Patologias associadas como fator de risco para o desenvolvimento de doença renal crônica em Caruaru – PE

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ARTIGO ORIGINAL

TEIXEIRA, Camilla Mércia Silva [1], AGUIAR, Alliceane Vasconcelos de [2], MENDES, Larissa dos Santos [3]

TEIXEIRA, Camilla Mércia Silva. AGUIAR, Alliceane Vasconcelos de. MENDES, Larissa dos Santos. Patologias associadas como fator de risco para o desenvolvimento de doença renal crônica em Caruaru – PE. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 04, Ed. 06, Vol. 07, pp. 21-28. Junho de 2019. ISSN: 2448-0959

RESUMO

Os crescentes índices de obesidade e sobrepeso na população brasileira, assim como a ascensão de doenças como o Diabetes Mellitus (DM) e a Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS), culminaram no aumento do risco para desenvolver Doenças Renais Crônicas (DRC). O DM e a HAS são fatores predisponentes para a doença renal, cuja importância é extrema uma vez que reflete falhas em um órgão vital, os rins. Ao analisar a população de uma cidade do agreste de Pernambuco foram encontrados, entre outros dados, altos índices de obesidade, sobretudo na população idosa. Das variáveis avaliadas há um destaque para a prevalência de HAS, que foi maior que 32% e de DM que foi maior que 13% da amostra analisada. A presença destes fatores eleva o risco de dano renal. Estratégias de incentivo à alimentação adequada e saudável, assim como a prática de atividades físicas são de extrema importância para a prevenção de agravos e promoção de saúde.

Palavras chave: Obesidade, diabetes mellitus, hipertensão arterial sistêmica, doença renal crônica.

1. INTRODUÇÃO

Caracterizada como afecção em constante crescimento, a obesidade no Brasil está tornando-se uma realidade e alcançando números expressivos. De acordo com o novo relatório da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), que têm como base dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), metade da população brasileira se encontra com sobrepeso, e 20% dos adultos brasileiros têm algum grau de obesidade (FAO, 2017).

Caracterizada por ser uma doença crônica multifatorial causada pelo excesso de tecido adiposo, a grande preocupação está, além das complicações clínicas da obesidade, nas comorbidades associadas a essa patologia. Fatores hormonais e disfunções endoteliais causadas pelo excesso de peso influenciam de forma direta no desenvolvimento de uma condição clínica desfavorável à saúde chamada de Síndrome Metabólica. O excesso de peso está associado à hipertensão arterial sistêmica (HAS) e ao diabetes mellitus (DM) que são consideradas as duas causas mais frentes de desenvolvimento da Doença Renal Crônica (SOCIEDADE BRASILEIRA DE HIPERTENSÃO, 2009).

De acordo com Mahan et al. (2010) Os principais reguladores da pressão arterial são o sistema nervoso simpático e o rim. Assim, quando estes mecanismos reguladores falham, há o desenvolvimento da hipertensão, que está normalmente associado a distúrbios metabólicos ou fatores de riscos como, a obesidade abdominal, dislipidemias e o diabetes mellitus. O excesso de peso, sobretudo na região visceral, está associado ao aumento da pressão arterial (SOCIEDADE BRASILEIRA DE HIPERTENSÃO, 2016).

Conforme Cuppari (2009) a base fisiopatológica para o desenvolvimento do DM é a resposta diminuída dos tecidos periféricos à insulina e a disfunção da célula B que secreta inadequadamente a insulina, e este mecanismo está presente principalmente em pacientes obesos.

Um estudo realizado pela Diabetes Prevention Program observou os efeitos da perda de peso, atividade física e medicação oral de metformina, na tentativa de prevenir a DM tipo 2. Os resultados mostraram que pacientes que perderam quantidades moderadas de peso através da dieta e atividade física reduziram drasticamente suas chances de desenvolver diabetes, sendo estes fatores no estudo ainda mais eficazes quando comparados à medicação utilizada (U.S. DEPARTMENT OF HEALTH AND HUMAN SERVICES, 2018).

A nefropatia diabética é uma das complicações comuns que acomete os pacientes com DM. Sua principal característica é a alteração nos vasos dos rins, fazendo com que haja a perda de proteínas na urina. Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes a albumina é uma proteína circulante do sangue que possui alto valor biológico e fornece aminoácidos essenciais (SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES, 2014). Como um dos achados iniciais da nefropatia diabética, há perda proteica na urina. Nesse caso, a função dos rins pode ir reduzido com o avançar da doença e progressão da mesma, podendo levar até a insuficiência renal (SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES, 2015).

A obesidade central tem sido considerada um fator para o desencadeamento da Doença Renal Crônica (DRC). Uma recente pesquisa da Annals of Internal Medicine, avaliou a relação da obesidade com a DRC, os resultados mostraram que os adolescentes e idosos que estão na faixa de sobrepeso e obesidade e são considerados metabolicamente saudáveis não estão fora do perigo de desenvolver a DRC, independentemente das alterações metabólicas (CHANG et al., 2016).

Diante do exposto o objetivo deste relato é destacar a prevalência dos fatores de risco mais comuns para o desenvolvimento da Doença Renal Crônica – DM, HAS e obesidade – nos transeuntes que estavam cidade de Caruaru – PE recebendo orientações e fazendo avaliações numa ação comemorativa do Dia Mundial do Rim 2017.

2. METODOLOGIA

Trata-se de um estudo de campo com caráter qualitativo, descritivo, no qual foram consultadas como referências bibliográficas as bases de dados Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Literatura Internacional em Ciências da Saúde (PubMed), Scientific Electronic Library Online (SCIELO), Google Acadêmico, Bireme e Plataforma EBSCO, utilizando-se os descritores : “Diabetes Mellitus”, “Hipertensão Arterial Sistêmica”, “Doença Renal Crônica” e “Obesidade”. Foram coletados os artigos de temática pertinente com a proposta do presente estudo, com consultas aos materiais datados de 2009 a 2018, priorizando-se os artigos dos últimos 10 anos. Para compor a parte de campo da pesquisa foram elaborados questionários sobre a idade, sexo, presença de alguma patologia, com destaque para Diabetes Mellitus e Hipertensão Arterial Sistêmica, circunferência da cintura, peso e altura. Tais dados foram coletados dos transeuntes participantes de uma ação do Dia Mundial do Rim em 2017 na cidade de Caruaru, situada no agreste Pernambucano. Os dados coletados foram digitados e tabelados no Programa Microsoft Office Excel®versão 2010, para formação do banco de dados. As tabelas foram analisadas e os resultados encontrados foram interpretados pelos autores embasando, deste modo, o estudo.

3. RESULTADOS

Os dados foram coletados com 168 transeuntes no município de Caruaru – PE, dos quais 126 são adultos e 42 são idosos. Os dados antropométricos aferidos foram peso, altura e circunferência da cintura para que através destes fosse dado um diagnóstico do estado nutricional do indivíduo e classificação de risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares. Estratificando a população pela faixa etária tem-se que entre os idosos o estado nutricional da prevalente é obesidade, equivalendo a 54,76% da amostra, seguidos de eutrofia de 38,10% dos idosos e 7,14% classificados em magreza.

Ao analisar a população adulta desta pesquisa constatou-se que 27,78% encontra-se em eutrofia, 38,89% é classificada como sobrepeso, 21,43% está em obesidade grau I, 7,14% está em obesidade grau II, 2,38% são considerados obesidade grau III, 1,59% está com baixo peso leve e 0,79% é classificado em baixo peso severo.

Quanto ao IMC por sexo, do público idoso classificado em eutrofia 25% eram do sexo feminino, e 75% do sexo masculino. Dos idosos classificados com obesidade 34,78% eram homens e 65,22% eram mulheres. E dos classificados em magreza 100% eram homens. Dos adultos classificados em eutrofia 34,29% são mulheres e 65,71% são homens. Dos indivíduos com sobrepeso 48,98% são mulheres e 51,02 % são homens. Dos participantes da pesquisa com obesidade grau I, 44,44% são mulheres, e 55,56% são homens. Dos adultos com obesidade grau II, 66,67% são mulheres e 33,33% são homens. Dos participantes com obesidade grau III, 66,67% são mulheres e 33,33% homens. Os indivíduos que se classificam com baixo peso leve equivalem a 50% mulheres e 50% homens e os indivíduos com baixo peso severo equivalem a 100% mulheres.

De acordo com a medida da circunferência da cintura tanto para adultos quanto para idosos 26,19% apresentam risco elevado de desenvolver doenças cardiovasculares, 39,88% dos avaliados apresentam risco muito elevado de desenvolver doenças cardiovasculares e 33,93% dos indivíduos não apresentam risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares.

A relação sexo/circunferência da cintura ficou estabelecida na população como: 40,91% das pessoas com risco elevado são mulheres e 59,09% são homens. Dos indivíduos com risco muito elevado 68,66% são mulheres e 31, 34% são homens. Classificam-se como indivíduos sem risco 77,19% homens e 22,81% mulheres.

Os avaliados também foram questionados sobre as doenças crônicas não transmissíveis mais comuns associadas ao risco de desenvolver DRC – DM e HAS. Dos 168 participantes 13,69% possuem diabetes mellitus (DM), e 86,31% não possuem. Na amostra 32,14% possuem hipertensão artéria sistêmica (HAS) e 67,86% não possuem.

4. DISCUSSÃO

Sabe-se que o risco para desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis está relacionado a diversos fatores. Dentre eles, pode-se destacar: fatores biológicos e de estilo de vida, os quais são determinantes para o estado nutricional do indivíduo. Diante disso, dos 168 indivíduos participantes da coleta, 42 eram idosos. Nesta faixa etária alguns fatores especificamente devem ser observados, visto que o risco para desenvolvimento de determinadas doenças nessa faixa etária é maior. Observam-se maiores riscos de desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis. 54% dos idosos entrevistados foram classificados como obesos. Inatividade física, diminuição do metabolismo basal, inadequações alimentares e uso de fármacos são alguns fatores que podem estar associados a esta causa. Seguindo-se a antropometria nos idosos estudados, 38,10% dos idosos foram diagnosticados nutricionalmente com eutrofia. 7,14% encontravam-se em estado de desnutrição, podendo para esse estado ser apontados fatores como: perda de massa muscular, diminuição da palatabilidade, levando a déficit na ingestão calórica e até mesmo uso de certos medicamentos ou patologias.

A análise feita na população adulta revelou que dentre eles, 27,78% foi classificada como eutrófica, sobressaindo-se o sobrepeso, com 38,89% dessa população. Níveis altos de populações acima do peso recomendado, como relatado anteriormente estão relacionados à formação precoce de maus hábitos alimentares, contribuindo para o crescimento de uma população adulta obesa, como mostra o percentual para obesidade da população estudada: 21,43% encontra-se em obesidade grau I, 7,14% obesidade grau II, 2,38% são considerados obesos em grau III.

Embora o processo de transição nutricional seja evidente, demonstrando uma crescente prevalência de obesidade, caracterizada pelo excesso na ingestão de alimentos ultra processados, uma parte considerável da população ainda é atingida pela abstenção de alimento, sendo evidenciada na população estudada, caracterizando assim: indivíduos em desnutrição, sendo eles: 1,59% com baixo peso e 0,79% em desnutrição severa.

5. CONCLUSÃO

É de suma importância destacar o fato de que a individualidade biológica é de extrema relevância para o desenvolvimento ou não de qualquer tipo de doença. Uma dieta nutritiva, saudável e quantitativamente suficiente é a melhor estratégia para evitar o sobrepeso e a obesidade assim como o risco de desenvolver DM e HAS. A relação entre DRC/DM/HAS/Obesidade é evidente e denota um cuidado na prática clínica para possibilitar saúde ao paciente. Tidos como problemas de saúde de ordem pública o Diabetes e a Hipertensão são doenças de base que devem ser o foco quanto à prevenção de patologias, sobretudo DRC e promoção de saúde. A prevenção dos fatores de risco assim como detecção precoce destes é o melhor caminho para perpetuar a promoção de saúde, neste contexto o presente estudo possibilitou uma análise e observância de uma amostra da população em Caruaru – PE, de modo que ao destacar a população suscetível, fica evidente a necessidade de políticas de reeducação alimentar e prática de atividade física para melhora das condições de saúde e perpetuação de bons hábitos aos indivíduos.

6. REFERÊNCIAS

CHANG, Y.; RYU, S.; CHOI, Y.; CHO, J.; KWON, M.; et al. Metabolically Healthy Obesity and Development of Chronic Kidney Disease: A cohort study. Annals of Internal Medicine, 2016.

CUPPARI, L. Nutrição clínica no adulto, p. 151-163, 2009.

FAO. Panorama de La Seguridade Alimentaria y Nutricional Sistemas Alimentarios Sostenibles para Poner Fin al Hambre y La Malnutricion. Organización de Las Naciones Unidas para La Alimentación y La Agricultura y La Organización Pan-Americana de La Salud. Santiago, 2017.

MAHAN, L.K.; ESCOTT-STUMP, S. Krause: Alimentos, Nutrição e Dietoterapia, p. 758- 760, 10 ed. Roca, 2010.

SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES. Diretriz brasileira de diabetes, 2014. Disponível em: < http://www.sgc.goias.gov.br/upload/arquivos/2014-05/diretrizes-sbd-2014.pdf >. Acesso em: 26 de julho de 2018.

SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES. Diretriz brasileira de diabetes, 2016. Disponível em: < https://www.diabetes.org.br/profissionais/images/docs/DIRETRIZES-SBD-2015-2016.pdf >. Acesso em: 20 de julho de 2018.

SOCIEDADE BRASILEIRA DE HIPERTENSÃO. Arquivos da sociedade brasileira de cardiologia, v. 107, nº 3, 2016.

SOCIEDADE BRASILEIRA DE HIPERTENSÃO. VI Diretriz brasileira de hipertensão, 2009.

U.S. DEPARTMENT OF HEALTH AND HUMAN SERVICES. Diabetes Prevention Program (DPP), 2018. Disponível em: < https://www.niddk.nih.gov/about-niddk/research-areas/diabetes/diabetes-prevention-program-dpp >. Acesso em :26 de jul. de 2018.

[1] Nutricionista, formada pelo Centro Universitário do Vale do Ipojuca – UNIFAVIP.

[2] Nutricionista, formada pelo Centro Universitário do Vale do Ipojuca – UNIFAVIP.

[3] Nutricionista, formada pelo Centro Universitário do Vale do Ipojuca – UNIFAVIP.

Enviado: Julho, 2018.

Aprovado: Julho, 2019.

 

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