Levantamento do uso de anti-inflamatório não esteroidais entre estudantes do Curso de Medicina em uma Instituição de Ensino Superior de São Paulo

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ENTREVISTA

SILVA, Amanda Menezes da [1], SOUZA, Daniela Rodrigues Mariano de [2], ALMEIDA, Lays Felipe de [3], CASTRO, Patricia Rodrigues [4], FERREIRA, Thiago Santos [5], OLIVEIRA, Dante Ferreira de [6]

SILVA, Amanda Menezes da. Et al. Levantamento do uso de anti-inflamatório não esteroidais entre estudantes do Curso de Medicina em uma Instituição de Ensino Superior de São Paulo. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 04, Ed. 10, Vol. 05, pp. 61-83. Outubro de 2019. ISSN: 2448-0959

RESUMO

Com a prática da automedicação a população está cada vez mais exposta aos riscos do uso inadequado de diversos fármacos, dentre os quais os anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) ocupam papel de destaque, seja pela ação analgésica, antipirética e anti-inflamatória ou por se enquadrarem como medicamentos isentos de prescrição (MIP) pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Com o objetivo de determinar a ocorrência de automedicação entre os alunos do curso de medicina da Universidade Anhembi Morumbi, foi aplicado um questionário com nove questões fechadas a 194 estudantes do 3º e 5º período nos meses de abril e maio. Os resultados demonstraram que 98% dos estudantes entrevistados realizam a automedicação, sendo a dipirona, seguido pelo paracetamol o AINE mais utilizado pelos estudantes em caso de dores.

Palavras-chaves: AINEs, automedicação, uso Racional, efeitos colaterais.

1. INTRODUÇÃO

De acordo com Sandoval et al. (2017), os anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) integram o rol de fármacos mais prescritos e também os mais utilizados sem a prescrição médica em todo mundo, sendo usualmente empregados no tratamento dores agudas, moderadas ou crônicas, normalmente decorrentes de algum processo inflamatório.

O mecanismo de ação dos AINEs está relacionado com a inibição das atividades periférica e central das enzimas ciclo-oxigenases (COX-1 e COX-2) e consequentemente, diminuindo a biossíntese e a liberação das prostaglandinas, que atuam como mediadores da inflamação, dor e febre (SCHALLEMBERGER; PLETSCH, 2014).

Em decorrência da ampla faixa de aplicação, seja ela anti-inflamatória, analgésica ou antipirética, faz com que os AINEs sejam considerados um grupo terapêutico de grande interesse para médicos e pacientes e os fármacos mais vendidos nas drogarias (BORGES LUZ et al., 2006; FORTES; NIGRO, 2005; KHATTAR et al., 1998; SANDOVAL et al., 2017). Apesar da advertência de que o uso destes fármacos devem ser prescritos pelo médico responsável pelo tratamento, estes medicamentos podem ser comercializados sem prescrição, pois são classificados como medicamentos isentos de prescrição (MIP) pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), fazendo deste, um dos principais motivos pelo qual estes medicamentos sejam utilizado excessivamente entre a população (FERREIRA, 2007; SILVA; SILVA, 2012).

Como os demais medicamentos, os AINEs podem causar reações adversas se utilizado de maneira indiscriminada, levando a toxicidade sobre vários sistemas e, entre os efeitos mais relevantes estão os danos gastrointestinais, que podem ir desde o desconforto abdominal até a erosão da mucosa gástrica, podendo até causar o óbito. Outro efeito colateral apresentados em alguns pacientes é a indução ou agravamento da hipertensão arterial, podendo provocar insuficiência renal, necrose papilar, síndrome nefrótica e outras doenças renais (SILVA et al., 2014). São conhecidos os efeitos hematológicos, que incluem agranulocitose, neutropenia, anemia hemolítica ou aplásica, além de cefaleia, confusão, parestesia, ou ainda hepatotoxicidade (BATLOUNI, 2010; BORGES LUZ et al., 2006; FORTES; NIGRO, 2005). A inibição da ciclo-oxigenase também é considerada como um dos responsáveis pelos efeitos tóxicos dos AINEs, pois a redução das prostaglandinas, pode afetar a regulação e manutenção do fluxo sanguíneo no sistema renal, podendo causar diversas patologias renais (SCHALLEMBERGER; PLETSCH, 2014).

De acordo com Arrais et al (2016), a prática da automedicação faz com que a população fique cada vez mais exposta aos riscos e efeitos adversos decorrentes do uso inadequado dos AINEs, sendo necessário ampliar a informação e a sensibilizar a população sobre os riscos decorrentes da automedicação. Levando-se em conta os problemas mencionados em torno do uso indiscriminado de AINES, esta pesquisa teve como objetivo verificar a ocorrência da automedicação de anti-inflamatórios não esteroidais entre os discentes do curso de medicina e, comparar os resultados obtidos com pesquisas voltadas a população em geral.

2. REVISÃO DE LITERATURA

A utilização de substâncias químicas com o objetivo de aliviar dores e processos inflamatórios é uma das atividades mais antigas da humanidade (MONTEIRO et al, 2008). A salicina foi um dos primeiros compostos isolados de fontes naturais para fins terapêuticos, o primeiro registro da obtenção da salicina data de 1827 pelo farmacêutico Henri Leroux a partir da casca do Salix Alba vulgaris, em 1838 o ácido salicílico foi isolado da salicina pelo químico italiano Raffaele Piria e, em 1844 o químico Frances Cahours isolou o ácido salicílico a partir do óleo de gaultéria (CARVALHO, 2010).

Em 1860 os químicos Kolbe e Leutemann descobriram o mecanismo de acetilação do ácido acetilsalicílico (AAS) (Figura 1) através de síntese (MONTEIRO et al., 2008). E a partir da década de 1960 outros derivados não esteroidais com ações analgésicas e anti-inflamatórias foram desenvolvidos, sendo cada vez mais eficazes e com menos efeitos adversos a saúde (SILVA, 2014).

Figura 1- Mecanismo de síntese do ácido acetilsalicílico.

Fonte: DA LUZ et al. (2019)

O mecanismo de ação do ácido acetilsalicílico foi elucidado em 1971 pelo farmacêutico britânico John Robert Vane, que sugeriu que o AAS e outros anti-inflamatórios não esteroidais extinguiam o processo inflamatório através da inibição da ciclooxigenase (COX), obstando a síntese das prostaglandinas (PG), que são os mediadores principais nos processos inflamatórios. Por sua pesquisa, ele foi agraciado com o Premio Nobel de Medicina em 1982 (CARVALHO et al., 2004). Os Estudos das atividades anti-inflamatórias do AAS demonstraram esta substância possui a capacidade de inibir a produção da PG, em decorrência da possível competição com o sitio ativo da COX (SILVA et al., 2014). Desde então, várias classes semelhantes de anti-inflamatórios foram introduzidas no mercado (GADDI et al., 2004).

Com o intuito de diminuir os efeitos adversos à saúde dos compostos derivados do ácido salicílico, foi sintetizado a fenilbutazona em 1950, sendo considerado o primeiro anti-inflamatório não salicitato. Porém, estudos evidenciaram que o seu uso estava associado a casos de agranulocitose entre os pacientes, de modo que raramente era utilizado (LOUREIRO et al. 2004).

O paracetamol (acetoaminofenol, N-acetil-p-aminofenol, 4-acetoamidofenol) (Figura 2) é o analgésico-antipirético mais prescrito pelos pediatras e também o mais utilizado por pacientes gestantes, esta escolha se deve pelos poucos efeitos adversos que este fármaco apresenta. O paracetamol atua preferencialmente no sistema nervoso central inibindo a ciclo-oxigenase 3 (COX 3), considerada uma variante da COX 1, inibindo a conversão do ácido araquidônico em prostaglandinas (LOPES; MATHEUS, 2012).

Figura 2- Estrutura química do paracetamol.

Fonte: Oliveira et al (2009)

O ibuprofeno (ácido isobutilpropanoicofenólico) (Figura 3) é um anti-inflamatório não esteroide, desenvolvido na década de 1960, derivado do ácido propiônico, inibidor não seletivo da COX-1 e da COX-2. Ele impede a formação de prostaglandinas pela via dos tromboxano, entretanto, não impede a formação de leucotrienos pela via das lipoxigenases. Ele atua como antitérmico impedindo a formação de prostaglandinas, principalmente a tipo 2 nas regiões periventriculares e perto do hipotálamo. Segundo Ferreira (2010) este fármaco foi liberado para uso pediátrico no Brasil pelo fato de apresentar menor irritabilidade gástrica do que o acido acetilsalicílico, porém pode causar sangramento digestivo.

Figura 3- Estrutura química do ibuprofeno.

Fonte: Sena et al (2006)

A dipirona (sal sódico do 1-fenil-2,3-dimetil-4-metilaminometanossulfonato-5-pirazolona) (Figura 4) é o analgésico e antitérmico mais difundido no Brasil, sendo que desde 1977 nos Estados Unidos, a Food and Drug Administration (FDA) retirou a dipirona do mercado, em decorrência de vários casos relatados de doenças hematológicas, como a agranulocitose e aplasia medular, manifestadas após administração deste fármaco (MARCOLINO Jr et al., 2005; RIBEIRO et al., 2005).

Figura 3- Estrutura química da dipirona.

Fonte: Marcolino Jr et al (2005).

2.1 FISIOLOGIA DA INFLAMAÇÃO

A inflamação parte de um mecanismo natural de defesa desencadeado pelo organismo quando lhe são atribuídas agressões ou danos de natureza química, física ou infecciosa, sendo que este processo tem como função principal restringir a área afetada, permitindo assim que ela possa ser e reparada e regenerada pelo sistema imunológico com diferentes tipos de células, como os neutrófilos, mastócitos, macrófagos, tinfócitos, dentre outros (LIMA et al., 2007; SANDOVAL et al., 2017). Como a inflamação é uma etapa fundamental na reparação tecidual, em diversas condições, o tratamento farmacológico deve ser especificamente direcionado a origem do problema, como por exemplo, o uso de antibióticos no caso de infecções (FERREIRA; WANNMACHER, 2006).

De acordo com Pedroso e Batista (2017), no processo inflamatório, ocorre a liberação de mediadores químicos como serotonina, citosina, eicosanoides, bradicinina, histamina e radicais livres, levando ao aparecimento dos sinais característicos da inflamação, como a perda da função, calor, edema, rubor e dor. Estes efeitos são causados pela ação das PGs, que através de uma série de reações em cascata, formandos mediadores pró-inflamatórios como o tromboxano (TX) e o leucotrienos (LT), sensibilizando os terminais periféricos dos (SANDOVAL et al., 2017).

O processo inflamatório inclui inativação ou destruição do agente causador. A lesão tecidual inicialmente envolve ativação do endotélio e dos leucócitos. O sítio de lesão recruta macrófagos e leucócitos polimorfonucleares, que são importantes para o desenvolvimento da inflamação mediante liberação de mediadores, incluindo citocinas, quimiocinas, fatores de crescimento e eicosanoides. O processo de interação do endotélio com citocinas, quimiocinas e produtos do evento da inflamação é dinâmico, atraídos pelas substâncias da inflamação. As células acometidas pelo processo inflamatório produzem substâncias oxidativas, enzimas que promovem fatores de transcrição, perda energética, lesão mitocondrial, liberação enzimática lítica, peroxidação, destruição de membranas e causam danos ao DNA, o que irá estimular a produção de citocinas, receptores moleculares de adesão, fatores de crescimento e ativação de outras cascatas da inflamação (SILVA, 2012).

2.2 FARMACOCINÉTICA E FARMACODINÂMICA

Em decorrência de sua variedade química, os AINEs são responsáveis por diversas características farmacocinéticas, no entanto, possuem de modo geral, propriedades básicas comuns, sendo na maioria das vezes bem absorvida por via oral e, no caso de presença de alimentos no estômago, não tem a sua biodisponibilidade consideravelmente modificada (FURST; ULRICH, 2010).

Teixeira (2015) e Monteiro et al. (2008) afirmam que as reações mediadas pela COX a partir da quebra do ácido araquidônico (AA) produzem PGG2 que sob a ação da enzima peroxidase sintetizam PGH2, disponibilizando dois sítios catalíticos, o sítio da lipoxigenase o qual não sofre ação dos anti-inflamatórios não esteroides e o sítio da COX responsável pela geração de prostanóides (PGs, e TXA2). Diversos prostanóides, especialmente a prostaciclina e a prostaglandinas 2 (PGE2), são fundamentais para a proteção da mucosa gástrica pelos efeitos corrosivos do ácido estomacal (BATLOUNI, 2010).

Em relação a farmacocinética dos AINES, Silva et al. (2014) alegam que os fármacos com meia vida curta tendem a permanecer por mais tempo que o previsto nas articulações, enquanto os fármacos com meia-vida mais longa tendem a desaparecer do líquido sinovial à uma taxa proporcional a sua meias-vida. Os AINEs mais lipossolúveis como o ibuprofeno, o naproxeno e o cetoprofeno tendem a penetrar no sistema nervoso central (SNC) com mais facilidade se comparados aos AINEs hidrossolúveis, e estão associados a leves alterações de humor e na função cognitiva (SILVA et al., 2014).

Em relação à farmacodinâmica dos AINES, Carvalho (2010) menciona que a PG produzida pela COX encontra-se envolvida em inúmeros processos patológicos e fisiológicos, como a manutenção das funções renais e na homeostasia gástrica, as PGs atuam de forma fisiológica através da COX-1, enquanto que a COX-2 é impelida no processo inflamatório como resposta do tecido lesado, colaborando para a desenvolução de alterações patológicas.

2.3 EFEITOS ADVERSOS

Os AINES causam diversas reações adversas por serem tóxicos sobre vários sistemas do organismo. Seus principais efeitos adversos ocorrem sobre o trato gastrointestinal, o qual também não pode ser descartado a insuficiência renal aguda, a hipertensão arterial, a doença arterial coronária aguda, distúrbios neurológicos, hepáticos, dermatológicos e respiratórios. É necessário que seja feita uma avaliação de custo e benefício antes da administração do medicamento.

Os principais efeitos adversos dos AINEs são de origem gastrointestinal, como a hemorragia gastrointestinal, a dispepsia, úlceras gástricas e duodenais dentre outras doenças inflamatórias intestinais, pois os AINEs possuem a capacidade de inibir a síntese de PG gástricas, mais especificamente a PGI2 e a PGE2 que atuam como agentes citoprotetores gástricos (PEDROSO; BATISTA, 2017). O risco de complicações graves decorrente do tratamento crônico com AINEs é de 1 a 4%, principalmente em pacientes idosos, do sexo feminino e com histórico de sangramento gastroduodenal decorrente do uso de corticosteroides e antitrombóticos (BATLOUNI, 2010).

Os efeitos adversos cardiovasculares mostram-se presente com o uso de AINEs, no ano 2000 foi publicado um estudo que apontou os riscos vasculares do rofecoxib e de outros inibidores específicos de COX-2, de modo que o medicamento foi retirado de circulação em 2004 (ARAÚJO et al, 2005). A COX-2 resulta na formação de prostaciclinas, promovendo efeito antitrombótico, vasodilatador e redutor da agregação e adesão das plaquetas. Uma das explicações para os efeitos adversos cardiovasculares de determinados AINEs sugere que a redução na produção de prostaciclina vascular pelos inibidores da COX-2, poderia afetar o equilíbrio entre o tromboxano A2 (TXA2) e as prostaciclinas, impelindo a elevação de eventos trombóticos e cardiovasculares (ARAÚJO et al, 2005; MONTEIRO et al, 2008). Apesar de diversos estudos com resultados divergentes publicados até 2000, referentes à segurança cardiovascular dos inibidores específicos de COX-2, pesquisas mais recente apontam o potencial risco de efeitos adversos cardiovasculares com esta classe de AINEs (NUSSMEIER et al., 2005; SOLOMON et al., 2005).

Os AINEs ainda podem provocar efeitos hematológicos, que segundo Monteiro et al, (2008), que em pacientes com trombocitopenia e distúrbios plaquetários prévios devem ser evitados. Geller et al., (2011) mencionam que entre os efeitos do diclofenaco por exemplo, há possibilidade do aumento no risco de desenvolvimento de anemia aplásica em pacientes suscetíveis, além de anemia hemolítica, agranulocitose, trombocitopenia, leucopenia, púrpura, epistaxe e neutropenia. Podem ainda causar efeitos cutâneos, como: eritema multiforme, urticária, eritema nodoso, angiodema, erupções máculo-papulares, eritema pigmentar fixo, reações de fotossensibilidade, vasculite leucocitoclástica bolhosa, sindrome de Stevens-Johnson, necrólise epidérmica tóxica (VARALDA; MOTTA, 2008).

3. MATERIAIS E MÉTODOS

O presente estudo foi realizado entre os estudantes do 3° e 5° período do curso de medicina da Universidade Anhembi Morumbi, situada no município de São Paulo, localizado no Estado de São Paulo. Para este estudo foi elaborado um questionário com perguntas fechadas (Anexo I), o qual foi analisado pelo Comitê de ética da Universidade, apresentando o parecer número 3.218.183. O questionário, cujo objetivo foi colher informações respeito do uso de AINEs entre os estudantes, foi aplicado em sala de aula entre os meses de abril e maio de 2019 e as respostas foram compiladas e analisadas.

4. RESULTADOS

Foram entrevistados 194 estudantes (n=194), onde 76,3% (148) dos alunos responderam ser do gênero feminino e 23,7% (46) do gênero masculino (Figura 5).

Figura 5- Representação gráfica das respostas da questão 1, referente ao gênero do entrevistados.

Fonte: Autor.

A faixa etária dos alunos participantes da pesquisa foi de 85% (165) entre 18 a 25 anos, 10,3% (20) ente 26 e 30 anos, 4,7% (9) responderam possuir idade entre 31 a 40 anos e nenhum aluno com idade superior a 41 anos (Figura 6).

Dos estudantes entrevistados, 74% (146) responderam estar cursando o quinto período e 26% (48) do terceiro período (Figura 7).

Figura 6- Representação gráfica das respostas da questão 2, referente a faixa etária dos entrevistados.

Fonte: Autor.

Figura 7- Representação gráfica das respostas da questão 3, referente ao período em que o aluno esta cursando.

Fonte: Autor.

Em relação ao conhecimento técnico dos entrevistados a respeito do uso terapêutico dos anti-inflamatórios não esteroidais, 98% (190) dos entrevistados afirmaram conhecer os usos terapêuticos destes fármacos, 1,5% (3) responderam não conhecer e 0,5% (1) não respondeu a questão (Figura 8).

Quando questionados se já haviam utilizado AAS, dipirona, paracetamol ou ibuprofeno, 98% (190) dos alunos afirmaram que haviam já utilizado algum destes fármacos, 1,5% (3) responderam que não e 0,5% (1) não respondeu esta questão (Figura 9).

Figura 8- Representação gráfica das respostas da questão 4, referente ao conhecimento dos entrevistados em relação ao uso terapêutico dos AINEs.

Fonte: Autor.

Figura 9- Representação gráfica das respostas da questão 5, referente a utilização de AAS, dipirona, paracetamol ou ibuprofeno pelos entrevistados.

Fonte: Autor.

Em relação aos medicamentos que são comumente utilizados pelos estudantes, 34,5% (67) responderam utilizar o AAS, 89,7 % (174) responderam dipirona, 85,5% (166) paracetamol, 71,6% (139) ibuprofeno e 1,5% (3) não responderam a esta questão. Ressaltando que nesta questão os entrevistados poderiam assinalar mais de uma opção (Figura 10).

Quando questionados se a utilização do AAS, dipirona, paracetamol ou ibuprofeno foi com prescrição de algum profissional da saúde, 22,7% (44) responderam sim e 75,8% (147) afirmaram realizar a automedicação com algum destes fármacos e 1,5% (3) não responderam a este questionamento (Figura 11).

Figura 10- Representação gráfica das respostas da questão 6, referente quais AINEs são comumente utilizados entre os entrevistados.

Fonte: Autor.

Figura 11- Representação gráfica das respostas da questão 7, referente a automedicação dos entrevistados.

Fonte: Autor.

Em relação a recomendação ou prescrição do medicamento, 37,6% (63) dos entrevistados responderam seguir a recomendação de algum médico no uso destes fármacos, 11,3% (20) afirmaram que a recomendação foi proveniente de algum farmacêutico, 10,8% (21) responderam seguir a orientação de amigo, 44,8% (83) afirmaram recomendação de outras pessoas e 3,6% (7) não responderam a este questionamento (Figura 12).

Quando questionados sobre a frequência no uso de AINEs, 2% (4) dos entrevistados responderam utilizar estes medicamentos de maneira preventiva, 97% (188) afirmaram utilizar somente em caso de dor, 1% (2) não respondeu a este questionamento e nenhum entrevistado respondeu utilizar continuamente nenhum destes fármacos (Figura 13).

Figura 12- Representação gráfica das respostas da questão 8, referente a recomendação para o uso de AINEs.

Fonte: Autor.

Figura 13- Representação gráfica das respostas da questão 9, referente a frequência no uso de AINEs.

Fonte: Autor.

5. DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

Esta pesquisa buscou compreender a postura dos alunos do 3° e 4° período do curso de medicina da Universidade Anhembi Morumbi em relação a utilização de anti-inflamatórios não esteroides como o paracetamol, o ibuprofeno, o ácido acetilsalicílico e a dipirona, e também se a utilização destes fármacos são é realizada por recomendação de médicos, farmacêuticos ou através da automedicação . Esta compreensão, por sua vez, promove a reflexão sobre a trajetória trilhada pelos estudantes do curso de medicina e se mesma esta cumprindo com o seu papel na formação de futuros médicos conscientes dos seus deveres e responsabilidades para com a sociedade e a saúde pública.

De acordo com Vilarino et al. (1998), a automedicação é uma escolha que pode ser potencialmente prejudicial a saúde individual e coletiva, onde até mesmo um fármaco que utilizado de maneira correta em sua indicação, mas se administrado em doses elevadas, pode ocasionar sérios danos ao usuário. Porém o autor ressalta que, a total obrigatoriedade da prescrição para a aquisição de algum fármaco, eventualmente pode representar uma limitação da liberdade pessoal de busca imediata do alívio da sintomatologia, impedindo, por exemplo, que a pessoa faça preponderar sua própria experiência e vontade.

Os AINEs são os fármacos que constam na lista de MIPs, podendo ser facilmente encontrados em qualquer farmácia de todo o país. Porém quando ocorre a automedicação, dificilmente o indivíduo conhece ou considera a toxicidade, efeitos adversos e interações medicamentosas destes fármacos (PEDROSO; BATISTA, 2017).

De acordo com Silva e Lourenço (2014), diariamente milhões de pessoas ingerem AINEs sem a prescrição médica, sendo que muitos destes fármacos podem ser adquiridos nas farmácias sem a necessidade de apresentação da receita médica. Um estudo realizado na Espanha, com uma amostra de 2900 indivíduos, mostrou que 20,6% da população incluída neste estudo utilizavam algum tipo de AINE sem prescrição médica (TALLEY et al., 1995).

Osorio et al. (2014), realizaram um estudo com pacientes maiores de 18 anos que eram atendidos no Departamento de Medicina Interna da Fundación Hospital San Carlos na cidade de Bogotá e, os resultados da pesquisa apontaram que 30% dos pacientes fizeram o uso de AINEs sem a prescrição médica. A inda segundo Lee e Cryer (2011), o alto consumo de AINEs por iniciativa do próprio paciente é reflexo da facilidade em se comprar estes fármacos sem a prescrição médica. Estas pesquisas corroboram os resultados encontrados no presente estudo, onde dos 98% dos estudantes responderam fazer uso de AINEs somente 22,7% declaram que a administração destes fármacos era com orientação de algum profissional da saúde.

Um dos fatos que pode justificar o consumo de AINEs e a automedicação de estudantes é que durante a faculdade, o graduando passa por situações de estresse e sobrecarga que podem acarretar em dores que justificariam o alto consumo de analgésicos e miorrelaxantes, porém estudos demonstram que estes medicamentos são muito consumidos, não só em casos de estresse ou cansativa jornada de aulas (PFAFFENBACH, 2010). Com o objetivo de comparar os dados obtidos no presente estudo, foi realizado um levantamento bibliográfico com estudos envolvendo a automedicação entre estudantes universitários e do ensino médio realizados no Brasil e em Portugal. A tabela 1 demonstra estes resultados e a Figura 14 apresenta a comparação entre estes estudos com a pesquisa realizada na Universidade Anhembi Morumbi.

Tabela 1- Levantamento bibliográfico de estudos sobre automedicação de estudantes

Autor/ano Público alvo Resultados
Alves e Malafaia, 2011 Estudantes do Instituto Federal de Goiás (IFGO), Campus Urutaí A prevalência geral da automedicação foi de 68,3% entre os estudantes, com prevalência do uso de medicamentos da classe dos analgésicos, antipiréticos, antibióticos e anti-inflamatórios, sendo também observado pouco conhecimento sobre os efeitos adversos ou as contraindicações do medicamento consumido.
Arruda et al., 2011 Estudantes da Universidade Federal do Tocantins (UFT), Campus Araguaína 98% dos entrevistados já compraram e utilizaram medicamentos sem prescrição médica, sendo que 48% disseram que o medicamento necessitava de receita para a compra, mas, mesmo assim foi vendido na farmácia com orientação de um farmacêutico.
Neto et al., 2006 Estudantes da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) Foi realizado um estudo sobre automedicação com 213 estudantes do 1°, 2°, 8° e 9° períodos, onde foi verificado que 75% dos entrevistados adquiriram medicamentos sem apresentação da prescrição e, que 90% dos estudantes julgaram não ser necessária uma consulta médica para a utilização de certos medicamentos.
Cabrita et al., 2001 Estudantes da Universidade de Lisboa (UL) Foi realizado um estudo com 1147 estudantes, onde 57% dos alunos responderam que utilizaram medicação na quinzena anterior ao estudo, dos quais 78% necessitavam de prescrição médica obrigatória. 15% dos medicamentos citados na pesquisa eram AINEs, sendo o paracetamol o fármaco mais utilizado. A prevalência de automedicação entre os estudantes foi de 19%
Dhamer et al., 2012 Estudantes da área de saúde da Universidade de Santa Cruz do Sul (USCS) Foram avaliados 342 alunos, onde a prevalência do uso de medicamentos entre os pesquisados foi de 68,7% no último mês, destes 64,3% declararam utilizar estes medicamentos com prescrição médica ou orientação de farmacêutico e, 29,1% foram automedicados. As classes de medicamentos mais utilizados foram os antitérmicos e analgésicos com 48,8% das respostas.
Guidoreni et al., 2015 Estudantes do curso de enfermagem do Centro Universitário de Volta Redonda (UniFOA) Dos 155 alunos entrevistados 90,96% declararam se automedicarem, os AINEs estão entre os fármacos mais utilizados, onde o dipirona foi citado por 96,1%, o paracetamol por 83,9%, AAS por 38,7% e diclofenaco por 37,4% dos alunos entrevistados.
Gushiken et al., 2013 Estudantes da Faculdade de Medicina de Jundiaí Foram entrevistados 275 estudantes do curso de medicina e, 94,6% declaram realizar a automedicação, sendo que 91,6% disseram utilizar analgésicos sem a prescrição de um profissional, 87,3% AINEs e 60,4% antitérmicos.
Luz et al., 2014 Estudantes da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) Foram entrevistados 128 alunos dos cursos de biologia, biomedicina e engenharia elétrica, onde 48,4% dos alunos responderam ter utilizado medicamentos sem prescrição nos 30 dias que antecederam a pesquisa.
Silva et al., 2019 Estudantes universitários do município de Imperatriz (MA) Ao todo foram entrevistados 396 estudantes universitários, sem qualquer exclusão da área de conhecimento dos cursos, onde 70% dos alunos afirmaram realizar a automedicação ou então seguir a indicação de familiares amigos ou vizinhos.

Os dados apresentados na pesquisa de Arruda et al., (2011) com alunos da UFT apresentou os mesmos índices de automedicação, com 98% dos alunos entrevistados respondendo utilizar medicamentos sem a prescrição de um profissional da saúde, seja ele médico ou farmacêutico. Os estudos de Guidoreni et al (2015) e Gushiken et al (2013) também apresentaram índices elevados, salientando que a pesquisa de Guidoreni et al (2015) foi realizada com estudantes do curso de enfermagem e Gushiken et al (2013) com estudantes do curso de medicina, estes trabalhos, juntamente com o presente estudo, demonstram a uma leve tendência dos índices de automedicação ser mais elevada entre os estudantes da área de saúde. O trabalho de Cabrita et al., 2001, apresentou valores destoantes se comparados com os demais estudos, uma das possíveis causas da divergência entre os resultados pode ser a diferença cultural entre os países.

Figura 14- Gráfico comparativo referente a automedicação de estudantes em diferentes pesquisas e em vermelho, o resultado da pesquisa realizada na Universidade Anhembi Morumbi.

Fonte: Autor.

Dos AINEs utilizados pelos estudantes entrevistados, a dipirona foi a mais utilizada, com 89,7% das respostas, seguido pelo paracetamol com 85,5% e ibuprofeno com 71,6%. O trabalho de Guidoreni et al (2015) apresentou valores próximos do presente estudo, com 96,1% dos entrevistados afirmando fazer uso da dipirona e 83,9% do paracetamol.

O conhecimento do uso terapêutico dos AINEs entre os estudantes foi elevado, com 98% dos entrevistados afirmando conhecer as indicações, dosagens, contraindicações e efeitos adversos destes medicamentos. Considera-se esse resultado significativo, visto que para que ocorra uma indicação clínica de um AINE é preciso levar em consideração a relação existente entre a eficácia terapêutica e a tolerabilidade dos efeitos adversos (OGA et al., 2008). Tierling et al. (2004) realizaram um estudo na cidade de Porto Alegre com o objetivo de avaliar o conhecimento sobre a designação genérica, uso e composição de analgésicos contendo ácido acetilsalicílico em sua composição, os resultados desta pesquisa indicaram que a maioria dos entrevistados simplesmente desconheciam qual a substância ativa estava presente em um fármaco de uso frequente, este dado demonstra a necessidade de o domínio do profissional da saúde a respeito das ações farmacológicas destes e quaisquer outros medicamentos, uma vez eles serão responsável pela orientação a respeito da posologia para a paciente.

Neto et al (2006) observaram em seu estudo que os alunos dos períodos iniciais recorriam a amigos e familiares na prática da automedicação, já os alunos dos períodos finais, por terem maior informação acadêmica, não buscavam em terceiros a indicação de fármacos, os próprios acadêmicos se automedicam com base em seus conhecimentos prévios. Ainda, segundo os autores, este fato demonstra uma dicotomia na origem da informação para a automedicação, onde os leigos frequentemente buscam orientação para tal prática em outros indivíduos, enquanto os mais informados buscam em si próprios.

Entre os alunos que participaram do presente estudo, 97% responderam utilizar algum tipo de AINE para alívio de dor. Luz et al 2014 em uma pesquisa com estudantes da UFU reportaram que 95% dos estudantes do curso de biomedicina e 82% dos estudantes do curso de biologia afirmaram realizar a automedicação para o alívio de dores de cabeça, sendo que todos os alunos responderam utilizar analgésicos e antipiréticos para o alívio das queixas relatadas. Segundo Sá et al. (2007), sintomas como febre e dores são os principais indutores da automedicação e, por se tratar de transtornos considerados menores e devido à precariedade da saúde pública, que em muitas vezes dificulta o acesso à serviços médicos básicos, induzem a prática da automedicação.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A automedicação é uma prática amplamente difundida no Brasil e em outros países e, pode acarretar efeitos colaterais indesejáveis, como o mascaramento de sintomas e doenças até o surgimento de enfermidades iatrogênicas. Os anti-inflamatórios não esteroides constituem um grupo terapêutico de interesse pela combinação de propriedades analgésicas, antipiréticas e anti-inflamatória, tornando-os bastante atraentes para médicos e pacientes, este fato pode explicar o alto índice de estudantes do curso de medicina da Universidade Anhembi Morumbi que realizam a automedicação com fármacos paracetamol, dipirona, ibuprofeno e ácido acetilsalicílico. O perfil encontrado no presente estudo coincide com muitas pesquisas realisadas atualmente em universitários, provavelmente pelo fatos destes jovens acadêmicos ficarem sujeitos ao cansaço, stress e dores de cabeça, aumentando assim o consumo destes fármacos.

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ANEXO I

[1] Discente do Curso de Farmácia.

[2] Discente do Curso de Farmácia.

[3] Discente do curso de Farmácia.

[4] Discente do curso de Farmácia.

[5] Discente do Curso de Farmácia.

[6] Mestrado em Parasitologia; Graduação em farmácia.

Enviado: Setembro, 2019.

Aprovado: Outubro, 2019.

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