Relato de experiência da implantação do acolhimento com classificação de risco na Unidade Básica de Jataí-GO

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ARTIGO ORIGINAL 

GOMES, Letícia Souza Neves[1], BRASILEIRO, Marislei Espíndula [2]

GOMES, Letícia Souza Neves. BRASILEIRO, Marislei Espíndula. Relato de experiência da implantação do acolhimento com classificação de risco na Unidade Básica de Jataí-GO . Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 03, Ed. 11, Vol. 08, pp. 156-171 Novembro de 2018. ISSN:2448-0959

RESUMO

Este estudo tem o objetivo de relatar a experiência de implantação do acolhimento com classificação de risco no Município de Jataí/GO, que visa melhorar a qualidade no atendimento, de acordo com a Política de Humanização. Foram utilizados como materiais e métodos, a criação de um grupo de estudo, com a presença de 2 acadêmicos de enfermagem, 01 professora e 3 estagiárias de enfermagem, e profissionais Enfermeiros da atenção básica de Jataí, que se reuniram em 5 encontros, e após discutido e repassado, criaram o plano piloto por 90 dias. Em relação à obtenção dos resultados, estes serão através da ouvidoria ativa do município. Por fim, a título de conclusão, percebe-se uma diminuição da população nas redes de urgências e emergência, e uma maior sobrecarga nas unidades básicas de saúde e do profissional Enfermeiro, por ser novo gerou uma certa negação dos paciente classificados em azul, e já os que realmente necessitava de consulta médica percebeu se satisfação no atendimento humanizado.

Palavra – Chave: acolhimento, humanização, classificação.

INTRODUÇÃO

A Reforma Sanitária desencadeou um processo que culminou na implantação do SUS, ainda no ano de 1988, o que foi seguido no ano de 1990, pela criação da Estratégia da Saúde da Família, o que demonstra as atuações positivas do SUS para criar uma melhor organização dos níveis de atenção à saúde, muito embora ainda seja claro que existem problemas relacionados à questão.

Considerando a demanda, não é fácil que os serviços que envolvem o setor da saúde, através de políticas públicas, sejam considerados efetivos na sua totalidade. Importante citar o acertado comentário de Toscano (2001), quando este afirma que “a falta de estrutura dos postos de saúde e a reduzida oferta de serviços para resolver os problemas simples da população levam os pacientes a procurarem os hospitais que possuem atendimento de emergência, na certeza de que vão encontrar um médico”.

Nesse sentido, é significativo citar a definição de urgência e emergência disposta na Resolução 1451/95 do Conselho Federal de Medicina:

URGÊNCIA, ocorrência imprevista de agravo à saúde com ou sem risco potencial de vida, cujo portador necessita de assistência médica imediata’, e EMERGÊNCIA, como ‘a constatação médica de condições de agravo à saúde que impliquem em risco iminente de vida ou sofrimento intenso, exigindo, portanto, o tratamento médico imediato.

Não obstante, tem sido questionado pelo Ministério da Saúde, a utilização das referidas definições, uma vez que estas apresentam significados semelhantes, podendo gerar dúvidas ou ambiguidades de sentido, tendo em vista que, nas duas definições apresentadas pelo Conselho Federal de Medicina, o paciente depende de atendimento imediato (BRASIL, 2006).

Nesse sentido, o interesse em relatar uma experiência da implantação do acolhimento com classificação de risco nas Unidades Básicas de Jataí/GO, teve início ao se observar, no cotidiano, a aglomeração da população na rede de urgência e emergência, e não na Unidade Básica de Saúde, como se espera no SUS.

Isso ocorre, provavelmente, devido à cultura da população em buscar ações curativas, falta de cobertura de área por agentes comunitários de saúde, além da restrita divulgação do papel da atenção básica junto ao usuário.

De acordo com o PNAB (2017):

A atenção básica é um conjunto de ações voltadas a saúde individual, familiares e coletivas, que envolvem promoção, prevenção, proteção, diagnostico, tratamento, reabilitação, diminuição de danos, cuidados paliativos e vigilância em saúde, desenvolvida por meio de práticas de cuidados integrados e gestão qualificada, trabalho feito pela equipe multiprofissional e multidisciplinar que guia a população para cuidados com sua equipe da área adstrita, no qual as equipes assumem responsabilidade total sobre a saúde pública desta área , de acordo com a política nacional da atenção básica.

A seu turno, a rede de atenção às urgências e emergências, é um trabalho terciário, cujo objetivo é realizar o acolhimento com classificação de risco, embora o foco seja voltado para a resolutividade, uma vez que a finalidade é oferecer melhoras na qualidade do atendimento, generalizando a humanização na avaliação, visando o paciente como um todo, porém, em situações de urgências e emergência de forma ágil e oportuna, segundo o ministério da saúde 2011 (PNAB, 2017).

Doutra banda, importante mencionar que a classificação de risco é uma proposta de melhoria de acessibilidade da população, bem como de acolhimento, escuta e resolutividade e equidade face aos problemas, devendo levar em conta a vulnerabilidade de cada usuário do SUS, segundo a avaliação de risco e a política nacional de humanização, levando os profissionais e usuários a pensar nas mudança de conceitos sobre a ordem de atendimento, ou seja, de que não serão atendidos segundo a ordem de chegada, mas sim com a estratificação de risco (ibid).

Dessa forma, é possível se certificar que, quando existe uma boa estratégia de saúde da família, segundo a normatização da Política Nacional da Atenção Básica, é possível evitar vários tipos de doenças, dentre elas a diarréia, dengue, hanseníase, hipertensão, diabetes, depressão, ist´s, câncer de útero e mama, dentre outras.

No tocante aos dados epidemiológicos, importante mencionar que, a forma de atendimento que se utiliza, sendo a ordem de chegada, não condiz com as reais necessidades dos usuários, o que gera filas e aglomerações de pessoas nas portas das Unidades de atendimento, já que esta premissa é extemporânea.

Assim sendo, os países de primeiro mundo, desde a década de 1990, vem buscando uma forma de inverter o sistema de atendimento, o que surgiu em paralelo com os primeiros protocolos de triagem das urgências em um caráter sistematizado (CHRIST, 2010).

É fato que existem alguns diferentes modelos de triagem, podendo aqui mencionar alguns, que são considerados os mais sistêmicos e avançados:

Modelo Australiano (Australasian Triage Scale – ATS) – Foi o pioneiro e usa tempos de espera de acordo com gravidade;

Modelo Canadense (Canadian Triage Acuity Scale – CTAS) – Muito semelhante ao modelo australiano, é muito mais complexo e está em uso em grande parte do sistema canadense. O mecanismo de entrada é uma situação pré-definida;

Modelo de Manchester (Manchester Triage System – MTS) – Trabalha com algoritmos e discriminadores chaves, associados a tempos de espera simbolizados por cores. Está sistematizado em vários países da Europa. O mecanismo de entrada é uma queixa ou situação de apresentação do paciente;

Modelo Americano (Emergency Severity Index – ESI) – Trabalha com um único algoritmo que foca mais na necessidade de recursos para o atendimento. Não é usado em todo o país;

Modelo de Andorra (Model Andorrà del Trialge – MAT) – Baseia-se em sintomas,

discriminantes e algoritmos mas, é de uso complexo e demorado (tempo médio de

8 minutos) (CHRIST, 2010).

No Brasil, o protocolo adotado é o de Manchester, onde é realizada a classificação do paciente com base no sintoma que este apresenta, através de uma triagem, que determina o tempo que o paciente pode esperar (SILVA, 2012).

Referido programa possui tal denominação por ter sido aplicado, inicialmente, na cidade de Manchester, ainda no ano de 1997, tendo sido implementada, de forma rápida, em diversos hospitais do Reino Unido. Em Portugal, praticamente todos os hospitais utilizam referido sistema, assim como vários países da Europa estão trabalhando no programa, realizando sua implantação, sendo estes, Suécia, Espanha, Alemanha, Holanda, dentre outros (SILVA, 2012).

De acordo com Mezzomo (2001), o estado pioneiro na implantação do sistema de Manchester foi Minas Gerais, onde já se utilizava a classificação das cores para organizar o fluxo dos pacientes. No ano de 2011, referido Protocolo foi implantado, como piloto, em 24 postos de saúde.

Ainda de acordo com informações do autor (ibid), na cidade de Curitiba, o Protocolo foi implantado sem a realização de um projeto piloto, sendo levado, de uma vez, à totalidade das Unidades de Saúde, embora a adaptação dependa de cada Unidade de Saúde.

Na cidade em estudo, com a intenção de promover melhorias em relação ao atendimento, o Município, através da Secretaria de Saúde, implantou nas Unidades de Atendimentos (UPA) e também no Hospital das Clínicas, o protocolo de acolhimento com classificação de risco, semelhante ao do Ministério da Saúde, ou seja, o acolhimento baseado na classificação de riscos através das cores, o que possibilita atendimento mais rápido para as situações mais graves (DOURADO, 2018).

Ainda de acordo com o autor (ibid), ao seguir referido Protocolo, é realizado um atendimento prévio, denominado triagem, onde são observados os sintomas apresentados pelo paciente, além da verificação dos sinais vitais do mesmo, o que inclui aferição de pressão arterial, glicemia e batimentos cardíacos. Oportunidade em que se conclui pelo tempo de espera que o paciente pode ser submetido.

Isto posto, é possível entender que, em busca da qualidade do atendimento à população, o programa demonstra a necessidade da implantação do acolhimento com classificação de risco nas redes de atenção básica no município de Jataí/GO, que tornou-se comum nas últimas décadas para a melhoria do acesso ao atendimento da comunidade, em diversas áreas de procura dentro da estratégia de saúde da família.

Considerando o problema na demora ao atendimento aos pacientes das Unidades de Saúde, e que estudos anteriores já foram realizados com a finalidade de apresentar soluções para o problema, mas que não se mostraram efetivos, ao observar os desafios impostos no atendimento aos usuários, na tentativa de reduzir as incoerências entres os estudos já realizados, esse estudo busca agregar conhecimento de como a incorporação do acolhimento com classificação de risco pode influenciar nos resultados obtidos.

Nesse contexto, importante destacar que o Enfermeiro possui um papel significativo na prevenção, proteção e na promoção da saúde, tendo em vista que o referido profissional está apto a realizar a classificação de risco, de forma correta e eficiente. Diante disso, é importante salientar que, embora o Município esteja se esforçando para resolver o problema da demora no atendimento, este ainda persiste, motivo pelo qual é importante saber o modo como ocorreu a implantação do acolhimento com classificação de risco na unidade básica de Jataí/GO.

Ao responder a esse questionamento, tem-se a dimensão da importância da contribuição que a implantação do Protocolo de Manchester dispensa na vida dos usuários, tendo em vista que, a nível científico, estudos revelam que o grau de confiabilidade do Protocolo possui uma variação entre o moderado e o perfeito, o que ainda apresenta a necessidade de revisão do Protocolo, a fim de elevar a reprodutibilidade do mesmo, o que é uma condição extremamente necessária para que um instrumento de medida seja confiável (GRAFF et al, 2016).

No tocante à enfermagem, o questionamento demonstra o quão é significativo trabalhar com a classificação de risco, uma vez que há uma maior interação entre o paciente e o enfermeiro que, por sua vez, será capaz de escolher, dentro do fluxograma, o nível de risco daquele paciente, momento em que define o tipo de recurso que deverá ser utilizado para o mesmo. Dessa forma, o enfermeiro protege e resguarda a integridade do paciente, afastando uma possível internação desnecessária, bem como afasta o risco da mortalidade.

Assim sendo, a utilização do acolhimento com classificação de risco, auxilia sobremaneira na resolução do problema da demora no atendimento, uma vez que prioriza os casos mais graves, utilizando conceitos médicos para definir emergência, urgência e casos mais simples, haja vista que, ao direcionar a classificação, o viés da subjetividade que permeia as decisões clínicas são minorados.

O estudo é importante em diversos aspectos, tendo em vista que, ao acolher o paciente dentro de um modelo de classificação de riscos, são resolvidos diversos problemas, como a demora para um paciente que não pode esperar por atendimento, a minoração da quantidade de pessoas aglomeradas em uma única Unidade de Saúde, uma vez que, os casos sem gravidade podem ser encaminhados para as UPA’s. Além de gerar, dessa forma, mais satisfação no paciente urgente.

OBJETIVOS

OBJETIVO GERAL

Relatar a experiência de implantação do acolhimento com classificação de risco, a partir do plano piloto elaborado nas referidas Unidades Básicas de Saúde;

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Identificar quais as estratégias defensivas, tanto coletivas quanto individuais utilizadas pelos enfermeiros nas Unidades Básicas de Saúde, a partir do atendimento baseado no acolhimento com classificação de risco;

Demonstrar a repercussão trazida às Unidades Básicas de Saúde através do acolhimento com classificação de risco.

DESCRIÇÃO DA EXPERIÊNCIA

A pesquisa trata-se de um estudo realizado na forma quantitativa e descritiva, desenvolvido em nove Unidades Básicas de Saúde, cujo atendimento é realizado na forma integral aos usuários do Sistema Único de Saúde.

Atualmente, Jataí conta com 13 Unidades Básicas de Saúde, que atendem suas áreas adstritas, sendo áreas cobertas e descobertas de agentes comunitários de saúde, não possuindo ambulatórios nas ambiências internas destas unidades.

Foi criado um grupo de estudos com o apoio da Universidade Federal de Goiás, composta por 1 professora enfermeira, 2 acadêmicos de enfermagem e 4 servidores enfermeiros atuantes na rede de atenção primária de Jataí. Foram realizados 2 encontros para discussão, e então repassar as considerações ao gestor e aos demais enfermeiros da rede de atenção primária.

Referido grupo discutiu acerca da necessidade que é realizar um planejamento correto, considerando que a UBS é o principal contato dos usuários com a rede de atenção básica de saúde, além de ser necessário conhecer a realidade, dinâmica e riscos que a população está exposta. Através do conhecimento do perfil da população é que será observado suas necessidades, como habitação, saúde, saneamento, para que assim os serviços de saúde sejam organizados de forma correta.

Neste primeiro momento, foram explicitadas as formas de acolhimento, equipe dia, referência e mista, e sobre a responsabilização de encaminhar o paciente. Logo, nosso grupo teve mais 3 encontros para decidirmos e passar a todos os componentes a forma de implementação do trabalho. Importante ainda destacar que, na equipe dia o enfermeiro ou o técnico de enfermagem é quem fica na linha de frente do atendimento/acolhimento, a fim de atender àqueles usuários que chegam na unidade espontaneamente, haja vista que o médico fica na retaguarda do atendimento.

Essa forma de atendimento facilita para que as equipes que não estão escaladas realizem suas atividades com mais facilidade, e todos os integrantes da equipe dia ficam com suas agendas voltadas para esse tipo de atendimento. Os profissionais que não estão escalados não tem que reservar a agenda, e atendem somente os casos agudos, assim como as situações excepcionais quando esta necessita exceder a quantidade de atendimentos da equipe dia.

Nesse sentido, a Resolução 432/2012 do COFEN considera que a classificação de risco e correspondente priorização do atendimento em Serviços de Urgência como um processo complexo, que demanda competência técnica e científica em sua execução, e considera também que o processo de acolhimento e classificação de risco como parte do sistema de humanização da assistência, objeto de padronização do Ministério da Saúde, assim como considera que a metodologia internacionalmente reconhecida para classificação de risco (Protocolo de Manchester) prevê que o usuário seja acolhido por uma equipe que definirá o seu nível de gravidade e o encaminhará ao atendimento específico de que necessita, dispondo em seu artigo 1º que, “no âmbito da equipe de Enfermagem, a classificação de risco e priorização da assistência em Serviços de Urgência é privativa do Enfermeiro, observadas as disposições legais da profissão”.

Assim como dispõe no seu artigo 2º que, “o procedimento a que se refere esta Resolução deve ser executado no contexto do Processo de Enfermagem, atendendo-se às determinações da Resolução COFEN nº 358/2009 e aos princípios da Política Nacional de Humanização do Sistema Único de Saúde”.

A equipe referência possui como característica principal o acolhimento individual pelos profissionais da sua área adstrita, que realizam a primeira escuta e conversa com o paciente sobre as possibilidades mais adequadas para atender às suas necessidades. Nesse caso, o médico fica com a responsabilidade de fazer a retaguarda dos casos considerados agudos, além de atender aos usuários que estão agendados.

Depois do acolhimento, cada paciente é encaminhado de acordo com sua necessidade, sendo então atendido pelo enfermeiro ou, caso haja necessidade, passa para o médico realizar o atendimento.

E a equipe mista, por sua vez, trabalha de forma a estipular a quantidade de usuários e o horário que cada enfermeiro da equipe acolhe dentro da demanda espontânea da sua área, assim como a quantidade de casos considerados agudos e que são encaminhados para o acolhimento médico. Para isso, um enfermeiro fica sem atendimento agendado no dia, para que consiga atender à demanda, o que da mesma forma ocorre com o médico, para que haja disponibilidade para o atendimento dos casos agudos.

Em seguida, foram chamados todos os enfermeiros da rede de atenção básica, onde, numa roda de conversa, decidiu-se realizar o feitio de um plano piloto com duração de 90 dias, onde se dividiu as unidades básicas de saúde, sendo que quatro unidades fariam o acolhimento como equipe do dia e as outras demais como equipe de referência.

No tocante a avaliação de satisfação, esta se dará através da ouvidoria ativa, ligar para os usuários atendidos pelo acolhimento com a classificação de risco, para que assim possa saber qual foi o grau de satisfação. Após esta avaliação, irá se decidir qual categoria seguir, equipe dia ou de referência.

As equipes utilizam o fluxograma instituído pelo Ministério da Saúde, como segue no seguinte trabalho, no qual é necessário seguir corretamente de acordo com sua normatização devido a responsabilização do profissional enfermeiro. No atendimento da classificação de risco e visto uma grande dificuldade de encaminhamentos, por baixa abrangência de área coberta por equipe de saúde da família, falta de profissional médico na equipe, e nos ambulatórios de especialidades, porém, é observado que usuários com resolutividade de sua queixa na classificação, saem contentes com o atendimento, já a maioria que necessita de agendamentos, saem descontentes do atendimento, com isso percebe-se que dificultou a co-responsabilização dos usuários quanto a manter a prevenção da sua saúde, tendo ido na unidade de saúde apenas por busca curativa, elevando os atendimentos de acolhimento e classificação de risco, e faltando as consultas programadas.

As cores de classificação das UBS de Jataí estão de acordo como que é preconizado pelo Ministério da Saúde:

Vermelho para os casos de urgência, onde os pacientes devem receber atendimento imediato, de emergência;

Amarelo, que indica que o paciente necessita de atendimento rápido, ou seja, de urgência;

Verde, que indica que o paciente pode esperar para receber atendimento, já que o caso é de pouca urgência;

Azul representa que o paciente tem condição de ser atendido em uma Unidade Básica de Saúde, tendo em vista que a situação não envolve urgência, podendo ser agendado.

Dos envolvidos no estudo, foram uma professora que é enfermeira, quatro enfermeiros servidores das UBS’s, sendo três do sexo feminino e um do sexo masculino, além de duas alunas do curso de enfermagem. Isto posto, referido grupo de estudos elaborarou o acolhimento com classificação de risco considerando as diretrizes e orientações que estão contidas no Humaniza SUS.

DISCUSSÃO

Durante todo o momento dos encontros, foi citado a necessidade de cobertura total de agentes comunitários de saúde na cidade, pois é uma problemática para o bom desempenho das atividades diárias da unidade básica de saúde, principalmente nas orientações de educação em saúde à população, que gera transtornos e superlotação nos atendimentos, por a população ser leiga e não procurar a unidade para prevenção, promoção e reabilitação, e sim buscar sempre pela cura, eleva o número de pacientes procurando o serviço de acolhimento com classificação de risco nas unidades, sobrecarregando toda a equipe, que impossibilita o planejamento e as ações estratégias de saúde. (PNAB-2017).

Importante, nesse contexto, ressaltar que a PNAB é uma Portaria que foi publicada no ano de 2017, cujo objetivo é estabelecer a revisão de diretrizes para a organização da Atenção Básica, isso no âmbito do Sistema Único de Saúde, a fim de atender e resolver as necessidades da população, e a Estratégia de Saúde da Família, bem como as equipes de Atenção Básica traz mudanças a longo prazo para a melhoria da saúde.

Segundo a resolução do COFEN 428/2012, o enfermeiro é o profissional responsável pela classificação de risco nas redes de urgências, devendo este ser acolhedor, humano, ser munido de conhecimento técnico cientifico, nortear o paciente de acordo com as cores da classificação, sendo este também responsável em encaminhar os usuários na rede de atenção a saúde com responsabilização, já que as unidades básicas não dispõe de ambulatórios integrados, ficando todos centralizados em um centro de especialidades municipais, que possibilita a entrada destes usuários, porém percebe se um descontentamento destes usuários agendados, por não conseguir a resolutividade no momento da avaliação do enfermeiro do acolhimento com classificação de risco, já que ele pode tanto passar por consultas no dia, ou ser agendado nos programas ofertados na unidade básica de saúde, ser encaminhado para a atenção terciária ou para o centro de especialidades médicas. No entanto, é possível observar que a maior dificuldade enfrentada e a co- responsabilização dos usuários quanto a sua própria saúde, pois não estão realizando o seguimento correto das consultas agendadas para seu devido programa. (COFEN. 2012)

Em reuniões, percebe-se os desafios da implantação do acolhimento com a classificação de risco vivenciada pelos profissionais das unidades básicas de Jataí, devido à sobrecarga no trabalho diário, porém o cumprimento correto do fluxograma citado neste trabalho é visto como um grande facilitador nos atendimentos diários, por garantir autonomia, competências clínicas, com ênfase na responsabilização. (SCHOLZE. 2014)

Isto posto, apresenta-se o fluxograma utilizado como piloto para a implantação do programa nas Unidades Básicas de Saúde. Referido fluxograma se encontra no Caderno de Atenção Básica nº 28 do Ministério da Saúde:

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Diante do exposto, ficou claro que o acolhimento com classificação de risco nas Unidades Básicas de Saúde, tem a finalidade de melhorar o acesso dos indivíduos aos serviços de saúde, o que se opera através de melhorias e de mudanças nas políticas públicas e na relação existente entre os profissionais e sua forma de atendimento aos usuários.

Isso pelo fato de que, ao realizar uma pré-consulta, o profissional é capaz de qualificar e também de classificar em que grau de risco o paciente se encontra, realizando, dessa forma, um atendimento mais seguro, priorizando os casos de emergência e resolvendo os demais de acordo com cada situação.

Referido modelo de acolhimento adotado no município, também é relevante na questão da superlotação das Unidades de Saúde, uma vez que, cada caso é encaminhado de acordo com a necessidade, de forma tal que, direciona-se a humanização para referidos serviços, gerando uma satisfação significativa tanto nos pacientes quanto nos profissionais atuantes na área.

Nesse sentido, o trabalho analisou a relação existente entre o contexto de trabalho e as estratégias do programa de classificação dentro das Unidades Básicas de Saúde, ou seja, a forma de vivência com a qual os enfermeiros lidam diariamente. Ademais, o profissional se vale de inteligência prática para fundamentar os objetivos do trabalho de acolhimento.

O fato é que, quando se realiza o acolhimento de forma humanizada, o profissional adota uma postura ética, tendo em vista que, ao ouvir o usuário, tem-se a real dimensão dos seus anseios, problemas e necessidades, o que diferencia a referida prática de apenas verificar sinais vitais e antropometria, que é apenas uma etapa do processo de assistência aos pacientes.

Diante disso, é possível entender que a política de acolhimento com classificação de risco adotada neste município, tem como objetivo estabelecer e manter uma relação mais estreita entre os usuários e os pacientes, bem como entre os próprios profissionais, gerando assim empatia e respeito no ambiente de trabalho. Isso pelo fato de que a humanização é sem dúvida, uma necessidade no âmbito da saúde, seja no ambiente hospitalar seja no ambiente de atenção primária.

Do mesmo modo, importante ressaltar a necessidade dos estabelecimentos de saúde em oferecer aos profissionais as capacitações e condições de desenvolver esse trabalho, uma vez que, se não há esses dois requisitos, o profissional não consegue desenvolver o trabalho da forma proposta.

Assim sendo, após a análise dos estudos, foi possível concluir que, quando se traz a lume os problemas e as dificuldades que existem no ambiente de trabalho, é possível que os profissionais repensem suas atitudes e ações, a fim de melhorar a qualidade no atendimento, e assim promover o atendimento de forma mais satisfatória.

Quando se implanta tal protocolo de acolhimento com classificação de risco, tem-se em vista que, para que os resultados sejam positivos é necessário que haja a vivência no processo, através da dedicação do profissional, de sua interatividade com os usuários, a feitura de educação em saúde com a população e demais profissionais, assim como o comprometimento do profissional para com sua função.

Por fim, diante da metodologia utilizada, foi possível observar que o acolhimento fundado na classificação de risco importa na humanização no atendimento aos usuários, assim como contribui para que o ambiente de saúde não fique superlotado, pois, ao atender com base no grau de necessidade apresentado pelo paciente, é possível encaminhar, se necessário, e/ou ofertar o agendamento na unidade básica.

Isso demonstra a importância que referido tipo de atendimento gera no sistema de saúde, pois é notória a melhoria no atendimento quando se utiliza o Protocolo adotado. Ressaltando que, quando se utiliza outros métodos de atendimento, é possível que haja uma exclusão social do usuário, uma vez que, dessa forma, o paciente que vai ser atendido é escolhido com base nas suas indagações, e não com base na sua real necessidade.

Diante disso, é possível afirmar que o acolhimento na classificação de risco é uma ferramenta ímpar nos setores de saúde pública do Brasil, que além de gerar uma maior satisfação nos usuários, gera também uma melhoria nas relações existentes entre os profissionais de saúde.

REFERÊNCIAS

BRASIL. Resolução nº 1451/95 do Conselho Federal de Medicina. Disponível em: < http:// www.portalmedico.org.br/resolucoes/cfm/1995/1451_1995.htm>, Acesso em 01 de agosto de 2018.

BRASIL. Portaria nº 2.436, de 21 de setembro de 2017. Aprova a Política Nacional de Atenção Básica, estabelecendo a revisão de diretrizes para a organização da Atenção Básica, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Disponível em: < http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2017/prt2436_22_09_2017.html>, Acesso em 01 de agosto de 2018.

BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Secretaria da Assistência à Saúde. Programa Nacional de Humanização da Assistência Hospitalar. Brasília(DF); 2001.Disponível em: <http://datasus.gov.br/datasus/datasus.php?>. Acesso em: 28 de julho de 2018.

BRASIL. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Acolhimento à demanda espontânea / Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. – 1. ed.; 1. reimpr. – Brasília: Ministério da Saúde, 2013. 56 p.: il. – (Cadernos de Atenção Básica; n. 28, V. 1). Disponível em: < http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/acolhimento_demanda_espontanea_cab28v1.pdf>. Acesso em: 28 de julho de 2018.

CHRIST M.; GROSSMANN F.; WINTER D.; BINGISSER R.; PLATZ E. Modern triage in the emergency department. Deutsches Arzteblatt International. 2010 Dec.; 107 (50): 892-8. Disponível em: < http://www.antares-healthlines.com/adjuntos/145.1-Dtsch_Arztebl_Int-107-0892.pdf>. Acesso em: 28 de julho de 2018.

DOURADO, Terry Marcos. Jataí (GO): Hospital das Clínicas vai atender por classificação de risco; casos mais graves vão ser prioridade. 2018. Disponível em: < http:// http://portalredepop.com/site/jatai-go-hospital-das-clinicas-vai-atender-por-classificacao-de-risco-casos-mais-graves-vao-ser-prioridade/>, Acesso em 29 de julho de 2018.

Graff I, Goldschmidt B, Glien P, Bogdanow M, Fimmers R, Hoeft A, et al. The German Version of the Manchester Triage System and its quality criteria: first assessment of validity and reliability. PLoS ONE. 2016. Disponível em: < https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24586477>. Acesso em: 28 de julho de 2018.

MEZZOMO, J.C. Gestão da qualidade na saúde: princípios básicos. Barueri: Manole, 2001.

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SCHOLZE, A.S. Acolhimento com classificação de risco para a estratégia Saude a Familia: a pratica em uma unidade docente-assistencial. Rev Bras Med Fam comunidade.;9(81):219-26, 2014. Disponivel em : http://dx.doi.org/10.5712/rbmfc9(31)637

TOSCANO, L.N.P. Uma ferramenta integrada de suporte a decisões em casos de emergências médicas hospitalares. 2001. Tese (Doutorado em Engenharia de Produção) – Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.

Artigo apresentado ao Curso de Pós-Graduação em Enfermagem , turma nº 25, do Centro de Estudos de Enfermagem e Nutrição/Pontifícia Universidade Católica de Goiás.

[1] Enfermeira, especializanda em urgência e emergência com ênfase no transporte aéreo.

[2] Doutora em Ciências da Saúde – FM-UFG, Doutora – PUC-Go, Mestre em Enfermagem – UFMG, Enfermeira, Docente do CEEN.

Enviado: Agosto, 2018

Aprovado: Novembro, 2018

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