A Pedagogia Empreendedora na Educação Básica Brasileira

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AMORIM, Djanine Almeida [1]

AMORIM, Djanine Almeida. A Pedagogia Empreendedora Na Educação Básica Brasileira. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 03, Ed. 03, Vol. 03, pp. 14-45, Março de 2018. ISSN: 2448-0959

RESUMO

A implantação do empreendedorismo, na Educação Básica brasileira, é recente e desafiadora, pois contribui para a formação de indivíduos capazes de transformar o meio em que vivem, em prol do bem comum. A escola tem um papel fundamental nessa formação, pois é a partir dela, que o ensino empreendedor pode despertar a criatividade e a vontade de crescimento no indivíduo, capaz de utilizar-se do meio e de suas características para o desenvolvimento social e econômico de todos. Incentivando-o a criar estratégias básicas e fundamentais, para colocar em prática suas ideias e inovações, gerando empregos, renda e condições melhores de vida, para todos os envolvidos. É essa necessidade em mudar, que favorece o processo de movimentação perante a situação acima descrita, nos levando a agir de imediato, transformando-a a nosso favor, tornando o sonho uma realidade e uma oportunidade inovadora, que nos faz empreendedores, capazes de aproveitar e utilizar as mudanças, como base para a concretização do nosso real empreendimento. Nesse contexto, a Educação Empreendedora, serve como ferramenta, para despertar e motivar a construção dessas ideias inovadoras, auxiliando na formação de cidadãos críticos, autônomos, transformadores e empreendedores, que busquem o crescimento coletivo, através de suas ações integradas e comunitárias, frente a um mercado desleal e competitivo. De fato, essas ações coletivas, facilitam não só a vida em sociedade, mas também contribuem para torná-la mais justa e igualitária. Pois, assim como Freire (1996) acreditava num ensino autônomo, significativo e transformador para a vida em sociedade, Dolabela (2003), afirma que é possível despertar no indivíduo o interesse, a capacidade de criar e inovar, visando o bem comum, através da Pedagogia Empreendedora e da sustentabilidade, inserindo-as na educação atual. Para tanto, há, a necessidade de mudanças de paradigmas e de reestruturação no sistema de ensino do país, que ainda hoje, é voltado à formação para o mercado de trabalho tradicional, nem sempre favorecedor da autonomia e da criatividade. Tanto o aluno, quanto o professor, possui um importante papel social. Cabe ao docente, criar meios e alternativas para desenvolver e ampliar as habilidades e competências do educando, enquanto este, precisa estar atento às mudanças e à busca de novas oportunidades. De modo, a tornarem-se empreendedores visionários atuantes, praticantes de suas ideias e inovações, e facilitadores da vida em sociedade.

Palavras-Chave: Empreendedorismo, Educação Empreendedora, Pedagogia Empreendedora.

INTRODUÇÃO

O presente estudo tem, como foco principal, discutir e analisar a relação entre o empreendedorismo e a educação, compreendendo como se dá essa articulação, sua fundamentação, práticas, críticas, e métodos utilizados para incluir o empreendedorismo na Educação Básica brasileira, ou seja, da Educação Infantil ao Ensino Médio. Buscando ampliar e possibilitar discussões em torno do tema, assim como dos conceitos, avanços e retrocessos que o permeiam. Tal problemática em torno da Educação Empreendedora, representa não só seus aspectos metodológicos, mas também, as suas concepções éticas, culturais e socioeconômicas. Como tudo o que é novo na educação, o empreendedorismo nas escolas também gera uma problematização. Há quem diga que ser empreendedor trata-se de uma qualidade própria de cada pessoa, e que, como tal, não pode ser aprendida. Há também, aqueles que defendem a ideia de que, tais qualidades podem e devem ser aprendidas e aprimoradas com o ensino empreendedor. Na verdade, o empreendedorismo é um pouco de tudo isso, pois para acontecer depende tanto de incentivo como de força de vontade e criatividade (PORTAL EDUCACIONAL, 2013, s.p.).

Atualmente, o empreendedorismo, vem ganhando, cada vez mais espaço e importância na Educação Básica brasileira, interferindo não só, na organização e na prática do trabalho pedagógico com os alunos, como também, na formação e especialização profissional do professor (DOLABELA, 2003, s.p.).

O termo “empreendedorismo” e sua relação com a educação brasileira, ocorre num momento, em que autores como Dolabela (2003), criador da Pedagogia Empreendedora, Veiga (2006), Dornelas (2014), Lopes (2010), dentre outros, discutem sua implementação nas escolas públicas e privadas no Brasil, pois veem na formação escolar, um meio significativo de desenvolver, nas futuras gerações do país, conceitos básicos de cidadania, igualdade e desenvolvimento socioeconômico, viabilizando a construção de um mundo melhor para todos.

Nesse contexto, a pesquisa pretende mostrar, como tem sido a inclusão do empreendedorismo na Educação Básica brasileira, assim como, sua importância na formação e atuação de novos empreendedores, seja enquanto disciplina específica ou multidisciplinar. Debatendo também, questões relacionadas com a implementação do ensino empreendedor, os avanços, benefícios, retrocessos e as dificuldades, trazidas por essa iniciativa a nível social, político e econômico, tanto no Brasil, como no mundo. A educação tem um papel fundamental nesse processo, pois é criando novas práticas e descobrindo novos caminhos, que o professor facilita seu trabalho, enquanto formador de cidadãos críticos e atuantes, contribuindo para a formação de uma sociedade democrática, justa e que valorize o ser humano individual e coletivamente. Cabendo assim, ao educador, desenvolvê-la de forma integrada e efetiva, sanando as desigualdades sociais.  Já que, ser empreendedor, implica em modificar o meio em que vive de maneira criativa e responsável, pensando no crescimento coletivo, na sustentabilidade e em uma melhor qualidade de vida para todos, (PORTAL EDUCACIONAL, 2013, s.p.).

Assim, foi realizada uma pesquisa bibliográfica, onde, o campo de coleta dos dados, se deu na própria bibliografia, de autores anteriormente citados. Dentre outros que tratam do tema nela investigado.

No primeiro capítulo, serão apresentados, os históricos e conceitos do empreendedorismo no Brasil, assim como sua relação, com a educação brasileira e sua inserção na mesma.

Já no segundo capítulo, veremos sobre a criação da Cultura Empreendedora na sociedade, e de como se desenvolve, o ensino do empreendedorismo nas escolas, com a implementação da Pedagogia Empreendedora, servindo de suporte às metodologias e práticas de ensino.

Para finalizar, o terceiro capítulo, discutirá o empreendedorismo na Educação Básica, as teorias, metodologias e práticas utilizadas para a implementação da Educação Empreendedora, da Educação Infantil até a Universidade. Destacando os avanços e desafios enfrentados por alunos, escola e comunidade, diante dos problemas sociais, políticos e econômicos, que dificultam o desenvolvimento do nosso país.

1. EMPREENDEDORISMO

Diante das transformações, em que o mundo atual tem passado, com a criação de invenções, que revolucionaram o estilo de vida da sociedade a partir do século XX, pessoas criativas e visionárias tem um fundamental destaque, pois questionam, arriscam e fazem acontecer. São os chamados empreendedores.

Para Dornelas (2014), “o empreendedor é aquele que faz as coisas acontecerem, se antecipa aos fatos e tem uma visão futura da organização” (s.p.), ao ponto de, modificarem o estilo de vida da população, inovando, criando ou recriando coisas e comportamentos.

Segundo o autor, acredita-se “[…] que o empreendedorismo irá, cada vez mais, mudar a forma de se fazer negócios no mundo” (DORNELAS, 2014, p. 9). Já que, hoje, existe uma grande necessidade, de se obter conhecimentos, voltados à economia e meios de produção e serviços, ainda mais sofisticados e revolucionários.

De outro ponto de vista, mas que também complementa os apontamentos acima citados, Dolabela (2003) afirma que o conhecimento empreendedor, envolve relações multiformes com a realidade, não se limitando a conteúdos científicos ou técnicos, enfatizando que:

Empreender é um processo essencialmente humano, com toda a carga que isso representa: ações dominadas por emoção. Desejos, sonhos, valores; ousadia de enfrentar as incertezas e de construir a partir da ambiguidade e no indefinido; consciência da inevitabilidade do erro em caminhos não percorridos; rebeldia e inconformismo; crença na capacidade de mudar o mundo; indignação diante de iniquidades sociais. Empreender é, principalmente, um processo de construção do futuro (p. 29-30).

Por esses e outros motivos, o momento atual em que vivemos, pode ser chamado, segundo Dornelas (2014), de a era do empreendedorismo. Em que empreendedores renovam e globalizam conceitos socioeconômicos, eliminam barreiras comerciais e culturais, encurtam distâncias antes empíricas no passado, quebram paradigmas, criam novas relações de trabalho e geram riquezas, em prol de uma sociedade mais humana e igualitária.

Buscando elucidar essa visão, veremos a seguir, os significados atribuídos ao termo empreendedorismo, assim como, suas peculiaridades e características, adquiridas ao longo do tempo.

1.1 HISTÓRICOS

A princípio, cabe aqui, nos remetermos brevemente, ao histórico da palavra empreendedorismo, não como um estudo aprofundado, mas como uma significação do termo apresentado, sendo assim: “a palavra empreendedor (hentrepreneur) aparece inicialmente na França, significa aquele que assume riscos e começa algo novo” (DORNELAS 2014, p.19). Os primeiros indícios do termo em questão, ocorreram no século XVII, quando um importante escritor e economista chamado Richard Cantillon, citado por Dornelas (2014), pôde ser considerado um dos criadores do termo empreendedorismo, pois o mesmo soube diferenciar um empreendedor (aquele que assumia riscos) de um capitalista (aquele que fornecia o capital). Porém, essa diferenciação, só ocorreu efetivamente no século XVIII, com a revolução industrial e a consolidação do capitalismo. Já no final do século XIX, e início do século XX, era comum confundir empreendedores com administradores, e isso ocorre ainda hoje. Mas, como explica Dornelas (2014),

[…] Todo empreendedor necessariamente deve ser um bom administrador para obter o sucesso, no entanto, nem todo bom administrador é um empreendedor. O empreendedor tem algo mais, algumas características e atitudes que o diferenciam do administrador tradicional (p. 20).

O que significa que, para ser um bom administrador, também é necessário saber empreender, ou seja, estar à frente das mudanças e transformações que o mundo dos negócios exige atualmente.

No Brasil, o empreendedorismo, só começou a ganhar forças, com a globalização econômica, na década de 1990, quando o governo iniciou uma série de reformas e medidas, que controlaram a inflação e ajustaram a economia, dando ao país, mais estabilidade e respeito, diante do resto do mundo.

Dessa forma, torna-se necessário nesse estudo, tratarmos sobre, os conceitos que circundam o empreendedorismo, relacionando-o diretamente, com o ato de empreender e transformar o meio social, político e econômico, como veremos a seguir.

1.2 CONCEITOS

O conceito de empreendedorismo está relacionado ao ato de empreender, pois são diversos e variados, os conceitos utilizados para definir o que é o empreendedorismo, mundo a fora. Nos últimos anos, o conceito de empreendedorismo no Brasil, tem sido muito difundido, intensificando-se no final da década de 1990. Segundo Dolabela (1999), “empreendedorismo é um neologismo derivado da livre tradução da palavra entrepreneurship e utilizado para designar os estudos relativos ao empreendedor, suas origens, seu sistema de atividades, seu universo de atuação” (p. 43).

Já, para Dornelas (2014), existem vários fatores, que talvez justifiquem tanto interesse pelo assunto, pois em outros países, como nos Estados Unidos, o empreendedorismo não se trata de algo novo ou desconhecido.

Para o autor, a preocupação com a criação de pequenas empresas, e a diminuição do fechamento desses empreendimentos, são alguns dos motivos, que tornaram conhecido o termo empreendedorismo. O mesmo, o define ainda, como sendo “[…] o envolvimento de pessoas e processos que, em conjunto, levam à transformação de ideias em oportunidades” (p.28). Além disso, ele explica que, a focalização cada vez maior, da maioria dos países no empreendedorismo, se da com: a análise da junção do rápido crescimento econômico, do intenso dinamismo empresarial, dos baixos índices de desemprego e das baixas taxas de inflação, ocorridos nos Estados Unidos na década de 1990. Que aparentemente, levaram a conclusão de que, “o empreendedorismo é o combustível para o crescimento econômico, criando emprego e prosperidade” (DORNELAS, 2014, p. 13). Sendo este, o desafio atual dos americanos, que precisam vencer a forte crise econômica, em que o país se encontra desde 2007, com a decadência do mercado imobiliário e a inadimplência de crédito nos bancos. Pois, especialistas e economistas americanos, afirmam que a saída da crise, continua sendo, o estímulo ao desenvolvimento do empreendedorismo em todos os níveis.

Foram esses, dentre outros fatores, que levaram um grupo de pesquisadores a organizar, em 1997, o projeto Global Entrepreneuriship Monitor (GEM[2]) que, segundo Dornelas (2010), é considerado o projeto empreendedor mais ambicioso e de maior impacto até o momento, referente ao acompanhamento do empreendedorismo no mundo. Trata-se, de uma iniciativa pioneira, que traz a cada ano, novas informações sobre o empreendedorismo mundial e local para os países participantes. Segundo dados levantados pelo projeto, o número de países participantes no GEM, aumentou de 10 em 1999, para mais de 30 em 2000 chegando a 69 em 2012, representando mais de 87% do PIB (Produto Interno Bruto) mundial (DORNELAS, 2014).

O índice de criação de novos negócios, denominado Atividade Empreendedora Total (TEA), é referente a uma das medidas efetuadas pelo estudo do GEM. Dornelas (2014) considera que, de acordo com o percentual da população adulta dos países, de 18 a 64 anos, envolvida na criação de novos negócios, com os dados apresentados no GEM, o Brasil apresentou um aumento importante de 15,4% em 2012, equivalente a 18,5 milhões de empreendedores brasileiros naquele ano. Em comparação com Gana, o primeiro colocado no ranking desse estudo, com quase 45% da população adulta, motivada por uma economia baseada, na extração e comercialização de recursos naturais, podemos inferir que o Brasil, está em uma condição favorável, entre 15 e 20% da população adulta, motivada a empreender e criar o seu próprio negócio, já que, pudemos observar, pelos números apresentados, que em alguns países como Japão e Itália, tal população não chega a 5%. Portanto, com base em todas essas colocações, é possível observar que o Brasil, tem uma boa posição em relação ao empreendedorismo mundial, apresentando um grande potencial empreendedor, que pode ser aproveitado para o desenvolvimento da nação e investido em uma Educação Empreendedora, como uma possível estratégia, para ampliar a capacidade de empreender, que é tão importante e necessária a um país como o nosso.

Mas afinal, qual é a melhor definição para empreendedorismo? Já que, para o termo empreendedor, existem muitas definições, Dornelas (2014) afirma que quando relacionado com a criação de um novo negócio, o empreendedorismo pode ser definido como: “o envolvimento de pessoas e processos que, em conjunto, levam à transformação de ideias em oportunidades. A perfeita implementação dessas oportunidades, leva à criação de negócios de sucesso” (p. 28).

O mesmo autor explica ainda que:

Em qualquer definição de empreendedorismo, encontram-se, pelo menos, os seguintes aspectos referentes ao empreendedor:

Tem iniciativa para criar um novo negócio e paixão pelo que faz.

Utiliza os recursos disponíveis de forma criativa, transformando o ambiente social e econômico no qual vive.

Aceita assumir os riscos calculados e a possibilidade de fracassar (Dornelas, 2014, p. 29).

Sendo assim, ser empreendedor, depende da força de vontade e iniciativa de colocar uma ideia inovadora em prática, buscando nela, a garantia de sucesso para si mesmo e para o próximo, já que vivemos numa sociedade, que luta incessantemente, pela garantia de uma melhor qualidade de vida, para a nossa e para as próximas gerações.

A diante, discutiremos sobre o empreendedorismo no Brasil, seu panorama histórico e cultural em meio a tantas dificuldades de sobrevivência e desenvolvimento.

1.3 O EMPREENDEDORISMO NO BRASIL

O movimento do empreendedorismo no Brasil pode ser notado na década de 1990, quando instituições como o SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) e Softex (Sociedade Brasileira para Exportação de Software) foram criadas. Anteriormente a isso, o ambiente econômico e político brasileiro, não era nada propício à atividade empreendedora, pois nem se falava em criação de novas empresas e empreendedorismo. Junto ao SEBRAE, o pequeno empresário, busca todo o suporte necessário, para iniciar sua empresa e gerenciá-la com maiores chances de sucesso. Já o histórico da Softex, confunde-se com a difusão do empreendedorismo no Brasil na mesma década, pois a mesma foi criada com a intenção, de levar as empresas brasileiras de software para o exterior, por meio de diversas ações que proporcionaram aos empresários de informática, uma melhor capacitação em gestão e tecnologia da informação. Através disso, o termo empreendedorismo, despertou na sociedade brasileira e em seu mercado de negócios.

Segundo Dornelas (2014), passados mais de 20 anos, podemos dizer que o Brasil tem hoje, total potencial, para desenvolver um dos maiores programas de ensino de empreendedorismo de todo o mundo, já que ações históricas e algumas mais recentemente desenvolvidas apontam para essa direção, podendo o país ser comparado apenas com os Estados Unidos, onde mais de mil e quinhentas escolas ensinam o empreendedorismo.

Para exemplificar tais ações, Dornelas (2014), cita alguns acontecimentos referentes ao empreendedorismo no Brasil, dentre eles, a criação por parte do governo, de órgãos e instituições, tais como o Programa Brasil Empreendedor (Governo Federal), Jovem Empreendedor (SEBRAE), a consolidação de programas de apoio financeiro à criação de novos negócios (BNDES), entre outros, que atualmente, incentivam o país a desenvolver um dos maiores programas de ensino de empreendedorismo de todo o mundo, comparável apenas aos dos Estados Unidos, onde mais de duas mil escolas ensinam o empreendedorismo.

Em síntese fica perceptível que, nos últimos anos, algumas iniciativas empreendedoras servem como base para a nova fase do empreendedorismo no país que possivelmente nessa década, será representada por eventos importantes como a copa do mundo em 2014 e as olimpíadas em 2016, os quais já estimulam novas oportunidades de negócios e desenvolvimento no Brasil.

Uma vez, que o índice de desemprego ainda é grande, e que o paradigma cultural, de que empreendedores de sucesso, que constroem o país e geram riquezas, são vistos apenas como pessoas de sorte, dificilmente admiradas e reconhecidas, o que falta, é a permanência das políticas públicas já implementadas. No entanto, o pontapé inicial já foi dado, restando agora mantê-lo e repassá-lo às gerações futuras, para que o desenvolvam e o coloquem em prática efetivamente. Nesse sentido, as práticas educativas são imprescindíveis, como veremos no próximo tópico.

1.4 A RELAÇÃO ENTRE EMPREENDEDORISMO E EDUCAÇÃO

A era da Internet, das startups[3] e das redes sociais, também chamada por Dolabela (2014, p.10), de nova economia, mostra recentemente, que ideias inovadoras, um bom planejamento e principalmente uma equipe competente e motivada são habilidades essenciais de um bom empreendedor. Há alguns anos atrás, acreditava-se, que o empreendedorismo era inato, que o empreendedor já nascia fadado ao sucesso. Atualmente, principalmente por causa das contribuições de autores como Dolabela, acredita-se que o ato de empreender, pode ser ensinado e compreendido por qualquer pessoa, desde que a mesma, compreenda que o sucesso, é decorrente de uma série de fatores internos e externos ao negócio, e de como ela o administra.

A capacitação do público empreendedor, que já é tida como prioridade em muitos países, vem ganhando importância inclusive no Brasil, onde é crescente a preocupação das escolas e universidades, com a criação de cursos e matérias específicas de empreendedorismo.

Segundo Lopes (2010), um estudo realizado na Inglaterra pela EU (Green Paperon Entrepreneurship, 2003), revelou que as pessoas que tiveram a oportunidade de serem expostas ao empreendedorismo, por meio da escola, família ou amigos, mostravam-se mais dispostas a iniciarem um negócio próprio, documentando que o sistema educacional pode sim, promover o empreendedorismo, desenvolvendo as habilidades necessárias para o mesmo. Ainda segundo Lopes (2010) em 2007 nos países europeus, onde alunos de 14 a 18 anos, sob a supervisão de professores e conselheiros, desenvolveram uma empresa durante algumas semanas, mais tarde o mesmo programa abrangeu as universidades, onde a média de idade era de 24 anos e a maioria dos ex-alunos já havia terminado o bacharelado ou estavam em nível de mestrado. Tais estudos mostraram também, que o nível de atividade empreendedora, é mais do que o dobro da população geral europeia, que boa parte dos que haviam iniciado seu próprio negócio ainda os mantinham ativos, e que a outra parte já planejava iniciá-lo também.

Contudo, os especialistas europeus, reconhecem e concordam que a escola, pode incentivar e desenvolver as habilidades empreendedoras, de modo a indicarem sua inclusão no currículo desde muito cedo, do ensino fundamental ao nível superior.

Segundo Dornelas (2014), isso não garante que mitos como, Bill Gates e Sílvio Santos, serão gerados nesse processo, mas sem dúvida, a Educação Empreendedora, ajudará na formação de melhores empresas, empresários e cidadãos, gerando riquezas e melhores condições de vida para sociedade. “Os empreendedores inatos continuam existindo e sendo referências de sucesso, mas muitos outros podem ser capacitados para a criação de empresas duradouras” (p. 29).

A partir daí, o foco da Educação Empreendedora, envolve as possibilidades de como ensinar alguém a ser um bom empreendedor, qual o conteúdo, metodologia e técnicas mais adequadas para este ensino, que serão expostos no capítulo a seguir, conceituando a origem da cultura empreendedora e sua importância para a formação dos empreendedores de sucesso.

2. EDUCAÇÃO EMPREENDEDORA

A economia atual apresenta um cenário, estimulado pela desregulamentação política e pela liberação do mercado, gerando uma intensa competitividade nos mais variados setores de negócios, a nível nacional e global (FOWLER, 2010). Tais fatos tornam necessário, um desenvolvimento profissional, capaz de identificar oportunidades e gerar novos conhecimentos, que estejam além das habilidades técnicas habituais e que acompanhe as grandes inovações tecnológicas que marcam o século XXI.

Nesse contexto, é notória a insatisfação por parte de especialistas e organizações, em relação aos modelos de ensino tradicionais que, numa visão capitalista, buscam formar mão de obra para o mercado de trabalho, culminando para a intensificação do desemprego, pois na maioria das vezes faltam profissionais qualificados para o novo mercado.

Neste cenário, como possível instrumento para a diminuição da lacuna entre os avanços científicos e tecnológicos, junto às instituições de ensino, surge a Educação Empreendedora (EE). Segundo Fowler (2010), o termo advém de um programa de negócios realizado na América do Norte chamado Entrepreneurship Education, o qual incentivava seus participantes a entender e criar o seu próprio negócio.

A Educação Empreendedora coloca-se, como uma possível proposta para formar indivíduos empreendedores, capazes de enfrentar as dificuldades e ultrapassar os grandes desafios da economia, de um mundo globalizado e competitivo.

Educar quer dizer evoluir sem mudar as nossas raízes; pelo contrário, reconhecendo e ampliando as energias que dela emanam. É também despertar a rebeldia, a criatividade, a força da inovação para construir um mundo melhor. Mas é principalmente construir a capacidade de cooperar, de dirigir energias para a construção do coletivo. É substituir a lógica do utilitarismo e do individualismo pela construção do humano, do social, da qualidade de vida para todos (Dolabela, 2003, p. 31).

Diante do exposto, podemos perceber que para desenvolver uma Educação Empreendedora, é preciso reconhecer a importância da nossa diversidade cultural, acreditando na capacidade de realizar os nossos sonhos e de construir nosso próprio futuro.

No entanto, como observa Lavieri (2010), apesar de a EE ser um assunto em processo de valorização, a falta de uma cultura empreendedora e a pouca disposição em discuti-la ainda bloqueiam os principais efeitos positivos que dela podem advir. Esses fatos indicam que a educação, pode, sim, auxiliar na discussão do que e de que forma deve-se ensinar a um futuro empreendedor.

Veremos no capítulo a seguir, como se desenvolveu a criação da cultura empreendedora, principalmente no Brasil, um país que sofreu, e ainda sofre influências culturais diversificadas, e muitas vezes, contraditórias à realidade brasileira.

2.1 CRIAÇÃO DA CULTURA EMPREENDEDORA

A cultura empreendedora, assim como, qualquer outra cultura, deve ser compreendida como fruto de hábitos, costumes, práticas e valores do meio em que se vive. Como afirma Dolabela (2003), “[…] a Educação Empreendedora deve começar na mais tenra idade, porque diz respeito à cultura, que tem o poder de induzir ou de inibir a capacidade empreendedora” (p. 15).

Segundo o autor, as pessoas evoluem de forma sistêmica, com atividades diferenciadas ao longo da vida, criando uma forma de separar, o que é, ou não, importante para cada indivíduo. Dessa forma, para o autor, torna-se importante, avaliar e definir pontos de referências consideráveis, elaborar e situar seus planos para o futuro.

Para Dolabela (2003), é de uma dessas esferas, que emana a cultura empreendedora desse indivíduo, a qual, segundo ele, terá total influência sobre as outras áreas da existência desse mesmo indivíduo, que apresenta as características citadas no quadro abaixo:

QUADRO 1: ELEMENTOS DA CULTURA EMPREENDEDORA

1. Identificação de oportunidades de negócios
2. Definições de visões
3. Expressão de diferenciais
4. Avaliação de riscos
5. Gestão de relacionamentos

Fonte: NETO e CARDOSO (2010, p. 21).

No Brasil, para se entender melhor o desenvolvimento do empreendedorismo, buscou-se antes, compreender alguns traços da cultura brasileira presentes na leitura de textos e autores contemporâneos. “Pesquisas mostram que a cultura empreendedora de uma pessoa se nutre dos modelos de empreendedorismo que a rodeiam” (NETO; CARDOSO, 2010, p. 22).

Guerra e Grazziotin (2010) mostram que, analisando-se traços culturais como, a herança colonial presente na sociedade brasileira, podemos perceber que tais traços, na maioria das vezes, não facilitam em nada a construção de uma mentalidade empreendedora, pois impedem a elaboração de uma perspectiva mais ampla da realidade cultural do povo brasileiro.

Para os autores, o empreendedorismo, não está nas raízes da cultura nacional, marcada pela história colonial, que levou o país a uma profunda cisão social, de forma a definir segmentos, herdeiros das relações entre colônia e metrópole. Instalando-se assim, uma certa contradição em nossos valores culturais, e abrindo em função dessa mesma contradição, uma grande possibilidade empreendedora, como mostra a seguinte citação: “Nota-se então que se por um lado nossa herança colonial nos limita, por outro lado, é essa limitação que, por sobrevivência, nos leva à categoria de empreendedores por necessidade” (GUERRA; RAZZIOTIN 2010, p. 71).

O ideal seria utilizar essa necessidade para transformá-la em uma oportunidade de crescimento e inovação, uma forma de desenvolver conhecimento com criatividade e responsabilidade social. Transformação essa, que serve de base, para a aplicação da Educação Empreendedora nas escolas, como veremos a seguir.

2.2 EDUCAÇÃO PARA O EMPREENDEDORISMO

Pesquisas e projetos desenvolvidos por instituições como o SEBRAE mostram que, ultimamente, o mercado de trabalho tem buscado cada vez mais, profissionais com perfil criativo e inovador, onde, ter espírito empreendedor, torna-se quesito fundamental para a seleção das grandes empresas. Os dados do quadro abaixo demonstram tal afirmação, vejamos:

QUADRO 2: COMPARAÇÃO ENTRE GERENTES TRADICIONAIS E EMPREENDEDORES

Temas Gerentes Tradicionais Empreendedores
Motivação Profissional Promoção e outras recompensas da corporação, como secretária, status, poder, etc. Independência, oportunidade para criar algo novo, ganhar dinheiro.
Referência de Tempo Curto prazo, gerenciando orçamentos semanais, mensais, etc. e com horizonte de planejamento mensal. Sobreviver e atingir cinco a dez anos de crescimento do negócio.
Atividade Delega e supervisiona Envolve-se diretamente
Status Preocupa-se com o status e como é visto na empresa Não se preocupa com o status
Como vê o risco Com cautela Assume riscos calculados
Falhas e erros Tenta evitar erros e surpresas Aprende com erros e falhas
Decisões Geralmente concorda com seus superiores

 

Segue seus sonhos para tomar decisões
A quem serve Aos outros (superiores) A si próprio e a seus clientes
Histórico familiar Membros da família trabalharam em grandes empresas Membros da família possuem pequenas empresas ou já criaram algum negócio
Relacionamento com outras pessoas A hierarquia é a base do relacionamento As transações e acordos são à base do relacionamento.

Fonte: DORNELAS (2014, p. 27).

De acordo com o quadro, podemos perceber que, o que diferencia um empreendedor de sucesso de um administrador tradicional, é principalmente, sua visão de futuro e o constante planejamento de suas ações. Como complementa Dornelas (2014), “nesse caso, o empreendedor seria um administrador completo, que incorpora as várias abordagens existentes, sem se restringir a apenas uma, e interage com seu ambiente para tomar as melhores decisões” (p. 25). Diante do exposto, surgem questões importantes como: O empreendedorismo pode mesmo ser ensinado? A escola deve implantar em seu currículo o ensino do empreendedorismo? Existe formação profissional para esse tipo de ensino?

Foi pensando em responder tais questionamentos, que em 1999, Fernando Dolabela, autor de diversos livros sobre o tema, criou no Brasil um método educativo voltado ao estímulo dos sonhos e suas realizações, chamando-o de Pedagogia Empreendedora, que para ele, deve ser implementada nas escolas desde a Educação Infantil até a Universidade, pois diz respeito à cultura social que estimula a busca, sustenta e fortalece os valores presentes em nossa sociedade.

Na lida aprendi que todos nascemos empreendedores e que, se deixamos de sê-lo mais tarde, isso se deve à exposição a valores antiempreendedores na educação, nas relações sociais, no figurino cultural conservador a que somos submetidos. Lidar com crianças, portanto, é lidar com autênticos empreendedores ainda não contaminados por esses valores (DOLABELA, 2003, p. 16).

Educar para o empreendedorismo, não é tarefa fácil, que se aplica ao profissional da educação. No entanto, cabe a este profissional, a missão de desenvolver práticas e metodologias que levem ao ensino empreendedor de fato. Para Dolabela (2003), a Pedagogia Empreendedora, é, em grande medida, tarefa do professor, já que é ele quem ajudará a construir essa cultura específica de empreendedor nos mais diversos grupos e indivíduos.

De acordo com Mintzberg apud Guerra e Grazziotin (2010), “não se cria um empreendedor apenas numa sala de aula, mas é possível criar, em uma universidade crítica e criativa, profissionais com uma mentalidade empreendedora” (p. 68).

Para discutir esses e outros assuntos ligados à Educação Empreendedora, trataremos no capítulo a seguir, das especificidades de cada uma dessas questões, diretamente relacionadas à escola, à implementação da Pedagogia Empreendedora e do ensino do empreendedorismo na mesma.

2.3 A IMPLEMENTAÇÃO DA PEDAGOGIA EMPREENDEDORA

Mesmo não se tratando, de uma teoria dirigida à transmissão de conhecimentos e informações, a Pedagogia Empreendedora, surge como uma estratégia de inovação, dos conceitos prévios trazidos pelo aluno, constituído não só de habilidades, mas também de capacidade de sonhar e de interferir no mundo, identificando e construindo relações, que influenciam na construção e realização desses sonhos.

Dolabela (2003), também a chama de Teoria Empreendedora dos sonhos, que tem o objetivo, de estimular os sonhos e preparar os alunos para realizá-los. Para ele, a implementação da Pedagogia Empreendedora, é a resposta para a seguinte indagação: “Como apresentar a questão sonhar e buscar realizar sonhos aos alunos, série por série, e introduzi-la aos espaços curriculares existentes” (p. 91).

Segundo o autor, existem dois desafios relevantes ao se implementar tal pedagogia. O primeiro, diz respeito, ao entendimento da capacidade do aluno, em lidar com o ciclo de busca, entre o sonho e sua realização, o segundo consiste, em descobrir a linguagem e as motivações, que o levam a agir sobre a concretização desse sonho. Afinal, o que é mesmo relevante para a Pedagogia Empreendedora, é melhorar a qualidade de vida coletiva, valorizando a liberdade, a saúde, a democracia, a cidadania e a renda de todos.

Assim, fica evidente, que o ensino empreendedor, constitui-se pela indução à prática e pela criação de condições, que desenvolvam no aluno, a capacidade de aprender sobre o ambiente de seu sonho e de criar meios e estratégias para a realização do mesmo. Cabendo então, ao professor, proporcionar aos alunos, oportunidades e elementos que desenvolvam sua capacidade de busca do próprio conhecimento, que mais tarde, será utilizado em prol do bem estar social. É o que exemplifica Dolabela (2003), a seguir:

O saber empreendedor ultrapassa o domínio de conteúdos científicos, técnicos, instrumentais. Esses, pouco servem para quem não sonha, para quem não tem capacidade de, a partir do sonho, gerar novos conhecimentos que produzam mudanças significativas para o avanço da coletividade. Por isso só o sonho (ou a ideia) não é suficiente para configurar uma ação empreendedora: é preciso transformá-lo em algo concreto, viável, sedutor por sua capacidade de trazer benefícios para todos, o que lhe dá o caráter de sustentabilidade (p. 29).

A citação acima, também deixa evidente, que o ensino convencional, não é aplicável ao aprendizado empreendedor, pois, nesse último, não há uma única resposta ou um único caminho correto, mas sim, perguntas e questionamentos que procuram abrir possibilidades de possíveis e inúmeras respostas. Desenvolvendo no aluno, seu potencial de persistência e sua autoestima, diante dos erros e desafios não esperados.

A Pedagogia Empreendedora vê na escola, uma referência comunitária, na busca da construção de um futuro coletivo promissor, onde é imprescindível, desenvolver no educando, uma relação questionadora e reflexiva com sua realidade social.

No capítulo a seguir, discutiremos as teorias, metodologias e práticas que envolvem o ensino empreendedor e a formação docente, os quais desencadeiam os avanços e retrocessos desse grande desafio das escolas brasileiras atualmente.

3. O EMPREENDEDORISMO NA EDUCAÇÃO BÁSICA BRASILEIRA

Neste capítulo, serão apresentados, os dados do estudo realizado, com o objetivo de discutir e analisar, a implementação da Educação Empreendedora, na Educação Básica brasileira. Por se tratar de uma pesquisa bibliográfica, o levantamento dos referenciais teóricos, foi realizado através da utilização de livros e sites, de autores que tratam do tema abordado, tais como, José Dornelas (2014), Rose Lopes (2010) e principalmente, Fernando Dolabela (2003), o qual criou a Pedagogia Empreendedora, com o intuito de inserir o empreendedorismo nas escolas, para os alunos a partir dos 4 anos de idade, e com isso, interferir na organização das práticas e metodologias desenvolvidas nas escolas, para o desenvolvimento de uma sociedade mais sustentável e igualitária.

Como vimos anteriormente, pesquisas revelam, que quanto mais cedo for iniciada a Educação Empreendedora (EE), mais ela será favorável, ao desenvolvimento de competências, essenciais para a vida na sociedade pós-moderna (LOPES; TEIXEIRA, 2010).

Para Fernando Dolabela, um dos mais renomados escritores na área de Educação Empreendedora (EE), deve-se: “[…] trabalhar o empreendedorismo com crianças e adolescentes, da pré-escola ao nível médio, dos 4 aos 17 anos” (DOLABELA, 2003, p. 16). Tendo em vista como objetivo final, a formação de indivíduos criativos, autônomos e fadados ao sucesso.

Segundo Lopes e Teixeira (2010), podemos tomar como referência brasileira, a implementação de programas de Educação Empreendedora em algumas redes públicas de ensino, como ocorre em São Paulo, na cidade de São José dos Campos, considerado um caso raro em nossa história, por se tratar de uma iniciativa política comprometida em assegurar a aprovação de leis e decretos de longo prazo, voltados ao empreendedorismo.

Fundada em 1967, com cerca de 600 mil habitantes, São José dos Campos é a sétima maior cidade do Estado paulista. Segundo dados do IBGE 2007 é também considerada, o centro regional do comércio e serviços especializados, pois contém um polo científico e tecnológico possuidor de instituições renomadas de pesquisa, que atrai diversas indústrias nas áreas de aeronáutica, veículos e telecomunicações. Suas escolas municipais, estaduais e privadas somam 96,3 % da taxa de alfabetização. Se focalizarmos, somente nas instituições municipais de ensino, somam mais de 36 mil alunos já alfabetizados. Tais números revelam que, os programas educacionais, podem causar grandes impactos em crianças e jovens alunos.

De acordo com os estudos realizados por Lopes e Teixeira (2010), muitos fatores contribuíram para o desenvolvimento da EE nesse município, dentre eles, pode-se destacar:

A gestão do Prefeito Emanuel Fernandes, que acreditando em uma educação de qualidade como forte contribuição para o crescimento do município e capaz de formar cidadãos críticos, atuantes e empreendedores, estimulou a introdução da Educação Empreendedora nas escolas da rede municipal, por meio da Resolução CME n. 03/02, que estabeleceu a inclusão de projetos de EE no currículo escolar municipal, assegurando o desenvolvimento e a continuidade dessa inclusão após o seu mandato. Com isso, alguns programas, voltados a desenvolver o potencial e a criatividade dos alunos, passaram a ser oferecidos nas escolas, criando uma grande interação entre esses e o mundo dos negócios;

A criação do Cedemp (Centro de Educação Empreendedora), inaugurado em 2004, coordena todos os programas e atividades relacionados com a EE do município. É responsável por implementar, sistematizar e promover o suporte pedagógico para todas as atividades desenvolvidas pelas escolas, assim como também, disseminar a cultura empreendedora na cidade. O Cedemp oferece ainda, educação profissional básica para a comunidade, enfatizando conceitos e valores empreendedores que auxiliarão na promoção do desenvolvimento socioeconômico sustentável, se disponibilizando a colaborar com a implementação da EE em outras cidades e estados de todo o país.

Dentre os programas criados, na cidade de São José dos Campos, para desenvolver a Educação Empreendedora, coordenados pelo Cedemp, estão:

Profissionais do Futuro: iniciado em 1999, com o intuito de desenvolver, a competência empreendedora nos alunos de sétima e oitava séries, através da aplicação e resolução de problemas e desafios que motivassem as ações dos mesmos, utilizando seus conhecimentos, habilidades e valores. Para alcançar seus objetivos, o projeto baseia-se em eixos e temas como: relação intra e interpessoal, planejamento pessoal e profissional, comunicação, marketing pessoal, planejamento de negócios. Um bom exemplo do programa é, o que os alunos aprendem em marketing pessoal, preparando os próprios currículos, como apresentado na seguinte citação:

Eles simulam todo o processo de seleção, desde a triagem dos currículos, a entrevista de seleção e a aplicação de dinâmica de grupo até atingir o resultado final, com os candidatos selecionados.

Duração: duas horas semanais ao longo do ano escolar (com, no máximo, 80 horas).

Resultados acumulados de 1999 a 2008: 39.952 estudantes (LOPES; TEIXEIRA, 2010, p. 57).

Assim, os alunos aprendem a fazer fazendo, pois são expostos á práticas e técnicas diversas de ensino, como debates, dinâmicas de grupo, discussões e considerações a cerca do mercado de trabalho e experiências pessoais, enfatizando a interação social e o processo de relacionamento em grupo a serem analisados posteriormente;

Feira do Jovem Empreendedor Joseense: sua primeira edição ocorreu em 2000, no entanto, só foi oficializada em 2002, através do decreto n. 10.775, assinado pelo então prefeito Emanuel Fernandes, com o objetivo de dar continuidade ao evento após o término de sua gestão. Com esse decreto, a realização da feira, passou a ser anual, com o intuito de criar e manter a cultura empreendedora, principalmente entre os jovens munícipes. Atualmente, tal iniciativa conta com a parceria de muitas empresas e instituições, inclusive do SEBRAE-SP. Direcionada aos alunos do sétimo e nono anos, tem como metas:

Desenvolver o espírito empreendedor no município de São José dos Campos e região; estimular o surgimento de jovens empreendedores; criar vínculos entre empreendedores, futuros profissionais e investidores; consolidar a região como incentivadora do empreendedorismo; aumentar a participação em projetos de empreendedorismo do Estado de São Paulo; criar oportunidades de intercâmbio entre empreendedores, facilitadores e investidores; reciclar e atualizar os empresários sobre as tendências de mercado; estimular novos negócios a partir da exposição de ideias e projetos; ampliar o incentivo ao empreendedorismo através da difusão da cultura empreendedora; tornar perene a realização anual dessa Feira do Jovem Empreendedor Joseense (LOPES; TEIXEIRA, 2010, p.57-58).

A feira é organizada por cada escola, com a seleção e exposição dos melhores projetos de seus alunos. Tanto as instituições de ensino públicas, quanto as privadas, como também, as empresas de base tecnológica existentes na cidade, podem participar e expor seus projetos nesse evento. Baseando-se em pesquisas de campo, realizadas na comunidade, os projetos apresentados na feira têm revelado que, de fato, os alunos envolvidos se desenvolvem ao longo dos programas oferecidos, pois cada vez mais, esforçam-se em apresentar, propostas viáveis e criativas, que envolvam a comunidade de negócios, na viabilização dos trabalhos apresentados. A cada ano, as expectativas da feira, têm sido ultrapassadas. Estudos realizados por Lopes e Teixeira (2010) revelam que em 2000, ano de sua inauguração, a feira contou com a participação de apenas 100 alunos expositores. Em 2008, esse número saltou para 700 alunos, dos quais 65 projetos foram expostos, contando também com a participação de 136 mil pessoas, já que pela primeira vez, o evento foi realizado no Parque Tecnológico Municipal da cidade e aberto ao público. Nesse mesmo ano, foi criado o Laboratório do Jovem Empreendedor (Lajoe), visando apoiar os jovens, na formação técnica e de gestão do seu próprio negócio, de uma maneira competitiva e crescente;

Programa Aprendiz de Turismo: implementado em 2002, com duas aulas semanais nas sétimas e oitavas séries, como forma de conscientizar os alunos, sobre a importância do turismo nas comunidades, no Brasil e no mundo. A capacitação dos professores participantes foi oferecida, pela Academia Brasileira de Viagens e Turismo (AVT-BR), localizada no Departamento de Geografia FFLCH da USP, a qual, também ofereceu todo o material pedagógico, para os professores e alunos participantes. O programa tem como objetivo, transformar os professores, em agentes multiplicadores em suas comunidades e, transformar os jovens, em agentes de conhecimento, conscientizando a eles e ao público, quanto a importância do turismo para o crescimento local. O projeto, também se relaciona com a ONG Parceria Global de Viagens e Turismo (The Global Travel & Tourism Partnership – GTTP), que promove o renomado Prêmio Aldo Papone, onde:

Todos os anos, um único tema é proposto para os nove países participante, visando o desenvolvimento dos estudos de caso. O melhor estudo de caso de cada país é selecionado para ser apresentado por dois alunos e um professor na Conferência Anual de Estudantes e Professores na Alemanha ou França (LOPES; TEIXEIRA, 2010, p. 59).

No quadro abaixo, estão demonstrados, os diversos temas, os anos, o número de escolas e estudantes participantes do Prêmio Aldo Papone, sendo:

QUADRO 3: TEMAS, NÚMERO DE ESCOLAS E ALUNOS ENVOLVIDOS

Ano Tema Número de Escolas Número de Alunos
2002 Herança histórica e cultural 1 250
2003 Turismo sustentável 1 550
2004 Turismo baseado na comunidade 5 850
2005 Turismo de aventura 4 730
2006 Turismo Cultural 5 1.100
2007 Preservação do patrimônio histórico 7 1.100
2008 Turismo responsável 7 1.539

Fonte: LOPES e TEIXEIRA (2010, p.60)

Entre os anos de 2002 e 2008, cinco, dos estudos de caso, apresentados pelas equipes da cidade de São José dos Campos, já receberam o Prêmio Aldo Papone, considerado, um dos mais importantes no mundo dos jovens empreendedores.

Jovens Empreendedores – Primeiros Passos – SEBRAE-SP: implantado em 2002, através da parceria entre a Secretaria Municipal de Economia e o SEBRAE-SP, que desenvolveu um programa de Educação Empreendedora para as 38 escolas de ensino fundamental de São José dos Campos, com temas adequados para cada faixa etária, sendo:

– na 2ª série: Fábrica de Brinquedos

– na 3ª série: Praticando a Natureza

– na 4ª série: Locadora de Gibis

– na 5ª série: Quem sabe faz a hora

– na 6ª série: Oficina de Estamparia

– na 7ª série: Show Room de Papel

– na 8ª série: Desenvolvimento Empreendedor

Com exclusão da 1ª série que, devido a um programa de prevenção dentária, implantado pela secretaria de educação do município, confrontava o tema “O Doce Mundo das Balas”, proposto pelo SEBRAE, inviabilizando assim, a participação da turma no evento Jovens Empreendedores.

As escolas e professores, que aderiram ao programa Jovens Empreendedores, foram a princípio, capacitados pelo próprio SEBRAE, o qual forneceu todo o material pedagógico necessário, transformando os primeiros participantes em agentes multiplicadores, que mais tarde, formariam outros docentes. Os dados levantados por essa instituição, revelam que entre os anos de 2002 e 2005, foram formados 424 professores multiplicadores. De 2002 a 2008, somam um total de 76.810 estudantes envolvidos nesse programa;

Programas da Junior Achievement: reiniciado em 2002, com alunos da oitava série, visa desenvolver, competências empreendedoras, facilitando o entendimento das principais características do sistema econômico e sua influência nas empresas e negócios, assim como o desenvolvimento das habilidades de comunicação e comportamento ético. Entre os programas oferecidos pelo projeto, o que mais se destaca, é o de criação das miniempresas, que oferece aos alunos participantes, a oportunidade de ampliação, dos conceitos técnicos aprendidos e, a aplicação dos mesmos, em um negócio real, com cálculos concretos de lucros, investimentos e resultado final aos acionistas. As atividades dessas miniempresas são realizadas em 15 semanas, por 3 horas e meia semanais. Uma delas é realizada na fábrica da GM Brasil, na qual os alunos fabricam cabides metálicos. Nas outras, em parceria com demais empresas e a ajuda de voluntários, os próprios alunos, escolhem o que vão produzir, como sabonetes, velas, chaveiros, etc. Entre 1991 e 2008, 7.190 estudantes já foram envolvidos no projeto.

Pedagogia Empreendedora: baseada na teoria de Fernando Dolabela, foi introduzida nas escolas do município de São José dos Campos em 2003, com o objetivo de promover o desenvolvimento humano, social e econômico dos alunos e comunidade de maneira sustentável, enfatizando a democracia e a cooperação necessárias à promoção do desenvolvimento empreendedor de cada indivíduo. A princípio, a formação necessária para a implantação do projeto, foi recebida pelos especialistas da Secretaria Municipal de São José dos Campos, os quais a repassaram aos professores. Hoje, o programa já está implementado, em todas as escolas do município, desde a Educação Infantil até o Ensino Fundamental. Todos os alunos são comtemplados anualmente pelo programa, que em 2008 totalizou, cerca de, 53.219 educandos, sendo 17.196 da Educação Infantil e 36.023 do ensino fundamental.

Ao analisar os programas e iniciativas aqui expostos, como afirmam Lopes e Teixeira (2010), é possível perceber que todos eles contribuem, efetivamente, para a implementação e desenvolvimento do empreendedorismo. Os professores recebem a formação e os materiais necessários à realização de seu trabalho. Desenvolvendo nos alunos da Educação Básica brasileira, as competências necessárias e presentes em um verdadeiro empreendedor como: autoconfiança, iniciativa, responsabilidade, criatividade, autonomia, flexibilidade e visão de mercado. Seja dos mais novos aos mais velhos, de forma real ou lúdica na aplicação dos projetos, todos podem ter acesso ao universo do empreendedorismo e ao mundo dos negócios.

A seguir, discutiremos a respeito das teorias metodologias e práticas, utilizadas nas escolas e desenvolvidas para o ensino do empreendedorismo e sua implementação, principalmente no Brasil.

3.1 TEORIAS, METODOLOGIAS E PRÁTICAS UTILIZADAS NAS ESCOLAS

As discussões tratadas nessa pesquisa anteriormente mostram que, mesmo pouco disseminada, a Educação Empreendedora (EE) está ganhando mais atenção e importância, na Educação Básica, no Brasil e no mundo.

Os especialistas da União Europeia (UE) enfatizam que, a principal dificuldade encontrada para o avanço da EE, é a falta de motivação e o despreparo dos professores quanto ao ensino do tema, além da carência de material pedagógico para o desenvolvimento de um bom trabalho. Para uma boa prática de ensino e a transferência de conhecimentos, torna-se essencial, a promoção de formação e treinamento docentes, assim como a oferta e disponibilidade de apoio pedagógico para os mesmos (LOPES; TEIXEIRA, 2010).

Mas, o que seria uma boa prática pedagógica, voltada ao ensino do empreendedorismo?

De acordo com os critérios, definidos por um grupo de especialistas da União Europeia (2002), uma boa prática educacional empreendedora deve:

1 – A prática já deve existir de fato.

2 – Deve ter metas e objetivos claramente identificáveis.

3 – Deve ser amigável para os usuários, além de ser atraente para os participantes.

4 – Deve ser adaptável e transferível.

5 – Deve ser sustentável e ter uma perspectiva de longo prazo.

6 – Seus resultados devem ser identificáveis e passíveis de avaliação.

7 – Deve ser coerente com outras boas práticas, no conceito e na implantação.

8 – Em comparação a outras boas práticas, deve superá-las nos resultados de eficiência e efetividade em indicadores relevantes e abrangentes.

9 – Deve ser passível de ser continuamente aperfeiçoada (LOPES; TEIXEIRA, 2010, p. 53).

Tais critérios também serviram para analisar a Educação Empreendedora, em instituições públicas de Ensino Fundamental da cidade de São José dos Campos, como já antes apresentados. No entanto no Brasil, o desenvolvimento e a implementação dos programas de EE, seguem as recomendações da UNESCO[4] para a educação do século XXI, que são: aprender a conhecer; aprender a fazer; aprender a conviver; aprender a ser. A UNESCO (2004), também faz algumas recomendações que preparam o educando para o empreendedorismo, são elas: desenvolver a capacidade de inovar, de reter conhecimento, de desenvolver projetos próprios e de lidar com mudanças (LOPES; TEIXEIRA, 2010).

De acordo com Lopes e Teixeira (2010), em 2001, o pedagogo Antônio Carlos Gomes da Costa, desenvolveu uma teoria baseada principalmente em conceitos como resiliência e protagonismo juvenil, características que segundo ele, podem ser ensinadas e aprendidas. O mesmo autor define tais termos da seguinte maneira:

A resiliência é relacionada com a amplitude, a profundidade e a abertura do campo perceptual da pessoa, e este, por sua vez, parece se organizar através da articulação favorável em torno de três eixos básicos: na relação consigo, com sua circunstância e com o tempo, sendo papel do educador assegurar que essa articulação ocorra. E para isso deve entender seu processo e sua interação com a realidade. Tal processo compreende os estágios seguintes: apreensão, compreensão e significação da realidade, projeção da própria vida, apreciação e ação sobre a própria realidade. O protagonismo juvenil refere-se à criação de oportunidades, condições e espaço para que os jovens alunos se envolvam com a solução de problemas reais, motivando-se para tomar iniciativa, comprometendo-se com a situação, ao mesmo tempo em que se sentem livres para o fazer (LOPES; TEIXEIRA, 2010, p. 54).

Essa teoria deixa evidente, a importância da participação de jovens alunos, nos projetos e ações empreendedoras desenvolvidos nas escolas, pois possibilitam o aprendizado e o envolvimento dos mesmos, de forma construtiva para a vida em sociedade, reforçando a autoconfiança e a capacidade de intervenção desses no ambiente social, de maneira prática e efetiva.

Outra estratégia didática, utilizada para o ensino do empreendedorismo no Brasil, é a Pedagogia Empreendedora (P.E.), desenvolvida por Fernando Dolabela, baseia-se na proposta da Teoria Empreendedora dos Sonhos e sua aplicação na Educação Básica brasileira, buscando com ela estimular os professores na aplicação de sua metodologia, para a formação de alunos planejadores, capazes de conceber a vida que desejam, criando recursos e conhecimentos para a sua própria realização. Para o autor, o tema central da EE no Brasil, deve ser a construção do desenvolvimento humano e social, sustentável e includente, ou seja, todo e qualquer projeto político e educacional brasileiros deve buscar eliminar, a exclusão social em nosso país, confirmando assim, a ideia tradicional do empreendedorismo (DOLABELA, 2003).

Tratando o empreendedorismo como uma forma de ser. Dolabela liga o individual ao coletivo, amarra o compromisso de criar riquezas com o de distribuí-las, apresenta o círculo virtuoso do desenvolvimento humano e social integrado e convoca toda a sociedade a participar desse movimento, que é contra a miséria e a favor da felicidade (COSTA, 2003, s.p.).

Na P.E., a comunidade participa ativamente, como educadora e educanda pois para Dolabela (2003), ela é a fonte e o destino da educação na construção do coletivo, de forma questionadora e reflexiva. Para ele, ao se perceber em sua individualidade, na construção e realização de seu sonho, o aluno poderá protagonizar, simultaneamente, ações coletivas com a comunidade a qual pertence, construindo valores como autonomia e cooperação, que servem de base para a EE.

Dolabela (2003) constitui, a formulação do sonho e a busca de sua realização, como eixo norteador, das atividades a serem desenvolvidas na P.E., propondo como forma de registrar esse desenvolvimento, a construção do Mapa do Sonho (MS). Trata-se, de um livro no qual, o aluno registra a formulação de seu sonho e o planejamento da sua execução. Essa é a forma que o autor encontrou, para apresentar a questão sonhar e sua busca, aos alunos série por série, e introduzi-la nos espaços curriculares existentes.

Haverá dois desafios relevantes ao se implementar a Pedagogia empreendedora. O primeiro será entender a capacidade do aluno (em suas diversas fases e idades) de lidar com o ciclo “sonhar e buscar a realização do sonho”; o segundo consistirá em descobrir a linguagem e os processos motivacionais para que ele responda com ação à pergunta fundamental sobre qual é o seu sonho (DOLABELA, 2003, p. 91).

Segundo o autor, não existe um modelo ou uma receita pronta para se trabalhar com a Pedagogia Empreendedora, ela deve ser recriada a cada implementação, considerando sempre, as características e peculiaridades de cada aluno, professor, instituição e comunidade. A primeira pergunta a ser feita, em cada série, da pré-escola ao ensino médio, logo no início do ano letivo, como estratégia para dinamizar a inovação do aluno e sustentar o processo do desenvolvimento empreendedor neste é: “Qual é o seu sonho e como tentará realizá-lo?” (DOLABELA, 2003, p. 91).

Isso deve ser empregado a qualquer idade, de forma a caminhar em direção ao desconhecido, a criatividade e a emoção construtiva.

De acordo com o exposto é possível concluir que a P.E., criada por Dolabela, não se trata de uma teoria propriamente dita mas sim de uma estratégia de ensino, dirigida à transmissão de conhecimentos e informações, capaz de levar o aluno, a produzir através de seu próprio repertório já que, o mesmo é essencialmente constituído pela capacidade de sonhar, de interferir no mundo, de identificar oportunidades, de relacionamentos e habilidades próprias de cada um em busca da realização de seus sonhos. Nesse processo, todo o aprendizado é adquirido durante a construção da experiência, com o fazer dos alunos, a formulação do sonho e a busca por sua realização.

Pode ser que o aluno não tenha nem mesmo conseguido formular o sonho. Mas narrará a energia aplicada no intuito de consegui-lo. Isso é movimento, é persistência, é aprendizado. Qualquer esforço feito pelo aluno é conhecimento, qualquer estágio alcançado é importante e significa sucesso. Somente a ausência de movimento representará falha ou fracasso no processo de aprendizado (DOLABELA, 2003, p. 92)

Dessa forma, o ensino e desenvolvimento do saber empreendedor, são constituídos pela indução à prática e não somente pela transferência de conhecimento, isto é, o professor precisa criar, condições para que o aluno possa desenvolver sua capacidade de aprender sobre seus sonhos, de identificar e de criar condições para realiza-lo, cabendo também ao educador, apoiar e nortear o aluno nessa busca.

Em alguns momentos, a estratégia pedagógica utilizada pelo professor, se completa com a transmissão de conteúdos correspondentes a valores culturais indispensáveis para uma boa formação e aprendizagem, seja abordando conteúdos de intencionalidades como ética, coletividade e cidadania; mostrando o saber empreendedor com o sonho e a busca em realizá-lo; demonstrando com a construção coletiva em sala de aula, que os princípios éticos intencionalizam os sonhos ou apresentando os elementos de suporte que auxiliam o fortalecimento da capacidade do aluno na realização de seu sonho.

A metodologia indicada por Dolabela (2003), adequada a faixa etária de cada segmento, apresenta linguagem e complexidade, compatíveis com o estágio de cada aluno, através da construção e formulação do Mapa do Sonho (MS), onde são examinadas as seguintes relações:

internas à pessoa: autoestima, autoconhecimento, valores, visão de mundo; entre o sonho e o eu do sonhador; entre o sonho e a realidade; entre o sonhador e a capacidade de implementação do sonho; entre o sonho e os valores éticos da sociedade (avaliação das consequências dos resultados do sonho para a comunidade) (DOLABELA, 2003, p. 94).

No quadro abaixo, podemos conferir, cada etapa das relações acima citadas, vejamos:

QUADRO 4: AS ETAPAS DO MAPA DOS SONHOS

Etapa 1: Concepção do sonho
Identificar aquilo de que gosta, que lhe trará maior felicidade, emoção. O que lhe traz auto realização e como fazer para conseguir isso?Etapa 2: Autoconhecimento (conceito de si)
Descobrir quem você é, do que gosta, o que o atrai, como se emociona.Etapa 3: Rede de relações
Construir e acionar rede de relações. Quais pessoas, livros, informações podem ajudá-lo a conhecer mais sobre o seu sonho e realizá-loEtapa 4: Conhecimento do ambiente do sonho
Conhecer profundamente o setor escolhido. Identificar oportunidades para realizar o sonho.Etapa 5: Análise do sonho em relação ao sonhador
O que esse sonho pode lhe oferecer? Vai ficar alegre? Vai ficar mais feliz? Durante quanto tempo? O sonho se adapta ao que é , às suas preferências. Ao seu jeito de ser? Aos seus hábitos?Etapa 6: Análise do sonho em relação a outras pessoas
O seu sonho é útil para os outros, para a comunidade?Etapa 7: Estratégia para realizar o sonho (buscar recursos necessários)
Lista de tudo que é necessário para que o sonho seja realizado: dedicação, perseverança, criatividade, iniciativa, relações, liderança, cooperação de outras pessoas, leituras, conhecimentos, informações, recursos financeiros, recursos teóricos. Em síntese todos os recursos materiais e imateriais.Etapa 8: Análise da viabilidade do sonho, considerando os recursos do sonhador.
Análise dos pontos fortes e pontos fracos do sonhador em relação à realização do sonho. Lista dos recursos (materiais e imateriais) já dominados (e a adquirir) pelo sonhador.Etapa 9: Análise da viabilidade do sonho, considerando os recursos de terceiros.
Lista dos recursos de terceiros que o sonhador terá que buscar.Etapa 10: Estratégia para conseguir os recursos.
Como irá buscar os recursos que você não tem? Tratar separadamente os recursos de terceiros e os próprios (que deverá desenvolver, como, por exemplo, conhecimentos).Etapa 11: Liderança
Como você irá convencer os outros sobre a importância do seu sonho, sobre a sua capacidade de realizá-lo, com a finalidade de atrair colaboradores?Etapa 12: Como organizar e usar os recursos
Como os recursos devem ser utilizados de forma a ajudá-lo a alcançar o sonho? A organização dos recursos.

Etapa 13: Quando será possível realizar o sonho
Distribuição no tempo dos processos que levam à realização do sonho.

Etapa 14: Narrativa do sonho e dos processos que levam à sua realização
Formalização e apresentação do Mapa do Sonho

Etapa 15: Qual é o próximo sonho?
O sonho realizado deixa de gerar a emoção em intensidade necessária para dar sentido à vida e contribuir para a auto realização. Portanto, é preciso continuar sonhando.

Fonte: DOLABELA (2003, p.94-95).

Segundo Dolabela (2003), o aluno deve preencher o Mapa do Sonho durante todo o ano letivo ou curso, tanto na escola como em casa. Em sua essência, o MS, tem sempre o mesmo roteiro para todas as idades, cabendo ao professor, torná-lo uma ferramenta flexível e adequada a cada etapa de seu trabalho pedagógico. Ao final de cada ano, todos os alunos, deverão apresentar oralmente seus registros, mesmo sem tê-los terminado ou os colocado em prática. Junto ao professor, poderá discutir suas dificuldades e interesses em realizá-los totalmente.

Caso os resultados dos sonhos venham a produzir consequências negativas, para o aluno e/ou sociedade, cabe ao professor criar situações em que os próprios educandos, discutam sobre as mesmas, propondo de maneira construtiva, a consciência ética coletiva e empreendedora entre alunos, professores, escola e comunidade.

A seguir, discutiremos sobre a formação docente, destacando melhor as características e peculiaridades, do trabalho desenvolvido pelo professor no ensino do empreendedorismo.

3.2 OS AVANÇOS E RETROCESSOS DA EDUCAÇÃO EMPREENDEDORA NA EDUCAÇÃO BÁSICA BRASILEIRA

Em tempos de significativas mudanças tecnológicas, que modificam a forma de agir, pensar, sentir e comunicar das pessoas, a educação, vive um momento em que, de um lado, convive com avanços como a internet, de outro, mantém valores e métodos ultrapassados, reforçados por uma escola seletiva e desigual (LIBERATO, 2013).

Melhorar a qualidade da educação brasileira é um desafio urgente e necessário. A escola moderna deve estimular e desenvolver, a formação de cidadãos, que possam compreender e conviver com as diferenças, pondo em prática valores como respeito e solidariedade. Oferecendo, uma nova concepção pedagógica, que busque privilegiar e desenvolver o conhecimento integrado, priorizando a autoestima, o autocontrole, a criatividade, a autonomia, a crítica construtiva e principalmente a iniciativa empreendedora de cada educando (RAMOS; ROITMAN, 2011).

Liberato (2013), vê no empreendedorismo, uma maneira de transformar a sociedade, fomentando a Cultura Empreendedora no ambiente escolar, da Educação Infantil à Universidade. Segundo ele, a necessidade de transformação, no atual sistema de ensino brasileiro, é um dos desafios na era do conhecimento, da inovação e do empreendedorismo. Portanto, a prática pedagógica, não pode mais se restringir à sala de aula, e sim derrubar muros, trabalhando conceitos de coletividade junto ao aluno, escola, família e comunidade, promovendo com isso, a cidadania e sustentabilidade. Para tanto, o autor afirma que:

Esse novo momento faz com que o papel do professor passe a ser amplamente debatido e questionado. Exige-se um profissional que seja capaz de articular os diferentes saberes escolares à prática social e ao desenvolvimento de competências para o mundo do trabalho (LIBERATO, 2013, p. 187).

Com base na análise acima, compreendemos que a renovação do sistema de ensino brasileiro, precisa ser pensada e construída, como forma de enfrentar os desafios presentes na educação do novo milênio.

No Brasil, órgãos públicos e privados, passaram a dar devida importância ao ensino do empreendedorismo, muitas ONGs e associações têm surgido como um incentivo às iniciativas e ações empreendedoras (DORNELAS, 2011).

Que o país, precisa de uma Educação Básica de qualidade, já sabemos, mas para Pinto (2013), mesmo na segunda década do século XXI, ainda estamos mergulhados em questões complicadas quanto à educação pública no país. Conforme afirma a autora, nos países desenvolvidos, a média de anos de escolaridade é de 12 anos, enquanto que, no Brasil, essa média cai para 7,3 anos. Ou seja, fica claro, a necessidade de medidas que garantam a formação continuada dos jovens e adultos, seja para o mercado de trabalho, como para a melhoria da qualidade de vida dos mesmos.

De acordo com Tomaz e Bitencourt (2013), atualmente existem 27 milhões de brasileiros empreendedores, onde mais da metade pertencem a classe C e em cada 4 cidadãos economicamente ativos, 1 tem seu próprio negócio. Dados esses, que para as autoras tendem a duplicar nas próximas décadas, já que:

Ao promover a Educação Empreendedora estamos considerando a dimensão individual, enfocando os conhecimentos necessários para os educadores, estudantes e comunidade, mas também para uma dimensão mais ampla, mobilizando a sociedade para o tema e facilitando o acesso a programas de atuação empreendedora em todos os níveis (TOMAZ; BITENCOURT, 2013, p. 305).

Como já visto ao longo dessa pesquisa, existem sim várias iniciativas para promover e implantar a EE no país mas poucas delas, com uma perspectiva a longo prazo que contribua para a formação inovadora e um desenvolvimento social consistente, pois requerem a promoção de políticas públicas efetivas e duradouras, principalmente na área da educação brasileira.

Contudo, mesmo se tratando de um campo profundo de estudos, pesquisas e debates, o empreendedorismo brasileiro em sua essência, ainda está atrelado à formação de mão de obra para o mercado de trabalho. Em algumas Universidades, a Educação Empreendedora é oferecida como disciplina ou matéria complementar nos cursos de administração de empresas, confrontando a tão sonhada educação de qualidade para a atualidade. E mesmo diante de tantas mudanças significativas, no processo de sua implementação existem problemas recorrentes e não resolvidos, que impedem sua efetivação nas redes de ensino básico, nos forçando a viver numa realidade contraditória e crítica de nossa sociedade, tão ansiosa por mudanças.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Através da pesquisa aqui realizada é possível concluir que a implementação da Educação Empreendedora, na Educação Básica brasileira, está caminhando para sua concretização. Pois de acordo com os estudos bibliográficos apresentados, podemos verificar e discutir todo o histórico a respeito do termo “empreendedorismo”, os conceitos, características e significados que os definem como primordial para a educação no Brasil e no mundo, em tempos de inovações tecnológicas e globalização.

Tempos estes, que enfatizam a necessidade de uma formação voltada para o todo, o coletivo, como meio de amenizar ou sanar boa parte dos problemas sociais, políticos e econômicos de nossa sociedade. Onde uma das principais saídas, aponta para uma Educação Básica de qualidade, que ofereça um aprendizado construtivo e igualitário, despertando nos educandos valores como cidadania, respeito e solidariedade. É justamente nesse ponto que entra a Pedagogia Empreendedora, com o intuito de revolucionar o ensino desde a Pré-escola até a Universidade, contribuindo para o aprendizado de cidadãos criativos, inovadores, críticos, autônomos e atuantes, assim como para o desenvolvimento e transformação do país.

Todo esse contexto nos levou também a discutir, sobre os avanços e retrocessos presentes no processo de introdução do empreendedorismo no currículo escolar. Enquanto caminhamos para uma escola revolucionária e democrática, ainda esbarramos em velhas metodologias, atreladas apenas à formação de mão de obra para o mercado de trabalho, com alguns professores limitados a transmissão de conteúdos prontos, sem qualquer relação com a realidade que hoje vivemos. No entanto, encontramos também aqueles, totalmente comprometidos com a transformação pedagógica no processo de ensino aprendizagem, que enxergam no empreendedorismo uma maneira revolucionária de ensinar e formar alunos capazes de pensar, agir e transformar o meio ao qual estão inseridos, em prol de uma melhor qualidade de vida para todos.

É exatamente nas mãos desses futuros empreendedores, que está a transformação e o crescimento do nosso país, já que através deles estão sendo plantadas as primeiras sementes de uma sociedade mais humana, igualitária e sustentável.

REFERÊNCIAS

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VEIGA, Carolina. Espírito Santo Empreendedor. Vitória: SEBRAE, Findes, 2006.

[1] Professora, Pós-graduada em Educação Empreendedora.

[2] O Global Entrepreneurship Monitor (GEM) é uma pesquisa internacional, realizada anualmente, que mede a evolução do empreendedorismo em dezenas de países. O trabalho ainda permite identificar os fatores críticos que contribuem ou inibem a iniciativa empreendedora, em cada país. Além da taxa de empreendedorismo, o estudo monitora a evolução de variáveis tais como: a relação oportunidade/necessidade, a participação das mulheres, dos jovens e a motivação para empreender (SEBRAE, 2014a).

[3] Uma startup é uma empresa nova, até mesmo embrionária ou em fase de constituição, que conta com projetos promissores, ligados à pesquisa, investigação e desenvolvimento de ideias inovadoras. Por ser jovem e estar implantando uma ideia no mercado, outra característica das startups é possuir risco envolvido no negócio. Mas, apesar disso, são empreendimentos com baixos custos iniciais e são altamente escaláveis, ou seja, possuem uma expectativa de crescimento muito grande quando dão certo. Algumas empresas já solidificadas no mercado e líderes em seus segmentos, como o Google, o Yahoo e o Ebay, também são exemplos de startups (SEBRAE, 2014b).

[4] A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) foi criada em 16 de novembro de 1945, logo após a Segunda Guerra Mundial, com o objetivo de garantir a paz por meio da cooperação intelectual entre as nações, acompanhando o desenvolvimento mundial e auxiliando os Estados-Membros – hoje são 193 países – na busca de soluções para os problemas que desafiam nossas sociedades. É a agência das Nações Unidas que atua nas seguintes áreas de mandato: Educação, Ciências Naturais, Ciências Humanas e Sociais, Cultura e Comunicação e Informação.

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