O surgimento e a importância da língua espanhola

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O surgimento e a importância da língua espanhola
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ARTIGO ORIGINAL

BATISTELLA, Marta Aparecida Abraão [1]

BATISTELLA, Marta Aparecida Abraão. O surgimento e a importância da língua espanhola. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 04, Ed. 03, Vol. 06, pp. 106-113. Março de 2019. ISSN: 2448-0959.

RESUMO

O espanhol é uma língua em plena pujança, sabemos que é um idioma falado por mais de 420 milhões de pessoas, é a segunda língua mais dialogada do mundo ocidental, é oficial em mais de 21 países. Este trabalho é uma pesquisa qualitativa, com o intuito de estudar e refletir sobre como o ensino do espanhol está no contexto educacional brasileiro, e mostrar o quanto é necessário o acesso às informações sobre o surgimento e a importância do espanhol na esfera globalizada com intuito de sensibilizar nossos estudantes e despertá-los para que seus interesses no que tange à língua espanhola, não sejam apenas para prestar o vestibular ou o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), mais que estes vejam a dimensão e as oportunidades sociais, culturais e políticas, inclusive no âmbito de trabalho que esse dialeto oferecerá dentro e fora do país, pois o Brasil faz parte dos países integrantes do Mercado Comum do Sul (MERCOSUL), o aprender de uma língua estrangeira faz com que o estudante se prepare para ser um cidadão pró-ativo nessa sociedade, o que é de suma importância para o país.

Palavras-chave: Componentes Curriculares, Estudante, Língua Espanhola, MERCOSUL, Professor.

1. INTRODUÇÃO

Observamos que os estudantes no Brasil, não demonstram muito interesse pela língua espanhola, no ensino fundamental e médio, apenas quando prestam o vestibular ou ENEM acabam optando pela língua espanhola por maior compreensão da linguagem nos textos. Esta falta de interesse pode estar em não possuir informações sobre à preciosidade da língua espanhola num mundo globalizado.

Este estudo, através de pesquisas e observações feitas das políticas atuais, busca mostrar-nos o surgimento da língua espanhola e sua importância, oportunizando reflexões sobre o que possibilita a pouca relevância que observamos na sociedade brasileira no que tange à língua espanhola.

Com a globalização e principalmente a união de alguns países que possuem interesses políticos e sociais, como é o caso dos países integrantes do mercado comum do Sul (MERCOSUL), formado pelos membros: Brasil, Paraguai, Uruguai, Argentina e Venezuela, torna-se necessário um maior interesse pela língua espanhola no Brasil, não apenas pelos estudantes, mas pela sociedade e governantes do nosso país.

A globalização é um dos principais fatores que deveria tornar o idioma espanhol como a segunda língua nas escolas públicas e privadas, observe o que Abreu (2008, p.5) afirma:

A globalização e as origens históricas do processo educacional brasileiro são aspectos relevantes a serem interpretados para situar a função e o objetivo do idioma espanhol, como segunda língua, nas escolas públicas ou privadas. É evidente que o cenário mudou, com relação aos estudos desta língua que, em décadas anteriores, estavam quase extintos no meio educacional. Ainda, segundo os dados do Plano Trienal de Educação, texto oficial do MERCOSUL, foi dado grande relevância à educação como fator de integração regional, à medida que poderia contribuir de forma expressiva para a superação das disparidades regionais, para consolidação da democracia e para o desenvolvimento econômico e social.

Observando as informações acima podemos identificar a importância dessa pesquisa.

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Este artigo tem como alicerces teóricos a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN), Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996 e os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), 2006.

3. METODOLOGIA

A metodologia utilizada na pesquisa é qualitativa, desenvolvida em duas etapas: na primeira estabeleceu-se em explorar as literaturas que tratam do tema da pesquisa, na segunda etapa analisamos as literaturas e os dados observados e submetemo-los a reflexões para escrever o artigo com rigor científico.

A pesquisa qualitativa costuma ser direcionada ao longo de seu desenvolvimento, além disso, não busca enumerar ou medir eventos e, geralmente, não entrega instrumental estatístico para análise dos dados; seu foco de interesse é amplo e parte de uma perspectiva diferenciada da adotada pelos métodos quantitativos. Dela faz parte a obtenção de dados descritivos mediante contato direto e interativo do pesquisador como a situação objeto de estudo (NEVES, 1996, p.1).

4. SURGIMENTO DA LÍNGUA ESPANHOLA

Para compreendermos a importância que a língua espanhola possui no componente curricular de uma escola, temos que observarmos sua origem, O espanhol é chamado de Castelhano, originário do Reino Medieval do Castilho, depois o espanhol se estendeu, durante o reaver de território dos cristãos sobre os muçulmanos na península, que terminou em 1932, segundo Werner (2009 p. 23). A língua espanhola é:

(…) la lengua oficial de 22 países. En Europa: España; En América: Argentina, Uruguay, Paraguay, Chile, Bolivia, Perú, Venezuela, Colombia, México, Ecuador, Guatemala, Honduras, Puerto rico, república Dominicana, El Salvador, Nicaragua, Panamá, Costa rica, Cuba; En Asia: filipinas; En África: Guinea Ecuatorial, ciudades de Celta y Melilla (España). El español también se ha expandido como la segunda lengua comercial del planeta, después del inglés. Es hablado por más de 450 millones de personas en el mundo. Es la segunda más hablada en los Estados Unidos de América. Consecuentemente, el interés por aprenderla y enseñarla viene aumentando. En Brasil, por ejemplo, han contribuido para eso la firma de Tratados como el MERCOSUR y la aprobación de leyes por parte del gobierno que establecen la obligatoriedad del idioma en la escuela básica. La cercanía con los países hispanoamericanos también ha provocado interés y expansión de la lengua en nuestro país. Tal desarrollo es visible y tú debes estar acompañando.

O espanhol atualmente expandiu-se nos cinco continentes, todos os países do MERCOSUL, com exceção do Brasil, possuem a língua oficial Espanhol, desse modo podemos entender sua importância como componente curricular nas escolas Brasileiras.

5. O ESPANHOL E A LEI DE DIRETRIZES E BASES (LDB) E OS PCNS

O presidente Fernando Henrique Cardoso sancionou em 1996 a Lei de diretrizes e Bases (LDB), sendo um documento que norteia a educação Brasileira. Os parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) foram descritos em 2004, para fazer executar o que está prescrito na LDB, a implantação ocorreu pela angústia de refletir acerca do ensino público de nível médio, observamos nos PCNs (BRASIL, 2006, p. 8):

[…] apontar e desenvolver indicativos que pudessem oferecer alternativas didático-pedagógicas para a organização do trabalho pedagógico, a fim de atender às necessidades e às expectativas das escolas e dos professores na estruturação do currículo para o ensino médio.

Os PCNs são embasados na LDB, são orientações gerais incluindo todas as disciplinas do currículo escolar, o PCNs mostram aspectos importantes do ensino da língua Espanhola, ou seja, de um língua estrangeira, sendo que as aulas se tornaram mais interessantes, muito além de uma simples aula de gramática as aulas de língua estrangeira são preciosas, pois abrangem conceitos básicos culturais e linguísticos importantes, O PCNs (BRASIL, 2006 p.91) destacam:

[…] a disciplina Línguas Estrangeiras na escola visa a ensinar um idioma estrangeiro e, ao mesmo tempo, cumprir outros compromissos com os educandos, como, por exemplo, contribuir para a formação de indivíduos como parte de suas preocupações educacionais.

O Ministério da Educação (MEC) demonstrou a possibilidade de implantação de idiomas nas séries iniciais, com a LDB no ano de 1996 estavam revogados todos os decretos e leis do ensino de língua estrangeira, de caráter obrigatório, selecionado pela comunidade, o espanhol passou a se destacar no sistema educacional no Brasil. Abreu Apud Durão (1998, p.5) mostra-nos que:

As associações de Professores de Espanhol no país, antes adormecidas, passam a desenvolver seus trabalhos alicerçados pelo apoio da DATOS Y CIFRAS (1998), atendendo de modo satisfatório à expansão do ensino do idioma espanhol. Como segunda língua, nos programas de Ensino Médio, ampliando-se em nível superior como licenciatura, e por sua entrada em muitos processos de seleção para as Universidades e Faculdades. Seu trabalho consiste em divulgar a língua espanhola de forma correta, promovendo cursos, intercâmbios universitários, inclusive com universidades espanholas. Os professores de espanhol, já cadastrados na associação, passam a fazer parte de um movimento em prol de uma aprendizagem e transmissão de conhecimentos específicos.

Nos Estados Rio de Janeiro, Pará, Rio Grande do Sul e Brasília, a partir de 1989 as leis “obrigaram” a anuência do espanhol nas escolas do Ensino Médio, já no Ensino fundamental a partir de 1996. Reconhecemos que a LDB destaca que a língua estrangeira é um direito de todos os cidadãos, observe:

Será incluida una lengua extranjera moderna, como disciplina obligatoria, elegida por la comunidad escolar, y una segunda, en carácter optativo, dentro de las posibilidades de la institución (LDB, art 36, III, 1996)

Portanto é indispensável que os estudantes sejam sensibilizados para compreender a importância da língua espanhola na sociedade e assim demonstrem maior interesse em âmbito escolar.

6. COMO DESPERTAR MAIS INTERESSE DOS ESTUDANTES PELA DISCIPLINA DE ESPANHOL NAS ESCOLAS PÚBLICAS E PRIVADAS NO ENSINO FUNDAMENTAL E MÉDIO

Acreditamos que quando uma sociedade e seus governantes entendem o surgimento e a importância que a língua espanhola tem num mundo globalizado, os estudantes começam a possuir mais acesso às informações da preciosidade que é este dialeto, e observam que este faz parte de seu cotidiano, está nos rótulos dos alimentos, nas vestimentas, nas músicas, ou seja, é nossa cultura, então aprender se torna mais prazeroso porque está contextualizado, há um certo sentido em compreender o espanhol, ou seja, uma mudança na consciência dos estudantes. Segundo (FREEMAN, 1989, p. 29-30) “Mudança não quer dizer necessariamente fazer algo de maneira diferente, pode significar uma mudança na consciência. Mudança pode ser uma afirmação da prática atual”.

A pressão da globalização leva aos próprios países a desenvolverem uma política de propagação da língua espanhola.

Nos países do MERCOSUL e no mundo o espanhol destaca-se pelas relações sociais, comerciais, políticas e culturais. A adjacência entre o português e o espanhol motiva os estudantes para as primeiras relações com a linguagem do espanhol. Afirma Junger (2005);

Os pontos de contato (léxico e estruturas morfossintáticas) entre o espanhol e português favorecem também uma aproximação mais imediata ao idioma estrangeiro por parte de nossos alunos, permitindo desde muito cedo o acesso a textos retirados de documentos de uso cotidiano de hispano-falantes, com certo grau de complexidade. Isso pode gerar com freqüência uma motivação extra para os aprendizes, que conseguem “fazer coisas” com a língua aprendida ainda em estágios inicias da aprendizagem (JUNGER, 2005, p. 44).

Identificamos que o espanhol significa inclusão e pode preparar estes estudantes para um mercado de trabalho bastante competitivo e torná-los cidadãos proativos nessa sociedade, contribuindo para um processo de ensino aprendizagem mais eficaz.

O professor possui um papel único nesse processo, de sensibilizar diretamente seus estudantes sobre a importância do espanhol, para Kramsch (apud Barcelos 2000, p.26) esta relação entre professores e alunos no ambiente da sala de aula sempre ocorrerá:

There will always be a struggle between the teacher whose charge is to make the students understand and eventually adopt foreign verbal behaviors and mindsets, and the learners who will continue to use transmitted knowledge for their own purpose, who will insist on making their own meanings and finding their own relevancies. This struggle is the educational process per se.

.… sempre haverá uma luta entre o professor cuja incumbência é fazer que os estudantes entendam e, finalmente, adotem o conhecimento novo e o aluno, quem continuará usando esse conhecimento para seus próprios propósitos, insistindo na construção de seus próprios significados à procura da relevância desse conhecimento. Essa luta é o processo educacional per se. (Tradução Espinosa Taset, Idelso)

Teremos assim a grande possibilidade de que a maioria dos estudantes brasileiros adquiram consciência e demonstrem efetivamente no ambiente escolar, a sua dedicação e o respeito desenvolvendo as atividades propostas pelos professores na sala de aula, dessa disciplina preciosa e contextualizada que é o espanhol.

7. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Após observarmos e refletirmos sobre uma grande quantidade de informações do tema destacado nesta pesquisa, entendemos que necessitamos de um empenho maior de todos os integrantes do processo educacional, para que os acessos aos conhecimentos sobre o surgimento e a importância da língua espanhola despertem nos estudantes mais interesse em aprender este idioma, não somente para prestar o vestibular ou o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), mas que seja útil em todo o ensino fundamental, médio, superior e no seu cotidiano. Para que estas transformações ocorram requer tempo, investimentos, mudanças culturais e, principalmente, quebra de paradigmas que trarão amplas modificações no que tange o ensino e aprendizagem da Língua Espanhola no Brasil.

BIBLIOGRAFIA

ABREU, Zilda Helena Lovisi de. A Língua Espanhola, o MERCOSUL e o Brasil. Disponível em: <http://www.ecsbdefesa.com.br/fts/LINGUAESPANHOLA.pdf>, p.5. Acesso em: 07 de março 2019.

BARCELOS, A. M. F. A. Understanding Teachers’ and Students’ Language Learning Beliefs in Experience: A Deweyan Approach. Tese (Doutorado em Ensino de Inglês como Segunda Língua). College of Education, The University of Alabama, Tuscaloosa, 2000.

DURÃO, Adja. La enseñanza de español y portugués en los países miembros del mercosur. Boletim/Centro de Letras e Ciências Humanas, Londrina: UEL, n. 34, janeiro e junho. 1998.

ESPINOSA, Taset, Idelso, As crenças de aprendizagem de línguas de principiantes brasileiros adultos sobre a escrita em um curso de espanhol como língua estrangeira / Idelso Espinosa Taset. Brasília: UnB – Departamento de Línguas Estrangeiras e Tradução, 2006. 169 f.: il.

FREEMAN, D. Teacher training, development, decision making: A modelof teaching and related strategies for language teacher education. TESOL Quarterly, Washington, v. 23, n. 1, p. 27-45, 1989.

JUNGER, C. S. V. Reflexões sobre o ensino de E/LE no Brasil: propostas governamentais, formação docente e práticas em sala de aula. In: Anuario brasileño de estudios hispânicos. XV. Brasilia. 2005.

LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO NACIONAL – LDBEN, Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996.

NEVES, José Luiz. Pesquisa Qualitativa: Característica, Uso e Possibilidades. Caderno de Pesquisa em administração, São Paulo, V.1, Nº3, 2º Seminário 1996. Disponível em http://www.ead.fea.usp.br/cad-pesq/arquivos/C03-art06.pdf. Acesso em 10 de março 2015.

PCNs, Ministério da Educação e Cultura. Parâmetros Curriculares Nacionais, 2006. Disponível online: http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/book_volume_01_internet.pdf. Acesso em 07 de março de 2019.

WERNER, Kelly Cristini Granzotto. Língua Espanhola I. Edição I. Ponta Grossa, Universidade Estadual de Ponta Grossa, 2009.

[1] Pós-graduada em Educação Inclusiva e Neuropsicopedagogia pela FAVENI, Segunda Licenciatura em Pedagogia pela FAEL, Licenciada em Letras – Português e Espanhol pela UFMT, Professora do ensino fundamental na disciplina de Português.

Enviado: Outubro, 2018.

Aprovado: Março, 2019.

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