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A Importância da Didática na Formação Docente

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A Importância da Didática na Formação Docente
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BASTOS, Manoel de Jesus [1]

BASTOS, Manoel de Jesus. A Importância da Didática na Formação Docente. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 02, Vol. 14. pp 64-70 Janeiro de 2017. ISSN: 2448-0959

RESUMO

Este artigo aborda assuntos relacionados a importância da didática na formação docente na área da pedagogia. Usá-la adequadamente, propiciará um trabalho eficaz e exitoso do professor que além de consumar, com sucesso, as perspectivas previamente propostas, oferecerá um trabalho qualitativo. O trabalho docente deve levar em conta que teoria e prática são caminhos indissociáveis, paralelos e convergentes que norteiam o ensino-aprendizagem no contexto pedagógico. Uma vez que um depende do outro, jamais haveria perfeição na tarefa docente, se não fossem consideradas as suas inter-relações. A aplicabilidade da didática, ora fundamentada na teoria, realizará o papel íntegro do professor no âmbito educacional, com direcionamento ao seu público alvo. É um projeto saindo do papel rumo a sua efetivação. Presumimos que um dentre tantos problemas entranhados no processo do ensino-aprendizagem é a falta da didática, tendo em vista que muitos profissionais da área pedagógica, podem até planejar com excelência, para atender as exigências das secretarias de educação, mas não cumprem integralmente, com o que planejaram.

Palavras-Chave: Didática, Docente, Pedagógica.

INTRODUÇÃO

A didática, caminho programado pela teoria, tem sido considerada uma ampla e indispensável sinalizadora na aplicabilidade dos conteúdos programáticos a que o professor utiliza para ministrar suas aulas. No entanto, há um equívoco quando se espera que ela seja algo definido e delimitada garantindo uma prática eficaz. É absolutamente impossível usá-la como manual de orientação, passo a passo, uma vez que a sua impregnação depende da necessidade à proporção que vai surgindo. A didática do professor é considerada flexível, tendo em vista que cada turma e cada indivíduo exigirá práticas diferenciadas.

Contudo, conhecer a didática como a concretização da teoria poderá consumar aquilo que o professor almejou no decorrer do seu planejamento, atendendo, assim, as diferentes formas de educar, as diversas concepções pedagógicas e as reflexões docentes, considerando o ensinar/aprender um processo em constante mudança.

O conhecimento sobre algo é essencial para o professor que usando dos seus muitos métodos norteará a sua didática pedagógica, tendo em vista as necessidades específicas em cada contexto, em cada turma e em cada aluno. Todavia, ao se pensar na didática, surgem certas dificuldades ao longo do planejamento, uma vez que o mesmo deve originar-se de objetos concretos e que venham focalizar, exclusivamente, o público alvo.

Faz-se necessário levar em consideração que a didática é uma norteadora teórica/científica, imprescindível à tarefa pedagógica cotidiana, onde há um sinalizador do ensino-aprendizagem significativo dia após dia.

Enfim, a meu ver, a didática pedagógica não é outra coisa senão a prática docente propriamente dita, consumadora daquilo que se objetivou previamente. Ou seja, é um cumprimento legal da teoria e trilhamento absoluto no caminho que se programou. Como a arte e a ciência da pedagogia, procura-se compreendê-la, ainda, como espaço de estudos dinâmicos voltados à prática docente com base na programação teórica, tendo como objetivo a ponte que ela faz entre ambas.

De maneira alguma, poderia fazer-se uma educação e qualidade se não for levado em consideração a didática como objeto essencial no processo educativo. Ela é um suporte imprescindível a prática educativa, pois oferece embasamento para a efetivação do ensino-aprendizagem, eliminando discrepâncias existentes entre teoria e prática.

A DISCIPLINA DIDÁTICA NA FORMAÇÃO DOCENTE

Nota-se, nitidamente, que o grave problema existente na educação em trono da didática consiste na dissociação entre teoria e prática. Uma vez que a teoria é o caminho e a prática a ação, essa separação entre ambas impossibilita o professor a consumar o que previamente planejou, ou seja, a ambiguidade de suas inter-relações reduzirá, ao extremo, o praticismo.

Os profissionais da educação precisam ter um pleno domínio das bases teóricas científicas e tecnológicas, e sua articulação com as exigências concretas do ensino, pois é através desse domínio que ele poderá estar revendo, analisando e aprimorando sua prática educativa. (LIBÂNEO, 2002, p. 28).

A prática da formação docente jamais poderia ser aleatória, desprovida de planejamento, metas e ações, mas deve apontar objetivos a serem alcançados com a impregnação da didática, pois esta guiará pelo caminho viável as proposições que se almejou dentro das possibilidades.

Percebe-se, portanto, dentro dessa linha de raciocínio que a didática contribui, maciçamente, para a efetivação da prática educativa de maneira correta e bem sucedida. Ela fornece aos profissionais da educação subsídios metodológicos e estratégias para a conclusão das metas programadas ao longo do processo educativo.

Segundo Comênio, séc. XII, a didática identifica-se como norma técnica de ensinar, por entrelaçar nas concepções dos docentes o melhor cominho que conduzirá as propostas pedagógicas mais eficientes para o ensino-aprendizagem. Devendo estar conexa com a teoria, a didática faz-se necessário no contexto dos saberes, especialmente na área pedagógica.

Qualquer atividade que não tenha a didática como mera conscientizadora de objetivos, abre a probabilidade de lacunas à vulnerabilidade e desnorteio do que antes fora projetado. Considerada componente curricular desde 1930, a didática é também considerada com um conjunto de regras organizadas e delineadoras dos trabalhos pedagógicos buscando o seu aprimoramento e evitando os efeitos negativos do espontaneísmo.

A didática extrapola os limites e supera as ineficiências quando impregnada corretamente. Por isso os professores devem ampliar as suas reflexões no sentido da relevante importância do seu papel nas atividades docentes. O seu emprego na formação docente viabiliza melhor relação entre professor e aluno e deve ser feito em linguagem simples para que as informações sejam assimiladas eficazmente na qualidade, na avaliação e no planejamento pedagógico.

Deve ser levado em conta, também, a diversificação de recursos didáticos pedagógicos, uma vez que há diferentes formas de aprender e que podem ser encontradas nos métodos oferecidos. Todavia, não basta didatizar, é preciso oferecer algo saboroso que gere fomentação e “apetite” nos educandos, tendo em vista que uma boa didática depende da motivação metodológica e do dom de ensinar.

Por ser o aluno o investigador e sujeito da aprendizagem, a didática deve possibilitar a manifestação de suas várias atividades. Segundo Cipriano Lukesi, é admissível que a didática vai além da técnica de ensinar. Ela auxilia na organização do pensamento, na escolha de um método aceitável de ensino e sinaliza o melhor caminho da aplicabilidade.

É absolutamente correto afirmar que a integração da didática na formação docente mobiliza a inter-relação disciplinar para a reflexão sobre as atividades pedagógicas caracterizando-se como meditação entre os conhecimentos teóricos-científicos da área escolar. Quando o professor atua de forma responsável e segura em relação aos conteúdos ministrados, com uso de materiais suporte que facilitariam a compreensão dos alunos, estaria didatizando e, consequentemente, efetivando o que realmente objetivou.

Sendo assim, podemos dizer que a didática é a ciência imprescindível que preocupa-se de usar adequadamente suas estratégias de ensino, visando estimular nos alunos a fomentação do aprender, despertando neles a necessidade da crítica, da criatividade e da formação para o pleno exercício da cidadania. É sabido que não basta a transferência de conhecimentos, mas o oferecimento de possibilidades para a produção e/ou construção própria do indivíduo.

“O processo de ensino-aprendizagem é uma seta de mão dupla, de um lado, o professor ensina e aprende e, do outro, o estudante aprende e ensina.” (FREIRE, 1996).

É obvio que a mudança da sociedade depende da mudança no ensino que, por sua vez, depende de nossa formação e da transformação das práticas docentes. Esse efeito atingiria tanto a esfera pedagógica quanto a governamental e política.

Libâneo acredita que só podemos mudar em nós mesmos a partir do momento em que houver mudanças no meio e nas práticas do fazer. Para ele a prática pedagógica ultrapassa uma exigência da vida, promovendo nos indivíduos conhecimentos e experiências em todos os ramos da ciência, tornando-os aptos a atuar na sociedade, transformando-a.

A DISCIPLINA DA DIDÁTICA

O processo do ensino-aprendizagem avançará a partir da fundamentação da didática na dialética, sendo que é uma área em constante mudança e isenta de objetivos que a deixe pronta e acabada. Considerada a “arte de ensinar”, é imprescindível no processo pedagógico com tendências distintas na visão do homem e do mundo, flexibilizando, sempre, o papel do professor, do aluno, as metodologias, as avaliações e a forma de ensinar. Ela converte objetivos sócio-políticos e pedagógicos em outros de ensino, métodos e conteúdos vinculados ao ensino-aprendizagem através das capacidades mentais dos educandos.

De modo que a didática opera na capacidade crítica e desenvolvimentista dos docentes para que eles analisem, explicitamente, a realidade do ensino, refletindo-o “como” ensinar, para que ensinar, o que ensinar etc. (LIBÂNEO, 1990).

Em outras palavras, a disciplina de didática institui diretrizes sinalizadoras das atividades pedagógicas, investiga o desenvolvimento do ensino-aprendizagem e sonda as ineficiências sujeitas a reflexões-ações por parte do professor. Isento da didática, o professor não disporia da ferramenta essencial para a cooperação entre professor/aluno e jamais ocorreria a delineação entre o ensinar e o aprender.

A didática, como disciplina, é a essência nas estratégias de ensino e têm o papel de realizar a transformação da teoria à prática pedagógica. Com base na teoria, cabe ao professor a organização da didática, utilizando materiais que lhe deem suporte na facilitação do ensino-aprendizagem, sujeito a reflexão-ação para o cumprimento dos objetivos propostos. Há uma variedade de elementos que compõem a didática pedagógica sendo a metodologia, o planejamento e a avaliação os mais importantes. Todos sujeitos a flexibilização, uma vez que cada indivíduo tem uma maneira diferente de entender, ao tempo em que a prática docente encontra-se em constante processo de mudança.

Todavia, cada professor possui as suas próprias concepções e metodologias que o nortearão em seus planejamentos e em sua didática em sala de aula. Logicamente em cada assunto, em cada docente e em cada aluno há necessidades específicas e à medida em que elas surgem, a didática deve flexibilizar-se.

Torna-se necessário considerar a didática como algo que concretize a teoria nos trabalhos pedagógicos cotidianos, tendo em vista, a importância da sua eficácia como ponte ao acesso ensino-aprendizagem.

Há, algum tempo, a didática era interpretada como disciplina metodológica de ensino que tinha como missão “ensinar”. Existia, inclusive, manuais ou receitas prontas que orientavam os professores a se portarem em sala de aula. Porém a verdadeira função da didática vai além dessas premissas, isso porque a visão humana e de mundo modifica-se à proporção que surge a necessidade. O conhecimento didático deixou sua estagnação e partiu em busca das melhores estratégias de ensinar e das mais acessíveis formas de aprender.

Contudo, a didática tem a sua essência a partir do oferecimento de formas variadas de ensinar e de compreender a construção do ensino-aprendizagem com a aplicação diversificada de metodologias que surtam efeito para a concretização dos seus objetivos.

No processo ensino-aprendizagem o docente deve variar, reflexivamente, suas metodologias na busca de resultados que lhe satisfaçam, pois a tarefa de trabalhar, de forma explícita e segura, está incumbida, exclusivamente no professor. Se o professor deixar de preocupar-se no remanejamento dos conteúdos e de suas estratégias, instigando e orientando os seus alunos a respeito da importância dos estudos e da formação para a vida, certamente não obterá êxito no seu trabalho pedagógico. A razão prática é essencial para a conclusão da teoria que se planejou. Essa conclusão é a confirmação da sua verdade. Quando o professor não faz com que o aluno aprenda, o induz a aceitar uma falsa verdade e sem valor científico.

“A didática concretiza planos e credibiliza o trabalho docente, dando suporte para a consumação da cientificidade, deixando de ser algo aleatório, mas autêntico”. (GRIFO nosso)

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Depois de fazer-se uma sondagem a respeito da didática na formação docente, concluiu-se que ela é o enfoque principal da teoria, tornando-se imprescindível nos trabalhos pedagógicos e tendo em vista a sua essência na consumação dos objetivos propostos. Levando em conta a necessidade de sua flexibilização para atender as diversidades de acordo as necessidades de cada professor, de cada aluno e do contexto trabalhado. Ela favorece uma aprendizagem qualitativa, tendo em vista, focalizar sempre o melhor para os alunos e viabilizar facilidades no trabalho do professor, tornando suas ações seguras e precisas.

Em suma, a didática é a disciplina que fundamenta a prática docente. Somente através dela é que teoria e prática se consolidam, porque ela investiga, orienta e proporciona a realização da formação do indivíduo, construindo e reconstruindo conhecimentos evoluindo para o novo. Isento da didática, o ramo da pedagogia não teria oportunidades de aquisições da aprendizagem do aluno, seria um desperdício de assuntos sem fundamentação e bases metodológicas.

A didática oferece um suporte seguro para a realização de estratégias, que visam possibilidades para uma nova reflexão-ação, atenuando os reais empecilhos impregnados no processo ensino-aprendizagem e consolidando teoria e prática no trabalho docente. Jamais se trilharia um caminho de difícil acesso, chegando no lócus desejado, sem o suporte de um meio de orientação como um mapa, uma bússola ou coisa parecida. De forma semelhante é o trabalho pedagógico que não deve ser conduzido de maneira aleatória, sem destino ou sem a mira um ponto de chegada.

Enfim, a condução de um trabalho pedagógico carece de um planejamento possível, do mapeamento de um roteiro que facilite o acesso de onde se quer chegar. Pelo contrário, é como se estivéssemos atirando sem pontaria ou navegando em um barco sem bússola, rumo a lugar nenhum.

REFERÊNCIAS 

COMÊNIUS, João Amos. Didática Magna. São Paulo: Martins Fontes. 1996.

FREIRE, Paulo Reglus Neves (1996)

LIBÂNEO, José Carlos. Pedagogos, para quê? São Paulo: Cortez, 1990.

LUCKESI, Cipriano Carlos

[1]  Formado em Normal Superior pela UESPI (Universidade Estadual do Piauí), Pós-graduado em Supervisão Escolar pela Faculdade de Teologia Hokemãh – Fateh e Mestrando em Educação pela Anne Sullivan University

Como publicar Artigo Científico
Formado em Normal Superior pela UESPI (Universidade Estadual do Piauí), Pós-graduado em Supervisão Escolar pela Faculdade de Teologia Hokemãh - Fateh e Mestrando em Educação pela Anne Sullivan University

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