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Resposta ao desafio de Silas Malafaia aos seus críticos: por que a teologia da prosperidade não é aceita biblicamente?

RC: 117032
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DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/teologia/teologia-da-prosperidade

CONTEÚDO

ARTIGO ORIGINAL

CAMPELLO, Mônica Conte [1]

CAMPELLO, Mônica Conte. Resposta ao desafio de Silas Malafaia aos seus críticos: por que a teologia da prosperidade não é aceita biblicamente? Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano. 07, Ed. 06, Vol. 02, pp. 72-165. Junho de 2022. ISSN: 2448-0959, Link de acesso:  https://www.nucleodoconhecimento.com.br/teologia/teologia-da-prosperidade, DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/teologia/teologia-da-prosperidade

RESUMO

O presente trabalho é uma resposta a um desafio lançado pelo Pr. Silas Malafaia aos críticos da Teologia da Prosperidade a qual ele defende como bíblica. Foram ouvidos, estudados e analisados, a partir de textos bíblicos, trechos do vídeo “Pastor Silas Malafaia – Uma vida de prosperidade”. Porém, por que a Teologia da Prosperidade não é aceita biblicamente? O objetivo deste estudo é provar que a Teologia da Prosperidade não possui fundamentação bíblica, sendo, portanto, antibíblica. Pretende-se, portanto, apresentar respostas aos argumentos sustentados por ele como comprovatórias de que a referida teologia não possui base bíblica. Para proceder à análise e resposta a esses argumentos foram utilizados textos bíblicos correspondentes selecionados a partir do site YouVersion que contém versões bíblicas diversas entre outros como Bíblia Online, Bíblia Grega, Bíblia Hebraica, para efeito de comparação e análise. Para tanto, far-se-á uma pesquisa qualitativa exploratória e descritiva em que os trechos do vídeo analisado serão observados de forma dedutiva a fim de responder à questão-problema através de um estudo de caso. Por fim, cada resposta apresentada a cada trecho do vídeo destacado em seu respectivo quadro em destaque neste estudo demonstrou o resultado esperado no tocante à questão explorada tanto com base em textos bíblicos quanto às interpretações de outros autores sobre o tema, podendo ainda proceder a novas análises visto que o assunto não se esgota neste estudo.

Palavras-chave: Estudo bíblico, Fundamentação bíblica, Teologia da prosperidade, Silas Malafaia, Argumentos antibíblicos.

1. INTRODUÇÃO

O movimento da Teologia da Prosperidade tem como base os escritos do pregador de rádio e ministro metodista William Essek Kenyon (1867-1948) que dava ênfase às palavras proferidas com fé e à revelação sobre o conhecimento alcançado através dos sentidos o que se resumia na confissão da fé positiva que induzia a ação de Deus. Kenneth Hagin, por sua vez, sendo um ilustre promotor dos ensinos da Teologia da Prosperidade, posteriormente, mais precisamente na década de 1960, adicionou a prosperidade ao seu sistema doutrinário desenvolvido em um centro bíblico de treinamento chamado Rhema. (ROSSI, 2015)

A Teologia da Prosperidade forma “um conjunto de crenças e afirmações, surgidas nos Estados Unidos, que afirma ser legítimo ao crente buscar resultados, ter fortuna favorável, enriquecer, obter o favorecimento divino para sua vida material ou simplesmente progredir” (CAMPOS, 1997, p.363). Nesse sentido, entende-se essa teologia como uma doutrina de cunho religioso cristão que preconiza a bênção financeira como sendo a vontade de Deus para o seu povo e que sua riqueza material pode aumentar através de doações feitas a ministérios cristãos como as pregações que se ouvem pelas igrejas que a defendem.

Trata-se de uma corrente teológica de origem norteamericana que inicialmente, no séc. XIX, praticava a comercialização da fé a partir da deturpação dos ensinamentos bíblicos, exaltando o acúmulo de riquezas materiais terrenas. Nos dias atuais, prega o favor divino àqueles que se tornam seus adeptos que aprendem a substituir a fé por prósperos empreendimentos a partir do ensinamento de que Jesus Cristo exige, obrigatoriamente, a busca pela riqueza material e a boa saúde. Todavia, se a fé for fraca, dará margens para que surjam miséria e doenças. Isso retrata a Confissão Positiva – outro nome para a Teologia da Prosperidade – que usurpa o ensinamento cristão da confissão de fé (AUGUSTI e TICÃO, 2020). Essa em seu caráter original foi estabelecida pelo Credo Niceno através da Igreja Primitiva em 325 d.C. que ressaltava a base da fé cristã contra falsas doutrinas (FERGUSON, 2013, p. 418). Segundo Campello (2021, p. 139), diferentemente do propósito original, a confissão positiva é proclamada por algumas igrejas da prosperidade, tanto físicas quanto midiáticas, com foco na prosperidade material, doutrinando os seus seguidores a confessarem que já possuem o que desejam, sendo essa atitude o suficiente para garantir que assim sucederá.

Para responder à pergunta-título – Por que a Teologia da Prosperidade não é aceita biblicamente? –, proceder-se-á à análise de um vídeo do Pastor Silas Malafaia que lançou um desafio aos críticos dessa teologia que a veem como antibíblica enquanto ele a defende como bíblica.

O objetivo deste estudo é provar que a Teologia da Prosperidade não possui fundamentação bíblica, sendo, portanto, antibíblica. Pretende-se, portanto, apresentar respostas aos argumentos sustentados por Silas Malafaia como comprobatórias de que a referida teologia não possui base bíblica. Para tanto, desenvolve-se um método de pesquisa peculiar de análise de trechos de um vídeo onde ocorre a manifestação do fenômeno em questão, sendo observadas suas concordâncias e divergências com textos bíblicos.

2. METODOLOGIA

Desenvolveu-se uma pesquisa qualitativa exploratória e descritiva em que os trechos do vídeo analisado “Uma vida de prosperidade” foram observados de forma dedutiva a fim de responder à questão-problema através de um estudo de caso. Considerando Sampieri, Collado e Lucio (2013, p. 376), esta pesquisa visa compreender e aprofundar o fenômeno em questão que é explorado a partir da perspectiva da busca pelo entendimento dos fatos ocorridos no ambiente específico de sua execução com a finalidade de esclarecer pontos divergentes da preconização da referida doutrina teológica em face dos textos bíblicos usados para a argumentação em sua defesa.

Ademais esta pesquisa é realizada sob enfoque qualitativo porque alude à análise de dados observados que devem ser descritos para que se possa proceder à resposta da pergunta-problema, mediante a coleta e a análise dos dados que são praticamente simultâneas haja vista a análise não ser padrão dado que cada estudo possui seu próprio esquema de análise (ibidem, p. 447). A pesquisa realizada é exploratória porque busca analisar exemplos que possam estimular a compreensão do caso mediante levantamentos bibliográficos, citações e exemplos tomados do material de estudo, e é descritiva porque analisa minuciosamente o objeto de estudo, investindo no levantamento de dados qualitativos.

Apesar de haver bastante estudo sobre este tema, a realização deste estudo particular busca um aprofundamento a fim de compreender a sua complexidade no presente caso, considerando os detalhes das observações feitas dentro do caso de estudo específico centrado na apresentação midiática em forma de vídeo cujos trechos são elementos básicos de análise.

3. REFERENCIAL TEÓRICO

A Teologia da Prosperidade não é aceita biblicamente porque distorce o texto bíblico através de doutrinas criadas por homens a partir de exegeses contraditórias. Observe-se o seguinte texto bíblico:

Porque nada temos trazido para o mundo, nem coisa alguma podemos levar dele. Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes. Ora, os que querem ficar ricos caem em tentação, e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição. Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores. Tu, porém, ó homem de Deus, foge destas coisas; antes, segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a constância, a mansidão. (1 Co 6:7-11)

A Teologia da Prosperidade sob o mote “Viver como filho do rei” reduz tudo a termos econômicos e vai de encontro a essas afirmações bíblicas quando diz que a pobreza é demoníaca porque Deus sendo um pai amoroso e rico quer que seus filhos sejam sadios, prósperos e ricos visto que o sofrimento nega a sua presença.  Quanto ao mote, parece irônico desde que Jesus, de origem pobre, não gozava de abundância material e nem possuía bens (ROSSI, 2015). O que seria, então, viver como filho do Rei? Suas doutrinas contrariam o texto sagrado onde se lê que “nunca deixará de haver pobres na terra” (Dt 15:11; Mt 26:11; Mc 14:7; Jo 12:8). De acordo com esses versículos, se a Teologia da Prosperidade estivesse certa, Deus seria mentiroso. Versículos como “é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus” (Mt 19:24) não são bem-aceites, quiçá lidos, nas pregações dos respectivos teólogos porque contradizem seus princípios doutrinários de aquisição de bens e riquezas por meio de uma fé interesseira e egoísta. Sob uma perspectiva individualista, essa teologia propõe amar as coisas e usar as pessoas pobres, manipulando-as (ibidem).

Capriles (2022), revela que a Teologia da Prosperidade não é algo teórico para ele, pois vivenciou na prática pelo que se envergonha em confessar que já foi um pregador dessa teologia errônea que motiva a ganância nas pessoas, ensinando-as que para semear corretamente devem ofertar dinheiro no ministério de algum rico ou de um rico ministério para que possa colher da mesma prosperidade que a pessoa ou a instituição desfruta como vinda de Deus. Ele analisa os versículos acima sob a ótica da Teologia da Prosperidade que incita o crente a querer se tornar rico em detrimento da advertência do apóstolo Paulo de que “os que querem ficar ricos caem em tentação” quando, na verdade, deveriam obedecer à sua ordem para fugir das tentações expostas nos versículos. Esse mesmo tipo de atitude se repete no que tange a outros versículos bíblicos: “Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra” (Mt 6:19); na contramão dessa advertência, a Teologia da Prosperidade ensina que “quanto mais bens você acumular para si mesmo, maior serão sinal da bênção de Deus sobre a sua vida”. Ele aponta diversas contradições na comparação entre o ensino de Jesus e o dessa teologia diabólica (como a qualifica), respectivamente: a) não devemos desejar riquezas – devemos desejar riquezas; b) os pobres são bem-aventurados (Lc 6:20; Tg 2:5) – pobreza é escravidão e ser pobre é pecado; c) devemos vver contentes com o que temos (Hb 13:5) – não devemos nos contentar com pouco. Esses são alguns dos vários exemplos de que essa teologia viola o texto sagrado.

Capriles (ibidem) termina sua mensagem apresentando o testemunho de Jim Bakker, um pastor norte-americano que ficou rico através dos argumentos da Teologia da Prosperidade que prometia riquezas a quem semeasse dinheiro em seu ministério, pelo que, mais tarde, após perder toda sua fortuna e cair na pobreza, além de ser condenado por vinte e quatro acusações de fraude, deu-se conta de que deveria examinar as escrituras para saber o que estava errado, e concluiu que “não há como interpretar as riquezas ou as coisas materiais como um sinal da bênção de Deus”.

Segundo Pieratt (1993, p. 151), os pregadores da Teologia da Prosperidade sempre realizam cultos em suas igrejas embasados na temática da prosperidade financeira. Para respaldar respectivos ensinamentos, usam um sem-número de versículos bíblicos para forçar na mente do crente que ele recebe na proporção do que doa; contudo, alerta que tais versículos não implicam uma regra matemática, e salienta:

A noção de que receberemos somente se dermos é uma perversão da ideia cristã de caridade. Isso tem mais a ver com o utilitarismo pagão, que avalia todos os atos morais da vida segundo o benefício recebido por aquele que o pratica. A ética cristã que devemos dar, porque Deus nos deu primeiro. Para o cristão, o dar deve ser um ato de adoração, gratidão e amor, não um exercício em que se calcula o quanto receberemos de volta.

Esses inumeráveis versículos que correspondem a textos isolados da Bíblia revelam que a Teologia da Prosperidade, também chamada de “Movimento da Palavra da Fé”, “Evangelho da Saúde e da Riqueza” ou “Denomine-o e Reclame-o”, não passa de produto do capitalismo e da psicologia do sucesso em busca de privilégios, mediante a qual se confronta Deus ao lhe impingir a obrigação de conceder prosperidade ao fiel que é de fato quem define qual seja a vontade de Deus e não o contrário, diminuindo sua soberania. (ROSSI, 2015)

A Teologia da Prosperidade é dotada de um caráter mercadológico que inclui pedidos de doações, venda de produtos para auxiliar o crente em sua experiência religiosa como sabonetes e vassouras, martelos e pares de meias, orações ungidas e amuletos, água benta do Rio Jordão, óleos milagrosos, CDs e DVDs, cruzes com areia da terra santa etc. Oferecem cura e libertação de diversos males através da distribuição de propagandas impressas que equivalem a investimentos para a conquista de desejos diversos e status social. Desse modo, a religião se torna a melhor opção para ajudar a solucionar problemas pessoais se estendendo até à própria nação na qual as pessoas sofrem os efeitos de discursos fundamentalistas que prometem solução para os problemas sociais, mas não a cumprem. E seus próprios discursos repletos de termos como “determinar” incutem na mente de seus ouvintes o pensamento de que, investindo sua fé nesse verbo, tornam-se aptos a se transformarem em novos empreendedores.

Todavia, se não tomam posse das promessas divinas, significa que estão contaminados por satanás, como também destaca Campello (2021, p. 135, 136) – “introdução de uma contaminação doutrinária no ambiente eclesiástico”, com o que concorda Capriles (2022) “A teologia da prosperidade está se disseminando como gangrena pelo corpo de Cristo, de tal forma que é cada vez mais difícil se encontrar uma igreja que esteja livre dessa contaminação”. Assim, ficam propensos a uma série de infortúnios na vida, pois a culpa é exclusivamente do seguidor devido à sua pouca fé (AUGUSTI e TICÃO, 2020). E ressalta Pieratt (1993, p. 158) que “se a oração não foi respondida, fracassou por falta de conhecimento”. Nessa mesma linha de raciocínio, Capriles (2022) diz que “a teologia da prosperidade é o conceito de que Deus deseja riqueza para todos os seus filhos e de que, se algum filho de Deus ainda não é rico, seria porque ele não está “semeando” corretamente.” Sob ótica equivalente, Rossi (2015) acentua que um seguidor da Teologia da Prosperidade só não é próspero financeiramente por estar em pecado sob a influência maléfica do demônio, não tem fé o suficiente ou não compreendeu bem o ensinamento bíblico. Com esses pensamentos concorda Campello (2021, p. 137):

Incute-se-lhe a ideia de que o cristão tem poder, e, por isso mesmo, não tem necessidade de suplicar o favor e a ajuda de Deus; ao invés disso, ele deve DETERMINAR em nome de Jesus aquilo que ele deseja e assim será feito. Pronto! Não só essa teologia, mas também há religiões que ensinam a “determinar” que seus desejos sejam realizados. E qual explicação se dá quando esse desejo não se realiza? Simples: a culpa é do crente que fez alguma coisa errada, ou porque não tem fé suficiente.

A Teologia da Prosperidade, também designada como Movimento da Fé, prega o empoderamento em todos os sentidos conforme Hunt (2000, pp. 332,333) declara sobre a má exegese de Filipenses 4:19 acerca do direito divino automático de todos os cristãos que creem na Bíblia desfrutarem de saúde e prosperidade econômica já que os benefícios materiais são inseparáveis dos espirituais mediante a expiação de Cristo que não remove apenas o pecado, mas igualmente a doença e a pobreza. Nesse sentido, a oração perde o seu valor consoante a crítica feita pelo Conselho Geral das Assembleias de Deus à Teologia da Prosperidade cuja prática da confissão positiva incita os crentes a confessarem em vez de orarem por coisas que Deus prometeu, negligenciando o ensino da palavra de Deus sobre a oração. Para os confessionistas, os crentes devem confessar as bênçãos e não orar por elas. (GENERAL COUNCIL OF THE ASSEMBLIES OF GOD, 1980, p.5).

Onken (2009, p.1) compartilha do mesmo pensamento do referido Conselho ao declarar que o maior problema para os cristãos que se submetem à confissão positiva é o fato de eles acreditarem que sabem exatamente o que Deus quer como se Deus lhes tivesse revelado todos os seus planos, pensamentos ou vontade, estribando-se em sua própria perspectiva em vez de considerar adequadamente a vontade de Deus que deve estar acima da vontade humana. Porém, a vontade de Deus deixa de ser ponderada e devidamente enfatizada quando a doutrina da confissão positiva declara que uma pessoa pode ter o que quer que seja. No entanto, não é assim nas Escrituras como pode ser verificado nos seguintes versículos que denotam quando algo não corresponde à vontade de Deus: a construção do templo por Davi (1 Cr 17:4); a remoção do espinho na carne de Paulo (2 Co 12:9); a alegria de ter algo agradável ou prazeroso (Tg 4:3); a realização do desejo do coração (Lc 22:42). A vontade de Deus sempre prevalecerá acima dos planos ou desejos do crente (GENERAL COUNCIL OF THE ASSEMBLIES OF GOD, 1980, p. 4).

O referido Conselho acusa a doutrina da Teologia da Prosperidade de não levar em consideração o contexto bíblico de modo que os adeptos se preocupem mais em fazer com que a Palavra signifique mais o que eles querem do que se tornar o que a Palavra quer que eles se tornem, provando que eles amam a Deus pelo que ele faz e não pelo que ele é. As passagens das Escrituras não podem ser isoladas do seu contexto específico, tampouco devem ser eternizadas ou contemporaneizadas, dando forma ao existencialismo cristão. Ademais, a verdade da Palavra de Deus é aplicada universalmente, i.e., dicotomicamente em todas as circunstâncias sociais em que a humanidade se encontra. Portanto, é mister perguntar se um professor ou um ensino é de Deus ou do homem consoante ao que está escrito em Mateus 7:20 – “Pelos seus frutos os conhecereis”. (ibidem, 1980, pp. 8,9).

Os teólogos Jones e Woodbridge (2011, pp. 81-86) consideram a Teologia da Prosperidade – que promete riquezas diversas – como uma teologia pobre cujo enfoque recai sobre as necessidades materiais humanas, tornando-se inconsistente com o Evangelho cujo foco é a vida, a morte e a ressurreição de Jesus Cristo, um evangelho desconcertante que omite Jesus e negligencia a cruz, envilecendo, portanto, sua proeminência como Salvador da humanidade. Asseveram que a Bíblia não oferece facilidades para ninguém, mas apresenta todos os meios para que uma pessoa se torne reta diante de Deus e dos homens. Todavia, isso vai de encontro às promessas dessa doutrina como destaca Mariano (1999, pp. 169-170) acerca de seus pregadores:

O crente que almeja receber grandes bênçãos precisa ser radical na demonstração de fé. Deve fazer coisas que do ponto de vista do “homem natural” e do cálculo racional seriam loucura. Precisa dispor de muita coragem. Deve assumir riscos, doando à igreja algo valioso como salário, poupança, herança, joias, carro, casas com a certeza de que reaverá centuplicado, o que ofertou. Não pode guardar qualquer resquício de dúvida quanto ao retorno de sua fé, já que, advertem os pastores, “a dúvida é do Diabo”. […] tal demonstração de fé é denominada de “provar” e “desafiar” a Deus.

A Teologia da Prosperidade, no entanto, não ensina o crente a ser radical na sua demonstração de fé se comparada à fé de Jó (Jó 42:11b) quando ele permanecia fiel a Deus independente das desgraças que o acometeram. Todavia, seus preletores enfatizam os textos que mostram a prosperidade financeira de um determinado personagem bíblico sem apontar suas lutas, dores e perdas – essa parte não interessa para o seu negócio. A Teologia da Prosperidade não menciona a fase penosa da vida de Jó como forma de estimular o crente a obedecer a Deus, pois, quem quer ser como Jó e passar pelo que ele passou antes de receber de Deus suas dádivas? Quem segue essa teologia não quer pagar o preço da submissão à vontade de Deus; quer tão somente palavras que massageiem seu ego, que fomentem seu apetite por lucros e vantagens materiais, sem reconhecer que precisa de mudanças no caráter ou na personalidade que evidenciam prosperidade moral, emocional, sentimental, que cooperam para uma vida saudável em todos os sentidos (CAMPELLO, 2021, pp. 197, 199-200, 372).

4. APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS DADOS OBSERVADOS

4.1 TEXTO DO DESAFIO NA ÍNTEGRA

O pastor Silas Malafaia lançou um desafio àqueles que costumam criticar o seu trabalho que tem como base a Teologia da Prosperidade. Seu desafio consiste em pedir aos seus críticos que provem à luz da Bíblia que essa teologia está errada. Esses críticos a quem ele se refere podem ser blogueiros, sites de notícias e ilustres desconhecidos que, segundo o seu entendimento, querem se tornar conhecidos através de críticas a pessoas na mídia; a autora pertence a essa última categoria sem, no entanto, visar o objetivo que ele ressalta.

A seguir, em destaque, o texto na íntegra que apresenta esse desafio. Na pregação em um vídeo sob o título “Uma vida de prosperidade”, Malafaia diz que sua mensagem trata de um tema que sofre o preconceito de cristãos quando ele crê que 2 Coríntios capítulo 9 apresenta a melhor maneira de explicar que a oferta é um meio de receber o favor divino porque é um serviço para Deus através do qual será recompensado e, por isso, um meio de felicidade. Afirma categoricamente que Deus trabalha com a lei da recompensa. Ele finaliza seu discurso dizendo para o contestarem através da Bíblia:

O pastor Silas Malafaia, em seu último programa Vitória em Cristo, no dia 02/06, fez um desafio aos críticos de seu trabalho e da mensagem pregada em torno da prosperidade. O pastor desafiou tais críticos a provarem teologicamente que sua pregação está biblicamente errada. “Chegou o grande dia, o dia que eu estou desafiando muitos críticos que gostam de dizer que estou no besteirol da teologia da prosperidade”, afirmou o pastor no início do programa. (grifo da autora). Malafaia veiculou em seu programa o vídeo da primeira parte de uma pregação na qual fala de prosperidade e desafiou seus críticos a contradizerem sua mensagem à luz da Bíblia. O pastor afirmou que destina seu desafio a sites de notícia, blogueiros e “ilustres desconhecidos”, que estão tentando ficar conhecidos através de críticas a quem está na mídia. (grifo da autora). A pregação, intitulada “Uma vida de prosperidade” foi proferida pelo pastor em um culto de ceia ministrado na Arena HSBC, no Rio de Janeiro. Ele inicia sua pregação pedindo que os fiéis analisem e suas palavras antes de “recebê-la” porque, segundo ele, se trata de uma mensagem que tem preconceito de cristãos, medo de pastores falarem do assunto, ação do diabo para neutralizar os fiéis sobre o assunto, bravatas emocionais, argumentos filosóficos e “pouca Bíblia”. “Duvide, critique e determine”, orienta. Em sua pregação o pastor discorreu sobre três tópicos a respeito do assunto: “O que é a oferta”, “Características de um verdadeiro ofertante”, e “Resultados na vida do ofertante”. Malafaia citou o texto de 2ª Coríntios capítulo 9, que ele afirma ser o melhor compêndio do Novo Testamento sobre o assunto, para explicar o que é a oferta. Malafaia afirmou que a oferta é um meio de se receber o favor divino e um meio de felicidade. Ele explica ainda que a oferta é um serviço para Deus, através do qual o ofertante será recompensado. Em vários momentos da mensagem o pastor frisou que não estava pregando uma mensagem apelativa emocionalmente, mas sim ensinando os fiéis de acordo com a Bíblia. Afirmando que “Deus trabalha com a lei da recompensa”, Malafaia explicou o terceiro tópico da sua mensagem, falando das consequências da oferta na vida de quem a dá. Explicando que o fiel vai colher aquilo que planta, o pastor falou que “tão importante quanto a qualidade da oferta, é a qualidade do solo”, e criticou aqueles que, segundo ele, “gostam de dar oferta pra picareta”. Ele lembra ainda que quem semeia muito é que vai colher muito. Após a exibição da pregação, o pastor afirmou no programa que “negar que a Bíblia fala sobre prosperidade, é negar a própria Palavra”, e que “prosperidade é obedecer às leis de Deus”. “Se você não crê em prosperidade é porque você não crê na Bíblia”, ressaltou. Malafaia concluiu seu programa afirmando que é totalmente transparente nas ofertas que recebe, e que investe milhões em programas de televisão e obras sociais. Ele encerrou o programa afirmando que continuará falando sobre o assunto no próximo programa e desafia: “tenta me contraditar, não fica inventando filosofia barata não. Não bota em blog e em site não, me contradiz na Bíblia. Diz que eu interpretei errado, ou cala sua boca, e deixa de ser um crítico mané que fica falando bobagem e colocando minhoca na cabeça do povo de Deus. Assista ao vídeo na íntegra: youtube=http://www.youtube.com/watch?v=kDFmctcG2GY[2]

4.2 O PR. SILAS MALAFAIA DEFENDE A TEOLOGIA DA PROSPERIDADE

O vídeo do referido pastor é bastante oportuno para alguns esclarecimentos quanto à fé dada ao cristão por Jesus Cristo. Encontra-se no canal YouTube sob o título “Uma vida de prosperidade”. Eis o pensamento de Richard Baxter:

Aquele que busca conhecimento com o propósito de se exibir para as pessoas torna-se sinônimo de vaidade. Aquele que busca conhecimento com o intuito de ensinar outras pessoas torna-se sinônimo de amor. Mas aquele que busca conhecimento, visando aplicar o conhecimento adquirido em sua própria vida, torna-se sinônimo de sabedoria.

Silas Malafaia desafiou os críticos de seu trabalho e das suas pregações embasadas na teologia da prosperidade, convocando-os a provarem biblicamente que essa teologia está errada. Isso requer uma resposta à altura. Esse é um desafio que o Senhor Deus lança àqueles que buscam conhecer a sua verdade, e não Silas Malafaia. O que Malafaia fez foi lançar um desafio sobre o que ele pensa acerca do que Deus condena. Então, entendi de Deus que eu deveria aceitar o desafio do Senhor para aceitar o desafio de um homem cujo pensamento errôneo não condiz com a realidade bíblica.

Malafaia lançou mão da expressão “ilustres desconhecidos” como aqueles que estão buscando reconhecimento às custas de quem está na mídia, como ele. Até que haja um fundo de verdade em sua interpretação acerca desses críticos, por um ou por outro que aja dessa maneira, não se pode negar que se trata de uma defesa malafaiana inoportuna visto que não pode ser generalizada; nem todos que o criticam têm essa postura à qual ele se refere, mas estão de fato buscando a verdade para falar com propriedade bíblica em prol do verdadeiro evangelho como Jesus ensinou. Afinal, Jesus é o Senhor da Palavra, Jesus é a Palavra (Jo 1:1), e não Silas Malafaia como se autointitulou aos 05:34m do vídeo “Uma vida de prosperidade”[3]:

– Fica aqui o desafio pra você me contraditar. Agora cuidado pra não passar vergonha, viu filho, pra você não deturpar a palavra de Deus, que aí você vai acertar um senhor da palavra.

‘Achar-se’ senhor da palavra, um deus, dono da verdade, alguém que está acima de qualquer contestação, é deixar de ser uma pessoa comum como qualquer outra que declara sua total dependência de Deus. O muito conhecer lhe subiu à cabeça, desviando-o da verdade absoluta que emana de Deus mediante a sabedoria do Alto. Conhecimento e sabedoria devem ter como base o temor do Senhor visto que a letra mata, mas o espírito vivifica: “Nós não pregamos a Lei, mas anunciamos a aliança do Espírito, pois a letra mata, mas o Espírito lhes dá a vida” (2 Co 3:6b). A autora não é senhora da palavra assim como Silas Malafaia que se autointitulou “senhor da palavra” também não o é, pois a palavra é do Senhor e não da autora tampouco dele.

Está escrito: “Quem se compara a ti, ó Deus?”; logo, com quem Deus pode ser comparado?! (2 Sm 7:22; Sl 35:10; 71:19; Is 40:18,25; Jr 10:6,7; Jo 17:3; 1 Tm 1:17). Pelo que se depreende do versículo em destaque, há presunção e arrogância em alguém que pretende se colocar em pé de igualdade com o Senhor Jesus, como o título acima que denota usurpação de um atributo divino sob tom de ameaça àqueles que se levantarem para criticá-lo, pois afinal ele se autointitula um senhor da palavra, ou seja, já prenuncia que não pode ser contraditado. Jesus, embora sendo Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas despojou-se de sua real condição divina, assumindo com humildade a forma de servo, livre de toda arrogância e soberba (Fp 2:6,7). Parece que Malafaia não aprendeu direito a lição sobre uma pessoa ser à imagem e semelhança de Deus! (Gn 1:26; 5:1; 9:6; Tg 3:9)

Pareceria impróprio se aproveitar de certos meios como o nome de alguém para fazer a obra de Deus porque, se essa pessoa tem nome, muitos a ouvem, e se alguém fala dela, muitos ouvirão esse alguém que, na verdade, fala de Deus. Então o que é mais importante: falar de Deus usando esse meio ou não usar esse meio para falar de Deus por medo das palavras de menosprezo do tal renomado? Deixe que falem, que digam, que pensem o que quiserem a seu respeito, pois o mais importante é o que você está falando de Deus para outras pessoas. Isso é o que realmente importa.

Então, só porque alguém vai contra as palavras de Malafaia significa que o faz para aparecer na mídia?! Então, todos que vão de encontro às suas palavras estão errados, e somente ele está certo?! Não seria o caso de que alguém se oponha a ele em suas opiniões e interpretações porque entende biblicamente que ele está errado?! Então, Malafaia se “acha” totalmente certo cujas palavras estão acima de qualquer dúvida?! Suas palavras estão acima de qualquer contestação?! Ele está certo em tudo o que diz?! Malafaia precisa aprender a não ser radical em suas opiniões. Ele precisa desenvolver o equilíbrio de que trata Gálatas 5:23 – humildade, mansidão, amabilidade, temperança (cf. a maioria das versões bíblicas).

Para que o Senhor seja visto é preciso mostrar o Senhor, não importa o meio porque o Senhor é quem nos abençoa para alcançarmos o fim desejado. E não importa se vão falar que você está fazendo isso com este objetivo, pois o que realmente importa é fazer a obra de Deus e salvar muitas pessoas através do seu ministério.

Todo trabalho evangelístico deve ser visto e jamais escondido. Não tem por que acender uma vela e esconder a sua luz por causa de motivações inúteis como não querer dar brecha para o seu rival dizer que você está fazendo algo às custas do nome dele. Se o seu trabalho evangelístico não está tendo visualizações, Deus o instrui a fazer o que é necessário para alcançar tão nobre objetivo, pois essas picuinhas midiáticas não importam; importa Deus. Deus providencia os meios. E quem pode contestar os meios de Deus? Se Deus aprova que se faça isto ou aquilo, que seja feito para a glória de Deus.

E não importam as palavras daquele que diz que usam o seu nome para fazer nome, pois o que realmente importa é o nome de Cristo. Na verdade, se ele fala isso, ele também está usando o nome do Senhor para fazer nome, e, portanto, quem seria ele para acusar alguém, ou para diminuir alguém como se ele fosse muito importante?! Como se ele fosse até mais importante que Deus!

Não se acende uma vela e deixa escondida a sua luz, mas se coloca a vela à vista de todos para que todos vejam a luz. Não adianta fazer uma obra para o Senhor e deixá-la escondida de forma que ninguém veja; se ninguém vê essa obra, como se poderá fazer a evangelização dos povos para que alcancem a salvação do Senhor? Está deixando algo escondido por quê, por causa de opiniões alheias provenientes de pessoas egoístas que só pensam em si mesmas, em crescer diante das outras pessoas, em ter nome, status; é por causa dessas pessoas que um servo de Deus deixaria de fazer seu trabalho evangelístico?! A obra de Deus deve ser vista por todos a fim de que as pessoas que precisam da salvação do Senhor possam ler e receber a verdade em seus corações, e, mediante esta verdade, alcançar a verdadeira libertação em Cristo. “Que, por todos os meios possíveis, eu possa salvar alguns” (1 Co 9:22).

Você precisa se tornar visível se não as pessoas não vão ver a obra de evangelismo que você tem feito para salvá-las. Mesmo que outros pensem que você não é um ministro da palavra de Deus, certamente você o é para aqueles que são a prova de que você os ganhou para Cristo. E essa é a sua defesa diante daqueles que o julgam (1 Co 9:2-3). Na verdade, ninguém está qualificado para fazer este trabalho por si mesmo. Ao contrário, a sua qualificação vem de Deus (2 Co 3:5), pois é ele quem capacita os seus servos para serem ministros da nova aliança (2 Co 3:6). E é por causa do evangelho que se faz esse trabalho e, também, para ser participante dele (1 Co 9:23). Ademais, ninguém pode se orgulhar de anunciar as boas-novas, pois todos os que o fazem são impelidos por Deus a fazê-lo. E ai de quem não anunciar as boas-novas! (1Co 9:16).

Paulo renuncia a seus direitos, como até mesmo o de se orgulhar, e o servo fiel de Deus igualmente deve renunciar à vaidade de não querer que outrem diga que ele está usando nome alheio para fazer seu próprio nome crescer: isso seria orgulho da sua parte, o que não deve permitir que se manifeste porque o seu corpo é templo do Espírito Santo em que não cabem essas vaidades.

Malafaia é um teólogo como a presente autora e como tantos outros. Mas, até que ponto a teologia pode afetar uma interpretação bíblica fiel à palavra de Deus? Que teologias estão sendo desenvolvidas de acordo com as possíveis respectivas conveniências? Que conveniências podem existir para defender teologias não condizentes com a palavra de Deus?

É preciso estar atento às interpretações bíblicas que se fazem, pois nem sempre aquilo que se entende é o que realmente Deus quer transmitir. Sem perceber, costumam-se colocar palavras na boca de Deus, dizer que ele disse aquilo que ele não disse, como está escrito:

As suas visões são falsas, e o que eles anunciam é tudo mentira. Eu não os enviei, mas eles dizem: “A palavra do Senhor é esta.” E ainda esperam que as palavras deles se cumpram! Eu lhes digo: “As visões que vocês veem são falsas, e o que vocês anunciam é tudo mentira. Vocês dizem que as palavras são minhas, mas eu não lhes disse nada. Por isso, o Senhor Deus diz a eles: “As suas palavras são falsas, e as suas visões são mentiras, e por isso eu estou contra vocês”. (Ez 13:6-8)

É mister orientar os crentes puros em direção ao discernimento da vontade de Deus revelada nas Escrituras Sagradas, e não àquilo que corresponde à vontade dos homens que pregam a palavra de Deus revelada – i.e., no tocante a essa vontade dos homens, entende-se que eles estão à margem da vontade de Deus. São homens! Nem todo aquele que se diz homem de Deus é de fato homem de Deus: pode ser homem de homens! “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus” (Mt 7:21). Pregando a teologia da prosperidade estaria um pastor fazendo a vontade de Deus?

4.3 PREGAÇÃO ONLINE DE MALAFAIA SOBRE PROSPERIDADE

Em uma pregação de Malafaia, sob o título “Uma vida de prosperidade” (YouTube, 2018)[4], ele discorre sobre o tema da oferta, o comportamento do ofertante e os resultados na vida de quem oferta e de quem não oferta, sob o característico tom de voz altissonante e autoritário – o que é diferente de autoridade –, citando diversos versículos bíblicos para validar suas interpretações. As transcrições do vídeo foram realizadas mediante audição e verificação do tempo decorrido em cada trecho destacado. Cada trecho é seguido de uma resposta argumentativa que possa prover o resultado esperado. Algumas expressões são ressaltadas com sublinhas para salientar alguma informação de importância para o que se pretende discutir. Os trechos do vídeo com a sua narração estão discriminados em tempo de horas, minutos e segundos – não, necessariamente, em ordem cronológica devido à correspondência sequencial do texto – conforme apresentação nos respectivos quadros no corpo do texto.

4.3.1 ANÁLISE DOS TRECHOS DO VÍDEO “UMA VIDA DE PROSPERIDADE” DESTACADOS EM QUADROS E SUAS RESPECTIVAS RESPOSTAS ARGUMENTATIVAS

Torcendo, retorcendo e apertando a fita-marcador da bíblia, ele cita a referência bíblica 2 Coríntios 9:4:

Quadro 1 – Trecho do vídeo “Uma vida de Prosperidade” aos 08:37m

Firme fundamento de glória. A oferta é um assunto tremendamente espiritual que tem sólida base no mundo espiritual.

Fonte: Trecho transcrito do vídeo “Uma vida de prosperidade”. Silas Malafaia Oficial (2018)

Resposta argumentativa:

Nos versículos 1 e 4 do respectivo texto, destacam-se as seguintes expressões (versões bíblicas: A21, ACF, ARA, ARC, NAA, NBV-P, NVT, TB, VFL): administração, assistência, auxílio ao povo de Deus, serviço ao povo santo, ministração para com os santos, oferta para o povo de Deus, que se faz a favor dos santos (1); desapercebidos ou despreparados, deste firme fundamento de glória, quanto a esta confiança, por toda essa confiança que tivemos em vocês, ainda não estão prontos, mesmo depois de tudo o que lhes contei, vocês não estão preparados, depois de tudo que eu disse a eles, confiança depositada em vocês (4).

Firme fundamento de glória ou firme base de glória. Qual é a base da glória: dar com avareza, sendo orientado a dar para receber ainda mais, ou dar com um coração desinteressado em ter retorno financeiro em forma de ganho monetário lucrativo? A base da glória é dar como bênção conforme o versículo 5, e não como avareza ou cobiça. Os termos gregos “εὐλογίαν” /eulogian/ e “πλεονεξίαν” /pleonexian/ significam respectivamente bênção e cobiça (desejo de vantagem). Que a doação ou oferta seja uma bênção livre de interesses egoístas como “vou dar tanto para receber ainda mais…”, jamais por pressão moral, emocional, sentimental, que incita ao entendimento de obrigação, de dar por constrangimento como sentimento de culpa por não ofertar por não ter provisão no momento ou de ameaça de uma perda maior se não ofertar, mas que oferte mesmo não tendo provisão como “pegue emprestado e depois devolva”, destoando da exortação paulina de “dar com alegria” com prontidão de vontade segundo o que se tem e não segundo o que não tem (2 Co 8:11-15; 9:7), uma liberalidade desinteressada, independente de quaisquer retornos lucrativos.

Firme fundamento de glória, portanto, não significa a oferta em si, mas o modo como ela é feita, com que coração se dedica a fazê-la, como ato de bondade e não de cobiça conforme as explanações que distorcem o real significado do texto sagrado no tocante à ganância por dinheiro. Firme fundamento de glória é estar preparado para fazer uma oferta digna diante do Senhor, significando algo que seja motivo de glória ao seu nome, uma oferta que lhe seja agradável, desinteressada, liberal, i.e., desapegada do dinheiro; é desse firme fundamento de glória que o apóstolo Paulo está falando e tentando até hoje nos ensinar a forma correta de ofertar. Todavia, não é a glória do Senhor que é exaltada no referido contexto, mas a glória da oferta – a oferta como algo digno de todo o louvor. Está escrito que nada nem ninguém pode tomar o lugar de Deus: “Não darei a minha glória a outro nem o louvor que me pertence aos ídolos” (Is 42:8), mas sorrateiramente uma expressão mal-empregada pode surtir esse efeito de contradição à palavra de Deus, tirando-lhe a honra e a glória.

Citando 2 Co 9:5, ele diz:

Quadro 2 – Trecho do vídeo “Uma vida de Prosperidade” aos 09:44m

A oferta é uma bênção, não é maldição, não!

Fonte: Trecho transcrito do vídeo “Uma vida de prosperidade”. Silas Malafaia Oficial (2018)

Resposta argumentativa:

Contudo, concernente ao que foi dito anteriormente, se uma bênção foge à instrução divina sobre o seu devido lugar diante de Deus, não estando acima dele em hipótese alguma porque ele é o dono da bênção, estando acima dela, e não o contrário, então o que poderia ser bênção pode se tornar maldição segundo seus princípios contraditórios à realidade bíblica. Leia-se:

Ai de vocês, guias cegos!, pois dizem: ‘Se alguém jurar pelo santuário, isto nada significa; mas, se alguém jurar pelo ouro do santuário, está obrigado por seu juramento’. Cegos insensatos! Que é mais importante: o ouro ou o santuário que santifica o ouro? Vocês também dizem: ‘Se alguém jurar pelo altar, isto nada significa; mas, se alguém jurar pela oferta que está sobre ele, está obrigado por seu juramento’. Cegos! Que é mais importante: a oferta, ou o altar que santifica a oferta? Portanto, aquele que jurar pelo altar jura por ele e por tudo o que está sobre ele. E o que jurar pelo santuário jura por ele e por aquele que nele habita. E aquele que jurar pelos céus jura pelo trono de Deus e por aquele que nele se assenta (Mt 23:16-22).

A começar pela explicação da oferta em si, ele cita versículos de cor, i.e., sem ler na bíblia. Um breve testemunho: um dia, assistindo a um culto, percebi que o pastor pediu à congregação para ler determinada passagem bíblica, porém ele mesmo não o fez, pois não a leu. Ele a citou de cor e começou a interpretar os versículos. Naquele momento, eu senti necessidade de ler literalmente todos os versículos da passagem bíblica indicada, e percebi que, ao ler, minha mente e espírito se abriram para um entendimento além do que ele estava pregando. Deus me fez ver por meio da minha leitura aquilo que o pastor era incapaz de transmitir porque vinha direto da fonte divina, direto da boca de Deus. Então, concluí que quando reproduzimos oralmente um versículo sem fazer a sua leitura a partir da bíblia, em um culto do qual entendemos que receberemos a direção de Deus para a nossa vida, deixamos de receber alguma orientação específica de Deus que somente ele pode nos proporcionar.

Logo, é mister que se faça a leitura bíblica em um culto porque o abrir da bíblia abre os olhos da fé, do entendimento, do espírito, para receber bênçãos, fortalecimento espiritual, promessas, diretamente de Deus, e não da razão humana que se pauta nos versículos bíblicos sem deixar de lado a sua humanidade, deixando transparecer que é o poder de Deus se manifestando, mas, na verdade, é a prepotência do homem em querer mostrar que ele é assim com Deus! Essa atitude não corresponde à doutrina de Deus: “E leram o livro, na Lei de Deus, e declarando e explicando o sentido, faziam que, lendo, se entendesse”(Ne 8:8).

A leitura pública e particular das Escrituras Sagradas não pode jamais ser abandonada, pois além de preservar a memória da aliança de Deus com o seu povo, também lhe é fonte de vida em todos os sentidos. A leitura dos textos bíblicos é algo recomendado e ordenado pelo próprio Deus desde o Antigo ao Novo Testamento e deve ser realizada com devoção:

a) “E tomou o livro do concerto e o leu aos ouvidos do povo” (Êx 24:7);

b) “Quando todo o Israel vier a comparecer perante o Senhor, teu Deus, no lugar que ele escolher, lerás esta Lei diante de todo o Israel aos seus ouvidos. Quando todo o Israel vier a comparecer perante o Senhor, teu Deus, no lugar que ele escolher, lerás esta Lei diante de todo o Israel aos seus ouvidos” (Dt 31:11);

c) “E, depois, leu em alta voz todas as palavras da lei, a bênção e a maldição, conforme tudo o que está escrito no livro da Lei” (Js 8:34);

d) “Achei o livro da Lei na Casa do Senhor. E Hilquias deu o livro a Safã, e ele o leu” (2 Rs 22:8);

e) “E leu aos ouvidos deles todas as palavras do livro do concerto, que se achou na Casa do Senhor” (2 Rs 23:2);

f) “O livro da Lei de Moisés, que o Senhor tinha ordenado a Israel. E leu nela, diante da praça, que está diante da Porta das Águas, desde a alva até ao meio-dia, perante homens, e mulheres, e sábios; e os ouvidos de todo o povo estavam atentos ao livro da Lei” (Ne 8:1,3);

g) “E, chegando a Nazaré, onde fora criado, entrou num dia de sábado, segundo o seu costume, na sinagoga e levantou-se para ler” (Lc 4:16);

h) “E, quando esta epístola tiver sido lida entre vós, fazei que também o seja na igreja dos laodicenses; e a que veio de Laodiceia, lede-a vós também” (Cl 4:16);

i) “Pelo Senhor vos conjuro que esta epístola seja lida a todos os santos irmãos” (1 Ts 5:27);

j) “Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo” (Ap 1:3).

Pastores que costumam citar versículos bíblicos, mas eles mesmos não os leem diante da congregação dos justos, levam os ouvintes a tirarem os olhos da bíblia por esse simples fato de os recitar sem fazer a devida leitura, como se as palavras decoradas fossem uma coroa de glória, algo venerável, visto que a atenção do povo se volta totalmente para ele, retirando a atenção da bíblia. Desse modo, ele passa a ser o foco, e a bíblia perde o foco.

À guisa de ilustração, aos 06:11m do vídeo, Malafaia diz:

Quadro 3 – Trecho do vídeo “Uma vida de Prosperidade” aos 06:11m

Eu também quero dizer uma coisa aqui pra você. Vou deixar até você abrir a bíblia pra você ouvir o que eu vou te falar. Escute o que eu vou te afirmar aqui nesta noite. Olha aqui pra mim e esquece a bíblia. Olha aqui. Achou 2 Coríntios 9? Agora olha aqui pra mim

Fonte: Trecho transcrito do vídeo “Uma vida de prosperidade”. Silas Malafaia Oficial (2018)

Resposta argumentativa:

Quem está proferindo as frases acima, Deus ou um homem?! “É preciso obedecer antes a Deus do que aos homens!” (At 5:29). Deixar que abram a bíblia?! “Eu vou falar”, “eu vou te afirmar”. “Esquecer a bíblia?!” Palavras divergentes dos ensinamentos bíblicos:

a) É preciso abrir a bíblia para receber, através de sua leitura, instrução divina (Sl 32:8), sabedoria (Sl 1:1,2; Pv 1:7; 4:7; Ec 2:26; 7:12; Tg 1:5), comunhão com Deus (1 Co 1:9; 1 Jo 1:3; 3:24), entendimento da palavra divina (Jó 12:13; Sl 119:130; Pv 9:10; Lc 24:45; Cl 1:9; 1 Jo 5:20), submissão à vontade perfeita de Deus (1 Sm 15:22; Hb 5:7; 12:9; Tg 4:7);

b) É preciso ouvir a voz de Deus e não de homens; não é o que o homem fala ou afirma, mas o que Deus fala, afirma e confirma: “O povo o ovacionava, gritando: ‘Eis que é um deus e não um simples mortal que nos fala!’. No mesmo instante, um anjo do Senhor feriu Herodes com uma enfermidade, pois ele não ofereceu a glória a Deus. Foi comido por vermes e morreu” (At 12:22,23). De Deus não se zomba! (Gl 6:7). Deus é Deus e Senhor da Palavra. “Consagra-os na verdade, que é a tua palavra” (Jo 17:17). “Todas as tuas palavras são verdadeiras” (Sl 119:160);

c) Esquecer a bíblia?! O que está escrito na bíblia? Leia:

“Não deixe de falar as palavras deste Livro da Lei e de meditar nelas de dia e de noite, para que você cumpra fielmente tudo o que nele está escrito. Só então os seus caminhos pros­perarão e você será bem-sucedido” (Js 1;8). “Façam todo o esforço para obedecer e cumprir tudo o que está escrito no Livro da Lei de Moisés, sem se desviar, nem para a direita nem para a esquerda” (Js 23:6). “Liam o Livro da Lei de Deus, explicavam com clareza o significado do que era lido e ajudavam o povo a entender cada passagem” (Ne 8:8). A palavra de Deus suficiente para nos fazer entender que jamais devemos esquecer a bíblia!

Aos 10:30m do vídeo, ele começa a recitar, sem ler, os versículos em Atos 17:25 e Salmos 104:27-29, e, aos 10:49m algumas pessoas tiram os olhos da bíblia porque ele está recitando os versículos sem os ler, transparecendo um domínio sobre a palavra de Deus, como que pretendendo demonstrar pleno conhecimento sobre ela.

Aos 11m, ele começa a recitar 1 Crônicas 29:14 também sem a devida leitura, e assim faz com outros versículos na sequência da pregação. E, en passant, algo que chama a atenção dos 08:33m aos 08:44m é o fato de ele ficar apertando o marcador de página da bíblia, enrolando-o com força.

O Senhor Jesus é a Palavra, o Verbo que se fez carne, e deve ser lido para ser recebido, entendido, aprendido, sentido, obedecido, do início ao fim, pois ele é o início e o fim. Se o Senhor Jesus deixa de ser lido, o que ele tem para oferecer se perde. Jesus deve ser o foco assim como a leitura da sua palavra, pois Jesus e a Palavra são um – ele é o Logos, o Verbo divino.

Naquela referida pregação, aos 11m do vídeo, ele diz que a oferta é uma bênção, uma semente que Deus dá, um serviço para Deus através do qual o ofertante será recompensado, um firme fundamento de glória, uma sólida base no mundo espiritual, um meio de se receber o favor divino e um meio de felicidade – respaldando-se em 1 Crônicas 29:14, Jeremias 21:14, Romanos 2:6, 1 Coríntios 15:58, 2 Coríntios 9:2,4-7,12-13. Malafaia afirma que 2 Coríntios 9 (considerando os versículos em destaque) é o melhor compêndio do Novo Testamento para explicar o que é a oferta; contudo, essa explicação é baseada nas suas próprias interpretações. Estariam elas corretas?! A resposta já foi dada acima.

As interpretações podem estar “quase todas” corretas. Todavia, a questão não é exatamente com relação às interpretações; antes, com relação ao foco e à visão. Como a maioria das interpretações é aceitável porquanto boas aos ouvidos, os ouvintes tendem naturalmente a aceitar tudo o que é dito sem refletir, sem questionar, sem avaliar, sem investigar, longe de um espírito bereiano (At 17:11) e, assim, recebe-as por inteiro com o objetivo de as colocar em prática o mais breve possível. E será que essa prática estaria mesmo de acordo com a real direção de Deus?

4.3.2 INTERPRETAÇÃO FIEL DE VERSÍCULOS BÍBLICOS 

Como seria, então, uma interpretação mais fielmente explanada acerca desses versículos? Vejam-se, primeiramente os quinze versículos de 2 Coríntios 9 na íntegra, sob as versões bíblicas NVT e NBVP:

v. 1 Na verdade, quanto a esse serviço ao povo santo, não preciso lhes escrever.

FOCO: Oferta para o povo de Deus.

VISÃO: Oferta como serviço ao povo de Deus, para ajudar o povo de Deus, e não com o objetivo de obter vantagens ou lucros ou ganhos etc. porque prestou esse serviço a Deus, crendo que Deus vai recompensá-lo por isso. Visão interesseira, e não genuinamente generosa porque destituída do verdadeiro espírito de contribuição.

Como está escrito, no Dia do Juízo, muitos dirão ao Senhor que profetizaram em seu nome, expulsaram demônios em seu nome e realizaram muitos milagres em seu nome, mas ele lhes dirá claramente: “Nunca os conheci. Afastem-se de mim vocês que praticam o mal!” (Mt 7:22,23)

v. 2 Sei quanto estão ansiosos para ajudar e expressei às igrejas da Macedônia meu orgulho de que vocês, na Acaia, estão prontos para enviar uma oferta desde o ano passado. De fato, foi sua dedicação que incentivou muitos a também contribuir.

FOCO: Ajudar os outros.

VISÃO: Ofertar visando o bem dos outros e não de si mesmos.

v. 3 Ainda assim, envio esses irmãos para me certificar de que vocês estão preparados, como tenho dito a eles. Não quero elogiar vocês sem razão.

FOCO: Estar pronto através da preservação do bom caráter.

VISÃO: Quem dá oferta esperando ser recompensado já tem a sua recompensa: a falta de retidão; porém, quem ama voluntariamente dá liberalmente sem esperar nada em troca, sem visar nada, e é recompensado pelo amor de Deus. Qual a intenção da oferta?!

v. 4 Que vexame seria para nós, e ainda mais para vocês, se alguns macedônios chegassem comigo e descobrissem que vocês não estão preparados, depois de tudo que eu disse a eles!

FOCO: Evitar a desonra de uma coleta diferente da instrução escriturística.

VISÃO: A prática de ofertar deve estar atrelada à gratidão a Deus pelos seus feitos na vida do ofertante cuja saúde financeira provém de um espírito de contribuição desapegado de vaidades terrenas pelo aspecto da liberalidade cristã que rejeita ações gananciosas. Estar preparado não é apenas se professar evangélico, mas estar em comunhão com Deus e sua palavra acima de instruções humanas.

v. 5 Portanto, considerei apropriado enviar esses irmãos antes de mim. Eles cuidarão para que a oferta que vocês prometeram esteja pronta. Que seja, porém, uma oferta voluntária, e não entregue de má vontade.

FOCO: Oferta livre da avareza de dar pela cobiça de ganhar mais em troca.

VISÃO: Prometeu, cumpre. E que seja sem avareza, sem interesses egoístas, como que visando benefícios para si, ou com usura.

v. 6 Lembrem-se: quem lança apenas algumas sementes obtém uma colheita pequena, mas quem semeia com fartura obtém uma colheita farta.

FOCO: Contribuir generosamente, refletindo o espírito benéfico do doador.

VISÃO: Colheita proporcional à semeadura, i.e., a generosidade deve ser proporcional àquilo que se recebe de Deus. Portanto, não significa dar muito para receber muito, mas receber de Deus ricamente para poder dar generosamente – a colheita corresponde ao espírito da semeadura: Com que espírito se está plantando? Está plantando com o objetivo de colher o quê? O objetivo maior é levar muitas pessoas a agradecerem a Deus e, consequentemente, serem alcançadas por ele para a salvação.

v. 7 Cada um deve decidir em seu coração quanto dar. Não contribuam com relutância ou por obrigação. Pois Deus ama quem dá com alegria.

FOCO: Alegria na doação por livre vontade.

VISÃO: Dar com alegria e não por obrigação diante dos dirigentes da igreja, tampouco por interesse em vantagens para si próprio, como em “É dando que se recebe”. Logo, “vou dar para ter!” (Desvio de foco)

v. 8 Deus é capaz de lhes conceder todo tipo de bênçãos, para que, em todo tempo, vocês tenham tudo de que precisam, e muito mais ainda, para repartir com outros.

FOCO: Os outros, e não o ofertante.

VISÃO: A pessoa vai não dar para ter; ela vai ter para dar. Ou seja, primeiro Deus dá para que, então, o abençoado possa repartir com os outros, i.e., possa abençoar também em semelhança a Deus.

v. 9 Como dizem as Escrituras: “Compartilha generosamente com os necessitados; seus atos de justiça serão lembrados para sempre”. (v. Sl 112:9)

FOCO: Caráter digno diante de Deus e dos homens.

VISÃO: Ter sempre para poder dispersar aos necessitados, evidenciando sua justa beneficência.

v. 10 Pois é Deus quem supre a semente para o que semeia e depois o pão para seu alimento. Da mesma forma, ele proverá e multiplicará sua semente e produzirá por meio de vocês muitos frutos de justiça.

FOCO: É Deus quem provê a capacidade para ofertar e galardoar o doador.

VISÃO: Uma grande colheita como resultado da generosidade pura no ofertar: recompensas celestiais devido ao espírito caridoso. Dá porque tem; tem porque Deus dá previamente. Como tudo vem de Deus e só existe por causa dele, só Deus tem o direito de dizer como as coisas devem ser dispensadas, neste caso, como as ofertas devem ser feitas, segundo o modo como ele julgar melhor, e não como o homem diz que tem de ser. Obediência à voz de Deus e não à voz de homens “religiosos”. É Deus quem dá a semente!

v. 11 Em tudo vocês serão enriquecidos a fim de que possam ser sempre generosos. E, quando levarmos sua oferta para aqueles que precisam dela, eles darão graças a Deus.

FOCO: Abundância regada de simplicidade, livre de autossatisfação para fins divergentes do propósito divino.

VISÃO: A pessoa vai não dar para ter; ela vai ter para dar. Ou seja, Deus lhe dará primeiro, antes mesmo que ela dê ofertas. Oferta como ação de graças e não como ação de recompensa.

v. 12 Assim, duas coisas boas acontecem como resultado das ofertas de vocês (serviço ministerial) — os necessitados do povo de Deus são ajudados e eles transbordarão de gratidão a Deus.

FOCO: Os necessitados, e não o ofertante.

VISÃO: Ajudar o próximo é um dever necessário e um serviço apropriado que agrada a Deus e se conforma à dispensação do evangelho que supre as necessidades dos santos.

v. 13 Como resultado do serviço de vocês, eles darão glória a Deus. Pois sua generosidade com eles e com todos os que creem mostrará que vocês são obedientes às boas-novas de Cristo.

FOCO: Doação liberal para suprir as necessidades alheias mediante a obediência à voz de Jesus.

VISÃO: Dar glórias a Deus. Ser generoso não pelo interesse de que assim receberá de volta, superabundando em bênçãos recebidas, mas como prova de obediência à palavra de Deus, como sujeição espontânea à doutrina do evangelho de Cristo.

v. 14 E eles orarão por vocês com profundo afeto, por causa da graça transbordante que Deus concedeu a vocês.

FOCO: Imitar a generosidade incondicional de Deus e sobremodo excelente.

VISÃO: Quem oferta com generosidade não precisa se preocupar com necessidades futuras; ou seja, não deve ficar preso ao pensamento de que deve dar muito para ganhar ainda mais, corrompendo o princípio da semeadura generosa e desinteressada ao distorcer o significado do texto sagrado de plantar muito para colher muito pelo que deixam de lado o propósito da salvação das almas em favor do enriquecimento do bolso.

v. 15 Graças a Deus por essa dádiva tão maravilhosa que nem as palavras conseguem expressar!

FOCO: O dom indescritível de Deus que devemos procurar imitar.

VISÃO: Agradecer a Deus por propiciar a cada servo fiel e digno de ser chamado pelo seu nome a bênção dos dons recebidos que oportunizam a manifestação do amor em imitação ao amor divino.

Veja uma exegese de 2 Coríntios 9 focando a ajuda aos irmãos mediante uma visão voltada exclusivamente para o propósito do Evangelho, livre do intento ambicioso de ser beneficiado por fazer a obra no reino de Deus (não descartando a possibilidade certa de Deus beneficiar seus servos), mesmo que isso inclua a ajuda ao próximo, ou seja, ajudar o irmão livre do objetivo de que isso se reverta em benefício próprio.

O apóstolo Paulo desenvolve o tema da semeadura não no “campo” da esfera econômica, visando o sucesso dos investimentos nos negócios, de retornos financeiros, como muitos pastores ambiciosos pretendem interpretar, mas no “campo” do reino espiritual cuja colheita remete ao aspecto celestial. Deus pode conceder bênçãos materiais às pessoas generosas porquanto desprendidas de interesses terrenos ou egoístas, mas essas bênçãos não oferecem quaisquer garantias para esta vida nem para a vida eterna.

As instruções do apóstolo Paulo em relação à grande coleta, envolvendo metaforicamente a sementeira e a colheita: os cristãos da Macedônia e os cristãos de Corinto queriam praticar boas obras como dar sustento às pessoas pobres de Jerusalém. Paulo faz uma alusão ao funcionamento de uma lavoura pelo que se guarda para o ano seguinte uma porção da colheita atual que servirá como semente. Contudo, se o lavrador consumir muito de sua atual colheita, acabará guardando muito pouco o que acarretará o plantio de poucas sementes e, assim, sua próxima colheita será bem menor. Porém, se ele guardar e plantar muitas sementes, sua próxima colheita será abundante. Desse modo, Paulo faz uma comparação entre dar generosamente e semear com fartura. Analogamente ao reino de Deus, uma grande colheita pode ser alcançada por meio da contribuição generosa e sincera de seus servos. Mas, essa colheita se refere ao que se vai receber de Deus para si próprio por ter investido muito em seu reino, por ter ofertado dinheiro à igreja? Não! Essa colheita se refere ao que o povo de Deus vai ganhar por meio da contribuição de seus servos. Isso não significa que Deus não os abençoe também; os servos ofertantes podem ser abençoados, mas essa bênção não está atrelada especificamente ao ato de ofertar.

Não se pode aceitar no reino de Deus o tipo de discurso que preconiza a prosperidade material, ou referente a qualquer outra área, como sendo proveniente da oferta que se faz no seio da igreja; é como se isso limitasse o poder de Deus de dar a quem quer e como quer, independentemente de seus feitos (Mt 5:45; Rm 9:18). Entende-se biblicamente que ofertar implica em satisfação para se praticar, implica em dar com alegria, e não em resposta à pressão das pregações inflamadas de ministros que visam o crescimento econômico da igreja para aplicação em fins diversos, em detrimento do verdadeiro sentido de economia da igreja, refletindo um oxímoro como uma bondade egoísta – i.e., “Vou dar pensando em mim”; essa visão humana de prosperidade econômica não deve se sobrepor à visão de economia segundo a igreja que é exercida em prol de uma boa administração para a edificação de vidas e não para o culto ao dinheiro, o que ocasiona um decrescimento das virtudes salientadas e propostas pelo evangelho que não estão abaixo de valores monetários.

Na verdade, Deus conhece as necessidades de cada um e exorta em sua palavra para que se busque o seu reino e a sua justiça antes de qualquer coisa e, como promessa, ele satisfará todas as suas necessidades, não deixando faltar-lhe o necessário (Mt 6:33), ou seja, o reino e a justiça de Deus envolvem uma postura de fé e fidelidade a Deus no sentido de obediência aos seus ensinamentos de desapego às materialidades e à missão dada por ele de pregar o evangelho da graça de graça a todos os povos, e não teologias de prosperidade que destoam da verdadeira prosperidade prometida por Deus. Deus abençoa quem ele quer e não, necessariamente, quem dá (Rm 11:6). Deus conhece as necessidades de cada pessoa e as supre segundo a sua vontade, independentemente do que ela faça. Logo, deve se livrar do estigma de que é dando que se recebe, de que se ofertar, Deus vai fazê-lo prosperar financeiramente.

Deus dá a cada servo seu a oportunidade de contribuir, e é verdade que ele pode dar mais dinheiro ao ofertante para que possa dar ainda mais, mas não é sempre assim – multiplicando o seu dinheiro –, pois pode ser que ele providencie outros modos de contribuição, e não somente com dinheiro. Ser generoso deve ser uma consequência da prosperidade que Deus dá àqueles que vão ofertar; então, primeiro vem a prosperidade de Deus que é seguida da generosidade, caso contrário, como se poderia dar aquilo que não se tem? Como nesta oração: “Senhor, ajuda-me a ter para que eu possa dar ao meu irmão”. Generosidade em dose dupla porque primeiro ela já está presente no coração da pessoa antes mesmo de dar, já lhe é um dom inato; e, segundo, porque ela ganhou e não reteve, mas distribuiu conforme as suas possibilidades, considerando sua capacidade orçamentária e sob senso prudente de altruísmo: “As prudentes levaram azeite em suas vasilhas, com as suas lâmpadas”. E responderam às que não o tinham: “O óleo que nós temos não dá para nós e para vocês. Se vocês querem óleo, vão comprar!” (Mt 25:4,9). Portanto, a dádiva de Deus precede qualquer ato de generosidade. Receber de Deus vem antes de dar a alguém, pois para dar eu preciso ter, e quem me dá é Deus, e não as ofertas que faço, ou seja, não são as ofertas que faço que vão me fazer prosperar, mas Deus em sua infinita bondade.

2 Coríntios 9 fala acerca da contribuição aos cristãos pobres como um ato de generosidade em decorrência da obediência à palavra de Deus quanto à responsabilidade de cuidar dos mais necessitados. Não dá para fazer vista grossa àqueles que precisam de ajuda, e, nem sempre, essa ajuda funciona como ofertas à igreja para serem distribuídas aos necessitados, mas pode ser ofertas a alguém mais próximo, independentemente de estar na igreja ou não. Deus vê o coração generoso, e não o local onde se praticam generosidades. Deus vê o modo como se faz e não, necessariamente, o que se faz – o modo como reagimos a uma situação alheia de necessidade é mais importante do que a ação em favor dessa necessidade, pois o motivo que leva uma pessoa à ação de ofertar na igreja, por exemplo, pode não ser o de agir movido pelo amor no coração, mas pelo amor ao dinheiro que visa receber como fruto dessa ação, a partir do que ouviu em uma pregação sobre “dar mais para receber mais”. Isso Deus vê! E a isso ele responde: “Eu nunca os conheci! Afastem-se de mim, seus malfeitores!” (Mt 7:23).

Atos de generosidade, como ofertas, não salvam nem justificam ninguém diante de Deus, mas tão somente refletem a salvação já recebida, e, então, o cristão oferta como forma de gratidão a Deus pelo que já recebeu e não como forma de ser recompensado por suas obras humanas. Obras não salvam nem justificam ninguém. Deus tem mais prazer na obediência do que em sacrifícios (1 Sm 15:22), i.e., agrada-se mais a Deus quando se mantém um coração puro e desinteressado nas mais diversas ações do que quando se fazem obras visando vantagens decorrentes.

Deus dá, sim, dinheiro a quem ele quer, mas o foco dessa dádiva não é para se distribuir ou ofertar visando ganhar mais; o foco é dar, ofertar, sem visar retorno. A contribuição deve estimular o cristão à oração por aqueles que vão receber visto que uma vez sendo abençoados poderão se livrar das suas necessidades e, assim, passar a contribuir também e a orar pelos outros após sua própria libertação: um ora pelo outro que fica bem e esse começa a orar por outro que também fica bem, e, assim, sucessivamente, sempre. A riqueza que Jesus Cristo concede ao cristão é mais valiosa que riquezas econômicas, pois essas são passageiras e aquela é eterna. Quem tem Jesus tem tudo: sabedoria (não confundir com sabedoria humana), pureza espiritual, conhecimento da palavra de Deus, paz de espírito, discernimento que livra do engano etc. Como está escrito: “Sem mim, nada podeis fazer” (Jo 15:5). Sem Jesus, uma pessoa não respira; logo, não pode trabalhar para ganhar dinheiro. Quem está vivo está vivo pela graça e pelo poder de Deus. “Em tudo dai graças” (1 Ts 5:18). 

Generosidade é um comportamento que expressa bondade e não interesses egoístas. Os que ofertam “generosamente” – i.e., com liberalidade, sem visar interesses próprios, sem esperar nada em troca, sem ganância –, receberão bênçãos abundantes conforme as suas necessidades conhecidas por Deus, e não propriamente em dinheiro, podendo ser de outras formas. Em sua presciência, Deus conhece as necessidades de seus filhos as quais ele já decidiu suprir, incondicionalmente, pelo simples fato de ele ter querido abençoar. Tudo o que se dá de coração puro e desinteressado Deus vê e recompensa segundo a sua onisciência. Mesmo que Deus conceda uma colheita material abundante àqueles que contribuem na igreja por meio de ofertas, isso não reflete o padrão tampouco a promessa do Novo Testamento. De acordo com a passagem bíblica abaixo, parece cômodo ofertar. Quem quer ser cristão literalmente? Quem quer pagar o preço de ser cristão? Como age o verdadeiro ministro de Cristo? Falar sobre prosperidade é fácil. Ofertar e incentivar à oferta é fácil, mas, são mesmo ministros de Cristo? Como está escrito:

Eles são servos de Cristo? Mas eu sou um servo melhor do que eles, embora, ao dizer isso, eu esteja falando como se fosse louco. Pois eu tenho trabalhado mais do que eles e tenho estado mais vezes na cadeia. Tenho sido chicoteado muito mais do que eles e muitas vezes estive em perigo de morte. Em cinco ocasiões os judeus me deram trinta e nove chicotadas. Três vezes os romanos me bateram com porretes, e uma vez fui apedrejado. Três vezes o navio em que eu estava viajando afundou, e numa dessas vezes passei vinte e quatro horas boiando no mar. Nas muitas viagens que fiz, tenho estado em perigos de inundações e de ladrões; em perigos causados pelos meus patrícios, os judeus, e também pelos não judeus. Tenho estado no meio de perigos nas cidades, nos desertos e em alto-mar; e também em perigos causados por falsos irmãos. Tenho tido trabalhos e canseiras. Muitas vezes tenho ficado sem dormir. Tenho passado fome e sede; têm me faltado casa, comida e roupas. Além dessas e de outras coisas, ainda pesa diariamente sobre mim a preocupação que tenho por todas as igrejas. (2 Co 11:23-28).

Os necessitados são beneficiários da providência especial de Deus: “do pó levanta o pequeno e, do monturo, ergue o necessitado” (Sl 113:7). É a generosidade de Deus que garante os bens aos seus escolhidos; portanto, as ofertas dos homens são uma consequência dessa generosidade divina, e não um ato de mera procedência humana que depois de praticado venha a propiciar ao ofertante a obtenção de merecimentos e recompensas. Como se fosse um ato mágico. A verdade com relação a ofertas e ofertantes é que a contribuição para as necessidades alheias multiplica a gratidão do ofertante a Deus de quem muito recebe antes mesmo de ofertar; isso é enriquecimento espiritual que se sobreleva ao enriquecimento material – isso, logicamente, para quem se importa com as verdades de Deus, para quem dá o devido valor às bênçãos espirituais, o que não significa rejeição às bênçãos materiais, claro que não, mas rejeição ao valor que se dá às bênçãos materiais em detrimento das celestiais. Importante lembrar: “Não podeis servir a Deus e a Mamom [as riquezas]” (Mt 6:24).

Malafaia diz que o cristão é conhecido pelo que doa, mas não diz que a doação voluntária é baseada no amor e não na espera do retorno pela oferta dada. Ele sugere a teoria da proporcionalidade pela qual se colhe o que se planta – plantou muito, colhe muito –; não se pode comprar o céu por doar muito! Todavia, essa colheita da qual o ofertante espera receber de volta está intrinsecamente ligada a dinheiro ofertado na igreja, ou está ligada à semeadura da palavra de Deus para a salvação de almas e, daí, poder ocorrer (i.e., não é certo que ocorra) uma recompensa por parte de Deus? É necessário ter em mente que Deus concede bênçãos por sua vontade e não por causa dos feitos dos homens.

Afirmar categoricamente que alguém será recompensado por causa das ofertas que faz é aludir à mensagem do Antigo Testamento de que aquele que não oferta na igreja está roubando a Deus (Ml 3:8), adaptando-a ao contexto atual sem mencionar o real motivo divino para aquela exortação: de que os israelitas estavam mais preocupados com seus bolsos do que com as coisas de Deus, como o sustento dos levitas e dos sacerdotes. Por isso, Deus os desafiou, declarando que para receberem suas bênçãos deveriam lhe obedecer; além disso, deixa de aludir à mensagem do Novo Testamento de que o mais importante da lei (que já é passada, visto que estamos debaixo da graça de Jesus), que se refere igualmente aos dias atuais, é a prática da justiça, da misericórdia e da fé (Mt 23:23).

Ademais, ainda se tem a expressão “É dando que se recebe”, que não é bíblica. É o inverso, recebe-se para depois dar, pois ninguém dá o que não recebeu ou o que não tem. Quanto às doações sob uma perspectiva bíblica, entende-se que é melhor dar do que receber (At 20:35), do que se depreende que o objetivo em dar nada tem a ver com recebimento de volta, não deve haver uma visão de retorno, ou seja, nunca doar, ofertar, visando benefícios e vantagens para si mesmo. Isso é o que deve ser feito acima das ofertas que se fazem com interesses além dos propostos por Jesus que são o amor ao próximo e a salvação de almas. Ademais há líderes usando textos bíblicos de forma coercitiva e ameaçadora àqueles que não dão o dízimo ou ofertas nas igrejas, pois intimidam os fiéis com palavras de maldição como fazia o sacerdote Pasur, o famigerado “Terror-por-todos-os-lados” (Jr 20:3). Quantos Pasures estão espalhados pelo mundo “em nome de Deus”?!

Malafaia disse com propriedade que “cada semente tem um tempo de maturação”, e segue perguntando “Em que tipo de terreno você está plantando?” E acrescenta: “Plantando na vida de cafajeste, de gente que não tem afeto natural, miserável, mesquinho, não vale nada, é árido esse terreno, você planta em projeto fraudulento, não vale nada. Vai ver em quem você está plantando. Tá plantando na vida de alguém, mas vai ver quem é a pessoa; gente que odeia Deus, odeia o povo de Deus, é mesquinho, miserável, é terra árida”. Pergunta-se, então: quantos cristãos estão plantando na vida de falsos pastores, falsos mestres, falsos líderes religiosos visto que as ofertas que recebem não vão para a igreja, mas para seus bolsos? Como saber acerca dessa realidade se não for por uma investigação profunda baseada em suspeitas prévias a partir de fatos que se levantam contra esses indivíduos? Ou seja, é temerário falar desse jeito sobre as pessoas cujo coração e cuja intenção não se conhece como Deus conhece. Isso equivale a “fazer acepção de pessoas” (Rm 2:11). Por que? Porque Deus não vê como o homem vê (1 Sm 16:7). O homem vê as aparências, o externo, mas é incapaz de enxergar a alma, o coração do outro.

4.3.3 ANALISANDO AS PALAVRAS MALAFAICAS

Uma pessoa da sua família é um cafajeste, i.e., um sujeito sem caráter ou, melhor dizendo, mau-caráter. O fato de uma pessoa ser cafajeste não significa que ela não possa ser transformada por Deus. Como disse o próprio Malafaia: “Seja Deus verdadeiro e todo homem mentiroso”, referindo-se a Romanos 3:4. Logo, se está escrito nas Escrituras Sagradas que Deus não faz acepção de pessoa, quem é o homem para dizer que esse ou aquele não merece receber os meios da salvação? Mesmo um falso pastor, ao receber as ofertas e dízimos em sua igreja, pode, concomitantemente, receber exortações sobre como os administrar fidedignamente, e não com roubo como faz um líder religioso mau-caráter – o verdadeiro “roubar a Deus”, i.e., não obedecendo às virtudes morais que ele ordena ao seu povo. Logo, ele teria uma oportunidade de regeneração.

Como ninguém possui a onisciência de Deus para saber o que vai no coração alheio, não há por que deixar de “plantar” a semente da graça de Deus na vida de uma pessoa. Plantar, biblicamente falando, não se refere apenas a dinheiro, conforme Malafaia preconiza, por mais específico que fosse o tema naquele contexto; antes, plantar na vida de alguém está acima de doações em ofertas à igreja (ou, mais propriamente dito, aos líderes eclesiásticos que as resgatam para si, promiscuamente). A visão do “plantar na vida do outro” não pode se restringir tão somente à questão de dinheiro, à questão de oferta, ou mesmo à questão de dízimo; é mister pensar mais no “próximo” do que no “outro”, pois quando se pensa no próximo, pensa-se como Jesus quando, por exemplo, salvou a vida do ladrão ao lado dele na cruz.

Jesus não fez acepção de pessoa com relação àquele homem; Jesus não o condenou tampouco o rejeitou porque se tratava de um cafajeste, miserável, fraudulento, mesquinho, odiento às coisas santas porque enredado com o profano; não! Jesus fez um raio-x do seu coração naquela hora em que o candidato à reprovação dos homens se arrependeu verdadeiramente e Jesus, conhecendo o seu coração como ninguém, estava certo do seu arrependimento, pois, sendo Deus, não erra e não se engana; ele sabe quem é quem. Jesus não o condenou por seus delitos e defeitos morais. Justamente por estar naquela cruz, Jesus, sem erros nem pecados, pagando por um crime que não cometeu, sendo condenado injustamente pelos homens religiosos – esses, sim, que normalmente cometem o pecado da acusação injusta e difamatória, do juízo temerário, da exclusão e da rejeição, que declaram estar agindo em nome de Deus –, levou o malfeitor ao entendimento de que havia melhores caminhos do que os que ele andava percorrendo até então. Deu-lhe, portanto, no momento derradeiro, a oportunidade da santificação, ato de purificação do caráter. Ou seja, uma vez purificada por Deus porque arrependida verdadeiramente de seus pecados, a pessoa desfruta agora de uma nova vida, “nova criatura é” (2 Co 5:17). Se não fosse assim, como está escrito, Deus seria mentiroso e Malafaia verdadeiro.

Portanto, todo homem está destituído da glória de Deus (Rm 3:23), a não ser que creia em Jesus e manifeste sua fé nele (Rm 3:22,26) a qual traz consigo o arrependimento e a consequente libertação dos pecados. Sabe-se, biblicamente, que não existe um justo sequer sobre a face da terra porque todos se extraviaram e não fazem o bem, cuja garganta é um sepulcro aberto, com línguas enganadoras, cheias de palavras de maldição que renegam o próximo por não conhecerem seu coração, que estão debaixo da lei e não da graça mesmo que digam o contrário, que induzem seus ouvintes a acreditarem que não ofertantes são condenáveis diante de Deus, mas eles, com seus discursos tendenciosos não o são (Rm 3).

“Porque não há diferença” (Rm 3:22). A justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo é para todos e sobre todos os que creem. O ladrão na cruz creu. Madalena creu. Raabe creu. Zaqueu creu. Paulo creu. Quem eram essas pessoas antes de conhecerem a Deus? Eram todas perfeitas, sem desvios de caráter, sem pecados, sem erros? Não. Todas eram cheias de problemas, os quais são bem conhecidos na bíblia, mas Deus não rejeitou nenhuma delas porque viu seu coração sincero e pronto ao arrependimento. Ele não fez acepção de pessoas, não deixou de lhes dar atenção por causa de seus pecados, mas as assistiu até que fossem regeneradas. Raabe, uma prostituta (Js 2), faz parte da linhagem de Jesus Cristo (Mt 1:5). Ela quis ajudar os espias em sua missão dada por Deus: uma prostituta de fé que Deus justificou. Quem é, então, um mero homem para condenar pecadores à exclusão da graça de Deus, como faz Malafaia dos 26:29m aos 26:55m do vídeo em questão, visto que a ação de plantar segundo os princípios bíblicos não está atrelada apenas a dinheiro? Não seria o caso de oportunizar a essas pessoas (lembrando que assim eles como nós: “todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” – Rm 3:23) a bênção de ouvir a pregação da mensagem de Cristo que gera a fé (Rm 10:17) mediante a própria fé e a esperança a partir da missão evangelística pela qual “Deus aceita todos por meio de Cristo Jesus, que os salva? (Rm 3:24).

Não é o caso de apoiar os erros do outro, mas de ver as possibilidades de regeneração e salvação para a vida do próximo; não é uma questão meramente social, mas espiritual que logicamente requer prudência no lidar, o que não implica abandonar ou rejeitar. Pode-se não andar junto fisicamente, mas o coração caminha lado a lado por meio da oração sincera que chega aos ouvidos de Deus quando clamamos pela libertação de alguém. Portanto, não é simplesmente esbravejar cheio de moralidade que o outro é miserável, cafajeste e que, por isso, deve ser abandonado. Isso não condiz com a verdade de Deus!!! Sabemos, por exemplo, que alguns, acolheram anjos por meio da hospitalidade sem saber que eram anjos (Hb 13:2; 1 Pe 4:9) não os julgando nem recriminando pela sua aparência ou qualquer outro motivo que causasse repelência. Sabemos também que o amor cobre uma multidão de pecados (1 Pe 4:8), i.e., não leva em consideração os erros, defeitos e pecados acima da possibilidade de regeneração que envolve o perdão, pois “é por meio do próprio Jesus Cristo que os nossos pecados são perdoados. E não somente os nossos, mas também os pecados do mundo inteiro” (1 Jo 2:2).

Então, como agradar a Deus segundo à sua palavra? Permanecendo no amor uns pelos outros como irmãos em Cristo. Não deixando de receber bem aqueles que vêm à nossa casa, ao nosso encontro, cujas histórias conhecemos, e podemos ajudá-los não necessariamente com dinheiro, mas investindo oração, aconselhamento, ou o que for necessário dentro daquilo que se pode fazer por suas vidas. É preciso ter sempre em mente que ninguém é melhor do que ninguém e isso afastará qualquer repúdio que vá contra os princípios divinos da evangelização, levando em consideração os que sofrem de males diversos, como se estivéssemos sofrendo dos mesmos males (Hb 13:1-3; 1 Pe 5:9), pois hoje não temos o mesmo problema do outro, mas temos outros problemas; ninguém está livre de problemas, ninguém, nem o melhor pastor da melhor igreja. A Igreja de Cristo é para os doentes e miseráveis que podem receber a salvação e a libertação de seus problemas.

Então, o que dizer da “pessoa-terra-árida” contra a qual ele falou, admoestando os cristãos ouvintes a não semear na vida dela? Semeadura na bíblia se refere apenas à oferta em dinheiro? A pregação do evangelho para esse tipo de pessoa também não seria uma “oferta de amor” para a salvação da sua alma? A pregação do evangelho é somente para pessoas boas, de bom caráter? Ou só para aqueles que vão ofertar na igreja? Jesus não nos alertou (Mt 5:46,47) sobre não considerar (amar) apenas os bons (que nos amam), mas também os maus, pois precisam de libertação? Deus não faz o sol nascer para bons e maus, justos e injustos, não faz chover sobre eles, não faz suceder o mesmo a todos? (Ec 9:2; Mt 5:45) Deus não despreza nem abandona um indivíduo, mas sempre lhe provê uma chance de se regenerar. Por que não nós? Não somos à imagem e semelhança de Deus que é amor (Gn 1:26)? Não somos capacitados pelo poder e pela palavra de Deus a pregar o evangelho (Mc 16:15) – a palavra de salvação e frutos da regeneração e libertação – até os confins da terra, i.e., a todas as gentes?

A seguir, alguns textos para reflexão parcialmente transcritos do vídeo anteriormente mencionado “Uma vida de prosperidade” cujos textos iniciais e respectivas refutações se encontram acima.

Quadro 4 – Trecho do vídeo “Uma vida de Prosperidade” aos 21:21m

O cristão é conhecido por aquilo que ele doa.

Fonte: Trecho transcrito do vídeo “Uma vida de prosperidade”. Silas Malafaia Oficial (2018)

Resposta argumentativa:

Pelo que doa em oferta monetária?! Ou pelo amor recíproco? Leia sobre como um cristão é conhecido: “Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos (cristãos), se vos amardes uns aos outros” (Jo 13:35). Como um cristão fiel doa? Com que coração? Abaixo, um texto elucidativo sobre o modo correto e o coração puro para ofertar[5]:

Não é pra aparecer!

Doação de coração puro, sincero e fiel: jamais para aparecer, para aliviar-se de culpa ou por constrangimento de qualquer tipo.

Faça a sua missão como Deus lhe tem dado a fazer. Cada um tem a sua própria missão. Faça a sua como Deus a tem designado. E não se sinta culpado por não fazer o que outros estão fazendo; eles estão cumprindo cada um com a sua missão. E não queira jamais fazer para aparecer, fazer algo para mostrar sua ação para os outros.

Como ofertamos a Deus? Com que coração? Dar por dar, dar por qualquer outro motivo que não seja agradar a Deus, i.e., dar para agradar os outros, dar para nos sentirmos livres de culpa, dar por obrigação ou constrangimento…

De que maneira é feita uma oferta à casa de Deus ou a necessitados fora dela? As ações “ofertivas” são motivadas pelo quê? É para o modo como a oferta se realiza que Deus atenta, e não para a oferta em si. É para a disposição do coração que Deus olha.

Deus atentou para a oferta de Abel porque ele se preocupou em oferecer o melhor e assim o fez (Gn 4:4), diferentemente de seu irmão Caim (Gn 4:3). Nota-se nesse contexto o modo como a oferta foi realizada: a de Abel por gratidão e desejo de agradar a Deus, mas a de Caim por obrigação ou mero formalismo. Deus dá testemunho dos dons (Hb 11:4). Todavia, um pecado dá brecha para outros pecados (Gn 4:7,8).

É preciso ter muito cuidado com o modo pelo qual se faz uma oferta, pois, se for divergente dos princípios divinos, acarreta pecado que gera culpa diante de Deus. Logo, não há nenhuma vantagem em fazer ofertas que destoam da pureza do coração para com Deus, segundo o seu propósito, e para com os homens segundo a retidão do espírito (Sl 51:10; Lc 2:14).

A oferta jamais deve ter o objetivo de tornar o ofertante conhecido. Não é para se tornar conhecido! Basta se lembrar da palavra com que é exortado a agir segundo a direção de Deus em Mateus 6:2-4:

Quando você der alguma coisa a uma pessoa necessitada, não fique contando o que fez, como os hipócritas fazem nas sinagogas e nas ruas. Eles fazem isso para serem elogiados pelos outros. Eu afirmo a vocês que isto é verdade: eles já receberam a sua recompensa. Mas você, quando ajudar alguma pessoa necessitada, faça isso de tal modo que nem mesmo o seu amigo mais íntimo fique sabendo do que você fez. Isso deve ficar em segredo; e o seu Pai, que vê o que você faz em segredo, lhe dará a recompensa.

Quadro 5 – Trecho do vídeo “Uma vida de Prosperidade” aos 26:52m

A lei da semeadura vai funcionar pra você; se você plantar, você vai colher. É princípio de Deus.

Fonte: Trecho transcrito do vídeo “Uma vida de prosperidade”. Silas Malafaia Oficial (2018)

Resposta argumentativa:

Sim, é princípio divino. Está escrito: “Aquilo que uma pessoa plantar, é o que ela também vai colher” (Gl 6:7) – como se referindo apenas à parte boa do plantio. Porém, dando continuidade à leitura, nota-se que o versículo 8 explica o anterior: “Se ele plantar a fim de agradar aos seus próprios desejos maus, estará plantando as sementes do mal e logicamente fará uma colheita de ruína espiritual e morte; mas se plantar as coisas boas do Espírito, ele colherá a vida eterna que o Espírito Santo lhe dá”. Subentende-se que essa expressão em destaque remete à esfera espiritual, e não material ou financeira; portanto, revela o resultado da exclusão da salvação pelo que plantou e pelo modo como conduziu as coisas de Deus. A semeadura de que trata o versículo em questão é espiritual. Por que ler apenas versículos soltos quando todo um significado bíblico está atrelado a um contexto global e não específico?

Estaria, então, a lei da semeadura atrelada ao aspecto financeiro da oferta?! A lei da semeadura está relacionada ao campo material ou ao campo espiritual? A lei da semeadura implica um investimento, uma negociação do tipo “toma lá, dá cá” onde há barganhas? É garantido por Deus, biblicamente, que quanto mais alguém ofertar em dinheiro mais receberá de volta?

Muitos grelam os olhos na palavra de Deus quando diz que se semear com abundância colherá em abundância, sob uma perspectiva interesseira – isso é uma forma de incentivar as pessoas a darem muito dinheiro na igreja porque “receberão muito mais ainda de volta”. No entanto, não é isso o que 2 Coríntios 9:6 significa. É recomendável, portanto, uma leitura dos textos originais a fim de compreender o real significado de cada palavra nos textos bíblicos; desse modo, o perigo das leituras tendenciosas deixa de existir. Também é mister predispor o coração para o perfeito entendimento do que Deus quer dizer, e não querer permanecer naquilo que preferimos acreditar que seja a verdade.

Lê-se nesse referido versículo que “o que semeia pouco pouco também ceifará; e o que semeia em abundância em abundância também ceifará”. No original grego a palavra “εὐλογίαις” /eulogíais/, que normalmente é traduzida como abundância ou fartura (bênçãos / louvores), não é empregada com o propósito de abençoar coisas, i.e., de abençoar as ofertas para que se alcancem dádivas maiores, mas com o propósito de louvar, enaltecer a Deus como aquele que doa coisas, e por isso mesmo, trata-se especificamente da abundante bênção de Deus derramada sobre a vida daquele que tem gratidão por ele. Então, o termo em si revela os aspectos de louvor e gratidão pelas bênçãos recebidas que de Deus são sempre abundantes devido à sua grandeza indizível. E é esse o verdadeiro sentido que permeia todo o texto de 2 Coríntios 9 no tocante à lei da semeadura.

Não se deve incentivar a crença de que há um retorno financeiro para quem faz ofertas na igreja. Dá-se porque previamente foi agraciado por Deus para poder fazê-lo com um coração generoso, i.e., desinteressado, não visando vantagens. Agir contrariamente a esse entendimento é o mesmo que comercializar a fé.

“Em Cristo, Deus nos tem abençoado com todo o tipo de bênçãos espirituais dos céus” (Ef 1:3). Deus promete bênçãos espirituais a quem se submete à sua vontade de que corresponda aos seus atributos divinos que incluem um modo de ser livre de interesses em nossas ações – de fazer suas doações e se doar por amor, e não visando retorno financeiro ou quaisquer outras vantagens.

Eis a prova de que Deus dá o que quer a quem quer como quer quando quer quanto quer porque ele o escolhe e o abençoa: “Porque Jabez invocou o Deus de Israel, dizendo: Se me abençoares muitíssimo e meus termos amplificares, e a tua mão for comigo, e fizeres que do mal não seja aflito!… E Deus lhe concedeu o que lhe tinha pedido” (1 Cr 4:10).

E o seu abençoado escolhido não precisa prometer nada a Deus, não precisa lhe dar nada em troca, para poder receber dele as suas bênçãos. Deus não é “deus de barganha”. Ele é galardoador dos seus fiéis que o buscam com inteireza de coração, e tem prazer em lhes dar segurança, paz, libertação de sofrimentos e abundância de bênçãos.

Aos 28:15m:

Aquele que dá oferta vai ter sustento, vai ter provisão, vai ter suprimento na área material e espiritual.  Necessidades espirituais vão ser supridas por causa da sua oferta. A graça é o favor de Deus para o homem. É a graça.  A lei da provisão significa que quando você planta ofertas, Deus vai suprir necessidades materiais e espirituais na sua vida.”

Resposta:

Releia o que está escrito imediatamente na refutação acima. Deus dá sustento somente a quem dá ofertas na igreja? Quantos necessitados não dão ofertas na igreja e recebem dela mesma?! A graça de Deus é tão grandiosa que ele provê as necessidades tanto materiais quanto espirituais não por causa das ofertas que se dão na igreja; a oferta ajuda na obra do reino em todos os sentidos, mas não é por causa da oferta, e sim por causa da graça.

A lei da provisão significa que Deus sempre supre necessidades materiais e espirituais, e não somente quando se plantam ofertas. As bênçãos de Deus não estão limitadas às ações dos homens! Ele dá a quem quer, compadece-se de quem quer, tem misericórdia de quem quer, abençoa quem quer; isso nada tem a ver com oferta – Deus não depende da oferta de ninguém para conceder bênçãos. (Rm 9:15,16).

Quadro 6 – Trecho do vídeo “Uma vida de Prosperidade” aos 28:32m

Necessidades espirituais da sua vida vão ser supridas por causa da sua oferta.

Fonte: Trecho transcrito do vídeo “Uma vida de prosperidade”. Silas Malafaia Oficial (2018)

Resposta argumentativa:

Não! Essas necessidades serão supridas por causa da misericórdia de Deus sobre a vida do crente fiel que tem comunhão com ele. De nada adiantaria a oferta se ele não tivesse fidelidade e comunhão, pois Deus abençoa quem quer e faz nascer o sol e chover sobre todos, justos e injustos, bons e maus (Mt 5:45), independentemente de ofertarem na sua igreja ou não. A bondade de Deus não está limitada ao que ofertam na igreja, mas provém de sua vontade e propósito; por exemplo, ele pode abençoar um descrente para favorecer um crente; lembra da história do macumbeiro que levou comida para o crente necessitado? Então, ambos não davam oferta na igreja, mas Deus os abençoou – um para dar e o outro para receber.

Entretanto, aos 38:59m do vídeo ele dá uma explicação para isso, dizendo que há diferença entre riqueza e prosperidade, já prevendo a indagação de algum ouvinte que não compreendesse a pregação dele; isso porque ele mesmo sabe que sua pregação é caótica.

Sobre 2 Coríntios 9:11:

Quadro 7 – Trecho do vídeo “Uma vida de Prosperidade” aos 29:11m

Para que em tudo enriqueçais para toda a beneficência”. Se tiver conhecimento correto do que é oferta, se você tiver atitudes corretas como eu te ensinei sobre oferta, é a lei da abundância. Sabe o que que é abundância?  É a lei da sobra. Deus vai te dar não só pra suprir suas necessidades, mas pra sobrar pra você ajudar outro.”

Fonte: Trecho transcrito do vídeo “Uma vida de prosperidade”. Silas Malafaia Oficial (2018)

Resposta argumentativa:

Ou seja, a pessoa vai enriquecer para ajudar o outro!!!  Isso reflete uma forma de alimentar a ganância disfarçadamente pela falsa virtude filantrópica. Isso soa bem aos ouvidos e contribui para evitar más interpretações das intenções. Quem ouve recebe de bom grado achando que fará um enorme bem sem perceber a real intenção que se cria na sua mente. Tudo isso reflete o poder de persuasão do transmissor da mensagem que camufla com palavras aparentemente sábias o verdadeiro propósito do negócio, deixando-o oculto (como uma mensagem subliminar).

Diante daquelas palavras, o que dizer, então, do irmão que nunca enriqueceu e sempre ajudou o outro? Não estaria esse entendimento de acordo com o versículo onde se lê: “Para que em tudo enriqueçais para toda a beneficência”. Nota-se que há uma péssima exegese desse versículo por parte desse falante, pois, considerando uma pessoa que nunca enriqueceu financeiramente, mas sempre ajudou o outro, significa que enriqueceu de outras maneiras, não sendo rico em termos monetários, mas de ter, pelo menos, o desejo de dar dinheiro a quem precisa e poder fazê-lo na medida do seu possível; além disso, é mister interpretar devidamente o versículo quando diz “para toda a beneficência”, ou seja, não somente para ajudar com dinheiro, mas de diversas outras formas como apoio moral, profissional, familiar etc., intercessão, entre tantas outras coisas de igual importância.

O mais importante de tudo isso não foi dito pelo falante – que acima do suprimento das necessidades dos santos está a gratidão a Deus por toda a sua provisão tanto ao que dá quanto ao que recebe, pois ambos se encontram sob o poder de Deus que os abençoa para assim poder fazê-lo (2 Co 9:12-15).

Eis a essência real dos versículos que complementam aquele citado que não poder ser desvinculado desses últimos. Versículos bíblicos não se leem separadamente do contexto global onde se encontram. A leitura de um único versículo isolado do contexto anterior e posterior se torna um pretexto para uma heresia, i.e., um falso ensino da verdadeira palavra de Deus, do que de fato Deus quer transmitir àqueles que buscam ouvir a sua palavra e seguir a sua direção. Isso se refere aos desvios contra os quais Deus alerta o seu povo para não ser enredado por eles e engordado por falsos alimentos.

O palestrante diz: “se você tiver atitudes corretas como eu te ensinei sobre oferta”. O que é mais importante: obedecer à voz de Deus ou à voz do homem? Porque isso é voz de homem e não de Deus. Se fosse de Deus estaria de acordo com a verdade de Deus, de que o texto se refere não ao que se vai receber em troca pelo que se dá, mas às muitas expressões de gratidão a Deus por tudo em todos os sentidos no seio da igreja e dela para com todos, sem acepção de pessoas, sem parcialidades. O ensino de Deus sobre ofertas nada tem a ver com o que ele está ensinando, conforme tudo o que já foi explicado anteriormente; basta ler na íntegra cada versículo em questão e os interpretar devidamente mediante uma exegese neutra, i.e., desinteressada, imparcial, que visa tão somente levar o ensino puro da palavra de Deus àqueles que querem conhecer a sua verdade.

Sobre 2 Coríntios 9:8:

Quadro 8 – Trecho do vídeo “Uma vida de Prosperidade” aos 29:13m

Superabundeis em toda a boa obra.

Fonte: Trecho transcrito do vídeo “Uma vida de prosperidade”. Silas Malafaia Oficial (2018)

Resposta argumentativa:

Esse versículo se refere especificamente à oferta, em dinheiro, na igreja?! Superabundar em ofertas?! Os ministérios da igreja se resumem em ofertas?! E as demais obras de uma igreja, não seriam também equivalentes às boas obras?! Superabundar em toda boa obra significa não somente ajudar os outros de várias formas (e não somente ofertar na igreja), mas igualmente empenhar-se em buscar mais conhecimento sobre Deus e as coisas relacionadas a ele e compartilhar esse conhecimento com os outros em forma de evangelização pelos meios possíveis e adequados. O versículo se refere a “todo tipo de boas obras” (2 Co 9:8).

Quadro 9 – Trecho do vídeo “Uma vida de Prosperidade” aos 30:01m

Meu irmão, vai ler a bíblia, meu filho!

Fonte: Trecho transcrito do vídeo “Uma vida de prosperidade”. Silas Malafaia Oficial (2018)

Resposta argumentativa:

Malafaia pronuncia essa frase ironicamente como se o cristão a quem ele está se dirigindo não tivesse nenhum conhecimento acerca da Bíblia. Dá a impressão de que somente ele tem esse potencial de conhecimento, quando, na realidade, ele não tem conhecimento pleno da Palavra de Deus, como ninguém tem; o aprimoramento no conhecimento bíblico é diário e inesgotável. Parece não haver um respeito pelo próximo no tocante à sua experiência pessoal com Deus. Cada um recebe de Deus o que Deus quer lhe dar e isso basta (Rm 9:18). Será que Malafaia em sua presumível limitação humana e espiritual, pelo que se depreende de seu discurso, gostaria que lhe dirigissem palavras como essas, já que ele não é diferente de ninguém nem melhor do que ninguém abaixo dos céus?! Onde está a humildade de Malafaia mediante a admoestação divina? Como está escrito: “O maior entre vós seja como o menor” (Lc 22:26); “Ninguém se engane a si mesmo: se alguém dentre vós se tem por sábio neste mundo, faça-se louco para ser sábio” (1 Co 3:18); “Não façam nada por interesse pessoal ou por desejos tolos de receber elogios; mas sejam humildes e considerem os outros superiores a vocês mesmos” (Fp 2:3). Ademais, Deus não está limitado à exegese humana. É preciso que cada cristão leia novamente, várias vezes cada versículo citado para aprender diretamente de Deus que revela à sua mente a verdade pura como ela é e não fomentada por interpretações tendenciosas. Se é que a sua autossuficiência lhe permita aprender diretamente de Deus, né!

Sobre Gênesis 13:2,6:

Quadro 10 – Trecho do vídeo “Uma vida de Prosperidade” aos 30:38m

Deus da abundância que faz sobrar. José do Egito. Povo no deserto – maná. Multiplicação dos pães. Pesca maravilhosa!”

Fonte: Trecho transcrito do vídeo “Uma vida de prosperidade”. Silas Malafaia Oficial (2018)

Resposta argumentativa:

Muitos têm aprendido a se aproveitar da palavra de Deus em favor de si mesmo ao invés de usá-la em favor mesmo do próximo, como deveria ser. São, portanto, muito úteis os textos de milagres que enfatizam, por exemplo, fatos bíblicos concernentes ao tema da prosperidade.

Nesse sentido, buscam-se os textos mais apropriados que mostram como um determinado personagem evoluiu ou prosperou financeiramente – essa é a ênfase. Contudo, o mais importante de cada uma dessas histórias não se encontra no fato final da prosperidade, mas, principalmente, no fato da realidade vivida pelo personagem: as lutas, as dores, as perdas, o aprendizado moral, a transformação do caráter, a obediência a Deus em detrimento da própria vontade, a renúncia aos próprios desejos e vontades etc.

Esses fatos todos unidos em conjunto foram determinantes para que aquele personagem alcançasse prosperidade financeira ou determinado evento denotasse abundância de bênçãos. Por exemplo, Jó alcançou prosperidade quando? Vejamos: “Falaram de como estavam tristes pelo que lhe havia acontecido e o consolaram por todas as desgraças que o Senhor havia feito cair sobre ele” (Jó 42:11b).

Jó perdeu a saúde, os filhos, os bens, a reputação, sem jamais acusar Deus, deixar de reconhecer a sua soberania e de o adorar, e somente após passar por tanto sofrimento em meio, porém, à contínua adoração e obediência aos desígnios de Deus, alcançou prosperidade financeira, recuperou família, resgatou sua dignidade social, foi galardoado com longevidade:

O Senhor abençoou a última parte da vida de Jó mais do que a primeira. Ele chegou a ter catorze mil ovelhas, seis mil camelos, dois mil bois e mil jumentas. Também foi pai de sete filhos e três filhas. À primeira deu o nome de Jemima; à segunda chamou de Cássia; e à terceira, de Querém-Hapuque. No mundo inteiro não havia mulheres tão lindas como as filhas de Jó. E o pai as fez herdeiras dos seus bens, junto com os seus irmãos. Depois disso, Jó ainda viveu cento e quarenta anos, o bastante para ver netos e bisnetos. E morreu bem velho (Jó 42:12-17).

Por acaso, a teologia da prosperidade se ocupa de mencionar ilustrativamente aquela fase penosa da vida de Jó com o objetivo de estimular o cristão à obediência a Deus, independentemente de alcançar bênçãos ou não? Quem quer ser como Jó e passar pelo que ele passou antes de desfrutar de tanta prosperidade? Querem a prosperidade de Jó, mas não querem o sofrimento de Jó. Isso revela um sentimento mesquinho equiparado à inveja que só se alimenta de coisas boas da vida alheia sem querer sequer imaginar o que o outro passa para ser ou ter isso ou aquilo, pois muitos têm muito, mas só Deus sabe como! Essa parte ninguém quer – a parte oculta dessas vidas que engloba vários tipos de adversidades, mas a parte exposta que mostra suas conquistas desencadeia o lado oculto de outras vidas – a manifestação de sentimentos obscuros como o olho grande.

Hoje se veem nas igrejas pessoas querendo tão somente ser galardoadas sem pagar o preço da submissão à vontade ou aos propósitos de Deus. Querem chegar à igreja e ouvir apenas palavras que massageiam seu ego, que alentam sua alma, que fomentam seu apetite por grandezas; não estão interessadas em olharem para dentro de si e reconhecerem que precisam ser transformadas em determinados aspectos do caráter, da personalidade, pois não compreendem essas mudanças como sinal de prosperidade moral, emocional, sentimental, que cooperam para a bênção de um espírito são e uma mente sã. Lamentavelmente, só entendem prosperidade sob uma perspectiva financeira que lhes atribui lucros e vantagens materiais.

Quadro 11 – Trecho do vídeo “Uma vida de Prosperidade” aos 33:37m

Colegas pastores que estão assistindo esse programa, pegue esse DVD, aluga um telão na tua igreja e bota pro povo ouvir o que eu tô falando aqui. Não tenha medo de ensinar a verdade da bíblia.

Fonte: Trecho transcrito do vídeo “Uma vida de prosperidade”. Silas Malafaia Oficial (2018)

Resposta argumentativa:

Verdade da bíblia ou dele? Por que ele não incentiva os pastores colegas a estudarem a bíblia para poderem dar instruções divinamente inspiradas pelo Espírito Santo e não por ele, um mero ser humano? Quem é esse homem? Diz a palavra de Deus: “Que ele (Cristo) cresça e que eu diminua” (Jo 3:30), mas aqui nesse momento da pregação ele prega o contrário!

Quadro 12 – Trecho do vídeo “Uma vida de Prosperidade” aos 33:58m

Deus quer que a lei da semeadura, a lei da provisão, a lei da multiplicação (2 Co 9:10).

Fonte: Trecho transcrito do vídeo “Uma vida de prosperidade”. Silas Malafaia Oficial (2018)

Resposta argumentativa:

Quem é quem para afirmar o que Deus quer? Quem sabe o que Deus quer? Quem pode pôr palavras na boca de Deus? Como se aplica a lei da semeadura na visão de Deus? Leiam-se os seguintes versículos bíblicos: a) “O profeta que presumir soberbamente de falar alguma palavra em meu nome, que eu lhe não tenho mandado falar” (Dt 18:20); b) “Não deis ouvidos às palavras dos profetas que entre vós profetizam; ensinam-vos vaidades e falam da visão do seu coração, não da boca do Senhor”. (Jr 23:16); c) “Veem vaidade e adivinhação mentirosa os que dizem: O Senhor disse; quando o Senhor os não enviou; e fazem que se espere o cumprimento da palavra. Não vedes visão de vaidade e não falais adivinhação mentirosa, quando dizeis: O Senhor diz, sendo que eu tal não falei?” (Ez 13:6,7).

Malafaia orientando aos ouvintes o seguinte:

Quadro 13 – Trecho do vídeo “Uma vida de Prosperidade” aos 36:25m

Não dá pra copiar? Depois tu leva um CD, não é pra comprar CD, não é porque eu tenho que vender CD, não é nada disso. Mas pra você, a repetição, uma coisa, pra você gravar na sua memória, no seu coração, você tem que ouvir pelo menos 17 vezes pra guardar 90%; você tem que ouvir 17 vezes uma mesma coisa pra tentar guardar 90%. Isso aí é pesquisa científica correta que eu tô falando.

Fonte: Trecho transcrito do vídeo “Uma vida de prosperidade”. Silas Malafaia Oficial (2018)

Resposta argumentativa:

Ou seja, ele orienta o povo a ouvir o CD dele 17 vezes, ao invés de orientar o povo a ler a Bíblia quantas vezes forem necessárias para aprender de Deus, e não dele. Isso é sobre quando a materialidade sobrepuja a espiritualidade! Interessante é a data dessa pregação – 24/09/2018 – concomitante ao momento político pelo qual o país passava nessa época!!! Novamente um ar de mensagem subliminar! Vou usar aqui oportunamente duas hashtags bastante conhecidas: #entendidosentenderão #ficaadica

Unindo o aparentemente útil ao agradável. Por que “aparentemente útil” e não útil? O que de fato é útil, ouvir a voz de Deus ou a voz do homem? Ler a bíblia com a mente espiritual para receber a revelação direta da palavra de Deus ou ouvir as interpretações humanas que se fazem em nome de Deus ou o usurpam? O que de fato é mais viável para Malafaia, vender CDs ou levar as pessoas a ouvirem os seus ensinamentos nos CDs em detrimento dos ensinamentos que se adquirem por meio da leitura bíblica direta? Subliminar, meu caro Watson, subliminar!

Ele defende a teoria da “repetição”, confirmando-a em nome de uma pesquisa científica pela qual David Ausubel e Mohamed Youssef, especialistas em educação, disseram que um estudante precisaria ser exposto a uma palavra 17 vezes antes de aprendê-la. Por outro lado, a mesma fonte dessa notícia[6] declara que outras pesquisas apontam para uma média que varia entre 15 e 20 vezes. Por sua vez, Catherine Snow, professora de educação na Universidade de Harvard (EUA), diz que existem diferentes condições de aprendizado, bastando ouvir a palavra uma única vez para aprendê-la. Catherine Snow afirma que, em média, exposição de 15 a 20 vezes bastam para aprender uma palavra”, e não 17 especificamente.[7]

Voltando, porém, à dimensão contextual malafaica referente ao aprendizado bíblico, nem tudo que está ligado à esfera científica se aplica na esfera bíblica. Portanto, quando a intenção fala mais alto, a tendência do indivíduo é se prender àquilo que lhe interessa, sem citar as demais possibilidades. Isso se chama tendenciosidade, o que vai totalmente contra a verdade bíblica. Oportuno lembrar versículos bíblicos que refletem esse entendimento: “Não useis de vãs repetições” (Mt 6:7). “Na multidão de palavras não falta transgressão” (Pv 10:19). “Do excesso de palavras vêm as promessas do tolo” (Ec 5:3).

Ouvir inúmeras vezes uma determinada pregação gravada por um homem, por mais famoso pastor que seja, não se coaduna com os ensinamentos de Jesus, que se posiciona contrariamente a ações mecânicas. Ademais, isso se assemelha à repetição de mantras ou rezas, sendo que, nesse caso em questão, a prática é executada pelos ouvidos, e não pela boca. De qualquer forma, tudo resulta em repetição. Esses tipos de práticas não manifestam uma aproximação a Deus, mas um distanciamento dele pela dedicação dada a fórmulas de aprendizado em detrimento de um contato direto com ele.

Mediante tal prática, a pessoa fica impossibilitada de receber diretamente de Deus sua revelação, direção, orientação, visto que não há uma busca a Deus e às suas verdades reveladas nas Escrituras; não há, portanto, uma harmonia com a vontade e os ensinamentos divinos. Há tão somente uma busca à obediência à voz do homem de renome, em quem pensam que se pode acreditar, como se fosse Deus falando pela sua boca, e passam a ouvi-lo a fim de alcançar as grandes vitórias prometidas por ele. Desse modo, a pessoa fica presa a um condicionamento dado pelo homem e, sem perceber, afasta-se de Deus cujas promessas de fato se cumprem.

Além de tudo isso, a pessoa mais douta será sempre incapaz de compreender a palavra de Deus, a sua verdade, a sua vontade, o seu direcionamento, se não for pelo Espírito Santo que enriquece o espírito humano com sabedoria, visto que inteligência e intelectualidade não podem acessar os mistérios de Deus. Logo, é preciso ler a bíblia por meio da espiritualidade dada por Deus para alcançar comunhão com ele, e não por meio de carnalidades, como os diversos recursos humanos e tecnológicos que vêm sendo infiltrados na igreja hodierna. Esses estão usurpando o lugar de Deus e muitos estão se deixando levar por eles e por seus patrocinadores.

Ele declara:

 Quadro 14 – Trecho do vídeo “Uma vida de Prosperidade” aos 37:10m

Eu não vou deixar ninguém aqui confundido nem sair com minhoca atrás da orelha. Eu quero falar algumas verdades…

Fonte: Trecho transcrito do vídeo “Uma vida de prosperidade”. Silas Malafaia Oficial (2018)

Resposta argumentativa:

No entanto, só Deus tem o poder de não deixar ninguém confundido: “Não serão confundidos os que esperam em ti” (Sl 25:3a). Ninguém tem o direito de se apossar da palavra de Deus como se fosse sua. Por que ele não disse, assim: Deus [ou o Espírito Santo ou o Espírito de revelação] não vai te deixar confundido.? Ou que usasse o discurso direto: “E o Espírito de revelação, o Espírito Santo diz: Eu não vou deixar ninguém aqui confundido nem sair com minhoca atrás da orelha…” Logo, quando um dito servo de Deus assume a palavra de Deus como se fosse sua, ele está reivindicando para si uma autoridade que Deus não lhe confere, pois a que Deus lhe confere não o faz se sentir o dono do poder.

Quadro 15 – Trecho do vídeo “Uma vida de Prosperidade” aos 37:53m

Tem um monte de bilionários no mundo que nunca deram nada pra Deus, que nem acreditam em Deus, são riquíssimos, e tem até crente dentro da igreja que eu conheço que não dá dízimo, não dá oferta, não dá nada e é rico.

Fonte: Trecho transcrito do vídeo “Uma vida de prosperidade”. Silas Malafaia Oficial (2018)

Resposta argumentativa:

Pobre comparação! Parece que Malafaia se esqueceu dos versículos que dizem: “Faz que o seu sol se levante sobre maus e bons e a chuva desça sobre justos e injustos”; “Haverá alguém sobre quem a sua luz não brilhe?” (Mt 5:45; Jó 25:3). Para ser rico não é preciso dar nada na igreja tampouco acreditar em Deus, seja crente ou não. Uma pessoa já é rica ou se torna rica porque assim Deus lhe concedeu ser ou se tornar. O que vamos dizer, então? Que Deus é injusto? De modo nenhum! Pois ele disse a Moisés:

Terei misericórdia de quem eu quiser; terei pena de quem eu desejar.” Portanto, tudo isso depende não do que as pessoas querem ou fazem, mas somente da misericórdia de Deus. Porque, como está escrito nas Escrituras Sagradas, Deus disse a Faraó: “Foi para isto mesmo que eu pus você como rei, para mostrar o meu poder e fazer com que o meu nome seja conhecido no mundo inteiro.” Portanto, Deus tem misericórdia de quem ele quer e endurece o coração de quem ele quer (Rm 9:14-18).

O mesmo se dá com o pobre. Está escrito que “Nunca deixará de haver pobres na terra”, e “Quanto aos pobres, vós sempre os tereis convosco” (Dt 15:11; Jo 12:8).

Deus é justo. Em sua justiça, ele dá, deixa de dar ou ele tira. “O Senhor é quem dá pobreza e riqueza; ele humilha e exalta” (1 Sm 2:7).  Quem pode contestar o agir de Deus? “Agindo eu, quem o pode desfazer?” (Is 43:13c). Deus sabe de todas as coisas. Mas “Você diz: ‘Estou rico, adquiri riquezas e não preciso de nada’. Não reconhece, porém, que é miserável, digno de compaixão, pobre, cego, e que está nu’” (Ap 3:17) – as primeiras são palavras do tolo e soberbo que não reconhece a soberania de Deus.

Ademais, a bênção de Deus independe de dízimos e ofertas que se dão na igreja ou do que se faz em nome de Deus, pois essas ações nem sempre revelam uma sincera adoração a Deus; podem mesmo representar uma atitude mesquinha como o interesse em receber de volta em dobro ou em triplo ou… ou… aquilo que doou. De tanto ouvirem pregações sobre conquista de prosperidade, diga-se en passant, financeira, a partir de doações na igreja, muitos acabam por acreditar nisso, deixando de lado a verdadeira doação que agrada a Deus, e que tem sido negligenciada em nome de teologias que desvirtuam a verdade de Deus – a oferta da própria vida como sacrifício vivo para Deus a fim de o servir com humildade e fidelidade através dos dons mediante uma nova vida:

Irmãos, Deus mostrou por nós uma grande misericórdia. Por isso, peço-lhes que ofereçam a ele as suas vidas em sacrifício, isto é, um sacrifício vivo, puro e que lhe seja agradável. Esta é a maneira espiritual de vocês o adorarem. Não sejam mais moldados por este mundo, mas, pela nova maneira de vocês pensarem, vivam uma vida diferente. Então vão descobrir a vontade de Deus, isto é, o que é bom, agradável a ele, e perfeito. (Rm 12:1,2) 

No entanto, ao invés de oferecerem suas vidas a Cristo, i.e., cumprirem com seus ensinamentos como a) amar o inimigo, b) perdoar o ofensor, c) assumir os próprios erros, d) ser misericordioso com o próximo, e) cobrir a nudez do irmão etc., muitos que clamam “Senhor, Senhor” tão somente põem para fora da boca essas palavras que não correspondem ao que de fato eles sentem pelo Senhor. O “Senhor” em suas bocas é um mero vocativo para mostrarem serviço: “Por que vocês me chamam ‘SenhorSenhor’ e não fazem o que eu digo?” (Lc 6:46). São interesseiros, e não generosos. Tudo o que fizeram foi em causa própria. Eis a diferença e os resultados: “Há quem dê generosamente, e vê aumentar suas riquezas; outros retêm o que deveriam dar, e caem na pobreza. O generoso prosperará; quem dá alívio aos outros, alívio receberá” (Pv 11:24-25). Generosidade implica em ação desinteressada, desapegada!

Quadro 16 – Trecho do vídeo “Uma vida de Prosperidade” aos 38:20m

Eu vou começar a te explicar com um texto, mas até o texto não é a coisa mais importante da explicação, mas é o começo da explicação.

Fonte: Trecho transcrito do vídeo “Uma vida de prosperidade”. Silas Malafaia Oficial (2018)

Resposta argumentativa:

Recita o Salmo 115:16, sem leitura bíblica direta como normalmente o faz. Ele sabe a bíblia de cor e salteado. Saber de cor não significa conhecer em espírito e em verdade. Quantas vezes lembramos de um versículo, citamos o versículo, e isso não nos toca profundamente, mas quando abrimos a bíblia e lemos o mesmo versículo, a sabedoria de Deus se revela tão poderosamente que nesse momento aprendemos o que nunca antes tínhamos compreendido da palavra! É como se estivéssemos lendo algo novo, pois a palavra de Deus se renova a cada leitura, a cada momento da vida; um mesmo versículo se adapta a infinitas situações com a provisão de Deus para cada uma.

Então, por que não ler a bíblia, os versículos, mesmo que se esteja em uma pregação inflamada que não quer interrupções? Pois um texto bíblico em uma pregação nunca será algo sem importância, e nem será JAMAIS apenas o começo de uma explicação humana, como proferiu Malafaia: “até o texto não é a coisa mais importante da explicação, mas é o começo da explicação” (referindo-se ao Salmo 115).

O texto bíblico, todo ele, de Gênesis a Apocalipse, é sempre imprescindível! Sua leitura é essencial para o perfeito entendimento daquilo que Deus quer comunicar às pessoas que estão ali justamente para ouvir o que ele tem a lhes dizer acerca de suas circunstâncias de vida. Nenhum homem, por mais sabedor de cor de textos bíblicos, jamais poderá suprir as necessidades espirituais do povo de Deus; frise-se: povo de Deus! Povo de Deus precisa de Deus, de sua palavra, de sua providência, de seu socorro. Homens a serviço de Deus devem ter consciência disso. Tudo o que concerne a Deus deve estar acima de qualquer coisa abaixo de Deus. Portanto, o texto bíblico é a melhor explicação, por si mesmo, e a coisa mais importante da explicação, contrariamente ao que pretendeu o Malafaia com suas palavras sem base bíblica. Na realidade, ele não mencionou que a palavra de Deus é a verdade absoluta que por si mesma se revela ao ouvinte fiel que a recebe em seu espírito sem necessidade de maiores explicações porque recebida através do Espírito de Deus. As explicações dos textos bíblicos podem ser necessárias, mas serão sempre secundárias diante da voz de Deus no “coração” do homem.

Quadro 17 – Trecho do vídeo “Uma vida de Prosperidade” aos 39:11m

Você tá confundindo riqueza com prosperidade. Riqueza é possuir bens!!!

Fonte: Trecho transcrito do vídeo “Uma vida de prosperidade”. Silas Malafaia Oficial (2018)

Resposta argumentativa:

Muitos, portanto, pensam em prosperidade apenas como melhora financeira, profissional, status social etc. Confundem prosperidade com riqueza material: aquisição de bens, somas vultosas de dinheiro, ascensão profissional etc. Malafaia cita apenas o termo “riqueza”, deixando de fora o sentido da materialidade, e confunde riqueza material com prosperidade.  Tem-se, por exemplo, o fato de uma pessoa ser rica financeiramente e não ser próspera, e uma pessoa pobre financeiramente ser próspera. A prosperidade envolve riqueza sim, mas uma riqueza imaterial que pode ou não gerar uma riqueza material; a prosperidade não depende de materialidades para existir. Veja um esquema simples sobre riqueza material e prosperidade:

Este versículo bíblico resume a explanação acima:  “Amado, peço a Deus que prosperes em tudo e tenhas saúde, assim como tua alma prospera” (3 Jo 1:2).

A confusão sobre o verdadeiro significado do termo reside na incompreensão sobre a sua origem que envolve uma atribuição errônea de valores; por exemplo, alguém pensar que é próspero porque recebeu uma promoção no trabalho e um consequente aumento salarial. Isso não é prosperidade; isso é resultado de reconhecimento alheio pelos serviços prestados e também uma tendência econômica natural no âmbito profissional que pode estar ligada às competências desempenhadas que apresentam constante desenvolvimento naquela determinada função. A prosperidade, por sua vez, revela-se na satisfação decorrente daquelas conquistas que proveem uma sensação de contentamento capaz de proporcionar a estabilidade do ser interior.

No caso específico de pessoas cristãs, entende-se prosperidade dentro dessa ótica como resultado da obediência aos ensinamentos de Deus quanto a questões de comportamentos e ações que refletem honradez e caráter fidedigno. Quer dizer, uma pessoa que vai assiduamente à igreja, dá dízimos e ofertas, cumpre com todas as suas obrigações eclesiásticas, preocupa-se em agradar seus líderes, mas não se faz presente no seio da família, não dá dinheiro em casa, não se oferece para ajudar seus familiares, não cumpre com as suas diversas obrigações domésticas, não se preocupa em agradar seu cônjuge ou filhos, enquadra-se na condição de alguém que não corresponde à justiça de Deus visto que essa não se alcança por obras, mas por um coração contrito (Sl 51:17).

Como, então, receber de Deus a recompensa esperada, como a prosperidade, considerando que o termo em si significa “alcançar aquilo que espera”, segundo a etimologia da palavra [do latim “pro” = “a favor” + “spes” = “esperança”], se aquela pessoa não fez o que Deus esperava dela? Como uma pessoa pode ser recompensada por algo que não fez? Logo, nem sempre ofertar na igreja significará receber de volta prosperidade se outras ações mais importantes, como dar assistência à família, ficarem relegadas a segundo plano, contrariando o que está escrito: “Aprendam primeiro a cuidar da sua própria família” (1 Tm 5:4). Ou seja, se não obedecer a Deus que se agrada de quem se agrada dele e da sua palavra, não há como ter prosperidade; pode, no máximo, ter riqueza material, muito dinheiro, adquirir muitos bens… – “Ah, mas isso é tudo o que a pessoa quer!”. Mas, seria isso o “tudo” de que uma pessoa precisa? Observe:  “Alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe, regala-te. Mas Deus lhe disse: Insensato, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? Assim é aquele que para si ajunta tesouros, e não é rico para com Deus” (Lc 12:19-21). Um dia, quando perceber que tem tudo e não tem nada, ela vai entender que nunca teve prosperidade! Aí, talvez, já será um pouco tarde. Desperta, ó tu que dormes nas palavras de pretensos mestres!!! Deus se agrada daqueles que o buscam e os recompensa segundo a sua vontade pelo que, independentemente do que receberem, devem lhe ser gratos.

Mais do que ensinar sobre teologia da prosperidade, pautando-se erroneamente em versículos bíblicos por meio de interpretações tendenciosas, deve todo “homem de Deus”, no sentido lato da expressão, fazer jus ao significado real do texto escriturístico quanto à noção da transformação de vida das pessoas em sentido ontológico do que se depreende, e deve ser esclarecido, que poderá ou não haver obtenção de riquezas materiais, mas certamente haverá riquezas interiores que proverão tudo de melhor que uma alma necessita, o que não equivale a ganhos monetários. Metanoia nada tem a ver com transformação de condição econômica das pessoas.

Quadro 18 – Trecho do vídeo “Uma vida de Prosperidade” aos 40:55m

Sempre deram migalhas, sempre pensaram que podiam enganar Deus, a igreja e o pastor (…) As atitudes de um cristão em relação ao dinheiro determina [ipsis verbis] a qualidade da sua vida espiritual porque é impossível separar dinheiro de certas virtudes fundamentais da vida cristã.

Fonte: Trecho transcrito do vídeo “Uma vida de prosperidade”. Silas Malafaia Oficial (2018)

Resposta argumentativa:

“Deus, a igreja e o pastor”, disse Malafaia. Essa seria a trindade da Teologia da Prosperidade da qual Malafaia faz parte?! Seria isso possível?! As expressões aludem a um jogo de palavras com argumentos potencialmente persuasivos que ocasionam uma troca de sentidos. E talvez isso passe imperceptível para alguns ou, então, preferem não entender. Em um de seus artigos sobre dízimo publicado em seu site, Malafaia diz que não dar o dízimo demonstra materialismo e avareza; que isso equivale a um apego ao dinheiro que demonstra um materialismo exacerbado e até avareza, um pecado de idolatria, convocando Colossenses 3:5 em defesa de sua interpretação.

Veja, portanto, o que de fato significa o referido versículo, considerando as variáveis do termo “avareza” como “ganância ou cobiça” em diferentes versões bíblicas. O significado denotativo de avareza refere-se a um apego extremo ao dinheiro, uma preocupação em juntar mais dinheiro, falta de generosidade, mesquinhez; o de ganância refere-se a uma busca incessante pelo lucro, ambição imoderada por bens e riquezas, desejo fervoroso e permanente de possuir ou de ganhar muito mais além do que o necessário; de cobiça refere-se a um desejo desmedido por poder, bens materiais, dinheiro, status.

a) Contentai-vos com o vosso soldo (Lc 3.14).

b) Não ambicioneis coisas altas, mas acomodai-vos às humildes (Rm 12.16).

c) Aprendi a contentar-me com o que tenho (Fp 4:11).

d) Conservem-se livres do amor ao dinheiro e contentem-se com o que vocês têm, porque Deus mesmo disse: Nunca o deixarei, nunca o abandonarei (Hb 13.5).

Parece que esses versículos não são adequados à teologia da prosperidade, pelo menos não costumam ser ouvidos nas igrejas que a preconizam. O contentamento de que tratam os versículos acima é justamente o comportamento que Deus ordena aos seus fiéis. O contentamento revela a fé em Deus que supre todas as necessidades. O contentamento isenta da pressa em receber o que se precisa. Portanto, espere no Senhor (Sl 27:14). O contentamento não pressiona a fazer ofertas grandes para ganhar muito mais.

No entanto, como manifestar contentamento se todo o tempo se ouve que é preciso dar mais para receber ainda mais? Urge que as igrejas fiéis a Deus desenvolvam o tratamento da renovação da mente pela palavra de Deus a fim de extirpar o mal da ganância da qual sofrem os próprios pedintes de dízimos e ofertas.

Já não é nem o caso de falar sobre dízimos porque essa designação já vem sendo suplantada pelo termo ofertas justamente por causa do sentido pejorativo que o dízimo vem sofrendo, ficando preterido a segundo plano. Assim, falando mais especificamente sobre as ofertas do modo como vêm sendo manipuladas, elas deixam de corresponder ao propósito de Deus cujas palavras nas bocas de líderes gananciosos são evitadas a todo o custo para não desviar das contribuições monetárias o rebanho tão carente e necessitado. Desse modo, só buscam versículos que falam sobre dar dinheiro e dar com abundância para garantir um ganho ainda maior. Quem tem dá e quem não tem também dá. Porém, “Quem tem receberá mais; mas quem não tem, até o pouco que tem será tirado dele” (Mc 4:25).

Relembrando as palavras de Malafaia – de que não dar o dízimo demonstra materialismo, avareza, apego ao dinheiro equivalente ao pecado de idolatria –, percebe-se o outro lado da moeda cuja efígie retrata o não recebimento do dízimo, o que causa uma expectação de perda por parte dos que propagam uma idolatria disfarçada pela palavra de Deus. Daí, a veemente insistência em incutir nas mentes incautas (ou mesmo interesseiras) a falta de subordinação a Deus que consequentemente limitará as bênçãos. Assim, parte-se da teologia da prosperidade para a teologia do medo.

Tudo isso revela uma obstinação pelas próprias ideias que não correspondem aos ideais de Deus – evangelização para salvação, que nada tem a ver com prosperidade financeira – ou pelos próprios pensamentos que não correspondem aos pensamentos de Deus: “Os meus pensamentos não são como os seus pensamentos” (Is 55:8).

Malafaia continua seu discurso dizendo que há ricos que não temem a Deus e são miseráveis:

Quadro 19 – Trecho do vídeo “Uma vida de Prosperidade” aos 41:31m

Vai ver a vida deles, vai ver o que está por trás da cortina (…) Aos 42:59m – Eu conheço história de crentes ricos que não dão dinheiro, não dão oferta, e da noite pro dia perdem milhões, crente na igreja!, porque nunca contribuíram, sempre deram migalhas, sempre pensaram que podiam enganar Deus, a igreja e o pastor.

Fonte: Trecho transcrito do vídeo “Uma vida de prosperidade”. Silas Malafaia Oficial (2018)

Resposta argumentativa:

Jó era temente a Deus, era rico, dava o dízimo, e da noite para o dia perdeu milhões! “O Senhor deu, o Senhor tirou; louvado seja o seu nome!” (Jó 1:21b), disse Jó.

Interessante que Malafaia cria uma trindade na qual atua como membro integrante: “sempre pensaram que podiam enganar Deus, a igreja e o pastor” – ou seja, ele se coloca em pé de igualdade com Deus e com a Igreja!!! Isso lembra a Igreja Apostólica Santa Vó Rosa cuja fundadora se põe em pé de igualdade com Deus, o Espírito Santo, Jesus, e ela como o Espírito Consolador, formando uma quaternidade – a quarta pessoa da Trindade que virá com Jesus para arrebatar a sua Igreja!!! E nenhum membro naquele culto percebeu tal absurdo que se revelava em soberba, vanglória, ostentação de poder divino – homem-deus que se ufana de uma condição inexistente e impossível. Essa atitude caracteriza ação de divisão através da qual se divide a fidelidade entre Deus e a organização[8] que, no caso em questão, além de tudo, parece não se referir à Igreja de Cristo pura, santa e imaculada, mas à igreja física liderada por um homem religioso, pois se refere à igreja onde se recebem os dízimos ou, mais especificamente, onde deixaram de ser recebidos segundo o contexto em destaque. E a membresia daquela igreja, além de não atentar para o comportamento autoritário de seu líder, não percebeu o tom ameaçador das suas palavras, entendendo que deveria lhe prestar obediência, pois, caso contrário, poderia sofrer algum tipo de punição – teologia do medo cujo líder detém o poder sobre os crentes incautos.

É por isso que sempre se adverte aos crentes a prestarem atenção às palavras ditas e ouvidas porque se entranham na mente e no coração, podendo causar um grande estrago espiritual por levar a entendimentos errôneos sobre a posição de um líder religioso diante de Deus. É mister que se observe o que vai nas entrelinhas que normalmente não se percebem, permanecendo apenas na sua superficialidade. Crente que é crente precisa ter discernimento espiritual para diferenciar termos, frases e intenções, e refutá-los quando percebidos como uma afronta à glória de Deus visto que o Senhor não divide a sua glória com ninguém (Is 42:8). Visivelmente, Malafaia se excedeu em suas palavras pelo que deveria se retratar com Deus imediatamente enquanto é tempo (Is 55:6). E quanto aos crentes incautos, se ainda não desfrutam do devido e necessário discernimento espiritual, urge que o peçam a Deus imediatamente. Malafaia e seus seguidores manifestam necessidade urgente de correção pelo poder de Deus para que naquele dia (Mt 7:21-23) o Senhor possa reconhecê-los.

No mais, quanto ao entendimento malafaico sobre os crentes ricos que não dão dinheiro, não ofertam, e que perdem milhões por causa disso, por conta desse “pecado contra o pastor e a sua igreja”, pergunta-se na contramão dessa declaração contraditória: quantas pessoas crentes que não são ricas também sofrem perdas diversas?! Será mesmo que eles passaram por tudo isso porque nunca contribuíram financeiramente com a igreja ou porque deram migalhas?! Paradoxo sem causa! Está escrito que Deus quer misericórdia e não sacrifício (Os 6:6; Mt 9:13;12:7). E quantos falsos convertidos fazem doações com o objetivo principal de receber mais em troca e como mero ritual externo a fim de agradar seus líderes em detrimento da obediência que devem a Deus, como priorizar a misericórdia – lealdade, verdadeira consagração e conversão sincera – ao invés do sacrifício?

O Senhor sabe de todas as coisas. Quem pode sondar os caminhos do Senhor, os pensamentos do Senhor, os propósitos do Senhor (1 Co 2:16)? Será que os acontecimentos nas vidas das pessoas não seriam providência de Deus para o alcance dos seus propósitos, como perder para ganhar ou perder algo para que se manifeste a glória de Deus como aconteceu com Jó?

Portanto, as palavras do pastor Malafaia não se coadunam com o texto sagrado visto que seu entendimento bíblico é deturpado, e, arbitrariamente, aponta o dedo literalmente (para a TV, aos que porventura lhe assistem, acusando-os) para os servos de Deus que não agem conforme os ensinamentos nas igrejas onde ele prega sua teologia da prosperidade.

Como perder para ganhar? Ou como perder para a glória de Deus como Jó? Todos têm suas razões para receberem de Deus ganhos e perdas, e isso não tem a ver com dar ofertas ou deixar de dar ofertas, pois dar ofertas – dependendo de como se dá, com que coração – pode ou não agradar a Deus, mas isso não opera a sua justiça; não é porque alguém faz ofertas que está livre dos males da terra. Se fosse assim, não ficaria jamais doente e viveria eternamente.

E por que o pastor entra em pé de igualdade com Deus e a igreja?! Até parece que o crente deve temer ao pastor!!! Os valores estão se invertendo. A maioria dos pastores hodiernos não imita Jesus: Jesus não se ufanou de ser igual a Deus:

Tenham entre vocês o mesmo modo de pensar que Cristo Jesus tinha: Ele tinha a natureza de Deus, mas não tentou ficar igual a Deus. Pelo contrário, ele abriu mão de tudo o que era seu e tomou a natureza de servo, tornando-se assim igual aos seres humanos. E, vivendo a vida comum de um ser humano, ele foi humilde e obedeceu a Deus até a morte — morte de cruz. (Fp 2:5-8).

Que líder, pastor, reverendo, bispo, apóstolo, ou qualquer um que detenha seu título eclesiástico-religioso independente da devida submissão a Deus se esforça por imitar Jesus em sua humildade? Qual? Quem?

Quadro 20 – Trecho do vídeo “Uma vida de Prosperidade” aos 43:42m

As atitudes de um cristão em relação ao dinheiro determina (ipsis verbis) a qualidade da sua vida espiritual porque é impossível separar dinheiro de certas virtudes fundamentais da vida cristã tais como… generosidade… dar ofertas é tão espiritual quanto cantar hinos, dar glória a Deus…”

Fonte: Trecho transcrito do vídeo “Uma vida de prosperidade”. Silas Malafaia Oficial (2018)

Resposta argumentativa:

Existe um lema de cunho espírita kardecista, “Fora da caridade não há salvação”, que tipifica a salvação pelas obras: esmolas visíveis a todos, dízimos e ofertas por obrigação, imposição, cumprimento do cargo e/ou por razões mesquinhas como visar recompensas. Obras não salvam ninguém! Aprendemos de Deus pelo texto sagrado que a salvação é pela graça, e o galardão é segundo a vontade de Deus: se ele quiser ele dá; se não quiser, não dá, independentemente do que alguém faça em seu nome. Nesse sentido, quando alguém dá ofertas na igreja visando interesses próprios como se tornar merecedor do favor divino para receber bênçãos ainda maiores, como “Dê $100,00 e receba $10.000”, essa oferta é espiritual ou uma prática legalista ou uma barganha com Deus?

O fariseu foi legalista. Note o coração dele neste capítulo intitulado “O fariseu e o cobrador de impostos” em Lucas 18:9-14:

Jesus também contou esta parábola para os que achavam que eram muito bons e desprezavam os outros:

— Dois homens foram ao Templo para orar. Um era fariseu, e o outro, cobrador de impostos.

O fariseu ficou de pé e orou sozinho, assim: Ó Deus, eu te agradeço porque não sou avarento, nem desonesto, nem imoral como as outras pessoas. Agradeço-te também porque não sou como este cobrador de impostos.

Jejuo duas vezes por semana e te dou a décima parte de tudo o que ganho.

— Mas o cobrador de impostos ficou de longe e nem levantava o rosto para o céu. Batia no peito e dizia: Ó Deus, tem pena de mim, pois sou pecador!

E Jesus terminou, dizendo:

— Eu afirmo a vocês que foi este homem, e não o outro, que voltou para casa em paz com Deus. Porque quem se engrandece será humilhado, e quem se humilha será engrandecido.

Qualquer prática legalista ou tentativa de barganha é condenada por Jesus, o Dono da Igreja. Quem tem respeitado o Dono da Igreja? Ou quem tem avassalado seus critérios de salvação, bênçãos e juízo pela lei da semeadura? Quando uma oferta é espiritual? Quando alguém o faz por generosidade espontânea (Mc 12:41), e não forçada ou por constrangimento, obrigação ou para mostrar serviço e coisas afins. “Este, fixando os olhos nele e muito atemorizado, disse: Que é, Senhor? E o anjo lhe disse: As tuas orações e as tuas esmolas têm subido para memória diante de Deus” (At 10:4).

Ao ler esse versículo, julguei-me a mim mesma, fazendo-me culpada por nem sempre dar esmolas. Mas o que é dar esmolas? É dar R$1,00 ou R$2,00 a um mendigo na rua, a uma criança de rua? Ou é se compadecer de quem está necessitado? Esse compadecimento não se resume a dinheiro, alimentos, e outros gastos com a pessoa, mas, principalmente à generosidade do coração, de querer ajudar porque se preocupa, pois se assim não fosse, seria como os ricos que dão muito dinheiro, mas não dão um pingo de amor e nem têm a mínima preocupação com o outro visto que dar dinheiro já é grande coisa, já é fazer a sua parte. “O anjo respondeu: As suas orações e suas boas obras subiram como oferta diante de Deus” (At 10:4).

Às vezes, pensa-se que esmola é somente dinheiro e comida que se dão aos pobres, mas há pobres de outras necessidades que se podem ajudar com o amor que Deus coloca em cada coração. Esse amor abrange tudo o que é bom: querer ver o outro feliz, não querer magoá-lo, não sentir prazer na sua desventura, fazer o possível para que fique bem — orar por ele, interceder por ele, pensar nele com carinho, ser verdadeiro com ele. Tudo isso revela este amor que vem de Deus e propicia a tão desejada paz a ambos pela resposta do Senhor das nossas vidas. A esmola verdadeira é a que sai do coração para preencher todos os tipos de necessidades, podendo se materializar ou simplesmente permanecer em estado espiritual que, muitas vezes, só Deus conhece. Deus enche seus filhos do seu amor, dando-lhe paz e alegria.

“Você não dá esmolas?! E o que você fez ontem, prejudicar a si mesma para ajudar o outro? O que tua amiga está fazendo não é o mesmo que você está fazendo? Como vocês não estão dando esmolas?! Eu tenho visto tudo isso de vocês e subiu para minha memória. Eu te capacito para fazer aquilo que eu aprovo.” Pela revelação de Deus à mente, entende-se: se o Senhor não aprova (determinada esmola), o Senhor não capacita para fazê-la. E, portanto, não faz porque não é capacitado por Deus para fazer. Por isso se deixa de fazer. Isso tem a ver com revelação divina e não com revelação humana; vem de Deus e não do homem. Quando alguém não faz algo com relação à igreja, Deus o sabe e conhece o porquê porque dele provém. Ofertas são sacrifícios que nem sempre convêm conforme Isaías 1:11a,13a,e,16c,17a-c. Quando Deus as rejeita?

O Senhor Deus diz: Eu não quero todos esses sacrifícios que vocês me oferecem. Não adianta nada me trazerem ofertas, pois os pecados de vocês estragam tudo isso. Parem de fazer o que é mau e aprendam a fazer o que é bom. Tratem os outros com justiça; socorram os que são explorados.

Quer dizer, Deus esclarece que o povo deve ser socorrido e não explorado. Há muitos crentes puros na fé que vêm sendo explorados em nome de Deus com vistas a ganhos de quaisquer ordens, principalmente a financeira correspondente aos lucros provenientes de dízimos e ofertas – o que para eles está acima do bem-estar alheio; preocupam-se, portanto, com benesses monetárias em detrimento da questão salvífica que corresponde à salvação de almas pelo que Jesus ordenou que se pregasse o evangelho. Na contramão dessa ordem, os mercenários do Reino que comercializam a fé cristã só visam os sinônimos do lucro abusivo no seio da igreja: favorecimentos, vantagens, regalias, privilégios, recompensas e demais benefícios afins.

Por exemplo, quando há uma pandemia e a ordem é para ninguém sair de casa, podem surgir alguns maus servos orientando o povo da seguinte forma: “Eles estão dizendo para ninguém sair de casa por causa da pandemia causada pelo vírus, mas a verdade é que eles querem parar a Igreja, querem que vocês parem de vir à igreja porque assim o diabo vai tomar conta da vida de vocês; eles querem acabar com a igreja. Não deem ouvidos à voz do diabo! Vamos lutar contra eles. Vamos à igreja sim porque Deus é maior! Nada vai nos acontecer.” E por aí seguem seus argumentos tendenciosos que vão de encontro a duas verdades bíblicas:

1) “Amarás ao Senhor, teu Deus (…) de todo o teu entendimento” (Lc 10:27). O que significa de todo entendimento? Entendimento significa razão, ou seja, sem fanatismos. Esse tipo de pregação revela um fanatismo irreverente porque despreza os ensinamentos de Deus sobre ser um crente racional que não se deixa levar pela imprudência, pois ela o matará e o falso bem-estar dos insensatos os levará à destruição (Pv 1:32);

2) “Toda alma esteja sujeita às autoridades superiores; porque não há autoridade que não venha de Deus; e as autoridades que há foram ordenadas por Deus. Por isso, quem resiste à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos a condenação” (Rm 13:1,2). Ao desobedecerem às ordens das autoridades para ficarem em casa, conforme a ilustração dada, os membros da igreja estão fazendo o quê? Tanto líderes que ocupam cargos sob a designação de pastores, reverendos, apóstolos, bispos, missionários como seus seguidores não seguem a exortação divina. Os líderes seguem seus próprios entendimentos que geram conselhos errôneos a serem transmitidos a seus seguidores. Esses, por sua vez, dão ouvidos à voz daqueles em detrimento da obediência à voz de Deus. Desse modo, tornam-se seguidores de homens, acreditando que são seguidores de Deus. “O meu povo não quer saber de mim e por isso está sendo destruído. E vocês, sacerdotes, também não querem saber de mim e esqueceram as minhas leis” (Os 4:6).

O comportamento interesseiro de alguns cristãos destoa do comportamento de cristãos fiéis: a viúva deu duas moedinhas de pouco valor, mas não foi para o homem; foi para Deus, ou seja, ela estava desejando ser obediente àquilo em que ela acreditava – a lei de Deus vigente da época (Lc 21:1-4). Isso difere de quando se dá alguma coisa para o homem – ao sacerdote, por exemplo – visando algum retorno qualquer que seja. Isso é uma atitude farisaica, pois sua base está no agrado aos homens enquanto a dos cristãos está no agrado a Deus. Quem é o farisaico e quem é o cristão? Ambos são sujeitos que se submetem ao serviço do plantio: “Vou servir”. Consequentemente, tornam-se merecedores da colheita dos respectivos frutos. Portanto, não tem como o sujeito plantar espinho e querer colher maçã; não tem como plantar fel e querer colher mel! Espinho com fel, uma mistura que renega o céu. (Mt 27:29,34).

Ouve-se sobre um escândalo aqui, outro ali, a respeito de uma igreja ou outra cujos administradores desviaram valores recebidos em dízimos e ofertas, valores que chegam mesmo a ser lavados. Os valores são lavados, mas a alma não. Por sua avareza, deixam de corresponder às ações de Jesus que lava a Igreja com água e a purifica com a sua palavra, livrando-a de qualquer mancha ou defeito, tornando-a inculpável. A Igreja é cada cristão batizado e regenerado: “Ele fez isso para dedicar a Igreja a Deus, lavando-a com água e purificando-a com a sua palavra. E fez isso para também poder trazer para perto de si a Igreja em toda a sua beleza, pura e perfeita, sem manchas, ou rugas, ou qualquer outro defeito” (Ef 5:26,27).

Porém, pergunta-se: será que desviariam ou lavariam a oferta da viúva ou a lavariam para aprender a dar mais?!

Existe uma diferença entre fazer ofertas para Deus por intermédio de homens dignos, tendo o pensamento voltado para Deus, e fazer ofertas para homens em nome de Deus, tendo o pensamento voltado para interesses humanos. Logo, como se dão essas ofertas, com que pensamento, ou intenção? É como se Deus perguntasse: “O que você acha melhor: fazer ofertas para agradar o homem que não é merecedor ou agradar a mim que sou digno de toda adoração?” Deus é justo. Deus é fiel em sua palavra: “Aquilo que o homem semear, isso também ceifará” (Gl 6.7).

Ainda há outro ponto a se considerar: se o Senhor diz uma coisa, essa coisa deve ser obedecida. Ajudar sem condições é não ter prudência; basta se lembrar da parábola das virgens – as cinco prudentes e as cinco tolas (Mt 25:1-13). Jesus não contou essa parábola por acaso. Ele o fez a fim de que aprendêssemos dele para que não nos sobreviesse mal pior; por exemplo, dar ofertas sem ter dinheiro, contando com a provisão de Deus que vai chegar depois de o fazer; ou tirar dinheiro do cartão de crédito para dar dízimos e ofertas; ou pedir emprestado; ou usar de qualquer outro meio que não seja da sua própria fonte de renda, é conselho de louco! E os que o seguem se tornam igualmente loucos por deixarem de lado a razão e a prudência com que Deus os instrui. Jesus nunca orientou seus discípulos a fazerem isso, mas os advertiu assim: “Quem não tem, até o pouco que tem lhe será tirado” (Mt 13:12b). Mas por que lhe será tirado? Porque dão ouvidos à voz de teólogos da prosperidade ao invés de dar ouvidos à voz de Deus, pois não estão com seus corações voltados para Deus.

Em uma conversa com Deus, uma irmã preocupada em querer ajudar um irmão necessitado, e passando por apertos financeiros, chorava por ele com dó infinita no coração:

– Deus: Lembre-se do que eu falei anteriormente: Ajude-o porque ele precisa, mas não tenha pena dele porque ele não merece. (Entendimento: faça o que você pode fazer; aja na medida do teu possível, não extrapole seu orçamento, não tire de onde você não tem, seja prudente.) Ele plantou coisa ruim e continua plantando e vai plantar coisas ainda piores. E não vai mudar e vai continuar cada vez pior.

– Irmã: É o Senhor mesmo quem está falando?

– Deus: E você não acredita no que eu estou falando?! Não tornes tu comum a minha palavra; sou eu quem está falando.

Imediatamente, lembrou-se deste versículo: “E foi-lhe dirigida uma voz: Levanta-te, Pedro! Mata e come. Mas Pedro disse: De modo nenhum, Senhor, porque nunca comi coisa alguma comum e imunda. E segunda vez lhe disse a voz: Não faças tu comum ao que Deus purificou” (At 10:13-15). Até para ajudar alguém é preciso ter sabedoria, e ela vem diretamente de Deus para nós quando o buscamos antes de dar ouvidos a “pastores” diversos, acreditando que suas palavras são verdadeiras e garantia de prosperidade em qualquer área. Se as ações não se pautarem na instrução de Deus, elas jamais gerarão bons resultados.

Leia a bíblia antes de confiar cegamente em palavras de determinados pastores só porque têm fama e dinheiro, parecendo que são os melhores exemplos de como alcançar prosperidade. Examine versículo por versículo, faça referência cruzada dos versículos para saber se realmente as coisas são como eles pregam, pois a bíblia por si mesma se explica quando a lemos em espírito e em verdade, i.e., com  o coração voltado para Deus, livre de quaisquer concupiscências. “Ora, estes de Bereia eram mais nobres do que os de Tessalônica, pois receberam a palavra com toda a avidez, examinando as Escrituras todos os dias para ver se as coisas eram, de fato, assim” (At 17:11). Aja como os bereianos: analise suas palavras mediante a comparação com o texto sagrado para se certificar de que se coadunam com ele. Examinem todas as coisas para verificar se elas realmente vêm de Deus (1 Ts 5:21).

O verdadeiro servo de Deus não comete atos farisaicos. Por exemplo, os fariseus exaltavam o Corbã (oferta para o Senhor feita no templo) acima de valores essenciais como o zelo pelos próprios pais:

Vocês, porém, ensinam que alguém pode dizer a seus pais: Não posso ajudá-los. Jurei entregar como oferta a Deus aquilo que eu teria dado a vocês. Com isso, desobrigam as pessoas de cuidarem dos pais, anulando a palavra de Deus a fim de transmitir sua própria tradição. E esse é apenas um exemplo entre muitos outros (Mc 7:11-13).

Não! Claro que não! Eles não ganhariam nada cuidando de pessoas necessitadas nem ensinando os outros a cuidarem delas. Se uma ação não fosse lucrativa, se não oferecesse vantagens de qualquer ordem, “pra que fazer?!” Na verdade, a oferta que era para o Senhor ficava para eles que enriqueciam à custa da fé alheia; quanto aos infiéis em pele de fiéis, essa oferta passou a ser um pretexto para fugir de certas obrigações como negligenciar a responsabilidade do cuidado devido aos pais. Nesse sentido, essa oferta se tornava em um exercício religioso contra a palavra de Deus com a anuência daqueles que atuavam como representantes do seu povo; na verdade, uma abominação aos olhos de Deus. Tanto os doadores da oferta quanto os recebedores desprezavam o ensinamento de Deus acerca da piedade filial de modo que tal religiosidade violava o mandamento divino sobre honrar pai e mãe.

Aqueles tais e pessoas tais quais eles, naquele tempo e nos dias atuais, sobrepujam a lei do amor e da misericórdia que está acima de quaisquer práticas legalistas contrárias em favor de seus próprios ventres. “O Senhor se agrada mais ao fazermos o que é certo e justo do que ao lhe oferecermos sacrifícios” (Pv 21:3), mas não enfatizam esse ensino porque não lhes é lucrativo. Ou seja, manipulam a palavra de Deus a seu bel-prazer em benefício próprio.

Em Lucas 21:1-4, a viúva pobre colocou duas moedas pequenas[i] na caixa de ofertas do templo. Quem daria valor a tal diminuta oferta?! Jesus. Quem pode dizer que segue à risca seu exemplo, valorizando uma oferta que não dá para nada aos olhos do homem? Se a teologia da prosperidade é bíblica como preconizam seus interessados sobre ofertar com abundância para receber ainda mais, o que dizer da reação de Jesus à oferta dada pela viúva? Será que Jesus não conhecia essa teologia? Sim, ele é onisciente!!! Ele conhece as intenções dos homens. À época, ainda não havia essa terminologia como se entende hoje, mas o que concerne a ela sempre existiu no coração e na mente do homem, coisa que Jesus sabia porque ele conhece cada uma de suas criaturas, pois ele sonda seus pensamentos que levam a ações aprováveis ou reprováveis. A prosperidade é dádiva divina que independe das ações humanas, pois é sabido que Deus dá e tira segundo a sua misericórdia e justiça. Portanto, Jesus sabia e sabe que não é quanto uma pessoa dá, mas como, com que coração, com que intenção, ela o faz.

Essa ilustração de um fato bíblico ficou registrada para que todo aquele que a ler saiba isso, que Deus olha o coração, a intenção digna, louvável perante ele. As duas moedas que a viúva pobre ofertou para o templo (e não para o bolso dos sacerdotes, que, aliás, nem a quereriam pelo seu “aparente” desvalor) tinham muito mais valor para Deus do que os denários ofertados para o templo, ou melhor, para os bolsos dos sacerdotes. Ou seja, a teologia da prosperidade que enfatiza o “dar mais para receber mais” não se coaduna com o pensamento de Deus; logo, não é bíblica!

4.3.4 O VERDADEIRO VALOR DE UMA MOEDA PARA JESUS

O denário era a principal moeda da época de Jesus. Essa era a moeda sob cujo valor denotavam as grandes somas ofertadas para a concretização das barganhas comerciadas entre sacerdotes e INfiéis que proviam seus negócios, i.e., a riqueza dos sacerdotes e os lucros e vantagens daqueles ofertantes – uma corrupção dentro do templo de Deus! Tais ofertantes insinceros infiltrados no templo do Senhor eram aprovados pelos homens (religiosos), mas reprovados por Deus. Sua oferta interesseira não agradava ao Dono do Templo, o Senhor da fé genuína.

Figura 1 – Denário de Tibério

Denário de Tibério
Fonte: Las monedas que conoció Jesús, 2017.

O lépton era a menor moeda da época, equivalente a 1/128 de um denário:

Figura 2 – Lépton de Pôncio Pilatos

Lépton de Pôncio Pilatos
Fonte: Las monedas que conoció Jesús, 2017.

Por que Jesus, ao testificar da diminuta oferta da viúva, enalteceu-a em vez de enaltecer os que ofertavam com abundância? O Senhor valorizou a humilde oferta da pobre viúva pobre porque ela ofertou com o coração e não com uma mente interesseira que visa ganhar muito além do que dá, que já oferece esperando o retorno, que não oferece por fé, mas por ganância. Aos olhos de Jesus, uma oferta do coração, uma oferta de amor, está acima de ofertas abundantes dos religiosos ambiciosos que não estão preocupados com o bem-estar do próximo, mas do próprio ventre. Ele a abençoou pelo seu desprendimento, pela sua dedicação, em meio a toda a sua dificuldade. Os dois lépton ofertados pela viúva pobre denotaram o valor imensurável de uma oferta santa, digna do Senhor. Tanto que Deus fala, e parece que certas pessoas escolhem não o ouvir. Deus fala que o que lhe agrada não são sacrifícios, holocaustos, ofertas, mas um coração quebrantado, uma adoração verdadeira, obediência, misericórdia. Leia e veja se não é verdade:

“Ó Deus, o meu sacrifício é um espírito humilde; tu não rejeitarás um coração humilde e arrependido” (Sl 51:17).

“Os verdadeiros adoradores vão adorar o Pai em espírito e em verdade. Pois são esses que o Pai quer que o adorem” (Jo 4:23).

“Porque eu quero misericórdia e não sacrifício; e o conhecimento de Deus, mais do que holocaustos” (Os 6:6)

“O que o Senhor pede de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a beneficência, e andes humildemente com o teu Deus?” (Mq 6:8).

“O que é que o Senhor Deus prefere? Obediência ou oferta de sacrifícios? É melhor obedecer a Deus do que oferecer-lhe em sacrifício as melhores ovelhas” (1 Sm 15:22).

Portanto,

a) De que adianta oferecer grandes somas em ofertas ou mesmo não ter para dar e pensar que é um grande sacrifício tirar dinheiro do cartão de crédito ou fazer empréstimo para ofertar ou dar dízimo nas igrejas? Isso é sim uma forma de dizimar a fé e, consequentemente, o bolso!

b) De que adianta oferecer grandes somas em ofertas nas igrejas se não tem humildade diante de Deus em reconhecer a sua dependência dele, e não das falsas promessas de falsos pastores que prometem abundância de dinheiro se doarem dinheiro em abundância? Isso é sim uma forma de dizimar a fé e, consequentemente, o bolso!

c) De que adianta oferecer grandes somas em ofertas nas igrejas se não oferecem a Deus uma adoração verdadeira que implica em obediência à sua voz e não à voz de homens que falam mentiras em seu nome, proclamando prosperidade financeira em detrimento das virtudes espirituais das quais Deus se agrada? Isso é sim uma forma de dizimar a fé e, consequentemente, o bolso!

d) De que adianta oferecer grandes somas em ofertas nas igrejas se não praticam a justiça e o bem que equivalem a conhecer a Deus em obediência à sua palavra que exorta a não se fazer servo de Mamom (Mt 6:24) e a não ter amor ao dinheiro porque esse amor ao dinheiro é a raiz de todos os males; ou seja, não é o dinheiro que é a raiz de todos os males, mas o amor, o apego a ele, como por causa dele fazer coisas indevidas, cometer atos de impiedade, deixar de fazer o bem sem ver a quem, e tantas outras atitudes que desagradam a Deus e que são reprovadas por ele. “O amor ao dinheiro é a raiz de todos os males. Algumas pessoas, por cobiçarem o dinheiro, desviaram-se da fé e se atormentaram com muitos sofrimentos” (1 Tm 6:10). Isso é sim uma forma de dizimar a fé e, consequentemente, o bolso!

Deveriam prestar mais atenção a estes versículos bíblicos: “Não atrapalhem a ação do Espírito Santo. Afastem-se de toda forma de mal. Que Deus os torne puros e completamente dedicados a ele.” (1 Ts 5:19,22,23).

Em tudo isso se vê que os mercenários da fé lançam mão de uma exegese má acerca da lei da semeadura em que:

a) Frisam que quanto maior a oferta, maior a colheita;

b) Dão ênfase à abundância da oferta com a visão gananciosa de receber ainda mais.

O que isso tem a ver com o reino de Deus?! Todo aquele que lê a bíblia com a intenção fiel de pôr em prática exatamente o que está escrito, ainda que enfrentando grandes dificuldades para fazê-lo devido à fraqueza da sua humanidade, é um crente digno e aprovado pelo Senhor, pois Deus olha para o coração do homem e sabe exatamente o que vai nele. Quem é fiel Deus sabe que é fiel; quem não é fiel Deus sabe que não é fiel. Simples assim. Portanto, não há oferta vultosa que possa encobrir as más intenções do coração. De Deus não se zomba! – o que o homem plantar disso vai colher (Gl 6:7). Não se pode enganar a Deus, pois ele é onisciente e vê o mais profundo da alma que o próprio homem desconhece: “Então perguntou Pedro: ‘Ananias, como você permitiu que Satanás enchesse o seu coração, a ponto de você mentir ao Espírito Santo e guardar para si uma parte do dinheiro que recebeu pela propriedade?’” (At 5:3).

Qual é a diferença entre Ananias e esse tipo de ofertante da igreja hodierna do qual ora se fala? Nenhuma, pois o problema de cada um jaz na intenção maligna de visar lucro de uma forma ou de outra. Mas Deus sonda a motivação do coração e dá a cada um segundo as suas ações.

A estratégia eclesiástica para alcançar a prosperidade terrena faz com que ela descambe para o lado da materialidade financeira, tornando-a efêmera, e contrariando todo o sentido da prosperidade sob a ótica bíblica. Privações e dificuldades que nunca deixarão de acometer uma pessoa, cristã ou não, que muitas vezes lhe tiram a paz, é como se não existissem para os paroleiros da teologia da prosperidade, um assunto tão importante que é negligenciado na Igreja de Jesus cujo objetivo maior cai no esquecimento em prol das entradas lucrativas em seu seio.

Quem quer saber de uma pregação como esta: “São ministros de Cristo? Eu ainda mais: em perigos entre os falsos irmãos; em trabalhos e fadiga, em vigílias, muitas vezes, em fome e sede, em jejum, muitas vezes, em frio e nudez. Além das coisas exteriores, me oprime cada dia o cuidado de todas as igrejas” (2 Co 11:23-28). Quem se preocupa em transmitir essas palavras para a Igreja para que conheça a perseverança do apóstolo Paulo em meio a tantas adversidades de modo a lhe inspirar o mesmo dom e a mesma atitude como forma de prosperidade espiritual? Não, esse tipo de pregação leva paz e conforto aos membros da Igreja no tocante à fé, mas não são nada lucrativos no tocante às ofertas em dinheiro. Ou seja, o foco da Igreja de Jesus foi alterado por aqueles que a veem como uma máquina de fazer dinheiro.

No entanto, deveriam prestar mais atenção ao texto sagrado em 1 Tessalonicenses 5:19,22,23 para que a) não atrapalhem a ação do Espírito Santo, b) evitem toda forma de mal e c) Deus os torne puros e completamente dedicados a ele.

Asafe, o levita, não se sentia nada confortável com a prosperidade do homem ímpio diante das privações do povo de Deus como se lê abaixo, mas, analogamente, esse mesmo homem ímpio se levanta na Igreja de Jesus com cara de justo – lobo devorador de bolsos em pele de cordeiro, vestes, títulos, e tudo o mais que se assemelha a fariseus usurpadores da Igreja do Senhor Jesus Cristo. Contudo, no final, o próprio Asafe percebe a miséria dos infiéis a Deus mediante a sua justiça: “Entendi o que acontecerá no fim com os maus. Tu os pões em lugares onde eles escorregam e fazes com que caiam mortos. Eles são destruídos num momento e têm um fim horrível” (Sl 73:17-19).

Quadro 21 – Trecho do vídeo “Uma vida de Prosperidade” aos 47:36m

Em todas as épocas da existência (da história) humana, toda a adoração a Deus foi o oferecimento de alguma dádiva em reconhecimento à soberania e à misericórdia de Deus. (…) A oferta é uma semente que honra a Deus.

Fonte: Trecho transcrito do vídeo “Uma vida de prosperidade”. Silas Malafaia Oficial (2018)

Resposta argumentativa:

De que oferta esse pastor está falando?! Oferta de dinheiro “somente”? E quem não tem dinheiro, como faz? Pede dinheiro emprestado para ofertar na igreja, deixando de praticar a palavra de Deus que deixa claro ao nosso entendimento de que emprestaremos a muitos, mas não pediremos emprestado? “Vocês emprestarão a muitas nações, porém não tomarão emprestado de ninguém” (Dt 28:12b). Ou será que não tendo dinheiro suficiente deveríamos pegar dinheiro no cartão de crédito para ofertar na igreja? Será que ele não se lembra do versículo que diz quem é uma oferta ao Senhor? Está escrito: “Ofereçam seus corpos a Deus. Que eles sejam um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus” (Rm 12:1). E a oferta de “louvor dos lábios”, não conta?! “Aceita, Senhor, a oferta de louvor dos meus lábios, e ensina-me as tuas ordenanças” (Sl 119:108).

Se é para falar de ofertas que agradam a Deus, por que não citar esses versículos para que o povo de Deus conheça todas as formas de ofertar a Deus além de doações monetárias?! Por que não doutrinar o povo de Deus com todos os versículos pertinentes à verdade e à vontade de Deus reveladas, conforme o tema da respectiva pregação, e não somente versículos separados do contexto geral de determinado capítulo com a intenção de frisar interesses mesquinhos se pautando na palavra de Deus para parecer justo, correto e aprovado por Deus, quando na verdade não é nada disso?! O único culto aceitável é a oferta da própria vida por completo a Deus. E isso implica uma adoração incondicional, pois Deus continua sendo Deus independente de qualquer coisa na vida do crente fiel. Deus é Deus independente das circunstâncias. Lembre-se de Jó. Que o Senhor capacite cada crente a ter uma fé inabalável.

“Cegos! Pois qual é maior: a oferta, ou o altar que santifica a oferta?”  (Mateus 23.19). Quando se valoriza a oferta acima do Altar de Deus, abre-se espaço para uma verdadeira negação à pessoa divina visto que o Altar do Senhor é justamente a sua representação. E como se dá essa supervalorização da oferta em detrimento do reconhecimento de que Deus está acima da oferta? Quando se deixa de ter comunhão com Deus por negligenciar os mandamentos mais importantes da lei como a justiça, a misericórdia, a fidelidade, a beneficência, e ser humilde diante de Deus (Mt 23:23; Mq 6:8).

As vaidades dos doadores de ofertas:

Quantos doadores de ofertas nos megatemplos e, também, em igrejas mais humildes se enchem de vaidade porque deram suas ofertas, grandes ou pequenas, para o pastor ver mais do que para Deus ver, mas não praticam a justiça de Deus quando afligem o cônjuge no interior do lar onde a congregação não tem acesso, deixando de praticar o juramento feito no Altar de Deus de que cuidaria desse cônjuge?

Quantos doadores de ofertas nos megatemplos e, também, em igrejas mais humildes se enchem de vaidade porque deram suas ofertas, grandes ou pequenas, para o pastor ver mais do que para Deus ver, mas não praticam a misericórdia para com um irmão que precisa de socorro financeiro ou de alimentos ou de perdão por alguma falha cometida ou de qualquer outro cuidado que agradaria a Deus, lembrando do que disse Jesus: “Tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-me; estava nu, e vestistes-me; adoeci, e visitastes-me; estive na prisão, e fostes me ver” (Mt 25:35,36). Todavia, agem como o sacerdote e o levita, aqueles homens que se autointitulavam homens de Deus, mas que de Deus não manifestavam nada, pois deixaram de dar assistência ao homem caído no caminho pelo qual passavam, e, se não fosse o bom samaritano, o homem teria morrido (Lc 10:30-37).

Quantos doadores de ofertas nos megatemplos e, também, em igrejas mais humildes se enchem de vaidade porque deram suas ofertas, grandes ou pequenas, para o pastor ver mais do que para Deus ver, mas não praticam a fidelidade a Deus que está ligada ao cumprimento dos seus mandamentos como o de amar a Deus sobre todas as coisas – que equivale a deixar tudo o mais em segundo plano –, e ao próximo como a si mesmo: dois mandamentos que resumem todos os mandamentos (Mt 22:36-40). Eles praticam esse amor? Eles obedecem a esta ordenança de Deus? Quando uma pessoa deixa de dar a devida e possível assistência a um irmão necessitado ou nutre ódio por ele devido a qualquer ofensa sofrida além de não o perdoar, não está em obediência a Deus (1 Jo 4:8), pois, tendo em mãos ou tendo condições para fazê-lo, não o faz: “Sempre que puder, ajude os necessitados. Não diga ao seu vizinho que espere até amanhã, se você pode ajudá-lo hoje” (Pv 3:27,28).

Quantos doadores de ofertas nos megatemplos e, também, em igrejas mais humildes se enchem de vaidade porque deram suas ofertas, grandes ou pequenas, para o pastor ver mais do que para Deus ver, mas não praticam a beneficência que implica em ajuda ao próximo sem acepção, sem ver a quem, livre de interesses pessoais como em não “dar com uma mão e mostrar com a outra”, como está escrito: “Quando ajudar alguma pessoa necessitada, faça isso de tal modo que nem mesmo o seu amigo mais íntimo fique sabendo do que você fez” (Mt 6:3); ou livre de interesses egoístas, como valorização de ressentimentos que inibem o perdão, que se colocam acima do bem que podemos fazer ao próximo: “Nós que somos fortes devemos suportar as fraquezas dos fracos e não agradar a nós mesmos. Portanto, cada um de nós agrade ao seu próximo no que é bom para edificação” (Rm 15:1,2), seguindo o exemplo da abnegação de Cristo e, também, do apóstolo Paulo: “Sede meus imitadores, como também eu, de Cristo” (1 Co 11:1).

Fazer coisas boas para mostrar serviço ou aparecer assim como deixar de fazer coisas boas por motivos egoístas como orgulho ferido, deixando-se contaminar pelo veneno alheio não reflete uma ajuda fidedigna ao próximo, mas vantagem para si mesmo, ação em benefício próprio; logo, isso não é beneficência, por mais que venha a servir ao próximo. Essas más atitudes afastam o cristão dos padrões bíblicos porque revelam o desejo da pessoa de se promover diante dos líderes e de outros irmãos, o que é antibíblico, seja qual for a motivação – religiosa, política, eclesiástica etc. –, pois desvia o foco do objetivo bíblico-evangelístico que se torna prejudicado pela falta da espiritualidade necessária para o sustento da igreja – o povo de Deus necessitado – no que se refere à esfera financeira em que o dinheiro está envolvido. Assim, passa a existir na igreja um ambiente comercial e não um espaço espiritual voltado para a prática da beneficência.

Quantos doadores de ofertas nos megatemplos e, também, em igrejas mais humildes se enchem de vaidade porque deram suas ofertas, grandes ou pequenas, para o pastor ver mais do que para Deus ver, mas não praticam o ser humilde diante de Deus porque não reconhecem que Deus é o único merecedor de toda exaltação e louvor. Agem como se estivessem querendo tirar de Deus sua própria glória. “Não se achem melhores do que realmente são. Pelo contrário, pensem com humildade a respeito de vocês mesmos” (Rm 12:3). A falta de humildade pressupõe egoísmo, pois reflete um comportamento mesquinho que faz pensar somente em si e jamais nos outros, e pior, jamais em Deus! Porque dizem que seguem Jesus, mas não imitam seu comportamento de humildade em se despir da sua divindade para se tornar uma pessoa comum:

Nada façam por ambição egoísta ou por vaidade, mas humildemente considerem os outros superiores a si mesmos. Cada um cuide, não somente dos seus interesses, mas também dos interesses dos outros. Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus, que, embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens. E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até à morte, e morte de cruz! (Fp 2:3-8).

Disse o homem pregador:

Quadro 22 – Trecho do vídeo “Uma vida de Prosperidade” aos 48:23m

Como é que nós nos atrevemos a não dar nada para o reino de Deus?

Fonte: Trecho transcrito do vídeo “Uma vida de prosperidade”. Silas Malafaia Oficial (2018)

Resposta argumentativa:

Duas perguntas: 1) Atrever-se a não dar nada: esse “nada” significa dinheiro no respectivo contexto? 2) Que se dará a Deus?

Assim lhe responde a palavra de Deus que é a verdade: “Que darei ao SENHOR por todos os seus benefícios para comigo?” (Sl 116:12). Será que Deus está falando aqui sobre “dar dinheiro” na Igreja dele? Uma exegese perfeita desse versículo prova que nada do que fazemos ou venhamos a fazer pode superar os benefícios de Deus: ofertas em dinheiro, ofertas materiais diversas, boas obras, sacrifícios, uma vida religiosa etc.; além disso, o texto revela que o único meio de dar a Deus o que lhe agrada como forma de gratidão pelos benefícios recebidos é tomar o cálice da salvação, ou seja, reconhecer o sacrifício vicário de Jesus e a salvação que ele nos oferece.

Logo, a fé que se recebe de Deus é a única coisa que alguém possui para dar de volta a Deus em agradecimento pelo bem que ele lhe tem feito, e não dinheiro. Mesmo no AT, dar o dízimo, cujo teor era “alimentos e assistência aos levitas” (Nm 18:21;28; 27:30,32), correspondia à lei, uma obrigação, uma responsabilidade diante de Deus, por mais que evidenciasse gratidão, e que, no sentido de obrigação, deixou de existir com a chegada da Graça no NT. Contudo, muitos líderes religiosos hodiernos abusam de dízimos e ofertas pelo que já previsto por Jesus o levou a proferir a seguinte exortação: “Está escrito: ‘A minha casa será chamada casa de oração, mas vós a tendes convertido em covil de ladrões’” (Mt 21:13). Quem toma o cálice da salvação como disse Davi – o homem segundo o coração de Deus, e não um homem religioso qualquer – invoca sempre o nome do Senhor como forma de declarar sua total dependência dele porque reconhece seu Senhorio sobre sua vida; dinheiro algum pode estar acima disso. É preciso reconhecer que, dependendo da sua aplicabilidade, a biblicidade do dízimo pode se tornar um mal (Ec 5:1) tanto para ofertantes quanto para recebedores se não for fundada em Jesus e seus ensinamentos (Mt 23:23; 2 Co 9:7). É mister um esclarecimento sério e idôneo acerca de dízimos e ofertas no seio da Igreja através de estudos comprometidos com a verdade bíblica.

Deus se agrada da pessoa que crê nele, quando crê que ele é poderoso para fazer muito mais além do que ela pede ou pensa (Ef 3:20), quando crê que não há limites nem impossíveis para ele (Lc 1:37) e, por isso mesmo, não depende de suas ofertas para fazer algo por ela quando é crente fiel. Deus não se agrada de ofertas de tolos (Ec 5:1), ou seja, aqueles que creem de forma errada, pensando que é dando ofertas que vão agradar a Deus sem atentar para a necessidade de se lhe submeter à vontade e à devida adoração.

Pode-se dar oferta em dinheiro como contribuição para o reino de Deus pela questão da consciência para com os necessitados, e, também, agindo como o apóstolo Paulo – que era um exemplo para quem pode trabalhar na igreja sem a “obrigação” de receber um salário, até que receba ofertas, como o apóstolo Paulo recebia. Mas quem quer imitar o apóstolo Paulo? Contudo, ele mesmo disse que era para que todos o imitassem (1 Co 11:1),  sem receber um salário –, mas jamais com o pensamento de que fazendo ofertas “na igreja” (porque se poderia fazê-la de diversas outras maneiras agradáveis a Deus, coisa que nenhum pastor “profissional” fala) está agindo com verdadeira gratidão, pois dar dinheiro na igreja, em altas somas, não significa que Deus se agrada disso, basta observar como Jesus age com relação a dízimos e ofertas no templo e tudo o que ele diz sobre esse assunto. Quem tem ouvidos para ouvir ouça o que o Espírito diz às Igrejas (Mt 11:15), e não o que “homens religiosos” dizem às igrejas!  A única coisa que eles dizem à qual se devem dar ouvidos e deve buscar praticar é o texto bíblico que é a vontade expressa de Deus (Mt 23:3), a mensagem na qual se deve crer.

Por tudo isso, como pode um pregador da palavra de Deus perguntar:

– Como nos atrevemos a não dar nada para o reino de Deus?!

Nada?! Tem de ser dinheiro? E se não tiver dinheiro, não sobra nada para dar a Deus?! E a fé, a qual Deus deu a seus filhos que a praticam dia após dia fidedignamente, não vale nada?! Por mais que pareça bíblico, esse discurso não é bíblico, pois apresenta escândalo contra o qual Jesus se manifestou: “Ai daquele por quem vierem os escândalos” (Lc 17:1). É preciso que cada pastor se lembre do que Deus diz sobre os escandalosos (Mt 18:7) e se converta das más exegeses.

O que, de fato, agrada a Deus? Veja:

Holocaustos e oblações pelo pecado não te agradaram (Hb 10:6). Tem porventura o Senhor tanto prazer em holocaustos e sacrifícios, como em que se obedeça à palavra do Senhor? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar; e o atender melhor é do que a gordura de carneiros (1 Sm 15:22). O Senhor diz: Eu não quero todos esses sacrifícios que vocês me oferecem. Estou farto de bodes e de animais gordos queimados no altar; estou enjoado do sangue de touros novos, não quero mais carneiros nem cabritos (Is 1:11). Ora, atentou o Senhor para Abel e para a sua oferta, mas para Caim e para a sua oferta não atentou (Gn 4.4,5).

Por que será que Deus não atentou para a oferta de Caim? Quantos estão na igreja fazendo ofertas a Deus com o coração e pensamento de Caim? Por que o pastor da igreja não ensina aos seus membros que antes de fazerem ofertas (ou entregarem seus sacrifícios) é preciso se purificar do mau coração e se corrigir de seus pecados e, só então, voltar ao templo e fazerem as ofertas? De que adianta fazer ofertas a Deus com o coração cheio de ódio, amargura, ressentimentos contra um irmão? O certo é ser orientado a primeiramente buscar se corrigir de seus erros e pecados e, só então, proceder às ofertas na igreja para que assim sejam aprovadas e aceitas por Deus; caso contrário, não passarão de meras formalidades e mostra de serviço, como está escrito: “Vossos holocaustos não são agradáveis nem me satisfazem, tampouco são aceitáveis as vossas ofertas!” (Jr 6:20).

Mas, não, eles deixam o povo oferecer de qualquer maneira, qualquer que seja o estado emocional, espiritual, sentimental em que se encontrem, desde que façam as ofertas em dinheiro. Apagam da memória o versículo que diz: “Examine-se o homem a si mesmo” (1 Co 11:28) antes de praticar ações em nome de Deus. Que santidade, que louvor, que obediência a Deus há nisso, nesse péssimo comportamento de pastores que instruem o povo a dar dinheiro, e não a dar a vida como sacrifício, ou seja, a se darem para Deus do jeito que lhe agrada, em obediência à sua palavra, antes de fazerem doações em dinheiro, porque doar dinheiro é fácil, mas doar a vida purificada, dar-se a Deus por meio da autocorreção de erros e pecados assumidos é muito difícil, e isso atrapalharia o aumento das doações monetárias na Igreja, considerando o tempo dessas autocorreções! Que pastor fariseu quereria perder tempo com isso?! O tempo urge e o bolso tem pressa!

Desperta, ó tu que dormes, povo insensato que aprende dos pastores a ganância que eles pregam e eles mesmos pregam que não é para ser ganancioso. Um verdadeiro paradoxo: não seja ganancioso, dê; mas seja ganancioso, dê muito para receber muito mais. Isso é de Deus? Pare e reflita com o coração e a mente dispostos a aprender a verdade sobre a vontade de Deus a fim de fazer ofertas na Igreja que pertençam a Deus – i.e., voltadas para causas necessárias como ajudar os pobres, pegar todo o dinheiro de dízimos e ofertas e distribuir em alimentos, cuidado com a saúde e higiene etc., e deixar a questão de salário da igreja de lado visto que graças a Deus já dispõem de um bom emprego com um bom salário; por que não trabalhar desse modo original na igreja do Senhor Jesus? Foi para isso que ele fundou a Igreja e não para outros fins voltados para vantagens pessoais e lucros financeiros!

4.3.5 QUEM TEM OUVIDOS OUÇA O QUE O ESPÍRITO DIZ ÀS IGREJAS!

Abaixo o oportunismo no seio da Igreja Santa e Imaculada de Jesus! Basta de ofertas na igreja que venham a pertencer a homens religiosos fanáticos, que assim o são não por Jesus, mas por outros interesses que nada têm a ver com a sua proposta de salvação por meio do seu sacrifício. Pergunte a um pastor da mesma forma que se perguntaria a um político se trabalhariam sem receber salários, se aceitariam apenas uma modesta ajuda de custo (e isso já seria muito!). Que pastor está disposto a servir a uma igreja onde não há dízimos nem salário pastoral, a exemplo do apóstolo Paulo, e as ofertas são distribuídas publicamente para suprir as necessidades de seu povo carente? Somente um pastor verdadeiramente desapegado do amor ao dinheiro! Eu conheço pelo menos uma igreja assim e o seu pastor.

Vejam-se os exemplos nos países de San Marino e Suécia cujos políticos são os mais frugais do planeta, como disse à BBC News Brasil[9] o deputado Per-Arne Håkansson, do partido Social-Democrata, em seu gabinete no Parlamento sueco:

Somos cidadãos comuns. Não há sentido em conceder privilégios especiais a parlamentares, uma vez que nossa tarefa é representar os cidadãos e conhecer a realidade em que as pessoas vivem. Também pode-se dizer que é um privilégio em si representar os cidadãos, uma vez que temos a oportunidade de influenciar os rumos do país.

Valentina Rossi, doutora em história pela Universidade de San Marino[10], diz que o sistema de Diarquia por meio do qual se elegem dois chefes de estado, que dividem suas responsabilidades, sendo ambos capitães-regentes – cargo mais alto do país – é uma tradição herdada da República Romana para que um exerça controle sobre o outro de modo que o poder não fique concentrado nas mãos de uma única pessoa.

Enquanto isso, no Brasil, em 2020, o salário de um deputado federal é R$ 33.763,00 (Decreto Legislativo Nº 276/14 – art. 1°)[11] além de inúmeras outras regalias, e o povo que votou neles é quem paga as contas do país!!! Tire esse salário e pague a um deputado federal o mesmo que um político sueco ou samarinês recebe. Ele vai aceitar? Será que ele manifestará o dom de representar os cidadãos brasileiros em todas as suas necessidades privado desse enorme salário?! Agir por esse único propósito, unicamente em prol do povo, será o suficiente para que ele permaneça nessa função?

Igualmente ocorre com muitos cristãos pregadores da fé no dinheiro de Mamom e não da fé no Evangelho de Jesus. Tire os salários e se descobrirá quem é pastor de verdade e quem é político de verdade! Ser político e pastor com altos salários e milhões de inscritos em canais de internet de onde se obtém ainda mais lucros é fácil! Tire tudo isso e funde uma igreja assistencial sem fins lucrativos onde é Jesus quem aparece e não o pastor renomado, de elevado status social (Jo 3:30); tire tudo isso e atue, politicamente, sem fins lucrativos. Aí se encontrará um pastor e um político sérios. É dito que se conhece verdadeiramente um homem quando lhe é dado poder.

Malafaia narrando um diálogo simbólico seguido de uma complementação:

Quadro 23 – Trecho do vídeo “Uma vida de Prosperidade” aos 51:52m

– Pastor, eu dou oferta simplesmente pelo ato de dar.

– Sim, trouxa, ok trouxa, eu respeito você trouxa. (…)

A bíblia faz uma analogia da oferta com a semente pra que você entenda que todo agricultor que planta quer colher. Você deve dar oferta na expectativa que você vai colher na sua vida (..) porque se você vim [ipsis verbis] com essa pseudossantidade, essa falsa santidade, você tá equivocado com essa sua plantação porque eu nunca vi agricultor dizer: ‘Olha, eu plantei maçã aqui, mas se não der, não tem problema, não; tá plantado ai’. É ruim, meu irmão, eu plantei laranja e quero colher laranja, eu plantei oferta na casa de Deus e vou colher bênçãos materiais na minha vida e espirituais também.

Fonte: Trecho transcrito do vídeo “Uma vida de prosperidade”. Silas Malafaia Oficial (2018)

Resposta argumentativa:

Está escrito em 1 Coríntios 9:9-10, “Na Lei de Moisés está escrito assim: ‘Não amarre a boca do boi quando ele estiver pisando o trigo.’ Por acaso Deus está interessado nos bois? Ou foi a nosso respeito que ele disse isso? É claro que isso está escrito em nosso favor! Tanto a pessoa que planta como a que colhe fazem o seu trabalho na esperança de receber a sua parte da colheita”. Porém, isso não significa que uma pessoa não possa ou não venha a fazer suas ofertas desinteressadamente. É crível que alguém faça algo por outrem apenas pelo desejo de fazer o bem sem ver a quem e sem segundas intenções. Muitas pessoas fazem isso mesmo por amor, sem interesse algum em receber algo em troca, sem visar lucros ou benefícios à frente.

Nos versículos 11 e 12, entende-se como um direito que o que trabalha para Deus pode receber alguma recompensa material; contudo, o apóstolo Paulo deixa claro que não usa esse direito a fim de não atrapalhar o evangelho de Cristo. Por que “atrapalhar” no sentido de prejudicar? Porque qualquer tipo de pagamento que ele recebesse poderia se tornar um obstáculo à propagação do evangelho devido ao julgamento negativo e a má impressão que os seguidores viriam a ter e isso acabaria afastando-os do caminho de Cristo. Sabendo que sua obra no reino era um dever que Deus lhe dera para cumprir, não via porque receber pagamento em dinheiro ou alimentos, mas entendia que o seu pagamento era a satisfação de anunciar o evangelho sem cobrar nada e sem exigir os seus direitos como pregador do evangelho (vv. 15-18). Ele tinha sua própria profissão que lhe garantia um salário para lhe prover o sustento e demais necessidades; jamais se aproveitaria do serviço cristão ou da posição de pregador para receber pagamentos pelo seu trabalho. Que pastor hodierno segue à risca esse exemplo do apóstolo Paulo?

Observe 1 Timóteo 5:17,18: “Os presbíteros que fazem um bom trabalho na igreja merecem pagamento em dobro, especialmente os que se esforçam na pregação do evangelho e no ensino cristão.  Digno é o obreiro do seu salário”.

Deus requer que os ministros sejam pagos por seu trabalho.

Aos que anunciam o evangelho, que vivam do evangelho.

Prover aos ministros do evangelho o que necessitam é uma ordem dada por Deus.

Assim como os sacerdotes em Israel eram mantidos por seu trabalho, os ministros do Novo Testamento também deveriam ser sustentados.

O texto significa o obreiro de Deus receber, e não o ofertante ganhar mais porque faz ofertas. Na verdade, esse discurso em favor de uma grande coleta de ofertas no momento do ofertório nos cultos visa o seguinte: quanto mais ofertas, mais lucros. Além disso, o direito garantido pela palavra de Deus àqueles em destaque acima não lhes dá direito de se aproveitarem do seu direito para ficar pedindo mais e mais ofertas, forçando a entrega de dízimos para aumentar seu soldo e distorcendo o texto bíblico para garantir retorno financeiro.

Em outras palavras, subentende-se que um pregador interesseiro costuma significar isto: “Faça ofertas por interesse em ter de volta, não pelo interesse puro de dar sem esperar retorno”. Não se trata de ter o direito dado por Deus para receber o fruto do plantio, mas a teologia da prosperidade ensina especificamente a dar visando o retorno – esse objetivo errôneo transtorna o sentido do texto bíblico no tocante a dízimos e ofertas que são explorados de modo contrário à verdade expressa de Deus. As coisas de Deus não devem ser assim, mas dar por amor desinteressado, altruisticamente; dar com uma mão sem olhar a outra.

Pseudossantidade?! Falsa santidade?! (aos 52:20m) – Malafaia usa um argumento de quase-convencimento contra quem oferta desinteressadamente, pretendendo forçar seus ouvintes a crerem que o bom e verdadeiro é ofertar visando retorno lucrativo, e que o crente que age contrariamente a esse entendimento é fingido, falso crente – distorção de significados, proposição antitética. É preciso estar atento às suas palavras que omitem o real significado a que se propõem e confundem as mentes desacauteladas: “Pois, assim como Eva foi enganada pelas mentiras da cobra, eu tenho medo de que a mente de vocês seja corrompida e vocês abandonem a devoção sincera e pura a Cristo” (2 Co 11:3).

Quantos dão oferta sem querer nada de volta, pelo simples fato de quererem ajudar, sem interesse algum, e depois nem se lembram de que ajudaram, ofertaram?! Quantos fazem a obra de Deus, louvando, ensinando, pregando, sem cobrar nada por isso? Quantos ministros literários escrevem para a glória de Deus pelo simples desejo de transmitir o que recebeu por inspiração divina na esperança de ver o leitor convertido a Cristo, e se ganhar com a venda de livros é mera consequência, mas jamais o motivo principal? Veja bem o que ele disse:

Quadro 24 – Trecho do vídeo “Uma vida de Prosperidade” aos 53:06m

Não está aqui alguém que quer contar uma vantagem pra vocês; não está aqui alguém que quer contar uma coisa pra dizer que eu sou bam-bam-bam na área: Por favor, irmãos, eu sei tudo de semente. Tudo de plantação é comigo mesmo.

Fonte: Trecho transcrito do vídeo “Uma vida de prosperidade”. Silas Malafaia Oficial (2018)

Resposta argumentativa:

Então, agora é a vez de alguém lhe responder que também não é bam-bam-bam, e não podem dizer que é bam-bam-bam porque, na verdade, faz a obra de Deus sem interesse financeiro algum. Se ele não acredita que as pessoas podem fazer o bem pelas outras sem interesse é porque ele mesmo não o faz. Ele não acredita que as pessoas podem fazer o bem às outras sem interesse porque que ele mesmo não acredita nessa possibilidade!

Portanto, ele declarou veementemente: “Eu sei tudo de semente”. Será que sabe mesmo?! Considerando as diferentes versões bíblicas para a comparação entre dois versículos bíblicos, veja o que está escrito sobre alguém se comportar como um sabe-tudo:

Quadro 25 – Comparação entre os versículos em destaque em diferentes versões

1 Timóteo 6:4 1 Coríntios 8:1b,2
A21 – “É arrogante e não compreende nada, mas delira em questões e discórdias acerca de palavras”.

 

A21 – “O conhecimento dá ocasião à arrogância, mas o amor edifica. Se alguém supõe conhecer alguma coisa, ainda não conhece até o ponto em que é necessário conhecer.”
ARA – “É enfatuado, nada entende, mas tem mania por questões e contendas de palavras.”

 

ARA – “O saber ensoberbece, mas o amor edifica. Se alguém julga saber alguma coisa, com efeito, não aprendeu ainda como convém saber.”
ARC – “É soberbo e nada sabe, mas delira acerca de questões e contendas de palavras.”

 

ARC – “A ciência incha, mas o amor edifica. E, se alguém cuida saber alguma coisa, ainda não sabe como convém saber.”
NAA – “Esse é orgulhoso e não entende nada, mas tem um desejo doentio por discussões e brigas a respeito de palavras.” NAA – “O conhecimento leva ao orgulho, mas o amor edifica. Se alguém julga conhecer alguma coisa, ainda não conhece como deveria conhecer.”
NBV-P – “é orgulhoso e nada entende. Esta pessoa tem um interesse doentio, provocando discussões acerca de palavras, que acabam em inveja e cólera, e que só conduzem à difamação, a acusações e suspeitas malignas.” NBV-P – “Esse tipo de conhecimento traz orgulho, mas o amor edifica. Se alguém pensa que sabe todas as respostas, está apenas mostrando sua própria ignorância.”
NTLH – “Essa pessoa está cheia de orgulho e não sabe nada. Discutir e brigar a respeito de palavras é como uma doença nessas pessoas.”

 

NTLH – “Esse tipo de conhecimento enche a pessoa de orgulho; mas o amor nos faz progredir na fé. A pessoa que pensa que sabe alguma coisa ainda não tem a sabedoria que precisa.”
NVI – “é orgulhoso e nada entende. Esse tal mostra um interesse doentio por controvérsias e contendas acerca de palavras, que resultam em inveja, brigas, difamações, suspeitas malignas.” NVI – “O conhecimento traz orgulho, mas o amor edifica. Quem pensa conhecer alguma coisa, ainda não conhece como deveria.”
NVT – “é arrogante e sem entendimento. Vive com o desejo doentio de discutir o significado das palavras e provoca contendas que resultam em inveja, divisão, difamação e suspeitas malignas.” NVT – “O conhecimento traz orgulho, enquanto o amor fortalece. 2Se alguém pensa que sabe tudo sobre algo, ainda não aprendeu como deveria.”

 

TB – “este é cheio de orgulho e nada sabe, mas delira acerca de questões e contendas de palavras, das quais se originam invejas, brigas, calúnias, suspeitas injustas.” TB – “A ciência incha, mas a caridade edifica; se alguém pensa que conhece alguma coisa, não a conhece ainda como convém conhecer.”
VFL – “essa pessoa está cheia de orgulho e não sabe nada. Ela tem mania de discutir e brigar por causa de palavras. E destas coisas surgem inveja, desavenças, insultos, desconfianças.” VFL – “O conhecimento nos enche de orgulho, mas o amor fortalece. Se alguém pensa que sabe alguma coisa, de fato ainda não sabe como deveria saber.”

Fonte: Bíblia YouVersion. 1 Coríntios 8 e 1 Timóteo 6.

Portanto, preste atenção a todo este texto em 1 Timóteo 6:3-10 (A21) sob o título “Os perigos da cobiça”, ponderando sobre outros títulos em diferentes versões bíblicas como “Os falsos mestres e os perigos da riqueza”; “Exortações e conselhos gerais”; “Os falsos ensinamentos e a verdadeira riqueza”; “O Amor ao Dinheiro”:

Se alguém ensina alguma outra doutrina e discorda das sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo e da doutrina que é de acordo com a piedade, é arrogante e não compreende nada, mas delira em questões e discórdias acerca de palavras; dessas coisas nascem invejas, brigas, calúnias, suspeitas maliciosas, disputas de homens de entendimento corrompido e privados da verdade, que imaginam que a piedade é fonte de lucro. De fato, a piedade acompanhada de satisfação é grande fonte de lucro. Porque nada trouxemos para este mundo, e daqui nada podemos levar; por isso, devemos estar satisfeitos se tivermos alimento e roupa. Mas os que querem ficar ricos caem em tentação, em armadilhas e em muitos desejos loucos e nocivos, que afundam os homens na ruína e na desgraça. Porque o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males; e por causa dessa cobiça alguns se desviaram da fé e se torturaram com muitas dores.

Quadro 26 – Trecho do vídeo “Uma vida de Prosperidade” aos 53:39m

Se você obedecer os princípios que você acabou de aprender[ipsis verbis]

Fonte: Trecho transcrito do vídeo “Uma vida de prosperidade”. Silas Malafaia Oficial (2018)

Resposta argumentativa:

Acabou de aprender de quem? Obedecer aos princípios que acabou de ouvir de quem? Princípios exegetados[ii] por Malafaia homem, entronizando a teologia da prosperidade. Quando princípios bíblicos não são compreendidos literalmente, há uma forte tendência para lhes dar a interpretação mais conveniente.

Ademais, para não ser enganado por falsos profetas (Mt 24:24), os princípios a que se devem dar ouvidos são: a) resguardar-se contra os manipuladores da palavra de Deus, i.e., os falsos profetas porquanto pregadores de falsas doutrinas – aquelas que não possuem base bíblica (Mt 7:15; Cl 2:8), e b) aprender a discernir os espíritos. Então, mais importante que barganhar ofertas com Deus para uma vida financeira robusta é pedir a Deus que lhe dê sabedoria e discernimento espiritual que se referem aos principais dons que um cristão deve buscar em Deus (1 Co 12:8,10).

Os manipuladores da fé induzem os fiéis a acreditarem que “é dando que se recebe”, contrariando o princípio bíblico de que Deus faz chover sobre justos e injustos e faz o sol raiar sobre maus e bons (Mt 5:45), tem misericórdia de quem ele quer (Rm 9:18) e abençoa a quem quer, independentemente das ações do homem. Ninguém tem de dar para receber; se Deus quiser abençoar, ele o fará incondicionalmente, pois não é limitado aos caprichos humanos como muitos líderes de igrejas andam declarando: “Eu determino o milagre da prosperidade financeira na tua vida; dê o dízimo, dê ofertas abundantes, e você verá o teu sucesso financeiro”. O que dizer dos ricos e milionários que não são cristãos, não acreditam em Deus e não dão dízimos nem ofertas nas igrejas? Contudo, está escrito: “Não te indignes por causa daquele que prospera em seu caminho, por causa do homem que faz com que os artifícios aconteçam” (Sl 37:7 – King James). Além disso, quem determina tudo é Deus; nenhum homem tem poder algum para determinar qualquer coisa que esteja além dos seus limites. Quando o homem age se sentindo como um deus, o determinar se torna uma carga pesada que só Jesus pode carregar, livrando-o dela (Mt 11:30). Esse determinar humano é muito perigoso quando envolve aspectos espirituais. Urge que se tenha muito cuidado com esse “Eu determino!”

4.3.6 O QUE VEM DO ALTO?

Esse pregador de renome na mídia, que possui a arte da retórica, apresentou esses princípios com muita desenvoltura, de maneira aparentemente incontestável, tomando como base a teologia da prosperidade que, aliás, está em alta, mas não corresponde ao que vem do Alto, i.e., de Deus. Por quê? Veja:

1) A bíblia fala sobre prosperidade?

Sim! Eis alguns versículos: Sl 1:3; 23:1; 128:2; Pv 28:25; Jr 29:11; 2 Co 9:8.

2) A bíblia diz que é Deus que lhe dá força e capacidade para gerar riqueza?

Sim! – Dt 8:18.

A partícula enfática “é…que” significa que é Deus quem fortalece e capacita a pessoa para adquirir riqueza e não dízimos, ofertas, esmolas etc. Ou seja, adquirir riqueza depende da liberalidade de Deus em a dar ao homem, e não da liberalidade do homem em dar à igreja ou a quem quer que seja. Percebe como um jogo de palavras modifica o sentido das frases? É assim que teólogos da prosperidade arranjam seus discursos, que não são pregações!

3) A bíblia diz que a bênção do Senhor é que enriquece?

Sim! – Pv 10:22.

Novamente a presença da partícula enfática “é que”, significando que a bênção do Senhor é que enriquece a pessoa e não dízimos, ofertas, esmolas etc. Ou seja, para uma pessoa enriquecer depende da bênção de Deus e não de ações ou recursos humanos. Malafaia usou um culto inteiro para ensinar como enriquecer às custas das ofertas volumosas quando a Igreja de Cristo deveria primar pela pregação do Evangelho e de suas sãs doutrinas para edificação espiritual dos fiéis; o ensino da bíblia não deve jamais ser substituído por qualquer outro meio que desvirtue o propósito divino da salvação para toda a humanidade. A verdade escriturística sob todos os aspectos e para todos os fins é insubstituível. Não há recursos que possam suplantar os meios de Deus para dar ao seu povo aquilo que ele sabe que corresponde às suas reais necessidades. Essa técnica de “encher os olhos do povo de Deus” com base em textos bíblicos mal explanados, como a recompensa farta através dos dízimos e das ofertas cujo teor verdadeiro não é devidamente ensinado nas igrejas, é anticristã, não é bíblica, e pode levar muitos a se desviarem do Caminho e a serem enganados: “Ai deles! Porquanto trilharam o caminho de Caim, ávidos pelo lucro se jogaram no erro de Balaão, e foram tragados pela morte na rebelião de Corá” (Jd 1:11).

A questão em evidência aqui é com relação ao estímulo a uma fé antropocêntrica em detrimento da cristocêntrica pelo que em vez de levar a pessoa a se convencer de sua natureza pecaminosa e buscar a regeneração para o alcance da salvação, usam as igrejas como fontes de renda ou de lucros e vantagens tanto financeiras quanto de status social (quando se fala em benefícios espirituais é apenas para amenizar o peso dessa verdade), levando os frequentadores das igrejas aos mesmos interesses, desviando-os do objetivo principal pelo qual Jesus deu a sua vida; isso fica relegado a um plano secundário.

4) Quando uma pessoa crê no Senhor Jesus e é transformada pelo evangelho, essa pessoa prospera?

Sim! – Fp 4:11-13.

A Bíblia diz que aquele que ama a Deus é próspero, pois aprende dele a estar contente em quaisquer situações, tendo muito ou pouco, sendo grande ou pequeno. Ser próspero não é ser rico financeiramente. Ter prosperidade não é ter riqueza financeira. Há muita confusão no emprego desse termo e seus derivados.

Nem todo o crente vai ser rico de dinheiro, mas, por certo, será rico da abundante graça de Deus sobre sua vida, pois Deus promete dar àqueles que o amam e lhe obedecem e nele confiam tudo aquilo de que precisarem, ou seja, o necessário. Não é necessariamente tudo o que se deseja, mas tudo de que se precisa e que pode ajudar nas necessidades, isso é prosperidade. Os defensores da teologia da prosperidade até usam essas palavras, mas sua aplicação prática diverge do que dizem porque sempre enfatizam o retorno financeiro.

Como se pode compreender prosperidade sem que seja exclusivamente sob a ótica financeira? Por exemplo, em vez de gastar dinheiro com bebidas alcoólicas que só levam a armadilhas, em vez de investir dinheiro em vícios, em compulsividades, em atos de prazer momentâneo com consequências duradouras e nocivas como sexo pervertido ou adultério, em vez de se envolver em coisas sem proveito, uma pessoa, cristã ou não, vai ter prosperidade ao agir contrariamente a esses comportamentos. Como assim?

Uma pessoa que investe o seu salário em coisas proveitosas, por maior ou menor que ele seja, será próspera, pois está agindo com racionalidade ao investir seu dinheiro com sabedoria, sem desperdício em coisas fúteis ou danosas. Essa atitude abre a porta para o caminho da prosperidade – garantia de paz interior, paz familiar, paz espiritual, paz emocional, paz em todos os sentidos. Isso é prosperidade!

Então, se prosperidade é algo benéfico, onde está o problema da teologia da prosperidade? A resposta está na seguinte pergunta: a teologia da prosperidade prega os princípios bíblicos exatamente conforme descritos? Por exemplo:

a) Alguém se torna rico porque se tornou evangélico, visto que no evangelho se encontram muitos milagres?

Muitos confundem prosperidade com bênção de Deus, como se limitassem a verdade bíblica, pois há pobres-ricos e ricos-pobres. Jesus era rico-pobre ou pobre-rico? O apóstolo Paulo era rico-pobre ou pobre-rico? O fato de ser pobre financeiramente não impede uma pessoa de ser rica em virtudes, de ser rica espiritualmente, de modo que poderá desfrutar de muitas dádivas de Deus com poucos recursos financeiros.

A medida da pobreza ou da riqueza de uma pessoa não está em suas posses materiais, nos bens que possui, na sua conta bancária, mas no que ela é, no que ela faz, e, mais forte ainda, no quanto ela teme a Deus. Um pastor riquíssimo financeiramente que não teme a Deus visto que não explana o texto sagrado consoante à verdade bíblica, ainda com o agravante de influenciar negativamente seus ouvintes – ovelhas do reino de Deus que podem se perder em meio ao aprisco –, é um pastor pobre espiritualmente, pobre de comunhão com Deus.

Diferentemente do apóstolo Paulo que, em meio à sua pobreza financeira, influenciou o mundo inteiro com suas palavras de fé baseadas na verdade do evangelho do jeito que ele é, livre de exegeses intencionais. Se ele tivesse de passar pelo crivo da teologia da prosperidade, com certeza seria reprovado por ser considerado um fracassado que não cresceu financeiramente porque “errou em alguma coisa, não seguiu direito o que foi ensinado na igreja pelo pastor” que, por sinal, é bem-sucedido financeiramente. “A culpa é dele e não do pastor, nem da doutrina recebida. Ele que não soube aplicar devidamente os ensinamentos recebidos”.

Essa é a retórica dos palestrantes da teologia da prosperidade para aqueles que não conseguem deixar de ser pobres financeiramente por mais que ofertem na igreja, por mais que façam empréstimos para ofertar na igreja, por mais que saquem valores do cartão de crédito para ofertarem na igreja, por mais que tirem do próprio salário para ofertarem na igreja quantias que lhe farão falta posteriormente, por mais que façam votos de ofertar grandes quantias e os cumpram, por mais que obedeçam às instruções de seus pastores para fazerem ofertas na igreja. É isso mesmo o que Deus ensina na sua palavra? A palavra de Deus corrobora a hermenêutica falaciosa da teologia da prosperidade?

b) Alguém se torna rico porque deu à igreja uma oferta vultosa em dinheiro, com base no argumento de que quanto mais a pessoa der mais ela vai receber?

Se der pouco, vai receber pouco; se der muito, vai receber muito”, como pregam muitos pastores (pastores?!), aproveitando-se inescrupulosamente do texto sagrado onde está escrito: “Quem planta pouco colhe pouco; quem planta muito colhe muito” (2 Co 9:6).

Deus retribui, mas não se deve fazer as coisas com esse interesse. Que o receber de Deus seja algo natural e não premeditado. Que a pessoa seja generosa e não calculista! É por isso que está escrito: “O Senhor vê o coração” (1 Sm 16:7). Como é o coração dos adeptos da teologia da prosperidade diante dessa verdade bíblica?

Entenda a real interpretação do texto sagrado em 2 Coríntios 9. Contribuir é igual a lançar sementes: se se plantam 3 sementes, colher-se-ão 3 frutos. Ao plantar ou ofertar, a pessoa recebe mais de Deus para poder ofertar ainda mais porque Deus se agrada de sua atitude abnegada, com total desprendimento, com liberalidade (Sl 112:9). Essa atitude revela que a pessoa não tem nenhum interesse além de ajudar quem precisa, ajudar a igreja a ajudar quem precisa; receber de Deus será algo natural e não com base no entendimento de que dando receberá. A partir do momento em que a pessoa vai ofertar tendo na mente que vai receber ainda mais, já deixou de ser liberal e passou a ser interesseira. Já perdeu a virtude da oferta desinteressada, já perdeu o sentido de liberalidade (2 Co 9:13).

Liberalidade não é dar com intenção de retorno, mas dar sem intenção de retorno de modo que não cabe a orientação malafaica de que “se você der com liberalidade, você vai ganhar ainda mais; se você der muito, vai ganhar ainda muito mais” – o sentido da oração subordinada adverbial condicional perde a sua virtude diante do sentido outorgado pela oração principal. Onde está a liberalidade nisso? Liberalidade significa generosidade, isto é, desapego ao dinheiro que se revela na atitude de uma pessoa que oferece algo ou oferta na igreja “sem esperar nada em troca”; não faz uma oferta visando retorno financeiro maior.

Logo, a questão não é necessariamente o retorno financeiro, mas a visão desse retorno, a intenção dessa oferta, a motivação para fazer essa doação na igreja. Esse é o problema!!! Onde há prosperidade nisso? Onde há desprendimento nisso? Onde há liberalidade nisso? Ou seja, estão nítidas as más interpretações do texto bíblico, diante de exegeses errôneas e tendenciosas, muito distantes daquilo que realmente o texto quer significar. Não se engane!!! O verdadeiro cristão pode pedir a Deus o dom do discernimento de espíritos para não ser enganado por falsos profetas, pois que usam a palavra de Deus a seu bel-prazer para sua própria conveniência, usurpando o sentido verdadeiro dos textos escriturísticos.

c) Ofertantes da igreja podem experimentar a multiplicação do seu dinheiro mediante barganhas com Deus?

Não é porque Jesus multiplicou pães e peixes que ele tem de multiplicar o seu dinheiro!!!

Nesse contexto religioso não de fé pura, mas de interesses mesquinhos, os milagres da multiplicação (2 Rs 4:42-44; Mt 14:20-21; 15:36-38) dos quais muitos se aproveitam para fortalecer a teologia da prosperidade que tanto defendem com unhas, dentes e argumentos falaciosos nunca são explanados à luz do real propósito bíblico: a salvação da humanidade pelo poder de Deus que, como Logos encarnado – Jesus, é o Pão da vida (Jo 6:33-35) que acaba com a fome física, espiritual, emocional – dá vida ao mundo que o recebe como alimento vivo que sacia todas as necessidades pela fé. Necessidades não são vaidades; são necessidades. Isso é o que muitos são incapazes de compreender e ainda contam com maus intérpretes para os ludibriar quanto às verdadeiras práticas de Jesus, suas razões e seus objetivos. Por que, então, não ensinam essa verdade, de que estando em comunhão com Deus se tem tudo de que “necessita”, nada além do necessário; o necessário é o necessário e com isso a pessoa deve se contentar (1 Tm 6:8); no entanto, quem está preparado para ouvir essa verdade e se sentir plenamente abençoado por Deus?!

A verdade é que se Deus quiser dar mais, além do que alguém já possui, ele o fará independente de ofertas ou qualquer serviço feito em seu reino com segundas intenções. Além disso, Deus não é um agente de seguros em quem se investe visando lucros tampouco um garçom pronto a nos servir ao estalar dos dedos. Deus não é obrigado a multiplicar o dinheiro de ninguém por ter feito ofertas grandes ou pequenas. Deus abençoa a quem quer independente de suas ações (Rm 9:18; Mt 5:45).

Por fim, se alguém está na igreja com esses pensamentos de receber e receber mais e mais, quem vai à igreja em busca de bênçãos em vez de ir para buscar o Dono da bênção, de fato não está com a mínima intenção de estar com Deus, mas tão somente de explorar Deus. Quem tem esses objetivos miseráveis já recebeu o seu galardão (Mt 6:2) – os que fazem ofertas para aparecer diante de homens “religiosos” (os que se dizem servos de Deus, mas são servos do bolso; escravos do vil metal, mas não de Cristo [1 Co 7:21-23]) e os que fazem ofertas com a pífia intenção de angariar lucros em cima das ofertas – e não pode servir a Deus com essa mente e esse coração, pois isso não condiz com os propósitos divinos, mas com a idolatria a Mamom (Mt 6:24).

Fé bíblica é confiar em Deus e não receber dádivas (Jr 17:7). Ser abençoado é consequência da fé e da comunhão com Deus.

Quadro 27 – Trecho do vídeo “Uma vida de Prosperidade” à 1:00:17h

Panhei um dinheiro emprestado (CDC) pra trazer pra igreja porque eu não tinha… na campanha que nós fizemos aqui. (…) [Deus falou para ele:] A sua semente frutificou na sua vida.

Fonte: Trecho transcrito do vídeo “Uma vida de prosperidade”. Silas Malafaia Oficial (2018)

Resposta argumentativa:

Primeiro ele diz que após ofertar nada aconteceu para ele de bom a não ser uma dívida que durou até o ano seguinte, e após algum tempo que ela começou a frutificar, porque só depois ele aprendeu que o que se planta hoje tem um tempo de maturação. Ou seja, você vai ofertar hoje, mas ele não está garantindo que você vai colher amanhã; só há promessa de prosperidade, mas não dá garantia de prosperidade imediata. Não tem dinheiro para ofertar? Pegue empréstimo para fazê-lo, pois a seu tempo você colherá os frutos. Embora com ele tenha acontecido diferentemente conforme o relato da segunda experiência abaixo:

Malafaia relembrando uma experiência:

 Quadro 28 – Trecho do vídeo “Uma vida de Prosperidade” à 1:03:25h

Mas lá no meu coração disse assim: ‘Dê a maior oferta que você já deu até hoje’. Tá amarrado, Satanás. Diabo, tu ta falando aqui dentro da igreja?! (ele ri) Capeta, sai!!! Aqui no meu coração: ‘Dê a maior oferta que você já deu até hoje na sua vida’. Eu falei: Não, não posso. ‘Você ouviu a palavra? A fé vem pelo ouvir e ouvir a palavra. Você pode crer. Você não tá apertado? Então essa é a melhor hora de você semear’. Vou fazer uma maluquice aqui. E aí eu fui me lembrar qual foi a maior oferta que eu já tinha dado no meu ministério e me lembrei que foi R$100.000,00. Eu tô ficando maluco; a minha oferta tem que ser maior do que R$100.000,00. ‘Uma vozinha disse: Você tem trinta dias pra efetuar a oferta’. Não, tem que ser agora. Peguei meu talão de cheque (…) R$ 120.000,00; tinha que ser maior do que R$100.000,00. Fui lá na frente, botei o envelope, o pastor orou. (…) Uma irmã me pegou pelo braço e disse assim: ‘Eu e meu marido decidimos mandar R$60.000,00 pro seu ministério’. Ela (a oferta) não demorou um minuto depois da oração. No outro dia de manhã, (…) eu abri o bilhete e tava escrito assim: ‘Mês que vem, eu vou enviar R$87.000,00 pra ajudar na compra da propriedade’. Em menos de doze horas (…) soma, irmão, R$60.000,00 com R$87.000,00 são R$147.000,00 e o Espírito Santo falou ao meu coração: ‘Isso é só o princípio’. Irmãos, em nome do Senhor Jesus, receba aqui essa palavra porque Deus quer fazer isso na tua vida. Deus quer que a tua semente frutifique.” (1:08:47 – palmas, mas nem todos).

Fonte: Trecho transcrito do vídeo “Uma vida de prosperidade”. Silas Malafaia Oficial (2018)

Resposta argumentativa:

Na primeira experiência, adquiriu uma dívida enorme por ter decidido fazer uma oferta com base em um empréstimo bancário. Já está preparada a mente daquele que ofertar e nada receber de volta como ele cuja dívida se estendeu até o ano seguinte; ou seja, o ouvinte vai pensar: “Ah, se aconteceu com ele vai acontecer comigo; basta eu perseverar. Portanto, vou ofertar, vou fazer o mesmo, pegar um empréstimo…”. Porém, na segunda experiência recebeu de volta 147mil até o dia seguinte. Que exemplo! Eis um discurso oximoroso que prepara o coração para não receber e para receber. i.e., não há garantia de nada, como se todo o seu discurso prévio não pudesse confirmar o retorno lucrativo que sugere. Com ele aconteceu logo após a oferta, e no dia seguinte sobejou, mas com os outros pode ser amanhã ou muito tempo depois, ou nunca, dependendo de a pessoa estar fazendo as coisas certas ou não. Aliás, ele fez a coisa certa nas duas experiências? É exatamente isso o que Deus requer do ofertante, fazer um CDC ou dar um cheque cuja conta não cobre o valor determinado “contando com o ovo na galinha”, i.e., contando com algo incerto, na expectativa de que depois “Deus proverá” o valor na conta? Isso não seria tentar a Deus (Mt 4:7)? Sempre que alguém age propositadamente com a consciência de que não tem condições de suprir uma demanda à qual se submete, mas mesmo assim a coloca em prática na esperança de que Deus vai supri-la e vai perdoar sua investida no escuro, está tentando a Deus. Tentar a Deus poderia ser sinônimo de fé?!

Deus realmente opera milagres, prospera, recompensa. Deus é quem sabe de todas as coisas; as pessoas só imaginam. Mas é certo que Deus age com cada um de uma maneira pessoal e especial conforme a sua onisciência e justiça. A experiência com Deus jamais será uma “receita de bolo”. Quanto a isso, ele parece concordar, pois aos 59:48m, ele diz: “Não estou mandando ninguém fazer isso; estou falando ‘eu, Silas Malafaia’”. Logo, nada melhor do que estar atento à voz de Deus sobre como ele falará ao seu coração para fazer determinada oferta em sua igreja. Por mais que um testemunho seja útil e instrutivo, ele não pode ser seguido igualmente por outra pessoa, a não ser que Deus revele isso ao seu coração.

Não se pode sair por aí tentando imitar o sucesso alheio, pois nem sempre o que serve para um serve para outro ou o que Deus falou para você, falará igual para outro. Portanto, por mais que tenha assumido que esse é um posicionamento dele, não deixa de ser indutivo. A verdade é que Jesus não usava método indutivo, mas fazia as pessoas olharem para dentro de si e não para os outros. Malafaia se resguardou ao dizer que não estava mandando ninguém fazer o mesmo que ele, mas poderia ter feito melhor, orientando a igreja a agir da seguinte maneira: “Essa é a minha experiência, mas você deve ouvir o que Deus vai falar ao seu coração depois dessa minha mensagem; não fique apenas com ela retida na mente, não. Ore e ouça a voz de Deus, pois pode ser que ele lhe diga que não quer que você oferte dinheiro na igreja, mas que você tenha outra maneira de oferecer seu serviço a ele na igreja ou mesmo fora dela em seu nome; por exemplo, fazendo obra nas ruas como pregações, ajuda em hospitais, prisões, comunidades etc. Não se sabe exatamente qual a obra que Deus quer que façamos até que recebamos diretamente dele, o próprio Deus, a direção que devemos seguir, o modo como agir, a coisa certa a ser feita.”

É bom que todo testemunho seja finalizado com o esclarecimento de que se trata de uma resposta divina a uma manifestação de fé; que seja sempre para estimular à fé. Que cada um busque a Deus e receba dele a instrução sobre o que de fato deve ser feito em seu reino e em determinada circunstância na vida pessoal (Sl 32:8). Caso contrário, todos sairão de uma igreja querendo fazer o mesmo que ouviu e nem sempre o resultado será satisfatório porque nem sempre corresponderá ao esperado. Daí para a desilusão e um consequente afastamento de Deus é um pulo:

Quanto a estes pequeninos que creem em mim, se alguém for culpado de um deles me abandonar, seria melhor para essa pessoa que ela fosse jogada no lugar mais fundo do mar, com uma pedra grande amarrada no pescoço. Ai do mundo por causa das coisas que fazem com que as pessoas me abandonem! Essas coisas têm de acontecer, mas ai do culpado! (Mt 18:6,7).

Pequeninos: não somente crianças, mas também outros seguidores de Jesus que eram “fracos na fé”, isto é, pessoas cuja fé ainda não era forte e madura (1 Co 8:9). A igreja de Jesus está repleta de pessoas nessa condição de fragilidade espiritual e imaturidade cristã de modo que qualquer decepção decorrente da falta de entendimento é motivo suficiente para deixarem a igreja, não o prédio físico, mas a igreja espiritual que corresponde à Noiva de Cristo que é sustentada pela fé e não por recursos humanos.

Sobre 2 Crônicas 20:20:

Quadro 29 – Trecho do vídeo “Uma vida de Prosperidade” à 1:12:07h

“Crede nos seus profetas e prosperareis”. Eu sou profeta de Deus para tua vida aqui essa noite. (…) vc vai pedir um dinheiro emprestado… e vai plantar na tua igreja (…) não vou dizer pra você que vai ser na semana seguinte… você vai colher.

Fonte: Trecho transcrito do vídeo “Uma vida de prosperidade”. Silas Malafaia Oficial (2018)

Resposta argumentativa:

Eu sou profeta de Deus para tua vida.

Que efeito essa declaração de autointitulação pode gerar em um ouvinte? É natural que se sinta constrangido a obedecer à voz de seu interlocutor, principalmente quando se trata de um pastor pregando a palavra de Deus no âmbito da igreja em meio a um culto. Naturalmente, a tendência do ouvinte nesse caso será buscar obedecer ao pastor em todas as suas instruções por medo de se tornar um rebelde contra a palavra ouvida porque acredita que tais instruções saem diretamente da boca de Deus para a boca do que se autointitula profeta.

No entanto, o falso profeta sempre tende a culpar seus seguidores pelos seus fracassos. Afirmam categoricamente que a culpa de não conseguir as coisas é sempre do crente que não crê o suficiente, que sua fé é fraca, pois as palavras e orientações do pastor são sempre perfeitas. Interessante a argumentação de Malafaia (aos 3 e aos 6 minutos do vídeo já mencionado): “A única maneira de você ter uma vida de prosperidade (…) não te faltar e até sobrar é você sendo liberal. ‘Ué, pastor, por que não funciona comigo? Por que eu dou oferta e isso não funciona?’ Talvez você não esteja com as atitudes corretas; talvez esse seja o motivo. Hoje você vai aprender o que é realmente a oferta. Quais são as suas atitudes? Talvez você esteja errando aqui: você até dá oferta, mas as suas atitudes não são atitudes reais e corretas conforme a bíblia fala no ato de dar e por isso você não tem resultado. Tá preparadinho, querido?!”

A retórica de sempre! A culpa é sempre do ofertante que é “acusado” de ter feito alguma coisa errada!!! Jesus acusa alguém? Quem costuma fazer acusações?

Ademais, uma pessoa sabe quando tem um chamado de Deus, e isso é verdade; uma experiência pessoal que ninguém pode conhecer, somente eu e Deus, e, por isso mesmo, ninguém pode refutar. Contudo, trata-se de algo que uma pessoa não sai jactanciosa, enchendo a boca para declarar ao mundo que é profeta de Deus, que tem um chamado divino, pois quem o tem Deus o sabe e qualquer pessoa percebe sem que seja preciso dizer nada. Então, por que ficar querendo incutir isso na mente dos outros se é algo que acontece espontaneamente pelo poder de Deus?

Quadro 30 – Trecho do vídeo “Uma vida de Prosperidade” à 1:13:10h

Eu vou emprestar pra quinze de vocês, R$20,00, pra quem quiser, pra cada um de vocês que levantaram a mão que tá desempregado, e quando essa semente frutificar, você vai me devolver. Eu vou emprestar pra vinte, quer? Então, vem. Não tô dando; tô te emprestando. Você vai plantar essa semente (palmas). Vou diminuir pela quantidade. Tome; é pra plantar. Você não é membro dessa igreja, então não dê isso aqui agora; se você é membro daqui vai plantar agora; se não é membro daqui, vai plantar lá na sua igreja. O capeta vai arrumar mil coisas pra tu gastar esses dez conto. To avisando pra vocês: o capeta vai arrumar mil coisas pra você gastar esses dez conto. Não to dando nada pra ninguém; to emprestando. E a quem eu to dando você vai contar o que Deus vai fazer no tempo de Deus, (palmas). Eu vou emprestar pra vinte, pra quinze. Você vai plantar essa semente (aplaudem-no ao dar dinheiro para a igreja). Não to dando nada; to emprestando.

Fonte: Trecho transcrito do vídeo “Uma vida de prosperidade”. Silas Malafaia Oficial (2018)

Resposta argumentativa:

Se ele incentivou as pessoas a pegarem dinheiro emprestado, seria louvável que tivesse a brilhante ideia de ele mesmo emprestar dinheiro para seus ouvintes. Estavam fazendo esse trato “com ele, pra ele, o foco é ele” – Malafaia –, um pacto, um acordo com ele de devolver a ele após a colheita; um trato com um homem e não com Deus.

Se vocês emprestam somente para aqueles que vocês acham que vão lhes pagar, o que é que estão fazendo demais? Até as pessoas de má fama emprestam aos que têm má fama, para receber de volta o que emprestaram. Façam o contrário: amem os seus inimigos e façam o bem para eles. Emprestem e não esperem receber de volta o que emprestaram e assim vocês terão uma grande recompensa e serão filhos do Deus Altíssimo (Lc 6:34,35).

Ele empresta dinheiro, para a igreja, a fim de que plante para, depois de frutificado, devolver-lhe o que ele lhe emprestou. Isso por si só contradiz o texto bíblico acima. Ademais, trata-se de um pequeno e súbito investimento estratégico para alcançar um objetivo muito maior, algo imperceptível ao ouvido nu. É preciso estar atento, coisa que muitos preferem não ter o trabalho de fazer: é mais fácil permanecer negligente por preferir acreditar que vai se dar bem em alguma coisa do que ativar e exercitar a audição espiritual que revela a verdade mesmo que não seja compatível com uma expectativa momentânea.

Ainda contrariando o texto sagrado, “Tu não tomarás emprestado. E o Senhor te porá por cabeça e não por cauda; e só estarás em cima e não debaixo, quando obedeceres aos mandamentos do Senhor, teu Deus” (Dt 28:12,13), induziu muitos do povo de Deus a se levantarem para se rebaixarem diante da congregação a fim de pegarem um dinheiro emprestado por não terem sido orientados segundo essa palavra de exortação divina, colocando-se à margem da palavra de Deus. Mesmo que haja pecado ou erro na vida de um crente, não há nenhuma necessidade de se expor diante de ninguém que não possa ajudar além de Deus. Um se propôs a emprestar, mas a exposição foi diante de muitos que nada tinham a ver com o negócio. A pregação que ele deveria ter feito, ele não fez. “Não somos como muitos que fazem da palavra de Deus um artigo de comércio, que entregam a mensagem de Deus como se estivessem fazendo um negócio qualquer. Pelo contrário, foi Deus quem nos enviou, e por isso pregamos a sua palavra na sua presença como mensageiros de Cristo com sinceridade e com a autoridade de Cristo, sabendo que Deus nos observa” (2 Co 2:17).

Como se infere do texto bíblico que a fé vem pelo ouvir, é preciso ter cuidado com o que se ouve haja vista, através da audição, ficar registrado na mente e no coração o que nem sempre tem a ver com a mensagem que é proclamada pela ordem de Cristo (Rm 10:17). Isso pode acarretar consequências nocivas à vida espiritual diante de Deus. Como seria dar ouvidos à voz de um homem em detrimento da voz de Deus? Seria deixar de receber a direção ou orientação correta que reflete a palavra revelada de Deus, ou seja, um discurso evangelístico baseado especificamente no texto bíblico sem intervenções humanas visto que a fé não vem do homem, mas de Deus. Artimanhas argumentativas não refletem a essência da palavra de Deus. Todavia, as ovelhas vigilantes e prudentes conhecem a voz do pastor e sabem discerni-la de uma voz que soa estranha. (Jo 10:14). Seus ouvidos espirituais entendem o que o Espírito lhes diz e por isso não ficam confusas.

5. RESULTADOS

Levando-se em consideração as doutrinas cristãs, faz-se necessário indagar se elas se coadunam com os ensinamentos constantes das Escrituras Sagradas com base na coerência dos argumentos propostos em relação aos textos bíblicos; deve haver uma sintonia entre o que se entende e o que de fato está escrito a fim de não causar danos à pregação da Palavra de Deus. Se um ensinamento se baseia em um texto bíblico, mesmo que a sua interpretação não inspire confiança por contradizer princípios escriturísticos, só o fato de possuir base bíblica é o suficiente para respaldar as palavras de seu emissor. É fato que a Palavra de Deus ensina grandes verdades como cura, provisão para necessidades, fé e autoridade dos crentes, mas também exige que a mente do cristão seja disciplinada no tocante à estrutura do ensino total das Escrituras, e não contextos ou versículos separados do seu todo, como aplicação de textos fora do contexto, o que pode ocasionar abusos quanto às grandes verdades da Palavra de Deus e isso acarretará sérios problemas. (GENERAL COUNCIL OF THE ASSEMBLIES OF GOD, 1980, p. 9).

Os resultados obtidos indicam que os dados observados apresentam divergências entre aquilo que é preconizado em favor da Teologia da Prosperidade e o que ela assume como biblicamente aceito quando, na verdade, há conflitos de interpretações com relação aos textos bíblicos. Há um grau de discordância entre esses dois fatores que revela as dificuldades interpretativas dos textos estudados. Isso implica a necessidade de dar continuidade à análise do presente tema já que ele não se esgota no caso específico do vídeo sob análise e dos textos aqui estudados.

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Por que a Teologia da Prosperidade não é aceita biblicamente? Teologia da Prosperidade?! De que prosperidade trata essa teologia? Trata apenas da prosperidade material que envolve lucros financeiros, riquezas, e demais conquistas afins, em detrimento da prosperidade moral – que envolve aperfeiçoamento do caráter e da personalidade, da prosperidade emocional – que envolve a sabedoria para lidar com circunstâncias que abalam as emoções, da prosperidade sentimental – que envolve a disposição mental para administrar bem os sentimentos através de reações positivas. O texto bíblico, em sua totalidade, busca orientar seus leitores nesse sentido de aprimoramento do ser acima de valores materiais, porque não são as riquezas materiais que dignificam a pessoa, mas o que ela é e como reage face às intempéries da vida, coisa que dinheiro algum no mundo pode proporcionar a ninguém. Como diz Rossi (2015) que esse tipo de teologia produz um tipo de sociedade em que os únicos valores são a conveniência e o lucro, onde as pessoas conhecem o preço de tudo, mas não conhecem o valor de nada, onde as coisas são amadas e as pessoas manipuladas. A Bíblia inspira as pessoas a aplicarem a lei do ser acima do ter, mas a Teologia da Prosperidade contraria esse princípio.

A Teologia da prosperidade não é aceita biblicamente porque conforme descrito em Respostas Bíblicas (2022) a Teologia da Prosperidade é uma heresia que promete muitas riquezas e sucessos materiais a quem tem fé em Deus; porém, na contramão dessa afirmação, de acordo com a Bíblia há coisas muito mais importantes que bens materiais. Essa teologia ensina que o fato de ser crente implica uma troca comercial de modo que se alguém investe em Deus, Deus lhe devolve mais. Além de essas palavras não estarem em harmonia com o texto sagrado, elas não se aplicam na realidade prática da vida de um cristão, o que é sabido por qualquer pessoa. Dentre os vários equívocos encontrados por Vinicius (2021) na Teologia da Prosperidade, considerar que a prosperidade é uma prioridade do evangelho contradiz a verdade bíblica de que a mensagem principal do evangelho é apresentar o plano de salvação de Deus à humanidade que se encontra corrompida pelo pecado. O próprio texto bíblico corrobora essa verdade quando ressalta que se o homem perder a sua alma de nada terá valido ganhar o mundo inteiro (Mc 8:36). Assim, Vinicius (ibidem) diz que se for necessário alguém passar por dificuldades terrenas a fim de ganhar a vida eterna, Deus não impedirá que elas aconteçam. Logo, conclui-se que a Teologia da Prosperidade é uma teologia antibíblica.

É fácil falar da prosperidade de Abraão como Malafaia fala no vídeo em estudo aos 38:20m, e desejar desfrutar das bênçãos materiais e riquezas abraâmicas, mas muito dificilmente alguém quer vivenciar a experiência de Abraão quando recebeu de Deus a ordem para matar seu próprio filho (Gn 22:2). Quantos não conseguem entregar nem mesmo uma pequena comodidade, um bem transitório, quanto mais um ser tão preciso como um filho!

É fácil falar da prosperidade de Jó, mas muito dificilmente alguém quer vivenciar a experiência de Jó em resistir e perseverar na fé em Deus apesar de todo o sofrimento e de toda angústia e de toda a dor e de toda a perda que ele vivenciou.

Muitos pregadores desejam ter o respeito e a admiração dos profetas de Deus, dos apóstolos de Jesus, dos verdadeiros homens de Deus pelas revelações e autoridade que dele recebiam, assim como de tantos outros além dos personagens bíblicos, mas ninguém quer pagar o preço que eles pagaram para serem o que foram (e o que são).

É muito fácil desejar a felicidade que ora se vê na vida de alguém, mas passar o que ele passou para chegar até ali ninguém deseja.

A teologia da prosperidade se ocupa de falar sobre a prosperidade e sobre as alegrias provenientes dela, mas não dos sofrimentos que a antecedem. Ser cristão presume naturalmente a aceitação de conquistas, mas também de experiências dolorosas, pois nem só de pão viverá o homem como disse Jesus Cristo em quem todo cristão deve se espelhar como primeiro exemplo além de ser orientado a dar graças por tudo, i.e., por quaisquer circunstâncias de vida (Mt 4:4; 1 Ts 5:18).

As recompensas do plantio podem ocorrer com relação a esta vida presente, à vida eterna ou a ambas. O que o apóstolo Paulo quer enfatizar no tocante à lei da semeadura é que os crentes de Cristo doem com liberalidade, o que significa não estar atrelado a qualquer tipo de ação egoísta como dar a fim de receber muito mais de volta, o que seria um ato de cobiça, algo que diverge dos mandamentos divinos. Portanto, ele não pretende manipular os crentes a darem muito para receberem muito mais, mas pretende estabelecer a verdade de que se colhe o que se planta e na mesma proporção no tocante ao retorno do que se pratica. Isso não está especificamente ligado a questões de doação em dinheiro para a igreja, mas principalmente ao que se faz em prol da colheita no reino de Deus concernente ao que se dá ou oferece como as virtudes descritas em todo o texto sagrado para o alcance de almas, e isso não envolve apenas dinheiro, mas cuidado espiritual, emocional, através da doação voluntária da palavra de Deus ao coração necessitado.

O verdadeiro crente precisa se doar sem relutância, com boa vontade, sendo o seu ofertar um ato volitivo (2 Co 9:7), e não por pressão, constrangimento ou compulsoriamente sob a mentalidade carnal de que tem de dar para receber. O próprio Deus não se agrada de tal atitude. Quantos neste momento de ofertório na igreja não têm para dar e se sentem constrangidos por vergonha, sentimento de inferioridade? Quantos têm para dar e o fazem exclusivamente pelo interesse de ganhar ainda mais? Quantos o fazem por medo das citações bíblicas de Malaquias 3:11, Joel 1:4 etc. das quais se aproveitam muitos pregadores em defesa do dízimo que atemorizam os fiéis com a ameaça de que estarão roubando a Deus, desprezando seus mandamentos, se não o fizerem? Não ensinam devidamente sobre a diferença de aplicação do dízimo no Antigo Testamento e no Novo Testamento, um assunto tão vasto e tão rico para se discorrer sobre virtudes e desvirtudes decorrentes do modo como se desenvolve a sua prática.

Quando se contribui com dinheiro na igreja sob essa má orientação, configura-se uma forma involuntária de doação, de entrega, quando seu coração gostaria de fazê-lo de outra maneira como doar diretamente aos pobres da comunidade, a um parente necessitado, mas acaba dando ali o que queria dar a outrem, o que surtiria o mesmo efeito diante de Deus; fazendo isso, com certeza estaria fazendo a Deus e agradando seu coração mais do que doando forçosamente à igreja para agradar os pastores por um sentimento de culpa ou por medo da condenação – constrangimento elucidado em 2 Coríntios 9:7. A verdade em tudo isso é que nenhum cristão crente em Cristo deve sucumbir às palavras forjadas de pastores que distorcem os ensinamentos bíblicos sobre a questão de dízimos e ofertas para fins de proveito próprio porque visam a igreja como fonte de lucros. É a voz de Deus à qual se deve dar ouvidos e não à voz de homens religiosos que se pautam em tradições, religiosidades e legalismos. Essas coisas não condizem com a graça salvadora e libertadora de Jesus que não deixa o crente escravizado por medo de condenação como insinuada por pastores que se assemelham em alguns aspectos àquele que Deus chamou de Terror-por-todos-os-lados (Jr 20:1).

O que se vem plantando com a intenção de colher o quê? Deus conhece as intenções de cada coração (Pv 21:2; Rm 8:27) e não se deixa escarnecer: quem semeia pela carne ceifa o que provém da carne (Gl 6:7-9). Como se desenvolve a semeadura de pastores evangélicos, através de discursos, correspondente a que doutrinas? Muitos discursos são baseados em doutrinas antibíblicas como a teologia da prosperidade que não se ocupa da fidelidade ao texto bíblico no tocante ao seu verdadeiro significado segundo seus contextos, considerando as diferenças de aplicação concernentes aos tempos da lei e da graça; pretendem continuar praticando a lei religiosa do dízimo em detrimento do evangelho da graça – prática da obediência à lei como consequência e não como causa – com a vil finalidade de enriquecimento material em detrimento do espiritual.

Contudo, quem poderia ensinar corretamente sobre essas dispensações não o faz por ter em vista o benefício próprio: o novo tira proveito do antigo naquilo que convém, desconsiderando o princípio da licitude em que nem tudo convém (1 Co 6:12) como o dízimo que é bíblico, no que tange ao tempo da lei, mas que não convém no tempo da graça visto que Cristo já cumpriu a lei em todos os sentidos, ou seja, em seus aspectos cerimonial, civil e moral. Continuar pregando a obrigatoriedade do dízimo é o mesmo que crucificar Cristo em todos os cultos que executam seu levantamento. Não ensinar devidamente sobre o dízimo é o mesmo que incorrer no pecado de omissão pelo que se deixa de fazer o que a palavra de Deus instrui a fazer; cumprem preceitos cerimoniais da lei, negligenciando a fidelidade às regras do amor, da justiça e da misericórdia de Deus que são eternas, justas e indispensáveis (Mt 23:23; 2 Co 9:7). Lamentavelmente, muitos demonstram ser obedientes a Cristo, mas, na verdade, não aceitam suas palavras de bênçãos e, por isso, não são curados e permanecem no erro e no pecado, arriscando a própria salvação e ameaçando a salvação do próximo que é incapaz de discernir seus ensinamentos.

O cristão capacitado pela graça de Deus persevera em ser piedoso através de um discurso bom e útil cuja virtude pode fortalecer e curar o crente de diversos males, sempre dispostos a fazer o que convém segundo o texto sagrado em sua plenitude com base na sabedoria, no poder e na autoridade de Deus mediante os suprimentos incessantes da sua graça. Assim, como verdadeiros cristãos espirituais cujas atitudes correspondem fielmente às ordenanças divinas, pregam a palavra de Deus aos necessitados, fracos, amargurados, como um ato medicinal que dinheiro algum pode comprar. Seus diversos dons e ministérios dados por Deus proporcionam esperança de abundantes provisões aos crentes do evangelho vivificante de Jesus.

Deus tem queixas contra o seu povo que tolera em seu meio doutrinas que divergem da sua verdade, levando o seu povo a tropeçar em vários tipos de pecados: adoração a deuses estranhos como imagens, apego a objetos místicos como amuletos de proteção, ganância por dinheiro no seio da própria igreja como cobrança de dízimos e ofertas para suprir o próprio bolso do líder, imoralidade sexual como a fornicação e adultério e ações afins (Ap 2:14). Através de determinadas ações provocaram a ira do Senhor e, por isso, uma praga foi derramada entre eles (Sl 106:29). Tropeçam os que não creem na mensagem de acordo com a vontade de Deus para eles, que a desobedecem, que não atendem à palavra de Deus, pois para isso foram destinados (1 Pe 2:7,8). Deus é Deus e dele emana todo poder pelo que sua justiça recai sobre todo aquele que pratica o bem ou o mal. E é preciso entender que essa justiça é estabelecida segundo as ações de cada um que é responsável pelos seus próprios atos (Ez 18).

Os servos de Deus que trabalham na igreja deveriam guardar o conhecimento de Deus para o povo aprender as suas leis, orientando-os como idôneos mensageiros do Senhor que anunciam a sua verdade. No entanto, deixam os caminhos do Senhor, levando muitos do seu povo a enveredar por maus caminhos, a cair no pecado. Quebram a aliança de Deus ao lhe desobedecerem por pregarem sua palavra inadvertidamente, de modo que todos quebram a verdade divina conforme registrada nas Escrituras Sagradas. Assim, não aceitam repreensão e, consequentemente, não têm capacidade para repreender qualquer um que se desvirtue da palavra de Deus. (Ml 2:4-9).

É por causa das más ações do homem que Deus envia seu anjo destruidor, e não porque deixou de ofertar dinheiro na igreja, mas aquelas más ações podem se referir pontualmente ao ofertar com interesse de lucro em retorno, de receber mais de volta, e não como gratidão a Deus pelo que já recebeu dele ou pelo sentimento desinteressado de ajudar o próximo e assim ser agradável aos olhos de Deus. Todas essas coisas sucedem às pessoas como lições objetivas para as advertir contra a sua prática, para que sirvam de aviso ao povo de Deus, considerando os tempos finais de acordo com o texto bíblico. (1 Cor 10:8-13).

REFERÊNCIAS

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SAMPIERI, Roberto Hernández, COLLADO, Carlos Fernández. LUCIO, María del Pilar Baptista. Metodologia de pesquisa. Tradução: Daisy Vaz de Moraes. 5ª ed. Porto Alegre: Penso, 2013

SILAS MALAFAIA OFICIAL. Pastor Silas Malafaia – uma vida de prosperidade. 24/09/2018. Vídeo disponível no canal YouTube em: <https://www.youtube.com/watch?v=GmHgRmoaMTg>

VINICIUS, Samuel. Teologia da Prosperidade: é bíblica ou heresia? Descubra tudo o que você precisa saber! 2021. Disponível em: <https://vamosprosperar.com/teologia-da-prosperidade/>. Acesso em: 07 mai.2022.

WALLIN, Claudia. BBC News – Brasil. Suécia, o país onde deputados não têm assessores, dormem em quitinete e pagam pelo cafezinho. 16/02/2019. Disponível em: <https://www.bbc.com/portuguese/internacional-47198240>

YOUVERSION. Versões da Bíblia. Disponível em: <https://www.bible.com/pt/versions>

YOUVERSION. Versões da Bíblia. 1 Coríntios 8. Disponível em: <https://www.bible.com/pt/bible/211/1CO.8.NTLH>. Acesso em: 11 mai.2022.

YOUVERSION. Versões da Bíblia. 1 Timóteo 6. Disponível em: <https://www.bible.com/pt/bible/211/1TI.6.NTLH>. Acesso em: 11 mai.2022.

APÊNDICE A – LIVROS DA BÍBLIA E ABREVIATURAS

Tabela 1 – Livros do Antigo Testamento e do Novo Testamento

LIVROS DA BÍBLIA E ABREVIATURAS

ANTIGO TESTAMENTO

NOVO TESTAMENTO

Livro /Abreviatura /Capítulos

Livro /Abreviatura /Capítulos

Gênesis Gn. 50 Isaías Is. 66 Mateus Mt. 28 1 João 1 Jo. 05
Êxodo Êx. 40 Jeremias Jr. 52 Marcos Mc. 16 2 João 2 Jo. 01
Levítico Lv 27 Lamentações Lm. 05 Lucas Lc. 24 3 João 3 Jo. 01
Números Nm. 36 Ezequiel Ez. 48 João Jo. 21 Judas Jd. 01
Deuteronômio Dt. 34 Daniel Dn. 12 Atos At. 28 Apocalipse Ap. 22
Josué Js. 24 Oseias Os. 14 Romanos Rm. 16
Juízes Jz. 21 Joel Jl. 03 1 Coríntios 1 Co. 16
Rute Rt. 04 Amós Am. 09 2 Coríntios 2 Co. 13
1 Samuel 1 Sm. 31 Obadias Ob. 01 Gálatas Gl. 06
2 Samuel 2 Sm. 24 Jonas Jn. 04 Efésios Ef. 06
1 Reis 1 Re. 22 Miqueias Mq. 07 Filipenses Fp. 04
2 Reis 2 Re. 25 Naum Na. 03 Colossenses Cl. 04
1 Crônicas 1 Cr. 29 Habacuque Hc. 03 1 Tessalo-nicenses 1 Ts. 05
2 Crônicas 2Cr. 36 Sofonias Sf. 03 2 Tessalo-nicenses 2 Ts. 03
Esdras Ed. 10 Ageu Ag. 02 1 Timóteo 1 Tm. 06
Neemias Ne. 13 Zacarias Zc. 14 2 Timóteo 2 Tm. 04
Ester Et. 10 Malaquias Ml. Tito Tt. 03
42 Filemom Fm. 01
Salmos Sl. 150 Hebreus Hb. 13
Provérbios Pv. 31 Tiago Tg. 05
Eclesiastes Ec. 12 1 Pedro 1 Pe. 05
Cantares Ct. 08 2 Pedro 2 Pe. 03

Fonte: Mônica Conte Campello (2020) 

APÊNDICE B- REFERÊNCIA NOTA DE RODAPÉ

2. MARTINS, Dan. Pastor Silas Malafaia desafia blogueiros e sites cristãos a provarem através da Bíblia que a teologia da prosperidade está errada. 2012.

3. Associação Vitória em Cristo. Uma vida de prosperidade. 2012.

4. Silas malafaia Oficial. Pastor Silas Malafaia – uma vida de prosperidade. 2018.

5. Sabedoria de Mulher. Não é para aparecer. 2022.

6. Llorente, Analía. Quantas vezes o cérebro precisa ser exposto a uma palavra para aprendê-la? 2017.

7. op. cit. Llorente, Analía.

8. Campello, Mônica. S.E.I.T.A.S. Rio de Janeiro: Mônica Conte Campello, 2013. p. 36.

9. Wallin, Claudia. Suécia, o país onde deputados não têm assessores, dormem em quitinete e pagam pelo cafezinho. 2019.

10. BBC Brasil: G1 – Mundo. A única república do mundo a ter dois chefes de Estado – e a trocá-los a cada 6 meses. 2016.

11. Diário Oficial da União. Decreto Legislativo Nº 276, de 2014. 2014.

i. Em grego, lépton  –  a moeda de menor valor entre os judeus no tempo de Jesus.

ii. Exegetado: qualquer termo em cujo contexto bíblico seja injetado de uma exegese forçada ou intencional.  Neologismo criado por Mônica Campello.

[1] Doutoranda em Educação Superior, Mestre em Ciências das Religiões, Especialização em Docência Superior, Especialização em tradução de Inglês, Bacharel e Licenciada em Letras, Bacharel em Teologia, Técnica em Enfermagem. ORCID: 0000-0002-5990-531X.

Enviado: Abril, 2022.

Aprovado: Junho, 2022.

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Mônica Conte Campello

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