ARTIGO ORIGINAL
SOUZA, Lucas Sousa de [1], DENDASCK, Carla Viana [2], DIAS, Claudio Alberto Gellis de Mattos [3], FECURY, Amanda Alves [4], ARAÚJO, Maria Helena Mendonça de [5]
SOUZA, Lucas Sousa de et al. Perfil clínico-epidemiológico da hanseníase nos estados da Amazônia no período de 2017 a 2022. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano. 10, Ed. 11, Vol. 02, pp. 23-40. Novembro de 2025. ISSN:2448-0959. Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/saude/hanseniase-nos-estados, DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/saude/hanseniase-nos-estados
RESUMO
Esse artigo tem como objetivo analisar o perfil clínico-epidemiológico da hanseníase nos estados da Amazônia entre 2017 e 2022, destacando as características dos indivíduos diagnosticados, a distribuição dos casos por sexo, faixa etária, raça/cor, escolaridade e apresentação clínica, bem como as tendências de incidência e prevalência da doença. Utilizando um estudo retrospectivo, descritivo, com abordagem quantitativa e análise de dados epidemiológicos do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), foi identificado um total de 21.421 novos casos, com pico de detecção em 2017 e 2018 e uma redução nos anos subsequentes. Os resultados revelam maior prevalência entre homens de 30 a 59 anos, predominantemente de raça parda e com ensino fundamental incompleto. A forma clínica mais comum foi a dimorfa, e o esquema terapêutico Poliquimioterápico para forma Multibacilar (PQT/MB) foi o mais utilizado. A conclusão enfatiza a necessidade de estratégias de controle mais eficazes, incluindo maior educação em saúde e melhorias nos serviços de atenção básica, especialmente considerando as limitações impostas pela pandemia de COVID-19 na notificação e tratamento dos casos.
Palavras-chave: Hanseníase, Perfil epidemiológico, Amazônia, Mycobacterium leprae, Controle de doença.
1. INTRODUÇÃO
A hanseníase, outrora denominada por lepra, representa uma enfermidade infecciosa desencadeada pelo bacilo de Hansen ou Mycobacterium leprae, uma bactéria transmissível que tende a assumir um curso crônico. Os alvos principais dessa patologia englobam a derme, os nervos periféricos e as membranas mucosas, tendo a capacidade de desencadear lesões neurológicas, as quais podem resultar em danos permanentes, diante de diagnóstico tardio ou terapêutica inadequada (Sociedade Brasileira de Dermatologia, 2021).
Em 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu que a enfermidade é pouco frequente, porém difundida, tendo mais de 200.000 ocorrências adicionais a cada ano. Conforme as orientações do diagnóstico, terapia e prevenção da doença, em 2018, foram notificados 208.619 novos casos de hanseníase globalmente. Dentre as nações, oito apresentaram registros em níveis elevados de ocorrências: Angola, Brasil, Indonésia, Etiópia, Nepal, Moçambique, Filipinas e Somália (Organização Mundial da Saúde, 2020).
O Brasil mantém sua posição de segundo país com o maior número de incidentes novos, sendo, portanto, uma nação de prioridade para a hanseníase, segundo a OMS. A nível global, em 2022, houve 10.302 novos casos da doença em indivíduos com idade inferior a 15 anos, possuindo uma taxa de 5,1 casos por 1 milhão nesta faixa etária e um aumento de 14,6% em relação a 2021 (World Health Organization, 2023).
Ainda, para o acompanhamento da doença, outro indicador relevante é o Grau de Incapacidade Física 2 (GIF 2), que registrou 9.554 casos em 2022, representando uma taxa de 1,2 casos por 1 milhão de habitantes – um incremento de cerca de 5,5% em comparação a 2021 (World Health Organization, 2023).
No que diz respeito ao sistema nervoso, os nervos mais frequentemente afetados pelo Mycobacterium leprae são o facial, mediano, ulnar, trigêmeo, radial, tibial, fibular e auricular comum. O comprometimento neurológico pode ocorrer mesmo com o diagnóstico precoce da doença, afetando a sensibilidade da pessoa. A reversibilidade depende do grau de gravidade diagnosticado (Tavares, 2021).
Quanto a propagação da enfermidade, está se dá por gotículas vindas do nariz e da boca durante a proximidade e interação frequente com indivíduos não tratados (Centers for Disease Control and Prevention, 2017). É mais comum em grupos que residem em circunstâncias de vulnerabilidade social, e a terapia nos estágios iniciais da patologia pode evitar incapacidades físicas (Lockwood, 2004).
Por conseguinte, a hanseníase, além de afetar os nervos periféricos, manifesta-se por sinais e sintomas dermatológicos e neurológicos, podendo evoluir para alterações na face e membros superiores e inferiores, com comprometimento frequente nos olhos, mãos e pés. Sua classificação operacional é: a) Hanseníase Paucibacilar (PB): 1 a 5 lesões cutâneas e baciloscopia obrigatoriamente negativa. b) Hanseníase Multibacilar (MB): mais de cinco lesões de pele e/ou baciloscopia positiva. E, tem as seguintes formas clínicas, segundo a classificação de Madri: tuberculóide, virchowiana, dimorfa e indeterminada (Brasil, 2021).
Diante deste contexto são imprescindíveis estudos clínico-epidemiológicos, pois permitem uma compreensão mais aprofundada dos fatores associados, além de contribuir para a gestão, planejamento e estratégias de tratamento. Esses estudos visam o monitoramento, a avaliação e a prevenção de novos casos por meio de ações de controle mais eficazes contra a hanseníase, proporcionando subsídios para intervenções de saúde na realidade observada. Assim, o objetivo deste manuscrito é conhecer as características clínicas e epidemiológicas das pessoas diagnosticadas com hanseníase na Região Norte, Amazônia, Brasil, entre 2017 e 2022.
2. METODOLOGIA
Trata-se de um estudo retrospectivo, descritivo, com abordagem quantitativa baseado na análise dos boletins epidemiológicos sobre Hanseníase, na Região Norte do Brasil, provenientes da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) e do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), referentes aos anos de 2017 a 2022. As bases de dados do SINAN/Hanseníase, no âmbito do Ministério da Saúde, e do E-SUS Vigilância em Saúde (E-SUS VS), utilizadas neste boletim, são integradas à rotina de trabalho da do Coordenação-Geral de Vigilância das Doenças em Eliminação do Departamento de Doenças Transmissíveis (CGDE/DEDT/SVSA).
A coleta de dados ocorreu em dezembro de 2023, abrangendo o período de 2017 a 2022. As variáveis analisadas incluíram o número de casos confirmados por ano de notificação, estado de notificação, sexo, faixa etária, escolaridade, raça/cor, classificação operacional (PB ou MB), forma clínica, número de lesões e esquema terapêutico.
Foram realizadas análises estatísticas descritivas, abrangendo frequências relativas e absolutas. A incidência de hanseníase foi calculada com base na fórmula (número de casos novos / número de pessoas em risco) x 100 mil habitantes, conforme a notificação anual de casos. Além disso, para a variável idade, foram somados os dados e calculadas as porcentagens correspondentes. A variável idade foi classificada em dois intervalos: 0 a 14 anos e 15 anos ou mais.
Os dados foram tabulados em planilhas do Microsoft Office Excel® 2020 e posteriormente analisados. Sendo dados de domínio público, não houve identificação dos indivíduos, em conformidade com os princípios éticos estabelecidos pela resolução 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde, o que dispensou a necessidade de parecer do Comitê de Ética em Pesquisa (CEP).
3. RESULTADOS
Nos últimos seis anos (2017-2022), foram notificados na Região Norte 21.421 novos casos de hanseníase, tendo seu pico de detecção os anos de 2017 e 2018, correspondendo a 54% (n= 11.604), com uma taxa de 31,95% por 100 mil habitantes. No decorrer dos anos de 2020 a 2022 houve uma redução de 33% (n= 7.048) no diagnóstico da doença quando se compara aos anos de 2017 a 2019. O gráfico 1 apresenta a distribuição anual de novos casos de hanseníase entre 2017 e 2022.
Gráfico 1 – Casos de Hanseníase notificados entre 2017 e 2022 na Região Norte, Brasil

Em relação as variáveis Estado de notificação, sexo e idade, demonstra-se no gráfico 2, um maior número de casos no sexo masculino em comparação ao feminino. No grupo masculino, a faixa etária de 30 a 39 anos (58%; n= 9.175) se destaca como a mais afetada na maioria dos estados, especialmente no Pará, que apresenta os maiores índices de doença (35%; n= 3.466). Já entre as mulheres, a maior concentração de casos ocorre na faixa etária de 40 a 49 anos, sendo Pará e Tocantins os estados com os números mais expressivos.
Gráfico 2 – Proporção de casos de Hanseníase, de acordo com o Estado de notificação, a faixa etária e o sexo, na Região Norte, Brasil, 2017-2020

No que tange a escolaridade, na Região Norte, nota-se que 42% (n= 11.465) dos pacientes recém diagnosticados possuem o Ensino Fundamental (EF) incompleto (gráfico 3).
Gráfico 3 – Distribuição da escolaridade dos pacientes diagnosticados com Hanseníase na Região Norte, Brasil, 2017-2020

Na variável raça/cor, em relação aos novos casos de hanseníase registrados no intervalo de 2017 a 2022, houve predomínio da raça/cor parda em 70% (n=19.137), seguido da branca com 14% (n=3.722), conforme evidenciado no gráfico 4.
Gráfico 4 – Proporção de casos novos de Hanseníase, segundo a raça/cor, na Região Norte, Brasil, 2017-2020

Ao se tratar da classificação operacional, para a Hanseníase Multibacilar (MB) na Região Norte, houve a notificação de 21.492 casos novos na população, sendo que nos anos 2017 a 2018 houve o maior registo com 9.174 casos diagnosticados, tendo um valor de 42% e uma taxa média de 79,3%. Contudo nos anos seguintes, observa-se uma redução de casos novos de MB a partir dos anos de 2020 a 2022 e um aumento na taxa de detecção. O gráfico 5 evidencia o número e proporção de casos novos de MB.
Gráfico 5 – Número e proporção de casos novos de Hanseníase Multibacilar na Região Norte, Brasil, 2017-2022

Para a forma clínica, evidencia-se no gráfico 6, que a Dimorfa é a prevalente tendo um percentual de 58% (n= 20.422), seguida da Virchowiana com 15% (n= 5.345). No Estado do Pará foi identificado 9.374 casos com a forma clínica Dimorfa, sendo 55% dos casos novos. Tocantins, em paralelo, possui 70% (6.423) dessa forma clínica diagnosticada nos pacientes atendidos.
Gráfico 6 – Número de casos de hanseníase segundo a forma clínica, na Região Norte, Brasil, 2017 a 2022

Quanto ao número de lesões e esquema terapêutico, a Poliquimioterapia (PQT-U) – associação de Rifampicina 300 mg; Clofazimina 100 mg e Dapsona 100 mg – é o esquema de mais utilizado em todos os Estados e, é usado em lesões multibacilares (mais de 5 lesões).
Gráfico 7 – Casos novos de Hanseníase segundo número de lesões e esquema terapêutico na Região Norte, Brasil, 2017-2022

4. DISCUSSÃO
Este estudo possibilitou identificar o comportamento da hanseníase nos Estados da Região Norte. No decorrer do período pesquisado, observou-se que a maior detecção prevaleceu nos anos de 2017 a 2019 e, nos anos seguintes, houve um declínio na detecção de casos novos da doença, que pode ter ocorrido pelo período da pandemia de COVID-19, quando muitas Unidades Básicas de Saúde (UBS) priorizaram o atendimento às doenças respiratórias.
Segundo a Fiocruz (2023), a hanseníase é uma doença infectocontagiosa, a qual afeta nervos periféricos e pele, possibilitando sequelas permanentes e tornando-se um problema na saúde pública mundial, visto que há um declínio razoável, ainda perdura uma detecção constante de novos diagnósticos de hanseníase.
Amaral et al. (2023) destacam a necessidade de desenvolver diretrizes para o combate à hanseníase no contexto territorial. Dispondo assim, uma estruturação sólida nos serviços disponibilizados pela Estratégia de Saúde da Família, no intuito de potencializar a detecção e diagnóstico em tempo hábil de novos casos.
A proporção e porcentagem de casos na população masculina não difere dos evidenciados em outros artigos científicos de caráter epidemiológico. Brasil (2021) registra que o sexo masculino retém um predomínio no diagnóstico da doença, sendo que a faixa etária também acompanha essa porcentagem, os quais são classificados como economicamente ativos, o qual corrobora com os resultados encontrados no presente estudo.
Segundo Santos et al. (2020), a alta taxa de hanseníase em homens é atribuída à maior exposição ao M. leprae e à negligência com a própria saúde. Ferreira et al. (2011) citam a aflição que o público masculino enfrenta com a pressão social sobre o trabalho e o sustento no seu núcleo familiar, resultando na procura tardia dos serviços de saúde, o que possibilita em um diagnóstico e tratamento tardio, quando se é comprado com a população feminina.
De Souza Silva (2014) aponta que a Atenção Primária possui a necessidade de regulamentação mais eficientes nos serviços de saúde para o sexo masculino, com intensificação nos cuidados para o controle da hanseníase. Estratégias citadas em outros estudos é a descentralização das ações em saúde de controle da hanseníase, visto que muitos pacientes necessitam se deslocar para unidades distantes de sua residência (Ferreira et al., 2011; Barbieri, 2017; Muthuvel 2017).
Em paralelo, a implantação dos serviços de educação em saúde para os pacientes na sala de espera em UBS e buscas ativas nos bairros pelos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) pertencentes do programa Estratégia de Saúde da Família (ESF) são métodos utilizados no controle e monitoramento da hanseníase na população masculina (Neta et al., 2017; Lopes et al., 2021).
Neste estudo, evidenciou-se nível de escolaridade reduzido, onde 42% dos casos novos são em pessoas com ensino fundamental incompleto e, uma predominância em indivíduos pardos. Ferreira et al. (2011) e Romão e Mazzoni (2013), informam que a variável escolaridade é determinante no diagnóstico e tratamento da hanseníase, pois devido ao baixo nível de conhecimento há uma propensão na ocorrência e reativação da doença, já que a maioria dos acometidos relata dificuldade de compreensão relacionadas às orientações do tratamento, autocuidado e medidas preventivas.
A escolaridade desempenha um papel crucial na saúde pública, impactando significativamente a prontidão com que os pacientes buscam ajuda médica. Pessoas com menor nível de instrução tendem a demorar mais para buscar ajuda médica, muitas vezes esperando até que a doença se agrave consideravelmente (Miranzi et al., 2010; Leano et al., 2019).
Esta demora pode ser atribuída a vários fatores, incluindo a falta de conhecimento sobre os sintomas e a gravidade das doenças, bem como uma menor compreensão da importância da detecção e tratamento precoces. A baixa escolaridade pode estar relacionada a condições financeiras e sociai precárias, que influenciam diretamente na transmissão do M. leprae (Barbosa 2014; Leano et al., 2019).
Os dados levantados neste estudo revelam que a maioria dos indivíduos apresentaram a forma clínica Dimorfa e Virchoviana, sendo classificadas, em sua grande maioria, como multibacilarres na Região Norte. O Brasil (2017) define a forma Dimorfa da hanseníase por múltiplas lesões na pele, em formato de manchas, tendo coloração esbranquiçada ou avermelhada, com bordas elevadas.
Esta forma clínica é proveniente de um período longo de incubação (em torno de dez anos ou mais), o que resulta em uma falha no rastreio da hanseníase, gerando um mau prognóstico para os pacientes da região (Brasil, 2017). Essa falha no rastreio da doença pode estar vinculada às variáveis de escolaridade e sexo dos pacientes, visto que, estudos já citados evidenciam a dificuldade de alguns pacientes na procura pelo serviço de saúde, devido à carência de conhecimento acerca da importância do cuidado com sua própria saúde, em razão da falta de instrução correta para a população-alvo.
Tal achado evidencia casos bacilíferos com um alto grau de transmissão e, por conseguinte, um maior número de pacientes das formas graves da enfermidade. Visto isso, estudos relatam que indivíduos que apresentam lesões multibacilares apresentam um risco elevado na deterioração dos nervos (Martins et al., 2020).
Nota-se que os estados do Pará e Tocantins apresentaram o maior índice de casos novos com as formas clínicas relatadas acima. O estudo de Damasceno et al., (2023) relatou que nos anos de 2020 e 2021 tiveram os menores índices de notificações, porém foi em decorrência da pandemia de COVID-19, a qual influenciou negativamente na detecção, diagnóstico e acompanhamento da hanseníase no Pará e em toda Região Norte, resultando em subnotificação.
Lopes et al. (2021) afirma que a maioria dos casos diagnosticados nos serviços de saúde no Pará enfrenta dificuldades na execução das ações preconizadas para combate e controle da doença. Isso ocorre porque grande parte dos diagnósticos corresponde a casos dimorfos, com predominância de multibacilares, o que indica um elevado grau de circulação do bacilo e dificulta o controle da hanseníase.
No quesito que se refere ao esquema terapêutico utilizado, percebe-se que PTQ/MB foi o mais empregado em todos os Estados. Esse esquema é composto por antibióticos bacteriostáticos e bactericidas, sendo que o tratamento possui um tempo de 12 meses para remissão total da doença. Segundo a OMS (2016) o serviço farmacoterapêutico de hanseníase de qualidade deve suprir a gama de pacientes atendidos pela Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima, proporcionando um fornecimento adequado ao tratamento.
De Faria et al. (2013) relatam que há uma limitação na adesão dos tratamentos devido à falta de informação sobre o agendamento aos pacientes e a distância entre a UBS e sua residência. De forma paralela, Sousa et al. (2017) propõe outra insuficiência na adesão do tratamento, sendo ela a falta de armazenamento adequado dos medicamentos nas unidades, o qual desfavorece sua dispensação e atraso no início do tratamento com PQT, visto que há possíveis riscos de ausência e perda de pacientes no esquema terapêutico diário e mensal.
Diante dessa realidade, pode-se ponderar que, embora existam estratégias e ações de controle da hanseníase, essa doença continua sendo uma preocupação significativa na Região Norte. Há uma necessidade premente de intervenções que respeitem as particularidades da região amazônica e de novos projetos que enfatizem o atendimento a esses pacientes.
Iniciativas em saúde devem corroborar com práticas de vigilância de forma integrada, visando à redução da taxa de hanseníase na sociedade brasileira. Para alcançar esse objetivo, torna-se imprescindível a construção de novas UBS e capacitação em larga escala dos profissionais da rede primária, visando ao aprimoramento do rastreamento e combate da doença.
Contudo é importante considerar como limitação deste estudo, a reduzida notificação de hanseníase na Região Norte no ano de 2020, que pode estar associada às restrições impostas aos serviços de saúde durante a pandemia de Covid-19, resultando em subnotificação dos casos e consequente viés no escopo metodológico.
5. CONCLUSÃO
A hanseníase ainda evidencia um cenário epidemiológico desafiador na Região Norte do Brasil, com um alto número casos, especialmente entre homens na faixa etária de 40 a 49 anos, cor parda e ensino fundamental incompleto, associada à forma clínica dimorfa. Predominam os casos multibacilares, e a maior utilização do tratamento farmacoterapêutico é realizada por PQT/MB. A ausência de notificações em 2020, pode ter decorrido de fatores relacionados a pandemia de COVID-19.
Diante desse cenário, torna-se fundamental a implementação de políticas públicas eficazes e de um sistema de saúde estruturado para enfrentar os desafios epidemiológicos da hanseníase. Essa necessidade torna-se mais singular em áreas de difícil acesso na Região Norte, onde a informação e os serviços de saúde são mais limitados.
Fortalecer a atenção primária, investir em ações que priorizem a identificação precoce da doença, a ampliação da busca ativa de casos e a implementação de estratégias de educação em saúde, especialmente entre os grupos mais vulneráveis, contribuirá para o controle mais efetivo da hanseníase, além de promover equidade no acesso à saúde e melhora na qualidade de vida das populações mais afetadas.
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[1] Graduando em Medicina pela Universidade Federal do Amapá (UNIFAP). ORCID:
0009-0001-7311-5197. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/1844597299218573.
[2] Possui duplo Doutorado em Comunicação e Semiótica, e em Psicanálise com ênfase em Neurociências. Duplo Mestrado em Ciências da Religião, e em Psicanálise Clínica. Graduação em Biologia, Teologia e Graduanda em Medicina. Demonstra profundo interesse em estudos multi e interdisciplinares, com foco nas intersecções entre as áreas de Saúde e Humanidades, participando de diversos Grupos de Pesquisas. Atua como Editora-chefe da Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento, além de ser Comunicadora Científica On-line, Palestrante e Consultora para programas Stricto Sensu (Mestrado e Doutorado). ORCID: 0000-0003-2952-4337. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/2008995647080248.
[3] Biólogo, Doutor em Teoria e Pesquisa do Comportamento, Professor e pesquisador do do Instituto de Ensino Básico, Técnico e Tecnológico do Amapá (IFAP), do Programa de Pós Graduação em Educação Profissional e Tecnológica (PROFEPT IFAP) e do Programa de Pós Graduação em Biodiversidade e Biotecnologia da Rede BIONORTE (PPG-BIONORTE), polo Amapá. ORCID: 0000-0003-0840-6307. Currículo Lattes: https://lattes.cnpq.br/8303202339219096.
[4] Biomédica, Doutora em Doenças Tropicais, Professora e pesquisadora do Curso de Medicina do Campus Macapá, Universidade Federal do Amapá (UNIFAP), e do Programa de Pós-graduação em Ciências da Saúde (PPGCS UNIFAP). ORCID: 0000-0001-5128-8903. Currículo Lattes: https://lattes.cnpq.br/9314252766209613.
[5] Doutoranda em Ciências do Cuidado em Saúde pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Mestre em Ciências da Saúde pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP); Especialista em Saúde da Família pela Universidade Estadual do Ceará, UECE, Brasil; Especialista em Medicina do Trabalho Universidade Gama Filho, UGF, Brasil; Especialista em Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana pela Fundação Oswaldo Cruz, FIOCRUZ, Brasil; Especialista em Clínica Médica pelo Hospital dos Servidores do Estado do Pará; Médica pela Universidade do Estado do Pará (UEAP). ORCID: 0000-0002-7742-144X. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/8427706088023830.
Material recebido: 03 de abril de 2025.
Material aprovado pelos pares: 02 de maio de 2025.
Material editado aprovado pelos autores: 24 de novembro de 2025.






