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Atuação Farmacêutica em Centro De Atenção Psicossocial: Adulto (CAPS)

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CONTEÚDO

CAMARGO, Thaís Vieira [1]

CAMARGO, Thaís Vieira. Atuação da farmacêutica em centro de atenção psicossocial: Adulto (CAPS). Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento, ano 1, Vol.7. p. 16-23. ISSN:2448-0959

RESUMO

O presente estudo tem como objetivo discutir a atenção farmacêutica em serviços de saúde mental, promovendo o uso racional de medicamentos e o bem estar destes pacientes com transtornos mentais. A atenção farmacêutica e a humanização facilita a inserção do projeto terapêutico na instituição construindo e acompanhando suas atividades. De forma concreta a relação terapêutica entre o profissional e o paciente se faz a necessidade especifica para Atenção Farmacêutica, que se apresenta como um ato de cuidado na integralidade biopsicossocial, com a visão de diminuir o estado patológico. Nesta prática clínica o farmacêutico vem sendo inserido nos serviços de saúde.

PALAVRAS CHAVES: Transtornos Mentais. Humanização. Biopsicossocial.

INTRODUÇÃO

Após a Reforma Psiquiátrica brasileira o modelo hospitalocentrico foi substituído por um modelo antimanicomial, que substituiu uma rede de serviços nos territórios com o direcionamento para a atenção psicossocial da comunidade. Com esta expansão os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) assumem a importância na saúde mental do país, revertendo assim o modelo hospitalocentrico.

Os Centros de Atenção Psicossocial foram destinados para realizar um suporte para os pacientes com transtornos mentais, tendo o embasamento não só na clinica, mas sim na compreensão da situação em que estão envolvidos, realizando intervenções para que seja assegurada sua reinserção em sua família e sociedade. Realizando assim a integralidade, a equidade desta população esquecida por muitos anos nos antigos manicômios existentes no país.

Ao longo de muitos anos o farmacêutico vem exercendo diversas funções além de vender medicamentos em drogarias e farmácias de manipulação, muitas profissionais exercem em diversos serviços de saúde pública a atenção farmacêutica e a assistência farmacêutica.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a Atenção Farmacêutica e a Assistência Farmacêutica têm pontos em comum. De acordo com a Política Nacional de Medicamentos (PNM), podemos defini-las como “grupo de atividades relacionadas com o medicamento, destinadas a apoiar as ações de saúde demandadas por uma comunidade”.

O presente trabalho tem como objetivo discutir a atenção farmacêutica em serviços de saúde mental, com o uso racional de medicamentos e a promoção à Saúde e o bem estar destes indivíduos com transtornos mentais.

Com interação nos serviços públicos municipais, este estudo se torna de grande importância para criar alguns parâmetros para o farmacêutico, a equipe multiprofissional e alguns setores que promovam ações com objetivos específicos e serviços que estejam relacionados aos medicamentos psiquiátricos utilizados para estes indivíduos.

Nos serviços especializados do município de São Paulo, os CAPS possuem profissionais farmacêuticos que realizam ações com o cuidado individual do paciente e em conjunto com família.

A Atenção Farmacêutica nestes serviços envolvem também a humanização, facilitando o projeto terapêutico na instituição, com a construção e o acompanhamento destas atividades e a sua individualidade.

CENTRO DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL – CAPS

Os Centros de Atendimentos Psicossociais (CAPS) são instituições designadas a acolher os pacientes com transtornos mentais, estimulando a sua integração social e familiar, apoiando em suas iniciativas para a busca da autonomia, oferecendo atendimento médico e psicológico.  Possui característica principal a busca pela integração a um ambiente social e cultural concreto, designando como seu território, o espaço da cidade onde desenvolve a sua vida quotidiana, de usuários e familiares. Os CAPS constituem a principal estratégia para o processo de reforma psiquiátrica.

Com a reforma Psiquiátrica, que aconteceu entre os anos de 1978 a 1991, tínhamos principalmente na década de 1960 que o modelo utilizado era o hospital psiquiátrico antigos manicômios. O tratamento para pacientes com transtornos mentais era feito o depósito destes por suas famílias, e assim esquecidos por varias décadas.

A reforma psiquiátrica modificou os paradigmas de muitas instituições brasileiras, instituindo no Serviço Único de Saúde (SUS) um novo modelo de atendimentos a estes pacientes, que seriam os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).

A finalidade do CAPS é realizar suporte aos pacientes com transtornos mentais, realizando não só tratamentos clínicos, mas também a promoção de intervenções que façam “a reinserção destes pacientes no contexto social e familiar”. Com isto, propõem que se realizem “ações de integralidade a atenção e a humanização a assistência” promovendo condições para que existam relacionamentos sadios entre a equipe multiprofissional e o paciente com transtorno mental, de modo a realizar um projeto terapêutico singular (PTS) de acordo com as necessidades de cada paciente e da sua situação familiar.

O CAPS é formado por uma equipe contento profissionais especializados, na qual o farmacêutico está inserido nesta equipe promovendo além da distribuição dos medicamentos, o controle rigoroso dos receituários, as prescrições médicas para que este indivíduo tenha neste serviço uma atenção especializada farmacêutica.

ATENÇÃO FARMACÊUTICA NO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE (SUS)

“Atenção Farmacêutica é um conceito de prática profissional no qual o paciente é o principal beneficiário das ações do farmacêutico. A atenção é o compêndio das atitudes, dos comportamentos, dos compromissos, das inquietudes, dos valores éticos, das funções, dos conhecimentos, das responsabilidades e das habilidades do farmacêutico na prestação da farmacoterapia, com objetivo de alcançar resultados terapêuticos definidos na saúde e na qualidade de vida do paciente.” (ANVISA).

Quando apresentamos a real importância da atenção farmacêutica procuramos criar parâmetros para que o farmacêutico realize esta prática com estes pacientes com transtornos mentais. Segundo a própria Agencia Nacional de Vigilância Sanitária, a atenção farmacêutica procura realizar atitudes e compromissos com os seus pacientes, realizando uma farmacoterapia adequada à patologia, que faz com estes se tornem dependentes de uma terapêutica eficiente.

Na gestão farmacêutica em serviços de saúde pública há duas divisões como:

  1. Assistência Farmacêutica Ambulatorial, em que realizamos a dispensação dos medicamentos para os usuários do serviço público municipal utilizar em suas residências;
  2. Assistência Farmacêutica Hospitalar sendo realizado a dispensação interna para os pacientes em setores internos dos hospitais e todas as clínicas existentes no serviço.

Estas duas formas de assistência procuram realizar uma assistência farmacêutica ambulatorial que está mais relacionada com a secretaria estadual de saúde e a assistência farmacêutica hospitalar esta vinculada com as secretarias estaduais e municipais.

A partir do momento em que procuramos relacionar a filosofia da atenção farmacêutica incluímos diversos elementos. Primeiramente com uma necessidade social e continua com um enfoque centrado no paciente para satisfazer a necessidade, que o elemento central a assistência é sim outra pessoa mediante o desenvolvimento e a manutenção de uma relação terapêutica e finaliza assim com uma descrição das responsabilidades concretas do profissional (MOREIRA, 2003).

Em sua função farmacêutica procura-se satisfazer uma real necessidade de atender os pacientes individualmente. Muitas premissas filosóficas da atenção farmacêutica ressaltam que a assistência farmacêutica se responsabiliza e contribui para que a sociedade tenha um tratamento farmacológico eficaz com qualidade e segurança. (MOREIRA, 2003).

De maneira eficiente a necessidade desta sociedade busca no profissional farmacêutico ações relevantes e o foco no paciente irá demandar um estudo farmacoterápico específico e comtemplem os transtornos mentais e suas comorbidades evidenciadas em sua prática clínica neste serviço especializado (MOREIRA, 2003).

Na atenção farmacêutica se faz em um planejamento entre o paciente e o farmacêutico, e o profissional assim garante ao paciente compromisso, habilidade e a competência necessária para promover esta ação. Sendo assim estabelece-se um vínculo, que faz o sustento da relação terapêutica, identificando as funções primordiais e as responsabilidades de cada um quando se tem uma participação ativa. Quando trabalhamos com problemas relacionados à terapia medicamentosa, verificamos as formas reais e potencias da qual a droga se manifesta ao longo do processo farmacocinético e farmacodinâmico no organismo.

Em forma concreta a relação terapêutica entre o profissional e o paciente faz-se a necessidade especifica para atender a assistência à saúde do paciente.  Apresenta-se então um ato de cuidado na integralidade biopsicossocial do indivíduo e não apenas na visão de diminuir o estado patológico.

A atenção farmacêutica procura resolver um importante problema social da mortalidade relacionada com o uso de medicamentos, empregando assim um cuidado centrado no paciente e uma responsabilidade profissional definida. O farmacêutico responsabiliza-se pela real necessidade, segurança e efetividade da farmacoterapia do paciente. Isto consegue mediante a identificação, resolução e prevenção dos problemas relacionados com medicamentos.  O problema relacionado com medicamentos é de saúde pública vinculada à farmacoterapia que interfere nos resultados e na qualidade de vida do usuário.

Ao prestar atenção farmacêutica o profissional se responsabiliza em garantir ao paciente que poderá cumprir os esquemas farmacoterápicos prescritos pelo médico e ao mesmo tempo seguir o plano de assistência, incluindo assim uma boa forma de se alcançar bons resultados.

ATUAÇÃO DO FARMACÊUTICO EM CAPS DE SAÚDE MENTAL

O serviço farmacêutico em unidades de saúde na cidade de São Paulo vem a cada ano sendo mais valorizado, pois os profissionais buscam uma melhoria para que este seja de boa qualidade, apesar de muitos anos como farmacêutica, demonstra que a atenção farmacêutica realizada com uma população extremamente carente de informação e também de cuidados.

Na profissão farmacêutica existem alguns paradigmas, a função do profissional farmacêutico está relacionada com a dispensação de medicamentos industrializados e magistrais. Com o passar dos anos o profissional farmacêutico conseguiu atuar em diversas áreas diferenciadas, transformando assim os conhecimentos adquiridos.

Hoje a prática do farmacêutico está ainda mais diversificada, pois após algumas aprovações realizadas no âmbito farmacêutico, faz com ele atue também em equipes multiprofissionais que vem sendo adotadas em muitos serviços de saúde.

O trabalho de referência no CAPS, organiza­do por meio de profissionais ou equipes de re­ferência, cujo funcionamento se fundamenta na construção conjunta e colaborativa do projeto terapêutico do paciente. Além dos membros que constituem a equipe terapêutica tradicional, pode-se contar com a presença de outros profis­sionais, dentre eles o farmacêutico.

Especificamente nos CAPS, o profissional vem desenvolvendo muitas ações pertinentes à atenção farmacêutica, com relação aos medicamentos. (ZANELLA, 2015)

Os medicamentos constituem ferramentas poderosas para diminuir o sofrimento destes pacientes com transtornos mentais.

Segundo a OMS, o medicamento é “todo produto utilizado para modificar ou investigar sistemas fisiológicos ou estados patológicos, em benefício da pessoa que o utiliza”, produzem curas e prolongam a vida retardando o surgimento de várias complicações associadas às do­enças, facilitando assim o convívio entre o indivíduo e sua enfermidade.

Entretanto, muitos fatores estão relaciona­dos ao processo de utilização dos medicamentos que se refletem no efeito terapêutico desejado. Desta forma, torna-se importante instruir o paciente acerca do uso dos medicamentos psico­trópicos, identificando potenciais barreiras que podem comprometer o sucesso do tratamento.

Na prática assistencial desenvolvida, pode destacar o serviço de dispensação farmacêutica, que configura apenas com a oca­sião em que determinada receita ou prescrição é aviada, não sendo assim como troca de mercadoria por receita médica. (ZANELLA, 2015)

O mais im­portante que o medicamento recebido pelo pa­ciente se transfora em informação educativa a respeito da terapia envolvida neste processo. O fluxo desta informação e previamente iniciado na consulta médica e tem continuidade na farmácia.

Durante a dispensação, o farmacêuti­co deve informar e orientar o paciente sobre o uso adequado dos medicamentos, com ênfase no cumprimento da farmacoterapia, interação com outros medicamentos, alimentos e exames laboratoriais, conhecimento das reações adver­sas em potencial e as suas condições de conservação o medicamento. (ZANELLA, 2015)

Esta função informativa e educativa da dispensação torna-se peça chave na cadeia da atenção farmacêutica, sobretudo no âmbito da saúde mental. A inserção do profissional farmacêutico no contexto do CAPS e suas ações e intervenções visam o uso racional de medicamentos, principalmente os psicotrópicos.

De acordo com a Portaria SVS/MS nº 344, de 12 de maio de 1998, “o farmacêutico é o profissional responsável pela dispensação de medicamen­tos controlados, que deve ocorrer com a sua autorização, após a avaliação da prescrição e da no­tificação de receita”.

Existe a necessidade de ações que possibilitem o aprimo­ramento contínuo do farmacêutico, realizando assim a compreensão do seu papel junto à equipe multidisciplinar para que este profissional esteja apto à prática clínica voltada aos pacientes com transtornos mentais.

CONCLUSÕES

Com este estudo verificou-se a necessidade do farmacêutico estar mais próximo da clinica perante a um serviço especializado como o CAPS, pois estes pacientes com transtornos mentais buscam nestes serviços não somente o alivio dos sintomas, mas sim uma forma de sociabilização na sociedade que o impede de conviver e ao mesmo tempo de voltar ao seio de sua família como pessoas capazes de convívio.

Estas pessoas portadoras de transtornos mentais ao longo de muitos anos buscaram ajuda, mas sempre foram colocados enclausurados em hospitais e em manicômios, sabemos que existe muito sofrimento, decepção e desinteresse para que eles tenham o mínimo de dignidade.

Ao relacionarmos com a pratica da atenção farmacêutica faz com que esta prática nos proporcione a tão sonhada farmácia clinica que em alguns países o farmacêutico realiza e é muito valorizada.

REFERÊNCIAS

– Araújo, Alison da Luz André de, and. Osvaldo de Freitas. “Concepções do profissional farmacêutico sobre a assistência farmacêutica na unidade básica de saúde: dificuldades e elementos para a mudança.” Braz Journal Pharm Sciences 42.1 (2006): 137-146.

– Ferrazza, Daniele De Andrade, ET al. “A banalização da prescrição de psicofármacos em um ambulatório de saúde mental.” Paidéia (Ribeirão Preto) (2010): 381-390.

– Giovanella, Lígia, ET al. Políticas e sistema de saúde no Brasil. Scielo-Editora FIOCRUZ, 2012.

– Mângia, Elisabete Ferreira, and Selma Lancman. “Núcleos de Apoio à Saúde da Família: integralidade e trabalho em equipe multiprofissional.” Revista de Terapia Ocupacional da Universidade de São Paulo 19.2 (2008).

– Mendes, Eugênio Vilaça. “A organização da saúde no nível local.” Saúde em debate. Vol. 117. Hucitec, 1998.

– Reis, Adriano Max Moreira. “Atenção farmacêutica e promoção do uso racional de medicamentos.” Espaço para Saúde 4.2 (2003): 1-17.

– Ribeiro, Paulo Rennes Marçal. Saúde mental no Brasil. Arte & Ciência, 1999.

– Vieira FS. Assistência farmacêutica no sistema público de saúde no Brasil. Rev. Panam Salude Publica. 2010; 27(2): 149–56.

-Bravo, Maria Inês Souza. “Política de saúde no Brasil.” Serviço Social e Saúde: formação e trabalho profissional (2006).

-Mestriner, Darlene Caprari Pires. O farmacêutico no serviço público de saúde: a experiência do município de Ribeirão Preto-SP. Diss. Universidade de São Paulo, 2003.

-Ricieri, M. C., et al. “O Farmacêutico no contexto da estratégia em saúde da família, que realidade é esta?” Visão Acadêmica 7.2 (2006).

-Zanella, Carolina Gomes, Patrícia Melo Aguiar, and. Sílvia Storpirtis. “Atuação do farmacêutico na dispensação de medicamentos em Centros de Atenção Psicossocial Adulto no município de São Paulo, SP, Brasil.” Rev. Ciênc. Saúde Col. 20.2 (2015): 325-32.

[1] Farmacêutica, pesquisadora da Faculdade Metodista de Piracicaba, e-mail : [email protected]

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