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O Tapembol como Prática Pedagógica Inovadora da Educação Física Escolar

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O Tapembol como Prática Pedagógica Inovadora da Educação Física Escolar
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Tibúrcio, Valdir José [1]

Celia R. Bernardes C. [2]

Tibúrcio, Valdir José; Celia R. Bernardes C. O Tapembol como Prática Pedagógica Inovadora da Educação Física Escolar. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Edição 08. Ano 02, Vol. 01. pp 134-148, Novembro de 2017. ISSN:2448-0959

RESUMO

A busca por atividades inovadoras na escola vem-se tornando importantes e de grande relevância no contexto escolar, especialmente nas aulas de Educação Física. Com uma proposta sempre de inovar, trazer algo diferente para as atividades curriculares, o Tapembol se incorpora neste contexto por ser uma prática pedagógica que desenvolve a experimentação, a descoberta, o desenvolvimento da criatividade, da imaginação, da atenção, e da inclusão, além de trabalhar os aspectos afetivos, cognitivos, sociais e motores, tão importantes na fase escolar. Esta pesquisa inscreve-se como um trabalho que visa identificar a importância do tapembol como prática pedagógica inovadora nas aulas de Educação Física Escolar. A metodologia utilizada no presente estudo foi através de pesquisas em artigos científicos, livros e sites da Internet. Após os estudos realizados, foi possível perceber que o Tapembol pode ser sim uma prática pedagógica inovadora da Educação Física Escolar, contribuindo para aquisição de novos conhecimentos dos educandos, favorecendo a eles maior autonomia na elaboração de atividades corporais, bem como na capacidade de discutir e modificar regras dos esportes, reunindo elementos de várias manifestações da cultura corporal de movimento, interferindo significativamente no desenvolvimento integral dos educandos para além do fazer, envolvendo as dimensões conceituais, procedimentais e atitudinais.

Palavras-chave: Tapembol, Prática Pedagógica Inovadora, Educação Física Escolar, Escola.

Introdução

De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) a Educação Física (EF) é uma área do conhecimento que introduz e integra o aluno na cultura corporal de movimento, e tem com o objetivo formar um cidadão capaz de produzi-la, reproduzi-la e transformá-la, utilizando dos jogos, dos esportes, das danças, das lutas e das ginásticas em benefício do exercício crítico da cidadania e da melhoria da saúde e qualidade de vida. Os PCNs destacam também sobre a importância da Pluralidade Cultural, onde as regras dos jogos, as adaptações dos esportes, assim como as expressões regionais, ganham sentido maior quando vivenciadas dentro de um contexto significativo, que permita a contextualização dessas práticas pelos alunos no espaço escolar (BRASIL, 1998).

Sabemos que a Educação Física vem sofrendo grandes mudanças desde a década de 1980, com o envolvimento de estudiosos da área propondo alterações no currículo e incentivando a formação continuada para os professores da área, através de cursos de Pós-Graduação, Mestrado e Doutorado.

A Educação Física Escolar está vivendo uma espécie de transição no tocante a sua prática pedagógica. Segundo os autores Fensterseifer e Silva (2001), essa transição está diretamente relacionada com a aproximação dessa área de conhecimento com os propósitos da escola. A educação física escolar está em busca de novos elementos para construir uma prática pedagógica não mais centrada no exercitar-se, mas na aquisição de novos conhecimentos relacionados às manifestações da Cultura Corporal de Movimento.

A busca por novos métodos e recursos de ensino recai sobre o professor, ao lançar mão de ferramentas que permitam que suas aulas sejam mais atraentes, ligadas à realidade do aluno, de forma simples, alegre, descontraída e coletiva.

O Tapembol é um “jogo de todos”, que tem como objetivo possibilitar a inclusão e a participação de todos por permitir que todas as pessoas, independente de privações físicas ou idade, possam participar. É importante que os professores de Educação Física, os pais e sociedade estejam atentos para esse olhar das práticas pedagógicas inovadoras, como meio de desenvolvimento integral dos seres humanos em todos os seus aspectos, ligados a emoção, ao prazer, à afetividade de forma descontraída e alegre, além de proporcionar saúde e bem-estar aos seus praticantes.

Desta forma, esta pesquisa inscreve-se como um trabalho visa apontar as possibilidades de utilização de práticas pedagógicas inovadoras nas aulas de Educação Física Escolar, utilizando- se do jogo Tapembol, como aprimoramento de habilidades corporais importantes para o desenvolvimento emocional, cognitivo, cultural, social e físico dos alunos do Ensino Fundamental. Ela tem um caráter qualitativo, porque visa despertar na Escola, na sociedade, no poder público, e nos profissionais de Educação Física sobre a importância de se colocar em pratica atividades inovadoras nas aulas de Educação física, estimulando a cultura corporal de movimento.

METODOLOGIA

A metodologia utilizada para a realização deste estudo foi a revisão da literatura com base em livros, artigos, teses, monografias, dissertações por meio de consultas em base de dados da internet. As obras são publicadas em idioma português do ano de 2000 a 20017.

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Tapembol

O Tapembol foi criado em 2007, na cidade de Caeté em Minas Gerais, pelo profissional de Educação Física Marco Aurélio Cândido Rocha, o jogo tem como objetivo gerar inclusão social justamente por permitir que todas as pessoas, independente de privações físicas ou idade possam participar. De uma simples brincadeira de “tapa na bola” como forma de expressão dos alunos de uma turma, através do desejo de jogar, de experimentar algo diferente, surgiu um novo jogo que foi sendo construído coletivamente de acordo com a necessidade de se experimentar o inusitado, o lúdico, que “[…] mostra-se como um diálogo necessário com a existência cotidiana, sendo aqui entendida como o próprio mundo de cultura em ação, uma interação entre este universo e seus sujeitos” (DEBORTOLI, 1997, p. 332). Este jogo fundamenta-se, basicamente, em tocar a bola dando tapas objetivando desta maneira até fazer o gol. O regulamento admite-se até dois toques para cada atleta, restringindo em um ou dois com a bola antes que seja arremessada para outro atleta, com este modelo de jogo faz que cada um precise do outro.

O Tapembol é disputado em quadra, com seis jogadores de cada lado, um goleiro, dois na defesa, um central, um apoio direito e um apoio esquerdo, onde se usa a mãos aberta, dando um toque ou dois na bola, de forma alternada e sem segurar, com o objetivo de fazer o gol. O goleiro é o principal protetor da área e possibilita a conexão das jogadas, é praticado com uma bola própria de 53 cm de diâmetro e dois pesos, 130 e 160 gramas para crianças e outra para adolescentes, a quadra de jogo é a mesma utilizada para o futsal e mede 40m de comprimento e 20m de largura (GLATER, 2013).

De acordo com Rocha (2016), a criação do esporte nasceu ao notar a necessidade de colocar em prática um jogo que pudesse explorar a capacidade física das pessoas, sem que elas tivessem que ter habilidades específicas, como é necessário em outros esportes. O jogo, envolve a participação de todos e possibilita o desenvolvimento de capacidades físicas. As regras são fáceis de serem cumpridas e não exige habilidades muito refinadas para sua prática, desenvolvendo assim, as capacidades de reação, equilíbrio, movimento, orientação e ritmo (GLATER, 2013). Este jogo busca interagir e fomentar também a prática esportiva na escola, entrando como mais uma opção nas aulas de educação física, e se tornando um trampolim para atividades que exijam mais técnica, nesse sentido de trazer mais alunos para prática de atividade física. Esta modalidade vem tomando forma e conseguindo ganhar evidência à medida que os profissionais de Educação Física compraram a ideia de praticá-lo (GLATER, 2013; ROCHA, 2016).

O Programa Minas Olímpica em 2014 também contribuiu para divulgação dessa modalidade ao preparar 50 profissionais e 150 estagiários de Educação Física. Esse curso de multiplicadores fez com que o Tapembol atingisse 100 municípios mineiros. Por meio desse acontecimento, o esporte foi ficando cada vez mais conhecido e atualmente está presente também no Rio de Janeiro, Espirito Santo, São Paulo, Mato Grosso, Paraná e Bahia, dentro de universidades e colégios. Portanto, o jogo de Tapembol pode ser incluído como uma atividade pedagógica inovadora nas aulas de Educação Física, por ser uma atividade prazerosa que possibilita o desenvolvimento de diversas habilidades, incluindo os aspectos físicos, cognitivos, afetivos e sociais dos seus praticantes (GLATER, 2013; ROCHA, 2016).

Práticas pedagógicas inovadoras da Educação Física Escolar e as influências da formação profissional

A educação física é uma disciplina onde cada vez mais os professores estão preocupados com a melhoria do processo pedagógico no contexto escolar. Os procedimentos pedagógicos são os mais diversificados e todos complementares, pois a escola atende a sociedade, e atender a sociedade é lidar com diversos contextos socioculturais, além das características físicas e desenvolvimentistas que cada aluno apresenta. “A ideia básica é que o professor, ao introduzir praticas pedagógicas inovadoras na escola, deve ter conhecimentos sobre os procedimentos de ensino e escolher os mais adequados para a realidade de sua escola e de cada turma que trabalha” (SILVA & BRACHT, 2012).

De acordo com Fensterseifer e Silva (2001), a EF escolar vive uma espécie de transição no tocante a sua prática pedagógica, um momento especial de aproximação dessa área com os propósitos da escola. A Educação Física estaria buscando elementos para construir uma pratica pedagógica não mais centrada no exercitar-se, mas na aquisição de novos conhecimentos, envolvendo práticas bem-sucedidas e inovadoras com o foco na problematização, criatividade e inovação. Buscando a complementação dos valores humanos.

Para os autores, vários são os fatores que interferem diretamente na efetivação de práticas que sejam inovadoras e bem-sucedidas no espaço da Educação Física Escolar. Um desses fatores está diretamente relacionada com a pratica conservadora e reducionista vivenciada pela área desde os tempos mais remotos. A adoção de novas práticas pedagógicas requer um equilíbrio com métodos tradicionais, ainda existe certa incapacidade por parte de alguns educadores, para colocar em pratica concepções e modelos inovadores.com isso há um estreitamento de ideias descaracterizando o propósito das práticas inovadoras (Fensterseifer & Silva, 2001).

As aulas de Educação Física escolar realmente objetivam o desenvolvimento pessoal do aluno. Por meio do movimento, são ensinados valores múltiplos que vão desde o desenvolvimento físico, passando pelo caráter lúdico – através dos jogos e brincadeiras, e atingindo até a conscientização de valores morais, como o respeito e o trabalho em grupo. Porém, questões como saúde, bem-estar e outros benefícios na melhora da qualidade de vida que uma prática esportiva traz as crianças e adolescentes são deixados de lado em um primeiro plano quando o assunto é prática de esporte de rendimento na escola.

Outro fator de grande relevância está diretamente relacionado formação continuada, a via mais evidente e a melhor opção, e cursos de pós-graduação o conhecimento continuo tem sido como imprescindíveis elementos que viabiliza a qualificação e a aplicação pedagógica do professor.

A busca pela formação continuada nos modelos tradicionais tem sido o centro de inúmeras críticas: Nóvoa (1999), Nóvoa (1999), Nóvoa (2001), Sacristán (1999), Dallabona e Mendes (2004) entre outros. Estritamente no caso da Educação Física escolar não se tem alcançado   avanços significativos no refere de aproximar sua prática pedagógica das metas da instituição escolar, convém discutir as alternativas no presente analisadas para enfrentar essa situação.

De acordo com Sacristán (1999) e Bracht (2005), o profissional que se propõe a formação continuada não se restringindo somente a graduação, buscando a pós-graduação ou mesmo cursos extensionistas proporciona a formação de um professor crítico-reflexivo, a continuidade de busca do saber que valoriza as dimensões sócio-culturais e não somente a parte técnica da profissão, forma um professor com vivências que são determinantes no educar e ensinar.

Estar incluído em um grupo de estudos é bastante relevante porque vem somar elementos importantes para aplicar a inovação. O uso do tapembol nessas praticas pedagógicas demostra um crescimento na formação que se torna uma opção a mais podendo ser compartilhada constituindo assim em um avanço na pratica pedagógica diária. O importante é que essa participação aborde as questões e as dimensões pessoais e culturais dos professores valorizando criações próprias e autenticas enriquecendo a divulgação dessas práticas (PONTE, 1997).

De acordo com Nóvoa (2001), uma boa opção para melhorar a pratica pedagógica e discutir com os colegas, permanecer atualizado com as novas metodologias de ensino e ampliar praticas pedagógicas mais eficazes são alguns dos pontos principais da profissão de professor para este novo século.

O PAPEL DA ESCOLA DO PROFESSOR E DOS PAIS NO INCENTIVO DE PRÁTICAS PEDAGÓGICAS INOVADORAS

É na escola da vida que se aprende, essa expressão popular nos traz uma reflexão de quanto a escola se faz importante na formação do indivíduo, no Brasil o ensino sofreu diversas transformações em especial a educação física evidenciando o seu papel no contexto social.

Como afirma Ponte (1997), atualmente o papel da escola já não é o de preparar apenas uma pequena elite para estudos superiores e/ou proporcionar à grande massa os requisitos mínimos para uma inserção no mercado de trabalho; ao contrário seu papel passou a ser o de preparar a totalidade dos jovens para se inserirem de modo criativo, crítico e interveniente numa sociedade cada vez mais complexa, em que a capacidade de descortinar oportunidades, a flexibilidade de raciocínio, a adaptação a novas situações, a persistência e a capacidade de interagir e cooperar são qualidades fundamentais.

O professor que faz parte dessa realidade se mostra como um condutor do saber, não e mais o dono do saber, estando em constante processo de construção se apropriando de ferramentas que lhe permita o discernimento de educar os alunos e conduzi-los no aprendizado na fase escolar. E também buscando relacionar a ação pedagógica com à sua formação profissional.

Diante dessa busca na sua formação o professor encontrar-se diante de dois tipos de formação aquela tradicional, voltada para e à especialização da prática esportiva em desvantagem de outras práticas educativas, onde-se valoriza a competição e a performance, e outra mais científica, a qual prioriza a teoria e o conhecimento científico derivado das ciências-mães.

Na formação tradicional parece não haver dúvidas quanto à prática pedagógica dos professores, pois ambos se assemelham quanto aos valores.  A atividade do professor é bastante parecida ao papel do treinador. Ele escolhe e propõe os conteúdos, a metodologia e a avaliação, ele é disciplinante, ou seja, ele é “um treinador que vigia, dirige, aconselha, corrige” (Château; apud Silva, 1988, p. 56). O Professor procura manter um relacionamento comum com os alunos, com essa postura ele garante a sua autoridade.

A especialização científica, que é um objetivo mais aprofundado, e procura detectar falhas na formação tradicional, e nos mostra que resultados da pratica não foram muito bons, pois, de acordo com Darido (1996, p. 56): “os conhecimentos derivados das ciências-mães não chegaram a influenciar definitivamente a prática” ou seja, os conhecimentos adquiridos, por exemplo, em disciplinas (ou subáreas) como Fisiologia do Exercício, Aprendizagem Motora ou Sociologia não são utilizados pelos professores em suas aulas, ficando sua prática pedagógica atrelada ainda aos esportes tradicionais, ao gesto técnico ou à postura acrítica.

Na opinião de Bolan (2017), o papel dos pais é primordial na educação dos filhos, são eles os primeiros educadores, desde o começo estão incumbidos do sustento material, cultural e espiritual das crianças este é um atributo dos pais, sendo assim não pode ser delegado a terceiro ou substituído pelo Estado. Todas as vezes em que regimes intitulados totalitários tentaram neutralizar este papel dos pais, tais tentativas não deram certas; isto porque somente os pais e que devem cuidar da formação ética e moral dos filhos prepará-los para a vida.

A escola, os professores e pais formam a base fundamental de colaboração e compartilhamento, para a formação, desenvolvendo ações sinérgicas que sejam verdadeiramente capazes de melhorar o rendimento dos alunos

Tapembol como inclusão e desenvolvimento de habilidades físicas, cognitivas, sociais e motoras

Muito se tem discutido sobre a inclusão através da mídia, redes sociais o tema é fortemente debatido visto que a sociedade vem evoluindo de maneira positiva no sentido de perceber as várias deficiências como sendo naturais, em especial a educação física se mostra com avanços por ser uma atividade de movimento e expressão corporal, por motivos banais jovens ainda com formação de caráter, se excluem por vários motivos, timidez, obesidade e sexo (AZEVEDO, 2012).

No estudo realizado por Goodwin e Watkinson (2000), a exclusão era vivenciada pelos alunos com deficiência durante experiências de isolamento social, quando se sentiam diferentes devido à deficiência, ou tinham participação limitada nas atividades.

Os alunos nesses casos se veem a margem das atividades de educação física, o processo de resgate desses alunos para que participem das aulas necessita de algo que desperte à vontade curiosidade, novas práticas que chame a atenção desses alunos, o nome tapembol já e um chamativo o qual o aluno vai querer saber o que é a atividade, cativante que servirá de trampolim para outras conquistas. Tem-se que, diante da deficiência do aluno torna-se necessário criar possibilidades para que este venha vivenciar de maneira plena a proposta do professor.

Para se sentir incluído é fundamental a construção de relações sociais positivas, com características de suporte às necessidades deste aluno (Goodwin & Watkinson, 2000). Esta necessidade reforça a relação defendida por Stainback e Stainback (1990), que a inclusão se estrutura a partir de um senso de pertencimento, aceitação e importância dentro do seu grupo social. De acordo com os autores citados, o aluno necessita sentir pertencente do grupo independentemente de suas deficiências, sejam elas, socais ou motoras.

Essa nova modalidade esportiva vem com uma proposta especial para esse aluno que precisa se sentir pertencente do grupo, as meninas que em muitos casos na educação física só tem a opção de jogar queimada ou ficar de fora, excluídas, o tapembol não tem jogadas bruscas, como o futsal, futebol então abre-se essa nova possibilidade para as meninas.

Quando o professor percebe essas dificuldades do aluno e consegue através de adaptações obter sua participação há um ganho extremamente positivo para ambos os lados em consequência disso vê-se a importância das práticas pedagógicas inovadoras, neste contexto através de um olhar de inovação, o professor que educa age de forma multiplicadora. Várias atividades vêm sendo proposta para esse aluno o tapembol entra nesse contexto quando o aluno não tem agilidade tem dificuldade de socializar e ideal para ambos os sexos por não ser violento e ao mesmo tempo competitivo e lúdico, não é fácil trabalhar com esses indivíduos especiais, porém quando se tem novas perspectivas que venham formar novas possibilidades de agregar valores imprescindíveis para eles.

O profissional de qualquer atividade tem um ganho especial que não tem preço o conhecimento, a vivência, o aprimoramento do cognitivo e o estreitamento das relações sociais que são vividas por seres especiais, e as levaram por toda a sua vida.

O CUIDAR E o brincar NA FORMAÇÃO DO EDUCANDO e no incentivo de práticas pedagógicas inovadoras

O educando busca no brincar formas de transformação que se expressão na alegria descontração, em um mundo imaginário o qual contribui no desenvolvimento e aprendizagem facilitando a construção da reflexão e criatividade na educação infantil, práticas inovadoras experimentadas no brincar geram mudanças nas crianças como sabemos aquela prática do brincar vem sendo extinguida, devemos ficar atentos e não deixar que o brincar desapareça.

Para isso temos que elaborar a organização de tempo e espaços para a brincadeira, pois se não o fizermos a criança não o fará sozinha, temos que colocar a brincadeira na rotina das crianças na escola (no planejamento), organizar o ambiente para que a brincadeira aconteça, brincadeira é o processo de educação da criança e temos que reconhecer o brincar em toda a sua possibilidade e o seu potencial educativo. É necessário que os educadores infantis realizem um vasto trabalho para informar à sociedade que o “brincar” não é uma perda de tempo, mas um processo pelo qual a criança deve passar (MOURA & AMORIM, 2013).

Cuidar de uma criança em um contexto educativo e pessoal, demanda a integração de vários campos de conhecimentos, como também o envolvimento dos pais, da sociedade e da família para que realmente o desenvolvimento aconteça de forma global.

O Referencial Curricular Nacional Para a Educação Infantil, nos mostra que a base do cuidado humano é compreender como ajudar o outro a se desenvolver como ser humano. Cuidar significa valorizar e ajudar a desenvolver capacidades. Para que ocorra o desenvolvimento integral é necessário preocupar com os cuidados relacionais, que envolvem as dimensões afetiva, sociais, cognitiva e motora e dos cuidados com os aspectos biológicos do corpo, como a qualidade da alimentação e dos cuidados com a saúde (BRASIL, 1998b).

Para cuidar é preciso antes de tudo estar comprometido com o outro, com sua singularidade, ser solidário com suas necessidades, confiando em suas capacidades. O brinquedo e a brincadeira são práticas que possibilitam desenvolver todas essas valências. O cuidado precisa considerar as necessidades das crianças, que quando observadas, ouvidas e respeitadas, podem dar pistas importantes sobre a qualidade do que estão recebendo, os pais exercem um grande papel nesse sentido. Lyra (2003), afirma que os pais desempenham um papel fundamental na educação formal e informal das crianças, onde são absorvidos os valores éticos e humanitários, podendo afirmar, que a família será a influência mais saudável para o desenvolvimento da personalidade e do caráter das pessoas23.

Acrescenta-se que cada vez é mais difícil educar filhos hoje em dia, é algo mais complexo do que no tempo dos nossos avós e pais: Vários fatores contribuíram para que isso acontecesse. No início da década de 90 até os dias atuais o mundo mudou radicalmente, e todos nós, crianças, adolescentes e adultos, acabam vivendo as consequências dessas mudanças, envolvendo também os brinquedos e brincadeira (LYRA, 2013).

O consumo, o isolamento e a falta de espaços, entre outras coisas, têm mostrado que o brincar vem sofrendo transformações e em alguns lugares até desaparecendo. A sociedade moderna, caracteriza-se por uma série de transformações; a diversidade cultural cede espaço ao processo de globalização, a colaboração vem sendo substituída pela competição e pelo individualismo, o espaço público destinado ao lazer vem desaparecendo, há um incentivo cada vez maior ao consumo, as atividades grupais vêm sendo substituídas, muitas vezes, pelo isolamento e as brincadeiras tradicionais deixam de ser praticadas devido à expansão das novas tecnologias (LYRA, 2013).

Com essas mudanças a família acaba sofrendo as consequências e perdendo valores importantes, inclusive nos momentos que envolvem o brincar, devido à falta de tempo e conhecimento dos pais sobre os benefícios que a brincadeira traz para o desenvolvimento infantil (LYRA, 2013).

Nas brincadeiras, as crianças desenvolvem capacidades importantes e fundamentais para o desenvolvimento da autonomia e identidade, além de amadurecer algumas capacidades, tais como a memorização, a imaginação, a atenção e a socialização (LYRA, 2013).

O professor, como principal responsável pela organização das situações de aprendizagem, deve saber o valor da brincadeira para o desenvolvimento do aluno. Cabe a ele oferecer um espaço que mescle brincadeira com as aulas cotidianas, um ambiente favorável à aprendizagem escolar e que proporcione alegria, prazer, movimento e solidariedade no ato de brincar (LYRA, 2013).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Considerando os estudos realizados, as práticas pedagógicas inovadoras preenchem de forma relevante anseios de profissionais da educação física, o professor que tem essa visão se torna um potencializador que contribui para o crescimento dessas práticas, temas relevantes como inclusão e inovação exigem posturas diferenciadas, introduzir algo novo como o tapembol é gratificante por tratar-se de um esporte que preenche de forma gradual os três eixos de formação do indivíduo, sendo o cognitivo, social e motor.

Contribuindo com essas exigências, através do lúdico trabalha-se o cuidar e o brincar se valendo das dimensões conceituais, procedimentais e atitudinais  propiciando um avanço no processo ensino-aprendizagem melhorando a relação  professor-aluno que primam por dimensões como o afeto, da aprendizagem e não da obrigatoriedade sem significado para o estudante para tanto urge pensar em uma perspectiva diferenciada de formação de professores que vislumbre outros níveis de relação entre histórias de vidas.

O conhecimento acadêmico, a produção de saber é sentimento em função do trabalho e a profissão, contudo estes círculos não podem ser fechados, pois a articulação e a discursão das produções dos grupos com a comunidade de pais e professores ficam ampliadas através do diálogo que é fundamental para evitar a endogenia que em muitos casos e inibidora da criatividade e autocritica.

Por fim, no decorrer dos estudos realizados, ficou evidente que o jogo de Tapembol como prática pedagógica, pode sim ser apresentado como uma prática pedagógica de inovação nas aulas de Educação Física, pois ele enriquece e diversifica o currículo escolar, possibilitando aos estudantes a construção de novas regras e adaptação de esportes, assim como a valorização das expressões regionais e culturais, dando sentido e significado aos alunos no contexto escolar.

REFERÊNCIAS

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[1] Graduando do Curso de Educação Física da Faculdade Patos de Minas – Patos de Minas/MG

[2] Docente da Faculdade Patos de Minas – Patos de Minas/MG 

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