Uma Análise Sobre o Uso das Tecnologias da Informação e Comunicação nas Escolas de Ensino Médio Público da Cidade de Taquaritinga – SP.

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Uma Análise Sobre o Uso das Tecnologias da Informação e Comunicação nas Escolas de Ensino Médio Público da Cidade de Taquaritinga – SP.
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GERALDI, Luciana Maura Aquaroni [1]

GERALDI, Luciana Maura Aquaroni. Uma Análise Sobre o Uso das Tecnologias da Informação e Comunicação nas Escolas de Ensino Médio Público da Cidade de Taquaritinga – SP. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 2, Vol. 16. pp. 154-168., março de 2017. ISSN: 2448-0959

RESUMO

As tecnologias da informação e comunicação propiciaram novas formas de reprodução do conhecimento no ambiente escolar. Busca-se, a partir de sua inserção, um processo de melhoria contínua entre as díades escola-professor, professor-aluno e aluno-aluno. Para tanto, é preciso conhecer se essas tecnologias estão inseridas com propósitos pré-definidos nas escolas de Ensino Médio público, as quais possuem diversidades sobre o uso dessas ferramentas na educação. Nesse contexto, identificou-se nas escolas públicas de nível médio da cidade de Taquaritinga-SP, quais são os efeitos proporcionados pela inserção das TIC no processo ensino-aprendizagem dos alunos. Optou-se pela realização de um estudo de caso nas três escolas de Ensino Médio público da cidade, no intuito de obter dados que relatassem a realidade do uso das TIC na escola. Foi possível verificar que, apesar de as TIC serem um assunto divulgado no cenário educacional, ainda existem aspectos resistentes às mudanças do ensino tradicional para um ensino inovador e dinâmico. Também foi constatado que os recursos são deficitários para atender à demanda dos docentes e alunos. Ressalta-se que as escolas de nível médio da cidade de Taquaritinga-SP devem rever de imediato as formas de trabalhar e inserir as TIC no cenário da sala de aula, pois se constatou a falta de incentivo da gestão e de formação por parte dos docentes envolvidos na pesquisa.

Palavras – chave: Tecnologia, Escola Pública, Ensino Médio, Docente, Aluno.

1. INTRODUÇÃO

É inegável que as transformações em relação à cultura tecnológica, que diz respeito às novas metodologias de ensino e aprendizagem associadas a ferramentas computacionais, tragam mudanças de paradigmas fatuais às premissas educacionais. Revela-se a importância do que coloca Bizelli (2013), ao analisar a sociedade da informação e preconizar que três princípios devem orientar as políticas públicas em todas as sociedades concretas: universalização da Educação; universalização do acesso às TIC e construção da participação na gestão. Somente o atendimento aos pré-requisitos esboçado pode permitir o acesso e a apropriação sobre os meios que permitam o exercício da liberdade na busca pelos interesses individuais e acima deles aos interesses cidadãos.

Carneiro (2002, p. 50-51) destaca que,

[..] dentre as razões oficiais para a implantação dos computadores nas escolas, a aproximação da escola dos avanços da sociedade no que se refere ao armazenamento, à transformação, à produção e à transmissão de informações, favorecendo a diminuição da lacuna existente entre o mundo da escola e a vida do aluno – o que diminuiria também “[…] as diferenças de oportunidade entre a escola pública e a particular, cada vez mais informatizada.” Por outro lado, ela ressalta que “[…] pouco se discute quais os modos de informatização que estão sendo trabalhados e com que finalidade.”

A ideia de Neves (2009) reforça que educar com TIC não se restringe a investimentos em infraestrutura física e tecnológica. Implantar essa nova arquitetura pedagógica exige, ainda, um conjunto amplo e articulado de ações que contemplam investimentos, primeiramente em profissionais das escolas e dos sistemas de ensino para domínio de linguagens e tecnologias; em oficinas e discussões organizadas para estabelecer princípios e políticas de trabalho, adequação dos projetos pedagógicos e avaliação; em revisão de currículo, desenho e estratégias tecnológicas dos cursos e, por fim, em sistemas de gestão e logística informatizada, entre outros.

Para a construção de uma Educação assim definida, aqueles docentes que nunca deixaram de lado a lousa e o giz, têm que assumir novas concepções de ensino caracterizadas através de projeções inovadoras que não fazem parte de seu tempo. Eles consideram, em sua maioria, que não vale a pena aprender o novo e que isso deve ser algo a ser praticado pela nova geração, os voltados à era da informação.

Os “professores da nova geração” – rótulo dado pelos próprios companheiros de categoria – também aprenderam o ofício da docência através de ferramentas consideradas obsoletas, porém, aprendendo com as inovações, são detentores de conhecimentos que, em sua amplitude, ampliam redes de relações cujo principal elemento é a troca de informação, seja ela falada ou escrita, esteja inserida em multiplataformas tecnológica.

2. ESTUDO DE CASO DAS ESCOLAS PÚBLICAS DE NÍVEL MÉDIO DA CIDADE DE TAQUARITINGA – SP

Para facilitar o entendimento sobre a pesquisa realizada é necessário conhecer alguns dados importantes sobre essa pequena cidade do interior do estado. De acordo com o site do IBGE (2014), a cidade possui 56.398 (cinquenta e seis mil trezentos e noventa e oito) habitantes.

No que se refere aos aspectos educacionais da cidade, de acordo com os dados do último censo, nota-se pelo Gráfico 1 que a maioria das matrículas do Ensino Médio está distribuída nas escolas estaduais, bem como o número de docentes que ministram aulas nessas escolas também é superior aos dados das escolas privadas do município.

Gráfico 1 – Informações sobre a rede escolar da cidade de Taquaritinga. Fonte: Ministério da Educação, Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais – INEP – Censo Educacional, 2012.

 2.1 A Escola A

A Escola A é uma das mais antigas da cidade e no dia 15 de novembro de 2013 completou seu Jubileu de Ouro: cinquenta anos educando alunos da rede pública no Ensino Fundamental e Médio. Atualmente possui 15 (quinze) salas de Ensino Médio, sendo divididas como mostra o Quadro 1:

Quadro 1 – Salas de Ensino Médio da Escola A

Sala Quantidade

de salas

Quantidade de alunos por Ano do Ensino Médio Período
1º Ensino Médio 5 200 Manhã
2º Ensino Médio 4 160 Manhã
3º Ensino Médio 3 120 Manhã
Programa Vence 3 120 Manhã
Total: 15 600

Fonte: O autor

Considerando as salas de Ensino Médio e do Programa Vence, existem quarenta alunos distribuídos pelas salas. Também foi observado que existem, no período noturno seis (6) salas de EJA (Educação de Jovens e Adultos). Não há salas de Ensino Médio no período vespertino e noturno.

Vale ressaltar que o Programa Vence é uma parceria realizada pelo CEETEPS – “Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza”, firmada entre as escolas da rede estadual de ensino, onde são oferecidos cursos técnicos profissionalizantes integrados ao Ensino Médio da rede pública. Nessa escola, existem três salas do programa, caracterizadas pela distribuição da carga-horária em formação técnica na área de Administração (parte profissionalizante) e as disciplinas de conteúdo essencial do Ensino Médio. Há uma sala de primeiro, segundo e terceiro anos desse programa implantado na escola.

De acordo com o estudo realizado na escola, existem trinta (30) professores que ministram aulas dos diferentes conteúdos do Ensino Médio regular, incluindo o Programa Vence.

Considerando as tecnologias da informação e comunicação existentes na escola, de acordo com o estudo realizado in loco, pôde-se identificar, como demonstra o Quadro 2:

Quadro 2Tecnologia da Informação e Comunicação na Escola A

Tecnologia da informação e comunicação (TIC) Quantidade
Laboratório de informática 3
Data Show 3
Bedel 2
Notebook 2
TV de LCD 2
TV de 29 polegadas 2
DVD 2
Caixa de som com microfone 2
Laboratório de Física 1
Laboratório de Química 1
Lousa (giz) 21
Rádio 2
Sala de leitura 1
SAP (Sistema de Apoio Pedagógico Educacional (deficientes)) 1
Rádio da escola 1
Salão com multimídia 1
Quadra Poliesportiva 1

Fonte: Acervo do autor

Ao analisar as tecnologias da informação e comunicação apresentadas pela escola, constatou-se que os Laboratórios de Informática identificados fisicamente no ambiente escolar correspondem, respectivamente, ao Acessa Escola, que de acordo com a Fundap (2011) é definido como:

O Programa Acessa Escola é uma iniciativa do Governo do Estado de São Paulo, conduzida pela Secretaria da Educação, em parceria com a Secretaria de Gestão Pública, que tem por objetivo promover a inclusão digital e social, além de estimular o uso da Internet para enriquecimento da formação cultural, intelectual e social dos usuários das escolas da rede estadual de ensino (FUNDAP, 2011).

A SEE, através da Resolução 037, de 25-04-2008, cria o Programa Acessa Escola que visa a proporcionar a apropriação das tecnologias da informação e comunicação a partir das salas de informática das escolas estaduais para a inclusão digital. A implementação do Programa contou com a experiência da Secretaria de Gestão Pública do Estado de São Paulo no gerenciamento do Programa Acessa São Paulo, por meio de uma parceria com a Secretaria da Educação, normatizada pela Resolução Conjunta SE/SGP 1, de 23-6-2008 (ACESSA ESCOLA, 2014).

Nesse laboratório, estão disponíveis 14 (catorze) computadores e o agendamento é realizado através de um monitor, que normalmente é um aluno da escola. Em relação aos outros laboratórios citados, um deles possui onze (11) computadores e o outro 13 (treze) equipamentos. Quanto ao uso da Internet, os docentes têm acesso para realizarem suas pesquisas e demais atividades, sem qualquer restrição (os docentes da escola A têm acesso a todo e qualquer site de pesquisa na Internet), quer utilizando máquinas instaladas na sala dos professores e também no laboratório do Acessa Escola, quando este se encontra sem agendamento para a aula. Em relação ao uso da Internet pelos alunos, o laboratório do Acessa Escola fica disponível nos períodos da manhã, tarde e noite.

O laboratório possui restrição (sites de conteúdos indevidos e impróprios não são permitidos) de uso quando há agendamento de aulas a serem ministradas nele, em qualquer um dos períodos. Percebeu-se ainda que a escola estudada não possui redes sem fio instaladas e, o acesso à Internet é feito através de cabeamento físico da rede de computadores.

Quanto à ferramenta citada como “Bedel”, essa corresponde a um equipamento que possui acoplado em sua estrutura notebook, data show, caixa de som e microfone. Esses elementos estão instalados em um carrinho que permite ser levado para qualquer lugar do ambiente escolar, por qualquer usuário.

Para complementar, a escola possui uma Rádio que foi criada pelos alunos e, durante o intervalo das aulas, os discentes ouvem músicas, transmitem recados e informações importantes, no que diz respeito às atividades da escola.

A sala de leitura é um local adequado para que os alunos usufruam de um ambiente tranquilo e harmonioso, quando desejarem praticar essa arte. Esse ambiente é de reponsabilidade de uma professora da escola e, caso o professor desejar levá-los para esse local, deve realizar o agendamento com a responsável. A frequência de utilização da sala de leitura é dinamizada durante toda a semana de aula.

O salão multimídia é um espaço da escola considerado como um anfiteatro. Nesse ambiente, estão inseridos um palco amplo, recursos multimídia (som, microfone, data show, notebook) e cadeiras almofadadas para o bem-estar da comunidade acadêmica. É nesse local que são realizados os eventos da escola. Os professores podem usá-lo, desde que agendado previamente em formulário próprio criado pela instituição. Destaca-se que o agendamento dos laboratórios e demais equipamentos também segue o mesmo formato de reserva. Apenas para as sessões de vídeos solicitadas pelos docentes da escola, utiliza-se um requerimento específico.

A escola ainda integra, em sua estrutura física, uma quadra poliesportiva coberta, onde são realizadas as aulas de Educação Física. Dentre as atividades, são criados torneios de futebol, basquete, vôlei e handball, exercitando uma interação interclasses. A escola também participa de eventos esportivos locais e regionais. Outras ações relacionadas à disciplina de Educação Física são realizadas nessa quadra, como, por exemplo, práticas de alongamento e exercícios físicos corporais.

Ressalta-se que a escola possui um site com as informações relevantes sobre as atividades relacionadas pela comunidade acadêmica, como Fotos de eventos, visão e missão, projetos, corpo docente, localização e parcerias da instituição. Notou-se que as informações disponibilizadas no site não apresentam interatividade com alunos e docentes, além da falta de atualização constante.

2.2. A Escola B

Na Escola B, em 27 de março de 1989, ingressaram os primeiros 144 (cento e quarenta e quatro) alunos – Ensino Integrado dos Cursos Técnicos de Alimentos e Processamento de Dados – diurno e noturno. Nessas turmas, já havia alunos de Taquaritinga e demais cidades da região.

Em 2010, em atendimento ao Programa de Expansão II da Educação Profissional, produto de parceria tríplice entre Secretaria Estadual de Educação, Secretaria Estadual de Desenvolvimento e Centro Paula Souza, tiveram início na EE “9 de Julho” os Cursos Técnico em Secretariado, Técnico em Marketing e Técnico em Serviços Jurídicos. São ocupadas 09 (nove) salas de aula, 02 (dois) laboratórios de informática, uma sala administrativa e um espaço utilizado como sala de leitura. Há uma docente designada como Coordenadora de Projetos, responsável pela Classe Descentralizada e docentes designadas como Coordenadoras de Curso.

Em 2012, foi implantado o Programa REDE de Ensino Médio Técnico, também oriundo de parceria entre Secretaria da Educação, Secretaria da Ciência e Tecnologia de São Paulo e Centro Paula Souza. É ainda oferecido, agora sob a denominação de Programa VENCE, o Ensino Médio Integrado ao Curso Técnico em Administração, sendo que aos professores da Escola Estadual cabe à docência dos componentes curriculares da base nacional comum, e aos docentes da escola, os componentes curriculares da formação técnica. Os alunos têm matrícula unificada e certificação única, sendo que toda a parte documental é feita pela secretaria acadêmica da escola (PROJETO PEDAGÓGICO, 2014).

Em relação às salas de Ensino Médio oferecidas pela escola, verificam-se os dados do Quadro 3:

Quadro 3 – Salas de Ensino Médio da Escola B

Sala Quantidade

de salas

Quantidade de alunos por Ano do Ensino Médio Período
1º Ensino Médio 4 160 Manhã
2º Ensino Médio 4 159 Manhã
3º Ensino Médio 3 120 Manhã
1º Informática integrada ao Ensino Médio 2 78 Manhã/Tarde
1º Química integrada ao Ensino Médio 1 40 Manhã/Tarde
Total: 14 557

Fonte: Acervo do autor

Considerando o uso das tecnologias da informação e comunicação para o Ensino Médio, de acordo com as manifestações dos docentes, observou-se a apresentação dos dados coletados na escola, através do Quadro 4:

Quadro 4 – Tecnologia da Informação e Comunicação na Escola B

Tecnologia da informação e comunicação (TIC) Quantidade
Laboratório de informática 7
Laboratório de química 2
Laboratório de física 1
Filmadora 2
Data Show 10
Bedel 5
Caixa de som com microfone 2
Mesa de som 1
Lousa Branca 16
Salão com multimídia 1
Quadra Poliesportiva 1

Fonte: Acervo do autor

Analisando o Quadro 4, no que se refere ao Laboratório de Informática, esses oferecem ao todo 80 (oitenta) máquinas instaladas recentemente com sistema operacional Windows Seven e pacote Office na versão 2013. Em todos os laboratórios, torna-se possível utilizar um programa chamado NetSchool, que permite ao professor compartilhar o conteúdo das aulas com os alunos. Os laboratórios são utilizados nas aulas de desenvolvimento de softwares, páginas de Internet, banco de dados, redes de computadores e outras competências envolvidas no curso de Informática integrado ao Ensino Médio. As outras salas de Ensino Médio também utilizam esses laboratórios no que diz respeito ao acesso no Portal Clickideia, onde os professores conseguem disponibilizar materiais didáticos, exercícios, avaliações, textos para leitura, artigos, filmes, vídeos e outros itens desenvolvidos por eles para que os alunos possam usufruir dessa ferramenta na troca de informação e conhecimentos sobre as diversas disciplinas do Ensino Médio.

Todos os laboratórios de informática são climatizados e possuem tela para projeção. Além disso, eles têm acesso à Internet por meio de um servidor Speedy (mantido pela unidade escolar) e Intragov (mantido pelo governo do Estado de São Paulo). As demais dependências da escola possuem acesso à rede Wireless (sem fio), para os docentes e funcionários, de forma liberada (docentes e funcionários podem acessar qualquer tipo de site da Internet), e no caso dos alunos, o acesso é restrito (não é permitido aos alunos nos horários das aulas acesso a sites indevidos ou impróprios) e pode ser liberado, apenas, com a devida autorização dos gestores acadêmicos. Normalmente, a liberação ocorre nos horários de intervalos das aulas.

Os laboratórios de informática estão à disposição para uso dos professores, exceto quando há aula agendada. O responsável pelos laboratórios, que possui como denominação para sua função Auxiliar Docente, informou que não é necessário realizar os agendamentos para as aulas dos períodos da manhã e tarde, pois o número de laboratórios é suficiente para os docentes desses períodos. As outras ferramentas (data-show, bedel, caixa de som, microfone, filmadora) estão disponíveis para uso dos docentes, sempre com o procedimento de agendamento prévio na coordenação pedagógica. A configuração dos equipamentos do laboratório é descrita como: máquinas Itautec, processador AMD Athlon 64 X2 Dual, 2 GB de memória RAM, gravador e leitor de DVD/CD e 160 GB de disco rígido.

O site da escola é administrado por um professor do curso Técnico em Informática e tem como finalidade apresentar as informações diversificadas do entorno escolar, tais como: eventos realizados, períodos de vestibulares, processos seletivos e concursos públicos para docentes e funcionários, infraestrutura da escola, informações sobre os cursos e seus docentes. Por ser uma escola de nível médio e técnico, vale destacar que a página da Internet não se difere dos sites das demais escolas estudadas.

Os laboratórios de química e biologia são constituídos de equipamentos necessários para o desenvolvimento das aulas práticas com os alunos do Ensino Médio, de acordo com o conteúdo ministrado pelo docente dessa disciplina. Para uso desses laboratórios, é necessário realizar o agendamento prévio com os funcionários responsáveis (duas auxiliares docentes) pelos respectivos laboratórios. Os professores devem preencher uma requisição (Anexo C), contendo a data e o horário da aula, bem como os materiais utilizados para a prática. A funcionária prepara todos os materiais e equipamentos que serão utilizados pelos docentes e deixa-os sobre a bancada do laboratório. Ela também auxilia o docente durante os procedimentos da aula. Não é permitida a entrada dos alunos sem jaleco e tênis. Os alunos que desrespeitarem essas regras não participam das aulas. Quanto ao laboratório de física, de acordo com as informações da Auxiliar Docente responsável, não há um documento utilizado para seu agendamento prévio, já que não são realizadas aulas práticas no laboratório.

O salão multimídia é usado para que os professores transmitam vídeos para os alunos, correspondentes às disciplinas que ministram na escola. As reuniões e demais apresentações que envolvem a comunidade acadêmica também são realizadas nesse local, que possui tela de projeção, notebook, mesa de som e data show. Além disso, estão instaladas no local, carteiras universitárias almofadadas para que os usuários usufruam de boa comodidade. A sala é climatizada através de 5 (cinco) aparelhos de ar-condicionado, já que a capacidade de pessoas que podem ficar sentadas é de 240 (duzentas e quarenta). Por ser um ambiente amplo, iluminado e bem climatizado, esse auditório é locado para outras instituições de ensino que desejam realizar seus eventos.

Em virtude de haver uma quadra poliesportiva coberta, as atividades da disciplina de Educação Física são nela idealizadas. Dentre as atividades, são criados torneios de futebol, basquete, vôlei e handball exercitando uma interação interclasses. A escola também participa de eventos esportivos locais e regionais, incluindo campeonatos de xadrez. Além disso, os campeonatos realizados pelo Centro Paula Souza também contam com a participação dos alunos, que são cadastrados pela coordenação pedagógica da escola. Outras ações relacionadas à disciplina de Educação Física são realizadas nessa quadra, como, por exemplo, práticas de alongamento e exercícios físicos corporais, além do Festival de Dança que acontece todos os anos, no mês de outubro, e é aberto à comunidade.

2.3. A Escola C

A Escola Estadual C foi criada em 04 de outubro de 1928 e situa-se em um bairro Central da cidade. É considerada uma escola de porte médio, onde oferece e atende à segunda etapa do Ensino Fundamental (do 6º ao 9º ano, conhecido antigamente como ginásio) e o Ensino Médio.

A escola também era conhecida como Industrial antes de se tornar escola estadual. Em 1999, uma tempestade derrubou grande parte do telhado dessa instituição de ensino, e, por alguns anos, ela foi transferida para outro local, no sentido de reconstruir os prédios. Curiosamente, as novas construções encontram-se na frente do local. Os prédios que sofreram o acidente continuam da mesma maneira nos fundos, destelhados e desativados.

Atualmente, a Escola possui onze (onze) salas de Ensino Médio, sendo divididas conforme apresenta o Quadro 5:

Quadro 5 – Salas de Ensino Médio da Escola C

Sala Quantidade

de salas

Quantidade de alunos por Ano do Ensino Médio Período
1º Ensino Médio 3 120 Manhã
1º Ensino Médio 1 40 Noite
2º Ensino Médio 3 120 Manhã
3º Ensino Médio 3 120 Manhã
3º Ensino Médio 1 40 Noite
Total: 11 440

Fonte: Acervo do autor

Considerando o uso das tecnologias da informação e comunicação para o Ensino Médio, observa-se a apresentação dos dados coletados na escola, por meio do Quadro 6:

Quadro 6 – Tecnologia da Informação e Comunicação na Escola C

Tecnologia da informação e comunicação (TIC) Quantidade
Laboratório de informática 1
Data Show 2
TV de 29 polegadas 2
DVD 2
Microfone 3
Rádio 2
DVD 2
Lousa (giz) 6
Salão com multimídia 1
Quadra Poliesportiva 1

Fonte: Acervo do autor

Analisando o Quadro 6, no que se refere ao Laboratório de Informática, esse oferece 27 (vinte e sete) máquinas instaladas recentemente com sistema operacional Windows e pacote Office na versão 2010. O laboratório fica disponível para uso dos professores, apenas com agendamento prévio na coordenação da escola. As outras ferramentas estão disponíveis para uso dos docentes, sempre com o procedimento de agendamento prévio na coordenação pedagógica. Contudo, não foi possível conhecer a configuração dos equipamentos do laboratório, pois segundo a coordenadora pedagógica do Ensino Médio, essas informações são bloqueadas pela administração central. A manutenção desse laboratório é realizada por alunos estagiários que controlam o tempo de acesso dos discentes.

As reuniões e as demais apresentações que envolvem a comunidade acadêmica são realizadas em uma sala equipada com tela de projeção, notebook, caixa de som e data show. Além disso, estão instaladas no local, mesas de madeira com cadeiras plásticas para que os usuários usufruam desses recursos.

Em virtude de haver uma quadra poliesportiva coberta, as atividades da disciplina de Educação Física são nela idealizadas. Dentre as atividades são criados torneios de futebol, basquete, vôlei, handball e campeonato de skate, exercitando uma interação interclasses. A escola também participa de eventos esportivos locais e regionais. Outras ações relacionadas à disciplina de Educação Física são realizadas nessa quadra, como, por exemplo, práticas de alongamento e exercícios físicos corporais.

Notou-se que, pelo estudo realizado na Escola C, o uso das TIC é moderado, principalmente pela quantidade reduzida de equipamentos disponíveis para utilização. Ao ser indagada sobre o uso das tecnologias de informação e comunicação na escola, a princípio, a coordenadora pedagógica respondeu “[…] aqui não tem nada! A gente se vira do jeito que dá e como dá”. Refletindo sobre sua resposta, percebe-se que há uma dificuldade em compreender de imediato o que são as TIC. Muitos professores são sabiam responder aos questionários aplicados, pois não conheciam a sigla TIC. Ao demonstrar exemplos e explicar as finalidades dessas ferramentas, as respostas tomaram nova direção e garantiram melhorias significativas na obtenção dos dados coletados.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

No caso da pesquisa aqui situada, o objeto de estudo partiu da experiência do pesquisador, assim como de sua própria trajetória de formação. Percebia-se empiricamente que os professores do Ensino Médio público integrantes dessa pesquisa, questionavam-se acerca do uso das Tecnologias da Informação e Comunicação em sala de aula, como elemento facilitador para o processo ensino-aprendizagem.

De acordo com essas premissas, gerou-se uma indagação, em conhecer se os saberes escolares seriam constituídos da mesma forma entre as várias disciplinas do currículo usando as TIC, delimitando assim o problema de investigação. Desse modo, entendeu-se que um conflito percebido na experiência prática, inclusive pessoal, pode se configurar em um problema de investigação, em que os docentes da rede estadual estudada se deparam, quando o assunto a ser abordado é o uso das TIC no cenário da sala de aula.

De forma geral, o uso de TIC no cenário educacional é sistêmico, pois necessita de uma estrutura física adequada para o funcionamento e a execução desse ferramental técnico; e é gradativo, no sentido de realizar o crescimento da utilização dessas ferramentas na escola por meio de um planejamento que envolverá a gestão e toda a comunidade acadêmica.

As evidências para identificar o uso correto e adequado dessas tecnologias são demonstradas no próprio ambiente escolar. A escola detém informações de quem é sua clientela: alunos, professores, pais de alunos, coordenadores, supervisores, diretores, atendentes, monitores, estagiários e corpo técnico-administrativo. Normalmente, as regras de uso das TIC são idealizadas pela escola, portanto é preciso conhecer quem são os integrantes desse cenário.

A pesquisa realizada nas escolas de Ensino Médio públicas da cidade de Taquaritinga – SP mostrou que, pela manifestação e perspectiva dos docentes, o uso das TIC apresentam efeitos visíveis, desde a melhoria no processo ensino-aprendizagem, melhoria no comportamento dos alunos em sala de aula, controle das aulas pelos docentes com a inserção das TIC e facilidade de exposição dos conteúdos pelos docentes em sala de aula.

A princípio, observou-se que a maioria dos docentes utiliza as TIC em sala de aula e elas são comuns entre as escolas pesquisadas, como: datashow, vídeo, som, laboratórios de informática, portais educacionais, softwares específicos e uso da Internet através de sites e livros online, como demonstra o levantamento das informações coletadas nas escolas.

É necessário observar e olhar essas escolas de uma forma diferenciada, pois a pesquisa mostra as dificuldades que os docentes têm em aceitar a inserção das TIC no ambiente escolar de Ensino Médio público da cidade de Taquaritinga-SP. São diversos os motivos, porém é preciso esclarecer que essas escolas não estão desprovidas de tecnologias, apenas é preciso administrar os recursos disponíveis, de forma a garantir o uso harmonioso dessas TIC, para que todos tenham acesso e usufruam dos benefícios disponibilizados por meio dessas ferramentas no processo ensino-aprendizagem.

Aos professores – agentes motivadores da aprendizagem – impõe-se uma reflexão sobre a utilização das TIC em sala de aula. Vale lembrar que o professor é o mediador do processo ensino-aprendizagem e seu envolvimento é parte decisiva para o sucesso efetivo da inserção de novas ferramentas da aprendizagem nesse ambiente.

REFERÊNCIAS

ACESSA ESCOLA. Disponível em: <http://acessaescola.fde.sp.gov.br>. (2010). Acesso em: 21 out. 2014.

BIZELLI, J.L. Inovação: limites e possibilidades para aprender na era do conhecimento. São Paulo: Ed. da UNESP: Cultura Acadêmica, 2013. v.1.

CARNEIRO, R. Informática na educação: representações sociais do cotidiano. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2002.

IBGE. Cidades@. Disponível em <http://ibge.gov.br>. Acesso em: 14 out. 2014.

FUNDAP. Programa Acessa Escola (2011). Disponível em <http://estagios.fundap.sp.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=97&Itemid=129>. Acesso em: 02 set. 2014

PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO (PPG). Disponível em: http://www.cpscetec.com.br/planoescolar/historico.php. Acesso em: 21 out. 2014.

NEVES, C.M.C. Educar com TICs: o caminho entre a excepcionalidade e a invisibildiade. Botelim Técnico Senac. Rio de Janeiro, v. 35, n. 3, set./dez. 2009.

[1] Doutora em Educação Escolar

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