Dificuldade no Desenvolvimento da Leitura e da Escrita nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental

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Dificuldade no Desenvolvimento da Leitura e da Escrita nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental
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OLIVEIRA, Rosane Machado de [1]

OLIVEIRA, Rosane Machado de. Dificuldade no Desenvolvimento da Leitura e da Escrita nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 2, Vol. 15. pp 163-188., fevereiro de 2017. ISSN: 2448-0959

RESUMO

O presente trabalho aborda as dificuldades no desenvolvimento da leitura e da escrita nos anos iniciais do ensino fundamental, demonstrado a importância de se adquirir diariamente hábitos saudáveis de leitura e escrita. Verifica-se a influência do processo de mediação do professor/educador, do papel ético e comprometido da família e da escola para que os educandos desenvolvam as habilidades de leitura e escrita na construção do ensino-aprendizagem. O objetivo geral é analisar reflexivamente o processo de leitura e escrita, pois através da leitura e da escrita adquirem-se saberes e conhecimentos sociais, culturais, valores e experiências com o mundo e com os outros. A leitura e a escrita são dois processos fundamentais para que o indivíduo construa seu próprio conhecimento e aprenda a exercer a sua cidadania de forma ética e democrática nos diversos contextos sociais. O objetivo específico é aprofundar o entendimento sobre as dificuldades encontradas no processo de leitura e escrita por parte de professores e alunos nos anos iniciais do ensino fundamental. O procedimento metodológico é de natureza qualitativa, desenvolvida através de pesquisa bibliográfica exploratória. Através dos resultados do assunto investigado, foi possível compreender, que há muitos desafios por parte da escola e dos educadores na busca de alfabetizar e letrar competentemente, como também, formar alunos leitores nos diversos contextos sociais. Nota-se ainda, que há como despertar o gosto e o prazer pela leitura/ escrita, caso, o professor/educador aja eticamente frente ao processo de ensino-aprendizagem e não desperdice obras literárias e estímulos na hora de praticar a leitura e a escrita.

Palavras – Chaves: Anos Iniciais, Dificuldades de Aprendizagem, Leitura, Escrita.

 1. INTRODUÇÃO

O estudo realizado tem por objetivo analisar o processo de dificuldade no desenvolvimento da leitura e da escrita nos anos iniciais do ensino fundamental, como também, verificar tais dificuldades no ensino-aprendizagem no contexto escolar. Nota-se, que é necessário refletir individualmente e coletivamente na busca de promover reflexões em grupos, adequar práticas pedagógicas ás necessidades educacionais dos alunos, sendo que essas práticas modificadas, diferenciadas, e diversificadas, onde o professor/educador possa mediar e auxiliar seus alunos a superar tais dificuldades de leitura e escrita, e até mesmo desenvolver novos métodos de prevenção para que outras crianças não passem por esses mesmos problemas. A escola deve oferecer recursos e cursos de formação continuada aos professores, na busca de capacitar tais educadores, com o objetivo de não haver falhas no processo de ensino-aprendizagem, pois um dos motivos que podem gerar alguns problemas de leitura e escrita é certamente, a falha que ocorre durante o processo de alfabetização, sendo que isto acontece quando há profissionais não preparados suficientemente para intervir de maneira adequada nesse momento especial do indivíduo, o momento da descoberta. Certamente, o professor despreparado acabará de fato, atrapalhando o ensino-aprendizagem da criança, e criando alguns bloqueios e insegurança na criança.

A escolha do tema proposto resultou-se de reflexões e entrosamento pelo assunto abordado, na busca de verificar soluções pedagógicas para as dificuldades encontradas de leitura e escrita no contexto escolar. A abordagem metodológica é de natureza qualitativa, sendo desenvolvida através de pesquisa bibliográfica exploratória (livros, metodologia científica, dicionários, pesquisa em obras de diversos autores, revistas, jornais, etc.). Em relação à pesquisa exploratória, Gil (2002), descreve que, a pesquisa exploratória tem como objetivo, proporcionar maior familiaridade do pesquisador com o problema, com vistas a torná-lo mais explícito, pode envolver levantamento bibliográfico (neste caso, da intuição do pesquisador), através dos estudos aprofundados sobre o tema abordado, leitura e escrita, elaborou–se o seguinte problema de pesquisa.

Por que muitas crianças dos anos iniciais do ensino fundamental enfrentam grandes dificuldades de aprendizagem na leitura e na escrita?

Em relação a tal problematização, observa-se que, caracterizar as dificuldades encontradas no início do ensino-aprendizagem da leitura e da escrita é fundamental, assim como identificar procedimentos pedagógicos concretos para se trabalhar com os alunos que apresentam tais dificuldades. Obviamente, as crianças dos anos iniciais do ensino fundamental apresentam dificuldades de leitura e escrita devido a uma série de motivos. Um dos motivos pelo qual a criança pode apresentar dificuldades na aprendizagem da escrita é o fato que as letras são bastante semelhantes. Outro motivo é o som que as letras produzem, pois o aprende-te em sua dedução supõe que a letra sempre terá o mesmo som. Mas sabe-se que o som da letra vai variar conforme a posição que ocupa. Enfim, se ao passar do tempo o educando não conseguir desenvolver a leitura e a escrita competentemente, é sinal que o mesmo esteja passando por distúrbios de aprendizagem, que de fato, o prejudicarão na sua vida pessoal e social como um todo. O resultado do estudo oferece possibilidades para professores/educadores rever, adequar e modificar suas práticas pedagógicas, com o objetivo de suprir ás necessidades dos alunos tanto na leitura, como na escrita, com base em desafios e conquistas adquiridas gradativamente no processo de ensino-aprendizagem.

Certamente, o professor/educador deve estar atento ás dificuldades que os alunos apresentam, para então, ser capaz de realizar transformações nos diversos contextos sociais. Na pesquisa identificou-se, a necessidade das crianças obterem materiais de leitura de qualidade em sua própria casa. Onde, o cotidiano das crianças deve ser regado de livros diversos. Sabe-se que, o primeiro acesso á tais livros, deve acontecer na casa das crianças com seus familiares, pois é nesse contexto familiar que se inicia a língua materna (a linguagem da criança). O segundo acesso, será de fato no contexto escolar com o professor/ educador. Verifica-se a importância de apresentar livros às crianças desde pequeninas, isto de fato desenvolverá curiosidades, pensamentos, atitudes, valores, vontade de desvendar o que está dentro do livro, às folhas escritas, o papel suave, as cores, o formato das letras, e certamente, com o tempo, ser jovens e adultos leitores ou até mesmo escritores. O hábito de ter e ler livros deve começar o mais cedo possível, lembrando que o “erro” faz parte de todo o processo de ensino-aprendizagem das crianças que estão em processo de alfabetização e letramento (leitura e escrita).

2. DIFICULDADE NO DESENVOLVIMENTO DA LEITURA E DA ESCRITA NOS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL

O processo de leitura e escrita são duas atividades interligadas, complexas, social, cultural e educativa. O processo de leitura e escrita no contexto escolar deve ser desenvolvido gradativamente e competentemente pelo professor/educador, na busca de ensinar os educandos a utilizar-se da estrutura da língua adequadamente.

Analisa-se, que a escrita surgiu a muitos séculos passados, ainda na Pré-História, onde o homem buscou se comunicar através de desenhos realizados nas paredes das cavernas, sendo os desenhos, uma forma de comunicação humana, no qual as pessoas trocavam mensagens, transmitiam ideias, desejos, alegrias, sofrimentos e necessidades, através do símbolo do desenho. Verifica-se, que desde os escritos mais antigos, a leitura e a escrita sempre foram muito importante e influente na sociedade, sendo que em muitas das civilizações antigas, a escrita era destinada apenas a uma parcela da sociedade, ou seja, para a elite. Geralmente as pessoas inseridas no grupo da (Elite-Burguesa), eram as únicas a ter acesso ao processo de leitura e escrita, e certamente, foram algumas dessas pessoas que deixaram seus escritos, onde nos baseamos contemporaneamente em consultas na busca de compreendermos de fato a história da humanidade.

Sabe-se, que o ensino-aprendizagem escolar é considerado um processo natural por parte da sociedade, principalmente por aqueles que estão inseridos no contexto escolar diariamente, porém, muitos alunos em fase de escolarização apresentam amplas dificuldades em compreender concretamente o processo de leitura e escrita nos anos iniciais do ensino fundamental. Em relação às dificuldades na aprendizagem dos discentes, Vitor da Fonseca (1995, p.35) descreve:

Dificuldade de Aprendizagem (DA) é um termo geral que se refere a um grupo heterogêneo de desordens, manifestadas por dificuldades significativas na aquisição e utilização da compreensão auditiva, da fala, da leitura e da escrita e do raciocínio matemático.

O processo de ensino-aprendizagem e as dificuldades que os alunos apresentam em sala de aula em relação à leitura e a escrita, não devem jamais ser julgados sem uma análise reflexiva sobre a vida cotidiana dos educandos. Nesse contexto, verifica-se que é importante primeiramente, analisar a realidade externa e interna dos alunos inseridos no ambiente escolar, pois, é necessário conhecer realmente a vida, os sentimentos, os sofrimentos, a rotina e a família dos alunos que chegam até a escola e que apresentam tais dificuldades de aprendizagem. A escola, juntamente com seus educadores, e a comunidade escolar, tem que saber trabalhar de modo inclusivo, isto é, desempenhar trabalhos em grupos e adequar recursos concretos à prática da leitura, da escrita, e das necessidades dos alunos, a fim de refletir suas diversas culturas e realidades, como também, valorizar as ideais dos alunos, suas experiências, a bagagem vívida por eles e o que os mesmos já obtêm de saberes e conhecimentos, isso é, oferecer oportunidades concretas aos alunos, onde os mesmos possam falar abertamente, e também, expor suas opiniões sobre os mais diversos assuntos. Hila (1999), explica-nos essas condições:

“Ter o que dizer” diz respeito á experiência daquilo que a criança viveu, ou seja, o ponto de partida para toda a reflexão do aluno deve ser as experiências por ele trazidas, suas ansiedades e vivências. É fundamental que, ao propor uma proposta de escrita se parta de conhecimentos já existentes nas crianças. Por exemplo, se em uma atividade de produção solicita-se á criança que elabore uma receita, na sala de aula o professor já deve ter trabalhado atividades de leitura e de escrita que envolva esse gênero. Dessa forma, o aluno precisa sentir que escrever seja algo importante, em que a experiência do vivido passe a ser objeto inicial de reflexão na escola: “o vivido é, portanto, o ponto de partida para a reflexão” (GERALDI, 1993, p. 163).

Sabe-se, que são muitos os desafios enfrentados nos anos iniciais do ensino fundamental em relação à defasagem da leitura e da escrita dos alunos, não há como negarmos os desafios, pois eles estão no nosso dia a dia educacional, basta só observamos. Nota-se então, desde a despreparação do professor/educador frente á prática educativa pedagógica, despreparação essa, que muitas vezes acontece por falta de uma formação continuada ou de cursos complementares na área em que o mesmo atua. Portanto, analisa-se, que para se tornar um leitor competente e um escritor eficiente, será preciso primeiramente de professores capacitados, isto é, educadores conscientes de sua prática educativa e preparados para os desafios constantes da atualidade, pois os professores/educadores têm que ser capaz de desenvolver uma mediação qualitativa no ensino-aprendizagem, com base em estímulos nos mais diversos contextos sociais, tanto no contexto formal, quanto no contexto não formal, na busca de formar alunos leitores competentes.

A escola é o ambiente onde a criança tem a oportunidade de se desenvolver fisicamente e intelectualmente, pois é no contexto escolar que a criança aprender a conviver e a respeitar as diferenças, como também, ampliar conhecimentos através do contato com a diversidade cultural, social e com uma variedade de materiais concretos, para fazer bom uso da leitura e da escrita, como, (livros, gibis, cadernos, mural de leitura, revistas, jornais, dicionários, textos diversos, entre outros).

Certamente, esses meios contribuem positivamente no processo de desenvolvimento da leitura e da escrita de todos os alunos nos anos iniciais do ensino fundamental em processo de alfabetização/ letramento. Obviamente, o educando em processo de aquisição da leitura e da escrita, deve se sentir valorizado na escola, como também, valorizada a sua participação nas atividades, as suas ações positivas, a sua interação com os colegas, professores, diretor e funcionários em geral. Pois o momento que a escola valoriza seus alunos de forma igualitária, certamente, os mesmos passam a acreditar mais em si mesmo, em seu desempenho, em seu potencial e em seus sonhos. No entanto, para desenvolver um processo democrático de leitura e escrita em sala de aula, é preciso que o professor/educador tenha consciência da importância significativa que a leitura/escrita trará para o desenvolvimento sociocultural de todos os alunos. Por outro lado, verifica-se a necessidade da leitura e da escrita se tornar um hábito, e de fato, ser adquirida continuamente na vida dos educandos, sendo que este hábito deve ser desenvolvido com estímulos, com prazer, com divertimento e entrosamento entre alunos e professores, na busca dos mesmos interagir com o meio da leitura e da escrita de maneira ampla e contagiante. Para que isso ocorra de forma concreta, é fundamental que as crianças sejam incentivadas o mais cedo possível por todos aqueles que convivem, primeiramente por seus familiares, (pais, avós, irmãos, tios, primos etc.). A família é fundamental em todas as etapas da vida da criança, desde então, no processo de alfabetização/ letramento ela é muito mais importante e significativa, por se tratar de uma etapa extraordinária na vida da mesma.

Se num primeiro momento de sua existência a criança aprende e se situa no mundo através da atribuição de significados a pessoas, objetos e situações presentes no seu ambiente familiar, então podem inferir que esse mesmo ambiente deve ser potencialmente significativo em termos de livros, leitores e leitura. (SILVA, 1988, p. 56)

O professor/educador deve sempre estar atento aos pequenos textos produzidos pelos alunos, pois é necessário explorá-los cuidadosamente, assim como saber aceitar e respeitar as diferenças de opinião e escrita, onde muitas vezes os educandos buscam deixar sua marca pessoal no texto através da escrita. Heloísa Vilas Boas sugere trabalhar a leitura e a escrita por etapas ou unidades, trabalhar com palavras-chaves a partir da seleção da frase que é gerada pelas crianças, iniciando-se com seis ou sete palavras, o que vai aumentando conforme passam de uma unidade para outra.

Além da diversidade linguística, as crianças em processo de alfabetização e letramento, irão se deparar com as diferenças entre as duas formas da língua, (a língua falada e a língua escrita convencional). No entanto, no processo da língua falada e da língua escrita, é importante ressaltar, que o professor/educador precisará ter competências ampliadas para promover reflexão e consciência nos alunos, como também, deixar claro para os mesmos que a língua falada, jamais será igual à língua escrita.

O professor dos anos iniciais deve ter conhecimento dos aspectos fônicos da língua portuguesa para poder ajudar a criança a refletir sobre sua língua falada e sua complexa relação com a língua escrita. Isso exige do professor competência técnico-pedagógica específica, para que as dificuldades possam ser minimizadas (SIMÕES, 2006, p. 16).

É interessante nas aulas, contar para as crianças um pouco sobre a história de nossa língua, a qual vem do latim e que influência muito até hoje, para que os alunos/as entendam por que tantas letras possuem o mesmo som. No entanto, o professor deve estar atento também, ao dialeto, um dos motivos que podem causar alguns problemas no ensino-aprendizagem dos educandos, pois a criança a princípio escreve do mesmo modo que costuma falar, por isso é importante desenvolver o diálogo e a reflexão, no intuito de explicar para as crianças as diferenças simbólicas entre a língua falada e a língua escrita. O professor/educador terá que ter ética e moral para nunca ofender ou desrespeitar a maneira como as crianças dos anos iniciais do ensino fundamental costumam falar em sala de aula, obviamente respeitando sua língua materna. Pois se tais crianças têm o costume de falar na escola algumas palavras devidamente “erradas”, certamente, é papel do professor/educador ensiná-las eticamente a falar correto, e através de um trabalho coletivo, comprometido com ás necessidades dos educandos, com a realidade social e com o ensino-aprendizagem dos mesmos, realizar transformações significativas perante ás dificuldades encontradas no contexto escolar.

É fato, que no início do processo de ensino-aprendizagem a criança precisará de uma atenção especial, de uma mediação redobrada e de uma orientação de como começar e quais os movimentos necessários para a escrita e a soletração de cada letra e de cada palavra. Com certeza, a criança que apresenta dificuldades de memória sinestésica não se lembrará da forma do traçado das letras numa escrita espontânea ou um ditado e copiará com lentidão, escrevendo as letras de forma isolada.

A linguagem oral deve ser bem trabalhada em sala de aula para que o vocabulário da criança possa ser ampliado gradativamente e corretamente. Caso esse processo não seja bem desenvolvido, o indivíduo poderá não adquirir um bom repertório verbal podendo assim apresentar problemas de compreensão de textos.

Expressar-se oralmente é algo que requer confiança em si mesmo. Isso se conquista em ambientes favoráveis a manifestação do que se pensa, do que se sente, do que se é. Assim o desenvolvimento da capacidade de expressão oral do aluno depende consideravelmente de a escola constituir-se num ambiente que respeite e acolha a vez e a voz, a diferença e a diversidade. Mas, sobretudo depende de a escola ensinar-lhes os usos da língua adequando a diferentes situações comunicativas. (PCN, 1997, p.38).

Para o desenvolvimento da competência dos alunos na produção textual, o professor deve, segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL, 1997, p. 49-50), implementar uma prática continuada de textos e sugerem, para isso, alguns procedimentos assim resumidos:

  • Oferecer textos escritos de boa qualidade para que sirvam de referências para as futuras produções.
  • Solicitar aos alunos que produzam textos antes de saberem grafá-los, ditando para alguém ou gravando.
  • Propor situações de produção de textos em pequenos grupos, para que possam dividir as tarefas: produzir, grafar, revisar. Essa estratégia, além de ajudar aqueles que têm mais dificuldades, pode desenvolvê-los para a atitude colaborativa.
  • Conversar com os alunos sobre o processo de escrita para que não criem fantasias de que escrever é muito fácil para algumas pessoas.

É imprescindível analisar, que nada adianta a escola aceitar o aluno como ele é, se essa mesma escola e seus educadores não se esforçarem para modificar práticas pedagógicas, e adequarem recursos e metodologias ás necessidades de aprendizagem dos alunos, como também, não oferecem materiais concretos e instrumentos necessários para os educandos enfrentar suas dificuldades de leitura e de escrita no âmbito educacional. É preciso, portanto, que a escola possibilite aos discentes o acesso amplo ao conjunto de conhecimentos historicamente produzidos pela sociedade, como, a leitura e a escrita. A escola deve promover um ensino-aprendizagem democraticamente nos diversos contextos sociais, na busca de inserir e ensinar aos discentes, a utilizar adequadamente a linguagem de forma gradativa e significativa em diversos espaços da sociedade, tanto em instâncias públicas, quanto em instâncias privadas.

Algumas crianças possuem de fato, grandes dificuldades em aprender a ler e escrever, mesmo com um professor/educador preparado e competente, pois tais crianças possuem distúrbios na aprendizagem o que dificulta muito o ensino-aprendizagem das mesmas. A leitura e a escrita são atividades que dependem muito de estímulos internos e externos, de mediação adequada e motivação contínua dos envolvidos no processo. A prática da leitura e da escrita é essencial para a construção de conhecimentos/saberes e para a formação do indivíduo leitor competente, além de despertar sentimentos, alegrias, e opiniões críticas, certamente, a prática da leitura e da escrita exerce sobre o indivíduo o poder de expandir seus horizontes e ir além, tanto na vida profissional, como na vida social, cultural, acadêmica e afetiva.

2.1. A INFLUÊNCIA DA LEITURA NOS DIVERSOS CONTEXTOS SOCIAIS

A leitura é uma conquista social, a qual está presente no nosso universo todos os dias e todas as horas, desde o momento em que começamos a compreender as primeiras letras e á conhecer o mundo que nos rodeia por meio da leitura. Analisa-se, que a realização de leitura de textos literários para as crianças, desperta nas mesmas os sentimentos mais profundos, singelos e sinceros, como também, o interesse pelo aprendizado, pelo enredo, pela fantasia, pelo desenvolvimento da linguagem, da imaginação, da criatividade, da expressão de ideias, do prazer pela leitura e pela escrita de forma concreta, oportunizando situações significativas, nas quais as crianças passam a interagir em seu processo de construção do conhecimento, possibilitando assim, o seu desenvolvimento de forma gradativa e qualitativa nos diversos contextos sociais. Em relação à importância do trabalho com a leitura, Aliende (2005), acrescenta:

A leitura é a única atividade que constitui, ao mesmo tempo, disciplina de ensino e instrumento para manejo das outras fases do currículo (…..) a ênfase está em aprender a ler para aprender. Nas séries fundamentais, a aprendizagem do código dentro de contextos significativos para a criança é de grande importância. (ALIENDE, 2005. p. 13).

Percebe-se a influência que a leitura exerce na vida de uma criança no seu desenvolvimento emocional, social, intelectual, cognitivo, etc. Por este motivo, deve haver uma demanda comprometida e uma necessidade de desenvolver atividades diversificadas de leitura e escrita, as quais devem ser planejadas pelo professor/educador, e aplicadas de forma ética e divertida no ensino-aprendizagem dos discentes, na busca de despertar o prazer dos educandos em ler e escrever, e estas atividades, devem estar presentes diariamente na vida de tais alunos, tanto no contexto formal, quanto no contexto não formal. Pois, analisa-se, o quanto a leitura é necessária no dia-a-dia, sendo que o Brasil é um país de poucos leitores.

Esta é uma das principais conclusões da pesquisa retratos da leitura no Brasil, uma iniciativa do Instituto Pró-livro realizada pelo IBOPE Inteligência em 2011 (publicada em 2012), que teve como objetivo conhecer o comportamento do leitor e traçar um panorama das características e condições de leitura da nossa população.

Tomando como critério a leitura de pelo menos um livro (lido na íntegra ou em partes) nos três últimos meses, foi possível concluir que aproximadamente metade da população brasileira pode ser considerada não leitora. Comparado com os dados da mesma pesquisa realizada em 2007, registra-se uma curva decrescente de leitores que, naquela época, era marcada por 4,7 livros per capita e, atualmente, gira em torno de quatro livros lidos ao ano (incluído os didáticos), um índice muito abaixo de outros países latino-americanos. Quando questionadas sobre as razões da não leitura, as pessoas se referem às dificuldades da leitura em si (lentidão, problemas de compreensão, falta de concentração e paciência) ou ao desinteresse. Um exemplo disso são os dados sobre o que fazem os brasileiros no seu tempo livre: enquanto 85% prefere ver televisão, apenas 28% se entrega à leitura (um índice, mais uma vez, marcado pela tendência decrescente no confronto com os dados de 2007, que registrava o percentual de 36%). Em relação à leitura, é fundamental citarmos como referência os Parâmetros Curriculares Nacionais, os quais apresentam uma lista de razões sobre a importância da leitura nos diversos contextos sociais, reproduzidas integralmente a seguir (BRASIL, 1997, p. 47):

  • Ampliar a visão de mundo e inserir o leitor na cultura letrada.
  • Estimular o desejo de outras leituras.
  • Possibilitar a vivência de emoções, o exercício da fantasia e da imaginação.
  • Permitir a compreensão do funcionamento comunicativo da escrita: escreve-se para ser lido.
  • Expandir o conhecimento a respeito da própria leitura.
  • Aproximar o leitor dos textos e os tornar familiares – condição para a leitura fluente e para a produção de textos.
  • Possibilitar produções orais, escritas e em outras linguagens.
  • Informar como escrever e sugerir sobre o que escrever.
  • Ensinar a estudar.
  • Possibilitar ao leitor compreender a relação que existe entre a fala e a escrita.
  • Favorecer a aquisição de velocidade de leitura.
  • Favorecer a estabilização das formas ortográficas.

Verifica-se, que professores/educadores, juntamente com a equipe escolar e a comunidade em geral, precisam refletir e reconhecer a importância da aquisição da leitura na vida de todos os alunos, e de fato, na vida de todas as pessoas de nossa sociedade. A leitura é benéfica e significativa em todos os contextos, e certamente, quem reconhece a importância da leitura, sabe o poder que têm uma história bem contada, bem exemplificada e refletida. Observa-se, que, os benefícios que um simples livro, ou uma simples história pode proporcionar, não há no mudo uma tecnologia que possa substituir esse encanto, substituir esse prazer de mexer as folhas e virar página por página do livro, de sentir na pele o contato com o livro, como também, encontrar em cada página, um mundo repleto de significados, conhecimentos, encantos, diversão, reflexão, magia, cores e fantasias.

A escola é um lugar, onde o caminho para leitura deve ser facilitado, aberto, mediado e ético, desde então, a mesma tem a obrigação de desenvolver uma leitura qualitativa e jamais quantitativa, pois para formar bons leitores, é necessário que a escola ofereça primeiramente materiais concretos, ricos em saberes e conhecimentos, certamente, materiais de excelente qualidade, e não quantidade, pois quantidade sem a devida qualidade, não faz diferença nenhuma no ensino dos educandos, o que poderá tornar o ensino-aprendizagem fragmentado, empobrecido e um obstáculo a ser enfrentado no contexto escolar. Os Parâmetros Curriculares Nacionais (1998, p. 36) registram que:

Não se formam bons leitores oferecendo materiais empobrecidos, justamente no momento em que as crianças são iniciadas no mundo da escrita. As pessoas aprendem a gostar de ler quando, de alguma forma a qualidade de suas vidas melhora com a leitura.

As escolas, não devem limitar-se apenas há livros didáticos como se fosse o suficiente, mas devem selecionar e oferecer obras literárias aos seus alunos, pois o literário é a peça chave para começar á desenvolver um processo de leitura e escrita qualitativo, como também, a conquista para a formação de uma sociedade leitora, de escolas mais entrosadas com a leitura e de alunos que despertem o prazer e o gosto pelos livros. É necessário que uma cultura literária seja enraizada nas escolas, nas casas das famílias, na sociedade em geral, através de um sistema educacional rico em cultura, saberes, e conhecimentos para todas as pessoas. Obviamente, a prática de ler e escrever, não se concentra apenas em utilizar-se de palavras e linguagens prontas e acabadas retiradas dos livros, mas sim de um sistema complexo (cultural e social). Um exemplo para trabalhar a leitura nos anos iniciais do ensino fundamental é utilizar-se de parlendas em sala de aula, as quais facilita o processo de ensino- aprendizagem dos educandos, sendo as parlendas textos poéticos privilegiados, que podem ser escritos em cartazes afixados na classe ou colados no caderno, cada uma tem um gênero textual e rimas diversificadas que fazem toda a diferença na hora de ensinar a ler e escrever. A escola deve desenvolver práticas alternativas de leitura baseadas na realidade cultural, social e econômica de seus educandos, para então, incentivar ao máximo, o hábito saudável de ler e escrever. Entretanto, essa leitura só terá êxito, na medida em que se voltar para realidade e as necessidades desses alunos.

Se analisarmos a caracterização da área da língua portuguesa nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN 1997) para o Ensino Fundamental, encontramos:

A língua é um sistema de signos histórico e social, que possibilita ao homem significar o mundo e a realidade. Assim, aprendê-la é aprender não só palavras, mas também os seus significados culturais e, com eles, os modos pelos quais as pessoas do seu meio social entendem e interpretam a realidade e a si mesmas. (BRASIL, 1997, p. 22).

Analisa-se, que ensinar a ler por meio da literatura não é simplesmente ensinar técnicas mecanizadas e regras de leitura, mas sim, ampliar saberes e conhecimentos que os alunos já possuem, buscando estratégias significativas no desenvolvimento eficiente da leitura, através de uma literatura ética e cultural, uma vez que a literatura é arte, sabedoria, diversidade e conhecimentos. Uma das principais funções da literatura infantil dentro do contexto escolar é a promoção da aprendizagem da leitura, nesse sentido, Costa (2008) enfatiza que:

Atualmente, os professores, além de das técnicas de alfabetização devem procurar novas maneiras de incentivar a leitura. Portanto, o professor é um dos principais agentes da promoção da leitura. Entretanto, a referida autora alerta para o fato de que são raros os professores leitores proficientes, mas segundo ela “a inexistência da atividade da leitura não se restringe aos docentes” (COSTA, 2008, p. 49).

Através da leitura, a criança será atraída pela curiosidade, pelas possibilidades emotivas que o livro oferece e estimula o pequeno leitor, desde a descoberta até o aprimoramento da linguagem, desenvolvendo a capacidade de comunicação com o mundo. Os alunos ao criar o hábito de ler e sentir o prazer da leitura, certamente serão capazes de analisar e ver concretamente a importância da mesma em todas as etapas de sua vida em sociedade, desde então, o contato com os livros diariamente, contribuirá no aprendizado ampliado dos educandos, em desvendar algo novo, de valor ético, cultural, social e educacional.

Aprendizagem da leitura é um produto cultural, baseado sem dúvida em capacidades naturais, mais pressionando por aquilo que as famílias e as instituições educacionais oferecem a criança. (MORAIS, 1996, P.201).

O processo da leitura proporciona segurança frente ao processo de alfabetização e letramento. Diante disso, deve-se ter em mente, que é o papel fundamental tanto dos pais, quanto da escola e dos professores, oferecer oportunidades para que a criança se descubra e se torne leitora. A criança deve ter contato com os livros desde o mais cedo possível, para então, perceber o prazer e o conhecimento que um pequeno e simples livro pode lhe proporcionar na sua vida. A criança leitora, certamente adquire uma postura autônoma, crítica e reflexiva, sendo esses fatores essenciais e necessários para a formação da vida da mesma.

Freire (1992) ressalta que, o início da vida leitora de um sujeito se dá por meio da leitura de mundo, feita através de objetos, expressões, figuras e etc.

O professor mediador é de fato o que conduzirá a criança á desenvolver suas habilidades, motoras, cognitivas, sensoriais, etc. Devemos acreditar que formar leitores não é somente ensinar a decodificar os signos, mas sim, possibilitar condições para o aluno ir além, auxiliando-o no desenvolvimento de estratégias que o possibilite chegarem a uma aprendizagem mais significativa. Portanto, pode-se disser que, ensinar estratégias é direcionar o aluno a uma leitura organizada que o torne um leitor competente, onde o mesmo seja capaz de compreender a diversidade de textos que existe e, a partir disso, ser capaz de fazer críticas, questionamentos e levantar hipóteses, sobre os mais variados assuntos.

A função do educador não seria precisamente a de ensinar a ler, mas a de criar condições para o educador realizar a sua própria aprendizagem, conforme seus próprios interesses, necessidades, fantasias, segundo as duvidas e exigências que a realidade lhe apresenta. Assim, criar condições de leitura não implica apenas alfabetizar ou propiciar acesso aos livros. Trata-se, antes, de dialogar com o leitor sobre sua leitura, isto é, sobre o sentido que ele dá, repito a algo escrito, ideias, situações reais ou imaginarias. (MARTINS, 1994, p.34).

Diante das dificuldades de aprendizagem, o professor/educador, juntamente com a equipe escolar, e a família, tem um papel muito importante frente a esse processo educacional.

Primeiramente, é necessário constatar a dificuldade ou o problema, depois analisar criteriosamente junto com os especialistas, dessa forma, evitando rótulos e encaminhando a criança a um tratamento especializado, não deixando de oferecer um tratamento individualizado há esses alunos. As dificuldades de aprendizagem podem atingir qualquer indivíduo em processo de ensino-aprendizagem, e principalmente em processo de alfabetização e letramento. Infelizmente, muitas escolas não estão preparadas com recursos e metodologias, para então, desenvolver um bom trabalho com as crianças que apresentam dificuldades de aprendizagem, principalmente em relação ás dificuldades de linguagem como dislexia (fonologia ou ortografia), disgrafia ou disortográfia (má grafia das palavras).

Definida como um distúrbio ou transtorno de aprendizagem na área da leitura, escrita e soletração.  É o distúrbio de incidência nas salas de aula. A dislexia é uma alteração nos neurotransmissores cerebrais que impedem uma criança a ler e compreender com a mesma facilidade com que faz as outras crianças da mesma faixa etária, independente de qualquer causa intelectual, cultural ou emocional. Todo o desenvolvimento da criança é normal, até entrar na escola. É um problema de base cognitiva que afeta as habilidades linguísticas associadas à leitura e a escrita.

Segundo algumas estatísticas, a dislexia afeta, em maior ou menor grau, de 10% a 15 % da população em geral. Afetando mais os meninos do que as meninas, sua leitura oral distingue-se por erros e lentidão da pronúncia.

Dislexia é um distúrbio de palavras em pessoas normais de inteligência que apresentam labilidade afetiva, leve coordenação motoras, deficiente capacidade de analise e síntese, transtorno na memória visual, no sentido direcional (orientação espacial e temporal). Problemas de dominância lateral, deficientes descriminação auditivas visual, distúrbio no conhecimento de seu corpo (ritmo, espaço e tempo), cuja expressão encefalográfica é de disfunção cerebral mínima, sendo indicado método fônico (fonema, surdos e sonoros, simultaneamente, com o apoio sinestésico, tátil, visual e auditivo) para sua alfabetização. (CARACIKI, 1994, p. 45).

É importante o professor/educador ficar atento quando a criança apresenta muitas dificuldades em passar de uma etapa para outra, e certamente, começa a cometer falhas na leitura e na escrita, onde a leitura da criança é passiva, com soletração a cada sílaba, e a escrita com repetições de letras, ou omissão das mesmas, com trocas de ordem das letras, obviamente, as falhas são decorrentes da insegurança entre os formatos das letras entre outros.

Os PCN (BRASIL, 1997, p. 43-44), alertam para algumas condições favoráveis para a formação de leitores nos anos iniciais do ensino fundamental, considerando não apenas os recursos materiais necessários, mas principalmente o bom uso dos materiais impressos disponíveis. E essas condições, de forma resumida, são:

  • Formação de uma biblioteca na escola.
  • Variedades no acervo.
  • Formação de um acervo na sala de aula.
  • Organização de momentos de leitura em que o professor também leia.
  • Planejamento de atividades diárias de leitura.
  • Possibilidades de escolha de obras e gêneros pelos próprios alunos.
  • Garantia aos alunos de não serem incomodados durante a leitura.
  • Possibilidades de empréstimos de livros da escola aos alunos.
  • Estabelecimento de uma política de formação de leitores.

Os PCN ainda acrescentam: “Além das condições descritas, são necessárias propostas didáticas especificamente no sentido de formar leitores” (BRASIL, 1997, p. 44).

Analisa-se, que os professores/educadores não podem fugir da responsabilidade no sentido de acreditar na aprendizagem dos discentes, de modificar métodos, adequar, mediar e certamente buscar práticas pedagógicas inovadoras, concretas e eficazes, pois, as práticas pedagógicas modificáveis contribuem de forma ampla para que os alunos se formem leitores competentes, atendendo a esta clientela que exige ao máximo dos profissionais da educação, da escola e da comunidade escolar em geral, garantindo o esperado que é a aprendizagem significativa de todos os envolvidos no processo de leitura e escrita. A escola e os professores/educadores precisam cumprir o seu papel eticamente, isto é, o de formar os alunos para serem cidadãos ativos na construção de conhecimento, críticos frente á sociedade, formadores de opiniões próprias, como também, leitores competentes ou até mesmo escritores.

2.2. A IMPORTÂNCIA DOS PRIMEIROS TRAÇOS DE ESCRITA DA CRIANÇA

A escrita inicial da criança é a mais importante em todo o processo escolar, pois é o início da conquista pelas primeiras letras e pelas primeiras palavras escritas, desde então, a escrita deve ser apresentada a criança com certos cuidados, isto é, apresentar a escrita de forma divertida e dinâmica, para que as crianças despertem o interesse e o gosto pelo que irão aprender. A escrita deve ser ensinada com comprometimento ético, com sentido e reflexão sobre a prática pedagógica em si, e a realidade dos alunos inseridos no contexto educacional, ensinando-os através de signos e não de sinais.

Os professores preocupados com a antecipação da escolarização submetem as crianças ao aprendizado da leitura pela via da escrita de letras, silabas e palavras. Mas, o treino da escrita no momento que a criança ainda não está preparada para essa aprendizagem torna-se mais lento e demorado e muitas vezes uma experiência de fracasso para a criança. Como apontam os estudos de Mello e Miller (2008, p. 215).

Analisa-se, diariamente, professores despreparados e desesperados na hora de ensinar as crianças os primeiros traços de escrita, onde verifica-se, que essa situação prejudica de forma geral o ensino-aprendizagem dos alunos dos anos iniciais do ensino fundamental, pois tais professores visualizam os rabiscos das crianças como um erro grave de escrita, ou seja, algo fora do comum. Nessa hipótese, os professores começam a acreditar, que tais crianças não aprenderão a escrever de maneira correta os primeiros traços de escrita, e muito menos, ser letrada. Acredita-se, que os “rabisquinhos” fazem parte de todo o processo de escrita, e desde então, a criança necessita dos erros e dos rabiscos para desenvolver uma escrita correta e significativa pouco a pouco. A escrita através de “rabiscos”, muitas vezes é considerada errada e sem lógica pelos professores dos anos iniciais do ensino fundamental, mas observa-se, que esse processo deveria ser mais refletido, dialogado e desenvolvido competentemente por toda a equipe escolar, pois a mesma é um processo lento e significativo para todos os envolvidos. Acredita-se, que não se pode, em momento algum descartar a possibilidade de aprendizagem dos alunos e o processo de escrita por pequenos “erros” cometidos no traçado das crianças, pois devemos ter a consciência que todos necessitam do erro, seja, para testar hipóteses, para experimentar e para aprender e evoluir, pois o erro é uma parte significativa do processo de ensino-aprendizagem, tanto da leitura, como da escrita.

Ao escrever palavras como dici, em vez de disse, ou braziu, em lugar de Brasil, a criança não está necessariamente cometendo “erros”, mas está transpondo para a escrita o que a mesma pensa ser a representação das palavras de sua fala.

“O aluno não comete ‘erros’ de maneira irrefletida, mas justamente o contrário: todos os enganos demostram um uso inadequado de recursos possíveis do próprio sistema ortográfico de escrita”. (CAGLIARI, 2002, p. 124).

É importante analisar a obra da Pesquisadora Argentina discípula de Jean Piaget, Emília Ferreiro (1979, 1985), juntamente com a Pesquisadora também Argentina Ana Teberosky, onde as mesmas afirmam que os “rabisquinhos” na fase inicial da escrita, não podem ser julgados e vistos como erro de escrita por parte do professor/educador. Obviamente, o processo de escrita “rabiscada” considerada “errada” muitas vezes, dentro contexto escolar, é mais que necessária, pois faz parte do processo de construção da aprendizagem da criança ao desenvolver passo a passo o escrever bem. Em relação à escrita, Ferreiro (1993) afirma:

Se o professor compreender que o aluno aprende melhor o que mais lhe interessa, perceberá que, num primeiro momento de aprendizagem da escrita, é mais importante que a criança se expresse do que escreva “certo”. Assim, pontuação e ortografia são trabalhadas gradativamente, visto que a introdução á norma culta ocorre paralelamente á capacidade de criação (FERREIRO 1993).

Para Ferreiro (1998), a alfabetização precisa ser considerada como um processo ativo de construção da língua e do conhecimento. Assim, quando a criança erra, a criança está testando hipóteses, experimentando. É o que acontece nos textos espontâneos, nos quais a escrita e a leitura têm grande significado para a criança. É a construção desses significados que deve orientar todas as práticas alfabetizadoras na interação das crianças com o seu entorno; na interação com elas e entre elas.

Analisa-se, que o procedimento lúdico possui grande influência no processo de desenvolvimento da leitura, da escrita e no ensino-aprendizagem das crianças, através de diversas atividades lúdicas, (literatura, pinturas, desenhos, jogos, modelagem, atividades em grupos, pega-pega etc.). Tais atividades possuem de fato, sentido e significado para a vida e para a aprendizagem das crianças. Para isso, segundo Nicolau (2003, p. 214),

[….] a aprendizagem da leitura e da escrita deve se dar numa atmosfera de alegrias, auto-realizações, construções, descobertas, e trocas constantes de experiências. E o processo de conhecimento vai se socializando naturalmente entre a criança e entre elas e o professor.

No caso da escrita é necessária a articulação da função simbólica da consciência, do pensamento, da memória, da atenção e da percepção. Segundo (VYGOTSKI 2001), a escrita é uma representação de segunda ordem. Ela se constitui por um sistema de signos, palavras escritas, que representam os sons e palavras da linguagem oral, que tem relação com o mundo real.

A escrita precisa ser apresentada a criança como um instrumento que tem uma função social: a função de expressar ou comunicar, ideias e sentimentos, ou seja, é um equivoco pensa que o ensino dos aspectos técnicos da escrita para a criança permite-lhe aprender a escrever e ler conforme requer o uso da escrita nas diversas situações sociais em que é utilizada. (VYGOTSKI, 2001, p. 156).

Observa-se a influência e a importância da escrita na vida das crianças, pois quando a criança escreve certamente a mesma exercita a sua atenção, sua memória, seu raciocínio, e de fato, a sua inteligência.

Em todo o processo educacional, é preciso que o professor/educador tenha consciência e clareza do que está ensinado, de modo a levar o aluno a refletir positivamente sobre o conhecimento apresentado. É importante acrescentar, que o processo de mediação do professor é muito significativo, ainda mais quando se trata dos anos iniciais do ensino fundamental, e de alunos em processo de leitura e escrita, onde o trabalho tem que ser mediado em dobro, pois é o início da vida da criança no contexto escolar, da fase do ensino-aprendizagem e da aquisição da linguagem formal.

“A aquisição da linguagem escrita depende da mediação de quem já domina essa linguagem. Assim, só se compreende a aprendizagem na relação com o outro que já faz uso desse conhecimento. Nesse processo o papel do professor é de exercer uma ação intencional no sentido de levar o aluno a refletir sobre esse objeto do conhecimento através de ações de explicitar, discutir, traduzir, conceituar, mostrar, exemplificar o ato de ler e escrever”. (CURITIBA. Secretaria Municipal da Educação, 1996, p. 33).

Verifica-se, que o professor deve desenvolver uma prática de ensino intencional, qualitativa e jamais quantitativa, pois é necessário que o mesmo tenha primeiramente postura ética, tanto na sua teoria, como na sua prática educativa, pois a teoria educacional por si só não basta, precisamos sim da teoria, mais além dela, precisamos de uma prática educativa sólida, sendo que podemos escrever a teoria e colocá-la em prática, e uma teoria e uma prática ética, certamente decorre daquilo que é bom, da consciência da liberdade que fazem as pessoas ser mais responsáveis pelos seus atos, mais responsável para ensinar, para aprender, para viver em sociedade coletivamente, pois pensar a ética é pensar no viver bem em comunidade, em sociedade.

A teoria e a prática da leitura e da escrita devem estar assimiladas-interligadas, pois, precisa-se das duas ações práticas, sendo que não podemos deixar a teoria ou a prática educativa de lado, nem muito menos falarmos da teoria literária e não praticá-la eticamente no contexto escolar, ambas são importantes para desenvolver um processo de leitura e escrita de qualidade.

3. METODOLOGIA

Na procura de analisar o processo de dificuldade de leitura e escrita nos anos iniciais do ensino fundamental, como também, as dificuldades de aprendizagem encontradas no contexto escolar, a realização e a conclusão desde trabalho, baseou-se em pesquisa bibliográfica exploratória de abordagem qualitativa que, segundo Severino (2002), exige do pesquisador reflexão pessoal autônoma, crítica e rigorosa. O investigador envolve-se de uma forma que o objeto a ser investigado passe a fazer parte de sua vida. Em relação às fontes de papel utilizadas, a pesquisa bibliográfica é segundo Alves:

É aquela desenvolvida exclusivamente a partir de fontes já elaboradas livros, artigos científicos publicações periódicas, as chamadas fontes de “papel”. Tem como vantagem cobrir uma ampla gama de fenômenos que o pesquisador não poderia contemplar diretamente. (ALVES, 2003, p. 53).

Dentro das ideologias que norteiam os pensamentos dos vários autores citados, foi possível realizar uma pesquisa significativa/ qualitativa. A produção deste trabalho possibilitou–me conhecimentos aprofundados a respeito do tema abordado (leitura e escrita), onde muitos questionamentos em relação ao tema foram esclarecidos nesta pesquisa qualitativa, através da investigação e da reflexão.

O objetivo principal da pesquisa foi analisar as dificuldades de leitura e escrita das crianças nos anos iniciais do ensino fundamental. Na realização deste trabalho científico, utilizei-me de obras e escritos de diversos autores, os quais relatam a importância da leitura e da escrita o mais cedo possível no contexto social das crianças que estão em processo de alfabetização. A fonte de dados como descrita acima foi obtida através da pesquisa bibliográfica fundamentada em livros, revistas, jornais, artigos, enfim em diversos estilos de bibliografia, que dizem respeito à temática da dificuldade de aprendizagem da leitura e escrita dos anos iniciais do ensino fundamental.

A metodologia empregada consiste na exposição de pesquisas e ideias sobre o tema, refletindo a importância de se obter o hábito saudável de leitura e de escrita nos anos iniciais do ensino fundamental. A prática da leitura e da escrita é um atributo essencial na aprendizagem e na vida das crianças em sociedade, como também, fundamental para o desenvolvimento de cidadãos ativos, críticos, autônomos e, sobretudo leitores.

 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Analisou-se, durante o desenvolvimento do trabalho, que ler e escrever não significa apenas codificar códigos, conhecer as formas das palavras e memorizar todas as letras do alfabeto, como também, não é apenas montar palavras para desenvolver a escrita em uma folha de papel. O ato ler é muito mais importante do que se imagina, certamente o ato de ler, é abranger os mais diversos horizontes, as mais diversas culturas sociais na busca de conhecimentos qualitativos, críticos, autônomos, reflexivos e, sobretudo ampliados.

O tema abordado neste trabalho remeteu-se a compreender a dificuldade da leitura e escrita nos anos iniciais do ensino fundamental. Onde, observou-se, que há de fato muitas dificuldades enfrentadas pelos professores e pelos alunos no processo de leitura e escrita nos anos iniciais do ensino fundamental, desde então, a escola juntamente com a equipe escolar, tem que promover estratégias concretas e significativas no desenvolvimento gradativo e qualitativo da leitura e da escrita.

Os educadores não podem esquecer-se, da importância que tem o livro, o conto literário na vida de uma criança no processo de alfabetização. A criança, nos anos iniciais do ensino fundamental, necessita sim, de um direcionamento maior do professor, de uma mediação comprometida com a realidade e o ensino-aprendizagem da mesma, sendo que a mediação do professor é muito significativa no processo de aprendizagem do discente. É indispensável, a importância da família, dos educadores, da escola, e da sociedade em geral, diante das dificuldades apresentadas pelas crianças, não esquecendo que a escola deve estar atenta as necessidades e as dificuldades de tais crianças, para que possa colaborar e mediar eticamente, não excluído em momento algum tais alunos por apresentarem dificuldades no processo de ensino-aprendizagem, pois com uma metodologia adequada, uma atenção redobrada, carinho e dedicação ao ensinar, com certeza não haverá tantos alunos com fracasso escolar.  A escola deve ensinar a língua padrão aos seus educandos, não se esquecendo de acrescentar no ensino-aprendizagem o papel social e cultural da leitura e da escrita na vida social dos alunos, assim como também, deixá-los livremente para aprendê-la em suas diversas formas e usos. Concordo com Neves (2000, p.52), quando diz que:

A escola tem a obrigação, sim, de manter o cuidado com a adequação social do produto linguístico de seus alunos, isto é, tem de garantir que seus alunos entendam que têm de adequar registros, e ela tem de garantir que eles tenham condições de mover-se nos diferentes padrões de tensões e de frouxidão, em conformidade com as situações de produções. Isso é obrigação da escola, que a escola antiga valorizou tanto, a ponto de ser estigmatizada por isso, e que, em nome da própria linguística, a escola de hoje negligência.

De fato, o professor/educador deve trabalhar a prática da leitura e da escrita em sala de aula com os alunos de forma integrada, isto é, estar em constante interação com as diversas realidades existentes. Pois tais crianças, já trazem de casa uma linguagem adquirida junto com seus familiares, linguagem essa, que ao chegar à escola deve ser trabalhada competentemente de maneira ética e formal, não deixando de respeitar a língua materna dos educandos. Analisa-se que nessa etapa, cabe ao professor/ educador cativar as crianças, apresentando-lhes modelos de letras do alfabeto, jogos alfabéticos, livros ilustrativos que sejam propícios a leituras atraentes e curtas, como também, parlendas e poemas pequenos e divertidos, para que estas crianças despertem o interesse pelos materiais de leitura e escrita no contexto formal.

As crianças aprendem desde o momento em que vêm ao mundo. Uma criança aprende ouvindo conversas de sua mãe, dentro e fora de casa. Ela aprende quando seu pai dá-lhe uma chance para trabalhar com pregos e martelo. Ela aprende quando acha necessário verificar o preço de um equipamento esportivo num catálogo. Ela sempre aprende com objetivo de atribuir significado a alguma coisa, e especialmente ,quando existe um exemplo, um modelo a ser seguido. (RODRIGUES et al., 2003 p.238.)

O tema bordado contribuiu de maneira significativa na compreensão das dificuldades que cercam o processo de leitura e escrita das crianças, onde a pesquisa foi pautada em objetivos gerais e específicos, sendo a mesma fidedigna.

Na pesquisa, verificaram-se os conceitos importantes de leitura e escrita deste o início que a mesma surge na vida da criança, sendo primeiramente no contexto familiar, até o ingresso da criança á escola, como também, as dificuldades de aprendizagem que podem aparecer no momento inicial da leitura e da escrita como a dislexia. Há uma grande necessidade de aprofundar os estudos sobre o tema, pois tal estudo oferecer possibilidades para modificar práticas de ensino, e de fato, construir uma sociedade, na qual as pessoas pratiquem o hábito da leitura, na busca de serem cidadãos críticos, autônomos e principalmente leitores, onde a prática de ler e escrever sejam ampliados gradativamente. Conclui-se, que a prática docente tem que ser realizada de maneira mais comprometida com as necessidades e as diversas realidades dos alunos, utilizando-se de metodologias concretas e eficazes para que os estudantes não sejam atingidos em sua compreensão de mundo, cultura, sociedade e homem, buscando assim, uma melhoria na qualidade da educação, tentando de fato, formar os alunos para serem leitores competentes e até mesmo escritores, os quais devem ser capazes de compreender realmente a sociedade em que estão inseridos através da leitura e da escrita.

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[1] Graduada em Pedagogia pela Faculdade Internacional de Curitiba – PR, (FACINTER), Graduanda de Licenciatura Plena em História (FACINTER), Especialização em Educação Especial e Inclusiva (FACINTER), Especialização em Docência no Ensino Superior (Faculdade de Educação São Luís), Pós-Graduanda em História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena (FACINTER)

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