Depressão e Ideação Suicida em Enfermeiros Intensivistas

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ARTIGO DE REVISÃO

SOUZA, Arêtha de [1], CALÇADO, Jacqueline Almeida [2], EUZÉBIO, Hugo Rodrigues [3], NUNES, Ronaldo Lima [4]

SOUZA, Arêtha de. Et al. Depressão e Ideação Suicida em Enfermeiros Intensivistas. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 06, Ed. 01, Vol. 04, pp. 126-140. Janeiro de 2021. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/saude/enfermeiros-intensivistas

RESUMO

Introdução. A defluência dos transtornos depressivos é uma conjuntura onde se observa maior vulnerabilidade emocional nos indivíduos, e se for como referência a ideação suicida, salienta-se que essa está relacionada diretamente com a síndrome de Burnout. Esse comportamento ocorre, muitas vezes, como reflexo de conflitos internos, sentimento de culpa e ansiedade, estresses ocupacionais pertinentes à assistência de enfermagem. Objetivo. Analisar os aspectos associados a depressão e a ideação de suicídio nos enfermeiros que atuam nas unidades de terapia intensiva. Materiais e métodos. Para o desenvolvimento deste artigo científico foi usado como método de pesquisa a revisão integrativa (RI) de literatura, tendo como relevância a temática sobre a Depressão e Ideação Suicida em Enfermeiros que Atuam na Unidade de Terapia Intensiva Adulto. Conclusão. Nessa situação, comprova-se a necessidade de uma assistência humanística com revisão holística, baseada nos princípios básicos da humanização, pautada no respeito, profissionalismo e acolhimento por parte do empregador das referidas queixas dos intensivistas relacionadas a saúde mental. Vale salientar, que trabalhando na promoção e na prevenção da saúde mental dos seus laborados, e no desenvolvimento de protocolos de riscos de saúde profissional e mental, será um forte indicador para rastreio de transtornos mentais, depressão e ideação suicida.

Palavras-chaves: Enfermeiro intensivista, depressão, síndrome de Burnout, ideação suicida.
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INTRODUÇÃO

A defluência dos transtornos depressivos é uma conjuntura onde se observa maior vulnerabilidade emocional nos indivíduos e se for como referência a ideação suicida salienta-se, que essa, está relacionada diretamente com a síndrome de Burnout e esse comportamento ocorre, em muitas vezes, como reflexo de conflitos internos, sentimento de culpa e ansiedade, estresses ocupacionais pertinentes à assistência de enfermagem. Essa progressão de instabilidade emocional é observada no contexto dos enfermeiros intensivistas evidencia-se cada vez mais na contemporaneidade e caracteriza-se, atualmente, como problemas de saúde pública (BARROS, 2020).

Inúmeros fatores já foram identificados como predisponentes e precipitantes dos comportamentos suicidas, entre os quais, constituição genética, idade, sexo, situação conjugal, fatores culturais, particularmente doenças mentais e físicas, crônicas, incuráveis, e causadoras de grande sofrimento, fatores psicológicos (perdas afetivas ou materiais, reais ou simbólicas), fatores sociais e ambientais (por exemplo, isolamento social e, condições de vida extremamente adversas, os sintomas depressivos são uma das causas mais frequentes da ideação suicida. Uma constante sensação de desespero não relacionada a sintomas depressivos e falta de propósito de continuar vivendo são fatores independentes que aumentam que favorecem a ideação suicida (PESSOA, 2020).

Além disso, carga de trabalho dos enfermeiros que atuam na unidade de terapia intensiva está associada a importantes fatores laborais, os quais podem sofrer agravos significativos em razão de condições de esgotamento e auto grau de perfeccionismo na assistência de enfermagem e na organização do processo de trabalho, que vão desde a baixa valorização e a quantidade de horas trabalhadas, descompasso entre tarefas prescritas e realizadas, até a escassez severa de recursos e problemas de infraestrutura.

Nessa perspectiva, observando estudos que associam a Síndrome de Burnout, que intitula aquilo que deixou de operar por astenia de energia, esgotamento físico, psíquico e emocional, em decorrência da má adaptação do indivíduo a um trabalho altamente estressante e com grande carga tensional, condiz com a atual realidade dos enfermeiros que prestam assistência de enfermagem na unidade de terapia intensiva e tem impacto relevante  na saúde mental desses profissionais. Segundo Souza; Marçal e Gonçalves (2020), os riscos de ideação suicida entre profissionais de enfermagem acontecem duas vezes mais em relação a outros profissionais uma interação mútua entre o surgimento de transtornos mentais e condições biológicas, psicológicas e sociais na vida desses indivíduos.

De acordo com Rodrigues (2020), a ideação suicida resulta em um importante fardo econômico e social para comunidade devido a utilização de serviços de saúde para tratar os impactos físico, social e psicológico desse comportamento e, ocasionalmente, a incapacidade em longo prazo.

São relevantes e desfavoráveis os impactos psicossociais que decorrem de intentos de suicídio. Na jornada de trabalho, indica que além do próprio enfermeiro, sabe-se que, para cada suicídio, pessoas próximas ao falecido que sofrem consequências emocionais, sociais e desse modo, é necessário o fortalecimento de ações de prevenção a esse público, visto que são considerados como os mais fragilizados ao comportamento suicida. Visto a necessidade de medidas de minimização e /ou prevenção do suicídio nesses profissionais (SANTOS, 2020).

Diante à questão enunciada, propõe se a realização deste estudo que tem como objetivo identificar na literatura fatores relacionados a depressão e a ideação suicida em enfermeiros que atuam na unidade de terapia intensiva adulto.

METODOLOGIA

Para o desenvolvimento deste artigo científico foi usado como método de pesquisa por meio de uma revisão integrativa (RI) de literatura, tendo como relevância a temática sobre a Depressão e Ideação Suicida em Enfermeiros que Atuam na Unidade de Terapia Intensiva Adulto. Segundo Silva (2019), a pesquisa por meio de uma Revisão Integrativa da Literatura foi concentrada em uma ampla e rigorosa síntese de estudos que serviram de busca para resposta da problemática.

A análise baseou-se nas seguintes etapas: a identificação do tema a ser estudado, a seleção das questões para revisão, a elaboração dos critérios de inclusão e exclusão de estudos e a busca sob a literatura, de modo a definir as informações a serem extraídas dos estudos selecionados. Nos critérios de inclusão foram incluídas publicações de 2019 a 2020 feitos da seguiu a seguinte ordem: artigos disponíveis nas bases de dados da Base de Dados de Enfermagem (BDENF) e em periódicos nacionais e internacionais relevante ao tema (MATOS; FRANÇA e TREVISAN, 2020).

Critérios de exclusão foram excluídos artigos científicos em base de dados internacionais e nacionais publicados antes de 2019, além daqueles que fugiam ao tema proposto. Foram selecionadas como as palavras-chave: Depressão e ideação suicida, saúde mental, unidade de terapia intensiva, assistência em enfermagem e a Síndrome de Burnout. Para o desenvolvimento dessa pesquisa foi feito uma varredura minuciosa de artigos na base de dados SCIELO ( Biblioteca Cientifica Eletrônica) e LILACS (Latino-Americana de informação bibliográfica em ciências da saúde), nos quais foram encontradas 71 publicações cientificas (inglês e português) para a construção da mesma, sendo utilizados apenas 41 publicações, os quais tinham mais ênfase no tema escolhido.

Após a utilização dos critérios de inclusão e exclusão foram pré-selecionadas 41 publicações totalizadas. Contudo, a conclusão deste trabalho final do curso seguiu os critérios de normatização de um trabalho científico da Faculdade JK. Os procedimentos de organização do material seguiram as etapas e procedimento do Trabalho de Conclusão do Curso, por meio da identificação preliminar bibliográfica, fichamento de resumo, análise e interpretação do material, bibliografia, revisão e relatório final.

DESENVOLVIMENTO

Um incentivo à análise sobre os indícios, a efetividade das intervenções e perspectivas que cercam os enfermeiros intensivistas em relação aos cenários da atualidade. Urge a necessidade da atenção voltada a saúde mental, particularmente sobre a ideação suicida, considerada atualmente como o fator mais expressivo de risco decorrente da depressão no universo laboral (FERNANDES, 2020).

O cotidiano dos enfermeiros intensivistas é marcado pela fragmentação das ações, multiplicidade e complexidade de demandas solicitadas e exigidas, associadas às más condições dos serviços de saúde, disputas por espaço interno e extra profissionais, conflitos entre os membros da mesma equipe, à baixa remuneração, o contato constante com pessoas que apresentam risco iminente de morte e a negligência dos preceitos éticos que favorecem o desarranjo emocional e físico expostos nestes espaços ansiogênicos (SOUSA e MELO TAVARES, 2020).

Estes elementos colocam em questão duas vertentes da assistência de enfermagem: o direcionado ao paciente e o atribuído aos enfermeiros intensivistas que cuidam. A relação entre a satisfação profissional e o estado depressivo favorece seriamente a manifestação da ideação do suicídio e da desesperança que, consequentemente, acaba agravando a possibilidade da execução do suicídio, uma vez que, escapando da esfera imaginária, torna-se um elemento real no sujeito, apresentando-se, desta forma, como um grave problema de saúde pública com grande impacto mundial que compreende-se por um fenômeno complexo ao abranger diversos aspectos filosóficos, culturais, sociais, econômicos, biológicos e psicológicos (JÚNIOR, 2020).

Os enfermeiros intensivistas lidam com o sofrimento, a dor e a angústia, portanto, encontram-se mais vulneráveis à depressão, ideação suicida e ao suicídio, uma vez que o âmbito da unidade de terapia intensiva é avaliada como um espaço desencadeador de desgaste físico e emocional, de estresse, de fadiga e de insatisfação, ainda que envolva a atuação de toda a equipe multiprofissional, submetida as exigências sobre o processo de trabalho árduo. Assim, verificou-se uma escassa produção de estudos sobre a questão dentro da literatura, contudo, a rotina intensivista evidencia a necessidade de intervenções (MIRANDA; MENDES, 2018).

A responsabilidade de fornecer  a abordagem assistencial, gerencial, educacional e efetiva não cabe apenas aos enfermeiros intensivistas suicida, mas sim, também aos profissionais da enfermagem. Estes profissionais possuem as condições necessárias para avaliar o risco e para intervir apropriadamente, a fim de mitigar a ameaça ao suicídio e fornecer os cuidados necessários ao paciente (PARREIRA e SOLER, 2020).

Não é possível exercer a Enfermagem sem o discernimento do que é bom ou ruim, sem aspiração de servir, de ser útil ou sem o amor e caridade pelo indivíduo assistido. O enfermeiro, algumas vezes, é compelido a transverter o binômio profissional-paciente em um trinômio profissional-instituição-paciente e ,com isso, é pressionado por interesses antagônicos, porquanto, de um lado, está a organização, que exige produtividade, em termos quantitativos, ou seja, o máximo de atendimentos com o mínimo de despesas; de outro, o paciente, que requer atenção e qualidade e humanidade. As características da assistência de enfermagem em organizações de saúde possibilitam reconhecer fontes estressoras importantes, detectados nos enfermeiros que acompanham os estímulos emocionais relacionados ao adoecer. Muitas situações da prática da assistência de enfermagem se configuram como verdadeiros dilemas éticos e são altamente estressantes (CARBOGIM, 2019)

RESULTADOS

CARACTERIZAÇÃO DAS PUBLICAÇÕES

Foram selecionados 5 periódicos e destes, dois periódicos foram publicados pela base de dados Biblioteca Cientifica Eletrônica (SCIELO), três periódico da base de dados LILACS (Latino-Americana de informação bibliográfica em ciências da saúde. O recorte temporal das publicações encontramos três artigos publicados em 2019, dois artigos publicados em 2020.

Figura 1 – Esquema de seleção dos artigos para a Revisão Integrativa. Brasília-DF, 2020.

Fonte: Autoria própria.

O Quadro 1 mostra sumariamente os estudos que compõem essa revisão integrativa no que se referiu o ano por ordem crescente, título, fatores, delineamento do tipo do estudo.

Nessa perspectiva, encontrou-se: Revisão integrativa, um; estudos quantitativos, um; estudo descritivo, com abordagem quantitativa, uma; revisão analítica, um; estudo analítico, um; estudo qualitativo descritivo.

Quadro 1: Artigos Selecionados

2020 Depressão e risco de suicídio entre profissionais de Enfermagem: revisão literária integrativa Conflitos profissionais responsabilidades pessoais e familiares; relação com sofrimento; morte; falta de autonomia, depressão Revisão integrativa da literatura científica
2019 Sintomas Depressivos e Ideação s Suicida em Enfermeiros e Médicos da Assistência Hospitalar Carga laboral excessiva Estresse falta de estabilidade no emprego Trata-se de estudo descritivo, com abordagem quantitativa, cuja amostra foi composta por 100 profissionais da área de saúde
2019 Validação por Especialistas do Diagnóstico de Enfermagem Risco de suicídio em idosos Risco de Suicídio em Pessoas idosas, Assistência de Enfermagem, Olhar Holístico do Enfermeiro. a pesquisa do tipo metodológica analítica.
2020 Prevenção de Suicídio Contexto Comunitário e em Contexto hospitalar Posicionados para intervir junto de adolescentes e adultos, com comportamentos da esfera suicidária Estudo retrospectivo com amostra 66 pessoas.
2019 Vulnerabilidades da População em Situação de Rua ao Comportamento Suicida Compreender as vulnerabilidades de adultos em situação de rua ao comportamento suicida Estudo qualitativo, descritivo, com pessoas em situação de rua de uma cidade do interior do Estado de Minas Gerais (Brasil)

Fonte: Autoria própria.

DISCUSSÃO

CATEGORIA 1: FATORES QUE DESENCADEIAM A IDEAÇÃO SUICIDA EM ENFERMEIROS INTENSIVISTAS

A exposição frequente dos enfermeiros intensivistas a fomentos exteriorizados do universo físico e mental relacionado à diversidade laboral e a inexistência de condições ideais para realização do cuidado, na lida com pessoas que apresentam doenças graves e risco de morte, leva-os com maior facilidade a desenvolverem transtorno depressivo. Ambientes laborais morbíficos, com circunstâncias nocivas, adicionado à existência dissidência internalizadas e, ainda, as exigências da instituição e dos familiares dos pacientes, maximizam os riscos de desenvolvimento de depressão e suicídio nestes profissionais (LIMA, 2020)

Outros aspectos de ordem relacionais representam influenciadores para comportamentos de ideação suicida, principalmente aqueles correlacionados a desajustes na vida familiar dos enfermeiros intensivistas. Também já se constatou que as perdas familiares, a ausência de suporte familiar e/ou conjugal, elevam essas chances (ALBUQUERQUE, 2019).

Salienta-se que o modo de trabalho dos enfermeiros intensivistas produz agravo ao contato familiar, e a privação deste contato pode levar à ideação suicida e isolamento social e comportamentos depressivos. Verifica-se que o diálogo destes profissionais no seio familiar são comprometidos, dado o cansaço e o excesso de trabalho, assim como os conflitos entre ter que corresponder às exigências da assistência de enfermagem, conciliando-as com as responsabilidades familiares propicia o desgaste relacional. Ademais, as seroadas noturnas e nos finais de semana muitas vezes ocupam o lugar dos momentos usados para aproveitar o âmbito familiar. Segundo Barbosa Lima (2019) os profissionais da enfermagem apresentam maior risco de ideação suicida que os profissionais médicos e que a pessoa com transtorno emocional afeta o convívio social e familiar. Embora ainda não se tenha pesquisa que associe conflitos familiares em enfermagem e risco para ideação suicida confirmou-se que os conflitos familiares e conjugais são a terceira causa aparente nas autopsias psicológicas de enfermeiros que se suicidaram como sugere o gráfico a seguir que aborda os principais indicadores de suicídio segundo ministério da saúde.

Gráfico 1 – Indicadores de Ideação Suicida

Fonte: Ministério da Saúde (DATASUS), 2020

CATEGORIA 2: ASPECTOS QUE INTERFERIRAM NO EQUILÍBRIO EMOCIONAL DOS ENFERMEIROS INTENSIVISTAS E A AFETAM A SAÚDE MENTAL

Um fator preditivo para o desiquilíbrio emocional é o estresse ocupacional e problemas emocionais ligados a família, saúde e situação financeira que geram a depressão. O maior nível de estresse está relacionado com a menor habilidade e segurança em exercer a assistência de enfermagem. Um estudo constatou que as atividades de alta complexidade e exigência sobrepostas ao enfermeiro também produz altos níveis de estresse e por conseguinte estão associadas com o nível alto de depressão como, por exemplo, enfermeiros que exercem a enfermagem psiquiátrica, trabalhando em unidades de terapia intensiva e em centros cirúrgicos. Dado as condições de trabalho, observou-se que o estresse se transformou em algo familiar e natural, acarretando implicações quanto a saúde dos trabalhadores da enfermagem. Assim, tornou-se evidente a necessidade do uso de estratégias internas e externas que sejam capazes de minimizarem o estresse, por meio de estratégias de coping visando o domínio, a tolerância e a redução dos efeitos dos estímulos desfavoráveis (ZARPELON, 2020).

A exorbitância é vista como um fator que contribuiu para a gradação do estresse emocional e físico, que pode desencadear vários acometimentos, também leva ao desequilíbrio mental, sendo considerada um fator estimulante da depressão. Segundo Souza e Tavares (2019), a sobrecarga originou um desgaste físico e psíquico nos profissionais da enfermagem que atuavam no UTI, relatando que a mesma encontra-se, especialmente, entre os potenciais fatores que desencadeiam pesadelos, depressão, ansiedade severa e pânico, causando a Síndrome de Burnout e ideação suicida. Levando em consideração, Pinheiro (2020) afirma que a sobrecarga e os baixos salários originam uma carga horária excessiva e um desgaste físico e emocional entre os enfermeiros.

Pelicer (2019) afirma que a sobrecarga do trabalho ocorre devido à falta de profissionais atuantes, principalmente em feriados; o não cumprimento de todas as tarefas atribuídas a um membro, sobrepondo uma carga excessiva ao plantão seguinte; conflitos relacionados a escala que, na maioria das vezes, resultam na insatisfação e intenção no abandono do emprego; e, ainda, um grande número de pacientes internados. Vale salientar que o ambiente de trabalho e os conflitos familiares e interpessoais presentes nesta atmosfera, assim como o estado civil, a ausência de autonomia profissional, a insegurança no desenvolvimento das atividades, a idade dos envolvidos, o maior nível educacional, o plantão noturno, a renda familiar e, ainda, a sobrecarga de trabalho apresentam-se como fatores significativos que influenciam as mudanças na saúde mental e a geração de transtorno depressivo.

A contiguidade rotineira dos enfermeiros intensivista a condições que favorecem ao abalo psíquico e a inexistência de condições ideais para realização da intervenção de enfermagem ao assistir com indivíduos com patologias graves e risco de morte, leva-os a maior predisposição a progredirem para depressão. Ambientes laborais nocivos, com condições suscetíveis, agregados à existência de divergências internas e as imposições das empresas e familiares dos clientes aumentam nestes profissionais os riscos de ideação suicida.

CATEGORIA 3: SÍNDROME BURNOUT E A RELAÇÃO COM IDEAÇÃO SUICIDA EM ENFERMEIROS INTENSIVISTAS

A síndrome de Burnout é evidenciada quando o indivíduo tem esgotamento físico e um transtorno emocional com sintomas de exaustão extrema e estresse e que se resultante de situações de trabalho desgastante, que demandam excesso responsabilidade. Para o diagnóstico são usados quatro conceitos teóricas baseados na possível etiologia da síndrome: clínica, sociopsicológica, organizacional, sócio histórica (MAROCO e ASSUNÇÃO, 2020).

A mais salientada em estudos cotidianos é a concepção sociopsicológica, nela, as particularidades individuais associadas às universo laboral propiciariam o aparecimento dos fatores multidimensionais da síndrome: exaustão emocional, distanciamento afetivo, baixa realização profissional e a ideação suicida.

A exaustão emocional engloba sentimentos de desesperança, solidão, depressão, raiva, impaciência, irritabilidade, tensão, diminuição de empatia; sensação de baixa estima, fraqueza, preocupação; aumento da suscetibilidade para doenças, cefaleias, náuseas, tensão muscular, dor lombar ou cervical, distúrbios do sono (DINIS, 2020).

O distanciamento afetivo provoca a sensação de desinteresse em relação aos outros, tentativa de autoextermínio e os aspectos relacionados ao ambiente laboral. Quatro elementos foram relacionados: propensão ao suicídio, qualidade laboral, universo laboral prejudicial e Burnout. A correlação entre essas condições sugeriu que o ambiente de trabalho, quando nocivo, estava associado a Burnout/depressão, que, por sua vez, estavam relacionados a maior probabilidade de ideação suicida.

O enfermeiro intensivista que expõe pensamentos suicidas associados a síndrome de Burnout apresenta transtornos mentais e de comportamento relacionados a intervenção de enfermagem resultam, não somente de fatores isolados, mas de integração e contextos da assistência com a estrutura física e aparato psíquico do enfermeiro. As intervenções utilizadas no ato de assistenciar atingem parte física dos enfermeiros, produzindo enfermidades e anomalias biológicas, mas também transtornos emocionais relacionados às situações patogenicidade laboral, as quais podem desencadear processos psicopatológicos, relacionados às condições específicas laboral desempenhado pelo enfermeiro.

Nos transtornos neuróticos pormenorizados como transtornos mistos comportamentais e emocionais, convicções e sentimentos têm uma associação estreita com determinada cultura. A neurose profissional apresenta três formas clínicas, sendo a neurose de excelência desenvolvida a partir de certas situações organizacionais que conduzem a processos de estafa (Burnout) nos enfermeiros intensivistas que investem intensamente seus esforços e ideais em determinada atividade (TONEL e STURZA, 2020).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Conclui-se que através desta pesquisa que o universo laboral influência diretamente na saúde psíquica do enfermeiro intensivista tanto quanto a vida social e relacionamentos afetivos. Nessa situação, comprova-se a necessidade de uma assistência humanística com visão holística, baseada nos princípios básicos da humanização pautada no respeito, profissionalismo e acolhimento por parte do empregador das referidas queixas dos intensivistas relacionadas a saúde mental, vale salientar que trabalhando na promoção e na prevenção da saúde mental dos seus laborados e no desenvolvimento de protocolos de riscos de saúde profissional e mental será um forte indicador para rastreio de transtornos mental, depressão e ideação suicida.

Portanto, o empregador terá um profissional enfermeiro capacitado sadio e pronto para oferecer qualidade assistencial intensivista.

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[1] Graduação em Enfermagem.

[2] Graduação em Enfermagem.

[3] Graduação em Enfermagem.

[4] Orientador. Graduação em Enfermagem.

Enviado: Setembro, 2020.

Aprovado: Janeiro, 2021.

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