Fatores associados ao excesso de peso em escolares de 7 a 10 anos

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ARTIGO ORIGINAL

MARTIN, Fabiana [1], FREITAS, Sérgio Fernando Torres [2], ASSIS, Maria Alice Altenburg [3]

MARTIN, Fabiana. FREITAS, Sérgio Fernando Torres. ASSIS, Maria Alice Altenburg. Fatores associados ao excesso de peso em escolares de 7 a 10 anos. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 03, Ed. 10, Vol. 08, pp. 40-51 Outubro de 2018. ISSN:2448-0959

RESUMO

O objetivo do presente estudo foi avaliar a influência dos fatores preditores para excesso de peso em escolares de Florianópolis/SC. Foram avaliadas doze variáveis: IMC na coleta de dados, IMC materno e paterno, IMC aos 2 anos de idade, peso ao nascer, nível de atividade física, escolaridade materna e paterna, emprego da mãe, amamentação, renda familiar e tipo de locomoção da criança até a escola. Um modelo de regressão binária logística foi aplicado para determinar variáveis associadas com o IMC na faixa etária escolar de 7 a 10 anos, onde o modelo teórico preconizava as seguintes variáveis: IMC da mãe, atividade física da criança e renda familiar; a variável IMC do pai foi excluída apesar de apresentar um valor de p < 0,20 devido a grande número de perdas de indivíduos. O modelo final apresentou como fatores significantes o IMC da mãe – OR = 2,68 [IC95% 1,427; 5,039]; atividade física das crianças – OR = 1,705 [IC95% 0,660; 4,404]) e uma variável “proxy” que foi a renda familiar – OR = 1,188 [IC95% 0,499; 2,827] para até 2, 5 salários mínimos e OR = 1,118 [IC95% 0,530; 2,358] para 2, 5 – 5 salários mínimos. Esse modelo apresentou-se bem ajustado e foi capaz de identificar corretamente 98% das crianças sem excesso de peso. Os resultados encontrados neste estudo, apontam que crianças sem excesso de peso estiveram associadas a mães eutróficas ou com baixo peso, independente de outras variáveis analisadas. A atividade física não se apresentou estatisticamente significativa; a renda familiar também não foi significativa, porém melhorou o modelo final, mas não explica o excesso de peso em escolares. A escolaridade do pai e da mãe, amamentação, emprego da mãe, peso ao nascer e IMC da criança aos dois anos de idade, não foram apontadas como variáveis preditoras para o excesso e peso infantil, devendo outros estudos serem realizados para melhor caracterização dessa correlação.

Palavra-chave:Excesso de peso infantil, Fatores preditores para o excesso de peso infantil, Estado nutricional infantil.

INTRODUÇÃO

O aumento do sobrepeso e obesidade, entre crianças e adolescentes, constitui um importante problema de Saúde Pública[1,2], está aumentando significativamente, no mundo todo[3]. Estudos europeus de crianças alemãs apontam uma prevalência de sobrepeso de 9% entre os 3 e 6 anos de idade, evoluindo para 15% na faixa etária de 7 a 10 anos de idade[4]. Outro estudo transversal realizado nos EUA aponta uma prevalência de 19% em crianças com idade entre 6 a 11 anos e 17% em adolescentes de 12 – 19 anos de idade[5].

Apesar do aumento do excesso de peso e sua associação com doenças crônico-degenerativas, pouco se sabe sobre a influência da alimentação, do crescimento e do peso corporal nos primeiros anos de vida sobre o desenvolvimento do sobrepeso em fases mais tardias da infância e adolescência[2]. Atualmente, acredita-se que algumas variáveis, como o sexo, etnia, estado nutricional materno, peso gestacional e peso ao nascer têm influência no início precoce do sobrepeso; já tabagismo materno e ordem de nascimentos, tem influência no início tardio do sobrepeso, enquanto a amamentação por mais de 4 meses é um fator de proteção para ambos os momentos de início do sobrepeso infantil. Portanto, estas variáveis são preditoras e podem ter uma influência significativa sobre o desenvolvimento e aumento de sobrepeso e obesidade em crianças[6].

A partir da constatação de que algumas variáveis são apontadas como preditoras para o excesso de peso, este trabalho buscou conhecer e apontar quais seriam as variáveis que interferem no estado nutricional de escolares de 7 a 10 anos de idade, nas escolas públicas e privadas de Florianópolis-SC.

MÉTODO

Trata-se de um estudo transversal, realizado a partir de dados secundários disponíveis de um banco de dados referente a uma pesquisa realizada em 2002[7], onde 3522 escolares foram avaliados. A pesquisa foi realizada em escolas públicas e privadas da cidade de Florianópolis – SC.

O banco de dados continha informações sobre a criança: data de nascimento, antropometria (peso, altura, dobras cutâneas e circunferências da cintura, quadril e braço), tipo de escola (pública ou privada), de consumo alimentar e de atividades físicas. Dados sócio demográficos (renda familiar, local de moradia, escolaridade e idade dos pais), antropométrico dos pais (peso e altura referidos) e informações sobre a criança (peso e estatura desde o nascimento até a idade em que a pesquisa foi realizada, obtidas da carteira de saúde da criança; e tempo de aleitamento materno, obtido através de um questionário enviado aos pais).

Uma amostra representativa de 3.522 escolares de 7 a 10 anos de idade da cidade de Florianópolis foi selecionada com base em estratificação por conglomerado de dois estágios: por região geográfica e tipo de escola (pública e privada). O tamanho da amostra foi calculado considerando prevalência de 10% de obesidade na faixa etária de interesse, com 95% de confiança e 2,25 de erro amostral. O efeito do desenho considerado foi de 2. Foram excluídos os dados de crianças que não preencheram o questionário destinado à família ou não aceitaram ser submetidas à antropometria, totalizando 2280 crianças.

A atual análise foi realizada com uma sub-amostra de 238 crianças, não representativas da população de Florianópolis; foram utilizadas porque tinham registros completos de peso e estatura na coleta de dados antropométricos em todo o período de estudo. Deve-se notar que para os objetivos deste estudo, não é necessária a representatividade populacional. Uma criança foi excluída por ter nascido com peso inferior 1500 gramas. Foram selecionadas apenas 12 variáveis do questionário, de interesse direto para este estudo e consideradas com resultados mais consistentes: IMC da criança no momento da coleta de dados, IMC da criança aos dois anos de idade; IMC materno e paterno; nível de atividade física da criança; peso ao nascer; escolaridade materna e paterna; emprego da mãe; amamentação; renda da família e a forma de locomoção que a criança utilizava para ir até a escola.

A variável dependente, trabalhada de forma dicotômica, foi o excesso de peso, consideradas as categorias sobrepeso e obesidade, em relação as categorias baixas peso e eutrófia, para a faixa etária de 7 a 10 anos de idade. Para a classificação do estado nutricional, foram utilizados os pontos de corte do IMC, propostos por Conde e Monteiro (2006)[8], como referência para a população brasileira.

Quanto ao estado nutricional, houve uma recategorização, agrupou-se as crianças com peso normal, denominando esta variável como normal, seguido do sobrepeso e obesidade, onde denominamos excesso de peso.

A escolaridade de mães e pais foi coletada separadamente, utilizadas as categorias de até 2o grau e mais que o 2o grau. Em relação ao emprego da mãe, dicotomizada em sim e não.

A renda familiar, estimada em salários mínimos, foi categorizada em: até 2,5 salários mínimos; de 2,5 – 5 salários mínimos; mais de 5 salários mínimos. O salário mínimo à época da coleta de dados (setembro de 2002) era de R$ 200,00.

A amamentação foi classificada em duas categorias: presença e ausência de amamentação.

O nível de atividade física foi classificado em muito ativo/ativo e pouco ativo/inativo, porém esta variável não teve critério de classificação, devido a ser referida pelo responsável do escolar.

A locomoção da criança até a escola foi avaliada em: ativa, quando a criança utilizava bicicleta ou caminhada e passiva, quando a criança utilizava qualquer transporte motorizado.

O estado nutricional dos pais foi categorizado em normal (IMC até 24,99), sobrepeso (IMC entre 25 e 29,99) e obesidade (IMC > 30 ou superior).

O estado nutricional do escolar, avaliado quando ele tinha dois anos de idade, foi dicotomizado em normal (desnutridos e eutrófico) e excesso de peso (sobrepeso e obesidade), de acordo com a classificação para IMC proposta por Conde e Monteiro[8].

O peso ao nascer foi dividido em 3 categorias: pequeno para a idade gestacional (PIG): ≤1.499 gramas; adequado para a idade gestacional (AIG): 1.500 – 3,999 gramas, e grande para a idade gestacional (GIG) ≥ 4.000 gramas), sendo agrupadas as duas primeiras categorias chamadas de “normal” e mantida a última, chamada “acima do peso”.

Em seguida, foi realizada a distribuição de freqüência das variáveis de interesse.

Para testar a associação entre excesso de peso e as variáveis independentes aplicou-se primeiramente o teste de associação do qui-quadrado. Adicionalmente, realizou-se a análise de regressão binária logística. Para a entrada no modelo final de regressão, foi considerado um modelo teórico que preconizava as seguintes variáveis: IMC da mãe, atividade física da criança e renda familiar. A variável IMC do pai foi excluída apesar de apresentar um valor de p < 0,20, pois apresentou um grande número de perdas, o que comprometeria o resultado final da análise.

O modelo final da regressão múltipla, apresentou o Odds Ratio e os respectivos intervalos de confiança do conjunto de variáveis com maior poder explicativo neste estudo.

A construção do banco e as análises de dados foram realizadas através do programa SPSS 10.0 juntamente à análise dos dados.

RESULTADOS

Na Tabela 1 apresentamos a distribuição de frequências das variáveis utilizadas nesse estudo.

Tabela 1 – Características da amostra do estudo, de acordo com as variáveis utilizadas de escolares entre 7 a 10 anos de escolas públicas e privadas de Florianópolis-SC.

Variável Categorização Número Prevalência (%)
IMC da criança Normal

Excesso de peso

161

77

67,7

32,3

IMC da mãe Baixo peso (<18,5) – Eutrofia (18,5 – 24,9)

Sobrepeso (25-29,9) – Obesidade (>30)

161

65

71

29

IMC da pai Baixo peso (<18,5) – Eutrofia (18,5 – 24,9)

Sobrepeso (25-29,9) – Obesidade (>30)

27

28

49

51

IMC aos 2 anos de idade Normal

Excesso de peso

207

31

87

13

Peso ao nascer PIG (<2.499 gr)

AIG (2.500 – 3.999 gr)

GIG (> 4.000 gr)

0

215

23

0

90

10

Nível de Atividade Física Muito ativo/ ativo

Pouco ativo/ inativo

210

23

90

10

Escolaridade da mãe Até o 2o grau

Mais que o 2o grau

79

85

48

52

Escolaridade do pai Até o 2o grau

Mais que o 2o grau

57

86

39

61

Emprego da mãe Está trabalhando

Não está trabalhando

170

63

73

27

Amamentação Ausente

Presente

77

128

38

62

Renda Familiar Até 2,5 salários mínimos (R$ 500,00)

2,5 – 5 salários mínimos (R$ 501,00 – R$ 1.000,00)

Mais de 5 salários mínimos (mais de R$ 1.000,00)

54

52

126

23,5

22,2

54,3

Locomoção da criança a escola Ativa (caminhada, bicicleta)

Passiva (carro, moto ou ônibus)

150

83

64

36

Fonte: Análise estatística dos dados realizada pela autora.

Em relação ao IMC dos pais, é importante observar que taxa de respostas das mães foi de 95% (n= 226) e a taxa de respostas dos pais foi muito inferior, com 23% (n=55). Isso indica que as mães responderam a grande maioria dos questionários, e muitas não buscaram ou conseguiram as informações relativas aos pais.

O estado nutricional da criança, avaliado quando ela tinha dois anos de idade, após a recategorização, apresentou uma incidência de 13% de crianças com excesso de peso nessa faixa etária. As crianças que nasceram com peso acima do recomendado, grandes para a idade gestacional (GIG), representaram cerca de 10% dos casos.

Quando avaliamos se a criança realiza ou não algum tipo de atividade física, as crianças pouco ativas ou inativas eram 10%.

Quando avaliamos a escolaridade, mais da metade das mães e dos pais apresentaram escolaridade acima do 2o grau, isso demonstra um melhor grau de instrução para o preenchimento de nosso questionário.

Em relação ao emprego da mãe, verificamos que existe maior número de mães que são responsáveis pelo sustento familiar, havendo prevalência de 73% de mães com emprego.

Em relação à presença de amamentação, independente ao tempo de duração, verificamos prevalência de 62% de mães que amamentaram.

Na Tabela 2 apresenta-se as variáveis utilizadas no estudo com o valor dos Teste de qui-quadrado e o p.

Tabela 2 – Variáveis utilizadas no estudo com o valor dos testes de qui-quadrado e o p.

Variável Qui-quadrado p
IMC da mãe 9,8845 0,0017
IMC da pai 2,6984 0,1004
Locomoção 1,9074 0,1672
Nível de atividade física 1,6169 0,2035
Peso ao nascer 1,4398 0,2302
IMC aos 2 anos de idade 0,6979 0,4035
Amamentação 0,5250 0,4041
Mãe empregada 0,3255 0,5683
Escolaridade da mãe 0,2485 0,6181
Escolaridade do pai 0,0219 0,8822
Renda familiar 0,1181 0,9426

Fonte: Análise estatística dos dados realizada pela autora.

Para realizar a análise do teste de associação do qui-quadrado, avaliamos o desfecho do estudo (IMC do escolar na idade de 7, 8, 9 ou 10 anos) e correlacionamos com as onze variáveis selecionadas.

Para definição das variáveis a serem incluídas na análise multivariada, foram consideradas aquelas com o valor de p < 0,20 no teste de associação do qui-quadrado.

Além disso, foi acrescentada no modelo uma variável, classificada como Proxy das condições de vida: o meio de locomoção da criança para a escola.

Na Tabela 3 avaliou-se as variáveis independentes utilizadas no estudo com o valor de Odds Ratio ajustado, o intervalo de confiança (IC 95%) e os valores de p.

Tabela 3 – Variáveis independentes utilizadas no estudo com o valor de Odds Ratio ajustado, o intervalo de confiança com nível de significância de 5% para as associações encontradas e o p.

Variável Odds bruto Odds ajustado IC (95%) p
IMC da mãe
excesso de peso 9,88 2,681 (1,427 – 5,039) 0,002
sobrepeso/obesidade
Atividade Física
inativo/pouco 1,62 1,705 (0,660 – 4,404) 0,271
ativo
Renda Familiar 0,924
Até 2,5 salário mínimo 0,12 1,188 (0,499 – 2,827) 0,698
2,5 a 5 salário mínimo 1,118 (0,530 – 2,358) 0,770

Fonte: Análise estatística dos dados realizada pela autora.

As mães com excesso de peso apresentaram forte associação aos filhos com excesso de peso, independentemente das outras variáveis analisadas. Crianças com pouca atividade física apresentavam um OR= 1,70, porém sem significância estatística, sendo mantido no modelo por melhorar o resultado final. A variável renda familiar foi incluída no modelo teórico como uma proxy das condições de vida; uma análise prévia mostrou que a renda familiar não apresentou diferença para os níveis de escolaridade dos pais. O resultado da análise multivariada demonstrou que os efeitos observados sobre o excesso de peso nas crianças independeram da renda familiar.

O modelo final apresentou-se bem ajustado (Teste Hosmer & Lemeshow = 0,871) e foi capaz de identificar corretamente 88% das crianças sem excesso de peso.

DISCUSSÃO

Neste artigo, buscou-se explorar algumas variáveis que são apontadas como preditoras e tem uma influência significativa sobre o desenvolvimento do excesso de peso na idade escolar [6, 9, 10]..

Estudos recentes de carater transversal realizados na região Sul do Brasil[9,11,12], com adolescentes, apontam variáveis demográficas, sócio econômicas, biológicas dos pais e comportamentais como possíveis fatores preditores para o sobrepeso e obesidade infantil. Outros autores[13] verificaram que escolares obesos apresentaram OR 2,5 vezes maior quando o IMC dos pais era maior que 30.

Em um estudo de caso controle realizado[10] em 1256 escolares brasileiros, foi observada uma associação estatisticamente significativa entre o IMC dos pais, principalmente o materno, e o sobrepeso de escolares, com OR 7,27 e 2,65 respectivamente, para os pais com obesidade e sobrepeso.

Neste estudo, o IMC materno foi identificado como um fator preditor para o excesso de peso infantil, independendo de outras variáveis, com OR 2,68, para mães com excesso de peso. No entanto, o modelo apresentou pequena sensibilidade para identificação das crianças com excesso de peso. Os resultados foram mais precisos para identificar as crianças sem excesso de peso: 88% dessas crianças apresentaram mães também sem excesso de peso, dando características de alta especificidade para essa variável.

Na América do Norte, realizaram estudo[14], em crianças abaixo de 7 anos, avaliando a relação entre estado nutricional e uma ampla gama de fatores familiares, principalmente os maternos, entre eles a obesidade dos pais, idade gestacional e situação sócio-econômica interferem no estado nutricional da criança, independentemente do peso ao nascer. Outro autor [11], também encontrou uma associação significativa entre o estado nutricional dos pais e o das crianças. Apontando assim, que o IMC materno seria um preditor importante para a obesidade infantil[14]. Já[6] outros estudos avaliaram separadamente o sobrepeso e a obesidade, onde as mães com sobrepeso e obesidade apresentaram, respectivamente, duas e cinco vezes mais chances de terem filhos com sobrepeso e obesidade, destacando alta significância estatística na faixa etária de 2 a 12 anos de crianças americanas[6].

Estudo de uma coorte com acompanhamento por seis anos em crianças de até 8 anos realizado[15], observou razão de incidência acumulada e ajustada de obesidade de 3,69 para as crianças cujas mães estavam com IMC>30, tendo por referência as crianças de mães com IMC entre 20 e 25.

Os achados relativos ao IMC dos pais, em especial à magnitude da associação com o IMC materno, apontam o papel importante exercido pela mãe na relação criança ambiente, que iniciada na gestação significará compartilhar condições sócio-ambientais, modos e estilos de vida, que incluem os hábitos alimentares e de atividade física com repercussão significativa no estado nutricional[10].

Outra variável que se destacou em nosso estudo, foi à presença de atividade física. As crianças que eram inativas e pouco ativas apresentaram mais que uma chance e meia de (OR 1,70) de apresentarem excesso de peso na idade escolar, embora sem significância estatística. É preciso levar em consideração que esta variável não mede realmente a atividade física diária das crianças, mas a percepção da mãe sobre os níveis de atividade física cotidianos da criança, apresentados em categorias, que foram posteriormente agrupadas em duas (ativos e inativos).

Em estudos realizados[11], houve um aumento de mais de 6 vezes na chance apresentarem sobrepeso e obesidade em adolescentes moderadamente ativos e um risco de 4 vezes nos adolescentes inativos, mostrando estar significativamente associado a prevalência de sobrepeso e obesidade.

Para outro autor[16] a prática de atividade física é fator protetor contra a obesidade e sobrepeso. Crianças mais ativas apresentam menor percentual de gordura corporal e menores valores de índice de massa corporal (IMC). A chance de uma criança obesa ser pouco ativa é duas vezes maior do que a criança de peso normal. Porém, vale ressaltar a importância da prática de atividade física, já que crianças que são ativas desde cedo têm maior probabilidade de permanecer ativas quando adultas.

A renda familiar foi adicionada no modelo teórico como uma variável proxy das condições de vida, mesmo não tendo apresentado associação na análise bivariada. O modelo final da regressão logística indicou o mesmo comportamento, ou seja, a renda familiar não se mostrou associada com o excesso de peso das crianças. Sua permanência no modelo final ressalta o efeito independente do IMC da mãe perante todas as outras variáveis.

Neste estudo, algumas variáveis como a escolaridade do pai e da mãe, amamentação, emprego da mãe, peso ao nascer e IMC da criança aos dois anos de idade, não apresentaram associações estatísticas com o excesso de peso na idade escolar, embora os dados disponíveis na literatura apresentem significância em alguns dos estudos publicados, merecendo outras pesquisas.

CONCLUSÕES

1. Crianças sem excesso de peso estiveram associadas a mães eutróficas ou com baixo peso, independente das outras variáveis analisadas;

2. A renda familiar não foi significativa, porém melhorou o modelo final, sendo uma variável importante, mas que não explica o excesso de peso do escolar;

3. Escolaridade do pai e da mãe, amamentação, emprego da mãe, peso ao nascer e IMC da criança aos dois anos de idade, não foram apontadas como variáveis preditoras para o sobrepeso;

4. Outros estudos devem ser realizados para melhor caracterização dessa possível correção de variáveis preditoras ao excesso de peso em escolares de 7 a 10 anos de idade.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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[1] Mestre. Programa de Pós-Graduação em Educação, Centro de Ciências da Educação, Universidade Federal de Santa Catarina. Campus Universitário, Trindade, 88040-970, Florianópolis, SC, Brasil.

[2] Doutor. Programa de Pós-Graduação em Saúde Pública, Centro de Ciências da Saúde, Universidade Federal de Santa Catarina. Campus Universitário, Trindade.

[3] Doutora. Programa de Pós-Graduação em Nutrição, Centro de Ciências da Saúde, Universidade Federal de Santa Catarina. Campus Universitário, Trindade.

Enviado: Outubro, 2018

Aprovado: Outubro, 2018

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