ARTIGO EM PDF

SANTANA, Dayane Pereira de [1]

COSTA, Célia Regina Bernardes [2]

SANTANA, Dayane Pereira de; COSTA, Célia Regina Bernardes. Educação Física escolar na promoção da Saúde. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo Do Conhecimento, Ano 01. VOL. 10 Pp. 171-185. Novembro de 2016 ISSN. 2448-0959

RESUMO

A promoção de saúde é um tema muito debatido nos últimos anos. Busca-se uma estratégia promissora para o embate aos inúmeros problemas de saúde que modernamente afetam os seres humanos. A promoção de saúde é disciplina de destaque nos processos educativos, sendo baseada na construção de estilos de vida mais saudáveis, bem como na criação de ambientes favoráveis à saúde. O profissional de Educação Física e a instituição educacional são fundamentais nesse processo, pois possibilitam uma educação baseada na promoção da saúde, motivando os alunos a praticarem atividades físicas regularmente. Assim, harmoniza-se corpo e mente, atuando diretamente na prevenção e no combate a diversas patologias. A pesquisa em apreço busca compreender a importância da Educação Física Escolar na promoção da saúde dos alunos, utilizando práticas que envolvem a cultura corporal de movimento. A metodologia utilizada foi a revisão bibliográfica, realizada através de pesquisas em artigos científicos, livros e sites da Internet. Após os estudos realizados, foi possível perceber que ao integrar jogos, esportes, danças e brincadeiras nas aulas de Educação Física ampliam-se as possibilidades de movimento dos escolares. Orientá-los para a importância da prática de exercícios físicos regulares, aliados à alimentação equilibrada e saudável, é imprescindível para que tenham condições de realizar escolhas de forma adequada, crítica, reflexiva e sensível para suas vidas.

Palavras-chave: Educação Física, Escola, Promoção de Saúde.

INTRODUÇÃO

A promoção da saúde e bem-estar na infância e adolescência representa grande desafio, considerando que as ações e práticas que priorizam a população envolvem aspectos como: sistema de saúde, educação, trabalho e desenvolvimento social. A contribuição da Educação Física e da escola é fundamental nesse processo, sendo eles capazes de possibilitar uma educação baseada na promoção da saúde, sensibilizando e motivando os alunos sobre a importância de a prática de atividade física regular como principal forma de prevenção de doenças, garantindo assim um maior equilíbrio corporal.

O mundo moderno trouxe inúmeros benefícios para a humanidade, porém acarretou em uma profunda transformação social e econômica. O indivíduo que anteriormente se mantinha ativo, conforme as necessidades e características peculiares de cada época, hoje se apresenta inerte, acomodado e sedentário. A diminuição das práticas físicas e de lazer, associada ao uso contínuo de computadores, celulares, aparelhos eletrônicos, automóveis, incluindo as mudanças alimentares, comida com pouca qualidade nutricional e repleta de gorduras, vem seduzindo crianças e jovens, modificando seus corpos e interferindo diretamente na qualidade de vida. Todas estas práticas têm modificado os hábitos da população, apresentando elevados índices de doenças e obesidade no país.

As escolas e os professores de Educação Física podem contribuir muito para a mudança desse quadro, sendo a escola um dos principais lugares de permanência de crianças e jovens. Portanto, é possível promover a modificação dos paradigmas tradicionais para enfoques integrais de saúde no ambiente escolar, educando e sensibilizando os alunos para a importância dos cuidados corporais, através da prática de atividades físicas, aliada a uma alimentação balanceada.

Desta forma, esta pesquisa inscreve-se como um estudo que visa compreender a importância da Educação Física escolar na promoção de saúde dos alunos, utilizando práticas que envolvem a cultura corporal de movimento, através do esporte, da dança, dos jogos, das brincadeiras, da ginástica e das lutas.  A metodologia utilizada foi a revisão bibliográfica, realizada através de pesquisas em artigos científicos, livros e sites da internet. A pesquisa possui caráter qualitativo, pois visa despertar nos educandos, nos pais e na sociedade, a importância da Educação Física escolar como prática de promoção de saúde para a melhoria da qualidade de vida dos escolares.

1. REFERENCIAL TEÓRICO

1.1 Conceito de Saúde

A Organização Mundial de Saúde define saúde como um completo estado de bem-estar físico, mental e social do indivíduo, e não meramente como ausência de doença como era vista antigamente. Portanto, a saúde passa a ser um direito fundamental da pessoa humana, assegurado sem distinção de religião, ideologia política ou condição socioeconômica. Ela passa a ser um valor coletivo, um bem de todos, devendo cada um gozá-la individualmente e de forma solidária, sem prejuízo de outrem.

No passado, a saúde era a perfeição morfológica, acompanhada da harmonia funcional, da integridade dos órgãos e aparelhos, do bom desempenho das funções vitais; era o vigor físico e o equilíbrio mental, apenas considerados em termos do indivíduo e ao nível da pessoa humana. Hoje, ela passou a ser considerada sob outro plano ou dimensão. Ultrapassou a seara individual para ser analisada de modo comparativo com o trabalho e com a comunidade.

Compreender a saúde de forma global é, antes de tudo, dar condições ao indivíduo de manter o seu equilíbrio físico, social, mental e econômico, de forma segura e harmônica. Atualmente, o mundo oferece às pessoas uma imensidão de ofertas. O “ter” passou a ser prioridade sobre o “ser”, a inquietude, a pressa, a ansiedade, as incertezas, o poder de compra, as mudanças alimentares, comida com pouca qualidade nutricional e repleta de gorduras, vêm seduzindo crianças e jovens. A redução de espaços de lazer, a insegurança, as facilidades de locomoção e os avanços tecnológicos estão influenciando a inatividade física e o sedentarismo, trazendo consequências desastrosas para a saúde da população e contribuindo para a obesidade no mundo.

Diante desse panorama, a ideia de promoção de saúde vem sendo debatida em todo o planeta, na perspectiva de melhorias das condições de saúde da população, incluindo os escolares, onde os programas de saúde escolar passam a ser preocupação de órgãos como a Organização Mundial de Saúde (OMS), o Fundo Internacional das Nações Unidas de Emergência para a Infância (UNICEF) e a Organização Científica e Cultural das Nações Unidas para a Educação (UNESCO). Todos os programas destas instituições têm como meta a saúde da criança na escola.

O período escolar é fundamental para se trabalhar com o tema saúde. As crianças e os jovens que se encontram nas escolas vivem momentos nos quais hábitos e atitudes estão sendo criados, por isso é importante trabalhar com ações preventivas. A escola, além da sua função pedagógica, exerce um grande poder social e político capaz de transformar a sociedade, causando impacto e gerando mudanças.

1.2 Escola Promotora de Saúde

A saúde é um direito universal, algo que as pessoas devem construir ao longo de suas vidas nas suas relações sociais e culturais; é no interior da escola que as questões sobre saúde encontram espaço para diferentes abordagens. O Ministério da Educação e do Desporto (1998) criou o Referencial Curricular Nacional para a Educação Fundamental, no qual a Saúde é tida como tema transversal a ser trabalhado e assumido com responsabilidade nos projetos da Escola, envolvendo a participação de alunos, professores, pais e comunidade escolar.

No século XX, as escolas em suas práticas pedagógicas trabalhavam com uma visão reducionista de saúde. Disciplinas como higiene, puericultura, nutrição e dietética enfatizavam os aspectos biológicos, conhecimentos relativos aos mecanismos pelos quais os indivíduos adoeciam. Em 1977, o Conselho Federal de Educação reafirmou a posição de que os programas de saúde não deveriam ser desenvolvidos como disciplina ou matéria específica, mas sim com a preocupação geral dos processos formativos, por meio de uma correlação entre os componentes curriculares, como ciências, estudos sociais e Educação Física.

Atualmente, a saúde ainda se encontra centrada basicamente na transmissão de informações, sobre como as pessoas adoecem e os ciclos das doenças, em detrimento da prevenção. É preciso repensar a prática da saúde no ambiente escolar, investir na formação e capacitação dos professores, além de desenvolver ações de saúde no espaço de sala de aula, pois é no cotidiano escolar e na escola que acontecem as relações com o conhecimento, com os grupos de alunos, pais, professores e comunidade.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, as escolas que contribuem para a promoção de saúde dos escolares são aquelas que conseguem ter uma visão ampla de todos os aspectos da escola, envolvendo um ambiente saudável, concedendo importância à estética o entorno físico da escola, participação efetiva dos alunos nas diferentes áreas curriculares, a valorização da autoestima, da autoconfiança pessoal. Todos estes aspectos são fundamentais para promover a saúde, gerando mudanças de atitudes e hábitos de vida saudáveis.

A saúde deve estar incluída na proposta política pedagógica da escola, envolvendo a estrutura escolar e parcerias no desenvolvimento de ações integradas com diversos assuntos que englobam a educação, a saúde, o meio ambiente, o trabalho, a cultura, a música, a Educação Física, a alimentação saudável, a moradia, dentre outros assuntos correlatos à saúde, pautada no respeito ao indivíduo e tendo como meta a construção de novos pensamentos relativos à temática.

Neste enfoque, os educadores e a equipe de saúde podem desenvolver um trabalho no âmbito escolar sobre educação e saúde, colaborando na formação crítica dos educandos, para que eles possam colocar em prática a promoção, manutenção e recuperação da saúde e da comunidade da qual fazem parte. Os profissionais de Educação Física também podem colaborar nesse processo, ao trabalhar diretamente com as práticas da cultura corporal, poderão ressaltam a importância e os benefícios da atividade física para a saúde.

1.3 Alimentação saudável e equilibrada para a saúde

O organismo humano consome energia em todas as atividades que realiza. Mesmo parado ou dormindo o corpo está consumindo energia, portanto a energia é o que mantém o corpo em funcionamento.

Uma boa alimentação é aquela que prevê a ingestão de alimentos variados e em quantidade adequada, garantido que o corpo receba todos os nutrientes necessários para a realização das atividades diárias. Para manter o corpo em funcionamento é essencial que haja a ingestão de alimentos importantes que contêm nutrientes como carboidratos (amidos e açúcares), gorduras (lipídios), proteínas, água, sais minerais e fibras. O consumo equilibrado dos nutrientes possibilitará melhor saúde e qualidade de vida.

Darido ainda destaca sobre a importância da utilização da pirâmide alimentar como referência para uma dieta saudável e equilibrada. A pirâmide alimentar separa os alimentos em energéticos, reguladores, construtores e energéticos extras. Os alimentos devem ser consumidos em ordem decrescente: os alimentos energéticos, localizados na base da pirâmide, são os carboidratos complexos, como farinhas, pães, massas, cereais e trigo, devem ser consumidos de 6 a 11 porções ao dia; seguindo estão os alimentos reguladores, que são os legumes, as frutas e as verduras, os quais devem ser consumidos de 3 a 5 porções de vegetais e de 2 a 4 porções de frutas ao dia; os alimentos construtores, localizados no terceiro nível da pirâmide, são ricos em proteínas, como o leite e seus derivados, as carnes, os ovos e as leguminosas, e devem ser consumidos de 2 a 3 porções ao dia; no topo da pirâmide estão os energéticos extras, que são os açúcares e doces, que devem ser consumidos com moderação.

É importante destacar que para manter um corpo bonito e saudável pode-se comer de tudo, entretanto é necessário manter uma dieta equilibrada em quantidades adequadas.

O tema que envolve a alimentação saudável é, sem dúvida, de grande importância na sociedade atual, especialmente ao se considerar a crescente tendência à obesidade no mundo e sua relação direta com os maus hábitos alimentares e estilos de vida da população.

Alimentação, nutrição e a prática regular de atividade física são referidas como componentes de um modo de viver saudável, circunscrevendo-se na atualidade entre os determinantes e condicionantes da saúde, ocupando lugar de destaque na agenda da saúde no mundo todo, em especial nas políticas de promoção da saúde.

Entretanto, na atualidade, a situação alimentar, nutricional e de atividade física da população, no âmbito nacional ou mundial, caracteriza-se por uma alimentação não saudável, pois se tem demonstrado o consumo excessivo de alimentos com alto teor de gorduras e carboidratos simples e baixa quantidade de fibras, o que associado à falta ou insuficiência de atividade física é em grande parte responsável pelo excesso de peso, aumentando os fatores de riscos que coexistem e interagem para as doenças crônicas não-transmissíveis.

1.4 Saúde e Estética

Adami, Fernandes, Frainer e Oliveira ressaltam que:

A imagem corporal é um complexo fenômeno humano que envolve aspectos cognitivos, afetivos, sociais/culturais e motores. Está intrinsecamente associada com o conceito de si próprio e é influenciável pelas dinâmicas interações entre o ser e o meio em que vive. É compreensível que, no seio de uma cultura que valoriza, excessivamente, a magreza, uma verdadeira cultura do magro nomeadamente a cultura ocidental, se procure atingir esse ideal de beleza.

Quando a imagem corporal não é satisfatória, entra-se em situação de insatisfação corporal. Segundo Warren consiste “numa avaliação subjetiva negativa da aparência física, o que terá, inevitavelmente, repercussões a nível psicológico. ”

Com vista a alcançar uma efetiva satisfação com a imagem do corpo, isto é, corresponder aos ideais estéticos da cultura de pertença, recorre-se a dietas, ao exercício físico exagerado, ao uso de diuréticos, laxantes, entre outros. De acordo com Morgan, Vecchiatti e Negrão tais comportamentos redundam, cada vez em maior número, no desenvolvimento de transtornos alimentares, como a anorexia e bulimia nervosas, as verdadeiras doenças dos países industrializados e, cada vez mais, dos países em desenvolvimento, dado o fenômeno contemporâneo da globalização e urbanização e o papel central dos media. Com efeito, os mesmos autores referem que “a urbanização levaria a uma maior exposição ao ideal de magreza através das media”, além de propiciar mudanças de hábitos alimentares (ex., fast-food), sedentarismo e um maior número de pessoas com sobrepeso e obesidade.

Labre investigou o ideal de beleza nos homens e concluiu que existe uma tendência para o padrão cultural musculoso com elevado grau de hipertrofia e níveis baixíssimos de gordura, o que hoje é chamado de definição muscular.

De acordo com Novaes, o novo paradigma cultural da contemporaneidade consiste no dever moral de ser bela/belo como um adicional aos padrões estéticos de beleza que sempre existiram ao longo da história. Todavia, os padrões de beleza desejados são modificados a cada época. No passado, durante muito tempo, mulheres bonitas tinham formas arredondadas. Contrariamente, na atualidade e nomeadamente na cultura ocidental, o conceito de beleza está associado à juventude, corpo magro e atrativo para as mulheres; e, corpo volumoso e musculado para os homens.

A fim de alcançar os ideais de beleza, que não podem ser conseguidos apenas por redução de peso, as mulheres têm recorrido, cada vez mais, a formas radicais de modificação corporal, nomeadamente cirurgia estética. Em tempos de ditadura da beleza, o corpo é massacrado pela indústria e pelo comércio que vivem da insegurança, impotência e angústia.

1.5 Benefícios da Educação Física escolar e atividade física para a saúde

A Educação Física tem por finalidade promover o desenvolvimento psicomotor das crianças, ajudando-as a adquirir uma consciência que as auxiliará em seu cotidiano e sua prática deve essencialmente fazer parte no âmbito escolar, uma vez que a escola é o meio educacional mais eficiente para a realização desta prática.

Cabe à Educação Física escolar a responsabilidade de lidar de forma específica com alguns aspectos relativos aos conhecimentos procedimentais, conceituais e atitudinais, característicos da cultura corporal de movimento.

Conscientizado a comunidade escolar de que a atividade física e os bons hábitos alimentares são importantes para a manutenção da saúde, além de serem fatores protetores para uma série de males, como obesidade, doenças cardiovasculares, diabetes, osteoporose, depressão, dentre outras. Ela também atua na diminuição do sobrepeso e obesidade, elevando a autoestima, aumentando a sensação de bem-estar e disposição para andar, correr, brincar e se movimentar.

A atividade física é essencial para a manutenção e melhoria da saúde e na prevenção de enfermidades, para todas as pessoas em qualquer idade. A atividade física contribui para a longevidade e melhora sua qualidade de vida, através dos benefícios fisiológicos, psicológicos e sociais.

O sedentarismo é atualmente um dos grandes problemas da modernidade. Entre crianças e adolescentes percebe-se o surgimento de novas opções lúdicas, substituindo atividades tradicionais que envolvem algum esforço físico. Para reverter essa situação cabe à escola, em especial à Educação Física e aos órgãos competentes, criar programas de prevenção de saúde que possam contribuir no sentido de inibir o aparecimento dos fatores de riscos que se apresentam cada vez mais precoces.

O estilo de vida da população urbana tem sofrido constantes mudanças de comportamento com relação à dieta alimentar e atividade física, esses fatores estão relacionados diretamente ao perfil da sociedade atual. Desta forma, a prática de atividade física regular é vista como um importante aliado para que se tenha um estilo de vida saudável e ativo fisicamente, além de ser fundamental no controle e tratamento de sobrepeso/obesidade.

1.6 Papel da Educação Física e do Professor na saúde dos escolares

A Educação Física exerce um papel preponderante na saúde e qualidade de vida dos escolares ao educar por meio da atividade física. É papel do professor conscientizar a comunidade escolar de que a aptidão física, a prática de atividade física e os bons hábitos alimentares são importantes a todos os indivíduos em todas as idades. Cabe também à Educação Física Escolar a responsabilidade de lidar de forma específica com alguns aspectos relativos aos conhecimentos, característicos da cultura corporal de movimento, como a ginástica, a dança, o esporte, as lutas envolvendo o corpo nas mais variadas formas de movimento.

Lovisolo destaca sobre a posição do professor de Educação Física e discute sobre a importância desse papel dentro do projeto da escola. Dessa maneira, a disciplina deveria ter como objetivo a formação intelectual, emotiva e corporal das pessoas, envolvendo a consciência, a autonomia e opinião crítica sobre a quantidade e a qualidade de atividade físicas necessárias para a saúde. O autor reforça suas ideias com a frase: “Diria que o educador físico deve ajudar na construção da emoção de sentirmos a potência da vida no próprio corpo. ” Com essa importância, o profissional de educação física escolar pode influenciar na maneira pela qual o aluno se relaciona com o próprio corpo e como cuida dele.

O professor, como principal responsável pela organização das situações de aprendizagem, deve saber o valor das práticas corporais da Educação Física voltadas à saúde e à qualidade de vida, visando o desenvolvimento do aluno em todos os aspectos (físicos, cognitivos, afetivos e sociais). Ele é entendido como elemento mediador para operacionalizar a ação criadora e inovadora, e para desenvolver o seu trabalho, pautado numa concepção de cultura corporal, ajuda a construir uma Educação Física Escolar voltada para o exercício da cidadania. Cabe a ele também oferecer um espaço que mescle aulas práticas e teóricas favorecendo um ambiente favorável à aprendizagem escolar e que proporcione alegria, prazer, movimento e solidariedade no ato de aprender.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

 

Após estudos realizados, foi possível perceber que a Educação Física Escolar exerce um papel importantíssimo na promoção de saúde dos escolares, sendo a escola um espaço de práticas pedagógicas relacionadas à saúde, sendo esta tratada com um recurso para a vida. Ao utilizar práticas da cultura corporal envolvendo jogos, brincadeiras, danças, manifestações de ginásticas, lutas e esportes o professor estará promovendo a saúde de seus alunos.

Ficou evidente que ter saúde e qualidade de vida não é algo estático, mas sim dinâmico. A Carta de Ottawa, um dos documentos mais importantes produzidos no cenário mundial sobre o tema saúde e qualidade de vida, afirma que paz, renda, habitação, educação, alimentação adequada, ambiente saudável e justiça social são recursos indispensáveis para se ter saúde, porque ela é resultado de fatores, sociais, econômicos, políticos, culturais, coletivos e individuais.

É importante ressaltar que o professor de Educação Física exerce um papel preponderante no planejamento e na execução das atividades com os alunos no espaço escolar, sendo ele capaz de diagnosticar e acompanhar os níveis de crescimento, composição corporal, desempenho motor dos educandos, trabalhando com práticas que envolvem a cultura corporal de movimento de forma crítica, reflexiva e sensível, através de brincadeiras recreativas, jogos, danças, ginástica, lutas e competições esportivas, como também promove debates sobre fatores desfavoráveis à saúde, mobiliza projetos, ações com relação à saúde individual e  coletiva, considerando a saúde sob seus diferentes aspectos.

Por fim, ao promover a saúde dos alunos, através das práticas da Educação Física de forma reflexiva e autônoma, está se garantindo saúde para além dos anos escolares, levando para toda a vida.

REFERÊNCIAS

BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental. Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil. Brasília: MEC/SEF.v. 3, 1998

ORGANIZACIÓN MUNDIAL DE LA SALUD. Cinquenta-siete asamblea mundial de la salud. Estrategia mundial sobre régimen alimentario, actividade física y salud. Ginebra, WHO, 2004.

BARBOSA, V.L.P. Prevenção da obesidade na infância e na adolescência: exercício, nutrição e psicologia. São Paulo: Manole, 2004.

OLIVEIRA, Karina Moraes de; SILVA, Tânia Leda Pinheiro da. Obesidade Infantil no Âmbito Escolar. Trabalho de conclusão de curso (Graduação em Educação Física) – Faculdade de educação e Artes da Universidade do Vale do Paraíba, Jacareí, São Paulo, 2012. Disponível em: < http://biblioteca.univap.br/dados/000003/000003FE.pdf>. Acesso em: 18 out. 2016.

BRASIL. Ministério da Saúde. A promoção da Saúde no contexto escolar. Rev. Saúde Pública. v. 36, n. 4, São Paulo, ago.2002.

BRASIL.Ministério da Saúde. Parâmetros curriculares Nacionais – saúde. 1999. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/saude.pdf>. Acesso em: 15 out. 2016.

DARIDO, Suraya Cristina; SOUZA JÚNIOR, Osmar Moreira. Para ensinar Educação Física: possibilidade de intervenção na escola. Campinas: Papirus, 2007.

PITANGA, F.J; LESSA, I. Prevalência e fatores associados ao sedentarismo no lazer em adultos. Cadernos de Saúde Pública, v. 21, n. 3, p. 870-877, 2005.

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil. Brasília: MEC, SEB, 2010.

WHO 1986. Carta de Ottawa. In: Ministério da Saúde/FIOCRUZ. Promoção da Saúde: Cartas de Ottawa, Adelaide, Sundsvall e Santa Fé de Bogotá. Ministério da Saúde/IEC, Brasília.

ADAMI, Fernando; et al. Aspectos da construção e desenvolvimento da imagem corporal e implicações na educação Física. Efdeportes.com, n. 83, abr. 2005. Disponível em: < http://www.efdeportes.com/efd83/imagem.htm>. Acesso em: 19 set. 2016.

WARREN, C.; et al. Ethnicity as a protective factor against internalization of a thin ideal and body dissatisfaction. International Journal of Eating Disorders, v. 37, n.3, p.241-249, 2005.

MORGAN, C., Vecchiatti, I. & Negrão, A. Etiologia dos transtornos alimentares: Aspectos biológicos, psicológicos e socioculturais. Revista Brasileira de Psiquiatria, v, 24, p.18-23, 2002.

LABRE, M. (2002). Adolescents boys and the muscular male body ideal. Journal of Adolescent Health, v.30, n.4, p.233-242.

NOVAES, J. Ser mulher, ser feia, ser excluída, 2005. Disponível em: <http://www.psicologia.com.pt>. Acesso em: 18 out. 2016.

SILVA, Viviane Sabido; et al. A importância da Educação Física escolar no desenvolvimento motor de crianças nos anos iniciais do ensino fundamental. Efdeportes, n.16, Buenos Aires, 2011. Disponível em: <http://www.efdeportes.com/efd156/a-educacao-fisica-escolar-do-ensino-fundamental. htm> Acesso em: 15 out. 2016.

COSTA, C.R.B. A influência da atividade física escolar na prevalência da obesidade infantil como um indicador para a promoção de saúde e sua relação com aspectos familiares e sócio-econômicos. Franca/SP,  2008.

PIZARRO, Miryan Santos. As vantagens da Educação Física na educação primária. Revista Extremeña sobre Formação e Educação, mar. 2011. Disponível em: <http://revista.academiamaestre.es/2011/03/las-ventajas-de-la-educacion-fisica-en-educacion-primaria/>. Acesso em: 06 de out. 2016.

BIAZUSSI, Roseane. Os benefícios da atividade física aos adolescentes. 2004. Disponível em: <http://few.universoef.com.br/container/gerenciador_de_arquivos/arquivos/268/beneficios-af-adolescentes.pdf>. Acesso em: 20 out. 2016.

JENOVESI, J. F.; BRACCO, M. M.; COLUGNATI, F. A. B.; TADDEI, J. A. A. C. Perfil de atividade física em escolares da rede pública de diferentes estados nutricionais. R. bras. Cien. e Mov., Brasília v. 11, n. 4 p. 57-62 out./dez. 2003.

LOVISOLO, H. Da educação física escolar: intelecto, emoção e corpo. Rev. Motriz. Rio Claro: v. 8, n. 3, set/dez, p. 15-18, 2002

CERPM-EF. Currículo para as Escolas da Rede Pública Municipal Ensino Fundamental – 1ª a 4ª séries. Prefeitura Municipal de São José dos Pinhais – Secretaria Municipal de Educação, 2004.

[1] Aluna do curso de Educação Física da Faculdade Patos de Minas (FPM) formanda no ano de 2016.

[2] Professora do curso de Educação Física da Faculdade de Patos de Minas. Mestra em Promoção da Saúde pela Universidade de Franca.

Como publicar Artigo Científico

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here