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Estudos sobre Durkheim e a religião, 100 anos de “as formas elementares da vida religiosa”

DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/ciencia-da-religiao/estudos-sobre-durkheim
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CONTEÚDO

RESUMO

DENDASCK, Carla Viana [1]

DENDASCK, Carla Viana. Estudos sobre Durkheim e a religião, 100 anos de “as formas elementares da vida religiosa”. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 03, Ed. 12, Vol. 05, pp. 115-118 Dezembro de 2018. ISSN:2448-0959. Link de Acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/ciencia-da-religiao/estudos-sobre-durkheim, DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/ciencia-da-religiao/estudos-sobre-durkheim

O livro organizado por Ricardo Bitun e Rodrigo Franklin de Souza traz em seu escopo a união de 7 (sete) textos apresentados no Simpósio : 100 anos de “As formas elementares da Vida Religiosa” de Émile Durkheim realizado em 2012.

Todos os textos foram escritos por grandes pesquisadores brasileiros que trouxeram a visão Durkheimiana para seus respectivos campos de pesquisa. O primeiro texto: “Émile Durkheim e a etnografia: Considerações sobre as formas elementares da vida religiosa: O sistema totêmico da Austrália”, escrito por João Baptista Borges Pereira, o pesquisador demonstra as ambições de Durkheim na construção das ciências sociais de forma independente e autônoma das demais ciências, tomando como base a geografia humana e a etnografia , porém, o autor deixa claro que todos os estudos de Durkheim foram realizado no campo das reflexões , baseado em estudos de campos realizados por outros pesquisadores.

O ensejo de Durkheim que rendeu-lhe estas reflexões partiram da busca por encontrar elementos naturais e comuns da religião e por isso teve os aborígenes como objeto de pesquisa e reflexão, apropriando-se cada vez mais da antropologia para construção dessa ciência, que também seria recebida com grande aceitação no Brasil, abrindo possibilidade de metodologias de estudos afloradas até os dias atuais.

O segundo texto: “A construção coletiva de um clássico: A propósito do centenário da publicação de Les formes élémentaires de l avie religieuse. Le système totémique em Australie, escrito por Paulo Barrera Rivera, o autor menciona a importância de Durkheim para as ciências, e, traça um caminho de sua história, projetos e publicações, até chegar no que chamou de a “ultima grande obra de Durkeim”, terminando com as grandes contribuições para Durkheim nos textos de Hubert e Mauss.

O terceiro texto, escrito por Marcelo Ayres Camurça e intitulado: A recepção de “As formas elementares da vida religiosa” na sociologia da religião da França contemporânea: alguns indicadores. O autor relembra sobre o impacto dessa obra em toda a Europa e posteriormente também na américa, servindo como objeto de criticas e elogios nestes 100 anos de existência.

As indicações do autor vão em busca da definição ou tentativa de conceitos dentro de Durkheim aludindo sobre o Sagrado e o Simbólico, usando como paralelo também outros autores que foram apontados como fundamentais dentro das construções contemporâneas.

O quarto texto: “A coisa” escrito por Edin Sued Abumanssur , o autor traz à tona a contribuição de Durkheim para entender as coisas sociais , ou seja, os fatos sociais sendo tratados como coisa, e/ou objeto de pesquisa, com necessidade de uma visão mais aprofundada , daquilo que vem “por trás” do que aqueles que podem aparentar de primeiro momento, e daí, as conotações existentes nas entrelinhas do texto da “ as formas elementares….”.

Assim, dentro desta concepção, para Abumanssur , Durkheim foi fiel aos seus princípios de pesquisador na busca da compreensão das “coisas”, que traria então a discussão a cerca do Sagrado e dos Símbolos. No mesmo texto se discorre sobre o método de Durkheim , concluindo suas contribuições com a religião e a sociologia do conhecimento.

O quinto texto : “Representações e categorias em Durkheim: a religião entre a epistemologia e a sociologia do conhecimento”, escrito por Rodrigo Franklin de Sousa traz ricas contribuições ao contexto epistemológico, suas contribuições e até mesmo distorções dentro da obra de Durkheim que segundo Sousa , procurou dar uma resposta sociológica a um problema filosófico sobre a origem do conhecimento. “.. a experiência está na raiz do conhecimento , mas somos senhores e organizadores da experiência “ ( p.77).

O que Durkheim propôs foi uma resposta embasada na raiz coletiva para a organização mental, ou seja, o pensamento como nascendo a partir de práticas sociais, e daí, a importância de se compreender os aspectos da religião, uma vez que naquele período havia a consciência da importância da religião na organização social e para os indivíduos. No entanto, esse tratamento epistemológico de Durkheim gerou profundas críticas.

Sousa ainda aborda a relação entre representações coletivas e categorias em Durkheim, onde vai aparecer a categorias das coisas descritas por Durkheim, que seriam as formas legitimas de representação da realidade. Esse e outros aspectos permitem , segundo Sousa, ver Durkheim como um pensador complexo, “operando além dos limites de um positivismo ou de um construtivismo social puro”, mas não deixando de ser considerando “um pensador seminal para o debate contemporâneo”.

O sexto texto, escrito por Paula Montero, intitulado: A teoria do simbólico na antropologia clássica de E. Durkheim e Claude Lévi-Strauss e seus desdobramentos contemporâneos do estudo das religiões é trazido como pano de fundo as discussões entre esses dois grandes pesquisadores em torno do totemismo sendo responsável por inaugurar uma Antropologia do Simbólico na França , “não hermenêutica, e, até hoje, muito influente no campo dos estudos das religiões”.

Esse contexto permite a observação de que há uma centralidade em torno o conceito de representação que se estende a teoria do simbólico, com viés cognitivista , que por vezes geram limitações para a compreensão dos fenômenos contemporâneos, porém, que podem ser preenchidas com outros pensamentos , como as proposições de Asad.

O sétimo e ultimo texto, intitulado: “Uma abordagem Durkheimiana para a compreensão do fenômeno neopentecostal no Brasil”, escrito por Ricardo Bitun e João Clemente de Souza Neto, os autores conseguem traduzir as alusões de Durkheim como um parâmetro para se entender o fenômeno neopentecostal no Brasil. Os autores conseguem uma conexão incrível dentro de uma leitura de como as instituições neopentecostal aparecem no Brasil como um “consolo” as mazelas sociais e econômicas.

As igrejas neopentecostais então, ocupando e/ou servindo de sustento para essa lacuna social ganha espaço e bem querer da população, crescendo com grande vigor, transitando entre o sagrado e o profano, ganhando a religião espaço para servir como objeto de estudo, assim como anteriormente já havia realizado Durkheim , servindo como parâmetro da compreensão dos desdobramentos sociais. Assim, entende-se que “o individuo captura o contexto social e é por ele capturado”( p.154).

É possível compreender que a organização dos textos foram realizados com extremo cuidado para que houvesse uma construção lógica das linhas de pesquisa perante o leitor, que por fim, consegue observar que uma obra mesmo com cem anos de existência e muitas críticas , consegue ser tão atual e de necessária compreensão para os estudiosos, em especial das ciências humanas.

[1] Teóloga, Doutora em Psicanálise Clínica. Atua há 15 anos com Metodologia Científica ( Método de Pesquisa) na Orientação de Produção Científica de Mestrandos e Doutorandos. Especialista em Pesquisas de Mercado e Pesquisas voltadas a área da Saúde.

Enviado: Dezembro, 2018

Aprovado: Dezembro, 2018

 

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