Experiência de regência no ensino fundamental

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Experiência de regência no ensino fundamental
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ARTIGO ORIGINAL

ZACCARON, Isadora Coelho [1]

ZACCARON, Isadora Coelho. Experiência de regência no ensino fundamental. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 04, Ed. 02, Vol. 02, pp. 43-62. Fevereiro de 2019. ISSN: 2448-0959

RESUMO

O estágio supervisionado fornece ao acadêmico de licenciatura muitas experiências necessárias para sua futura vida profissional. É de suma importância que o acadêmico vivencie o que é a docência, o que é estar em sala de aula e como se dá o contato com os alunos durante as aulas. É importante desde já, que o acadêmico perceba que os alunos necessitam de aulas diferenciadas, com materiais didáticos que alustrem e complementem todo o conteúdo, além de experiências laboratoriais que chamem a atenção, fazendo com que o mesmo, se interesse pelas aulas de Ciências e sinta-se mais perto do professor em sala de aula. É importante que o professor conquiste os alunos e tenha um bom relacionamento com os mesmos, já que isso é, também, um fator determinante para a aplicação de uma boa aula. A experiência de regência torna o acadêmico muito mais preparado para o mercado de trabalho além de aguçar seus sentidos no âmbito escolar.

Palavras-chave: Licenciatura, estágio, regência, escola.

EXPERIÊNCIA DE REGÊNCIA NO ENSINO FUNDAMENTAL

INTRODUÇÃO

O estágio supervisionado tem grande importância na vida do acadêmico, pois será uma forma, de se inserir no ambiente onde futuramente, irá atuar profissionalmente (PASCOAL; NASCIMENTO, 2013). O estágio é a etapa onde o acadêmico começa a agregar conhecimentos e experiências sobre a vida docente, que são cruciais para a sua formação profissional e sua construção do conhecimento (LIMA, 2004).

A observação se torna importante, pois é dessa maneira que podemos conhecer a realidade dos alunos, professores e do ambiente escolar, além de perceber a metodologia utilizada pelo professor, os recursos utilizados, como vídeos, saídas a campo e laboratórios, afim de podermos usar tais ideias em prol a nosso futuro. Segundo Aguiar (2012), o estágio em forma de observação é o primeiro passo do acadêmico ao mundo escolar, onde ele pode organizar-se e situar-se no mesmo.

Na fase de observação, criou-se um vínculo com a turma observada, na qual, serão ministradas as aulas, de forma a cumprir a carga horária relacionada à regência de classe. A observação durante o estágio foi de suma importância, visto que ele oferece uma maior preparação ao envolvido que deseja seguir pela carreira docente (AGUIAR, 2012).

A regência de classe tornou-se fundamental, pois, segundo Scalabrini e Molinare (2010), propiciou ao aluno de licenciatura a observação, pesquisa, planejamento, execução e avaliação de todos os diferentes tipos de atividades pedagógicas. Nesta etapa, entramos em contato com a sala de aula de fato, e assim transmitimos conhecimentos aos alunos e por um momento, e fomos aqueles que fizeram a mediação entre o conhecimento e a realidade.

O estágio ocorreu na Escola de Educação Básica João Colodel, através de 12 aulas observacionais. A escola é situada no município de Turvo, Santa Catarina. Sua nova sede foi construída recentemente e ganhou uma estrutura ainda melhor, com novos recursos tecnológicos, novos laboratórios e novas salas de aula.

Neste relatório, serão apresentados os dados obtidos durante o processo de observação e regência em sala de aula, onde foi possível ter o primeiro contato com as turmas, seu ritmo e sua individualidade.

ESTÁGIO EM FORMA DE OBSERVAÇÃO

ESTRUTURA E RECURSOS TECNOLÓGICOS DA ESCOLA

A Escola de Educação Básica João Colodel possui uma boa infraestrutura, onde oferece todos os recursos para atividades diversas que os professores desejam realizar. Isso inclui sala de informática, onde oferece acesso à internet, laboratórios de biologia, matemática, física, biblioteca, Datashow, ginásio de esportes e área de lazer. Contudo, o laboratório de informática, que conta com um técnico, durante duas aulas semanais, é disponibilizado apenas, para o Ensino Médio Inovador (E.M.I). As demais turmas, tanto do ensino médio quanto do ensino fundamental, não têm acesso ao laboratório de informática, pois não possuem um técnico disponível.

Para Kenski (2007), a sociedade atual é movida pelas novas tecnologias e pelo avanço da tecnologia digital, comunicação e informação. Com isso, podemos dizer que a escola atual deve se moldar a esse novo tipo de sociedade, oferecendo aos alunos, acesso às tecnologias, para que com elas, possam buscar ferramentas para buscar novos caminhos ao conhecimento. Nesse contexto, a tecnologia busca a adequação das escolas, afim de facilitar o método de ensino-aprendizagem, tendo como alvo, o desenvolvimento educacional (SOUZA; CARVALHO; MARQUES, 2012).

Durante a observação, foi percebido que a ausência da disponibilidade do laboratório de informática para as outras turmas, além do E.M.I, gera uma deficiência quando se trata de trabalhos de pesquisa e aulas mais elaboradas. Nesse sentido, as turmas não têm acesso a tecnologia, sendo que muitos alunos teriam apenas esse acesso na escola, e isso acaba, de certa forma, interferindo no processo de aprendizagem.

PPP DA ESCOLA

O PPP da escola é elaborado com a participação de toda a equipe docente e comunidade escolar. Todo início de ano letivo ele é atualizado, segundo as necessidades da escola. O PPP segue a linha filosófica histórico cultural, tendo como base a proposta curricular do Estado de Santa Catarina e os Parâmetros Curriculares Nacionais.

Na Escola de Educação Básica João Colodel, é oferecido cursos de capacitação, cujo um dos temas, sempre é referente ao PPP, frisando sempre a importância do mesmo aos professores mais antigos e esclarecendo aos mais novos.

O Projeto Político Pedagógico contribui para a organização escolar e trabalhos pedagógicos, visando a melhoria do ambiente escolar, melhoria de todas as relações estabelecidas dentro da escola e acabar com a rotina repetitiva que geralmente se estabelece dentro da instituição (HAHN; MACHADO, 2006).

CARACTERIZAÇÃO DA (S) TURMA (S)

6º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL

A Turma do 6º ano do ensino fundamental é composta por 24 alunos, com faixa etária entre 11 e 14 anos. A variação quanto as idades, é referente a reprovações em anos anteriores e também, de alguns alunos que são transferidos de outras escolas, também repetentes. É uma turma inquieta. Alguns alunos trazem problemas de casa, e isso reflete em seu comportamento em sala de aula. Isso inclui durante aulas, mencionarem palavras grosseiras, muita falta de respeito com a professora e a falta de interesse em relação à disciplina.

Os alunos, durante o intervalo de aula, saem da sala e ficam transitando pelos corredores, e por isso, se perde boa parte da aula até organizar a turma em sala novamente.

7° ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL

A turma do sétimo ano do ensino fundamental apresenta 33 alunos com idades entre 12 e 14 anos, também com reprovações em anos anteriores. É uma turma numerosa, agitada e difícil de ser controlada. Há alguns alunos que realizam as atividades em sala, fazem as tarefas, os trabalhos, porém, se juntam com o resto da turma, transtornando a aula.

Os alunos faltosos, transitam nos corredores nos intervalos de aula, é difícil manter diálogo com a turma e a professora encontra muita dificuldade em manter a sala calma. Há muito desrespeito em relação a aluno/professor e isso dificulta o andamento das aulas.

DADOS OBTIDOS PELA APLICAÇÃO DO QUESTIONÁRIO AOS ALUNOS:

Durante a aplicação do questionário, as turmas se empolgaram em responder as questões, visto que foi aplicado por uma professora diferente, e também, não era relacionado a nenhum conteúdo valendo alguma nota.

Observou-se que todos responderam de acordo com sua individualidade e interesse, e algumas respostas tornaram visível o porquê de muitos comportamentos em sala de aula. Ressaltando a importância dos questionários nessa fase do estágio.

Houveram respostas diversas, participação e empolgação da parte dos alunos, pois muitos achavam que respondendo o questionário, suas opiniões seriam levadas em consideração, e haveriam mudanças em relação as aulas.

As repostas foram analisadas, e os dados mais significativos estarão expostos neste relatório em forma de gráficos, afim de salientar as opiniões e dificuldades dos alunos em relação a disciplina de Ciências.

DADOS OBTIDOS NA TURMA 6° ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL E NO 7º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL:

Fonte: Do autor, 2017. Gráfico 1: Conhecimento dos alunos do 6º e 7º ano do ensino fundamental sobre a existência de um laboratório de ciências em sua escola.

Com 100% das respostas, todos os alunos têm o conhecimento sobre a existência do laboratório de ciências da escola.

A maioria dos alunos ao responderem o questionário, comentavam que sentiam falta da utilização do laboratório para aulas práticas e diferenciadas. Relatavam que os professores não eram interessados em levá-los aos laboratórios e que dessa forma, a aula tornava-se entediante.

Para Zimmermann (2005), quando se trabalha as ciências com os alunos do ensino fundamental, é imprescindível olhar-se com importância para seus conhecimentos empíricos, observar suas emoções, duas curiosidades, mostrando interesse pelos mesmos, despertando assim, seu interesse em aprender.

Dessa forma, utilizar os conhecimentos empíricos dos alunos torna a aprendizagem ainda mais construtiva, pois unirá seus conhecimentos com as atividades práticas, proporcionando o contato com o novo e com a natureza, não se limitando apenas a aulas teóricas (ZIMMERMANN, 2005).

A oportunidade de as aulas acontecerem no laboratório de ciências é de suma importância para os alunos, visto que as mesmas devem ser trabalhadas desde sua iniciação na escola, onde o aluno começa a ter noções do conhecimento científico e assim, tendo sua construção sobre o mesmo (LACERDA; ALVES, 2008).

As aulas realizadas no laboratório trazem aos alunos mais curiosidade e o interesse pela vivência com o conhecimento científico (BOMBOMNATO, 2011).

 

Fonte: Do autor, 2017. Gráfico 2: Avaliação quanto a dificuldade em relação a disciplina de ciências no 6º ano.
Fonte: Do autor, 2017. Gráfico 3: Avaliação quanto a dificuldade em relação a disciplina de ciências no 7º ano.

Na turma do 6º ano do ensino fundamental, é notável a diferença entra as respostas, com relação ao nível de dificuldade dos alunos perante a disciplina de ciências. Isso de deve ao fato de que a turma é muito desorganizada e há muita bagunça durante as aulas. A pouca participação e falta de interesse resulta num déficit de aprendizagem em muitos dos alunos e isso reflete nas notas quando são aplicados os métodos avaliativos. Nesse processo, os alunos encontram dificuldades, percebem as notas baixas e isso resulta na resposta dos 75% da turma, em achar os conteúdos de ciências mais difíceis.

Na turma do 7º ano, podemos perceber que 45% dos alunos, considera os conteúdos de ciências difíceis e 55% considera os conteúdos fáceis. Apesar da desorganização da turma, muitos realizam as atividades em sala e trazem as tarefas para corrigir durante as aulas, sendo estes, os alunos que não encontram dificuldades na disciplina. Muitos conseguem aprender apenas com a explicação, e outros acham os conteúdos fáceis, mas mesmo assim, não alcançam a nota mínima na aplicação dos métodos avaliativos.

Tomando como base o que foi citado acima, vale ressaltar, que mesmo tendo todos os modelos didáticos que ajudam a explorar novos conteúdos, é fundamental que o professor também aprenda com seus alunos, de forma a ter uma melhor relação professor/aluno (MAYER; DE PAULA; SANTOS; ARAÚJO, 2013). Muitas vezes, o que falta, é a melhor interação do professor com o aluno, de formas e atividades variadas. Isso implica o despertar da curiosidade, interesse pelo conhecimento e maior participação nas aulas. Trazer o conhecimento de formas variadas atrai os alunos e torna as aulas mais produtivas e interessantes tanto pra eles quanto para o professor.

 

Fonte: Do autor, 2017. Gráfico 4: Como os alunos do 6º ano gostariam que fossem as aulas de ciências.
Fonte: Do autor, 2017. Gráfico 5: Como os alunos do 7º ano gostariam que fossem as aulas de ciências.

Na turma do 6º ano do ensino fundamental, a maioria dos alunos (47%), gostaria que houvesse mais aulas no laboratório para fazerem “experiências”. Como havia sido comentado no tópico acima, os alunos se queixam sobre a falta de aulas no laboratório de ciências e isso refletiu na análise dos dados como mostra o gráfico 4.

Na sequência, a segunda maior parte dos alunos (39%), gostaria que houvesse menos aula de ciências durante a semana, refletindo a falta de interesse nas aulas e participação nas aulas. A minoria (7%) gostaria que houvesse mais aulas de ciências durante a semana, e a outra parte (7%), gostariam que as aulas fossem mais calmas, devido ao fato da distração de alguns colegas, que não deixam os interessados de concentrarem nas aulas.

Na turma do 7º ano do ensino fundamental, a maior parte da turma 50% dos alunos relatou que gostariam que as aulas fossem mais divertidas. Muitos comentaram que seria legal terem aulas ao ar livre, em contado com a natureza e também, para sair um pouco do ambiente fechado da sala de aula. Isso também contribui nos 32% que também gostariam de ter mais aulas no laboratório de ciências, mostrando o quanto os alunos gostariam de usufruir de atividades diferenciadas para aprenderem melhor e também de forma mais concreta, unindo teoria e prática.

Os conteúdos sobre ciências precisam atender as expectativas dos alunos, de forma que eles consigam despertar em si a curiosidade pelo mundo que os cerca, saindo do ambiente teórico e monótono (BOMBONATO, 2011).

Para Bombonato (2011), as aulas práticas são de fundamental importância, pois os alunos poderão conciliar teoria e prática, desenvolver habilidades e estar sempre em contado com os materias de laboratório, aguçando seu interesse e curiosidade.

Com 11% e 7% das respostas, os alunos gostariam que as aulas fossem menos barulhentas e mais fáceis, respectivamente. Isso reflete na falta de participação dos alunos e de aulas monótonas, onde não se tem a atenção do aluno ocasionando assim, a dispersão e falta de atenção da maioria.

DADOS OBTIDOS PELA APLICAÇÃO DO QUESTIONÁRIO AO PROFESSOR REGENTE:

Em relação ao questionário aplicado à professora, foi observado que a mesma possui licenciatura plena em Ciências Biológicas e licenciatura em Química. Nesse âmbito, possui experiência de 8 anos no magistério, lecionando as disciplinas de Ciências no ensino fundamental e Química e Biologia no E.J.A (Ensino para Jovens e Adultos). A professora usa todo o seu conhecimento afim de mostrar aos alunos que as ciências estarão sempre relacionadas ao seu cotidiano.

Suas aulas são sempre elaboradas e ministradas através dos conteúdos trazidos pelo livro didático. O livro didático é de suma importância, pois tem sido o instrumento na qual o professor se apoia e que traz uma fonte importante de conhecimento aos alunos (FRISON; VIANA; CHAVES; BERNARDI, 2009). Ainda, a professora leva para suas aulas, outros livros, de outros autores, pois segundo ela, isso ajuda a enriquecer a aula. Contudo, seu plano de aula é sempre baseado no livro didático adotado pela escola e também, seguindo os parâmetros curriculares nacionais.

De maneira avaliativa, a professora usa mais que um método, sendo eles: Prova individual e escrita, provas em dupla e em equipe, provas com consulta individual, trabalhos em grupo, produção de textos e relatórios e apresentação de trabalhos. Nas turmas que leciona, há apenas uma turma na qual conta com um segundo professor para seu auxílio.

Segundo a professora, a escola poderia contar com mais assistência dos laboratórios, podendo eles, ser cada um em sua respectiva sala, contando assim com mais materiais para oferecer aos alunos em aulas práticas. Ressalta também, que seria uma ferramenta importante, se os alunos tivessem aulas no contra turno, para cada disciplina, no seu caso, ciências.

ESTÁGIO EM FORMA DE REGÊNCIA DE CLASSE EM CIÊNCIAS:

CONTEÚDO ABORDADO NO ESTÁGIO

Na turma do 6º ano do ensino fundamental, foram abordados os conteúdos referentes ao sistema solar. Observou-se que o conteúdo despertava bastante curiosidade entre os alunos, visto que sempre estavam curiosos para saber mais, assistir aos vídeos e apreciar as imagens. Os conteúdos do livro didático traziam informações sobre os temas heliocentrismo e geocentrismo, planetas do sistema solar e suas órbitas, movimentos do planeta Terra, a Lua e sua superfície, as fazes da Lua e as estações do ano. Foram conteúdos que despertaram o interesse dos alunos, visto que muitas vezes esse conteúdo não é muito abordado nas aulas de ciências.

Na turma do 7° ano do ensino fundamental, foi abordado o conteúdo referente ao reino das plantas e seus 4 grandes grupos: briófitas, pteridófitas, gimnospermas e angiospermas. Foram estudadas cada grupo separadamente, focando em suas principais características, gerais e reprodutivas. Apesar de ser um conteúdo onde os alunos ficam dispersos, houve um grande aproveitamento do conteúdo com a turma, já que eles ficavam curiosos e empolgados a cada aula prática, visto que foram levadas plantas in natura para a aula no laboratório.

Todos os conteúdos foram seguidos de acordo com a proposta do livro didático, além de conteúdos trazidos de fontes da internet e pesquisas, visto que, segundo Frison et. al (2009), é importante que o professor traga para a sala de aula, conteúdos que vão além do livro didático, como jornais, revistas, filmes etc.

OBJETIVO DA AULA

O objetivo da aula foi promover o entendimento dos alunos sobre os temas e compartilhar conhecimentos com os mesmos. Visto que além do conhecimento mediado pelo professor, os alunos também trazem consigo uma fonte de informações e conhecimentos prévios, muito importantes para o desenvolvimento das aulas. Dessa forma, há um conhecimento compartilhado entre professor e aluno, agregando ainda mais nos saberes dos educandos.

ATIVIDADES DIDÁTICO-PEDAGÓGICAS DESENVOLVIDAS E MATERIAIS DIDÁTICOS UTILIZADOS:

Na turma do 6º ano do ensino fundamental foram feitas atividades variadas, como desenhos, redações, estudos dirigidos e construção do planetário. Para todas as atividades foram fornecidos os matérias para os alunos (Xerox das atividades), com exceção do planetário, que os mesmos ficaram responsáveis por trazer os materiais. Durante as aulas, foram trazidas imagens diversas, vídeos e aulas em PowerPoint, buscando atrair a atenção dos alunos e contribuir mais em seu aprendizado.

Na turma do 7º ano do ensino fundamental foram feitas atividades do livro didático, aulas em PowerPoint e aulas práticas em laboratório. Para todas as aulas práticas foram fornecidos materiais disponíveis no laboratório de ciências da escola e amostras in natura dos 4 grandes grupos de plantas: briófitas, pteridófitas, gimnospermas e angiospermas. Para Reginaldo; Sheid; Gullich (2012), as aulas práticas se tornam importantes instrumentos para que o aluno faça a experimentação de vários conteúdos, estabelecendo assim, a união da teoria com a prática.

OPORTUNIDADES DE INTERAÇÃO COM OS ALUNOS:

Todas as aulas foram encontros muito positivos e produtivos. Os alunos foram muito atenciosos em sua grande maioria, e muito participativos. A relação foi de muita amizade e harmonia. Como são crianças entre 11 e 14 anos, podemos saber de antemão, que por vezes não se consegue prender muito sua atenção, mas a relação e interação com os alunos foi a melhor possível. Esta relação é um fator muito importante na aprendizagem do aluno, visto que é ela quem desperta o prazer e a participação durante as aulas (MULLER, 2002). Sendo assim, é muito importante que a relação dos professores com os alunos seja a mais prazerosa possível, tornando a aula sempre agradável e divertida.

RELAÇÃO ENTRE OS CONTEÚDOS E A REALIDADE DOS ALUNOS

O conteúdo abordado na turma do 6º ano do ensino fundamental foge um pouco da realidade dos alunos, visto que se trata de um tema distante para eles, falando sobre o sistema solar, universo e os planetas distantes. Por isso foram levadas para as aulas imagens, vídeos, atividades de desenho, onde os alunos puderam agregar conhecimento e estimular sua imaginação. Porém, no conteúdo sobre as estações do ano, os alunos trouxeram muitos exemplos e conhecimentos durante a aula, demonstrando sua percepção sobre a variação das estações do ano e de como isso está presente em seu cotidiano.

Já o conteúdo abordado no 7º ano do ensino fundamental era de total proximidade com sua realidade, visto que durante as aulas práticas, muitos já identificavam as amostras in natura com exemplares existentes em suas próprias residências, na casa dos avós ou até próximos a escola. Ficaram empolgados em manusear os utensílios de laboratório, e poder observar ainda mais de perto, o que sempre esteve ao seu redor. Dessa forma, se faz importante a construção de educandos criativos, onde se possa mediar o conhecimento mais simples e construir em cada um, os saberes científicos (ABRANTES; MARTINS, 2005).

PREOCUPAÇÃO EM INTERMEDIAR A CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO

Durante todo o estágio, preocupou-se em mediar o conhecimento de todos os alunos, um a um. O propósito das aulas não era corrigir o que os alunos traziam de informações consigo, mas sim, contribuir, orientar e mediar todos os seus saberes, de forma a mostrar que seus conhecimentos prévios continham explicações científicas. E de modo geral, o objetivo foi alcançado, observando o interesse dos alunos e a curiosidade ao longo das aulas.

Dessa forma, o professor é a ponte entre o aluno e o conhecimento, onde busca despertar o interesse de cada um, na busca pelos saberes (DAHER, 2017).

MODALIDADES DE AVALIAÇÃO UTILIZADA DURANTE O ESTÁGIO

Na turma do 6º ano do ensino fundamental, optou-se por desenvolver com os alunos, atividades que estimulassem sua imaginação e percepção sobre o conteúdo. Isso deveu-se ao fato do ritmo da turma e também sobre as opções de atividades que seriam melhor recebidas por eles. Por ser uma turma agitada, tudo que foi produzido durante as aulas, contava como avaliação, pois desta forma, a maioria participava mais ativamente das atividades.

Na turma do 7º ano do ensino fundamental optou-se por desenvolver com os alunos atividades mais práticas, unindo o conhecimento teórico trazido sobre o livro didático e as aulas no PowerPoint com a prática em laboratório. De maneira geral, esta atividade foi aceita pela turma, visto que houve um aproveitamento durante toda a regência de classe.

RESULTADOS ALCANÇADOS

Durante o período de observação, observou-se que os alunos eram bastante agitados e não tinham muito interesse nas aulas de ciências. Na fase de regência, inicialmente, não houve mudanças de comportamento, contudo, ao longo das aulas, os alunos começaram a ter mais atenção, participação e interesse. Pode-se atribuir este fato, aos materiais e atividades levadas para as aulas. Em ambas as turmas foi observado esta mudança.

Desta forma, um dos resultados alcançados foi o de despertar o interesse dos educandos pelas aulas de ciências, onde os mesmos sempre estavam empolgados e receptivos para as aulas. Outro resultado foi a mudança de comportamento, pois durante as aulas, dificilmente era necessário chamar a atenção, demonstrando assim, a maior participação e interação dos alunos durante as aulas.

Sendo assim, estas diferenças significativas nas duas turmas, em questão de interesse e participação, podem estar atribuídas as novidades e recursos utilizados durante as aulas. Com isso, podemos perceber que as aulas diferenciadas trouxeram resultados efetivos nas duas turmas, aproximando-as ainda mais das aulas de ciências.

TECENDO CONSIDERAÇÕES

O empenho dedicado ao estágio e o carinho pelos alunos foi de suma importância para a realização de mais esta etapa. Hoje, mais uma vez, pude perceber o quanto se faz importante a profissão de Professor. Nota-se na atualidade a grande desvalorização desta classe, contudo, creio que em um futuro próximo, a sociedade enxergará, que não existem bons cidadãos e não existem profissionais sem professores.

Esta profissão é caracterizada por uma luta diária e constante. Por isso é a profissão que dá a base de todas as outras. Da base a vida. Ser professor, hoje, não é tarefa fácil. É uma profissão que envolve muito amor, garra e força de vontade. Não é para qualquer um. Tem que ser capaz de enfrentar quase 40 personalidades diferentes, por sala de aula, todos os dias. Ser “meio mãe”, “meio” pai, “meio” psicólogo e também “meio” médico. É abraçar todas as dificuldades. Não só as suas, mas também a de todos os outros. É batalhar, sorrir e chorar junto. É ser referência.

O estágio, junto ao meu trabalho, me proporcionou todas essas experiências. Sou muito grata por isso. Aprendi muito, com as professoras, minhas colegas de disciplina e principalmente com os alunos. Sempre irá haver dificuldades ao longo do percurso, mas a busca por superá-las é maior do que qualquer outra coisa. Espero um dia chegar aonde desejo. Ser quem desejo ser. Ao estágio e a UNESC, sou grata por me proporcionar todo o conhecimento e todas as oportunidades. Dei mais um passo na minha história, na minha carreira e na busca por ser um ser humano melhor. Muito obrigada!

REFERÊNCIAS

ABRANTES, A. A.; MARTINS, L. M. Relações entre conteúdos de ensino E processos de pensamento. 2005.

AGUIAR, T. J. S. A Importância do Estágio de Observação. 2012. Disponível em:<http://www.webartigos.com/artigos/a-importancia-do-estagio-de- observacao/99501/>. Acesso em: 24 mar. 2017.

BOMBONATO, L. G. G. A importância do uso do laboratório nas aulas de ciências. 2011. Disponível em:<Mhttp://repositorio.roca.utfpr.edu.br/jspui/bitstream/1/2617/1/MD_ENSCIE_2011_1_ 07.pdf>. Acesso em: 02 set. 2017.

DAHER, A. F. B. Aluno e professor: protagonistas do processo de aprendizagem. 2017.

FRISON. M. D.;VIANA,J.; CHAVES, J. M.; BERNARDI, F. M. Livro didático como instrumento de apoio Para construção de propostas de ensino de ciências naturais. 2009. Disponível em:<http://posgrad.fae.ufmg.br/posgrad/viienpec/pdfs/425.pdf>. Acesso em: 02 set. 2017.

HAHN, J. C.; MACHADO, E.J. A importância do projeto político pedagógico na educação escolar. 2006.

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LACERDA, L. F.; ALVES L.; educação e ciências: a importância do laboratório escolar. 2008. Disponível em:<http://www.catolicaonline.com.br/semanapedagogia/resumo_posters/Educacao%20 e%20Ciencias%20_1_-Lara%20fabiana.pdf>. Acesso em: 31 ago 2017.

MAYER, K. C. M.; DE PAULA, J. S.; SANTOS, L. M.; ARAÚJO, J. A. Dificuldades encontradas na disciplina de ciências naturais por alunos do ensino fundamental de escola pública da cidade de redenção-pa. 2013. Disponível em:< http://periodicos.ufpb.br/ojs/index.php/rle/article/viewFile/15916/9372>. Acesso em: 30 ago. 2017.

LIMA, M. S. L. A formação contínua dos professores nos caminhos e descaminhos do desenvolvimento profissional. Doutorado em Educação. Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FEUSP), 2001.

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PASCOAL, P. B. B.; NASCIMENTO, P. E. R. Estágio supervisionado: observação da prática docente no 2º ano do ensino fundamental e articulação com a temática meio ambiente. 2013. Disponível em:<http://www.editorarealize.com.br/revistas/eniduepb/trabalhos/Modalidade_6datahor a_25_09_2013_11_47_33_idinscrito_370_99fbe8a48162a901cc8411ac7829607a.pd f>. Acesso em: 22 mar. 2017.

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ANEXOS

 

Fonte: Do autor, 2017. Imagem 1: Alunos do 7º ano durante a aula prática.

 

Fonte: Do autor, 2017. Imagem 2: Atividade prática sobre briófitas.

 

Fonte: Do autor, 2017. Imagem 3: Alunos do 6º ano trabalhando na construção do planetário.

[1] Especialista em Anatomia Funcional, Bacharela em Ciências Biológicas, Licenciada em Ciências Biológicas.

Enviado: Março, 2018.

Aprovado: Fevereiro, 2019.

 

Como publicar Artigo Científico

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