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Os desafios e possibilidades da Educação de Jovens e Adultos (EJA): uma reflexão sobre a formação do educador

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CONTEÚDO

ARTIGO DE REVISÃO

MOTA, Asenath dos Santos Santana da [1]

MOTA, Asenath dos Santos Santana da. Os desafios e possibilidades da Educação de Jovens e Adultos (EJA): uma reflexão sobre a formação do educador. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 04, Ed. 12, Vol. 04, pp. 154-170. Dezembro de 2019. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/educacao/desafios-e-possibilidades

RESUMO

O objetivo do presente estudo consiste em analisar os desafios e possibilidades da Educação de Jovens e Adultos (EJA) promovendo uma reflexão sobre a formação do educador diante desse cenário. A EJA, em síntese, trabalha com sujeitos marginais ao sistema, com atributos sempre acentuados em consequência de alguns fatores adicionais como raça/etnia, cor, gênero, entre outros. Para atingir o objetivo do presente estudo, foi necessário desenvolver uma metodologia condizente com a temática abordada. Assim, o enfoque no método abordado teve como primeiro passo à realização de um levantamento e estudo bibliográfico, com a intenção de saber que autores tratam do tema apontado nessa pesquisa, fazendo leituras em várias fontes para enriquecimento do conhecimento teórico. Portanto, o intuito da Educação de Jovens e Adultos é desenvolver no sujeito jovem ou adulto o senso crítico, a capacidade de ler o mundo, além de despertar e desenvolver nesses sujeitos habilidades e competências técnicas necessárias à vida em sociedade, ou seja, colaborar na formação e emancipação humana.

Palavras-chave: Desafios, possibilidades, formação, educador.

1. INTRODUÇÃO

No momento atual, mais que em qualquer outro, a educação de jovens e adultos vem sendo discutida com muita frequência. Nesse contexto, é importante ressaltar que, no Brasil, mesmo com o significativo crescimento da oferta de vagas no ensino fundamental nos últimos anos, ainda existem milhares de jovens, adultos e idosos que não foram alfabetizados com a idade adequada. Estes veem uma oportunidade ampla e diversificada através desse tipo de ensino de recuperarem o tempo perdido e de, consequentemente, serem incluídos na sociedade letrada (TELES; SOARES, 2016).

Um dos motivos da escolha desse tema é saber que nem todas as cidades do país ofertam programas educacionais de boa qualidade; alguns apresentam grandes déficits de ordem financeira e/ou técnica, em outros casos os programas não atingem as metas estabelecidas. A região do país apontada com o maior número de analfabetos é o Nordeste, onde inúmeras cidades têm alta população de excluídos do meio letrado (BÔAS, 2017). O analfabetismo no Brasil é um desafio de enorme proporção. O mesmo gera problemas sociais para as camadas mais pobres da nação.

A proposta deste trabalho consiste em levantar reflexões e também conhecer os desafios e avanços dos programas educacionais de alfabetização de jovens e adultos, observando a importância da formação do educador diante desse cenário. Assim, o presente trabalho se justifica pela necessidade de identificar quais os programas de alfabetização de jovens e adultos são oferecidos e como é feita a formação dos professores atuantes nesses programas, além de ser necessário discorrer sobre os avanços que estes programas proporcionaram para a educação.

Como educador, o professor de adultos, precisa de uma formação inicial e também continuada, que lhe capacite para atender às demandas da educação de jovens e adultos. Sua formação é fundamental para a qualidade de intervenção que ele fará em sala de aula.

O objetivo do presente estudo consiste em analisar os desafios e possibilidades da Educação de Jovens e Adultos (EJA) promovendo uma reflexão sobre a formação do educador diante desse cenário.

2. O DESENVOLVIMENTO DA EJA NO BRASIL

Os acontecimentos na história da Educação de jovens e adultos EJA, no Brasil, deram-se conforme a história da educação como um todo e ambas, por sua vez, nunca foram prioridade dos governos, ―porque a ação governamental reflete o seu condicionamento às bases de produção.

A educação como um todo, incluindo a EJA, tem constituído um cenário de interesses intensos e movimentos distintos. Em cada período da história observa-se um verdadeiro embate político e ideológico de vários grupos: econômicos, político-partidários, de educadores e intelectuais, ligados a diferentes movimentos sociais e organismos internacionais, numa real luta política e ideológica em torno de projetos sociais e educacionais, no seio das quais se apresentam reivindicações para a definição de políticas e ações para a EJA (PORTELA, 2009).

A partir da Revolução de 1930, com mudanças políticas e econômicas, iniciou a consolidação de um sistema público de educação elementar no país, o qual possibilitou experiências significativas na área, quando na constituição de 1934, consolida-se o dever do Estado frente ao ensino primário, integral, gratuito e de frequência obrigatória, extensivo, inclusive, aos adultos, influenciados pelo chamado Manifesto dos Pioneiros, lançado em 1932 (TELES; SOARES, 2016).

Já a década de 1940 foi um período muito significativo para a educação de adultos, na qual se delineou seu espaço específico e cogitou-se uma educação para todos os adolescentes e adultos analfabetos do país (TELES; SOARES, 2016).

Em 1946, por meio da Lei Orgânica do Ensino Primário (Decreto-Lei 8529/46), é criado o curso primário supletivo, com dois anos de duração, voltado a adultos e adolescentes (Parecer 11/2000). Nesse mesmo ano, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP) lança um apelo às autoridades de ensino do país no intuito de incentivar uma campanha de educação de adolescentes e adultos analfabetos.

Logo em seguida, em 1947, ocorre o lançamento da Campanha de Educação de Adolescentes e Adultos (CEAA) e, voltada para a região nordeste, a Campanha Nacional de Educação Rural (CNER), que era uma campanha, segundo Paiva (1983), que tinha objetivos claramente políticos, destinados à sedimentação do poder político e das estruturas socioeconômicas (MACHADO; NUNES, 2016).

Por exemplo, a promulgação da Constituição Federal de 1988 que garantia a extensão da obrigatoriedade de educação fundamental para os jovens adultos, expresso em seu artigo 208 da seguinte forma: O dever do Estado com a educação será efetivado mediante a garantia de: I – ensino fundamental, obrigatório e gratuito, inclusive para os que a ele não tiveram acesso na idade própria. Porém, mesmo sendo um grande ganho para a EJA, como em vários momentos da história da educação brasileira, não existiram políticas públicas que a concretizasse, pois a existência da formulação legal do direito, no entanto, não significa sua prática, assim como a luta pelo direito nem sempre chega a constituí-lo (PORTELA, 2009).

A EJA, em síntese, trabalha com sujeitos marginais ao sistema, com atributos sempre acentuados em consequência de alguns fatores adicionais como raça/etnia, cor, gênero, entre outros. Apesar de as questões da EJA não estarem resolvidas no nível do ensino fundamental, cuja oferta é dever do Estado por força constitucional, entende-se ser impossível ficar imóvel diante de algumas constatações que vem sendo apontadas no âmbito da rede federal de educação profissional e tecnológica como, por exemplo, a baixa expectativa de inclusão de jovens de classes populares entre os atendidos pelo sistema publica de educação profissional (ROMÃO; RODRIGUES, 2011).

Nesse sentido, na atualidade, a EJA continua sendo objeto de inúmeras discussões e de inúmeros programas, que de forma contraditória, por um lado, resultam das lutas e reivindicações dos trabalhadores e da consequente democratização social, por outro, incorporam e buscam, de certa forma, conduzir as demandas sociais para o atendimento aos interesses das necessidades da produção capitalista.

Por outro lado, é preciso destacar que educar é um ato social, de transmissão da cultura e do saber letrado entre as gerações. O conceito de Educação refere-se a um processo, algo que acontece durante a vida toda. Segundo a definição de Pinto (2010, p. 31): “A educação é o processo pelo qual a sociedade forma seus membros à sua imagem em função de seus interesses”.

O analfabetismo no Brasil é um desafio de enorme proporção. O mesmo gera problemas sociais para as camadas mais pobres da nação. Para Gadotti (2011, p. 32), “o analfabetismo é expressão da pobreza, consequência inevitável de uma estrutura social injusta. […]”. De fato, a má distribuição de riquezas inclui entre estas, a do saber letrado, principalmente entre os adultos, já que as últimas décadas do século XX foram marcadas por um esforço para melhorar os indicadores de analfabetismo.

Ainda que o acesso à escola esteja mais facilitado para as crianças, nas séries iniciais, problemas como a pobreza, dificuldades de transporte e material escolar, necessidade de trabalhar, acabam por provocar uma evasão da escola nos anos seguintes. Isto sem considerar os adultos e idosos, que há seu tempo não tiveram nem mesmo oportunidade de ingressar em uma escola regular (SAUL, 2016).

A Declaração de Hamburgo de 1997, sobre Educação de adultos, do qual o Brasil é signatário diz o seguinte:

[…] a alfabetização concebida como conhecimento básico, necessário a todos, no mundo em transformação, é um direito humano fundamental. Em toda a sociedade, a alfabetização é uma habilidade primordial em si mesma e um dos pilares para o desenvolvimento de outras habilidades […] o desafio é oferecer-lhes esses direitos. A alfabetização tem também o papel de promover a participação em atividades sociais, econômicas, políticas e culturais, além de ser um requisito básico para a educação continuada durante a vida (UNESCO apud BRASIL, Parecer nº 11 CNE/CEB, p. 7).

Diante disto, pode-se dizer que é preciso uma educação básica de qualidade e eficaz, capaz de alfabetizar jovens, adultos e idosos. Propiciando esses conhecimentos básicos que precisam para se inserir nesse mundo de letrados.

Após longa trajetória de luta para que todos pudessem ter acesso à educação, surge durante o regime militar, um movimento de alfabetização de jovens e adultos, com o objetivo de erradicar o analfabetismo, chamado MOBRAL. Esse projeto tinha como alvo o ato de ensinar a ler e escrever. O fato de esse projeto ter surgido durante este período, denota o interesse político por trás de tal ato, pois o objetivo principal era ressaltar o sentimento de bom comportamento para o povo e justificar os atos do governo ditatorial. Programas criados dentro da proposta do MOBRAL (Movimento Brasileiro de Alfabetização) ofereciam às populações carentes oportunidade de qualificação, porém não formavam o senso crítico destas, possibilitando a manutenção do modelo da ditadura.

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB 5692/71, regulamenta o ensino supletivo, implantado na rede de ensino público. Em 1985 o MOBRAL foi extinto e surgiu a fundação EDUCAR que apoiava as iniciativas de alfabetização existentes no programa anterior. Com a Carta Magna de 1988 o Estado amplia o seu dever com a Educação de jovens e adultos (MACHADO; NUNES, 2016).

No final do século XX emergiram várias iniciativas em favor da Educação de jovens e adultos, sendo também obrigação do município ofertar esta modalidade de ensino para os que não tiveram acesso no período regular com parceria entre governos municipais, estaduais e federais, ONG’s, universidades etc., sendo que a partir de 1997 a história da EJA inicia seu registro no Boletim da Ação Educativa (MACHADO; NUNES, 2016).

Desde então, a EJA passa a fazer parte do cenário nacional como um produtor de novas oportunidades, sendo indispensável na vida de milhões de brasileiros que buscam novas oportunidades educacionais. Nessa perspectiva, novas formas de ensino estão sendo implantadas a fim de melhorar a educação brasileira dentre elas pode-se dizer o EJA.

Os idosos que anteriormente não estavam incluídos na EJA, agora também podem frequentar esta modalidade. No Estatuto do Idoso, Lei 10.741 de 1º de outubro de 2003, vemos o direito à educação dos idosos no capítulo V, Art. 21: “O poder público criara oportunidades de acesso do idoso à educação, adequando currículos, metodologias e material didático aos programas educacionais a ele destinados” (BRASIL, 2011, p. 5). A educação para idosos reflete na qualidade de vida desses, pois aumenta sua autoestima, amplia suas habilidades e melhora a forma de se socializarem e conseguirem vencer desafios, vencer o analfabetismo na terceira idade.

No contexto atual da sociedade e da Educação Brasileira, milhões de jovens, adultos e idosos procuram Programas de Alfabetização para aprender a ler e escrever. Isso inclui jovens e adultos não alfabetizados que já foram à escola no passado e, por algum motivo, deixaram de frequentá-la. Todos reconhecem a importância dessa conquista de sair do analfabetismo (PORTELA, 2009).

Diante dessa realidade, é expressamente importante que todos tenham o direito garantido de serem alfabetizados. Na LDB (Lei de Diretrizes e Bases), lei 9.394/96, no seu título V (dos níveis e modalidades Educação e Ensino), no capítulo II (Da Educação Básica), a seção V denomina-se Educação de Jovens e Adultos. O Art. 37, diz que:

Art. 37. A Educação de Jovens e Adultos será destinada àqueles que não tiveram acesso ou continuidade de Estudos no ensino fundamental e médio na idade própria.

§ 1º Os sistemas de ensino assegurarão gratuitamente aos jovens e aos adultos que não puderam efetuar os estudos na idade regular oportunidades educacionais apropriadas, consideradas as características do alunado, seus interesses, condições de vida e de trabalho, mediante cursos e complementares entre si (BRASIL, 1996, p. 29-30).

A partir desta regulação dada pela LDB de 1996, A Educação de Jovens e adultos passou a ser um direito, ao quais todos que não tiveram oportunidade na idade própria, de concluir seus estudos básicos, pudessem ter acesso à educação de maneira regulamentada e com metodologia adequada, além de financiamento como nos outros níveis. A partir do que diz a LDB, foram elaboradas as Diretrizes da EJA, que detalham como esta deve se dar (SOARES, 2011).

É considerada pelo MEC como um avanço, pois reafirmam esta modalidade de educação como princípio de equidade e qualificação:

As diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação de Jovens e Adultos, resolução CNE/CEB nº 11/2000, definem a EJA como modalidade da Educação Básica e como direito do cidadão, afastando-se da ideia de compensação e suprimento e assumindo a de reparação, equidade e qualificação – o que representa uma conquista e um avanço. (BRASIL, 2002, p. 17)

Desta forma, o texto vem afirmar que as Diretrizes Curriculares vêm, não somente para regulamentar a EJA, mas para firmá-la como uma modalidade de ensino que assume a função de reparadora, equalizadora e qualificadora, no sentido de dar oportunidades reais de o adulto formar-se ou qualificar-se para o trabalho, e, não somente de aprender a ler e escrever como era no passado. Sua identidade vem sendo construída ao longo dos anos e pode se dizer que atualmente ela procura dar emancipação aos jovens adultos e idosos.

2.1 A RELEVÂNCIA DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS

A EJA, atualmente, procura assumir a função reparadora, quando se propõe a resgatar esse adulto que não teve a oportunidade de aprender a ler na época certa, e principalmente quando assume o compromisso de diminuir o número de analfabetos, além de oferecer também a capacitação para o trabalho em muitos casos.

Assim, a contribuição de Programas Educacionais de Alfabetização, em Educação de Jovens, Adultos – EJA, que deseja contribuir na erradicação do analfabetismo no Brasil se dá através de ações do poder público nas esferas federal, estadual e municipal e também entidades filantrópicas sensíveis a essa causa em todo território nacional (BATISTA; FILHO, 2015).

A Educação de Jovens e Adultos (EJA) trata-se de uma modalidade de ensino amparada por lei e que possui diretrizes para buscar pessoas que não tiveram, por algum motivo, acesso ao ensino regular na idade considerada apropriada. O EJA tem como objetivo tentar ou corrigir algumas questões sociais e a principal delas é a exclusão e exploração, mais ainda tem outras que geram consequências maiores, por exemplo a marginalização.

2.2 CONTRIBUIÇÃO DE PAULO FREIRE NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS

O analfabetismo de jovens, adultos e idosos em nosso país ao longo dos últimos anos foi marcado por avanços e retrocessos, pois essa modalidade de ensino vem oportunizar pessoas a terem uma vida mais digna, inseri-los em uma sociedade letrada é oportunizar ao cidadão a chance de recomeçar vida nova e melhor exercer sua cidadania.

Essas pessoas são o público que se dirige aos Programas de alfabetização de Educação de Jovens e Adultos. Programa, em educação, trata-se de um conjunto organizado de matérias e atividades ordenadas em função do nível de estudos e dos objetivos pretendidos. Geralmente os públicos atendidos pelos Programas de alfabetização vivem em condição precária, possui baixo salário, e tem gastos com moradia, saúde, alimentação, transporte o que aumenta ainda mais seu custo de vida. Para esses cidadãos, sair do analfabetismo representa melhoria na condição de vida e valorização em meio à sociedade letrada, que seleciona e favorece apenas pessoas com diploma (FONSECA, 2015).

A história da EJA no Brasil está muito ligada a Paulo Freire. O projeto de alfabetização que foi implantado por ele no ano de 1963 atendeu 380 trabalhadores em Angico-RN, repercutindo por todo o país, mas foi bastante prejudicado pelo golpe militar de 1964 (FREIRE, 2013; CARDOSO; PASSOS, 2019).

Esse programa se configura como uma inovação na educação brasileira, tanto por buscar atender uma camada da população já excluída do processo educacional, quanto por buscar a integração entre formação geral e profissional e que pode significar efetivamente o acesso dos trabalhadores que apresentam distorção idade/escolaridade a um ensino que possibilite qualidade na formação geral e na profissional (VIRIATO; GOTARDO, 2009).

As pesquisas mostram que os anos 50 ficaram marcados pelo surgimento diferente de alfabetizar do educador Paulo Freire e ainda dos círculos populares de cultura, acontecimentos esses que proporcionaram a sistematização de um ideário e de experiências que se conhece hoje como educação popular.

O método Paulo Freire tinha como principal característica, e que acaba chamando muito a atenção dos educadores e políticos por isso, seu método acelerava o processo de alfabetização de adultos e tinha como ponto fundamental as palavras geradoras, sendo assim pode afirmar que seu método consiste em três momentos entrelaçados:

O primeiro momento é a investigação temática, pela qual professor e aluno buscam, no universo vocabular do educando e da sociedade onde vive as palavras e temas centrais de sua biografia. Esta é a etapa da descoberta do universo vocabular, em que são levantadas as palavras e temas geradores relacionados com a vida cotidiana dos alfabetizandos e do grupo social a que eles pertencem. Essas palavras geradoras são selecionadas em função da riqueza silábica, do valor fonético e principalmente em função do significado social, trazendo a cultura do aluno para dentro da sala de aula. O segundo momento a tematização, pela qual professor e aluno codificam e descodificam esses temas, buscando seu significado social, tomando assim consciência do mundo vivido e é nesta fase que são elaboradas as fichas para a decomposição das famílias fonéticas dando para a leitura e a escrita. O terceiro, a problematização na qual eles buscam superar uma primeira visão mágica por uma visão crítica, partindo para a transformação do contexto vivido, nesta ida e vinda do concreto para o abstrato e do abstrato para o concreto, volta-se ao concreto problematizando, descobrindo limites e possibilidades existenciais captadas na primeira etapa. A realidade opressiva é experimentada como um processo passível de superação, a educação para a libertação deve desembocar na práxis transformadora. (FREIRE, 1979, p.72).

Portanto, percebe-se que Paulo Freire elabora uma forma de educação baseado na interdisciplinaridade, objetivando sempre a libertação dos oprimidos, ou seja, a humanização do mundo por meio da ação cultural libertadora, eliminando os métodos lógicos mecanicistas que considera a consciência como criadora da realidade, e o mecanismo objetivismo, que considera a consciência como cópia da realidade.

3. UMA REFLEXÃO SOBRE A FORMAÇÃO DO EDUCADOR NA MODALIDADE DE EJA

A Formação Continuada dos docentes além das exigências formais é importante para torna-los competentes em sua prática pedagógica e lhes dar condições de se envolverem na construção do Projeto Político Pedagógico, valorizando a riqueza cultural de seus discentes, considerando a realidade e as expectativas da EJA e serem mediadores do conhecimento formal e informal, resultando no enriquecimento dos seus componentes curriculares de ensino.

É oportuno ainda destacar que muitos programas de formação continuada acabaram por adquirir caráter mais compensatório do que propriamente de atualização. Gatti (2008) apud Militão (2012, p. 746) ressalta que outro aspecto ainda presente nos cursos de formação continuada é a preocupação em resolver “os problemas dos baixos resultados das avaliações externas, responsabilizando indiretamente os docentes pelo problema da qualidade”.

Os estudos mais atuais sobre formação continuada de professores sinalizam para “a importância de os professores serem propositores dos programas de formação contínua, a partir das necessidades que apontam”. Para Di Giorgi (et. al., 2010, p. 15), a formação contínua pode ser definida como “um processo constante do aprender a profissão de professor, não como mero resultado de uma aquisição acumulativa de informação, mas como um trabalho de seleção, organização e interpretação da informação”.

A EJA, atualmente, procura assumir a função reparadora, quando se propõe a resgatar esse adulto que não teve a oportunidade de aprender a ler na época certa, e principalmente quando assume o compromisso de diminuir o número de analfabetos ou pessoas sem o ensino completo, além de oferecer também a capacitação para o trabalho em muitos casos. Com isso, pretende devolver o sentimento de dignidade a estas pessoas, que apesar de não saberem ler na maioria dos casos, contribuem com seu trabalho e seu conhecimento de mundo para o crescimento da sociedade.

Um personagem fundamental neste processo é o educador de jovens e adultos. Em todos os tempos mencionados na história da educação de jovens e adultos, o educador sempre foi peça chave, pois através dele é que o conhecimento é construído, mesmo nos tempos em que essa modalidade de educação servia mais aos interesses políticos do que propriamente das pessoas que dela precisavam. Desde aqueles que trabalhavam nos movimentos populares e comunitários até aqueles que hoje se percebem mediadores e animadores (ROMÃO; RODRIGUES, 2011).

Como educador, o professor alfabetizador de adultos, precisa de uma formação inicial e também continuada, que lhe capacite para atender às demandas da educação de jovens e adultos. Sua formação é fundamental para a qualidade de intervenção que ele fará em sala de aula. Ele precisa ter qualidades e características importantes, como compreender que o adulto não é uma criança que parou de desenvolver-se, porque não aprendeu a ler, estagnando-se em seu aprendizado; saber animar, saber mediar as situações, ter em mente que cada pessoa tem sua particularidade e como adulto tem também uma história de vida que pode ser, além de compartilhada, utilizada para enriquecer a prática educativa (SOARES, 2011).

Os cursos direcionados à formação de educadores já oferecem tanto na graduação, como na formação continuada, a especialidade em EJA, Mestrado e Doutorado, o que é um grande ganho para essa modalidade. É preciso somente que haja avaliações constantes sobre a qualidade e a pertinência destes cursos de formação e que sejam oferecidos aos professores que estão em serviço, para que tenham a oportunidade de melhorar sua prática.

É preciso ressaltar a importância da Formação Continuada dos docentes, pois além das exigências formais é importante para torna-los competentes em sua prática pedagógica e lhes dar condições de se envolverem na construção do Projeto Político Pedagógico, valorizando a riqueza cultural de seus discentes, considerando a realidade e as expectativas da EJA e serem mediadores do conhecimento formal e informal, resultando no enriquecimento dos seus componentes curriculares de ensino (MARCELO, 2013).

Nesse sentido quando houver o devido reconhecimento referente a essa capacitação os profissionais do Magistério terão um espaço adequado para discussões com vista a solidificar sua identidade profissional acolhendo novos saberes, terão materiais didáticos apropriados, alternativas metodológicas com uma visão de proporcionar uma relação entre o educador e o sujeito que são marcados por incríveis experiências de vida (IMBERNÓN, 2013).

Segundo a DCE – EJA (2005) apud Kashiwagura (2009, p. 17):

A partir das reflexões durante o processo de elaboração das DEC para Educação de Jovens e Adultos identificaram-se os eixos cultura, trabalho e tempo como os que deverão articular toda a ação pedagógico-curricular nas escolas. Tais eixos foram definidos tendo em vista a concepção de currículo como um processo de seleção de cultura, bem como pela necessidade de atender o perfil do educando da EJA.

Para que a EJA realize de fato suas três funções (reparadora, equalizadora e qualificadora) no meio da sociedade, é necessário bastante comprometimento do poder público e de todos os profissionais da educação. No que diz respeito as Diretrizes Curriculares Estaduais de EJA-DCE enfatizam o perfil de seus educandos, a função social dessa modalidade de ensino, a metodologia, as formas de avaliação, e os três eixos articuladores do currículo de EJA, que são: cultura, trabalho e tempo.

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A Educação de Jovens e Adultos (EJA) traz uma nova oportunidade de estudos para aqueles que não a tiveram em seu tempo regular. É uma modalidade específica para esse público. Como esses alunos, em sua maioria já estão em uma idade avançada em relação a seus estudos, fica difícil conciliar muitas vezes trabalho, família e a própria escola.

EJA é a compreensão de que educação independe de idade, é um direito social, humano e que a cada dia mais espaços estão sendo conquistados e já não se pode planejar cursos de EJA sem levar em consideração a diversidade desses sujeitos, muito menos pensar nos fenômenos ocorrentes, como a “evasão”, sem fazer uma releitura das ações ocorridas na escola e na sociedade como possíveis causas desse fenômeno.

Os educadores são outros sujeitos da EJA que merecem atenção especial, a fim de que possa contribuir mais no processo de ensino e no combate à evasão, os mesmos poderiam buscar base em diversos autores com o desejo de mudar o olhar sobre esses alunos, enxergando na profissão não só uma forma de ganhar a vida, mas, sim, como possibilidade de mudar vidas. Em se tratando da formação continuada, por se tratar de uma modalidade de ensino com especificidade própria, precisa de todo um aparato, ou seja, além das competências que já são de praxe exigidas para a formação de qualquer professor, é preciso outras de uma complexidade maior e que estão relacionadas com aspectos diferenciais específicos da educação de pessoas jovens e adultas.

Um personagem fundamental neste processo é o educador de jovens e adultos. Em todos os tempos mencionados na história da educação de jovens e adultos, o educador sempre foi peça chave, pois através dele é que o conhecimento é construído, mesmo nos tempos em que essa modalidade de educação servia mais aos interesses políticos do que propriamente das pessoas que dela precisavam. Desde aqueles que trabalhavam nos movimentos populares e comunitários até aqueles que hoje se percebem mediadores e animadores.

REFERÊNCIAS 

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CARDOSO, Marcélia Amorim; PASSOS, Gisele de Andrade Louvem dos. Reflexões sobre a Educação de Jovens e Adultos e a formação docente. Disponível em: https://educacaopublica.cederj.edu.br/artigos/16/25/reflexes-sobre-a-educao-de-jovens-e-adultos-e-a-formao-docente. Acesso em: 03/07/2019.

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FONSECA, Solange Gomes da. Uma viagem ao perfil e a identidade dos alunos e do professor da Educação de Jovens e Adultos (EJA). Pedagogia Online. 2010. Disponível em: http://www.psicopedagogia.com.br/new1_artigo.asp?entrID=1234#.VjNH_NKrTMz. Acesso em 25 jul. 2019.

FREIRE, Paulo. Educação e mudança. Tradução de Moacir Gadotti. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979.

FREIRE, Paulo. Professora, sim; tia não: cartas a quem ousa ensinar. 24. ed. Rio de Janeiro: 2013.

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[1] Especialização em Aprendizagem e Autoria na Educação Infantil e Ensino Fundamental na Universidade Estadual do Maranhão – UEMA; Especialização em Docência do Ensino Superior no Centro de Formação Acadêmica Montenegro – CEFAM e Licenciatura em Letras na Universidade Estadual do Maranhão – UEMA.

Enviado: Agosto, 2019.

Aprovado: Dezembro, 2019.

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Asenath dos Santos Santana da Mota

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