Curso de Eletrônica da Escola Técnica Federal do Amazonas e a LDB 5.692/71

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ALMEIDA, Fernando Rodrigues [1]

ALMEIDA, Fernando Rodrigues. Curso de Eletrônica da Escola Técnica Federal do Amazonas e a LDB 5.692/71. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Edição 9. Ano 02, Vol. 06. pp 80-100, Dezembro de 2017. ISSN:2448-0959

RESUMO

Este artigo trata da importância do Curso de Eletrônica da Escola Técnica Federal do Amazonas- ETFAM, para o mercado de trabalho criado pela implantação do Projeto Zona Franca de Manaus, em 1968, que inseriu indústrias do mercado eletro-eletrônico no Distrito Industrial de Manaus, hoje denominado Pólo Industrial de Manaus (PIM). Um contexto que aborda o início da relação entre Superintendência da Zona Franca de Manaus-SUFRAMA, que administra o projeto, a escola técnica e as empresas produtoras na absorção do Técnicos de Nível Médio em Eletrônica e Telecomunicações.

Palavras-Chaves: Escola Técnica Federal do Amazonas, Curso de Eletrônica, Técnico de Nível Médio em Eletrônica, SUFRAMA, Zona Franca de Manaus, Distrito Industrial de Manaus.

INTRODUÇÃO

O Governo Militar implantou a Lei de Diretizes e Bases (LDB) número 5.692 de 11 de agosto de 1971, tornou os Cursos Médio de 2º Grau em Cursos Técnicos de 2º Grau. Para Romanelli, a educação, não muito diferente da visão anterior, é vista “como instrumento de que se serve todo o aparato do Estado, para criar condições infra-estruturais de desenvolvimento do capitalismo e também para manter e reforçar a estrutura de dominação”. (1986, p. 258).

Este trabalho tem como objetivo contextualizar o Curso de Eletrônica da Escola Técnica Federal do Amazonas, no sentido de analisar sua importância para as empresas do Distrito Industrial de Manaus, no período da implantação do Projeto Zona Franca, originado a partir de 1968 e configurado em 1970, quando as empresas começaram a chegar em Manaus e iniciar o processo produtivo sem a presença técnica de mão de obra local.

É uma abordagem técnica do processo que originou o Curso de Eletrônica, turmas de 1972, formatadas pela Lei 5.692/71, com análise da matriz curricular, das matérias, das disciplinas, dos conteúdos programáticos, do corpo docente, discente, estágio profissionalizante, uma prática pedagógica tecnicista profissional projetada para formação do trabalhador com conhecimentos na área de Eletrônica e Telecomunicações preparado para atender às necessidades do mercado de trabalho. Para Minarelli (1995), “uma carreira profissional é de responsabilidade de quem a desenvolve, isto é, do seu proprietário, e não do tomador de serviços ou do empregador”. O técnico de Nível Médio em Eletrônica e Telecomunicações com autonomia da sua ação profissional na indústria eletro-eletrônica.

1. ESCOLA TÉCNICA FEDERAL DO AMAZONAS- ETFAM

Figura 1 – Escola técnica federal do Amazonas. fonte:http://manausontemhojesempre.blogspot.com.br/2014/07/escola-tecnica-federal-do-amazonas.html- Acesso: em 13/07/2017.

Através do decreto n.º 7.566, de 23 de setembro de 1909, instituiu-se, no estado do Amazonas, pelo Presidente Nilo Peçanha a Escola de Aprendizes de Artífices, instalada oficialmente a 1.º de outubro de 1910. Seu primeiro diretor foi o bacharel e jornalista Saturnino Santa Cruz de Oliveira, a quem coube a tarefa de organizar o ensino técnico-profissional oficial, em nosso estado. http://manausontemhojesempre.blogspot.com.br/2014/07/escola-tecnica-federal-do-amazonas.html.

Objetivo Geral

Contextualizar o Curso Técnico de Eletrônica e Telecomunicações da Escola Técnica Federal do Amazonas-ETFAM no contexto da LDB 5.692/71.

Objetivos específicos:

.  Análise da formação técnica na LDB 5.692/71

. Investigar a Importância do técnico para o mercado de trabalho.

1.2 DELIMITAÇÃO DA ÁREA

A Escola Técnica Federal do Amazonas- Etfam, situada geograficamente com latitude –60.0059332!2, longitude -3.1204897, avenida 7 de setembro, 1975, Manaus, Amazonas, Curso Técnico de Nível Médio em Eletrônica e Telecomunicações.

2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

2.1 Análise da formação técnica na Lei de Diretrizes e Base nº 5.692/71.

A partir de 1964, os generais do Exercito Brasileiro, assumiram o Poder no país. A partir deste período, começaram as mudanças na educação brasileira. Foi criada a visão tecnicista para a formação no chamado ensino secundário. Com a Lei de Diretrizes e Bases nº 5.692/71, promulgada em 11 de agosto de 1971, cursos técnicos foram implantados em todas as escolas do país. As escolas públicas estaduais, sem estruturas para às aulas práticas por falta de laboratórios e equipamentos não conseguiram acompanhar o processo de transformação educacional.

As Escolas Técnica Federais transformaram-se em referência de ensino na formação de técnicos de nível médio em diversas modalidades profissionalizantes de ensino. A Escola Técnica Federal do Amazonas, com Edificações, Estradas, Eletrotécnica e Eletrônica e telecomunicações, atendiam a demanda de mercado do Distrito Industrial e área de serviços.

Em 1971 foi promulgada a Lei 5.692, com pretensão de formação profissionalizante, a Lei 5692/71 assegurava em seu Art. 1º “O ensino de 1º e 2º graus tem por objetivo geral proporcionar ao educando a formação necessária ao desenvolvimento de suas potencialidades como elemento de auto-realização, qualificação para o trabalho e preparo para o exercício consciente da cidadania”. Uma lei criada em apenas 30 dias na tentativa de mudar os rumos da educação. Uma reformulação considerada um grande desafio que resultou num notório fracasso. Esta Lei criou o ensino de segundo grau, objetivando a formação integral do adolescente, além de propor a qualificação para o trabalho como componente básico para esta formação. No bojo das críticas que foram feitas à profissionalização compulsória regulamentada pela Lei 5692/71, discutiu-se profundamente não apenas o fracasso desta lei pela sua não viabilização material, mas a própria filosofia posta por uma política educacional voltada para a universalização da qualificação para o trabalho no Ensino Médio. Nesta discussão, foi central o papel da análise do trabalho moderno enquanto termo de referência para a organização do trabalho escolar. A posição que reivindica para o Ensino Médio uma “educação geral”, porém associada às bases de uma “educação tecnológica e politécnica” construiu-se não apenas na denúncia ao pragmatismo presente na lei da profissionalização compulsória, ao imediatismo de uma formação instrumentalizadora, e à sua ideologia conservadora; mas também na constatação de que, cada vez mais, a exigência de qualificação para a Emenda Constitucional nº 1/1969, promulgada em 17 de outubro de 1969. O trabalho moderno requer conhecimentos amplos, possibilidade de percepção e raciocínio, capacidade de comunicação e cooperação. (SCHEIBE4, 1992, p. 35).

Com uma educação tecnicista, o Brasil foi cenário de repressão, de censura e de efetivo controle social. A formação educacional era entendida como um espaço de formação profissional via treinamento, capacitando os jovens para suprir a demanda das fábricas em ascensão. Assim, por meio de um programa de educação voltado à profissionalização, igualmente anunciava-se políticas para erradicar o analfabetismo. A década de 1970 marca um período de muitas mudanças na sociedade brasileira, inclusive na educação. Marcadas por um contexto político social de violência institucional, mediado por uma realidade autoritária imposta pelos militares e pelos setores civis que os apoiavam. Vindo de uma realidade educacional dos anos de 1960, início da ditadura, com mais da metade da população analfabeta, a educação no Brasil demonstra, nas mãos do governo Humberto Castelo Branco, certa preocupação com a situação. Este presidente governou de 1964 a 1967, período que denotou ações governamentais com vistas ao aumento e diversificação das estratégias da imagem da ditadura. Em 1967, é anunciado o Programa de Alimentação Escolar e a Campanha Nacional Escolar. Seu sucessor, Artur de Costa e Silva, manteve-se no governo de 1967 a 1969, anunciando uma reforma administrativa no Ministério da Educação e dando continuidade às políticas de treinamento de professores e administradores educacionais. Em 1969, assume o poder o então General Garrastazu Médici, permanecendo no governo até 1974. Apoiado em um governo de desenvolvimento econômico, deflagrou ainda maiores deficiências na organização e funcionamento da educação. Propôs novas ideias e novas políticas, como a Emenda Constitucional nº 1/19692 tratando a educação como forma especifica, principalmente no Art. 176 a “educação, inspirada no princípio da unidade nacional e nos ideais de liberdade e solidariedade humana, é direito de todos e dever do Estado, e será dada no lar e na escola”, sendo “o ensino primário como obrigatório, dos sete aos quatorze anos, e gratuito nos estabelecimentos oficiais”.

O Curso Técnico em Eletrônica e Telecomunicações. foi estabelecido pelo Núcleo Comum, artigo 7º, Educação Geral: Comunicação e Expressão, Estudos Sociais, Ciências; A Educação Profissionalizante: Desenho, Organização e Normas, Eletricidade, Análise de Circuitos, Eletrônica, Ciências, Comunicação e Expressão; o currículo pleno de 1.585 horas.

2.2 LEI 7.044/82

Lei Federal que altera a LDB 5.692/71, criando novas metas para o primeiro e segundo Graus desobrigando as escolas dos cursos profissionalizantes.

LEI Nº 7.044, de 18 de outubro de 1982. Altera dispositivos da Lei nº 5.692, de 11 de agosto de 1971, referentes a profissionalização do ensino de 2º grau. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. 1º – Os artigos. 1º, 4º, 5º, 6º, 8º, 12, 16, 22, 30 e 76 da Lei nº 5.692, de 11 de agosto de 1971, passam a vigorar com a seguinte redação: “Art. 1º – O ensino de 1º e 2º graus tem por objetivo geral proporcionar ao educando a formação necessária ao desenvolvimento de suas potencialidades como elemento de autorrealização, preparação para o trabalho e para o exercício consciente da cidadania.

2.3 LEI DE DIRETRIZES E BASES 9.394/96

Com a Constituição Federal de 1988, surgiram as discussões para a adaptar a educação do país a nova realidade econômica. A ultima alteração havia sido em outubro de 1982 com a Lei 7.044. Sob pressão da sociedade, O Governo Federal exigiu a aprovação até o final do ano de 1996, assim, em sessão realizada em 17 de dezembro de 1996, foi aprovado na Câmara o relatório contendo o texto final da LDB, posteriormente sancionada pela Presidência da República no dia 20, sob o nº 9.394/96. Instituída a lei surge a necessidade de adequação da educação aos novos parâmetros legislativos, de forma a estabelecer um modelo educacional condizente com a realidade do país.

Mesmo sancionada, a lei 9.394/96 não impossibilita adaptações de melhoria para a educação nacional, sendo a mais completa legislação em favor da educação já redigida. Tal característica proporcionou à educação, importantes avanços, como a criação do FUNDEF (O Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério) e a instituição de alguns programas do governo federal visando à promoção do acesso ao ensino superior, como o ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) e PROUNI (Programa Universidade Para Todos).

3. O SISTEMA PRODUTIVO INDUSTRIAL

O contexto da formação técnica, na área de Eletrônica e as demais, sempre esteve a mercê das mudanças tecnológicas nas fábricas do Distrito Industrial de Manaus (DI). As estruturas das linhas de montagem foram estabelecidas pelos padrões desenvolvidos por Taylor e Ford, onde cada trabalhador executava uma atividade do produto desenvolvido e este fato provocava a criação de muitos empregos e não garantia a qualidade dos produtos no mercado competitivo internacional. Com a chegada das máquinas de inserção automática, os quadros funcionais foram reduzidos e os técnicos em eletrônica, tiveram que ampliar seus conhecimentos em razão das novas tecnologias. Estes fatos provocaram mudanças na estrutura das matrizes curriculares na Escola Técnica e na formação dos professores.

A introdução de novos equipamentos é o aspecto mais relevante das mudanças ocorridas no processo produtivo. As inovações tecnológicas concentram-se na área de inserção automática, considerada a mais importante, o coração das empresas. A utilização da força de trabalho no processo produtivo do setor eletrônico já não atinge os mesmos percentuais dos anos 1970/1980. Hoje a redução da mão-de-obra na produção direta é fato irreversível, pois o maquinário tecnologicamente mais avançado vem propiciando ao capital uma produção em larga escala, quantitativamente superior ano a ano, com qualidade inegavelmente melhor. As numerosas linhas de montagem manual, intensiva em mão-de-obra feminina, já não se fazem presentes (Oliveira, 2004, p.110- 111).

4. MATÉRIAS E METODOLOGIA

4.1 Entrevistas Abertas (semiestruturadas)

Foram utilizados os métodos Múltiplos de acordo com Hoppen et al (1996), pois trata-se de uma ferramenta muito dinâmica e amplia a capacidade de pesquisa de campo e o Método da Flexibilidade de Mattos e Lincoln (2005). Para as questões não seguirem as ordens determinadas e previstas nos guias, utilizou-se (Ghunter et al, 2004; Ruiz Bolivar, 2008; Walter,2011). A pesquisa realizou entrevistas abertas com alunos e professores que estavam nas turmas iniciais e com professores que atuaram em 1972.

4.2 Diagnóstico Social

Foi realizado levantamento social do contexto na linha do tempo entre o período do início do Curso de Eletrônica na ETFAM, a implantação das empresas no Distrito Industrial ou na cidade de Manaus, sendo utilizadas as seguintes atividades de coleta de dados: Pesquisa documental, entrevistas semiestruturadas (abertas) (MARCONI & LAKATOS, 2008).

4.3 Pesquisa Documental

Foram utilizadas pesquisas em referenciais teóricos de artigos publicados, documentos oficiais do Ministério da educação e Cultura (MEC), as Leis de Diretrizes e Bases o que de acordo com Alves (2002), a lei aprovada é o cumprimento de um programa tornando-se um marco simbólico de uma guinada neoconservadora da educação no Brasil na década de 90, nos moldes do ideário neoliberal. Esse programa começou a ser implementado no Brasil de forma mais sistemática e incisiva no governo de Fernando Collor e de Fernando Henrique Cardoso (FHC); ainda assim, a lei permanece ambígua porque conceitua, mas não assegura o próprio cumprimento. Utilizaram-se reportagens de jornais da cidade e sites da internet. As pesquisas documentais das matrizes curriculares foram obtidas no IFAM-CMDI, Campus Manaus Distrito Industrial. Os dados referentes ao corpo discente e docente das primeiras turmas foram obtidas na Gerência de Ensino do IFAM-CMDI no mês de julho de 2017. Os dados dos encaminhamentos de estagiários para o processo produtivo  da empresas do Distrito Industrial (DIM), foram pesquisados na Gerência de Extensão do IFAM-CMDI em julho de 2017.

4.4 TÉCNICOS FORMADOS

De acordo com informações do Instituto Federal do Amazonas-IFAM, o número de discentes que concluíram ou são concludentes do Curso Técnico de Nível Médio em Eletrônica de acordo com o IFAM-CMDI, está estabelecido da seguinte maneira entre 2007-2017:

Curso:  TÉCNICO IND HAB MANUTENÇÃO DE EQUIPAMENTOS ELETRÔNICOS 2007-2017
Nome Situação Matrícula
AFONSO DOS SANTOS DACIO FILHO Concluído
ALAN KARDECK GUEDES DA SILVA Concludente
ALUISIO DE ASSUNCAO ARAGAO Concluído
ANA KELLY PEREIRA DOS SANTOS Concludente
ANAMILCE GOMES DOS SANTOS Concludente
ANDERSON SANTOS DA SILVA Concludente
ANDRE WODSON ALMEIDA OLIVEIRA Concludente
ARIGEIBESOM VIANA DA COSTA Concludente
BRAVIMARA DE SOUZA SANTOS Concludente
CARLOS ALBERTO DE OLIVEIRA NERY Concludente
CLAUDIO TAVARES PESSOA Concluído
CLESIO JOSÉ VIEIRA LIMA Concludente
DANIELLE PESSOA DE SOUZA Concluído
DAVID LISBOA RIOS Concludente
DEBORA GONÇALVES DE JESUS Concludente
DENIVALDO DA SILVA SOUZA Concludente
DIANA MARTINS PINHEIRO Concludente
ELIENAI SILVA DE SOUZA Concludente
EMERSON ARAUJO RAMOS Concludente
ERIKA PATRICIA MARINHO OLIVEIRA Concludente
EWERTON DA SILVA BATISTA Concludente
FERNANDA CALASSO DE SOUSA Concluído
GENESES DA SILVA DE OLIVEIRA Concluído
GILSON ALMEIDA VIEIRA Concludente
GIZELDO RAMIRES FLORES Concluído
IRAN DA SILVA SANTOS Concluído
JAMES WILLIAMS SILVA DE MATOS Concludente
JOSE EDENILSON DOS SANTOS LIMA Concludente
JULIANE BARBOSA DE AMORIM Concluído
JULIO CESAR MONTEIRO DA COSTA Concluído
JÚNIOR FERREIRA NASCIMENTO Concludente
KÁSSIA VALÉRIA FERREIRA VILHENA Concludente
KEYLLA CRUZ NUNES Concluído
LEANDRO TEIXEIRA DE OLIVEIRA Concludente
MARCELO MAIA DO NASCIMENTO Concludente
MARCELO SANTIAGO LAMEIRA Concludente
MARCOS DE OLIVEIRA FERREIRA Concluído
MÁRIO ROMALDO BERGMANN JÚNIOR Concluído
MICHEL MAIA DA SILVA Concluído
NICOLAU PRIANTE NETO Concludente
PAULO THIAGO CUNHA Concludente
RAIMUNDA AUSINETE PANTOJA PAIVA Concluído
RALLESON SABOIA DE OLIVEIRA Concludente
RUBSON CARDOSO MOTA Concludente
SEVERINO AFONSO BRASIL DE SOUZA Concluído
SUENY DA CRUZ PEREIRA Concluído
VALDEMILTON CARDOSO MOUTINHO Concluído
VALDESON GALVAO DA SILVA Concludente

 

5. RESULTADOS E DISCUSSÕES

Os resultados obtidos neste trabalho estão diretamente relacionados ao conhecimento do pesquisador sobre o tema da abordagem.

O Curso Técnico de Nível Médio em Eletrônica e Telecomunicações, iniciado na ETFAM em 1972, foi formatado com turmas mistas. A Escola passou a aceitar o corpo discente feminino e na sequência pela primeira vez se configurava a formação de técnico para o mercado do gênero.

A Matriz Curricular aplicada estava definida por matérias do Núcleo Comum e matérias do Núcleo técnico.  A duração total da formação foi estabelecida pela LDB 5.692/71, em 3.585 horas, incluso o estágio obrigatório de 420 horas no ambiente industrial ou equivalente. O estágio era supervisionado por um professor em conjunto com o coordenador do curso, o supervisor da empresa.

O acesso aos cursos técnico da ETFAM se dava por meio de concurso público (Minivestibular), e a nota referentes para alcançar a aprovação era classificatória obedecendo o número das vagas destinadas ao Curso de Eletrônica e Comunicação.

As turmas estavam posicionadas por turnos de acordo com as séries. A primeira série no turno matutino, a segunda no turno vespertino, a terceira e quarta série no turno da noite (noturno), em função do estágio profissionalizante realizado paralelamente ao processo final de formação. A quarta série era operacionalizada no primeiro semestre do ano definido o segundo para a conclusão da experiência prática no mercado de trabalho. O discente para obter o Diploma de Técnico de Nível Médio teria que cumprir a carga horária estabelecida pela Lei de Diretrizes e Bases 5.692/71 referentes ao estágio. No caso de não cumprimento do estágio profissionalizante, o discente tinha direito ao certificado de Segundo Grau para prosseguir nos cursos superiores.

A estrutura do Curso de Eletrônica foi definida pela Matriz Curricular definida pela figura 2, define a formatação da estrutura de conhecimentos técnicos e do núcleo comum direcionados ao corpo discente.

Figura 2 - Matriz Curricular do Curso de Eletrônica e Telecomunicações da ETFAM em 1972. Fonte: CMDI, 2017.
Figura 2 – Matriz Curricular do Curso de Eletrônica e Telecomunicações da ETFAM em 1972. Fonte: CMDI, 2017.

O corpo docente do Curso de Eletrônica, era formado por Professores que também pertencia ao quadro da Universidade do Amazonas (UA), entre os quais podemos citar o Professor Manuel do Carmo Chaves, Professor Celso Cavalcante, Professor Lupercínio de Sá Nogueira, Militares da Aeronáutica e Diretores de fábricas da Pólo, um deles foi o Professor Frederico Kempter, com formação técnica na área de Eletrônica e Telecomunicações. Parte do quadro docente foi formada por professores com formação Técnicos de Nível Médio em Eletrônica e Telecomunicações atuantes no mercado indústria, outros cursando o Curso de Tecnologia em Eletrônica da Universidade Tecnológica da Amazônia-UTAM, atualmente incorporada aos cursos da Universidade Estadual do Amazonas (UEA).

O quadro docente no período entre 1972 e 2017: Plínio, Capitão Cândido, João Batista Pinto de Oliveira, Pedro Ivan das Graças Palheta, Sebastião Peixoto, Ciro Leal de Paiva, Agnaldo de Oliveira Gomes, Agnaldo Loureiro Fournier, Cleomir Santos, Pauderney Avelino, Laerte Ribas Júnior. Islane Maria Paiva, José Brito de Souza, Glória Maria Andrade, Gilberto Andrade, Maria de Jesus Brandão, Antônio Moreira Brandão, Fernando Rodrigues de Almeida, Luís Carlos Braga, Stanislau de Oliveira Arruda, Eufrozino Gomes, Carlos Alberto de Almeida, Antonio Pereira, Vicente Nogueira, Geraldo Nogueira, José Renato Frota, Maués, Francisco Soares, Maria do Socorro Nóbrega, José Carlos Nunes de Mello, Pedro Ferreira da Silva Filho, Livia de Souza Camurça Lima, Isac Benjamin Bechimol, Mário Diogo de Mello Júnior, José de Jesus Botelho Lima, João Renato Aguiar Soares, Ricardo Brandão Sampaio, Carlos Augusto Fontinelle, Ursula Vasconcelos Abecassis, Roberto Alcides de Lima Prazeres, José Pinheiro de Queiroz Neto, Sandro Lino Moreira de Quiroga, Augusto César Alves Bacóvis, Marcos Costa Maciel, Márcia Maria Bacóvis, Vicente Ferreira Lucena Júnior, José Correia de Menezes, Wanderson de Lima Reis, Hillermann Ferreira Lima, Maria Stella Nunes de Mello, Mauro Falabella Castro, Nivaldo Rodrigues Silva. Alguns professores estão no quadro ativo do Curso Técnico de Nível Médio em Eletrônica do IFAM em 2017.

5.1 CURSO DE ELETRÔNICA EM 2017

Em tal contexto, as atualizações de conhecimentos eram fundamentais para os docentes e discentes acompanharem o processo tecnológico nas empresas. Os novos equipamentos eletrônicos exigiram novos conhecimentos em função das novas tecnologias e componentes. Neste sentido, as mudanças pedagógicas e técnicas foram implantadas na matriz curricular (figura 3). A ultima mudança ocorreu em 2011/2012 e está em vigor atualmente.

Figura 3 - Matriz curricular do Curo Técnico de Nível Médio em Eletrônica 2011/2012. Fonte: IFAM, 2017.
Figura 3 – Matriz curricular do Curo Técnico de Nível Médio em Eletrônica 2011/2012. Fonte: IFAM, 2017.

A matriz curricular (Figura 3), implementadas com modificações de disciplinas e conteúdos relacionados a informática em função do uso destas tecnologias nos sistemas produtivos industriais. Os novos conteúdos relacionados aos programas de computadores, são utilizados em sistemas simuladores de projetos de sistemas eletrônicos relacionados as disciplinas referentes. A matriz foi desenvolvida de acordo com a ultima Lei de Diretrizes e Bases (LDB) 9.393/96.

5.2 TÉCNICOS NO MERCADO DE TRABALHO: A VISÃO DO PESQUISADOR.

Este contexto foi estabelecido pelo olhar do pesquisador, que foi aluno do Curso Técnico em Eletrônica e telecomunicações na primeira turma (1972), atuou como técnico na indústria eletro-eletrônica na Electra Rádio do Brasil, ainda cursando a primeira série do curso. A Electra Rádio atuava na produção de diversos produtos, entre eles microrádios, secadores de cabelo, gravadores de áudio.

Figura 4 - Registro profissional do  pesquisador. Fonte: Autor,2017.
Figura 4 – Registro profissional do  pesquisador. Fonte: Autor,2017.

O trabalho desenvolvido na Electra rádio envolvia várias atividades como único técnico em eletrônica, atuava como supervisor geral da fábrica no setor produtivo de diversos produtos. Os produtos com defeitos eram descartados em grandes quantidades, pois chegavam na empresa montados onde somente os fones de ouvidos eram conectados e após receberem a etiqueta de produzidos na Zona Franca de Manaus, eram embalados e enviados a São Paulo onde funcionava o setor comercial da empresa. O proprietário é o empresário Antonio Velasquez.

A experiência no mercado de trabalho foi sequenciada na Philips da Amazônia S/A, em uma estrutura de trabalho diferenciada, um gigante do mercado internacional, de origem holandesa, foi estruturada em Manaus, na área situada à rodovia Torquato Tapajós, bairro de Flôres, onde foi exercido a função de técnico de rádio, tendo em vista que a empresa só produzia rádio em AM/FM, com diversos modelos e dimensões.

Televisão preto e branco e colorida, entraram no currículo profissional na Colorado da Amazônia, onde participamos no processo de implantação da fábrica e todo o seu contexto produtivo (admissão de funcionários, implantação das linhas de montagem, implantação do restaurante, almoxarifado, produção e manutenção.

5.3 TÉCNICOS NO MERCADO DE TRABALHO NOS ULTIMOS 10 ANOS: IFAM-CMDI.

4.3.1. De acordo com os dados fornecidos pelo Instituto Federal do Amazonas- IFAM, Campus Manaus Distrito Industrial –CMDI, nos últimos dez anos, período entre 2017-2017, 51 alunos concluíram ou são concludentes de seus cursos com estágios realizados no mercado de trabalho, fator indicativo de baixo aproveitamento da mão de obra com formação técnica na área de Eletrônica. Fato possivelmente registrado em função dos surgimentos de novas escolas na cidade de Manaus, formadoras de profissionais na área referida (Fundação Mathias Machlinne, FUCAPI).

Gráfico 1 - Técnicos em Eletrônica no mercado no período entre 2007-2017. Fonte: Almeida, Fernando Rodrigues (2017).
Gráfico 1 – Técnicos em Eletrônica no mercado no período entre 2007-2017. Fonte: Almeida, Fernando Rodrigues (2017).

CONCLUSÕES

Para atrair investimentos, foram criados incentivos no âmbito dos impostos indiretos que impactavam os custos das empresas como redução de Imposto de Importação (II), isenção de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), restituição de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e isenção de Imposto sobre Serviço (ISS). Esse movimento industrial precisava de mão de obra especializada, como técnico de nível médio com conhecimentos de áudio, vídeo e telecomunicações e a Escola Técnica Federal do Amazonas implantou o curso com base na Lei de Diretrizes e Bases (LDB )5.692/71, para contemplar o mercado do Distrito Industrial de Manaus.

O Curso Técnico em Eletrônica e Telecomunicações, foi o grande responsável pelo fornecimento da mão de obra especializada usada pelo mercado de trabalho na cidade de Manaus. Quando a Zona Franca foi implantada (1968) e trouxe grandes empresas produtoras de equipamentos eletrônicos, a grande incógnita estava relacionada com a mão de obra local. Entretanto, a Escola Técnica Federal do Amazonas, paralelamente introduziu o Curso de Nível Médio em Eletrônica e telecomunicações, fornecendo a mão de obra com qualidade resolvendo um dos maiores problemas das indústrias na implantação de suas fábricas em Manaus, a importação de técnicos da região sul e centro do país.

A Etfam caminhou na linha do tempo da produção industrial com as mudanças tecnológicas ocorridas no mercado eletro-eletrônico. As implantações de máquinas de inserções automáticas, reduziram os empregos e exigiram um novo perfil do técnico em eletrônica e tais conhecimentos foram inseridos na matriz curricular mantendo o quadro dos técnicos fora da tabela de desemprego.

A mão de obra formada pela ETFAM, desde o período inicial, 1972, foi absorvida, em sua maioria, pelo mercado do Distrito Industrial nas áreas de áudio, vídeo e telecomunicações de acordo com informações das gerências de Extensão do IFAM-CMDI (Campus Manaus Distrito Industrial). Porém, os últimos anos demonstram que o mercado da área de Eletrônica passou a ser compartilhados por diversas escolas e centros de treinamentos, fato contribuinte no mercado de trabalho para os técnicos em Eletrônica formados pela ETFAM/CETAM/IFAM.

REFERÊNCIAS

BRASIL. Ministério da Educação. Lei º 4024/61 de 20 de Dezembro de 1961: Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Brasília, 1961; _______. Ministério da Educação. Lei º 5540/68 de 28 de Novembro de 1968: Lei Normas de Organiação e Funcinamento de Ensino Superior em Articulação com a Escola Média. Brasília, 19681;

_______. Ministério da Educação. Lei º 5692/71 de 11 de Agosto de 1971: Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Brasília, 1971;

SCHEIBE, Leda. Escola média e formação técnica: repensando a relação trabalhoescola. Em Aberto, Brasília, ano 10, n.50/51, abr./set 1992. Disponível Em: http://emaberto.inep.gov.br/index.php/emaberto/article/viewFile/767/688.

BRASIL. Lei nº 4.024, de 20 de dezembro de 1961. Fixa as diretrizes e bases da educação nacional. Lei de Diretrizes e Bases da Educação-LDB. Brasília, DF, 1961. Disponível em: Acesso em 14 set. 2014.

OLIVEIRA, Djalma de Pinho Rebouças. Planejamento Estratégico: Conceitos, Metodologia e Prática. São Paulo: Atlas, 2004.

[1] Mestrando em Ciências do Meio Ambiente, Universidade Federal do Pará (UFPA),Pós-Graduado em Piscopedagogia, Graduado em Pedagogia pelas Faculdades Martha Falcão, Fundador da Fundação Mathias Machlinne, aluno do Doutorado em Engenharia Elétrica IFAM-UFMG,Autor do Projeto Pedagógico do Curso Técnico de Informática Industrial das Escolas técnicas Federais, Fundador do Curso de Eletrônica da Fundação Mathias Machlinne, Fundador do Encontro Nacional de Professores de Eletrônica(ENPEL),Professor do Instituto Federal do Amazonas-IFAM.

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