Início Educação As Diferentes Formas de Ver a Arte na Educação

As Diferentes Formas de Ver a Arte na Educação

RC: 9871 -
As Diferentes Formas de Ver a Arte na Educação
4.5 (90%) 6 votes
80
0
ARTIGO EM PDF

LIMA, Cristiana Ana

SILVA, Lucilene Paulino de Amorim

LIMA, Cristiana Ana; SILVA, Lucilene Paulino de Amorim. As Diferentes Formas de Ver a Arte na Educação. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Edição 05. Ano 02, Vol. 01. pp 867-895, Julho de 2017. ISSN:2448-0959

RESUMO

Averiguar o tema: Artes no ambiente escolar e os processos educativos, trazendo investigações sobre o papel fundamental do ensino de artes, quando fornece ao aluno experiências que o ajude a refletir, desenvolver valores, sentimentos, emoções e uma visão questionadora do mundo que o cerca. Relato dos aspectos históricos que cercaram o ensino de artes durante os anos, e como as tendências pedagógicas, o contexto sociocultural e político influenciaram este ensino através do tempo. São citadas as variações na forma de trabalho com artes nos ambientes educacionais, pautados em estudos de autores conceituados na educação e nos estudos sobre a arte na educação. Elenca-se algumas manifestações artísticas utilizadas nestes ambientes educacionais que possibilitam o trabalho do docente, tais como, desenho, pintura, impressão, técnicas tridimensionais, colagem, artes cênicas, artes musicais, danças. Questiona-se que o trabalho com artes no ensino fundamental que deve ser intencionado a despertar interesse e prazer nos educandos. Enfim, através de estudos e observações foi possível inserir sobre ações possíveis no ensino de artes dentro do espaço escolar.

Palavras-Chave: Artes na Educação, Ensino Fundamental, Processos Educativos.

Introdução

Averiguar o tema: Artes no ambiente escolar e os processos educativos, investigando o ensino de artes nos ambientes escolares e assim verifica as possibilidades e dificuldades encontradas nestas atividades.

Para tais averiguações fizemos estudos em livros que tratam dos temas, nas leis educacionais, nos artigos e relatos de estudiosos no assunto, bem como também foi feita uma observação não participativa em um projeto social que desenvolve trabalhos com crianças e adolescentes e que tem a arte como auxiliadora nas articulações realizadas com os atendidos. O estudo da arte é um ensino com forma interdisciplinar e abrange vários campos como a psicologia, a filosofia, a semiótica, a sociologia.

Traz sobre a história da educação, pois se julga ser importante para compreender a dinâmica do ensino com artes, que está presente desde o Brasil colônia. As formas com que o ensino de artes se apresenta são diferenciadas em função do período e do contexto político e social em que se situam.

Verifica-se neste as ações de docentes envolvidos no ensino da arte e sobre o pensamento pedagógico envolvendo práticas e concepções humanas em movimento dinâmico na sociedade.

Porém entendendo as limitações que tal exercício impõe, torna-se uma tarefa necessária à compreensão do fenômeno educativo a partir da concepção de homem e de mundo a ele subjacentes.

Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) explicitam observações e objetivos para o ensino de artes no ensino fundamental, através das inferisses contidas neste documento pode-se entender a gama de possibilidades de atividades com artes na escola e também das articulações que devem ser feitas para que estas ações se efetivem.

Busca-se neste apresentar alternativas as questões relacionadas as implicações variadas em relação ao ensino de artes, tais como ambientes necessários ao fazer artístico e a falta de clareza teórica  e metodológica dos profissionais  que assumem a docência em artes.

No trabalho com arte é possível o trabalho com linhas, formas bi e tridimensionais, cores volumes, luz e texturas, as expressões com instrumentos e materiais visuais sonoros e cênicos podem fazer parte do trabalho com artes.

Através de estudos de livros, artigos, mostrando as possibilidades variadas nesta área da educação, infere-se que tais possibilidades se sobressaem as dificuldades e que nos processos educativos com artes é possível interligar as aprendizagens necessárias aos alunos.

É preciso ter um amplo conhecimento de diversas áreas, para que o trabalho seja realizado com perfeição. O profissional desta área possui um papel extremamente relevante para o sucesso do aluno e o seu bem-estar de cargo profissional de Arte na educação.

Objetiva-se ampliar o conhecimento de que os docentes na área de artes precisam estabelecer um diálogo entre todos os alunos, esta é uma questão fundamental para que haja uma comunicação ampla e para que o trabalho seja estimulado, aprimorado e praticado com constância para que o aluno tenha o máximo desempenho de sua capacidade cognitiva.

A arte na educação consolida-se enquanto campo de investigação e produção de conhecimentos relaciona um grupo significativo de pesquisadores educadores e artistas em torno das questões do ensino da arte. As movimentações nesta área demandam a necessidade de uso de diversos materiais educativos.

É necessário também um currículo que iguale a produção cultural, na intenção de que o professor possa estabelecer conexões e permitir experiências artísticas com seus educandos a partir da arte nos espaços educacionais. 

ARTES NOS AMBIENTES ESCOLARES A EJA E SUAS RELEVÂNCIAS

A arte é a transformação física da matéria pelo fazer do homem, é uma produção humana, e cada segmento precisa de domínio técnico.

A arte se configura em uma expressão humana, que traz em suas traduções as mais variadas expressões e emoções, aparece também como possibilitadora da expressão do homem de uma forma subjetiva e ao mesmo tempo concreta.

Compreende-se que qualquer manifestação artística está profundamente vinculada a realidade, mesmo quando o artista faz abstrações, não desvincula de suas vivências e experiências, e do seu conhecimento de mundo.

Assim como o artista o indivíduo que interpreta a obra de arte está imerso em um contexto e informado por conceitos e práticas que direcionam seu olhar e lhe oferecem elementos para a construção de referencias para a leitura da obra de arte.

Ressalta-se que a autonomia artística manifesta-se na autonomia relativa do homem frente a realidade, nos valores que questiona, nas verdades, no repensar, no reestruturar, no encontra.

Conforme Vásquez, a autonomia na arte se dá pela expressão que é singular pessoal do artista que assume responsavelmente sua criação e suas concepções.

No que toca a criação artística, a autonomia é maior pela simples razão de que toda a complexa trama de elos intermediários tem de passar, por sua vez pela experiência singular, concreta vital do artista como individualidade criadora, ainda que esta deva ser concebida não abstratamente, mas como própria do individuo enquanto ser social (Vásquez,1978, p.107).

Vê-se então que através das manifestações artísticas, o homem expressa o conhecimento sensível de mundo representando através dos materiais concretos apresentados.

A arte por sua vez se configura como conhecimentos de técnicas e do mundo assim também como é uma atividade subjetiva e íntima do homem, sendo uma forma de manifestação do homem em sua totalidade como ser racional e sensível.

Conforme ressalta Vigotski:

Daí o ensino profissionalizante da técnica de cada arte enquanto problema de formação geral e educação devem ser introduzido em certos limites, reduzido ao mínimo e, principalmente, combinado a duas outras linhas da educação estética; a própria criação da criança e a cultura das suas percepções artísticas. Só é útil aquele ensino da técnica que vai além dessa técnica e ministra um aprendizado criador: ou de perceber (VIGOTSKI, 2001, p. 351).

A arte como um produto social parte de um processo baseado em determinantes históricos e situacionais, exercendo direta e indiretamente influência na vida cotidiana dos homens, transformando seu modo de ver, pensar, agir e se relacionar no mundo, ou seja, a arte é tida como um produto da evolução social do homem que se faz mediante seu trabalho

Segundo os PCNs Artes:

Ensinar arte em consonância com os modos de aprendizagem do aluno significa, então, não isolar a escola da informação sobre a produção histórica e social da arte e, ao mesmo tempo, garantir ao aluno a liberdade de imaginar e edificar propostas artísticas pessoais ou grupais com base em intenções próprias. E tudo isso integrado aos aspectos lúdicos e prazerosos que se apresentam durante a atividade artística. (BRASIL 1997 p.30)

Entende-se que o homem é um ser simbólico e que constrói a realidade de uma forma consciente, abstrai elementos da realidade, reelabora colocando-a no lugar do objeto representado, esses objetos denominam-se signos.

A educação em arte propicia o desenvolvimento do pensamento artístico e da percepção estética, que caracterizam um modo próprio de ordenar e dar sentido à experiência humana: o aluno desenvolve sua sensibilidade, percepção e imaginação, tanto ao realizar formas artísticas quanto na ação de apreciar e conhecer as formas produzidas por ele e pelos colegas, pela natureza e nas diferentes culturas (PCN, 1997, p. 15).

Nos anos de 1549 até 1808, o ensino das artes desenvolveu-se dentro de um modelo artístico nacional, mas tinha em suas bases, a transformação do barroco jesuítico de Portugal. O ensino era feito em oficinas de artesões.

De 1808 até 1870, o ensino da arte sofreu nova influência quando chegou ao Brasil em 1816 a Missão Francesa. Esta intervenção causou perplexidade nos artistas brasileiros, quase todos pertencentes às classes populares, e interferiu no processo de formação artística do país, causando ainda preconceitos no ensino da arte que foram consolidados durante todo o século XIX com a acusação de alienação.

Percebe-se que diferentes momentos históricos produziam distintas formas de ver e organizar o mundo, diferentes concepções políticas culturais e econômicas e o ensino da arte também sofreram influências.

No início da década de 60, artes-educadores americanos iniciaram a divulgação de uma mudança, com foco no pensamento da arte como desenvolvimento espontâneo da expressão artística.

No início da década de 70, nos Estados Unidos, grandes autores mostravam então que o desenvolvimento artístico é resultado de formas complexas de aprendizagem e que acontece à medida que a criança vai crescendo e que o professor é mediador neste processo.

Estes arte-educadores começam a mudar suas práticas, procurando inserir uma educação que visa a transformação sociocultural. O professor começa ter outro olhar assumindo um papel de facilitador e de mediador. O ensino da arte passa ser concebido como área de conhecimento.

“Começamos a entender o conceito de arte-educação como epistemologia da arte e/ou arte-educação como intermediário entre arte e público” (Barbosa, 1991, p.17)

As pedagogias críticas adotam a arte de acordo com a perspectiva multicultural. Este enfoque consiste em algo além do que apenas incluir unidades e lições sobre outras culturas no currículo escolar, implica em centrar os interesses nos grandes temas e funções da arte.

No Brasil muitas correntes pedagógicas influenciaram o ensino de artes, essas correntes deram origem e fundamentaram distintos conceitos e metodologias de ensino da arte.

Nota-se que muitas e diferentes práticas e teorias se efetivaram e foram compartilhadas, as formas mais expressivas de ensino de um determinado período denominam-se concepções pedagógicas.

Compreende-se que a realidade abriga uma diversidade de práticas e teorias que acontecem em espaços e tempos distintos ou comuns. Contudo há tendências que se sobressaem dependendo do tempo e época.

Conforme infere Saviani (2006, p.02):

[…] Pautando-se na centralidade do educando, concebem a escola como um espaço aberto à iniciativa dos alunos que, interagindo entre si e com o professor, realizam a própria aprendizagem, construindo seus conhecimentos. Ao professor cabe o papel de acompanhar os alunos auxiliando-os em seu próprio processo de aprendizagem. O eixo do trabalho pedagógico desloca-se, portanto, da compreensão intelectual para a atividade prática, do aspecto lógico para o psicológico, dos conteúdos cognitivos para os métodos ou processos de aprendizagem, do professor para o aluno, do esforço para o interesse, da disciplina para a espontaneidade, da quantidade para a qualidade (SAVIANI 2006, p.02).

Visto isto entende-se que as concepções pedagógicas a despeito do ensino de artes devem ser articuladas sempre que possível, buscando relações, esta ação aparece como complicada, pois requer uma abordagem detalhada capaz de demonstrar nuances do pensamento que diferenciam uma tendência da outra.

Em relação as tendências pedagógicas historicamente falando, citam-se algumas que foram de grande importância para entendimento e atuação de educadores, destaca-se a ênfase dada em distintos períodos a alguns conteúdos artísticos, o uso de imagens no ensino de artes como proposta se intensifica nos anos 90.

Segundo relatos de Ana Mãe Barbosa (1978), foram observadas várias mudanças ao decorrer dos anos.

a) no período colonial escravagista, as concepções filosófico-sociais e pedagógicas eram liberal conservadora e pedagogia tradicional, eram ressaltados os desenhos do natural, desenho decorativo e desenho geométrico, e muitos trabalhos manuais para jovens do sexo feminino.

b) na primeira república, as concepções filosófico-sociais e pedagógicas eram a liberal republicana e pedagogia tradicional, os conteúdos artísticos eram os desenhos decorativos e geométricos usados para desenvolver habilidades manuais.

c) nos anos 20, as concepções filosófico-sociais e pedagógicas eram a liberal e pedagogia renovada progressista, a arte aparecia como expressão, impulso criativo e experiência.

d) nos anos 30 a 60, as concepções filosófico-sociais e pedagógicas eram a concepção liberal e a pedagogia tecnicista, a arte era vista como meio facilitadora da aprendizagem, também tinha a arte como técnica: reprodução de modelos, instalação de aparelhos audiovisuais, cenários, ornamentação de eventos.

e) nos anos 70 e 80 as concepções filosófico-sociais e pedagógicas eram o pensamento crítico e pedagogia libertadora e também pedagogia crítico social dos conteúdos, a arte aparece como manifestação da cultura popular, a arte na escola, a crítica estética, a história da arte, o fazer artístico.

f) a partir dos anos 90 com a globalização e neoliberalismo, as concepções filosófico-sociais e pedagógicas eram a lógica neoliberal e a pedagogia das competências, pedagogia de projetos. A arte surge como fazer, a leitura da obra de arte, a arte como manifestação cultural, a leitura da imagem cultural e visual.

Ressalta-se da relevância a tendência liberal renovada não diretiva, que centra-se no sujeito, dá ênfase a vida psicológica e emocional do indivíduo, o trabalho nesta tendência tem como foco basicamente o desenvolvimento da personalidade através da interação com o meio.

Compreende-se que a tendência renovada tanto na corrente progressista como a não diretiva foi responsável pela introdução de uma proposta de ensino de arte centrada na criatividade, na valorização da arte infantil e também da divulgação do método de livre-expressão enquanto meio para desenvolver a criatividade dos alunos.

[…] se antes a escola prestava pouca atenção às necessidades das crianças, os progressistas super enfatizavam aquelas necessidades; se as aulas tradicionais eram rigidamente organizadas, os progressistas eram excessivamente cautelosos com qualquer tipo de ordem; se a educação tradicional estava destinada aos objetivos pré – estabelecidos, os progressistas frequentemente deixavam as aulas fluírem; se a educação tradicional negligenciava as particularidades individuais dos educandos e seu desenvolvimento, os progressistas enfatizaram erroneamente a necessidade de ensinar apenas o que a criança queria aprender (EISNER apud BARBOSA, 1997, p.81).

O professor é considerado um facilitador da aprendizagem, que oferece condições necessárias a aprendizagem do aluno, o conteúdo surge da própria experiência dos alunos num processo contínuo de construção e reconstrução.

ARTES NO AMBIENTE ESCOLAR: PROCESSOS EDUCATIVOS

O desenvolvimento do ser humano é complexo e apresenta particularidades em diferentes momentos de seu processo, as condições materiais e as relações que estabelece com outras pessoas de seu convívio direto ou indireto inferem no desenvolvimento físico motor, intelectual, fisiológico e cultural.

Acredita-se então que os estímulos que recebe impulsionam estes processos de aquisições e conquistas cognitivas.

A inserção social infantil possibilita a construção da consciência, a criança vai percebendo-se como parte de um contexto e também como uma individualidade, desenvolve sua percepção sensório-motora e sensível sobre o corpo e o mundo.

O trabalho como atividade lúdica e criativa permite a criança manifestar-se controlando os movimentos e expressando seu conhecimento sobre o contexto em que está inserida.

A arte neste processo desempenha um papel importante considerando que é por meio de materiais plásticos e da construção espacial, da apropriação das cores, linhas, volumes, texturas e outros que a criança inicia a aprendizagem.

Segundo Ferraz e Fusari (1993):

O estético em arte diz respeito, dentre outros aspectos, à compreensão sensível-cognitiva do objeto artístico inserido em um determinado tempo – espaço sócio cultural. Todavia a experiência estética pode ser mais ampla e não necessariamente deriva da arte, embora a arte seja uma das principais fontes de aplicação […] A concepção do artístico relaciona-se diretamente com o ato de criação da obra de arte, desde as primeiras elaborações de formalização dessas obras até em seu contato com o público. O fazer artístico (a criação) é a mobilização de ações que resultam em construções de formas novas a partir da natureza e da cultura; é ainda o resultado de expressões imaginativas provenientes de sínteses emocionais e cognitivas (FERRAZ & FUSARI 1993, p. 53 -54).

Neste sentido o ensino de artes objetiva promover uma educação que possibilite a ampliação das múltiplas linguagens e o compartilhamento das experiências sensíveis.

Certeau (2000, p.55), em suas análises sobre as práticas ordinárias do cotidiano aponta para o olhar que é instaurado a partir das imagens que inundam nossas vidas produzindo um olhar cancerizado, doente, passivo.

Compreende-se que a arte possibilita a construção do conhecimento como uma totalidade na medida em que o domínio dos materiais se alia a apreensão cognitiva do meio e a expressão sensível do ser em relação ao mundo.

PROCESSOS EDUCATIVOS NAS ARTES: EXPRESSÃO PLÁSTICA DO ALUNO

As instituições de ensino deveriam ser o espaço inicial e deflagrador para o desenvolvimento das diferentes linguagens expressivas, tendo em vista que as crianças iniciam o conhecimento sobre o mundo através dos cinco sentidos (visão, tato, olfato, audição, gustação), do movimento, da imitação, da brincadeira e do jogo simbólico.

Segundo o PCN, o ensino de Arte deverá organizar-se de modo que, ao final do Ensino Fundamental, os alunos sejam capazes de:

  • expressar e saber comunicar-se em artes mantendo uma atitude de busca pessoal e/ou coletiva, articulando a percepção, a imaginação, a emoção, a sensibilidade e a reflexão ao realizar e fruir produções artísticas; • interagir com materiais, instrumentos e procedimentos variados em artes

(Artes Visuais, Dança, Música, Teatro), experimentando-os e conhecendo-os de modo a utilizá-los nos trabalhos pessoais; • edificar uma relação de autoconfiança com a produção artística pessoal e conhecimento estético, respeitando a própria produção e a dos colegas, no percurso de criação que abriga uma multiplicidade de procedimentos e soluções;  • compreender e saber identificar a arte como fato histórico contextualizado nas diversas culturas, conhecendo respeitando e podendo observar as produções presentes no entorno, assim como as demais do patrimônio cultural e do universo natural, identificando a existência de diferenças nos padrões artísticos e estéticos;

  • observar as relações entre o homem e a realidade com interesse e curiosidade, exercitando a discussão, indagando, argumentando e apreciando arte de modo sensível;
  • compreender e saber identificar aspectos da função e dos resultados do trabalho do artista, reconhecendo, em sua própria experiência de aprendiz, aspectos do processo percorrido pelo artista;
  • buscar e saber organizar informações sobre a arte em contato com artistas, documentos, acervos nos espaços da escola e fora dela (livros, revistas, jornais, ilustrações, diapositivos, vídeos, discos, cartazes) e acervos públicos (museus, galerias, centros de cultura, bibliotecas, fonotecas, videotecas, cinematecas), reconhecendo e compreendendo a variedade dos produtos artísticos e concepções estéticas presentes na história das diferentes culturas e etnias. (PCN, 1997, p. 39)

Em relação às linguagens expressivas, esses são os fatores fundamentais para seu desenvolvimento pelo.

O perceber e o registrar as impressões sobre o mundo se dá num processo contínuo, processo expressivo que vai se modificando na medida em que se têm contato com as linguagens, com os materiais expressivos e com as intervenções dos adultos e de outras crianças.

É na interação com os objetos de conhecimentos (desenho, pintura, modelagem, etc.) que o processo expressivo se constitui. É fundamental que nós educadores saibamos ler e conhecer as formas visuais juntamente com os materiais considerados veículos da concretização da expressão.

Desvelar as imagens de cada criança antecede a ação do registro. São diálogos sutis, sensíveis e anteriores que devem acontecer entre educador e educando antes das realizações gráfico-plásticas.

Assim, devemos lembrar que os registros resultam de olhares sobre o mundo. Se o olhar é desinteressado e vago, as representações serão opacas e uniformes. Ensinar a ver o implícito e o velado é uma das atribuições do ensino da arte.

No processo de aquisição da linguagem gráfico-plástica, o papel dos educadores não consiste em fornecer às crianças folhas e lápis de cor deixando que elas se expressem aleatoriamente nas atividades de desenho livre.

Para um efetivo ensino na disciplina artes segundo Barbosa (2001) seria necessário:

[…] Um currículo que interligasse o fazer artístico, a história da arte e a análise da obra de arte estaria se organizando de maneira que a criança, suas necessidades, seus interesses e seu desenvolvimento estariam sendo respeitados e, ao mesmo tempo, estaria sendo respeitada a matéria a ser aprendida, seus valores, sua estrutura e sua contribuição específica para a cultura (BARBOSA, 2001, p.35).

Ao invés de simplesmente disponibilizar materiais, as crianças podem ser desafiadas a explorar os materiais em todas as suas possibilidades, como numa atividade banal com lápis de cor e papel, transformando esta atividade simplista em uma proposta instigadora e fonte de descobertas.

Franz (2003) infere que:

[…] ideias como ensinar menos, porém com mais profundidade, associar o que se estuda com o mundo real do estudante […] traçando um caminho para o que seria o seu ensino no século XXI, diz que os docentes devem selecionar vigorosamente, iluminar e interpretar o material e desafiar os alunos a pensar em profundidade (FRANZ, 2003, p.162)

Os alunos têm necessidade de expressão, a ludicidade permite a liberdade emocional necessária para explorar e experimentar para envolver-se emocionalmente numa criação e para permitir descobrimentos incentivados pela curiosidade.

O professor é um agente mediador do processo ensino-aprendizagem, propondo desafios as crianças e orientando-as a resolvê-los. Assim por meio de intervenções o educador pode colaborar para o fortalecimento de funções que ainda não estão consolidadas e para o desenvolvimento de outras.

Este processo torna-se mais rico, sobretudo, quando são proporcionadas atividades coletivas em que os alunos mais adiantados poderão cooperar com os outros.

O professor de artes deve ter o cuidado de selecionar os conteúdos que faça parte do contexto sociocultural do aluno, associando conteúdo significativo para os alunos despertando a inteligência a partir de uma função real.

O homem como ser simbólico expressa-se através da arte em qualquer idade. A criança por sua vez em seu processo de formação e interação social constrói conceitos a partir do uso dos órgãos do sentido, no tato, apalpando, afagando apertando, no paladar, degustando, rejeitando, provando, pelo olfato, pela audição pela visão.

A música, o desenho, a história, o jogo, a brincadeira, o aconchego do colo possibilitam as primeiras relações sistematizadas com a cultura contextualizada.

Os materiais visuais, sonoros, gestuais estão presentes no cotidiano da criança e favorecem o processo de socialização sendo formas expressivas e comunicativas, imagens são facilmente identificadas pelas crianças.

O trabalho com as Artes Visuais requer profunda atenção no que se refere ao respeito das peculiaridades e esquemas de conhecimento próprios a cada faixa etária e nível de desenvolvimento.

O pensamento, a sensibilidade, a imaginação, a percepção, a intuição e a cognição da criança devem ser trabalhadas visando favorecer o desenvolvimento das capacidades criativas da criança.

Porém Martins (1998) ressalta que:

[…] ainda é comum as aulas de arte serem confundidas com lazer, terapia, descanso das aulas “sérias”, o momento para fazer a decoração da escola, as festas, comemorar determinada data cívica, preencher desenhos mimeografadas, fazer o presente do Dia dos Pais, pintar o coelho da Páscoa e a árvore de Natal. Memorizam-se algumas “musiquinhas” para fixar conteúdos de ciências, faz-se “teatrinho” para entender os conteúdos de história e “desenhinhos” para aprender a contar (MARTINS 1998, p.12)

O ensino com artes é muito mais que isto. No processo de aprendizagem em artes, a criança traça um percurso de criação e construção individual que envolve escolhas e experiências pessoais, aprendizagem, relação com natureza, motivação interna e / ou externa. Conforme RIZZI (2002):

[…] acredita ser a arte importante por si mesma e não por ser instrumento para fins de outra natureza. Por ser uma experiência que permite a integração da experiência singular e isolada de cada ser humano com a experiência da humanidade (RIZZI, 2002, p. 64-65).

O ponto de partida para o desenvolvimento estético e artístico é o ato simbólico que permite reconhecer que os objetivos persistem independentes de sua presença física e imediata. Operar no mundo dos símbolos é perceber e interpretar elementos que se referem a alguma coisa que está fora dos próprios objetos.

Os símbolos reapresentam o mundo a partir das relações que a criança estabelece consigo mesma, com as outras pessoas, com a imaginação e com a cultura. Os elementos táteis e visuais são básicos nas artes plásticas, onde o educando consegue conhecer, criar, desenvolver e experimentar.

ENSINO FUNDAMENTAL NA MODALIDADE DA EJA E SUAS AS ARTES

Os Parâmetros Curriculares Nacionais trazem alguns objetivos gerais no ensino de artes no ensino fundamental. Segundo o documento os objetivos são:

  • compreender a cidadania como participação social e política, assim como exercício de direitos e deveres políticos, civis e sociais, adotando, no dia-a-dia, atitudes de solidariedade, cooperação e repúdio às injustiças, respeitando o outro e exigindo para si o mesmo respeito;
  • posicionar-se de maneira crítica, responsável e construtiva nas diferentes situações sociais, utilizando o diálogo como forma de mediar conflitos e de tomar decisões coletivas;
  • conhecer características fundamentais do Brasil nas dimensões sociais, materiais e culturais como meio para construir progressivamente a noção de identidade nacional e pessoal e o sentimento de pertinência ao País;
  • conhecer e valorizar a pluralidade do patrimônio sociocultural brasileiro, bem como aspectos socioculturais de outros povos e nações, posicionando-se contra qualquer discriminação baseada em diferenças culturais, de classe social, de crenças, de sexo, de etnia ou outras características individuais e sociais;
  • perceber-se integrante, dependente e agente transformador do ambiente, identificando seus elementos e as interações entre eles, contribuindo ativamente para a melhoria do meio ambiente;
  • desenvolver o conhecimento ajustado de si mesmo e o sentimento de confiança em suas capacidades afetiva, física, cognitiva, ética, estética, de inter-relação pessoal e de inserção social, para agir com perseverança na busca de conhecimento e no exercício da cidadania;
  • conhecer e cuidar do próprio corpo, valorizando e adotando hábitos saudáveis como um dos aspectos básicos da qualidade de vida e agindo com responsabilidade em relação à sua saúde e à saúde coletiva;
  • utilizar as diferentes linguagens verbal, matemática, gráfica, plástica e corporal, como meio para produzir, expressar e comunicar suas idéias, interpretar e usufruir das produções culturais, em contextos públicos e privados, atendendo a diferentes intenções e situações de comunicação;
  • saber utilizar diferentes fontes de informação e recursos tecnológicos para adquirir e construir conhecimentos;
  • questionar a realidade formulando-se problemas e tratando de resolvê-los, utilizando para isso o pensamento lógico, a criatividade, a intuição, a capacidade de análise crítica, selecionando procedimentos e verificando sua adequação (BRASIL, 1997).

Entende-se que com a elaboração dos PCNs Artes, algumas mudanças significativas aparecem no contexto educacional, mais ainda encontram-se algumas resistências a estas mudanças.

As orientações deste documento aparecem a partir da constatação de que os professores ao trabalharem com artes apresentavam aos alunos experiências isoladas com poucas oportunidades de trocas, com atividades mimeografadas, trabalhava-se apenas com auto expressão.

Segundo Lowenfeld e Brittain:

Expor uma aprendizagem artística que inclua tais tipos de atividades é pior de que não dar aprendizagem alguma. São atividades pré-solucionadas que obrigam as crianças a um comportamento imitativo e inibem sua própria expressão criadora; esses trabalhos não estimulam o desenvolvimento emocional, visto que qualquer variação produzida pela criança só pode ser um equívoco; não incentivam as aptidões, porquanto estas se desenvolvem a partir da expressão pessoal. Pelo contrário, apenas servem para condicionar a criança, levando-a a aceitar, como arte, os conceitos adultos, uma arte que é incapaz de produzir sozinha e que, portanto, frustra seus próprios impulsos criadores (LOWENFELD & BRITTAIN, 1977).

Sabe-se que o ensino de artes aparece com uma proposta que integra arte e ciência, garantindo ao aluno uma ação interligada com “os valores e os modos de produção artística nos meios socioculturais (BRASIL 1997)”.

Segundo este documento a arte tem a função importante no processo de ensino aprendizagem, pois possibilita o desenvolvimento do pensamento artístico e também da percepção estética, dando assim oportunidades aos alunos de organizar seus sentidos, através de suas próprias percepções, tanto ao fazer, tanto também ao apreciar as diversas expressões artísticas.

A arte na escola também possibilita que o aluno tenha criatividade e passe a usá-la em outras disciplinas. Ainda percebe-se que o aluno desenvolve a sensibilidade, a percepção, a imaginação.

As dimensões sociais inseridas a partir do ensino de artes também são citadas, é possível levar o aluno a entender as artes de cada povo, de cada cultura, de cada grupo.

Vasquéz relata que:

O homem é o objeto específico da arte, ainda que nem sempre seja o objeto da representação artística. Os objetos não humanos representados artisticamente não são pura e simplesmente objetos representados, mas aparecem em certa relação com o homem; ou seja, revelando-nos não o que são em si, mas o que são para o homem, isto é, humanizados. O objeto representado é portador de uma significação social de um mundo humano. Portanto, ao refletir a realidade objetiva, o artista faz-nos penetrar na realidade humana. (VÁZQUEZ, 1978, p. 35)

A Arte também ensina as possibilidades de transformações, mudanças e fazem paralelo entre criar e conhecer. É uma ferramenta para aquisição do conhecimento, e, que a depender da orientação torna-se algo de fundamental relevância para a criança no início da sua vida escolar.

Ressalta-se que a arte no contexto escolar não tem a exigência de desenvolver habilidades específicas e o fazer concentrado e especializado, mas procura introduzir as crianças no universo da produção de arte.

O sistema educacional não exige notas em artes porque arte-educação é concebida como uma atividade, mas não como uma disciplina de acordo com interpretações da lei educacional nº 5.692.

Compreende-se que no ambiente escolar a arte deve ser compreendida como um momento prazeroso e de fruição, experimentação, conhecimento e expressão.

Deve-se oportunizar o contato com a produção na área, favorecer o julgamento do produto artístico e proporcionar a experiência com os materiais, com as técnicas e com a expressão particular de cada ser, com os conhecimentos já nele inseridos.

MANIFESTAÇÕES ARTÍSTICAS POSSÍVEIS NO ESPAÇO ESCOLAR

As artes visuais juntam um grande número de formas expressivas, caracteriza-se pelo uso de materiais que trabalhados em sua plasticidade, apresentam resultados visuais bi ou tridimensionais.

O desenho, a pintura, a colagem, a impressão são exemplos de formas bidimensionais em artes visuais. A escultura, a cerâmica, as construções são exemplos de forma tridimensionais em artes visuais.

O Rcnei traz alguns objetivos no trabalho com a artes na educação infantil, estes objetivos são divididos por idade.

Conforme o documento para crianças de 0 a 3 anos

A instituição deve organizar sua prática em torno da aprendizagem em arte, garantindo oportunidades para que as crianças sejam capazes de:

  • ampliar o conhecimento de mundo que possuem, manipulando diferentes objetos e materiais, explorando suas características, propriedades e possibilidades de manuseio e entrando em contato com formas diversas de expressão artística;
  • utilizar diversos materiais gráficos e plásticos sobre diferentes superfícies para ampliar suas possibilidades de expressão e comunicação (RCNEI, 1998).

Ainda traz os objetivos com crianças de 4 a 6 anos, explicita:

Para esta fase, os objetivos estabelecidos para a faixa etária de zero a três anos deverão ser aprofundados e ampliados, garantindo-se, ainda, oportunidades para que as crianças sejam capazes de:

  • interessar-se pelas próprias produções, pelas de outras crianças e pelas diversas obras artísticas (regionais, nacionais ou internacionais) com as quais entrem em contato, ampliando seu conhecimento do mundo e da cultura;
  • produzir trabalhos de arte, utilizando a linguagem do desenho, da pintura, da modelagem, da colagem, da construção, desenvolvendo o gosto, o cuidado e o respeito pelo processo de produção e criação (RCNEI, 1998).

As artes visuais são linguagens relevantes na formação do indivíduo, pois integra os aspectos sensíveis, afetivos, intuitivos, estéticos e cognitivos com os de interação e comunicação social;

Vê-se o desenho como uma das formas mais antigas de expressão humana. Através de desenhos o ser humano representa objetos, pessoas, espaços geográficos e para este fim podem ser usados vários instrumentos.

No desenho as crianças encontram possibilidades de representar graficamente objetos e organizar o espaço em relação ao suporte que receberá sua representação, em forma bidimensional.

Esta forma artística também possibilita a criança uma maneira particular de expressão de sua individualidade e ao mesmo tempo em que a ajuda a selecionar e organizar suas ações em relação ao mundo e as coisas que a cercam.

Acredita-se que o homem abstrai das formas elementos expressivos e com recursos variados busca representá-los, o desenho caracteriza-se pela representação a partir de linhas e sombras. A linha é produto da abstração humana visto que não se apresenta como tal na natureza.

Portanto as linhas, as cores, as sombras, as texturas são recursos que os desenhos podem ser usados para representar o mundo que rodeia os envolvidos nesta arte.

Segundo Freire:

É através da leitura dos símbolos, que re-apresentam as atividades que a criança vai “lendo” e “escrevendo” seu cotidiano […]tudo que lhe é significativo é expresso através do desenho. Por isso o ato de desenhar é um ato de “escrever” seus “pensamentos” sobre a realidade (FREIRE, 1986, p. 88).

Ressalta-se ainda que o desenho pode ser realizado em superfícies variadas, em suporte de papel, madeira, metal, em espaços pequeno ou amplos, os desenhos podem ser individuais ou coletivos;

A pintura caracteriza-se pelo preenchimento de superfícies e uso de pigmentos mais elaborados, a pintura valoriza a cor como elemento expressivo, utiliza-se de tintas com cores variadas para conseguir o efeito de linhas, texturas e profundidades na representação.

A pintura não significa colorir o desenho, por isso ao trabalhar-se com pintura é importante observar aspectos tais como a pastosidade da tinta, a pincelada do pintor, a química e alquimia na obtenção das cores, a cobertura de novas cores, a cobertura dos planos, as manchas, os efeitos de textura, profundidade e movimento;

A impressão envolve várias técnicas, entre estas o carimbo, a xilogravura, a serigrafia, caracteriza-se pela possibilidade de à partir de uma matriz, tirar várias cópias.

No passado o homem primitivo, deixava as suas impressões, quando as marcas de suas mãos ficavam registradas nas paredes das cavernas.

A impressão pode ser feita através de carimbos na escola, este carimbo pode ser confeccionado de cortiça, isopor, E.V.A, batata, sabão, cenoura, coisas que tenham a consistência firme e aceitem a tinta, ao mesmo tempo em que pressionando-os sobre o papel transfiram para a sua superfície a tinta;

São aquelas que envolvem a produção de formas em três dimensões (altura, largura, comprimento ou profundidade). Aparecem na construção, na escultura, na modelagem. Também são percebíveis em construções diversas feitas a partir de sucatas, objetos da natureza ou sintéticos.

A modelagem pode ser feita em argila, massa para modelar, cera, pastas plásticas, alguns destes materiais necessitam de um preparo prévio, como cozimento, para que amoleçam ou endureçam, conforme o trabalho a ser feito.

A escultura por sua vez é a arte de entalhar materiais cotando-os com instrumentos. Os materiais mais utilizados na escultura são madeiras pedras, marfim, mármore e metais.

Na escola pode-se propor trabalhos com sucatas, maquetes, confecção de blocos para jogos, panelas de barro, bonecos, mosaicos, enfim as possibilidades são diversas;

O teatro ou jogos dramáticos podem ser oferecidos pela escola. Com a introdução aos jogos dramáticos, a improvisação para o teatro e apreciação de peças teatrais, pode ser promovida através da inserção de projetos na escola.

Os jogos dramáticos fazem parte da vida da criança, desde pequeno o ser humano estabelece jogos interativos com o meio e com os seus pares, os gestos e as práticas cotidianas são objetos de representação, interação e reconstrução.

Segundo Marin, apud Garafona e Caveda (2002) o jogo na infância terá um papel psicopedagógico evidente, permitindo um harmonioso crescimento do corpo, da inteligência, da afetividade, da criatividade, da socialização sendo a fonte mais importante do progresso e atividade.

Ao permitir a manifestação do imaginário infantil, por meio de objetos simbólicos dispostos intencionalmente, à função pedagógica subsidia o desenvolvimento integral da criança. Neste sentido, qualquer jogo empregado na escola, desde que respeite a natureza do ato lúdico, apresenta caráter educativo e pode receber também a denominação geral de jogo educativo (KISHIMOTO 1994, p.22).

Daí a importância dos jogos dramáticos fazerem parte da cultura escolar, o professor deve organizar os espaços de modo a permitir diferentes formas de representações e assimilações das crianças.

Entende-se que a interação do homem com o mundo se dá a partir dos múltiplos sentidos, os gestos, os movimentos faciais, corporais, os movimentos possibilitam processos de interação e comunicação.

Nesta área o professor deve estimular as crianças ao jogo do faz de conta e as brincadeiras possibilitando o desenvolvimento de processos de socialização, localização espacial. Expressão em gestos e sons fazendo do corpo um instrumento de autoconhecimento e interação social;

A música está relacionada com as emoções do homem, ao mesmo tempo em que mobiliza conhecimentos e um domínio de uma técnica específica. No contexto escolar importa incentivar as crianças a apreciação musical, como a percepção auditiva e a conscientização rítmica e melódica. Favorecer a criança o desenvolvimento destes domínios implica em fazer música e levar música para a sala de aula.

Entende-se a música como uma atividade muito prazerosa para as crianças em qualquer idade, auxilia no desenvolvimento intelectual, motor e no afetivo da criança desenvolve também a lateralidade, o movimento e anima o ambiente.

Acredita-se que através das artes pode-se ler e escrever o mundo. Essa que é a leitura mais importante para o desenvolvimento cognitivo fazendo-se assim uma conexão com o nosso interior e com o mundo ao nosso redor.

Conforme consta no Referencial Curricular para a Educação Infantil (RCNEI) a música é uma das formas de expressão dos sentimentos, pensamentos e comunicação, que está presente em nossa cultura em formas de cantigas passadas de geração a geração, na educação estas devem ser cultivadas por proporcionarem a integração e interação.

A música na escola deve favorecer a ampliação da experiência estético-artístico da criança, a escolha da música é fundamental neste processo. O ambiente escolar pode ser construído com alternativas de musicas que somem com o aprendizado da criança, sua inserção na cultura, seu conhecimento de outras línguas, outros povos e estilos;

A dança integra o corpo, o movimento, o sentimento, na dança o homem é ao mesmo tempo o artista e a obra. Na dança o corpo é mobilizado integralmente, todas as partes do corpo estão envolvidas. A dança trabalha com o controle respiratório, com as articulações, envolve também coletividade, dedicação, desenvoltura e vários aspectos motores.

Para que o ensino da arte forme produtores, apreciadores e conhecedores das produções artísticas deve-se valorizar a arte e sua dimensão cognitiva através da estética. Este conhecimento da arte se dá na interseção e inserção do fazer, do aprender, do apreciar e da contextualização.

Segundo os PCN (1997):

Esta área também favorece ao aluno relacionar-se criadoramente com as outras disciplinas do currículo. Por exemplo, o aluno que conhece arte pode estabelecer relações mais amplas quando estuda um determinado período histórico. Um aluno que exercita continuamente sua imaginação estará mais habilitado a construir um texto, a desenvolver estratégias pessoais para resolver um problema matemático. (BRASIL, 1997, p.19).

Os seres humanos produzem formas visuais, utilizando símbolos particulares constituídos socialmente para exprimirem mundos subjetivos e objetivos. Ao transporem suas visões, bagunçam o mundo natural através das diferentes modalidades que abarcam as Artes Visuais, como o desenho, a pintura, a escultura, a fotografia, a gravura, o vídeo, a instalação, a performance, etc.

Se a arte é a experiência sensível que nosso corpo perceptivo torna visível, propor situações de aprendizagem em arte implica vibrar nesse corpo o assombro pelo mundo e o estranhamento diante daquilo que, com os sentimentos embotados e as sensações anestesiadas, já não vemos mais.

Experimentar movimentar o pincel o lápis carregado de cor, este pouco de cor dá a ver, não apenas um efeito, ainda menos uma semelhança, mas um gesto, o prazer de um gesto: ver nascer na ponta dos dedos, dos olhos, qualquer coisa que é simultaneamente esperada, pois sabemos que azul vai sair, mas, ainda que soubéssemos, ficaríamos surpreendidos, por que à semelhança do acontecimento, é sempre nova a cada toque: é precisamente do toque que surge das experiências conceituais e poéticas das crianças com os meios artísticos visuais.

Ainda conforme Barbosa (2003):

A Arte na Educação como expressão pessoal e como cultura é um importante instrumento para a identificação cultural e o desenvolvimento individual. Por meio da Arte é possível desenvolver a percepção e a imaginação, apreender a realidade do meio ambiente, desenvolver a capacidade crítica, permitindo ao indivíduo analisar a realidade percebida e desenvolver a criatividade maneira a mudar a realidade que foi analisada (BARBOSA, 2003, p.18):

Voga-se que professor deve oferecer condições que estimule a criatividade, a pesquisa e a criação, fazendo com que a criança perceba e valorize os hábitos, costumes e o modo de pensar e agir de outros povos, pois é preciso começar a educar o olhar da criança desde a educação infantil, lembrando que a infância é a época das descobertas, das aventuras e magias.

A ideia da livre-expressão, originada no expressionismo, levou à ideia de que a Arte na educação tem como finalidade principal permitir que a criança expresse seu sentimento e à ideia de que a Arte não é ensinada, mas expressada. Esses novos conceitos, mais do que aos educadores, entusiasmaram artista e psicólogos, que foram os grandes divulgadores dessas correntes e, talvez por isso, promover experiências terapêuticas passou a ser considerada a maior missão da Arte na Educação (BARBOSA, 1975, p. 45).

Ensinar visando a formação social do indivíduo é possível em todas as disciplinas e em artes acontece de forma especial. Quando são estimuladas as habilidades do aluno o processo de aprendizagem é facilitado, pois desenvolvem a percepção e a imaginação que são recursos indispensáveis para a compreensão de outras áreas do conhecimento humano.

Os docentes na área de artes precisam estabelecer um diálogo entre todos os alunos esta é uma questão fundamental para que haja uma comunicação ampla e para que o trabalho seja estimulado, aprimorado e praticado em busca do desempenho de sua capacidade cognitiva.

Expor uma aprendizagem artística que inclua tais tipos de atividades é pior de que não dar aprendizagem alguma. São atividades pré-solucionadas que obrigam as crianças a um comportamento imitativo e inibem sua própria expressão criadora; esses trabalhos não estimulam o desenvolvimento emocional, visto que qualquer variação produzida pela criança só pode ser um equívoco; não incentivam as aptidões, porquanto estas se desenvolvem a partir da expressão pessoal. Pelo contrário, apenas servem para condicionar a criança, levando-a a aceitar, como arte, os conceitos adultos, uma arte que é incapaz de produzir sozinha e que, portanto, frustra seus próprios impulsos criadores (LOWENFELD & BRITTAIN 1977).

Um desses fatores avaliados é a relação interpessoal para que o mesmo resulte positivamente tanto para os docentes, quando para os discentes. O atendimento direcionado ao ensino da arte deve ter um bom profissional que assegure um resultado positivo da “visão” do aluno ao ensino da Arte. Saber diferenciar e compreender seu ponto de vista do ponto de vista do aluno “criador, apreciador e dinâmico”, o qual, irá querer que sua criação seja aprovada pelo professor.

A compreensão de que a manifestação artística é multifacetada, não possuindo valores hierárquicos condicionados ao seu caráter mais erudito e popular, tem sido de grande importância para que se vislumbre, para a arte-educação, novos caminhos mais afinados com as realidades socioculturais das diferentes comunidades (OSINSKI, 2002, p.115).

A arte na educação tem grande importância para o desenvolvimento da criança, mas a sua prática às vezes não se concretiza efetivamente por a falta de capacitação dos professores para o ensino, da imposição do currículo, o qual foi constantemente mudado no percorrer da história das artes, e a cada mudança ocorre uma readaptação.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os espaços educacionais possibilitam uma aproximação a cultura elaborada e, assim, ao universo da arte. É necessário, portanto, que se discuta cada vez mais a importância do ensino de arte nestes espaços, tendo em vista qual a concepção de ensino e de arte adotados.

Entende-se que escola é esta instituição que por meio do ensino da arte e de forma extracurricular, pode possibilitar além da sensação de pertencimento ao universo da arte, a compreensão, a apropriação e o acesso a ela.

Infere-se que somente por meio da educação poderá ocorrer a verdadeira apropriação da arte, e diante da sociedade em sua condição atual só assim a arte se tornará uma atividade possível e conscientemente necessária para todos.

Como historicamente pode-se observar, a arte na educação infantil possuía um perfil de recreação e de desenvolvimento emotivo e motor.

Hoje, a arte na educação infantil está em processo de rupturas e transformações, exigindo das políticas educacionais, dos docentes, um comprometimento com os aspectos cognitivos, sensíveis e culturais.

Ainda encontra-se muita resistência por parte de alguns professores que não conseguem superar a influência da pedagogia tradicional recebida durante sua formação acadêmica, mostrando insegurança para introduzir as tendências contemporâneas.

Cabe então, a todos os profissionais que atuam direta ou indiretamente com o ensino da arte, uma reflexão não somente dos processos de sala de aula, mas também do seu papel como cidadãos, e participantes destes processos.

A despeito de ensinar artes levando em consideração as concepções pedagógicas ainda é um desafio visto que estas tendências são resultantes de uma sistematização que busca extrair da realidade aspectos que constituem um todo complexo na sociedade.

É necessário começar a educar o olhar da criança desde a educação infantil, lembrando que a infância é a época das descobertas, das aventuras e magias.

Portanto, o professor deve oferecer condições que estimule a criatividade, a pesquisa e a criação, fazendo com que a criança perceba e valorize os hábitos, costumes e o modo de pensar e agir de outros povos.

No ensino fundamental diz-se que as possibilidades são inúmeras tendo em vista a idade dos alunos e as facilidades de assimilação dos conteúdos por eles, enfim as formas de compreensão são mais efetivas.

Foca-se que o trabalho com artes precisa trazer ao educando reflexões para formação da cidadania, relacionando passado e presente, ampliando a formação cultural e não esquecendo as concepções de mundo e de sociedade.

Nota-se que arte pode contribuir significativamente no processo de ensino-aprendizagem, no processo de resgate e de criação, envolvendo a cultura popular, principalmente através de abordagens interdisciplinares e contextualizadas.

Requer-se neste contexto dos docentes, compromisso com a formação continuada, pois o trabalho dos educadores na disciplina artes e sobremodo importante nos ambientes escolares e consequentemente na sociedade.

Quando as habilidades são estimuladas, ajudam no processo de aprendizagem, pois desenvolvem a percepção e a imaginação que são recursos indispensáveis para a compreensão de outras áreas do conhecimento humano.

Firma-se que o professor no ensino das artes precisa de um cenário no onde consiga dominar os conteúdos da disciplina de modo que os alunos utilizem o senso crítico. Pois no processo de ensino e aprendizagem, a participação ativa do professor e do aluno é primordial para se alcançar os objetivos.

REFERÊNCIAS

BRASIL. Referencial curricular nacional para a educação infantil. Ministério da Educação e do Desporto, Secretaria de Educação Fundamental. Brasília: MEC/SEF, 1998. Volume 1: Introdução; volume 2: Formação pessoal e social; volume 3: Conhecimento de mundo.

BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental. Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil.

BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto, Brasília: MEC-SEF, 1998.

BARBOSA, Ana Mãe. A imagem no ensino da Arte – anos oitenta e novos tempos. São Paulo: Editora Perspectiva. 4. ed., 2001. _____________. Arte-Educação: leitura no subsolo. São Paulo: Cortez, 1997.

_____________. As mutações do conceito e da prática. In BARBOSA, Ana Mae (org.). Inquietações e mudanças no ensino da arte. 2™ Ed. S„o Paulo: Cortez, 2003. Cap. 1, p. 13-25.

CERTEAU, Michel de. A invenção do cotidiano: 1. Artes do fazer. Trad. Ephraim Ferreira Alves. Petropólis, RJ: Vozes, 1994, p.48

DEWEY, John. John Dewey. Traduções de: Murilo Otávio Rodrigues Paes Leme, Anísio Teixeira, Leônidas Gontijo de Carvalho. São Paulo: Abril Cultural, 1980. (Coleção Os Pensadores).

FRANZ, Teresinha. Victor Meirelles e a Construção do Império Brasileiro. In: Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina. Florianópolis: IHGSC, n.22, p.33-50, 2003a.

FERRAZ, Heloisa & FUSARI Maria F. Resende de. Arte na educação escolar. São Paulo: Cortez, 1993.

FUSARI, M.F.R.; FERRAZ, M. H. C. T. Arte na educação escolar. São Paulo: Editora Cortez, 2001.

_______________________________ Metodologia do ensino da arte. São Paulo: Editora Cortez, 2. ed., 1999.

FREIRE, Paulo. Educação como Prática da Liberdade. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1976. p. 65-83.

GARÓFANO, Virginia Virciana. CAVEDA, José Luis Conde – O Jogo no currículo infantil. / Aprendizagem Através do Jogo. Editora Artmed. 2002

KISHIMOTO, Tizuko. Jogo e educação infantil. São Paulo: Pioneira, 1998.

LOWENFELD, V. & BRITTAIN, W.L. Desenvolvimento da capacidade criadora. São Paulo: Mestre Jou, 1977.

MARTINS, M.C.; PICOSQUE, G. GUERRA, M.T.T. Didática do ensino da Arte. São Paulo: Editora FTD, 1998.

OSINSKI, Dulce Regina Baggio. Arte, história e ensino: uma trajetória. 2™ Ed. S„o Paulo: Cortez, 2002. (Coleções da nossa Época: v. 79)

RIZZI, M. C. de S. Caminhos metodológicos. In: BARBOSA. A. M. (Org.) Inquietações e mudanças no ensino da arte. São Paulo: Cortez, 2002.

SAVIANI, D. As concepções pedagógicas na história da educação brasileira. Campinas: Histedbr, 2006.

VÁZQUEZ, A. S. As idéias estéticas de Marx. 2. Ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1978.

VIGOTSKI, Lev Semyonovicth. Psicologia pedagógica. São Paulo: Martins Fontes, 2001.

Como publicar Artigo Científico

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here