A dimensão do lúdico no ensino da língua portuguesa nas séries finais do ensino fundamental

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ARTIGO ORIGINAL

TEIXEIRA, Raquel Maria Richetti [1]

TEIXEIRA, Raquel Maria Richetti. A dimensão do lúdico no ensino da língua portuguesa nas séries finais do ensino fundamental. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 04, Ed. 11, Vol. 02, pp. 90-109. Novembro de 2019. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/educacao/dimensao-do-ludico

RESUMO

O exposto trabalho tem como base a vida das antigas sociedades brasileiras quanto a diversidade de brincadeiras, jogos e brinquedos diversos que já faziam parte do dia a dia das pessoas, carregando o aprendizado desses no desenrolar dos tempos. Esta pesquisa busca expor o divertido no processo educativo no ensinamento da Língua Portuguesa nos últimos anos do Ensino Fundamental. E, juntamente, às ações do professor. Este ao ser trabalhado não fere a seriedade, nem a importância dos conteúdos desenvolvidos, pois tais atividades são importantes, para o aperfeiçoamento e assimilação das informações. E primordial no alcance a compreensão, criatividade, e a fantasia, como também nas expressões de sentimentos, facilitando a comunicação das crianças com o mundo, instituindo as relações coletivas e a aceitação do outro, possibilitando a edificação da informação e o seu integral desenvolvimento.

Palavras chaves: Crianças, professor, lúdico.

INTRODUÇÃO

O indivíduo nasce para desvendar, conhecer e apossar-se de estudos que garantem a sua subsistência na comunidade de forma mútua, criativa e crítica. O que ocorre em qualquer momento da vida, no contato com o seu próximo e com o grupo em que convive, e a esse conjunto de ações nomeia-se de educação, e esta existe pela ação conjunta de cooperação entre as pessoas.

Essa contribuição busca a contemplação a respeito da utilização de tarefas lúdicas nas práxis de ensino e aprendizado da disciplina de Língua Portuguesa nos últimos anos do Ensino Básico, auferindo reflexionar não só, sobre as transformações tecnológicas e comportamentais, que acontecem cada vez mais célere dentro do procedimento de ensino, assim como, com a prática do educador e do aluno neste processo. É, desta forma, um revés para quem pretende desenvolver aprendizagens e técnicas educacionais, levando em consideração essa ascensão pela qual caminham professor e aluno.

Enquanto crianças as diversões ocorrem, mediante brincadeiras os pequenos contentam suas necessidades, desejos e interesses particulares se incluindo na realidade e expondo suas opiniões e ordens, desconstruindo e reconstruído o meio a sua volta mediante suas brincadeiras. Meio este intrínseco as brincadeiras e é por meio delas que as crianças expõem suas perspectivas, progridem em sua curiosidade cedendo lugar a sua atividade na busca para descobrir o mundo.

Nos tempos de hoje é preciso ir além de apresentar a informação para os alunos, é necessário que o professor ocasione tarefas com a intenção de modificar a comunicação em aprendizagem significativo, alcançando o aprendizado do seu aluno, com o objetivo que o mesmo conquiste outros domínios por meio da realidade do conhecimento. É importante que o educador obtenha entusiasmo, seja reflexivo e responsável, não trabalhando com atividades estereotipadas, mas propondo a criatividade, o recriar e a originalidade, possibilitando ao educando a sua autonomia. Nesta situação, lidar com exercícios lúdicos auxilia na elaboração do entendimento e consequentemente resultar em uma educação de alta qualidade. São inúmeros os observadores que consideram a ludicidade como ferramenta de suma importância na interferência do conhecimento. Para Feijó (1992, p. 2), “o lúdico é prioridade essencial da pessoa, do corpóreo e da psique, atuando no seguimento das práticas ou intervenções primordiais ao ser humano tipificada por ser ampla, prática e útil”. Por muito, o orientador tem o dever de entender o lúdico como eficaz para o processo de aprendizado e para o crescimento coletivo, intelectivo e emotivo do sujeito.

Vivemos na época da mundialização e a implantação das TICs no ambiente escolar com o envolvimento das crianças e adultos, no entanto, conforme ao uso desta na disciplina de ensinamento da Língua Portuguesa nas séries finais e do Ensino Fundamental, é indispensável muita inovação e afeição. É necessário que as escolas que não possuam, empenham-se na procura de uma preparação para a utilização destas tecnologias com seus alunos, visto que o progresso deste é notável e sua atuação é admissível nas transformações e evolução dos costumes no corpo social, uma vez que sua fascinação cativa o cotidiano tanto de jovens e adultos, reconsiderar o procedimento de educação- aprendizagem numa contínua é além do que necessário analisar os melhores procedimentos utilizados.

O entretenimento é na práxis didática escolar um mecanismo crucial e de relevância, uma vez que auxilia no crescimento psicológico e emocional do indivíduo, e também os professores devem ter em mente que de fato não passa de um simples divertimento. Conforme Piaget (1975) a criança entende, compreende e se envolve de maneira íntegra mediante relações com seu meio social, de acordo com sua fase de crescimento.

O objetivo desse estudo é possibilitar ao professor entender a importância dos exercícios lúdicos para seus alunos na disciplina de língua portuguesa nos últimos anos do Ensino Básico promovendo a percepção e o conceito da mesma como sistema para a concepção do conhecimento. Em uma estimulação para o mestre poder incluir entretenimento em seus planos pedagógicos, com a finalidade e convicção de sua atuação no ensinamento e aprendizado da criança.

Segundo Wallon (2010) e Vygotsky (1998), o lúdico além de proporcionar entusiasmo, direciona às aprendizagens, isso porque o entretenimento viabiliza estimular criatividade atraindo-se pela pluralidade de conteúdos o que instiga o crescimento intelectual. Já Sneyders (1996 p. 36) afirma que “a educação é a direção para a alegria, pois a vida sem a alegria se torna rotineira, e o divertimento desempenha que jovem desenvolva o aprendizado através da diversão”. Nesse sentido, ressalta que a importância das estratégias lúdicas se encontra distantes de ser consideradas um simples lazer ou uma mera brincadeira.

Lucena apud Cória (2012), afirma que o entretenimento trabalhado no dia a dia escolar pode gerar e beneficiar situações para a criança progredir no seu crescimento intelectual, no entanto esses exercícios necessitarão serem debatidos e empenhado pelo adulto, a fim de que consigam transformar uma definição específica, uma vez que age como parte integrante do crescimento da criança.

É de grande relevância os exercícios lúdicos no ambiente escolar, isso porque através deles o educador será capaz de trabalhar os temas por meio de exercícios preponderantemente lúdicos.

Nesta sapiência caracteriza-se o lúdico de modo a comprovar a sua relevância no progresso das crianças e adolescentes e como método que proporciona um aprendizado prazeroso e cheio de vida e significância fundamental para a vida em coletividade. A finalidade de auxiliar e proporcionar ao mestre ter em consideração que os jogos para as crianças como estágio básico para seu desenvolvimento, encaminhado por meio da leitura da coletânea de variados autores, e pesquisadores sobre o tema permitiu que o lúdico aplicado de forma precisa e entendido auxilia não só na qualificação e formação de um educando crítico, mas também na redefinição de valores e suas relações para com a sociedade.

A pesquisa atingirá uma análise de temas de autores discorrendo suas opiniões a respeito da práxis do educador e o lúdico para as últimas séries do Ensino Fundamental, na preparação do entendimento, identificando fatores que interfere na prática pedagógica.

Fragmenta-se o espaço da criança o uso de sua criatividade, a fantasia e o desfrutar brincando, e é por meio de sua inclusão ao mundo do divertimento, que a mesma interage, troca conhecimentos e aprende a compreender o trabalho em equipe e distinguir a diferença do mundo das crianças e dos adultos.

No ensinamento da disciplina de língua portuguesa nos últimos anos do Ensino Fundamental é necessário entender, assentir e contemplar o divertimento como sendo algo de suma importância para o crescimento físico e psicológico da criança e do jovem, e deve-se na sua aplicação ser idealizado de forma eficaz e reconhecida pelo mestre, de forma que o ambiente de divertimento seja um ambiente fértil e motivador para o processo do ensino- aprendizado

O repensar a prática pedagógica é preciso de modo que o lúdico e a tecnologia sejam usados como principais instrumentos para a evolução da criança e adolescente em diferentes vertentes, e garantir um sistema de educação por meio do estímulo da criatividade, nas ocasiões em que as atividades despertem a imaginação, o que significa a reestruturação e organização da práxis didática do educador.

Por conseguinte, o lúdico jamais pode ser olhado como mero passatempo, ou apenas como modo de lazer nas horas vagas, é necessário que haja um instrumento para o desenvolvimento de temas variados de modo que cause a gerar a inclusão para fixar da melhor forma as atividades sugeridas e fornecer o conhecimento ao aluno, a fim de assimilar de forma divertida os temas e matérias das disciplinas curriculares.

Na busca, tenciona-se ponderar o lúdico sendo um recurso utilizado para um aprendizado diferente e significativo da linguagem, tendo em vista utilizado os assuntos do Ensino Fundamental, o qual pode trabalhar, por exemplo, a consolidação de laços familiares.

Em suma, a escolha pelo estudo tem o propósito do enriquecimento de práxis do orientador da disciplina de Língua Portuguesa, no ensino básico, estimulando ao aluno a potencialização do hábito de ler, escrever e interpretar, haja vista o conhecimento das regras gramaticais e ortográficas. Além disso, deve atender às necessidades de vários docentes, os quais interessam-se pelo tema e aceitam serem pertinentes e estarem aplicando o lúdico nas aulas, com a finalidade de associar o entusiasmo e a diversão à teoria que deseja ser transmitida.

Dessa maneira o estudo objetiva-se na utilização de recursos relacionados ao lúdico para melhoramento das práticas de ensino da Língua Portuguesa, e busca entender como acontece o desenvolvimento do educador em liame com o lúdico na finalização do Ensino Fundamental, admitindo que o lúdico é prioritário para o crescimento do discente como membro na construção do conhecimento.

1. DEFINIÇÕES

Na busca por definições percebe-se uma discordância quanto a isso, no entanto alguns autores vinculam o lúdico ao jogo e procuram constantemente estudar sua importância na educação.

Quanto a isso Huizinga (1990) estudou em vários idiomas o significado da palavra jogo, e nos esclarece que o jogo atinge tanto as atividades de competição como as outras, porém sua ocupação exige limite de espaço e tempo para acontecer, com uso de normas e regras que são consentidas, mas obrigatórias e com fim em si mesmo, diferente da vida do dia a dia ele vem cheio de tensão e alegria e consciente dessa diferença.

No que tange ao jogo, Piaget (1975) traz o entendimento de que as brincadeiras são formas que inventamos para nomear o nosso brincar durante o nosso tempo de vida, e que jogo e brincadeira pode ser consideradas uma palavra sinônima de divertimentos, o autor declara ainda que a escola tem negligenciado a função do Lúdico quando dão importância destituídas de significado, onde os jogos são vistos como uma degradação de energia não explicando e nem considerando o valor que as crianças disponibilizam aos mesmos tampouco o que os jogos proporcionam para a melhoria de concepções, inteligências, tendências e experimentação e instintos sociais. O mesmo autor afirma que é através dos relacionamentos que a criança identifica o espaço e estabelece sua relação com a sociedade. Observando que os artefatos e os jogos participam deste mundo e em diferentes modalidades e contribuições diversas para o progresso do ponto de vista infantil.

Na escola já que as brincadeiras auxiliam no desenvolvimento da criança se faz necessário que elas sejam planejadas com antecedência, bom que o professor busque trabalhar o divertimento e sua essência, buscando no percurso cultural e aprimorando a sua prática, fazendo deste uma ponte de facilidades para a melhoria da aprendizagem de seu aluno através do seu pensar e questionar. Feijó (1992) afirma ser o lúdico algo necessário, básico inerente da personalidade, do corpo, e mente do indivíduo e essencial ao ser humano. O que Campos (1986) explica que para isso é preciso buscar o lúdico que de alguma forma permeou os caminhos já trilhados. De modo geral os mestres educadores pactuam que as brincadeiras recreativas são significativas para a educação, ainda que alguns deles não trabalhem com jogos ou brincadeiras no dia a dia de seus alunos. De alguma forma no decorrer dos tempos os jogos sempre foram um aspecto de atividade característico ao homem onde as crianças nos jogos tinham sua participação, pois estes caracterizavam a própria cultura de um povo e por si o conhecimento era a cultura e a educação.

É essencial o divertir-se na vivência da criança e no seu desenvolvimento psicossocial, seu contato e interpelação com os brinquedos favorece o desenvolvimento do raciocínio, sua criatividade e compreensão do mundo. Para Wajskop (1995), o brincar representa a fase mais importante na infância e no desenvolvimento humano, por ser nessa fase que a criança apresenta suas necessidades e estímulos internos expondo-se com agilidade mediante brincadeiras que demonstrem sua sensibilidade auditiva e visual assim como o desenvolver de suas habilidades motoras e intelectuais.

Segundo o dicionário Sacconi (2010) podemos considerar o jogo como: Atividade lúdica; lazer infantil; brincadeira; divertimento; folgança. Competição esportiva organizada por regras que determinam o ganhador e o perdedor. Passatempo recreativo sujeito a certas regras, em que arrisca dinheiro: o jogo de cartas, o jogo de palitinhos Competição ou série de competições caracterizadas por atividades e competições com direito a brindes.

Brinquedo – É tudo aquilo que serve para a criança como objeto de diversão ou entretenimento.

Brincadeira – ação ou prática de brincar, divertimento.

De forma ampla pode-se levar em consideração que as atividades lúdicas e os entretenimentos podem conter competições externas que propiciam contato entre as crianças e diversas combinações e modalidades, as equipes por exemplo podem trabalhar com temas e abordagens diversas, de maneira interdisciplinar com maior interesse e participação das crianças de ambos os sexos.

2. POR QUE BRINCAR?

Em se tratando do jogo Piaget (1975) declara que o instituto tem abandonado a missão do Lúdico quando dão importância destituídas de significado, onde os jogos são vistos como um descanso ou o desgaste de energia não explicando e nem considerando a importância que as crianças atribuem aos jogos, muito menos o que os jogos promovem para com o desenvolvimento das percepções, inteligências, tendências e experimentação e instintos sociais. Por meio das convivências que a criança e ao adolescente conhece o mundo e estabelece sua relação com as pessoas e objetos. Observando que os objetos e os jogos fazem parte deste mundo e em diferentes modalidades e contribuições diversas para o desenvolvimento do pensar.

O brincar é fundamental na vida, e para a criança brincar é distrair-se e desde o princípio da história da humanidade esta por sua vez expõe que as crianças desde o passado brincavam e por certo sempre irão brincar é o que afirma Santos (1999), e sempre que isso não acontece é porque há algo errado com elas.

No ambiente escolar as brincadeiras contribuem no progresso da criança se faz necessário que elas sejam planejadas com antecedência.

Para Vigotsky apud Kishimoto (1971) o infante se desenvolve ao brincar, e tudo o que faz como brincadeira é fundamental para seu desenvolvimento cognitivo, social, emocional e psicológico. As crianças se sentem atraídas pela novidade das descobertas e isto aguça sua curiosidade e o prazer de imitar.

Wallon apud Almeida (1996) deixa claro que a mudança sobrevinda em seu próprio campo de percepção que parece fazê-la descobrir, e logo a seguir repetir o movimento que constitui a causa do vivo despertar em sua curiosidade por tudo o que for novidade faz com que ela se volte para a sua atividade.

Tirar o direito de brincar de uma criança é tirar-lhe o direito da alegria e a probabilidade de se fortalecer integralmente, pois se divertir brincando não é um simples lazer, é neste brincar que o sujeito se envolvem afetivamente e socialmente, ele possibilita o criar e recriar normas, o construir alternativas para resolver impasses que surgem no momento de brincar. O brincar deve ser observado mais como um avanço do que como um atraso, vez que as brincadeiras possibilitam o aprendizado, em uma atividade que gera experiência através da movimentação física, onde a criança tem completa participação.

A naturalidade de conduta e o desempenho fundamental da brincadeira estimula a criação de diretrizes e padrões diversos, pois possibilita a livre tomada de decisões. Sendo o a essência da infância ele é a ponte para o crescimento permitindo a pequeno explorar o universo a sua volta, abrindo-lhe caminhos para a descoberta e conhecimento de seus sentimentos e maneiras de agir e reagir.

Desde as mais antigas civilizações nos mais diversos lugares do mundo os jogos e brincadeiras são fatores relevantes no desenvolvimento das crianças e desempenham o papel de transmitir a cultura de tempos em tempos de geração para geração.

Para observadores entendidos do ensino as atrações, os passatempos e atitudes das crianças ao brincar, dependem da idade, sexo, companheiros e surpresas, devendo na escola a brincadeira ser incentivada e valorizada pelo professor para que encorajem suas crianças sem o pensamento de que está perdendo tempo

Enfatizar é preciso pois as habilidades sociais que são favorecidas através dos brinquedos são diversas e vai desde a cooperação, competição honesta, comunicação eficiente, redução da agressividade.

É visível que as crianças avançam em seu desenvolvimento através das brincadeiras e que fica claro nas expressões corporais, posturas e gestos, nas relações entre corpo, mente e o ambiente em que convivem, demonstrando assim a grande importância do lúdico na vida infantil das crianças.

Desta maneira, a brincadeira é primordial para a criação da imaginação e pensamento da criança, desenvolve seu pensamento, pois ao imaginar livremente, aprende a viver socialmente, mesmo inconscientemente, ela é capaz de internalizar atitudes, prática e valores essenciais para uma convivência sadia, imita situações, aprimora a linguagem e interage com outras crianças. É nos jogos e brincadeiras que a criança a prende a brincar, e ao mesmo tempo em que joga e brinca ela aprende a fazer. Segundo Negrine (1994, p.19):

As contribuições das atividades lúdicas no desenvolvimento integral indicam que elas contribuem poderosamente no desenvolvimento global da criança e que todas as dimensões estão intrinsecamente vinculadas: a inteligência, a afetividade, a motricidade, e a sociabilidade são inseparáveis, sendo a afetividade a que constitui a energia necessária para a progressão psíquica, moral, intelectual e motriz da criança.

Em síntese entende-se que os jogos são facilitadores não só da aprendizagem, mas do desenvolvimento integral da criança e adolescentes, possibilitando seu crescimento integral, zelando por sua saúde mental, e por um rico estado de criatividade, e agindo como facilitador da comunicação e construção do conhecimento.

3. O LÚDICO E A APRENDIZADO

A todos aqueles que se dedicam a educação, nela encontram um grande desafio, muitos são os estudos e discussões sobre o tema, porém este continua na atualidade sendo de grande relevância, e traz como seu objetivo maior o indivíduo. Logo, refletir sobre educação é o mesmo que refletir sobre o homem de forma geral, desde sua tenra idade até a idade adulta em todos os sentidos e vivências

Em se tratando do ensino de língua portuguesa nos anos finais do ensino fundamental, a esta cabe o dever de estudar de forma geral e em todos os sentidos o jeito das crianças estarem no mundo, muito embora os conhecimentos advindos de outras áreas do conhecimento tenham grande valor no sentido de apontar características comuns entre as crianças, estas, porém continuam unicamente sendo individualistas cabendo aos adultos e professores serem os mediadores para a construção de estímulos e desafios que possam auxiliar no desenvolvimento cognitivo e intelectual desses pequenos.

O que segundo Rosamilha (1979), nos esclarece afirmando que a criança foi feita para interagir e que a brincadeira é um meio que permiti a ela encontrar meios que facilitem desenvolver atividades que venham colaborar para com o seu crescimento corpóreo e psíquico.

Estudos especializados indicam que o ato de brincar das crianças é mais que satisfação ou querer, é um fazer em si, que requer tempo e espaço, constituído de experiências culturais universais, promovendo saúde, facilitando o crescimento e a relação de grupo, a intercomunicação e a comunicação com os seus semelhantes. Segundo Chateou (1987) a criança precisa brincar, criar, recriar, montar e desmontar, pois é isto que lhe proporcionará sua harmonia com o outro, consigo e com o universo.

Muitas escolas na atualidade ainda estão estimulando seus alunos para um futuro, é preciso ter um novo olhar saindo do tradicionalismo na busca de orientar a aprendizagem dos educandos na idealização do seu respectivo conhecer, na visão de que o aluno e o professor estejam realmente engajados no processo para que de fato a aprendizagem aconteça, pois é fato que não há ensinamento a quem não quer aprender. Para Ausubel apud Barreto (1998), a aprendizagem só é verdadeira quando esta é significativa, e o ensinar é um bilhete de entrada para a descoberta, e de forma alguma um mero transmitir de informações e técnicas sem significado.

Na leitura e escrita a aprendizagem se faz a contento dependendo do amadurecimento da criança no que tange ao seu psicológico, filosófico. De maneira natural a criança aprende a falar a língua de sua comunidade, passando pela fase de imitação do adulto e usando palavras destes para nomear os objetos.

No ambiente escolar é dever do professor executar atividades palpáveis que podem ter como objeto o corpo da criança envolvendo atividades motoras e possibilitando expor a criança a tarefas gráficas. Sua interação com as brincadeiras expressa sua linguagem não só para diferenciar objetos, mas na finalidade de transformar o jogo imaginário e fantasioso em situações diversas onde cria e resolve problemas.

Aprender a pensar é muito importante mais do que relembrar fatos, no momento em que as crianças não desperdiçam suas energias e dão sentido as suas brincadeiras, são elas mesmas quem nos apontam por onde seguir, razão suficiente para uma forma de ensinar de maneira alegre e inteligente da qual a escola deve se apossar. São constantes as mudanças do ser humano, pois este não é um ser acabado, uma razão para que a escola permita a reprodução e não coloque limites nas criatividades dos pequenos novatos.

Propiciar situações de ensino onde prevaleçam as brincadeiras orientadas com cuidados e de forma integrada objetivando o desenvolvimento das relações interpessoais, aceitação, respeito, confiança de maneira que os pequenos alcancem os conhecimentos da realidade sócio cultural isso é sinônimo de educar.

O cooperar com as brincadeiras no colégio não designa tornar as crianças passivas a degustar lições empacotadas, mas sim trabalhar de maneira consciente, de forma planejada com a finalidade de formar cidadãos também conscientes engajados e felizes no meio em que se encontra. O que em seu significado caracteriza seduzir a criança para o prazer de conhecer, com isso tornar a escola aquilo que ela de fato deve ser, um local de alegria pelo fato de aprender.

Segundo Almeida (1995), as atividades lúdicas desempenham atuação na vida da criança, possibilitando desenvolver-se na constante elaboração do pensamento individual, e sua prática deve ser necessariamente franca, livre, com criatividade e crítica, para dessa formar promover a integração social e modificação do meio em que ela convive. De acordo com Vygotsky (1987, p.97):

A brincadeira cria para crianças uma zona de desenvolvimento proximal, que não é outra coisa senão a distância entre o nível atual de desenvolvimento determinada pela capacidade de resolver independentemente um problema e o nível atual de desenvolvimento potencial, determinado através da resolução de um problema sob a orientação de um adulto ou com a colaboração de um companheiro mais capaz.

Através das brincadeiras e jogos as crianças fazem associações onde juntam o conhecimento anterior ao agora em aquisição e reelaboram através da criatividade e faz de conta a reprodução de situações vividas que são reproduzidas de acordo com seus anseios, desejos, e afeições, fazendo valer assim o que há de mais importante na ação criadora do ser humano.

4. O JOGO

O divertir-se são necessidades inerentes a criança, e está o faz de maneira que não impede as suas representações simbólicas, pois este é o instrumento que norteia suas assimilações do real associando a seus interesses e desejos.

Estudiosos e pesquisadores afirmam que é preciso que as crianças brinquem, pois é nessas brincadeiras que elas vivenciam suas vontades e imaginações aflorando seus pensamentos e conhecimento anteriores, é nas brincadeiras e jogos que as crianças se veem em meio a experimentações das emoções e vivencias da realidade que as cercam.

Vyngotsky (1995) deixa claro que através do lúdico que os pequenos vivenciam uma realidade além de suas idades, representando ter mais do que a sua idade, ou ser bem maior do que de fato é, são nessas brincadeiras que as crianças demonstram simbolicamente o que gostariam de ser no futuro.

Para Lima (1993), a criança se encontra diante de uma realidade onde aflora o social e as relações de sentimentos no qual ela tem de conviver enquanto constrói sua personalidade. Para Costa (1999), o jogo é de suma importância encontrar-se presente na vida da criança, enquanto para Negrine (1994), sempre que uma criança sadia joga, em seu trajeto representa variados papéis, e vivência papéis diversos em situações diferentes.

Para Costa (1991), o jogo é um exercício humana que possui características superiores que vão além de uma simples necessidades biológicas, o que significa em outras palavras que a ação de brincar das crianças, seja só ou em sociedade ela aprende a compreender melhor o meio em que vive e do outro em sua inserção cotidiana, o que Vygotsky (1995), nos afirma que o brincar apresenta na criança uma outra maneira de desejar relacionado ao fictício, ao papel que o jogo exerce em suas normas e diretrizes.

Para Negrine (1994) no instante em que a criança chega a escola, traz consigo toda uma memória, constituídas pelas vivências passadas, a maioria delas mediante ao desenvolvimento de exercícios lúdicos. Sendo assim, o jogar está constantemente na conduta de maneira fixa e é a base do procedimento da educação e progresso da criança, viabilizando o conhecimento de maneira ordenada e o desenvolver na opinião de tempo e lugar.

Para que os jogos sejam realmente eficazes é preciso serem antes estudados, os jogos ocasionais, ou aqueles ainda não testados podem não provocar os objetivos desejados, o mesmo deve ser observado quanto a quantidades de jogos a serem oferecidos e se tem relação com os conteúdos ou é relacionado a aprendizagem. O mestre deve estar atento as formas pelas quais esses jogos serão trabalhados, pois ai deve estar juntos a vontade, seriedade, conhecimento, sensibilidade e principalmente a imaginação.

As situações problemas devem sempre aparecerem nos jogos para que o adolescente ou a criança sinta-se estimulada, pois são os desafios que dão sentido ao jogo. Apresentando sempre uma situação de impasse que venha provocar a demanda pela finalização. É preciso consciência para estabelecer objetivos buscando sempre saber onde quer chegar, porque, além de conhecer a sua clientela no que tange a idade, total de integrantes, categoria coletiva, fase da evolução psicológica dos mesmos, além do espaço a ser usado, tempo e dinâmica do jogo e sua relação com os conteúdos, detalhes que devem serem vistos e preparos previamente.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A relevância dos exercícios lúdicos no ensinamento da disciplina de Língua Portuguesa na finalização do Ensino Básico para o desenvolvimento educacional da criança e adolescente é demonstrada neste trabalho de maneira que buscamos colocar em ênfase o entretenimento no procedimento educacional para o desenvolvimento íntegro dos próprios. Observando que o professor deve sim deixar aflorar a criança e adolescência que existe dentro dele, o que facilitará o seu comprometimento no ápice de desfrutar com os pequenos.

É harmonioso e saudável o desenvolvimento oferecido para a criança através das atividades lúdicas, pois nesse processo é visível a elevação da autoestima, a postura de independência, a sensibilidade auditiva e visual, um trabalho que nos fez compreender a significância do lúdico para as crianças e adolescentes e sua importância na construção de conhecimentos, adentrando seu mundo, reconhecendo seus sonhos, e no jogo sonhar com ela, sendo que os jogos a princípio permite a criança se sentir mais segurada à frente das dificuldades a serem enfrentadas mas no percurso de sua construção vai aos poucos tornando-se mais complexo em relação as normas e regras e suas mudanças, validade e consequências, e as possibilidades de aos poucos as dificuldades irem desaparecendo à medida que os acertos vão acontecendo e surgem as soluções.

Aos professores de crianças pequenas que estes façam das brincadeiras e jogos atividades pedagógicas que possuam significado de desejo e prazer, proporcionando a afetividade, solidariedade, cognição, sociabilidade e de mais fatores componentes de um desenvolvimento integro, e nelas recuperando o lúdico das crianças e concedendo sentido a suas vidas.

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[1] Graduada Em Letras (FINAV) e Pedagogia (UNINOVE) com Pós-Graduação Em Língua Portuguesa (Universidade Cândido Mendes E Educação Especial (FAESE).

Enviado: Novembro, 2019.

Aprovado: Novembro, 2019.

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