A Imigração Portuguesa E A Hospedaria Da Ilha Das Flores No Início Do Século XX

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ARTIGO ORIGINAL

SANCHES, Carolline de Medeiros [1]

SANCHES, Carolline de Medeiros. A Imigração Portuguesa E A Hospedaria Da Ilha Das Flores No Início Do Século XX. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 06, Ed. 06, Vol. 02, pp. 69-92. Junho de 2021. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/historia/ilha-das-flores

RESUMO

O presente artigo consiste em trazer à tona a importância da imigração portuguesa para a construção do Brasil contemporâneo, tendo em vista que dentre as muitas nacionalidades que aqui aportaram no início do século XX, esta foi uma das mais expressivas. Nesse contexto, é necessário identificar as particularidades da imigração luso-brasileira e desmitificar que todos os processos de deslocamento. O estudo tem por finalidade compreender o processo migratório de cidadãos portugueses para o Rio de Janeiro em 1912 e suas principais características, tendo como fator determinante a implantação da I República Portuguesa em 1910. A revisão bibliográfica proporcionou fazer uma breve discussão teórica sobre o estudo das migrações enquanto que a análise de Livros de Registro da Hospedaria e dos jornais do período, através da Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional como principais fontes e documentação. A análise possibilitou discorrer sobre a conjuntura política, e consequentemente, econômica, de Portugal de 1910 a 1913 como principais motivações que possibilitaram este fenômeno, e as características dos emigrantes portugueses. Por outro lado, destaca-se a importância da Hospedaria de Imigrantes da Ilha das Flores como principal órgão receptor dos imigrantes. Desta forma, as pesquisas demonstraram que a conjuntura da recente república portuguesa que propiciou este crescimento, como as fugas ao serviço militar obrigatório masculino exercido principalmente nas colônias africanas, uma vez que a emigração surgiu como alternativa na melhoria na qualidade de vida e tentativa de enriquecimento. No caso da Hospedaria da Ilha das Flores, os dados apontam que a importância na recepção de realistas portugueses expulsos de seu país de origem e de Espanha, como órgão oficial do estado republicano brasileiro para receber esses imigrantes.

Palavras-chave: Imigração Portuguesa, Hospedaria da Ilha das Flores, Primeira República.

1. INTRODUÇÃO

O ano de 1912 foi um período de ascensão numérica da corrente emigratória portuguesa para o Brasil, sobretudo para as antigas províncias do Rio de Janeiro e São Paulo, se comparado aos anos anteriores. Para entender esse período, é necessário contextualizá-lo à sua conjuntura política e econômica. Dessa forma, ressalto que os objetivos deste trabalho são: apontar as principais características da imigração portuguesa, entendendo as possíveis motivações e desdobramentos desta corrente imigratória, e analisar alguns dados sobre a imigração portuguesa na Hospedaria da Ilha das Flores.

Os estudos ligados à uma perspectiva tradicional sobre imigração apontam a teoria do Push-Pull como característica principal do período de 1890 a 1914, conhecido como a “Grande Imigração”. O Push-Pull é um fenômeno de ordem econômica, cujo fator de repulsão e atração influenciaria no deslocamento de povos por conta de um desequilíbrio na oferta e demanda de trabalho. Essa análise ignora as experiências e motivações pessoais de cada indivíduo.

2. A SITUAÇÃO EM PORTUGAL

O Brasil foi o principal destino de emigrantes portugueses durante boa parte dos séculos XIX e XX, por razões como idioma comum, vínculos históricos, comunidade local de negociantes formada majoritariamente por pessoas da mesma nacionalidade, entre outras. Por esse motivo, muitos portugueses imigravam e permaneciam no país, chamando posteriormente outros familiares de Portugal, que ao chegar, já tinham destino certo.

A emigração ocorre na conjugação entre necessidade e oportunidade, juntamente com a esperança de uma nova vida e rápido enriquecimento. Leite (1999) procura combater a ideia de ingenuidade dos camponeses oitocentistas afirmando que estes se informavam sobre as reais oportunidades e condições no estrangeiro através de parentes, vizinhos e amigos, formando redes migratórias.

Entre os anos 1911-1913, Portugal experimentou o medo do despovoamento por conta da saída de milhares portugueses. O ano de 1912 foi um período de ascensão numérica da corrente emigratória portuguesa para o Brasil, sobretudo para os estados do Rio de Janeiro e São Paulo, se comparado aos anos anteriores. Para entender e discutir a imigração portuguesa em 1912 é preciso contextualizar a conjuntura política e econômica. Desta forma, faz-se necessário utilizar o recorte temporal entre os anos 1910 e 1913, a fim de problematizar este período com suas especificações e relacionar o fenômeno de tais deslocamentos à república portuguesa.

Lená Medeiros (2009) chama esse importante período de “onda emigratória”, no qual milhares de portugueses deslocaram-se geograficamente saindo de Portugal, sobretudo em direção ao Brasil, mas também para outros países americanos.

O fim da monarquia e a implantação da I República portuguesa, ambos em 1910, promovida pelo Partido Republicano Português prometeu muitas melhorias sociais e econômicas para o povo português e era vista como salvação de problemas políticos e socioeconômicos. Os últimos anos da coroa portuguesa foram de profunda instabilidade política e insatisfação popular. Embora essas promessas tenham sido feitas para os portugueses em geral, a classe trabalhadora não se viu beneficiada de nenhuma forma com a mudança de governo, e de fato, só a classe média conseguiu garantir algumas vantagens. Portugal não havia conseguido acompanhar os países europeus capitalistas e industriais e passava por uma grave crise econômica, que afetada diretamente a população rural. Esse primeiro período foi conhecido como Governo Provisório, chefiado por Teófilo Braga, no qual a família real já havia se exilado em Gibraltar.

Em relação ao escoamento emigratório de portugueses desde o século XIX, a república responsabilizava a monarquia. Contudo, muitos autores atribuem a ela este elevado fluxo. Joel Serrão (1977) alerta que, considerar somente o advento da República portuguesa em 1910 é pouco para o estudo do fluxo emigratório de Portugal. Já Medeiros (2009) reforça a ideia de que causas estruturais permaneceram durante o século XIX e em parte do XX, mas diz que estas devem ser associadas a problemas internos de longa duração ou crises ocasionais nas estruturas da sociedade portuguesa e em setores econômicos e políticos.

3. A VINDA PARA O BRASIL

Mesmo após a instauração da república, os números continuaram a crescer, e está intimamente relacionado com a proibição da emigração italiana subsidiada desde 1902. Os portugueses passaram a serem os principais imigrantes chegados aos portos brasileiros.

É necessário observar cada período para compreender as necessidades e conjunturas que propiciam a emigração. A Lei de 1855 foi a primeira lei moderna de emigração, mas já a Constituição de 1838 garantia a liberdade migratória, com um controle administrativo do Estado. As correntes liberais do século XIX menos restritivas e com uma legislação aberta se mantiveram na República até a década de 1920, e nunca houve uma proibição legal por questões sanitárias, diplomáticas, etc. As leis de 1855 e 1863 estabeleciam condições de emissão de passaportes e tornava necessário o uso deste, exigindo, assim, de formalidades burocráticas. Já a lei de 1907 definia que o emigrante era o passageiro de terceira classe e estipulava valores para que o indivíduo deixasse o país.

A necessidade legal de emissão de passaportes pelos emigrantes nos remete a um problema já existente no século XIX: a fuga do serviço militar obrigatório. A questão militar era uma das que mais preocupavam o governo português.

Os homens adultos deviam provar que tinham cumprido as suas obrigações militares, servindo nas fileiras ou ficando isentos; os mancebos dos 14 aos 21 anos só poderiam obter passaporte mediante o depósito de uma pesada fiança, ou apresentação de um fiador idôneo. Conhecida a aversão popular ao serviço militar, o Estado procurava evitar que a emigração esvaziasse os contingentes de recrutas (LEITE, 1999, p. 179).

O alto preço das fianças favorecia que meninos de família abastada se livrassem do serviço militar ou apresentasse outras maneiras de escapar. Porém, propiciava a emigração clandestina dos meninos que não podiam pagar tal valor e que por outro lado, tinha o objetivo de tentar fortuna. Os números de estatísticas portuguesas podem se mostrar defeituosos e incertos por conta da clandestinidade. Desta maneira, a emigração incide sobre as camadas mais jovens da população. Em 1910, as despesas da emigração legal eram: passaporte: 7$000; Fiança Militar: 75$000; Viagem para o Brasil: 43$000 (LEITE, 1999, p. 467). Estes dados nos mostram como era mais barato investir na viagem com destino brasileiro e tentar enriquecer, do que prestar serviço militar à pátria.

Entre 1900 e 1910, pairou certa instabilidade nacional e no que se refere ao relacionamento do governo português e brasileiro, possivelmente por disparidade nos regimes políticos (Portugal monarquista e Brasil republicano), mas optou-se por uma relação bilateral retórica. Após a instauração da república, o Brasil manteve relações com o regime monárquico então deposto, mas reconhece de maneira imediata o novo regime. Em 06 de outubro de 1910, o ministro brasileiro na capital portuguesa é autorizado a entrar em relações com o governo provisório, e a afirmar que o reconhecimento formal seria dado quando a maioria da nação apoiasse o novo regime. Em 22 de outubro, após a vizinha Argentina e os Estados Unidos da América reconhecerem de imediato, o governo brasileiro seguiu prontamente da mesma forma.

O período que compreende os anos de 1911 e 1926 (embora esteja além do nosso recorte) foi de uma vigência conturbada da I república, que ora fomentava a emigração, ora procurava restringi-la. Os governos da I repúbica também visavam conciliar o princípio da liberdade de circulação de pessoas e a necessidade nacional de contenção e fiscalização da emigração para conter e evitar o despovoamento e encaminhar os emigrantes para as colônias portuguesas, sobretudo na África. Neste período, o governo republicano procurou se aproximar do Brasil e manter o relacionamento luso-brasileiro, entretanto a instabilidade política fez com o Estado Português se mantivesse mais preocupado com questões de ordem interna, gerando pouca concretização no diálogo bilateral.

A República, apesar de culpar e responsabilizar a Monarquia pelo elevado fluxo de pessoas, teve a preocupação em zelar pela qualidade e segurança da emigração, sobretudo após a promulgação da Constituição de 1911, com a criação de medidas para assegurar o indivíduo desde a viagem transatlântica até os lugares de recepção, passando pelas empresas engajadoras e matérias de caráter administrativo-burocrático, inclusive com as Instruções de 25 de Novembro de 1912, que buscava esclarecer dúvidas da Lei de 22 de Novembro de 1907.

Outra causa que propiciou o fluxo emigratório de Portugal e que se deve levar em consideração também a súbita ruptura entre Igreja e Estado, que causou uma separação entre boa parte da população portuguesa e o Estado Republicano, pois a maioria esmagadora dos portugueses era fervorosamente católica. Sendo assim, a questão religiosa foi um dos motivos de desencanto em relação ao regime republicano, e pode ser associada como um dos fatores contribuintes para o êxodo português.

Fugiu-se às perseguições, que acompanham ordinariamente as convulsões políticas, mas, ainda mais que as causas políticas, influíram talvez na extraordinária emigração, que se seguiu ao estabelecimento da República, as causas religiosas. A maneira brusca como a separação se decretou alheou da República uma grande parte da população portuguesa fundamentalmente católica (SERRÃO, 1977, p. 164).

Questões econômicas da vida dos indivíduos também devem ser levadas em consideração. O país estava pobre, com lento crescimento econômico, baixa industrialização, predomínio das atividades agrícolas primárias, que estavam sendo defasadas por conta do crescente escoamento da mão-de-obra para o além mar. O deslocamento do século anterior levou essencialmente as camadas mais jovens e hábeis para o trabalho e proporcionou um envelhecimento da população. A emigração surge, portanto, como solução para as pessoas e, por outro lado, prejudica o desenvolvimento econômico e demográfico da nação, além de indicar falha no governo e seus órgãos, insuficiências nacionais e perda de recursos humanos.

A pobreza que pairou no início do século XX era considerada anormal. Havia um predomínio do cultivo e produção agrícola em pequenas propriedades, em vez das de médio e grande porte. A principal preocupação dos pequenos, pobres e rurais proprietários, cultivadores e rendeiros era de assegurar a sua subsistência e de sua família, deixando para segundo plano a compra no comércio, o que não estimulava o seu desenvolvimento e crescimento e também das indústrias manufatureiras. Além disso, o país não dispunha de capital para o custeamento de instalações agrícolas.

3.1 CARACTERÍSTICAS REFERENTES À EMIGRAÇÃO

De acordo com o Relatório Ministerial da Agricultura de 1912 e com o atual Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, no ano referido entraram 76.530 portugueses nos portos brasileiros. E embora os números se diferenciem no total, no que diz respeito a imigração portuguesa eles coincidem. É interessante observar também entre os anos 1910-1912, pois acompanha a progressão numérica de entradas.

Figura 1: Nacionalidades dos imigrantes chegados em 1912:

Fonte: IBGE, Estatísticas do Século XX, 1908_12.

Figura 2: Nacionalidades dos imigrantes vindos entre 1908 e 1912:

Fonte: TOLEDO, 1913, p. 130.

Tabela 1: Entrada de Portugueses nos portos brasileiros:

1910 1911 1912 Total
30.857 47.493 76.530 154.980

Fonte: TOLEDO, 1913, p. 130.

Os emigrantes do início do século XX se diferiam dos do século anterior por terem bens para pagar a própria passagem e escolher o melhor momento para partida, independente de contas e dívidas acumuladas, crises agrícolas ou problemas familiares e pessoais.

O perfil do homem que emigrava sozinho também mudou. Houve um crescimento na porcentagem de emigrantes do sexo feminino e acompanhantes (não portadores de passaportes), que podiam ser esposas ou filhos. No Nordeste de Portugal, era mais frequente a emigração de famílias e pouquíssima expectativa de retorno. Partir sem regresso com a família de crise, que sinônimo de desespero econômico. Serrão (1977) afirma “a importância crescente do expatriamento feminino, […] a emigração de raparigas de idade inferior a 14 anos, em crescimento a partir da década de 1910, atesta o aumento das saídas familiares.” (p. 127).

Cunha (1997) busca contabilizar o fluxo emigratório legal, mais a estatística de dados, com uma abordagem comparativa entre os diversos concelhos do distrito de Braga e o percentual de emigrantes. Para isso, a autora utiliza registros de passaporte para o Brasil. Dessa forma, o Brasil foi o destino declarado por 95,7% das pessoas que solicitaram passaporte no ano de 1912. A maioria era do sexo masculino (85,1%), jovens solteiros ou homens casados e com idade entre os 10 e 59.

O padrão de emigração masculina tradicional de jovens solteiro e homens casados com passaporte individual (78,3%), nos mostra que estes passaportes escondem formas de emigração popular, pois havia casos de maridos que levavam as esposas, pais com filhos, irmãos com irmãs, e etc. Podemos constatar novamente que, o movimento emigratório é um fenômeno de reencontro, pois a maioria vai para o Rio de Janeiro, São Paulo e Santos, onde se encontravam com familiares, amigos e vizinhos.

O distrito do Porto tinha um peso considerável na emigração nacional e acompanhou o resto do país, alcançando em 1912 seu maior número, 9.505 (FERREIRA; ROCHA, 2013, p. 170). A proximidade com a linha férrea e com o Porto de Leixões (principal porta de saída transatlântica) facilitava os deslocamentos e servia como atrativos para pessoas de outras localidades irem residir lá, já que era um requisito para emissão de passaporte. Muitos vinham das regiões Centro-Norte, Norte e Nordeste de Portugal.

No caso do Porto, 80% dos que emigravam eram homens e embora a emigração familiar tenha sido sempre minoritária, o número de emigrantes casados aumentou, pois o casamento e a paternidade já não representavam fatores que impediam a migração, além de se considerar a crença de um reagrupamento familiar no destino receptor.

No que tange à idade dos titulares dos passaportes, a mesma característica do século XIX prevalece: jovens adultos do sexo masculino, entre 20 e 24 anos prevalecem com 26%. Nos acompanhantes, as crianças acompanhando seus pais e adolescentes na tentativa de escapar do serviço militar já mencionado acima são as características mais evidentes.

Figura 3: Distribuição dos titulares dos passaportes por grupos etários entre 1911-1913

Fonte: FERREIRA; ROCHA, 2013, p. 179

Tabela 2: A constituição profissional dos portugueses em geral entre 1911-1913:

Agricultores 14,60%
Carpinteiros 3,07%
Pedreiros 3,02%
Operários Agrícolas 23,88%
Indústrias Caseiras 3,71%

Fonte: SERRÃO, 1977, p. 133.

Uma breve estatística da constituição profissional dos que emigravam entre 1909-1913 constatou que os sem profissão, em 1909 eram 3.622 e 1913 eram 20.832.

1º O grosso da emigração do primeiro quartel do nosso século foi constituído, em primeiro lugar por indivíduos ligados às tarefas agrícolas (agricultores e “operários agrícolas” e portanto, originários do sector primário;

2º Pode presumir-se, a base de tais números, ter vindo, em segundo lugar, a contribuição do sector terciário – proprietários, empregados no comércio, alfaiates, barbeiros, etc;

3º Segue-lhe a quota – a partir do secundário, especialmente com a emigração de artífices;

4º Persiste, sem dúvida alguma, um expatriamento de tipo social mais qualificado, o qual remonta, pelo menos, ao século XVIII, de letrados e de proprietários – essa emigração que se diria, pelo menos em parte, destinada a continuar a produzir brasileiros (SERRÃO, 1977, p. 133).

Serrão assegura que 75% da emigração é composta por indivíduos populares de condição humilde e incultos, sendo 65,96% analfabetos em 1912.

4. A HOSPEDARIA DE IMIGRANTES COMO RECEPÇÃO DOS PORTUGUESES

O ano de 1912 teve um grande número de entradas de imigrantes portugueses nos portos brasileiros, especialmente nos portos do Rio de Janeiro e de Santos – SP. De acordo com Toledo (1913), de um total de imigrantes de 180.182 (idem, p.127) pessoas, no porto do Rio de Janeiro temos o número de 83.054 (idem, p.131) imigrantes, sendo 45.409 (idem, p. 131) de nacionalidade portuguesa e esse número diminuiu para 5.554[2] para portugueses entrados e alojados na Hospedaria de Imigrantes da Ilha das Flores, de um total de 21.886 (idem, p.133) imigrantes de diferentes origens. E no caso de São Paulo o número de entradas foi de 32.813 (MATOS; BASTOS, 2009, p. 271) portugueses, de um total de 98.640 (idem, p. 271) imigrantes, e de um total de ingressos na Hospedaria de São Paulo de 16.781 (idem, 274). Desde o decreto 6.455 de 19 de abril de 1907, com o estabelecimento de bases regulamentadoras para o serviço de povoamento do solo, o governo ficava responsável pelos serviços de recepção, desembarque, hospedagem, sustento e expedição, sejam eles imigrantes subsidiados pelo governo ou espontâneos que se encaixem nas condições previstas pelo decreto.

Um dos principais fatores para explicar as possíveis razões de muitos imigrantes chegados ao Rio de Janeiro não terem se dirigido à Hospedaria da Ilha das Flores é que a maioria não era subsidiada pelo governo brasileiro e vinha de forma espontânea para o encontro de familiares já estabelecidos e com moradia. É sabido que a imigração portuguesa para o Brasil ocorre desde o século XVI, quando este ainda era uma colônia e que ano após ano, o contingente só tendia a aumentar.

De acordo com o recenseamento da população do então Distrito Federal feito pela Officina da Estatística em 20 de setembro de 1906 e publicado em 1907, a população total de imigrantes portugueses atingia o número de 132.529, sendo 100.935 do sexo masculino e 31.594 do sexo feminino (BRAZIL, 1907, p. 126). Dessa quantia, na categoria estado civil (BRAZIL, 1907, p. 136/137), dos 60.281 solteiros, 51.286 eram homens e 8.995 mulheres, dos 60.805 casados, 44.170 eram homens e 16.635 mulheres, dos 10.389 viúvos, 4.688 eram homens e 5.701 mulheres, e dos 1.053 ignorados, 741 eram homens e 262 mulheres. Junto com os italianos e espanhóis, essas três nacionalidades compreendiam 85% da população estrangeira. Sobre a diferença latente entre homens e mulheres, o recenseamento fala,

Reduzindo a números proporcianes os algarismos constantes da ultima columna do quadro que dá conta da distribuição territorial dos extrangeiros residentes no Rio de Janeiro, verifica-se que, entre os portuguezes, os homens representam mais do dobro dos outros habitantes extrangeiros do sexo masculino, ao passado que o numero de mulheres extrangeiras. A influencia do elemento masculino na colônia portugueza é tão grande que, tomando em conjuncto os dois sexos, o numero de portuguezes excede em mais de 70% á totalidade dos outros extrangeiros (BRAZIL, 1907, p.126).

Já de acordo com o recenseamento da população também do Distrito Federal feito pela Directoria Geral de Estatística em 1920 e publicado em 1923, o total de imigrantes portugueses era de 170.585 (BRASIL, 1923, p. 11), sendo a maior comunidade de nacionalidade estrangeira estabelecida em território estadual.

Visando a integração dos recém-chegados ao Distrito Federal, desde o século XIX, criaram-se associações de socorros mútuos, literários, científicos, políticas e de beneficência. O associativismo era um recurso para a solução de vários problemas, pois a emigração desmanchava laços com a comunidade de nascimento, seja laços de sangue ou com a família alargada. Sobre isso, Barreiros (2009) diz,

No Brasil do final do século XIX e início do XX, funcionava também como meio de solução de problemas, de ordem individual ou colectiva. Numa sociedade baseada em princípios liberais, em que o Estado pouco intervinha nas relações profissionais, nem tinha políticas de saúde, habitação, previdência ou lazer, a busca de soluções pela via do associativismo era consequente, sendo uma forma eficiente de pressioná-lo para o encaminhamento de algum tipo de solução, mesmo que paliativo. O associativismo funcionava como um meio dos indivíduos conquistarem e exercerem seus direitos como cidadãos (BARREIROS, 2009, p. 224).

Ainda segundo o autor, das 513 associações existentes em 1912, vinte e três são ligadas por sua origem de fundação ou influência cultural à nacionalidade portuguesa. Ao longo deste ano, constatou-se um acréscimo nos quadros sociais, principalmente mulheres. Os principais tipos de beneficência eram o auxílio funeral, especialmente o custo do enterro, os auxílios pecuniários, em forma de socorros (auxílios temporários por doença ou acidente) e pensões a idosos, incapacitados ou familiares de sócios falecidos, e a gratuidade de consultas médicas. Havia a possibilidade de brasileiros e indivíduos de outras nacionalidades participarem dessas agremiações.

Retomando a participação da Hospedaria da Ilha das Flores como dispositivo oficial de recepção dos imigrantes portugueses, na tentativa de traçar um perfil desses imigrantes, através dos Livros de Registro desta instituição do ano analisado, percebeu-se que, de maneira geral, eles vinham em família: homens com suas mulheres, filhos, enteados, sogras, ou seja, a família nuclear estava mais presente que se pensava e que conta a documentação de passaportes tirados em Portugal, até porque, muitos destes emigravam de maneira ilegal e desconhecida das autoridades portuguesas. Somente nos dois primeiros meses[3] de 1912, passaram em janeiro duas famílias e quatro solteiros, e em fevereiro esse número vai para cento e sessenta e dois famílias e apenas três solteiros.

Através destes Livros, podemos chegar aos seguintes números quanto ao fluxo mensal[4] registrado em 1912: Janeiro (23), Fevereiro (645), Março (1606), Abril (4), Maio (7), Junho (9), Julho (8), Agosto (517), Setembro (1663), Outubro (349), Novembro (89) e Dezembro (618).

Gráfico 1: Fluxo mensal de entradas na Hospedaria de Imigrantes da Ilha das Flores

Fonte: Próprio autor.

Ao comparar esses números com o fluxo mensal de entradas dos mesmos períodos na Hospedaria de Imigrantes de São Paulo, temos:

Figura 3: Entrada de imigrantes da Hospedaria do Brás (SP):

Os números de entrada na Hospedaria de São Paulo foram muito superiores aos da Hospedaria da Ilha das Flores, apesar da província ter recebido menos portugueses que a capital federal. Esse dado reflete a amplitude das redes de sociabilidade no Rio de Janeiro e como esses novos imigrantes chegavam com um convite já realizado anteriormente por parentes, amigos ou pessoas da mesma aldeia, enquanto que em São Paulo a realidade é outra. Muitos iam direto para a cidade de São Paulo, enquanto outros iam primeiro para o campo como trabalhadores rurais, e depois voltavam para a Hospedaria em busca de melhores condições e oportunidades de trabalho.

4.1 REALISTAS NA ILHA DAS FLORES

Muitos indivíduos inconformados com o advento da república se aventuravam em incursões monarquistas, chefiados principalmente pelo general Paiva Couceiro, militar português, monárquico convicto, antirrepublicano, que organizou e comandou duas incursões monárquicas, a primeira em 04 de outubro de 1911, e suas tropas foram derrotadas em três dias depois pelas forças republicanas, e a segunda em 06 de julho de 1912, mas foi novamente derrotado.

Desde junho de 1912, a Espanha havia se comprometido em internar nas cidades de Cuenca e Turuel os emigrados realistas, mas com a segunda incursão em julho, as relações entre Portugal e Espanha que já estavam muito tensas, Portugal passou a considerar que o Governo de Canelejas protegia os monarquistas. De Madrid, em 6 de Setembro, chegara a notícia que José Relvas (político republicano português) tinha tido uma demorada conferência com o Presidente do Conselho, Canelejas, e que estavam concluídas as negociações acerca dos conspiradores. Em 13 de Setembro, o Governo espanhol, examinando a reclamação apresentada pelo Governo da República Portuguesa, referente especialmente à expulsão dos conspiradores para fora do território continental de Espanha, reconhece a dificuldade de execução da medida por, entre outras razões, existir uma corrente de opinião contrária.

O governo espanhol concordou com a expulsão dos chefes e principais fautores da conspiração a partir do momento em que o governo brasileiro se propõe a receber tais exilados.  O projeto de aproximação política de Portugal com o Brasil se desenvolveu ainda mais após a instauração da república, com o objetivo de garantir a legitimidade deste novo regime nacional e internacionalmente.

As bases do acordo entre os dois governos são as seguintes: a expulsão para fora da Espanha de todos os chefes e principais atores da conspiração; o julgamento de todos os implicados que estejam sujeitos às sanções das leis penais espanholas; a interdição de regressarem ao território de Espanha, durante três anos, de todos os que, tendo conspirado na Espanha até Julho último contra o regime estabelecido em Portugal, aceitarem o oferecimento do Governo da República Brasileira, retirando para o Brasil, sendo esta interdição extensiva a todos os que saírem para outras nações; e, finalmente, a redação de uma convenção, de caráter permanente e recíproco, para impedir futuras conspirações contra qualquer dos estados ibéricos. A situação dos presos políticos teve efeitos negativos na imagem externa da República, resultando na campanha britânica a favor dos encarcerados, o que os levou a intervirem no acordo com o Brasil.

Há, entretanto, informações de muitos padres que se juntaram aos monárquicos, por se sentirem perseguidos pela República, e que foram exilados na Espanha, embora nem todos que emigraram para este país seria conspiradores ou estariam dispostos a correr riscos a favor de uma causa que apresentava muito pouco sucesso. Sobre esta “guerra religiosa”, Moura (2010) relata que,

Descontente com o que se passava em Portugal, mas não desejando envolver-se em combates, um grande número de eclesiásticos usou os portos espanhóis como ponto de partida para o Brasil. Do mesmo, perdidas as esperanças de uma reviravolta política em Portugal, o Brasil tornou-se o destino de numerosos conspiradores, especialmente a partir do verão de 1912. O governo republicano desse país disponibilizou-se a dar abrigo aos monárquicos – pagando mesmo as passagens -, contribuindo, deste modo, para facilitar um acordo com a Espanha (MATOS, 2010, p. 141).

Ainda sobre o acordo luso-espanhol e com participação brasileira, Brandão (2009) analisa que,

Entre agosto e setembro de 1912 foram mais de três centenas os conspiradores monárquicos que, de Espanha, rumaram ao Brasil. Em 31/08, embarcaram de Valência para terras brasileiras 146 exilados; a 4 de setembro, a bordo do Tucuman, embarcaram de Vigo 62 conspiradores, alguns com as mulheres e os filhos; cinco dias depois, ainda de Vigo, rumava ao Brasil, passando por Lisboa, o paquete Zeelandia, com 118 conspiradores a bordo, entre os quais o célebre guerrilheiro, Padre Domingos Pereira, de Cabeceiras de Basto (BRANDÃO, 2009, p. 279).

Através da imprensa brasileira, sobretudo da capital federal, percebeu-se que o governo brasileiro, ao subsidiar a vinda desses realistas, agia dentro dos moldes da política imigratória. Ao chegarem ao porto do Rio de Janeiro, eram encaminhados à Hospedaria da Ilha das Flores.

A utilização de jornais como fonte historiográfica era muito criticada pelo Positivismo pelo perigo constante dos historiadores em busca de uma verdade única e por acusarem que os jornais de subjetivismo em função dos interesses de quem os produzia e por serem elaborados sob a influência de compromissos, interesses e paixões de outros. Só com as mudanças na concepção do que é fonte documental da Escola dos Annales que essa preocupação começou a ser superada, embora esse olhar desconfiado tenha se mantido no cenário brasileiro até a década de 1970. As fontes são nesse sentido, artefatos culturalmente construídos e repletos de intencionalidade pelos grupos que as originaram. Assim para Bloch (2001), “Tudo que o homem diz ou escreve, tudo que fabrica tudo o que toca pode e deve informar sobre ele” (BLOCH, 2001, p. 79).

A partir da concepção acima, desenvolveu-se a ideia de que tudo aquilo que foi produzido pela humanidade no tempo e espaço, grosso modo, pode ser entendido por fonte histórica e serve de base para a construção do conhecimento histórico, e que cabe ao historiador o questionamento às fontes, pois ao se deparar com elas, percebe que elas não falam por si e sim respondem a questões suscitadas por ele próprio (ALVES; GUARNIERI, 2007, p. 5). [5]

Ao falar da importância e contribuição dos jornais no conhecimento histórico, Leite (2014) salienta,

Dada a importância e a ampliação do uso da imprensa e suas possibilidades como objeto e fonte de pesquisa histórica, novos posicionamentos e metodologias do historiador frente a fonte jornalística tornaram-se necessárias para uma escrita da História por meio da imprensa, reconhecendo sua historicidade e problemática (LEITE, 2014, p. 824).

Segundo Cruz e Peixoto (2007), a imprensa age ainda como força social ativa e,

Trata-se de entender a Imprensa como linguagem constitutiva do social, que detém uma historicidade e peculiaridades próprias, e requer ser trabalhada e compreendida como tal, desvendando, a cada momento, as relações imprensa/sociedade, e os movimentos de constituição e instituição do social que esta relação propõe (CRUZ; PEIXOTO, 2007, p. 258).

A imprensa possui um campo de ação e age como força ativa nos processos de hegemonia social, possuindo uma forte força intervencionista nas diversas áreas da vida social, política e cultural. Dessa forma, é necessário transformar os jornais em revistas em fontes históricas, pois eles não são constituídos para uso do historiador.

 Abaixo, algumas notícias selecionadas:

Notícia 1

Correio da Manhã [6]– 12/08/1912 – Edição 04042 Página 5
Esta notícia de agosto de 1912 faz menção à proposta do governo brasileiro ao português em receber e custear a vinda dos emigrados realistas ao Brasil.

Notícia 2:

Gazeta de Notícias[7] – 23/08/1912 – Edição 00236 – Página 1
A notícia fala da chegada de 149 emigrados realistas a bordo do Paquete espanhol P. de Satrustequi. Esses portugueses eram quase todos pertencentes ao exército lusitano, a guarda municipal de Lisboa e a polícia, mas também continha padres. O jornal faz uma breve entrevista com os recém-chegados.

Notícia 3:

Correio da Manhã – 12/09/1912 – Edição 04073 – Pág. 3

A notícia discorre sobre a chegada do Vapor Cordillere, vindo de Vigo (Espanha), e a ida dos realistas para a Hospedaria da Ilha das Flores. Dentre eles, o padre Julio Candido Cesar. O padre conta como era a experiência dos combates com as tropas republicanas e do tempo emigrado na Espanha. Ainda segundo ele, fez a viagem com despesa própria, contrariando o que diz o acordo do Brasil de pagar todas as despesas.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A hipótese inicial a respeito do crescimento do fluxo imigratório da nacionalidade selecionada era de que Proclamação da República Portuguesa no ano de 1910 e os seus desdobramentos políticos e religiosos nos anos posteriores, teria impulsionado a emigração de milhares de portugueses rumo ao Brasil, demonstrando um crescimento nesses números.

Procurou-se demonstrar nesse estudo a conjuntura no estado português que propiciou este crescimento, como as fugas ao serviço militar obrigatório masculino exercido principalmente nas colônias africanas, na qual ficou claro que nesse caso, os “fugitivos” eram meninos e homens pobres, pois quem vinha de família abastada podia pagar a fiança; o desencanto com as promessas republicanas de melhorias sociais não compridas e que mantinham o estado de pobreza do campesinato, um lento crescimento econômico e baixa industrialização; e a perseguição religiosa aos católicos por uma república que se dizia laica. A emigração, como ocorria desde o século XIX, surgia como alternativa na melhoria na qualidade de vida e tentativa de enriquecimento.

A principal descoberta deste estudo foi a importância da Hospedaria de Imigrantes da Ilha das Flores na recepção de realistas portugueses expulsos de seu país de origem e de Espanha. A hospedaria, como órgão oficial do estado republicano brasileiro, foi a responsável por receber esses imigrantes. Dentre eles, existiam militares do exército, da guarda nacional, da polícia local, mas também padres e religiosos inconformados com a ruptura entre Estado e Igreja e com os rumos religiosos e políticos que seu país seguia.

Para finalizar, espera-se que este trabalho tenha contribuído para o estudo da imigração portuguesa e, principalmente para aprimorar o conhecimento sobre a Hospedaria da Ilha das Flores e seus diferentes momentos de atuação ao longo da História, bem como perfis de imigrantes, nacionalidade, períodos de pico, entre outras informações.

REFERÊNCIAS

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TOLEDO, Pedro. Relatório I apresentado ao Presidente dos Estados Unidos do Brasil pelo Ministro da Agricultura, Indústria e Comércio. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1913.

APÊNDICE – REFERÊNCIA DE NOTA DE RODAPÉ

2. Contagem própria a partir do Livro de Registros da Hospedaria de Imigrantes da Ilha das Flores.

3. Dados retirados dos Livros de Registro da Hospedaria de Imigrantes da Ilha das Flores sem páginas específicas.

4. Idem.

5. ALVES e GUARNIERI, 2007, P. 5. Os autores afirmam a importância da crítica documental como parte fundamental da operação historiográfica, e que construir interpretações sobre ele se estendia, também, a conhecer sua origem e ligação com a sociedade que o produziu.

6. O Correio da Manhã foi um periódico, publicado de 1901 a 1974 no Rio de Janeiro. Caracterizou-se por se opor a grande parte dos presidentes brasileiros no período de funcionamento.

7. A Gazeta de Notícias foi um periódico publicado no Rio de Janeiro, fundado em 1875 e funcionando até 1942.

[1] Mestre em História Social pelo Programa de Pós-Graduação em História Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro/Faculdade de Formação de Professores (UERJ/FFP); Graduada em História pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro/Faculdade de Formação de Professores (UERJ/FFP).

Enviado: Maio, 2021.

Aprovado: Junho, 2021.

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