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Problemas Contemporâneos da Educação: Escola e Família

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Problemas Contemporâneos da Educação: Escola e Família
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ALMEIDA, Hélio Mangueira de [1]

ALMEIDA, Hélio Mangueira de. Problemas Contemporâneos da Educação: Escola e Família. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 03, Ed. 06, Vol. 05, pp. 17-24, Junho de 2018. ISSN:2448-0959

Resumo

O presente artigo tem como objetivo apontar a importância da família no acompanhamento da vida escolar do aluno, usando para isso meios específicos de participação, como incentivo nos estudos, envolvimento nos projetos da escola, visitas regulares e compromisso. Na escola contemporânea, torna-se cada vez mais frequente o distanciamento dos pais, pois acarretam a responsabilidade maior em cima dos professores e da escola em que seus filhos estão inseridos. A subtração da participação familiar na vida escolar do aluno gera na maioria dos casos, um déficit na aprendizagem e, por conseguinte, o insucesso escolar. O fato é que tanto a escola quanto a família precisam um do outro, pois essa interação deve ocorrer para que se garanta o sucesso e o bom desempenho. Para tais afirmações, foram feitas pesquisas bibliográficas e diálogos com professores, onde se constatou que essa falta de envolvimento dos pais afeta muito na aprendizagem e no comportamento do aluno. Essa desintegração da participação familiar na escola tem causado obstáculos e desintegração de valores como ética, cidadania, solidariedade, afetividade e humanização. Com isso, deve-se refletir muito a respeito da participação da família na escola, contudo, essa reflexão deve ser tanto critica, quanto profunda e por parte de todos os envolvidos, partindo em seguida para uma grande mobilização tanto de professores quanto de toda a comunidade escolar, para que a família possa acompanhar mais de perto a vida escolar do aluno e não somente cobrar boas notas dos professores.

Palavras-chave: Escola, Família, Participação, Educação.

Introdução

O sistema educacional brasileiro vem sofrendo mudança nos últimos anos, com isso, avança em alguns aspectos, mas também alavanca problemas na educação contemporânea. Uma questão bastante desafiadora é o engajamento familiar na escola, pois a cada dia torna-se mais evidente o distanciamento familiar do convívio escolar. Observa-se de uma forma ampla, que o rendimento na escola de alunos cujos pais acompanham seu desenvolvimento escolar é positivamente diferenciado de alunos que não recebem esse acompanhamento. A falta de preocupação e comprometimento dos pais em ajudar a escola a fomentar o interesse dos educandos na aprendizagem preocupa professores, pois os mesmos alegam que sem o olhar dos pais o indivíduo se sente inferior, querendo chamar a atenção para si de formas contrárias ao seu engrandecimento como estudante, fazendo bagunça, não prestando atenção nas aulas e, sobretudo agindo com imperatividade e/ou violência.

A subtração da participação familiar na vida escolar do aluno gera na maioria dos casos, um déficit na aprendizagem e, por conseguinte, o insucesso escolar. O fato é que tanto a escola quanto a família precisam um do outro, pois essa interação deve ocorrer para que se garanta o sucesso e o bom desempenho. Contudo, nota-se que há distanciamento da família no âmbito escolar, deixando toda a responsabilidade nas mãos de professores e demais profissionais da educação. Essa desintegração da participação familiar na escola tem causado obstáculos e desintegração de valores como ética, cidadania, solidariedade, afetividade e humanização.

A importância da participação familiar na escola

Apesar de todas as ferramentas tecnológicas facilitarem a aprendizagem do aluno na sala de aula, ainda há muito a fazer, pois mesmo que o uso das mesmas auxilie na aprendizagem, ela só poderá de fato se concretizar com o comprometimento de todos e participação constante da família. De nada adianta o aluno usar aparelhos tecnológicos na escola sem a orientação adequada do professor, assim como o professor também não terá sucesso sem a participação ativa do aluno e consequentemente dos pais. Não se trata dos pais terem que estar constantemente na escola como se fossem alunos assíduos, mas de estarem visitando com mais frequência e perguntando sobre a vida escolar do filho. O aluno percebe nitidamente o grau de importância que seus familiares dão à sua vida estudantil e se o resultado não for satisfatório, causa problemas na sala de aula, como falta de atenção, desrespeito ao professor e aos colegas, déficit de atenção aos conteúdos e desmotivação. É de suma importância à participação familiar na escola, mais que isso é um dever, como trata o Artigo 2º, da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional:

A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.

Não se pode ignorar a importância da família na escola, tampouco a sua participação transformadora. Essa participação deve ser contínua e ir além dos muros da escola, pois o acompanhamento dos familiares em casa, incentivando, perguntando, auxiliando, monitorando, causa segurança no estudante, propiciando a ele motivos para prosseguir com afinco, pois se sente abraçado e apoiado pela família.

Nota-se que a frequência dos pais nas reuniões escolares está a cada dia diminuindo, com isso, percebe-se que essa falta de comprometimento causa impacto negativo na vida do aluno e esse impacto pode ser muito avassalador na escola, e esses alunos podem se sentirem inferiorizados e menosprezados pela família, gerando revoltados e consequentemente agravando o convívio no ambiente escolar. Transformar a sociedade não é papel somente da escola, mas de todos. Freire (1999, p.18) diz que:

A educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda. Se a opção é progressista, se está a favor da vida e não da morte, da equidade e não da injustiça, do direito e não do arbitrário, da convivência com o diferente e não de sua negação, não se tem outro caminho se não viver a opção que se escolheu. Encarná-la, diminuindo, assim, a distância entre o que se diz e o que se faz.

Figura 1. Fonte: www.deltanobre.com.br
Figura 1. Fonte: www.deltanobre.com.br

Com isso, constata-se que a união é a melhor forma de transformação social. Se a escola tentar sozinha agir na educação, sem a participação da sociedade, da família, não alcançará bons resultados, assim como a sociedade e a família não conseguem desenvolver educação eficaz sem a participação da escola.

Educação escolar x educação familiar

A família é a base para a formação do caráter do indivíduo, ela poderá transformá-lo em um cidadão exemplar como poderá transformá-lo em um ser marginalizado. A transformação positiva, como agente transformador, cidadão exemplar, se dará por acompanhamento, por valores transmitidos sobre ética, moral, atitudes e bons exemplos. A parte negativa poderá prevalecer, quando a família deixa de participar, de acompanhar o desempenho, de transmitir valores. Tiba (2006, p.131) reforça essa negatividade da seguinte forma:

Há pais terceirizando a educação dos filhos para a escola, declarada ou subterraneamente, principalmente nas questões nas quais eles perderam o controle. Disciplina e responsabilidade, valores familiares, são os que os pais mais cobram da escola.

Por essa razão, as discussões nas escolas têm buscado compreender e auxiliar nesse quadro caótico, onde a família se distancia mais e mais da vida do aluno e entrega quase toda a responsabilidade para a escola. Sabe-se que a escola não é a redentora, não poderá fomentar todo o caráter do aluno, pois a base maior é a família. É no ambiente familiar que o aluno passa ou pelo menos transparece passar a maior parte de seu tempo.

Vê-se hoje famílias atribuírem às escolas e aos professores, a tarefa que lhes cabem. Em alguns casos, “jogam” as crianças na escola alegando que não aguentam ficar muito tempo com os filhos, pois dão muito trabalho e não conseguem controlá-los. O fato é que se o pai ou a mãe não conseguem manter um convívio de respeito, de ética, moral e diálogo com seus filhos e nada fazem para ajudar a escola passar o mínimo de aprendizagem, como o professor, que convive diariamente com uma turma de trinta a quarenta alunos de uma só vez e com variados problemas, dará conta de educá-los como os pais esperam? Como a escola sozinha poderá realizar essa tarefa? Segundo Lançam (1980 apud BOCK, 1989, p. 143):

(…) a importância da primeira educação é tão grande na formação da pessoa que podemos compará-la ao alicerce da construção de uma casa. Depois, ao longo de sua vida, virão novas experiências que continuarão a construir a casa, relativizando o poder da família.

Com isso, deve-se refletir muito a respeito da participação da família na escola, contudo, essa reflexão deve ser tanto critica, quanto profunda e por parte de todos os envolvidos, partindo em seguida para uma grande mobilização tanto de professores quanto de toda a comunidade escolar, para que a família possa acompanhar mais de perto a vida escolar do aluno e não somente cobrar boas notas dos professores. Para que isso se torne possível, é preciso que a escola articule meios de envolver a família dos educandos em atividades participativas, para que veja a importância do seu acompanhamento no cotidiano escolar. A escola deve engajá-los em projetos, em debates, em palestras, festas escolares, em tudo que for bom para o crescimento de afetividade e comprometimento. Sabe-se que a tarefa não é fácil, tampouco simples, mas deve haver essa aproximação e conscientização para que as mudanças aconteçam.

Paro (1997, p. 30), diz que a escola deve passar informações aos pais e utilizar todas as oportunidades de contato para isso, mostrando a eles os objetivos, os recursos e os problemas que enfrentam sobre as questões pedagógicas, com isso, a família irá se sentir comprometida com a vida escolar do filho e com a qualidade e melhoramento do seu desenvolvimento como ser humano. Contudo, apenas isso não basta, pois apenas mostrar essas questões não os torna participativos a ponto de causarem impactos tão significativos. O que deve ser feito é a efetivação da participação dos mesmos nas criações dos projetos, ou seja, envolve-los na construção dos mesmos, ouvindo as suas ideias, opiniões, anseios e, sobretudo, instruindo-os da importância do envolvimento deles como família participativa, construtora de caminhos mediadores à aprendizagem, ao tempo em que fortalecem o contato com os filhos e a relação escola/família.

A importância da família na construção do projeto político pedagógico da escola

Envolver a família na construção do Projeto Político Pedagógico da escola é de suma importância. A participação ativa nas ideias, nas articulações para a aprendizagem a fará despertar para o entendimento da relação escola/família, mostrando ao aluno que a luta por uma educação de qualidade e desenvolvimento escolar é tarefa de todos e não somente da escola.

A finalidade do Projeto Político Pedagógico (PPP) é de nortear, organizar o trabalho na escola, como um referencial que direciona a práxis educativa.

A palavra projeto é originada do latim projectu/projicere, que, por sua vez, significa lançar para adiante.

Dentro desse meio escolar, o PPP deve ser desenvolvido, avaliado, desconstruído, reconstruído e flexível, inserindo-o no contexto sociocultural da comunidade escolar e priorizando a real necessidade do aluno.

Inserir a participação familiar na construção desse projeto é uma forma de aproximação, de envolver-se nesse contexto de valorização do ensino e da aprendizagem do aluno. De acordo Veiga e Resende (2000, p. 9), o Projeto Político Pedagógico exige uma reflexão aprofundada sobre as finalidades da escola e de seu papel social. Com isso, pode-se afirmar que em se tratando de algo que envolve a sociedade, consequentemente envolve a família, como agente provocadora de mudanças positivas, que são capazes de transmitir no aluno sentimentos de vontade, valorização, interesse e empenho na vida estudantil.

Ao elaborar seu projeto, é importante que a escola pense na inserção da família, no diagnóstico de atuação, ou seja, na identificação dos alunos, nas suas necessidades, no ambiente em que vivem e na importância que a família dá à escola. A partir disso, propor meios de melhoramentos e aproximação de todos.

Algumas problematizações em relação escola/família

O distanciamento familiar da escola tem gerado perdas de ambas as partes, isso porque a cumplicidade e a responsabilidade devem estar divididas na sua proporção para que o sucesso seja real. Vivencia-se uma frequência cada vez menor dos pais nas reuniões da escola, nas visitas que deveriam ser feitas, no diálogo com o corpo docente e direção escolar. Vive-se também por parte dos docentes, a busca por melhorias financeiras e um estresse constante por terem que distribuírem seu tempo em três horários e/ou em duas escolas, atrapalhando uma preparação mais eficiente para exercer as tarefas escolares cada dia mais ampliada.

Segundo Oliveira (2005), a família possui algumas funções específicas, tanto no universo, quanto na formação dos indivíduos e essas funções são sexual, reprodutiva, econômica e educacional. Dessas funções, as duas primeiras estão para garantir a satisfação sexual do homem e da mulher e a reprodução da espécie. Já a de caráter econômico garante condições de desenvolvimento, através dos materiais necessários e assegura a sobrevivência. Em se tratando da função educadora, afirma-se que a mesma envolve valores, crenças, hábitos, ritos, padrões culturais e mitos que estão instalados na sociedade, e é a razão pela qual a família é sempre concebida como a primeira instituição socializadora.

Identidade do aluno contemporâneo

Todos os dias milhares de estudantes vão à escola, o problema é que não se sabe ao certo qual objetivo eles têm em mente, pois com o advento da tecnologia e de informações instantâneas, muitos acham que as aulas tornam-se quase desnecessárias e que as informações acessadas por eles na internet os completam e os tornam capazes de ir além do que os seus pais previam.

Frequentar as aulas na posse de aparelhos eletrônicos com acesso instantâneo a informações da internet tem preocupado professores em relação à identidade dessa geração, isso por que as aulas mediadas pelos professores estão ficando em segundo plano ou em plano nenhum, pois o uso de celulares no decorrer da explicação do assunto é frequente. O fato que chama atenção é saber o porquê não se vê mais interesse em saber sobre as questões relevantes na escola, mas sim sobre vídeos engraçados, frases irônicas, quem está “ficando” com quem, etc.

Cury (2003) relata que antigamente os pais eram autoritários e que hoje esse papel pertence aos filhos; o mesmo diz ainda que antes os professores eram heróis. Porém, hoje, são vítimas dos alunos.

Plümer (2005) diz que essa sociedade se transforma com muita velocidade por causa dos novos meios de comunicação em tempo real e que acontecimentos em qualquer lugar do mundo são quase instantaneamente conhecidos por toda parte. A mesma reforça também a ideia de que valores, crenças, costumes e hábitos foram superados pela influência das informações sobre os comportamentos das pessoas, causando uma transformação na base das comunidades que, por sua vez, nem sempre estão preparadas para uma absorção dessa magnitude.

A educação está falida, a violência e a alienação social aumentaram, porque, sem perceber, cometemos um crime contra a mente das crianças e dos adolescentes. Tenho convicção científica de que a velocidade dos pensamentos dos jovens há um século era bem menor do que a atual, e por isso o modelo de educação do passado, embora não fosse ideal, funcionava (CURY, 2003, p. 59).

Essa identidade multifacetada traz consigo questões sociais capazes de agravar a situação educacional do país, isso porque a alienação das pessoas tanto na escola, quanto fora dela, está cada dia mais real. O problema não é o acesso à tecnologia, mas a forma de usá-la.

Para essa geração, assistir filmes violentos, sensuais e polêmicos é normal e eles dizem que os pais devem aceitar isso. Falar sobre atos sexuais e debater sobre isso na escola, para eles, é mais normal ainda. Esse pensamento de que tudo pode e que as consequências disso não serão graves e que não afetarão ninguém, faz desses jovens, seres capazes de transformar ainda mais a identidade dos que ainda estão por vir, causando neles um enorme impacto social e educacional. No entanto, cabe a seguinte indagação: Essa identidade multifacetada, acelerada e indefinida é o reflexo das ações da sociedade?

Um fator interessante de pensar sobre identidade é observar como a geração contemporânea traça seu perfil, tanto na sociedade como na escola. A atração por informações rápidas, por coisas prontas, sem sequer preocuparem-se com seu contexto como um todo, tem sido o foco da “nova sociedade”, firmando assim, suas identidades como “geração da dúvida”, pois frequentam a escola, mas não buscam os seus desenvolvimentos formativos, vivendo a incerteza, dizendo que ainda não sabem que rumos irão seguir, mesmo com todos os caminhos expostos e oportunidades à espera, como nunca antes foi oportunizado.

Identidade do professor

A Educação brasileira tem passado por grandes transformações, em consequência, nos deparamos com alunos cujos comportamentos são cada vez mais difíceis de lidar. Mas quais serão os motivos que levam os professores a sentirem tamanha dificuldade? Ou melhor, por que eles ficam tão desgastados e incomodados com esse novo perfil de aluno?

A sociedade está em constante desenvolvimento, estão a cada instante vivenciando descobertas revolucionárias e, consequentemente, expandindo-as em suas relações, seja nos familiares, escolares ou profissionais. A educação hoje pode contar com avanços tecnológicos capazes de aproximar os alunos de determinadas áreas de conhecimento usando ilustrações quase que reais. Mas para que esses avanços sejam postos em prática é preciso da mediação e incentivo do professor.

A identidade do professor nos dias atuais tem levantado questionamentos a respeito da aprendizagem, do comprometimento do mesmo em relação ao acompanhamento da evolução tecnológica na escola da pós-modernidade. O perfil de muitos professores está causando desmotivação e descontrole a esses alunos, pois não querem se atualizar nos usos das ferramentas desenvolvidas para fins estudantis, não se interessam em aprender a lidarem com os equipamentos e tampouco aprimorarem seu planejamento escolar, abrindo uma lacuna que não condiz com a realidade contemporânea.

O professor precisa entender que ele não é apenas um pilar da escola, mas também um pilar da sociedade e que seu comportamento reflete na vida do aluno. Os educadores são insubstituíveis, isso porque a solidariedade, a tolerância, a gentileza, a inclusão e os sentimentos, não podem ser ensinados por máquinas. Cabe ao professor envolver-se mais e mediar seus conhecimentos, para que os alunos cuja identidade é indefinida possam aprender usar de forma correta as ferramentas revolucionárias.

Educação e sociedade

Conviver bem com o próximo é essencial e fundamental para aprender a respeitar as diferenças e a cultura alheia, até mesmo conhecer melhor a sua própria. E o ambiente escolar oportuniza isso em seu espaço. A educação visa melhorar a própria vida e a vida social. Os sujeitos dessa educação, professores e alunos, preparam-se para essa convivência a partir da organização do ambiente escolar, almejando sempre o melhor ou pelo menos o que acham que pode ser melhor.

A pessoa precisa sentir que, no ambiente escolar, é tratada de forma digna e justa, assim como envolver-se mais na ampliação da organização da mesma, deixando de apresentar uma identidade indefinida, multifacetada, para fomentar uma identidade transformada e centrada na aprendizagem relevante.

A escola continua sendo a responsável pela aprendizagem e formação da pessoa cidadã, mesmo com todas as suas dificuldades atuais e no decorrer da história.

Kant (1993) diz que o homem precisa ser educado e que essa educação contempla dois planos: um de fora para dentro e outro de dentro para fora. Pode-se dizer então que o aluno precisa envolver-se no ambiente que terá oportunidade de transformá-lo, de modificá-lo, para que através dessa influência externa ele possa assimilar internamente essa modificação e também agir construtivamente no ambiente escolar. A família também deve fazer parte desse ambiente, para que o envolvimento do discente seja mais promissor, pois se sabe que estudantes, cuja vida escolar é acompanhada pelos familiares, destacam-se no desenvolvimento da aprendizagem, assimilação dos conteúdos e são mais calmos.

Contudo, precisa-se de envolvimento e comprometimento tanto de professores e alunos, quanto de toda a família, para que o ambiente de convivência, de aprendizagem seja harmonioso e que a escola passe a ser definida dentro de um padrão estabelecido pela ética, pelo respeito e que os novos meios de informação sejam colocados em prática com a mediação do professor e dos familiares.

Considerações finais

É a família que constitui a personalidade dos indivíduos em fase inicial, transmitindo conteúdos cognitivos. A subtração da participação familiar na vida escolar do aluno gera na maioria dos casos, um déficit na aprendizagem e, por conseguinte, o insucesso escolar. O fato é que tanto a escola quanto a família precisam um do outro, pois essa interação deve ocorrer para que se garanta o sucesso e o bom desempenho. No entanto, há uma crise instalada nesse contexto, pois a família nuclear perdeu a predominância, abrindo caminho cada vez mais crescente para o conflito de gerações, inseridos nas atuais sociedades e instituições familiares.

Contudo, isso não impede da família estar mais presente na vida escolar do aluno, mesmo que não seja como um reforço na aprendizagem das tarefas ou trabalhos escolares, mas como uma incentivadora, uma família capaz de importar-se com o rendimento do aluno, com o crescimento de sua aprendizagem. Para isso, basta estar inserido na escola, participar do andamento da mesma, de seus projetos, dos diálogos promovidos e incentivados pela escola. Trata-se da dialética família/escola, que incentiva uma participação mais sucinta da família e consequentemente o desenvolvimento do trabalho escolar tanto do aluno, quanto do professor.

Pais que participam do trabalho escolar sentem-se envolvidos à escola, ligados a ela. Sentem prazer ao ver a escola caminhando para o sucesso e, sentem-se mal com os fracassos. Não se pode ignorar a importância da família na escola, tampouco a sua participação transformadora. Essa participação deve ser contínua e ir além dos muros da escola, pois o acompanhamento dos familiares em casa, incentivando, perguntando, auxiliando, monitorando, causa segurança no estudante, propiciando a ele motivos para prosseguir com afinco, pois se sente abraçado e apoiado pela família.

Inserir a participação familiar na construção desse projeto é uma forma de aproximação, de envolver-se nesse contexto de valorização do ensino e da aprendizagem do aluno. Com isso, deve-se refletir muito a respeito da participação da família na escola, porém, essa reflexão deve ser tanto crítica, quanto profunda e por parte de todos os envolvidos, partindo em seguida para uma grande mobilização tanto de professores quanto de toda a comunidade escolar, para que a família possa acompanhar mais de perto a vida escolar do aluno e não somente cobrar boas notas dos professores.

Quando uma família exige muito da escola, sem ao menos fazer a parte que lhe cabe, está desenvolvendo uma deficiência degenerativa e contagiosa, pois a mesma será, com certeza, transmitida ao aluno, que por sua vez, poderá contaminar outros.

Portanto, é preciso comunhão, empenho e comprometimento da escola, dos alunos e da família, para que o sucesso seja garantido. A escola precisa de fato informar, envolver, buscar uma relação de aproximação da família, assim como a família deve fazer o mesmo para que se garanta esse sucesso.

Referências

BOCK, Ana Mercês Bahia et alii. Psicologias: uma introdução ao estudo de psicologia. São Paulo: Cortez, 2000.

BRASIL, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional: Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. -11. ed. – Brasília: Câmara dos Deputados, Edições Câmara, 2015.

CURY, Augusto Jorge, 1958- Pais brilhantes, professores fascinantes/ Augusto Jorge Cury. – Rio de Janeiro: Sextante, 2003.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: Saberes necessários à prática educativa. 11. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1999.

KANT, Immanuel. Doutrina do Direito. Tradução de Edson Bini. São Paulo: Ícone, 1993.

OLIVEIRA, C. R. de. Neoliberalismo, globalização e pós- modernidade. In: TESKE, O. Sociologia: textos e contextos. Canoas: Ed. da Ulbra, 2005.

PARO, Vitor Henrique. Qualidade do ensino: a contribuição dos pais. [s.l]: xamã, p. 126.

PLÜMER, E. A Sociologia de Durkheim. In: TESKE, O. (Coord.). Sociologia: textos e contextos. Canoas: Ulbra, 2005.

VEIGA, Alencastro; RESENDE, Lúcia Maria Gonçalves de (Org.). Escola: espaço do projeto político- pedagógico. 3. ed. Campinas, SP: Papirus, 2000.

[1] Possui graduação em LETRAS PORTUGUÊS E LITERATURAS DA LÍNGUA PORTUGUESA pela Universidade Luterana do Brasil (2011). Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Letras Português e Literaturas brasileira. Pós-Graduação em Metodologia do Ensino de Língua Portuguesa e Literatura pela Faculdade Latino Americana- FLATED; Pós- Graduado em Ensino da Geografia pela Faculdade Latino Americana- FLATED. Mestrando pela Anne Sullivan University- ASU.

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