O papel da escola na construção de uma alimentação saudável

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ARTIGO DE REVISÃO

SOARES, Jose Roberto Vera [1], OLIVEIRA, Ginarajadaça Ferreira dos Santos [2]

SOARES, Jose Roberto Vera. OLIVEIRA, Ginarajadaça Ferreira dos Santos. O papel da escola na construção de uma alimentação saudável. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 04, Ed. 09, Vol. 01, pp. 176-186. Setembro de 2019. ISSN: 2448-0959

RESUMO

Este trabalho procura enfatizar a aplicação da educação alimentar nas aulas de Ciências no ensino fundamental e contribuir na conscientização dos jovens para a promoção da saúde. Ainda neste contexto o ensino de Ciências é visto como uma importante peça na contribuição para a construção e conscientização dos hábitos alimentares saudáveis, durante a vida escolar. Visto que atualmente o estilo de vida que se leva é sedentário e somado a falta de orientações nutricional, acabam contribuindo para a soma das taxas de sobrepeso e obesidade em alunos de escolas públicas, e que gradativamente compromete a saúde física e mental deste tipo de público. Realizou-se uma pesquisa do tipo revisão bibliográfica, norteada no posicionamento de vários autores sobre a temática Educação Alimentar. Diante deste cenário é importante sabermos a relevância da escola que aborde a temática no ensino fundamental, promovendo de maneira didática o possível para reverter os hábitos alimentares incorretos, com o auxílio de disciplinas direcionadas a saúde alimentar. Esta proposta pretende estimular o debate e aprofundar os conhecimentos científicos do tema esclarecendo e despertando o interesse para a capacitação e aperfeiçoamento das práticas pedagógicas sobre qualidade de vida.

Palavras–chaves: Saúde, educação, ensino de ciências.

1. INTRODUÇÃO

Nos dias atuais é visível o grande número de crianças que integram no ambiente escolar a partir das séries inicias do ensino fundamental já apresentando um peso elevado e falta de nutrientes para a sua faixa etária. Os alimentos fazem parte da base da sobrevivência e desenvolvimento de todos os seres vivos e especificamente dos seres humanos, e atuam também na manutenção da nossa saúde.

A falta ou excesso de qualquer um dos nutrientes que são absorvidos pelos alimentos podem promover um desequilíbrio na saúde causando desnutrição, obesidade e outras doenças relacionada, onde a desnutrição está relacionada ao baixo rendimento escolar e pouco estimulo em aprender, pois segundo Oliveira, Cavalcanti e Assis (2012) todas a crianças, jovens e adultos necessitam de uma boa alimentação e em quantidade significativas para desenvolver suas atividades escolares de forma satisfatória e consequentemente terem estímulos para uma boa aprendizagem.

O espaço escolar é o lugar onde deve haver a promoção da saúde de modo rotineiro, pois é visto que seu papel na sociedade é o de agente integrador de tradições, exercendo um papel essencial na construção de valores, hábitos e modos de vida, dentre eles a questão sobre os hábitos alimentares, que é primordial para a saúde dos educandos e consequentemente da sociedade como um todo.

A escola inicia uma reflexão por meio dos conteúdos ministrados durante as séries do ensino fundamental, sobre os problemas causados por uma má alimentação e as consequências de uma vida sedentária, acabando por ter um grande destaque no processo de reestruturação do estilo de vida. De certa forma os professores ajudam seus alunos a adquirirem conhecimentos necessários e dar base a bons hábitos alimentares, conhecimento este que perdura a vida toda. Tal preocupação é apontada por Levy et al (2009) ao afirmar que se os alunos não mudarem os seus hábitos inadequados por bons hábitos alimentares durante a fase da infância e na sua adolescência, possivelmente terá uma tendência a fatores de risco ligados as doenças crônicas em sua fase adulta.

Os hábitos alimentares e seus diferentes estilos de vida são construídos ainda durante a infância, onde a intervenção de uma pessoa adulta e que tenha domínio desta temática é necessário, para que possa encaminha-lo ao desenvolvimento saudável tanto em relação a alimentação como em atividades físicas. Pois também é nesta fase que as crianças e adolescentes acabam se espelhando nos hábitos das pessoas que fazem parte do seu dia a dia como seus pais, irmãos, professores, amigos e etc.

Com tantas mudanças na forma de alimentação, as crianças e adolescentes encontram dificuldade para identificar um alimento saudável, existe uma grande facilidade a comerciais que acabam influenciando o consumo de alimentos processados e pobres em nutrientes. No ponto de vista dos educadores as medidas adotadas para prevenir o sobrepeso e da obesidade no interior do ambiente escolar é fundamental, visto que é por meio dos esclarecimentos durante o ensino que poderá haver uma mudança do ambiente familiar (AVESANI, 2009).

O tema alimentação saudável é trabalhado na escola em sala de aula, algumas escolas utilizam profissionais qualificados como nutricionistas, merendeiras e professores de ciências e educação física, que auxiliam o desenvolvimento de bons hábitos com intervenções dentro do contexto escola. Porem para que isso ocorra é importante salientar que esses profissionais desenvolvam intervenções de cunho pedagógico com o intuito de disseminar uma discussão sobre a alimentação e correlacionar de modo direto com a saúde. Assim essas intervenções realizadas passam a ter uma perspectiva de reeducação alimentar com os alunos do ensino fundamental.

Diante deste contexto o estudo tem o objetivo de refletir sobre a contribuição escolar na construção de bons hábitos alimentares de seus alunos, por meio de conhecimentos fomentados durante o processo educativo no ensino fundamental, levando em consideração as informações sugeridas pelo Ministério da Educação e da saúde e o uso dos PCN.

2. REVISÃO DE LITERATURA

2.1 ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL NO ENSINO DE CIÊNCIAS E COMO ABORDAM OS PCN

O tema alimentação saudável e saúde vem sendo debatido no contexto escolar a muitos anos aqui no Brasil, por conta de haver a necessidade dos alunos do ensino fundamental desenvolvam bons hábitos alimentares e por consequência favorecer o processo de aprendizagem dos mesmos. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) em 1948, a palavra saúde é um termo utilizado para o estado de completo bem-estar seja ele físico, mental e social e não apenas para qualificar a ausência de alguma doença. E compreendemos que durante toda a vida o ser humano vivenciará condições de doença ou saúde, dependendo dos seus hábitos alimentares e condições gerais de bem-estar.

Um dos objetivos do ensino fundamental do ensino de ciências de acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) é de conhecer e cuidar do próprio corpo, zelando e adotando maneiras consideradas saudáveis como um dos aspectos básicos de hábitos saudáveis, responsabilidade em relação a saúde coletiva e da qualidade de vida. Esses parâmetros trata a saúde como um assunto colateral que deve fazer parte no ensino de todas as áreas que detenham de conhecimento e comparando-o sempre com as questões da atuais. De modo a viabilizar a compreensão da educação alimentar no ensino de ciências (BRASIL, 1997).

Os PCN de Ciências Naturais abordam o ensino com a temática alimentação durante todo o percurso do ensino fundamental, onde o estudante deverá desenvolver a capacidade de compreender que a fonte de matéria e energia para seu crescimento e manutenção do corpo e garantia de nutrição durante todas as etapas de transformação sofridas pelo mesmo, é o alimento (GROLLI, 2016). Pois é no ensino de ciências que é possibilitada ao aluno identificar os diferentes tipos de nutrientes disponíveis e seus papéis na construção e manutenção da saúde de um organismo, de acordo com suas necessidades e reconhecendo os aspectos relativos a alimentação humana e também socioculturais como a fome endêmica e as doenças ocasionadas pela ausência de uma boa alimentação.

Para alcançar esses objetivos o documento aponta algumas estratégias adotadas no ensino que permitam aos alunos identifiquem e interpretarem as informações encontradas nos rótulos dos alimentos e suas tabelas nutricionais. Onde por meio delas os estudantes poderão fazer comparações quanto a oferta de energia e nutrientes contidos em todos ou a grande maioria dos alimentos disponibilizados. Além disse também poderão ser utilizadas métodos que ajudem os estudantes a se tornarem consumidores atenciosos e críticos em relação a composição nutricional, validade, propagando, estado de conservação e alternativas de consumo para alimentos menos descaracterizados por outras fontes mais nutritivas (BRASIL, 1997).

Para Grolli (2016) os PCN de Ciências Naturais também dispõem a análise, composição e o equilíbrio de dietas hipotéticas para pessoas com características únicas, como a faixa etária e a questão sociocultural fazendo com que os estudantes acabam por refletir sobre seus hábitos e as possíveis formas reais de alimentação ao comparar as necessidades para a manutenção da saúde e também comparam por via tabelar as necessidades que cada faixa etária e sexo requer para realizar determinada atividade.

A necessidade de meios para desenvolverem pensamentos críticos e conscientização de cultura e escolhas é preciso para a Educação Alimentar seja exercida de forma multidisciplinar incluindo alguns aspectos metodológicos. As atitudes ao longo da vida dos jovens tornam a educação alimentar um tema bastante influenciável, de modo a levar as questões ligadas a nutrição e saúde a serem discutidas em sala de aula aumentando o conhecimento de todos. Neste sentido é preciso à amplificação desse ensino para uma maior compreensão e também que alcance os aspectos relacionados as questões culturais, sociais, econômicos, ambientais e aos impactos da produção em larga escala dos alimentos, associados a sustentabilidade. Segundo Motta e Teixeira, 2012, p. 366:

As questões alimentares devem ser tratadas a partir de suas múltiplas dimensões e assumimos a escola como um espaço estratégico não só para fomentar as discussões necessárias á prevenção e ao controle de doenças geradas na infância (diabetes, hipertensão, obesidade), como também para contribuir no atendimento crítico das implicações das culturas de consumo alimentar para a relação homem-ambiente.

Deste modo o tema alimentação seja debatido no sentido que o comer não é apenas uma necessidade vital, mas sim uma atitude que gera impactos a toda a população. Havendo a necessidade de fornecer elementos para que todos possam realizar suas escolhas alimentares, através de seus conhecimentos e crenças, a partir de uma boa argumentação e concretas decisões (GROLLI, 2016).

Através desta perspectiva as aulas de ciência devem possuir uma abordagem pedagógica heterogênica respeitando a diversidade dos alunos, considerando que a construção do conhecimento é um meio continuo que valoriza as relações sócias, além de promover a valorização das ideias previas dos alunos e todos os aspectos correlatados e também o conhecimento científico.

Ainda na perspectiva de um bom planejamento didático que levem os alunos ao senso crítico e a conscientização sobre as escolhas alimentares, é preciso atentar na dinâmica discursiva com que a abordagem temática será tratada. Apresentação de temas polêmicos e que estejam ligados ao dia a dia dos alunos do qual o aluno é instigado a se expressar e opinar, comparando fatos e julgando os diferentes pontos de vista e elaborar conclusões, favorecendo não apenas o entendimento dos alunos, mas também corrobora para a sua formação como cidadão (TEIXEIRA, 2007).

De acordo com estudos realizados por Motta e Teixeira (2012) que apontam os alunos participantes de oficinas educativas com atividades lúdicas, ligadas a temática alimentação tem grande participação. Outra possibilidade também é o uso de uma ferramenta bastante acessível, que é o uso da culinária, como base estruturante como forma de promover a alimentação saudável. E por fim é importante ressaltar que a educação alimentar ao visar a mudança de habito acaba necessitando de uma estrutura a partir das metodologias participativas tornando o aluno ativo no processo educativo.

2.2 A ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL SEGUNDO OS MINISTÉRIOS DA EDUCAÇÃO E DA SAÚDE

O tema alimentação saudável, é abordado nos ambientes educacionais a muitos anos e começou a ser considerado com maior relevância, quando o Ministério da Educação, por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar – PNAE dando início a uma campanha de redução da desnutrição no país. E em 2004 alcançou a visão do direito humano.

O objetivo do PNAE é atender as necessidades nutricionais de toda a classe estudantil durante seu período escolar, promovendo e contribuindo o desenvolvimento, aprendizagem e o bom desempenho no rendimento escolar, assim como a construção de hábitos alimentares saudáveis (OLIVEIRA; CAVALCANTI; ASSIS, 2012). Uma alimentação saudável posterga o surgimento de doenças nas pessoas em qualquer faixa etária, desde de um simples resfriado até doenças consideradas mais graves, como a obesidade e a desnutrição (CECANE, 2010).

Segundo Motta e Teixeira (2012) os professores não podem ser totalmente responsabilizados pela garantia da aprendizagem dos alunos por si só, mas devem criar condições e facilitar a aprendizagem a tornando significativa, uma maneira seria de ensinar os hábitos saudáveis para que posteriormente pesquisem mais sobre o assunto e assim assimilem em seu cotidiano e possam adquirir bons hábitos.

O Ministério da Saúde tem a proposta de promover o espaço escolar como um ambiente para a educação nutricional e promoção da boa alimentação de crianças e jovens, favorecendo os hábitos considerados saudáveis. Desta forma a escola é considerada o ambiente propicio para viabilizar uma discussão sobre a saúde, com o foco nas ações de educação nutricional, contribuindo para interação entre todos os membros que fazem parte do corpo escolar (BRASIL, 2005).

A fase da infância de acordo com Cecane (2010) e Oliveira, Cavalcanti e Assis (2012) é considerada a fase mais importante pois há um grande desenvolvimento físico, marcada pela altura, peso e saber da criança, o que requer maiores cuidados na alimentação, que caso contrário trará maiores consequências no desenvolvimento físicos e mental nas crianças. Como o baixo peso, atraso no crescimento em todos os aspectos, e favorecendo a repetição escolar, e também o desenvolvimento de doenças graves que poderão comprometer a sua vida adulta.

Entretanto para formar crianças e jovens da educação básica com bons hábitos alimentares é necessário que a escola, permeie um ambiente adequado com uma boa merenda escolar e se responsabilize com a conscientização para alcançar o objetivo da mudança de hábitos. Considerando cuidadosamente todos os aspectos comportamentais individualmente.

3. METODOLOGIA

A pesquisa foi norteada por uma revisão bibliográfica realizada em publicações de artigos de revistas científicas e publicados em bases de dados indexadas como o SCIELO, SCIENTIA PLENA e Anais de Congressos Científicos. Utilizou-se também plataformas online de documentos oficiais como Ministério da Educação e leis vigentes regidas pelo Ministério da Saúde com foco na relevância para a temática abordada e atualizando a frente da importância do ambiente escolar nas questões de promover conscientização a alimentação saudável.

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO

Segundo a OMS (1986) a alimentação é um pré-requisito para a saúde. E aponta o desenvolvimento de habilidades pessoais e sociais para que as populações possam possuir um maior controle sobre a promoção da saúde e tomem decisões mais saudáveis. Em acordo com a PNAN, Brasil (2003) a alimentação é um processo de caráter biológico e cultural que é promovido pelo consumo de um ou vários alimentos, e a nutrição é o estado fisiológico que corresponde ao consumo e utilização de energia e nutrientes a nível celular. Vale considerar que a segurança alimentar e a nutricional vai muito além da disposição em grandes quantidades que encontramos nos alimentos disponíveis.

Estudos realizados por Oliveira, Cavalcanti e Assis (2012) apontam um aumento considerável no sobrepeso e obesidade infanto-juvenil, resultado da diminuição das atividades de educação física, e influências nas mudanças relacionadas aos padrões dietéticos. E a anemia ainda continua elevada com índices de 50% entre as crianças da faixa etária de até 5 anos, em contrapartida há um declínio da deficiência de iodo e da hipovitaminose A. Neste contexto Passos et al. (2006, p. 323) ressalta que o consumo de alimentos com alta taxa de gorduras insaturadas, carboidratos, açúcares e sal acabam elevando e favorecendo doenças cardiovasculares e problemas emocionais durante a adolescência e na vida adulta.

Com relação a alimentação disponibilizadas nas escolas, algumas delas já estabeleceram leis que simplesmente definem uma lista de alimentos como proibidos, e são classificados como alimentos calóricos e de baixo teor nutricional, outras escolas foram mais além e criaram programas de incentivo a boa alimentação, não apenas formalizando o que pode e o que não pode, mas também disponibilizando uma escolha consciente para a uma rotina de vida mais saudável (PASSOS et al., 2006).

Autores como Melo, Abreu e Araújo (2013) defendem a ideia que a escola tem o ambiente propicio para a educação, aprendizagem e integralidades as atividades pedagógicas voltadas a alimentação e nutrição. Pois é diante das propostas que os alunos podem repercutir os conhecimentos também na sua família e comunidade a qual vivem, a escola além de promover hábitos saudáveis também auxilia no entendimento de que uma boa alimentação é importante e faz está diretamente ligada ao seu crescimento e desenvolvimento.

Sobre as dificuldades de estimular os hábitos alimentares de forma saudável durante as fases infantil e juvenil, Fernandes et al. (2009) estabelece que a criança exerce de fato um pouco controle sobre a disponibilidade de alimentos em seu domicilio, considerando influência dos pais e de outros familiares ao seu hábito alimentar e as mudanças de comportamento devido a inclusão no ambiente escolar sendo estes os principais encontrados. Tendo estes conhecimentos das suas particularidades que passam a alimentação infantil, poderemos dispor de medidas que possam intervir e que não provoquem sobre o viés da culpa dos sujeitos que possuem outros hábitos alimentares, partindo do preceito que somos seres condicionados e não determinados (CAMOZZI et al., 2015).

Grolli (2016) relata que as crianças possuem poucos conhecimentos sobre o que seria de fato hábitos alimentares saudáveis, expondo que as mensagens promovidas pelas escolas, pelos pais e pela mídia são ineficazes ou insuficientes. Sendo sugerido pelo autor que as intervenções devem transpassar essas barreiras, de apenas expor os conhecimentos nutricionais, mas sendo necessário também que haja uma integração de ações multidisciplinares que tenham a saúde como foco e que garantem o compromisso dos pais, da comunidade e também da indústria de alimentos.

Para Melo, Abreu e Araújo (2013) há um grande potencial das escolas para estimular esses hábitos alimentares saudáveis, de modo que permeiem o desenvolvimento de programas educacionais e que modifiquem a comercialização dos alimentos não nutritivos nas cantinas, esclarecendo o porquê tem a necessidade dessas alterações e incentivando a mudança e não como uma simples proibição. Pois no contexto geral alimentício não existem nenhum alimento proibido, mas sim, existem aqueles que devem ser consumidos de modo moderado.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O estudo abordou algumas questões alimentares inseridas no contexto educacional. Onde o ambiente escolar deveria garantir um espaço integrado a família, como forma de reforçar e até multiplicar os conhecimentos adquiridos pelos alunos, em relação a educação alimentar.

Embora se tenha uma grande preocupação da nossa sociedade e da escola, ainda sim é por meio da escola e do ensino de ciências que os conhecimentos relacionados a alimentação saudável são propagados, entretanto ainda não são tão priorizados, o que leva a atenção do aluno para outros conteúdos julgados como mais relevantes.

O professor de ciências precisa ser visto como um profissional em educação que valoriza as questões que se relacionem com à saúde de forma geral, aprimorando no interior da sala de aula projetos pedagógicos cujo o enfoque está na saúde e bem-estar e não focado em doenças. Entretanto acredita-se que a alimentação saudável, quando trabalhada em sala de aula de modo dinâmico, tornando-se um fator primordial para conscientizar das crianças e dos jovens do ensino fundamental sobre os benefícios que os alimentos colaborem para o seu desenvolvimento e também na prevenção de doenças (OLIVEIRA; CAVALCANTI; ASSIS, 2012).

Sabemos que a formação desses hábitos alimentares que faz parte de todo ser humano é um processo que tem início desde de seu primeiro momento de vida e tem a continuidade com as práticas alimentares introduzidas nos primeiros anos de vida, sendo moldadas ao longo dos anos. De acordo com Oliveira, Cavalcanti e Assis (2012) “ será mais fácil mudar os hábitos das crianças, logo na infância, contribuindo para uma vida mais saudável futuramente”. Mas para que este fato ocorra, é essencial a participação da família de forma ativa, assim como dos professores e todos aqueles que fazem parte do convívio dos alunos, visto que as crianças e jovens acabam tendo uma aptidão em copiar e reproduzir as práticas de seus familiares e educadores.

E por fim verificamos a relevância que as intervenções pedagógicas buscam em esmiuçar o conceito de alimentação saudável e discutir sobre hábitos alimentares saudáveis com os alunos de todas as series do ensino fundamental. A investigação em relação as questões relacionadas a alimentação em escolares devem continuar. Contudo, só poderemos ter certeza da modificação das concepções sobre a temática, quando for terminado o processo de intervenção pedagógica.

REFERÊNCIAS

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[1] Graduação em Ciências Naturais pela Universidade Federal do Amazonas – UFAM, Graduação em Engenharia Florestal –UTAM; Pós Graduação em Educação Ambiental pela Faculdade de Ciências Administrativas e de Tecnologia de Rondônia; Mestrando em Ciências da Educação pela St Alcuin Of York Anglican College – AEBRA.

[2] Graduação em Ciências Biológicas pela Fundação de Ensino Superior de Olinda, Especialização em Micologia-UFPE; Mestrado em Biologia de Fungos pela UFPE e Doutorado em Biotecnologia pela UFAM.

Enviado: Agosto, 2019.

Aprovado: Setembro, 2019.

Graduação em Ciências Naturais pela Universidade Federal do Amazonas - UFAM, Graduação em Engenharia Florestal –UTAM; Pós Graduação em Educação Ambiental pela Faculdade de Ciências Administrativas e de Tecnologia de Rondônia; Mestrando em Ciências da Educação pela St Alcuin Of York Anglican College - AEBRA.

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