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O Bullying contra crianças obesas em Ambiente escolar e suas consequências

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O Bullying contra crianças obesas em Ambiente escolar e suas consequências
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PEREIRA, Fátima Luciana [1]

MACIEL, Rosana Mendes [2]

PEREIRA, Fátima Luciana; MACIEL, Rosana Mendes. O Bullying Contra Crianças Obesas em Ambiente Escolar e suas Consequências. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo Do Conhecimento, Ano 01. Vol. 10, pp. 249-260. Novembro de 2016. ISSN:2448-0959

RESUMO

A temática é de relevância para analisar a abordagem do Bullying em sala de aula, dentro do ensino de ciências e demonstrar o papel do professor como conscientizador deste processo. Esta revisão objetivou analisar o bullying contra crianças obesas e o papel do professor diante da situação, discutindo quando surge o bullying em sala de aula, assim como suas consequências e demonstrar aos alunos a importância de respeitar as diferenças. Evidenciar a necessidade de demonstrar aos alunos a importância das diferenças e do respeito. O presente estudo foi realizado por meio de revisão literária de forma exploratória e qualitativa, Tendo como fontes artigos científicos, dissertação, teses, revistas e jornais, de tal maneira que foram feitas as buscas em bibliotecas, bancos de dados em sites da internet. Foram utilizadas para a busca as palavras chaves: bullying, obesidade infantil, educador. Além de utilizar materiais que estão relacionados com: educação e bullying em ambiente escolar.  Os materiais publicados ou registrados foram do período do ano de 2004 a 2016 e o período de realização da pesquisa foi de Janeiro de 2016 a Julho de 2016. O bullying é um ato de violência que, infelizmente, tornou-se realidade nas salas de aula em todo o país. As vítimas sofrem com esta situação na escola e, em alguns casos, até mesmo junto à família e necessitam de suporte psicológico para minimizar as consequências. Sendo assim, a escola deve ser mais bem preparada para lidar com esta situação.

Palavras-chave: Bullying, Obesidade infantil, Educador.

1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS

O bullying, de acordo com Zootesco (2010), é um ato de violência tanto física ou emocional, praticada contra uma pessoa ou um grupo de pessoas, dentre estes pode-se destacar os que sofrem com a obesidade. Para Mattos et al. (2012), estas situações ocorrem devido aos padrões impostos pela sociedade e seus estereótipos de certo ou errado e feio ou bonito.

De acordo com Soares e Madeira (2011), a obesidade é uma patologia crônica que tem como principal característica o acúmulo de gordura por todo o corpo, é multifatorial, podendo ser associados à predisposição genética, alimentação inadequada e/ou excessiva, condições socioeconômicas e psicológicas.  Segundo Giugliano e Carneiro (2004), a obesidade vem aumentando consideravelmente nos últimos anos.

Segundo Rabin (2015), o “excesso de peso” é a principal justificativa por trás do bullying contra crianças e esta realidade vai muito além da sala de aula.  Muitas vezes, a descriminação e as chacotas feitas com crianças obesas partem da própria família que não entende a obesidade como uma doença. Estas situações levam a severas consequências para as suas vítimas.

Albuquerque, Williams e D’affonseca (2013), destacam dentre as principais consequências as alterações psiquiátricas e emocionais, como transtornos de ansiedade e depressão, distúrbios alimentares, dificuldade para lidar com sentimentos e baixa estima. Podendo estes levar até mesmo ao suicídio.

O professor tem papel fundamental no controle dessas situações.  Meotti e Perícoli (2013) afirmam que é através das atitudes do professor em sala de aula que o aluno passa a respeitar aqueles com quem convive nesse ambiente. Sendo assim, o professor é o exemplo dos alunos e tem papel importante como conscientizador deles.

Pesquisas vêm sendo realizadas para avaliar o bullyingnas escolas e as estatísticas apresentam uma realidade assustadora. De acordo com pesquisas feitas pelo Centro de Empreendedorismo Social e Administração em Terceiro Setor (2010), no ano de 2009, a maioria dos alunos já vivenciou uma situação desse tipo de violência. E ainda de acordo com estas pesquisas pais e alunos afirmam que as escolas não estão preparadas para lidar com isso.

O tema é de relevância para analisar a abordagem do Bullying em sala de aula, dentro do ensino de ciências e demonstrar o papel do professor como conscientizador deste processo. Este projeto foi escolhido com a proposta de agregar conhecimentos sobre o tema aos futuros educadores e demonstrar a importância de transmitir estas discussões a seus discentes.

O presente estudo objetivo analisar o bullying contra crianças obesas e o papel do professor diante da situação, discutindo em que momento surge o bullying em sala de aula, diferenciando situações. Além de analisar as consequências do bullying para as crianças obesas e o papel do professor diante das situações, demostra a seus alunos a importância de respeitar as diferenças.

O presente estudo foi realizado por meio de revisão literária, de forma exploratória e qualitativa, buscando fontes em livros, artigos científicos, monografias, dissertação, teses, revistas etc., de tal maneira que foram feitas as buscas em bibliotecas, bancos de dados em sites da internet como o SCIELO. Foram utilizadas para a busca as palavras chave: bullying, obesidade infantil, educador. Além de utilizar materiais que estão relacionados com: educação e bullying em ambiente escolar.  Os materiais publicados ou registrados serão de preferência do período do ano de 2004 a 2016 e o período de realização da pesquisa foi de janeiro de 2016 a julho de 2016.

2. BULLYING E OBESIDADE

O bullying é um ato de violência tanto física ou emocional, praticada contra uma pessoa ou um grupo de pessoas. Infelizmente, na sociedade atual o bullying faz parte da rotina em sala de aula, a discriminação surge em vários sentidos, mas um dos enfoques principais desde o início são as crianças obesas. “Talvez o que a população ainda não tenha compreendido, é que a obesidade não é uma escolha, e sim condição do indivíduo. ” (ZOTESSO, 2015, p. 1)

De acordo com Costa, Souza e Oliveira (2012), Fame classifica os alunos em quatro categorias em relação ao bullying: alvos, autores, expectadores e alvos/autores. Os alvos são as vitimas do bullying, normalmente são pouco sociáveis e tem baixa estima e insegurança, o que os torna mais propícios a sofrerem a violência; Os autores são aqueles que praticam o bullying, são os mais fortes da classe e normalmente vem de famílias desestruturadas onde há comportamento violento e pouca afetividade. Os expectadores são as testemunhas que assistem e acompanham a pratica da violência, mas não a praticam. Os alvos/autores são estudantes que sofrem e praticam o bullying, transferindo a agressão para os colegas.

Segundo Mattos et al. (2012), a sociedade atual impões padrões, principalmente ao que se relaciona ao âmbito estético, desse modo o bullying surge a partir do momento que algo ou alguém foge desse padrão. Ainda seguindo essa linha de raciocínio, o corpo magro é o padrão aceito pela sociedade, a mesma tenta promover medidas para padronizar a todos, principalmente crianças e adolescentes. “Um aspecto dessa violência é a imposição de uma “normalidade” social, expressa nas dietas restritivas como estratégia terapêutica, que seguem o modelo de uma curva de crescimento para a infância e adolescência. ” (MATTOS et al., 2012, p.74)

Ainda de acordo com o autor supracitado aqueles que não tentam ou não conseguem se enquadrar em determinados padrões impostos pela sociedade em que vivem, no caso, diretamente relacionados à estética corporal, sofrem preconceito e são excluídos de diversas formas. Desta forma pode-se analisar que o bullying presente em sala de aula se origina fora dela.

De acordo com Soares e Madeira (2011) a obesidade é um tipo de patologia crônica que tem como principal característica o acúmulo de gordura por todo o corpo. A obesidade multifatorial, podendo ser associados predisposição genética, alimentação inadequada e/ou excessiva, condições socioeconômicas e psicológicas.

Ainda segundo pesquisas feitas pelo autor supracitado o consumo em excesso de alimentos carregados de gorduras saturadas e açúcares associado ao sedentarismo, está entre as principais causas da obesidade infantil. As refeições realizadas em redes de fast-food são um exemplo clássico de alimentação errônea e rotineira em nossa atual sociedade.

Giugliano e Carneiro (2004) afirmam que a obesidade vem aumentando consideravelmente nas últimas décadas, devido ao avanço tecnológico, que incentivou as crianças a se tornarem cada vez mais sedentárias, deixando de lado as atividades físicas, que tem papel fundamental no combate da obesidade.

A obesidade pode iniciar em qualquer idade, desencadeada por fatores como o desmame precoce, a introdução inadequada de alimentos, distúrbios do comportamento alimentar e da relação familiar, especialmente nos períodos de aceleração do crescimento. (GIUGLIANO E CARNEIRO 2004)

Segundo Rabin (2015) o “excesso de peso” é a principal justificativa por trás do bullying contra crianças e alguma coisa precisa ser feita a esse respeito, já que essa situação vai muito além da sala de aula. Segundo ele um estudo envolvendo mais de 400 médicos, revelou que mais de 30% dos entrevistados elencaram a obesidade como uma condição à qual reagiam negativamente, pouco atrás do vício em drogas, de doenças mentais e do alcoolismo. Além disso, durante uma pesquisa feita pelo CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças) quase metade das jovens com sobrepeso relataram provocações feitas por familiares.

De acordo com o autor acima, além de sofrerem preconceito, as crianças obesas, muitas vezes, são responsabilizadas pelo excesso de peso. A sociedade não é capaz de compreender que a obesidade vai muito além da alimentação e que dietas mirabolantes não são a solução para enquadrar essas crianças em um certo padrão imposto.

Ainda segundo o mesmo autor, algumas pessoas alegam que o bullying contra essas crianças seria uma espécie de “incentivo” para que as mesmas controlem hábitos alimentares e melhorem o físico, mas o que ocorre e justamente o contrário, nesses momentos começam os distúrbios alimentares e as faltas frequentes nas aulas. “Estudantes que são chamados de gordos durante a aula de educação física, por exemplo, acabam matando as aulas para evitar as críticas. ” (RABIN, 2015, p.2). Deste modo, as crianças obesas sofrem ainda mais, além de na maioria das vezes não estarem satisfeitas com o próprio peso, o preconceito imposto desencadeia depressão, revertida com compulsão alimentar o que piora o quadro de obesidade.

3. CONSEQUÊNCIAS DO BULLYING PARA CRIANÇAS OBESAS

Crianças e adolescentes que sofrem bullying tendem a lidar com suas consequências, sejam elas tardias ou até mesmo imediatas. De acordo com Albuquerque, Williams e D’affonseca (2013), dentre as principais consequências podem-se destacar as alterações psiquiátricas e emocionais, estado entre estas a depressão, os transtornos de ansiedade, baixa autoestima, solidão extrema, dificuldade para lidar com sentimentos e até mesmo as tentativas de suicídio, além é claro da consumação deste.

Ainda de acordo com o autor anterior, outro grande problema são as psicossomatizações sofridas pelas vítimas do bullying, onde podemos observar na maioria dos casos dores frequentes de cabeça e estômago, vertigens, dificuldades para dormir, encorpe-se e enurese principalmente em período noturno.  As consequências do bullying atingem tanto as vítimas como os agressores e espectadores. Para os agressores as consequências vão desde dificuldades no aprendizado até envolvimento com ilegalidade. “Baixo rendimento escolar, abandono da escola, envolvimento em condutas infracionais, problemas com o sistema legal e abuso de substâncias. ” (ALBUQUERQUE; WILLIAMS; D’AFFONSECA, p.93, 2013). Segundo Adário (2012), os espectadores por sua vez se sentem inseguros devido a situação de violência diária que presenciam.

No âmbito da saúde física e emocional, a baixa na resistência imunológica e na autoestima, o stress, os sintomas psicossomáticos, transtornos psicológicos, fobia, a depressão e o suicídio. Para os “agressores”, ocorre o distanciamento e a falta de adaptação aos objetivos escolares, a supervalorização da violência como forma de obtenção de poder, o desenvolvimento de habilidades para futuras condutas delituosas, além da projeção de condutas violentas na vida adulta. Para os “espectadores”, que é a maioria dos alunos, estes podem sentir insegurança, ansiedade, medo e estresse, comprometendo o seu processo socioeducacional (ADÁRIO, p.1, 2012)

Quando os episódios de bullying ocorrem em ambiente escolar o rendimento do aluno vítima dessa violência pode ser comprometido e este dará sinais claros disso, é o que afirmam Miranda e Mauriz (2012).

Alguns indicadores podem sinalizar o desinteresse do aluno em ir à escola, bem como, sentir-se mal perto da hora de sair de casa, pedir para trocar de escola, revelar medo de ir ou voltar da escola, pedir sempre para ser levado à escola, mudar frequentemente o trajeto entre a casa e a escola são também muito comuns e isso afetada diretamente o rendimento escolar desses alunos. (MIRANDA; MUNIZ, p. 5, 2012)

Albuquerque, Williams e D’affonseca (2013), afirmam que vítimas do bullying em sala de aula podem protagonizar episódios de agressão neste mesmo ambiente de maneira tardia. Os autores comprovam sua teoria citando um relatório de Vossekuil et al (2002).

Tal relatório, elaborado pelo Serviço Secreto dos Estados Unidos, examinou 37 incidentes envolvendo agressões fatais em escolas no mesmo país, entre 1974 e 2000, constatando que quase 3/4 dos assassinos tinham sido vítimas de bullying, em alguns casos bullying severo e persistente, com um histórico de se sentirem ameaçados e perseguidos.  (VOSSEKUIL et al, p.15, 2002)

Os autores citados anteriormente, ainda destacam um caso ocorrido no Brasil em 2011 para exemplificar a questão da violência gerada pelo bullying em uma escola em Realengo, no Rio de Janeiro, onde um ex-aluno invadiu a escola matou 11 estudantes e feriu outros 13, cometendo suicídio logo em seguida.  Segundo Lopes-Neto (2005), nesses episódios de violência os autores não têm vítimas especificas. Sendo assim a intenção seria assassinar a escola devido ao sofrimento cujo qual eles associam este lugar.

As crianças que sofrem bullying por seu estado de obesidade, além de todas as consequências citadas acima, podem ainda sofrer de transtornos alimentares. Podemos destacar entre estes a anorexia e a bulimia. “A anorexia nervosa é caracterizada pela perda intensa de peso às custas de dietas rígidas que são auto impostas visando uma busca desenfreada para se atingir a condição de magreza, acompanhada por uma distorção significativa da imagem corporal e com manifestação de amenorreia. A bulimia nervosa, por sua vez, caracteriza-se por grande ingestão de alimentos de maneira muito rápida e intensa associada a uma sensação de perda de controle – os chamados episódios bulímicos” (ABREU; CANGELLI FILHO, p.154, 2005).

Estes episódios bulímicos podem ser definidos como autoindução de vômitos e uso de substâncias laxativas para evitar ganho de peso. Arágon (2012), cita dois exemplos disso: o da estudante Ashlee Renee e o da fotografa Giulliana Leone; Tendo a primeira sofrido de anorexia após sofrer bullying do ex-namorado e dos amigos devido à obesidade e a segunda tendo sofrido de bulimia após vários episódios de bullying vindos de seus amigos.

4. O PAPEL DO PROFESSOR DIANTE DO BULLYING EM AMBIENTE ESCOLAR  

O professor tem papel fundamental para abrandar situações de bullying em sala de aula. Segundo Meotti e Perícoli (2013), é através do professor e de suas atitudes em sala de aula, que os alunos tendem a respeitar as diferenças dos colegas, entre elas as de tipo físico. Nas escolas acontece, em muitos casos, o primeiro contato do indivíduo com pessoas diferentes, seja por não terem a mesma crença religiosa ou por serem fisicamente diferentes, como os pais não estarão acompanhando o dia a dia dessas crianças e adolescentes, cabe ao professor conscientiza-las desde os anos iniciais até o ensino médio sobre a importância dos valores humanos, dentre eles o respeito.

De acordo com o Centro de Empreendedorismo Social e Administração em Terceiro Setor – CEATS (2010), as pesquisas feitas por sua equipe e apresentadas no relatório Plan relacionadas ao bullying em ambiente escolar comprovaram que dentre os alunos entrevistados 10% afirmam sofrer com essa violência constantemente, 30% já foram vítimas pelo menos uma vez e 70% presenciam essa situação frequentemente. O autor ainda afirma que na maioria das vezes as escolas não estão preparadas para lidar com o bullying.

Segundo o autor acima supracitado, algumas escolas adotam medidas para prevenir essa violência, tais quais palestras e debates em grupo, usando a interdisciplinaridade e envolvendo principalmente as aulas de filosofia, sociologia e valores humanos (ensino religioso). Ainda de acordo com as pesquisas realizadas a maioria dos professores afirma que as tentativas de manter a família dos agressores a parte dos ocorridos são em vão, já que muita das vezes a família não acredita no que está acontecendo e em alguns casos até apoiam as atitudes. Para tentar evitar o bullying a escola também tenta punir os agressores, com advertências e até mesmo suspensões, mas na maioria das vezes não surte efeito. Um dos principais relatos feitos pelos professores se refere da falta de informação e preparo para lidar com essas situações. Para Gomes e Rezende (2011), o primeiro passo que deveria ser dado pela escola é o preparo dos professores com profissionais especializados conscientizando-os em relação as consequências do bullying na vida do indivíduo que é vitimado pelo mesmo.

Segundo CEATS (2010), em alguns casos, até mesmo pela falta de preparo, essa situação foge do controle da escola, nesses casos 5,5% dos entrevistados afirmam que relatam o ocorrido ao Conselho Tutelar e deixa que o mesmo tome as atitudes cabíveis e 3,1% acionam a polícia, normalmente em casos onde há o envolvimento de violência física. Já 3,9% dos entrevistados surpreendem com sua resposta, pois estes afirmam ignorar a violência ocorrida. O fato descrito anteriormente é uma das provas da falta de preparo das escolas para lidar com a situação.

Gomes e Rezende (2011), afirmam que para evitar o bullying em ambiente escolar, uma das medidas a serem adotadas urgentemente pelas escolas e que vem apresentando ótimos resultados pelas quais já adotaram é a Educação Inclusiva, que consiste em apresentar as diferenças e demostrar à importância das mesmas para que todos tenham um convívio harmônico. Nesse processo incluem alunos com deficiência motora, visual e até mesmo cognitiva em salas de aula do ensino regular.

Segundo CEATS (2010), o relatório Plan apresenta ainda outros dados preocupantes no que se diz respeito da relação das escolas com os pais nos casos de violência. Enquanto os alunos afirmam que a atitude dos educadores depende dos métodos adotados pelas instituições de ensino, os pais afirmam que o professor não tem nenhum preparo para lidar com estes conflitos e por isso encontram-se de mãos atadas diante da situação. Os pais afirmam ainda que na maioria das vezes a escola não adota nenhuma medida e nem toma atitudes, ou quando as faz é de maneira tão branda que se torna quase imperceptível.  Ainda de acordo com a pesquisa os pais acreditam que se as medidas adotadas pela escola contra os agressores fossem de punições rígidas os casos de violência diminuiriam.

Oliveira-Menegotto, Pasini e Levandowski (2013), relatam que há uma imensa necessidade da adoção de políticas públicas para reverter a situação de descriminação em ambiente escolar. Vale a pena salientar que as consequências ocasionadas pelas marcas deixadas pelo bullying afetam suas vítimas pelo resto de suas vidas, evidenciando esses fatos aos alunos e professores pode-se conseguir a diminuição desses casos na escola.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O bullying é um ato de violência que, infelizmente, tornou-se realidade nas salas de aula em todo o país. As vítimas sofrem com esta situação na escola e, em alguns casos, até mesmo junto à família. As consequências psicológicas variam de distúrbios alimentares, depressão e ansiedade, até ao suicídio. As vítimas necessitam de suporte psicológico e apoio da família para minimizar as consequências.

Sendo assim, a escola deve ser mais bem preparada para lidar com esta situação e os professores devem ser capacitados por profissionais especialistas na aérea. Os pais devem participar ativamente da vida dos filhos na escola e estarem conscientes de tais atos e os agressores devem ter punições específicas.

REFERÊNCIAS

ABREU, Cristiano Nabuco de; CANGELLI FILHO, Raphael. Anorexia nervosa e bulimia nervosa: a abordagem cognitivo-construtivista de psicoterapia. Psicologia: Teoria e Prática, Consolação, v. 7, n. 1, p.153-166, jul. 2005.

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ALBUQUERQUE, Paloma Pegolo de; WILLIAMS, Lúcia Cavalcanti de Albuquerque; D’AFFONSECA, Sabrina Mazo. Efeitos Tardios do Bullying e Transtorno de Estresse Pós-Traumático: Uma Revisão Crítica. Psicologia: Teoria e Pesquisa, São Carlos, v. 29, n. 1, p.91-98, jan. 2013. Trimestral.

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CEATS, Centro de Empreendedorismo Social e Administração em Terceiro Setor –. Plan BULLYING ESCOLAR NO BRASIL RELATÓRIO FINAL.2010. Disponível em: <http://www.promenino.org.br/portals/0/pesquisabullying.pdf>. Acesso em: 08 set. 2016.

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ZOTESSO, Marina. O GORDO PRECONCEITO DA SOCIEDADE MODERNA. 2015. Disponível em: <http://obviousmag.org/em_cada_esquina/2015/o-gordo-preconceito-da-sociedade-moderna.html>. Acesso em: 16 mar. 2016.

[1] Aluno do Curso de Ciências Biológicas da Faculdade Patos de Minas (FPM) formando no ano de 2016.

[2] Professora de Metodologia, Políticas públicas, Gestão educacional, Estágio supervisionado e Tcc da Faculdade Patos de Minas. Mestre em Educação pela Universidade Federal de Uberlândia.

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