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Treinamento mental no boliche: proposta de rotina pré-tarefa baseada no Modelo PETTLEP

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CONTEÚDO

ARTIGO ORIGINAL

BARREIRA, Patrícia Affonso [1]
BARREIRA, Patrícia Affonso. Treinamento mental no boliche: proposta de rotina pré-tarefa baseada no Modelo PETTLEP. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano. 10, Ed. 11, Vol. 02, pp. 79-94. Novembro de 2025. ISSN:2448-0959. Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/educacao/treinamento-mental,  DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/educacao/treinamento-mental

RESUMO

O boliche é um esporte de alvo, fechado e autoiniciado que combina exigências físicas, táticas e psicológicas específicas. Apesar de sua ampla difusão mundial e do caráter inclusivo, ainda são escassas, em português, propostas sistematizadas de treinamento mental dirigidas a atletas de boliche. Este trabalho tem como objetivo apresentar uma síntese atualizada da literatura sobre habilidades psicológicas, rotinas pré-tarefa e imagética baseada no modelo PETTLEP, bem como propor uma rotina pré-tarefa estruturada para atletas de boliche. A partir do modelo das Nove Habilidades Mentais de Lesyk, de evidências de meta-análises sobre intervenções psicológicas e rotinas pré-tarefa, e de estudos recentes sobre imagética PETTLEP e desempenho em esportes de precisão, é sugerido um protocolo de oito etapas, organizado em um programa de 6–8 semanas, que pode ser adaptado por psicólogos do esporte e treinadores. A proposta enfatiza o desenvolvimento de habilidades de atenção, regulação emocional, diálogo interno, imagética motora e avaliação pós-lance, articuladas com a especificidade técnica do boliche. Conclui-se que a implementação sistemática de rotinas pré-tarefa, apoiadas em modelos contemporâneos de treinamento mental, tende a favorecer consistência de desempenho, autoconfiança e bem-estar psicológico de praticantes de diferentes níveis de habilidade.

Palavras-chave: Boliche, Treinamento mental, Rotina pré-tarefa, PETTLEP, Psicologia do esporte.

1. INTRODUÇÃO

O boliche é reconhecido internacionalmente como um dos esportes mais populares e democráticos do mundo, podendo ser praticado por crianças, adultos, pessoas idosas e pessoas com deficiência em um mesmo ambiente de jogo. Estimativas recentes sugerem que mais de 100 milhões de pessoas praticam boliche em mais de 90 países, consolidando-o como um dos esportes de alvo mais difundidos globalmente (Sparetimes Bowling, 2021; That’s All Sport, 2023). No Brasil, embora o número de pistas seja mais limitado em comparação a países com longa tradição na modalidade, clubes, federações e iniciativas privadas vêm ampliando o acesso, inclusive com projetos educacionais e de iniciação esportiva (Bolichemania, 2018, 2025).

Do ponto de vista motor, o boliche exige coordenação olho-mão refinada, controle de força, precisão espacial e temporal, equilíbrio e capacidade de ajustar a trajetória da bola às condições da pista e do óleo. Do ponto de vista psicológico, trata-se de uma modalidade fechada e autoiniciada, em que o atleta dispõe de alguns segundos antes de executar o arremesso, estando exposto a fatores como pressão competitiva, autoavaliação constante, alternância entre sucesso (strike) e falha (split) e comparação social entre pistas. Nessas condições, habilidades como foco atencional, regulação da ansiedade, manejo de frustrações, autoconfiança e uso funcional de rotinas pré-tarefa tornam-se centrais para o desempenho consistente (Weinberg; Gould, 2019; Bowl.com, s.d.; Bowlersmart, 2024).

No entanto, apesar de o discurso “o boliche é um esporte muito mental” ser recorrente entre atletas e treinadores, nem sempre há clareza conceitual sobre o que é treinamento mental, quais habilidades psicológicas podem ser treinadas e como isso pode ser sistematizado ao longo da temporada. Este artigo parte do texto original sobre treinamento mental no boliche, revisa criticamente as fontes citadas, atualiza referências com base na literatura científica recente e propõe uma rotina pré-tarefa fundamentada no modelo PETTLEP, adaptada às especificidades da modalidade.

2. TREINAMENTO MENTAL E HABILIDADES PSICOLÓGICAS NO ESPORTE

2.1 CONCEITUAÇÃO GERAL

Treinamento mental, no contexto da psicologia do esporte, refere-se ao desenvolvimento sistemático de habilidades psicológicas que sustentam o desempenho em situações de treino e competição, tais como definição de metas, automonitoramento, imagética, diálogo interno, regulação emocional, manejo da atenção e estratégias de coping (Vealey, 2007; Weinberg; Gould, 2019). Diferentemente de uma visão puramente “inata” de mentalidade vencedora, modelos contemporâneos enfatizam que tais habilidades são aprendidas e podem ser aprimoradas com instrução e prática, de forma semelhante ao treino técnico e físico (Lesyk, 1998).

O modelo das Nove Habilidades Mentais, desenvolvido por Jack Lesyk no Ohio Center for Sport Psychology, organiza essas competências em três níveis: (a) habilidades de base para desenvolvimento de longo prazo (atitude, motivação, metas e compromisso, habilidades interpessoais); (b) habilidades de preparação imediata para a performance (diálogo interno, imagética); e (c) habilidades utilizadas durante a performance (manejo da ansiedade, controle das emoções, concentração) (Lesyk, 1998; Ohio Center for Sport Psychology, 2024). Esse modelo tem sido utilizado tanto como ferramenta de avaliação (por exemplo, o questionário 9MSSA) quanto como guia para programas de intervenção (Championship Mind, 2024).

2.2 EVIDÊNCIAS DE EFETIVIDADE DO TREINAMENTO MENTAL

Meta-análises recentes indicam que intervenções psicológicas bem estruturadas têm impacto positivo, ainda que de magnitude moderada, sobre o desempenho esportivo. Brown e Fletcher (2017), ao analisar 94 estudos com diferentes modalidades e níveis competitivos, encontraram efeitos significativos de intervenções cognitivas e psicossociais (por exemplo, imagética, metas, manejo de estresse, autoeficácia) sobre o desempenho, com tamanhos de efeito geralmente moderados. Resultados similares foram observados em revisões específicas sobre auto-fala, manejo de estresse e imagética motora (Hatzigeorgiadis et al., 2011; Tod; Hardy; Oliver, 2011; Rumbold; Fletcher; Daniels, 2012).

No campo da produção científica, uma análise bibliométrica com dados da Web of Science identificou crescimento expressivo das publicações sobre treinamento de habilidades psicológicas (Psychological Skills Training – PST) a partir dos anos 2000, com maior ênfase em temas como regulação emocional, coping, motivação, fluxo, mindfulness e resiliência (Park; Jeon, 2023). Os autores destacam quatro grandes agrupamentos temáticos: (1) PST e desempenho/performance; (2) PST, ansiedade e estresse; (3) PST, mindfulness e fluxo; e (4) PST, emoções e bem-estar, reforçando que o treinamento mental é relevante não apenas para resultados esportivos, mas também para a saúde mental de atletas.

Em conjunto, esses dados sustentam a ideia de que programas estruturados de treinamento mental podem ser úteis para atletas de boliche, sobretudo por se tratar de um esporte de precisão em que pequenos desvios de atenção, confiança ou controle emocional podem produzir grandes variações no resultado do lance.

3 ROTINAS PRÉ-TAREFA EM ESPORTES DE PRECISÃO

3.1 CONCEITO E FUNDAMENTAÇÃO

Rotinas pré-tarefa (Pre-Performance Routines – PPRs) são definidas como sequências sistemáticas de pensamentos e ações relevantes à tarefa, realizadas imediatamente antes da execução de uma habilidade esportiva específica (Moran, 1996; Rupprecht; Tran; Gröpel, 2024). Diferenciam-se de hábitos supersticiosos por serem planejadas, individualizadas e baseadas em princípios funcionais, como focalizar pistas relevantes, ajustar o nível de ativação e padronizar comportamentos que antecedem a performance.

Uma meta-análise recente sobre PPRs, envolvendo 112 tamanhos de efeito em 15 modalidades e cerca de 800 atletas, demonstrou efeitos significativos na melhoria do desempenho tanto em condições de baixa pressão quanto em situações pressurizadas, com tamanhos de efeito moderados a grandes em desenhos experimentais (Rupprecht; Tran; Gröpel, 2024). Esses resultados foram consistentes independentemente do tipo de rotina (extensiva, com múltiplos componentes, ou rotinas pontuais, como o aperto dinâmico da mão esquerda ou quiet eye), idade, gênero ou nível de habilidade, sugerindo que o uso de PPRs traz benefícios amplos para diferentes atletas e esportes.

3.2 ROTINAS PRÉ-TAREFA EM ESPORTES DE ALVO E NO BOLICHE

Em esportes de alvo e de precisão, como golfe, tiro, arco e flecha, basquete (lances livres), vôlei (saques) e boliche, as PPRs têm sido particularmente estudadas. Yeemin, Kemarat e Theanthong (2020), por exemplo, investigaram os efeitos combinados de um aquecimento com potenciação pós-ativação (Post-Activation Potentiation – PAP) e de um programa de rotina pré-tarefa sobre o desempenho de tacadas de saída (driving) em golfistas amadores. Os resultados indicaram melhora significativa tanto na distância quanto na precisão das tacadas para os grupos que receberam a rotina pré-tarefa, reforçando o papel dessa estratégia no desempenho em tarefas de alvo.

No vôlei de praia, Wergin et al. (2020) examinaram rotinas pré-tarefa isoladas e combinadas (incluindo o aperto dinâmico da mão esquerda) sobre a precisão do saque sob pressão. Embora os autores não tenham encontrado diferenças robustas entre os grupos de intervenção e controle na condição pressurizada, o estudo contribuiu para refinar a compreensão de quais componentes de PPRs podem ser mais sensíveis a manipulações de pressão e como a rotina se articula com outros fatores de desempenho.

Especificamente no boliche, Lee, Lee e Kwon (2015) desenvolveram e instruíram rotinas pré-tarefa para competições de boliche de 10 pinos, combinando elementos comportamentais (sequência padronizada de movimentos antes do arremesso) e cognitivos (foco atencional em pistas relevantes, auto-instruções). Os resultados apontaram melhora no desempenho e maior consistência entre arremessos, sugerindo que PPRs bem estruturadas podem auxiliar atletas a lidar com variáveis como mudança de padrão de óleo, pressão da competição e flutuações emocionais.

Esses achados dialogam com relatos de atletas de alto nível de diferentes modalidades, segundo os quais a rotina pré-tarefa funciona como uma “âncora” que ajuda a estabilizar o estado mental, reduzir distrações e facilitar a entrada em um estado ótimo de prontidão para a execução (Cotterill, 2010; Medicalxpress, 2021).

4 IMAGÉTICA MOTORA E O MODELO PETTLEP

4.1 IMAGÉTICA MOTORA NO ESPORTE

Imagética motora (ou imagery) é a utilização deliberada de representações mentais vívidas de movimentos, sensações e contextos esportivos, sem a execução física correspondente. Meta-análises clássicas e recentes indicam que a prática de imagética pode melhorar aprendizagem motora, força, precisão e confiança, especialmente quando combinada ao treino físico (Driskell; Copper; Moran, 1994; Feltz; Landers, 1983; Lo Coco et al., 2022).

No âmbito esportivo, a imagética tem sido integrada a programas de treinamento mental em diferentes modalidades, com destaque para o modelo PETTLEP, proposto por Holmes e Collins (2001) e posteriormente atualizado por autores como Wakefield, Smith e colaboradores. O modelo enfatiza a importância de tornar a imagética o mais funcionalmente equivalente possível à execução real, considerando sete elementos: Physical, Environment, Task, Timing, Learning, Emotion e Perspective (PETTLEP).

4.2 O MODELO PETTLEP

Segundo Holmes e Collins (2001), para maximizar os efeitos da imagética sobre o desempenho, o atleta deve:

  1. Physical (Físico): recriar, na medida do possível, a postura, o equipamento e as sensações físicas que acompanham a execução real do gesto técnico (por exemplo, segurar a bola de boliche com o mesmo grip, usar o mesmo calçado, sentir o peso e a textura da bola).
  2. Environment (Ambiente): imaginar o contexto específico em que a performance ocorre, incluindo características da pista, iluminação, ruído ambiente, presença de outros jogadores, posição dos pinos e eventuais estímulos distratores.
  3. Task (Tarefa): focar nos componentes relevantes da tarefa motora, como trajetória da bola, alvo desejado, velocidade e rotação, enfatizando os aspectos técnicos e perceptivos que o atleta deseja automatizar.
  4. Timing (Tempo): realizar a imagética em tempo real, sincronizada com a duração aproximada da execução física, o que facilita a equivalência temporal entre o movimento imaginado e o movimento real.
  5. Learning (Aprendizagem): ajustar os conteúdos da imagética ao nível atual de aprendizagem e às metas específicas do atleta, revisando o script à medida que novas habilidades são incorporadas ou corrigidas.
  6. Emotion (Emoção): incluir as emoções funcionais associadas à performance desejada (por exemplo, confiança calma, energia controlada) e, quando pertinente, trabalhar também com cenários desafiadores, integrando estratégias de coping.
  7. Perspective (Perspectiva): alternar, conforme a necessidade, entre imagética em primeira pessoa (como se o atleta “visse através dos próprios olhos”) e em terceira pessoa (como se observasse a si mesmo de fora), embora a perspectiva interna seja geralmente recomendada para habilidades motoras específicas.

Revisões recentes reforçam que intervenções baseadas em PETTLEP tendem a produzir efeitos mais robustos sobre o desempenho do que protocolos de imagética tradicionais, sobretudo em esportes em que a precisão do gesto e a sincronização temporal são cruciais (Lo Coco et al., 2022; Holmes; Collins, 2001).

4.3 PETTLEP E RESILIÊNCIA PSICOLÓGICA

Para além do desempenho motor, estudos recentes têm investigado o impacto da imagética PETTLEP sobre variáveis psicológicas como resiliência, habilidades mentais e sintomas de ansiedade e depressão. Lu e Xu (2023), em estudo com 120 atletas de basquetebol, aplicaram um programa de imagética baseado em PETTLEP e observaram aumento da resiliência psicológica, melhora em indicadores de habilidades psicológicas (por exemplo, autoconfiança, atenção focal, autorregulação) e redução significativa de ansiedade e depressão após a intervenção.

Esses resultados sugerem que a imagética PETTLEP pode ser incorporada não apenas como recurso de otimização da técnica, mas também como estratégia de promoção de saúde mental e de coping frente às exigências do esporte de alto rendimento, temática de interesse crescente em organismos como o Comitê Olímpico Internacional.

5. PROPOSTA DE ROTINA PRÉ-TAREFA PARA ATLETAS DE BOLICHE BASEADA NO MODELO PETTLEP

5.1 PRINCÍPIOS GERAIS DA PROPOSTA

Com base na literatura sobre treinamento mental, rotinas pré-tarefa e imagética PETTLEP, propõe-se a seguir uma rotina pré-tarefa adaptada ao contexto do boliche, pensada como uma sequência de passos que o atleta pode utilizar imediatamente antes de cada arremesso. A proposta é orientada por três princípios gerais:

  • Especificidade: a rotina deve ser construída em diálogo com o estilo de jogo, características técnicas, metas e contexto competitivo do atleta (nível de habilidade, tipo de pista, formato da competição).
  • Simplicidade funcional: embora os componentes sejam fundamentados teoricamente, a rotina deve ser simples o suficiente para ser utilizada em poucos segundos, sem sobrecarregar a atenção do atleta.
  • Consistência flexível: a sequência geral se mantém estável entre arremessos, mas com pequenos ajustes conforme o feedback (por exemplo, variação de linha ou velocidade em resposta à leitura da pista), evitando rigidez excessiva.

5.2 ESTRUTURA DA ROTINA EM OITO PASSOS

A rotina proposta integra elementos comportamentais e cognitivos organizados em oito passos, que podem ser treinados inicialmente de forma isolada e depois encadeados:

Passo 1 – Checagem física e postura (Physical)

  • Posicionar-se atrás da linha de aproximação, checando alinhamento dos pés e dos ombros com a linha de jogo planejada.
  • Sentir o peso da bola na mão, o ajuste dos dedos e do polegar, e a estabilidade do apoio.
  • Realizar uma inspiração longa e uma expiração lenta, associando esse momento a uma sensação de “entrar na rotina”.

Passo 2 – Leitura rápida da pista e dos pinos (Environment)

  • Observar a disposição dos pinos, o padrão de óleo previamente percebido e eventuais variações (por exemplo, trilhas de desgaste, mudança de reação da bola).
  • Reconfirmar o alvo visual (seta ou board) que servirá de referência para a trajetória desejada.

Passo 3 – Definição da intenção técnica (Task)

  • Formular, em termos simples e objetivos, a intenção do arremesso (por exemplo: “bola firme na 2ª seta, velocidade média, rotação controlada para fechar 10 pinos”).
  • Evitar instruções múltiplas ou excessivamente detalhadas, priorizando um ou dois focos principais.

Passo 4 – Ajuste temporal e respiração (Timing)

  • Sincronizar a respiração com o início da aproximação, por exemplo, inspirar enquanto visualiza o lance e expirar no primeiro passo.
  • Manter um ritmo de aproximação estável (mesmo número de passos, mesma cadência) entre arremessos, favorecendo a automatização temporal.

Passo 5 – Imagética PETTLEP breve (Learning, Emotion, Perspective)

  • Em 2–3 segundos, imaginar o arremesso ideal em primeira pessoa: sentir a aproximação, a liberação suave da bola, a trajetória até o alvo e o impacto nos pinos.
  • Incluir a emoção funcional associada (por exemplo, confiança calma, sensação de controle) e evitar ruminações sobre o lance anterior.

Passo 6 – Palavra-chave e foco externo (Emotion, Task)

  • Utilizar uma palavra ou expressão-chave curta (por exemplo, “fluidez”, “confiança”, “solto”) associada à sensação desejada.
  • Direcionar a atenção para um foco externo relevante (alvo na pista, trajetória da bola), minimizando a autoobservação excessiva durante a execução.

Passo 7 – Execução comprometida

  • Iniciar a aproximação assumindo o compromisso de “executar e aceitar o resultado”, evitando hesitações ou mudanças bruscas de plano durante o movimento.
  • Deixar que a técnica praticada em treino “assuma o comando”, sem tentar controlar conscientemente cada detalhe do gesto.

Passo 8 – Revisão pós-lance construtiva (Learning)

  • Após o arremesso, realizar uma breve análise factual: “onde a bola passou?”, “como foi a velocidade?”, “como reagiu na entrada do pocket?”.
  • Registrar mentalmente um ajuste específico, se necessário (por exemplo, um board de deslocamento lateral, pequena variação de velocidade), sem julgamento autodepreciativo.
  • Utilizar essa revisão como informação para o próximo lance, mantendo a continuidade da rotina.

5.3 PROGRAMA DE IMPLEMENTAÇÃO EM 6–8 SEMANAS

Para que a rotina se torne automatizada e efetiva, recomenda-se que seja inserida em um programa de 6–8 semanas de treinamento mental integrado à preparação técnica, com etapas exemplificadas a seguir:

Semanas 1–2 – Avaliação e psicoeducação

  • Aplicação de instrumentos de autoavaliação de habilidades mentais (por exemplo, questionário baseado nas Nove Habilidades Mentais).
  • Entrevistas com o atleta e, se possível, com o treinador, para identificar demandas específicas (ansiedade em finais de jogo, dificuldade de manter foco, variações abruptas de desempenho etc.).
  • Psicoeducação sobre treinamento mental, PPRs e modelo PETTLEP, com exemplos de atletas de referência em esportes de alvo.

Semanas 3–4 – Construção e ensaio da rotina

  • Co-construção da rotina de oito passos com o atleta, ajustando linguagem, duração e ênfases individuais (por exemplo, maior foco em respiração, em palavra-chave ou em imagética).
  • Prática da rotina em treinos técnicos, inicialmente em situações de baixa pressão, com feedback do psicólogo do esporte e/ou treinador.
  • Utilização de registros escritos ou em vídeo para reforçar a sequência e facilitar ajustes.

Semanas 5–6 – Integração com situações de pressão

  • Simulação de contextos pressurizados em treino (por exemplo, séries decisivas, contagem de pontos, desafios entre colegas de equipe).
  • Monitoramento de respostas fisiológicas e psicológicas (por exemplo, percepção de ansiedade, confiança, foco) durante o uso da rotina.
  • Ajustes finos na duração de cada passo, na palavra-chave e nos conteúdos da imagética, com base na experiência do atleta.

Semanas 7–8 – Consolidação e generalização

  • Aplicação sistemática da rotina em competições formais e informais, registrando percepções de controle, consistência e desempenho.
  • Revisão periódica, em conjunto com o psicólogo e o treinador, para consolidar o que funcionou bem e planejar eventuais adaptações para fases futuras da temporada.
  • Discussão sobre estratégias de manutenção da rotina ao longo do tempo, incluindo períodos de maior carga competitiva, viagens e mudanças de contexto.

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A proposta apresentada não substitui a necessidade de intervenção individualizada, mas oferece um referencial estruturado que pode ser adaptado à realidade de atletas e equipes de boliche. Psicólogos do esporte podem utilizar a rotina como parte de programas mais amplos de treinamento mental, integrando-a a intervenções de manejo de ansiedade, reestruturação cognitiva, fortalecimento da autoconfiança e desenvolvimento de resiliência. Treinadores, por sua vez, podem reforçar o uso da rotina em treinos e competições, ajudando a criar um ambiente que valorize tanto a preparação física e técnica quanto a dimensão mental do desempenho.

Alguns cuidados práticos incluem: (a) evitar impor uma rotina rígida e padronizada para todos os atletas, respeitando diferenças individuais; (b) garantir tempo e espaço em treinos para que a rotina seja praticada sem pressa; (c) estimular que os atletas avaliem a própria experiência com a rotina, identificando o que os ajuda ou atrapalha; e (d) manter comunicação constante entre comissão técnica e psicólogo do esporte.

REFERÊNCIAS

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INFORMAÇÕES SOBRE OS AUTORES

[1] Graduação em Administração. ORCID: 0009-0006-1160-5357.

Contribuição dos autores:

Patrícia Affonso Barreira: Concepção do estudo, definição do tema e delimitação do problema a partir da observação dos efeitos do calor excessivo nos cabelos. Todo o planejamento metodológico, incluindo a seleção e análise das referências científicas, estruturação das seções e organização lógica do trabalho.

INFORMAÇÕES SOBRE O MATERIAL

Conflito de interesse:

Não há conflito de interesse.

Agradecimentos e Financiamento:

Não há financiamento.

Informações sobre Direitos Autorais e Licença:

Este é um artigo de Acesso Aberto distribuído sob os termos da Creative Commons Attribution License, que permite uso, distribuição e reprodução irrestritos em qualquer meio, desde que o autor e a fonte originais sejam creditados.

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  • ISSN (versão eletrônica): 2448-0959
  • Licença Creative Commons: Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição 4.0 Internacional.

Histórico da Publicação:

Material recebido: 14 de outubro de 2025.

Material aprovado pelos pares: 29 de outubro de 2025.

Material editado aprovado pelos autores: 24 de novembro de 2025.

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Patrícia Affonso Barreira

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