O elemento lúdico na cidade de São Paulo: como a geografia influencia nas manifestações lúdicas na cidade de São Paulo

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LIRA, Marcela Jacob [1]

LIRA, Marcela Jacob. O Elemento Lúdico Na Cidade De São Paulo: Como A Geografia Influencia Nas Manifestações Lúdicas Na Cidade De São Paulo. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 03, Ed. 08, Vol. 05, pp. 137-154, Agosto de 2018. ISSN:2448-0959

Resumo

O presente artigo o elemento lúdico na cidade de São Paulo tem com foco principal pesquisar alguns elementos da geografia social e espacial como a vegetação, a expansão territorial em lugares adequados e inadequados, a urbanização desenfreada, solo contaminado, falta de infra-instrutora e regiões acessíveis e de difícil acesso influenciam nas manifestações lúdicas de cada parte da cidade. O artigo está sistematizado em delimitação do lúdico, divulgação de pesquisas realizadas por meio da comunicação impressa nas subdivisões da cidade. A região central não foi abordada por ser a região mais bem assistida da cidade onde se encontram os pólos econômicos e um ponto turístico que melhor está estruturado. Nas considerações finais apontamos possíveis soluções encontradas no campo físico e no campo social tanto da parte da população, como da parte do poder público.

PALAVRAS-CHAVES: Ludicidade, Organização social, Urbanização.

Introdução

O tema lúdico por ser um assunto amplo de significados procurou abordá-lo de forma a não haver limitação ao ambiente concreto. Segundo Mastrocola (2012, p.18) “a discussão sobre a ludicidade não se restringe ao espaço físico”. Assim as manifestações lúdicas estão ampliadas para qualquer situação seja ela real ou virtual. O lúdico aqui vai colocar-se em uma dimensão humana que aflora os sentimentos de liberdade, espontaneidade e divertimento.

Essas manifestações podem acontecer em diferentes lugares, momentos e situações uma vez que é um estado que parte de dentro para fora do individuo. As considerações dessa analise irá tratar das manifestações lúdicas em um contexto coletivo, ou seja, em lugares onde existem um aglomerado de pessoas.

O presente artigo O elemento lúdico na cidade de São Paulo tem com foco principal pesquisar alguns elementos da geografia social e espacial como a vegetação, a expansão territorial em lugares adequados e inadequados, a urbanização desenfreada, solo contaminado, falta de infra-instrutora e regiões acessíveis e de difícil acesso influenciam nas manifestações lúdicas de cada parte da cidade.

Segundo Montoya (2010, p.05)

São Paulo, maior cidade do Brasil desde a década de 60, é hoje o mais poderoso pólo de atividades terciárias do país e sua população se aproxima da cifra de 11 milhões de habitantes, distribuídos pelos 1.509 km2 de seu município que se dividem em 31 subprefeituras e estas, em 96 distritos. São Paulo também é o centro da região metropolitana de mesmo nome, que, com seus 19 milhões de habitantes, ocupa a 4ª posição no ranking das maiores aglomerações urbanas do mundo. São 39 municípios, incluindo a capital, 8, 051 km2 de mancha urbana contínua que, no sentido leste-oeste, apresenta cerca de 100 km de extensão (MONTOYA, 2010, p.05)

O artigo está organizado em delimitação do lúdico, divulgação de pesquisas realizadas por meio da comunicação impressa nas subdivisões da cidade às zonas sul, oeste, leste, norte, noroeste e nordeste. De acordo com o Datafolha (2010) participaram da pesquisa 114 profissionais, entre os quais 65 pesquisadores. O estudo foi feito por amostragem com mínimo de 300 entrevistas por distrito e sorteio que obedece a cotas de sexo e de faixa etária do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), assim como a ponderação dos dados por distrito e agrupamento de setores censitários. A região central não foi abordada por ser a região mais bem assistida da cidade onde se encontram os pólos econômicos e um ponto turístico bem estruturado. Nas considerações finais apontamos possíveis soluções encontradas no campo físico e no campo social tanto da parte da população, como da parte do poder público.

2 Breve panorama histórico do lúdico

Explorando a questão em um panorama histórico na visão mais antiga a diversão não era algo visto com “bons olhos”, era algo desfavorável, como uma situação de alienação sendo em última instância nociva para o praticante. Com o passar dos anos a questão em discussão foi colocada com uma característica dos seres humanos, e mais relevante na infância. Os estudos de muitos pesquisadores dedicaram-se a estudar as relações estabelecidas entre crianças e brinquedos como meio de externar suas emoções, frustrações e projetar seus desejos. Segundo Luckesi (2005) o lúdico é um “fenômeno interno”.

Ainda permeando essa linha de raciocínio o lúdico passa a ser estudado e valorizado como um fenômeno que cresce junto com o indivíduo, agora não só na infância, mas em todas as fases da vida. Sendo assim, o ser humano em todas as etapas de sua vida vive experiências lúdicas.

Em uma abordagem mais atual o lúdico é uma representação singular que perpassa o mundo real para um mundo imaginário, ocupando a mente de pensamentos relacionados à alegria, satisfação, diversão, se apropriando de situações cotidianas e expondo-se como sons, gestos, expressões que acabam contaminando o ambiente e os indivíduos que lá se encontram.

Sintetizando que o que evidência a atividade lúdica é vivenciá-la de maneira plena aonde a entrega não encontre barreiras físicas ou sociais. Podendo ser uma pintura, uma brincadeira, um passeio ao ar livre, uma leitura, música, ou seja, a produção individual que envolve a entrega levando a satisfação pessoal.

2.1 Caminhando na cidade de São Paulo

Ao andar pela cidade é possível perceber diferenças tão gritantes que parece que mudamos de cidade e não apenas de bairro um exemplo é a região de Paraisópolis de um lado uma das maiores comunidades da cidade do outro a região do Morumbi onde o metro quadrado pode custar até seis mil e cem reais. Segundo o censo demográfico do ano de 2000 mostra, em primeiro lugar, que o município de São Paulo concentra 94,7% dos seus domicílios em área urbana e o restante 5,3 %, e que em área rural, A região sul, onde se localiza a maior parte desses distritos, possui grande parte de sua área protegida por legislação específica, e as subprefeituras onde a incidência de moradias subnormais ocorre um cadastro de favelas da SEHAB, para o ano de 2000, em números absolutos com maior número de favelas são M’boi Mirim com 272, seguida de Campo Limpo com 237, Capela do Socorro com 221, Cidade Ademar com 198. Esta mesma lógica se reproduz no espaço intra-urbano: a maior oferta de infra-estrutura se dá ao longo das áreas industriais e nos centros de comércio e serviços envolvidos por bairros de renda média e alta. Quanto mais distante do centro, menor a disponibilidade de acesso às redes (transporte, lazer, saúde, educação, segurança entre outras) de qualidade. Isto agrava os problemas de atendimento à população, uma vez que, segundo os dados do censo, o crescimento demográfico significativo da cidade se concentrou justamente nas áreas periféricas.

Agravando ainda mais a situação quando a escassez de moradia, agressão ambiental, ilegalidade e violência é outra da principal conseqüência da falta de alternativas de moradias legais (ou seja, moradias reguladas pela legislação urbanística e inseridas na cidade oficial). A ocupação de áreas ambientalmente frágeis — beira dos córregos, encostas deslizantes, várzeas inundáveis, áreas de proteção de mananciais, mangues são as principais formas de moradia, loteamentos piratas e clandestinos ou de invasões de terra que dão início à formação de favelas. De acordo com a CETESB (2007, p.09):

Essas invasões não são dirigidas por movimentos contestatórios, mas pela falta de alternativas. Já que todos precisam de um lugar para morar e ninguém vive ou se reproduz sem um abrigo, esse consentimento à ocupação ilegal, não assumido oficialmente, funciona como uma válvula de escape para a flexibilização das regras. (CETESB 2007, p.09)

Mas esse consentimento e flexibilização se dão apenas em áreas não valorizadas pelo mercado imobiliário. O sistema financeiro mais do que a lei (norma) é que define onde os menos favorecidos podem habitar ou se apropriar de terras para morar.

Concluindo que grande parte da população de São Paulo mora em situação irregular sem um plano urbanístico vamos analisar cada zona da cidade para apurar de fato com as pessoas materializam o lúdico.

2.1.1 Zona Sul

Segundo a gerente de turismo da cidade de São Paulo Fernanda Asca a mais famosa atração da zona sul é o Parque Ibirapuera. Além de enorme área verde-possui um complexo de importantes museus. Dentre eles o museu de Arte Moderna e o museu Afro – Brasil divulgado através do site oficial de turismo de São Paulo. O espaço apesar de sua infra-estrutura com estacionamento pago, cobranças de valores para entrar nos museus as marquises tornaram-se ponto de encontro de várias “tribos” com skatistas, patinadores, ciclistas, praticantes de exercício físicos entre outros, o que faz do parque uma ótima opção para os residentes daquela região.

Nessa zona existem bairros tradicionais como o Ipiranga onde se localiza o Museu Paulista conhecido como museu do Ipiranga que conta com um jardim com paisagismo inspirado nos jardins europeus e feiras de artesanato e também Museu de Zoologia.

Outro bairro de relevância cultural é do Morumbi onde fica a Fundação Maria Luisa e Oscar Americano com obras de arte, um jardim com paisagismo e um serviço de chá bem cotado.

A maioria das casas de shows da cidade de São Paulo se concentra nessa região mais precisamente na Marginal Pinheiros, Moema e Vila Olímpia.

2.1.2 Zona Oeste

Segundo Nogueira e Rodrigues (2012, p.s/n):

Região que abriga uma múmia, além de uma herança cigana, a zona oeste da capital cresceu impulsionado pelo comércio, o CEAGESP (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo) como seu maior expoente, e desenvolveu sua maior força pautada pela educação, com importantes instituições com a USP e a PUC, e pela cultura—não á toa é a casa de tradicional escola de samba e de intensa produção cinematográfica. Contou com um morador ilustre no Itaim Bibi Mazzaropi. (NOGUEIRA e RODRIGUES 2012, p.s/n)

Fora o mercado de varejo outra opção de entretenimento é a Feira de Flores, um evento único além de quantidade há também muita variedade. Pesquisadores do Instituto Politécnico dos Estados Unidos no estado da Virgínia descobriram que na presença de um jardim florido ou de uma mesa decorada com plantas vistosas, as pessoas se comunicam melhor, controlam maus hábitos e ainda assumem uma atitude mais positiva dentro e fora de casa.

2.1.3 Zona Leste

Segunda a pesquisa realizada pelo Datafolha (2010). Com ampla população entre 16 e 24 anos e de baixa renda familiar, extremo leste de SP sofre com falta de áreas verdes e de lazer o parque do Carmo é um oásis em meio ao bolsão de pobreza do extremo da zona leste da capital.

. Ainda de acordo com o levantamento as árvores são escassas e as áreas de lazer, mais ainda. Com a maior parcela de famílias com renda mensal de até dois salários mínimos (32%) e muitos jovens (27% dos moradores têm entre 16 e 24 anos), a diversão depende de criatividade e jogo de cintura.

Segundo moradores que participaram da pesquisa. No fim de semana, é comum ver garotos sobre a laje das casas empinando pipas, uma das principais brincadeiras da região. As disputas, muitas vezes com cerol, também acontecem em terrenos baldios e no parque do Carmo, o principal da região.

O vigia Jerry Adriani Matos, 40, diz apreender cerca de dez latas de cerol por final de semana. “Há acidentes de duas a três vezes por semana”. Futebol de várzea é outro passatempo popular. No Itaim Paulista, campeonatos locais acontecem aos domingos no campo do Tossan, como é chamado.

Outro problema apontado pelos participantes dessa região é a falta de transporte público durante á noite, o caixa Diego Santos Silva, 21, precisa juntar mais três pessoas para dividir um táxi “que sai uns R$ 100” para ir a clubes de música eletrônica, como os da Vila Olímpia (zona oeste). Quando sai do trabalho, em uma padaria, à meia-noite, “não tem mais como ir de ônibus”. O balconista Luiz Carlos de Oliveira, 30, morador de Lajeado, diz que praticamente desistiu de sair à noite. “Por falta de carro e porque também não há nenhum lugar interessante para sair no Lajeado.”

Segundo Barros (2008, p.04), “o extremo leste é uma das áreas mais urbanizadas da cidade, com vias pouco arborizadas e carência de praças e jardins residenciais”.

“A paisagem da zona leste é tão árida que a temperatura pode ficar até dois graus acima da das áreas mais arborizadas da cidade”, diz o arquiteto Paulo Brazil, um dos responsáveis pela implantação do Parque da Integração, que, recém-inaugurado e com quase 8 km, vai de São Mateus a Sapopemba. Construído sobre uma adutora da Sabesp, o projeto integra um programa da Escola da Cidade -faculdade de arquitetura e urbanismo- que começou a ser implantado em 2001. Naquela época, nem estava definido ainda que se tratasse de um parque. A decisão foi um desdobramento das conversas de alunos e professores com a comunidade. “As principais demandas eram sobre segurança e área de lazer”, conta Brazil. Uma ciclovia permeia a área, mas a via serve muito mais para o tráfego do que para diversão: a bicicleta é um meio de transporte comum na região.

2.1.4 Zona Norte

Essa zona conta com uma subdivisão entre noroeste e nordeste que compõem uma macro divisão conhecida apenas com zona norte esses dois tópicos explorados a seguir são pouco conhecidos pela sua denominação oficial apenas com zona norte. Durante o trabalho foi percebido a necessidade da subdivisão devido à riqueza de especificidades que cada parcela tem para a complementação do tema aqui explorado nesse artigo.

2.1.5 Zona Noroeste

Essa região abriga a maioria das sedes de escolas de samba onde as manifestações lúdicas envolvem pessoas de todas as idades, pois esses lugares oferecem múltiplas oportunidades de expressão corporal, exploração musical, forte expoente de miscigenação de cultura. De acordo com a pesquisa intitulada DNA Paulistano Noroeste-Rede Nossa São Paulo, a Casa Verde é um reduto de escolas de samba da capital, reunindo Unidos do Peruche, Império de Casa Verde e Mocidade Alegre.

Esse pedaço da cidade também conta com o parque Pico do Jaraguá aonde as trilhas oferecidas para os visitantes são mais fácies facilitando a vida de que pratica esporte amador. Ainda de acordo com o levantamento da pesquisa “a Trilha do Lago, com 969 metros é indicada até para idosos e pessoas com deficiência física. Também tranqüila, a trilha do Silêncio, é feita em 30 minutos, ida e volta, em 828 metros”, o que evidencia a preocupação com a inclusão.

O bairro da Brasilândia recebeu a arte de Márcio Penha mais conhecido com Presto um grafiteiro em destaque da região. De acordo Nunes (2015) Se um dia estiver triste, observe alguma arte de Presto, que é harmônica, divertida e com personagens marcantes. Quando criança, o paulistano colecionava quadrinhos, construía brinquedos e imaginava criaturas, agora pintadas nos muros.

Segundo o próprio grafiteiro “A opção de lazer aqui é a rua. Então você vai fazer grafite, andar de skate, empinar pipa. Cada um vai procurar algum meio de se divertir e de interagir com aquele espaço.” (PRESTO, 2015, p.s/n)

2.1.6 Zona Nordeste

De acordo com Ponciano (2001, p.107), a região nordeste é uma região administrativa estabelecida pela prefeitura de São Paulo que engloba as subprefeituras da Santana-Tucuruvi, de Vila Guilherme e do Jaçanã – Tremembé. Forma com a Zona Noroeste a macro-zona conhecida simplesmente como “zona norte”.

Os espaços de lazer são o Horto Florestal  , Parque da Cantareira e o Parque da Juventude. Ainda assim com a grande quantidade de áreas verdes, a qualidade do ar é uma das piores da cidade, comprovada por medições da CETESB. A Avenida Nova como é conhecida conta com as avenidas Brás Leme, Engenheiro Caetano Álvares e Luiz Dumont Villares que recebem bastante movimento noturno em seus bares, casas de shows e restaurante sendo um local propício para diversão tema intimamente ligado ao lúdico.

De acordo com o Ponciano (2001, p.107)

O distrito de Santana apresenta a maioria dos equipamentos culturais da região, como o Arquivo Público do Estado de São Paulo‎, a Biblioteca de São Paulo, os teatros Alfredo Mesquita e Jardim São Paulo, o Clube Escola Jardim São Paulo, o Mirante de Santana e o SESC Santana. Comparado às regiões oeste e centro-sul da cidade apresenta pouquíssimos museus, representados pelo Museu Florestal Otávio Vecchi. Museu Aberto de Arte Urbana de São Paulo, Museu do Dentista, Museu Memória da Jaçanã e o Sítio Morrinhos. No ano de 2006 o bairro de Vila Nova Cachoeirinha  ganhou o Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso  com biblioteca, anfiteatro, teatro de arena, dentre outros equipamentos culturais. (PONCIANO 2001, p.107)

A atividade lúdica na região de acordo com os dados levantados gira em torno do período noturno devido o número de atrações que essa região oferece.

2.2 Problemas apontados

Durante os estudos realizados foram apontados diversos problemas relacionados à urbanização como moradia em lugares inadequados devido ao crescimento populacional, solo contaminado, região muito árida, difícil locomoção de transporte em massa como aponta o estudo realizado pelo DNA Paulistano Noroeste – Rede Nossa São Paulo:

Duas novas linhas de metrô estão projetadas para a zona norte. No mundo ideal, elas seriam construídas de 2012 a 2025 e beneficiariam a Vila Guilherme e a Vila Maria. As duas linhas fazem parte do Pitu (Plano Integrado de Transporte Urbano), elaborado em 1999 pela Secretaria de Transportes Metropolitanos e que projeta uma malha metroviária de 163,3 km para a cidade, contra os 60,2 km atuais (SPINELLI, 2008, p.24)

Percebe-se que a necessidade de ligações feitas por meio dos transportes é reivindicação eminente em todas as regiões de São Paulo.

2.3 Evoluções urbanas nas últimas décadas na cidade de São Paulo·

Um aspecto de relevância refere-se a alterações no processo de ocupação e de distribuição da população no território municipal. Até a década de 80, todas as regiões da cidade apresentavam aumento positivo, com exceção das regiões formadas pelos distritos da zona leste e imediações da região central (Belém, Bom Retiro, Brás e Pari). A partir de então, houve uma tendência à redução do número de habitantes para áreas próximas, fazendo com que essa área central e outros distritos de ocupação já estabilizada viessem a apresentar taxas negativas de crescimento segundo o levantamento do censo demográfico de 2000 realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia Estatística.

Ainda de acordo com o levantamento (IBGE, 2000,) “ao longo da década de 90, esse movimento se intensificou, numérica e espacialmente, quando aproximadamente 60% dos distritos do município apresentaram perda populacional”. Ou seja, as pessoas começaram a se afastar do centro e buscar alternativas nas regiões mais extremas da metrópole o que a pesquisa chamou de o fenômeno “periferização” que superou as fronteiras da cidade, em direção às cidades vizinhas.

Entre os aspectos apontados pelo censo que contribuíram para esta descentralização da ocupação urbana e para a mudança no padrão de crescimento demográfico no município, foram destacados: a continuidade do processo de desconcentração industrial em direção a outros municípios da Região Metropolitana de São Paulo e interior do Estado; o custo elevado de vida na capital (principalmente no setor imobiliário); e a expansão do mercado terciário nas áreas mais consolidadas do centro urbano, trocando o uso residencial de muitas áreas pelo uso comercial e de serviços.

O Censo Demográfico IBGE (2000, p. s/n) mostra que;

[…] em primeiro lugar, que o município de São Paulo concentra 94,7% dos seus domicílios em área urbana e o restante 5,3 %, e que em área rural, A região sul, onde se localiza a maior parte desses distritos, possui grande parte de sua área protegida por legislação específica, e as subprefeituras onde a incidência de moradias subnormais ocorre um cadastro de favelas da SEHAB, para o ano de 2000, em números absolutos com maior número de favelas são M’boi Mirim com 272, seguida de Campo Limpo com 237, Capela do Socorro com 221, Cidade Ademar com 198. (IBGE2000 p.s/n)

Destacamos o cadastro realizado pelas subprefeituras ao analisar dados que confirmam que as moradias estão migrando de regiões nucleares para localidades mais distantes, com pouca ou nenhuma infra-estrutural por ser uma opção que está dentro do perfil econômico dos munícipes,

Esta mesma lógica se reproduz no espaço intra-urbano: a maior oferta de infra-estrutura se dá ao longo das áreas industriais e nos centros de comércio e serviços envolvidos por bairros de renda média e alta. Quanto mais distante do centro, menor a disponibilidade de acesso às redes (transporte, lazer, saúde, educação, segurança entre outras) de qualidade. Isto agrava os problemas de atendimento à população.

2.4 O que são áreas contaminadas

As definições das classificações das áreas estão descritas abaixo e são baseadas na Lei Estadual nº 13.577, de 8 de julho de 2009, que dispõe sobre diretrizes e procedimentos para a proteção da qualidade do solo, e na Decisão de Diretoria nº 103/2007/C/E, de 22 de junho de 2007 da CETESB,área contaminada” área, terreno, local, instalação, edificação ou benfeitoria que contenha quantidades ou concentrações de matéria em condições que causem ou possam causar danos à saúde humana, ao meio ambiente ou a outro bem a proteger.” Ainda sobre a definição de área contaminada Neuls (2007) gerente do departamento de comunicação social da a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente afirma que:

Uma área contaminada pode ser definida como uma área, local ou terreno onde há comprovadamente poluição ou contaminação causada pela introdução de quaisquer substâncias ou resíduos que nela tenham sido depositados, acumulados, armazenados, enterrados ou infiltrados de forma planejada, acidental ou até mesmo natural (NEULS 2007)

A tomada de posse dos solos ambientalmente frágeis como beira dos córregos, encostas escorregadias, planícies inundáveis, áreas de proteção de mananciais e mangues são as principais formas de moradia clandestinas ou invadidas. Maricato ( 2010 p.09) segue dizendo:

Já que todos precisam de um lugar para morar e ninguém vive ou se reproduz sem um abrigo, esse consentimento à ocupação ilegal, não assumido oficialmente, funciona como uma válvula de escape para a flexibilização das regras. Mas esse consentimento e flexibilização se dão apenas em áreas não valorizadas pelo mercado imobiliário.”. (MARICATO 2010 p.09)

As áreas contaminadas representam risco à saúde. O vereador Ítalo Cardoso (PT), autor da lei que criou a lista de áreas contaminadas, disse que “o documento deveria ser um serviço à sociedade”. A lista deve ser atualizada a cada três meses e serve como um guia sobre a condição de terrenos que poderão receber empreendimentos. Para erguer um prédio, por exemplo, o construtor precisa verificar se ele tem alta concentração de produtos tóxicos, como combustíveis, metais e solventes. Em caso positivo, precisará descontaminá-lo. A Secretaria do Verde e do Meio Ambiente afirma que todas as áreas contaminadas da cidade foram listadas e, na próxima atualização, vai adicionar detalhes.

Bairros com predisposição industrial no passado reúnem as áreas com alta concentração tóxica no solo. É o caso do distrito da Mooca, o campeão, com 18 áreas contaminadas, o que trava o desenvolvimento imobiliário. Depois, vêm dois distritos na zona sul – Campo Grande, com 17, e Santo Amaro, 11. Também aparecem com destaque bairros da zona oeste, como Vila Leopoldina, com dez, e Barra Funda. Esses bairros já se sobressaíam no relatório anual do governo do Estado, divulgado pela CETESB (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), que traz um número de áreas contaminadas muito maior que o da lista da Prefeitura – mais de 800 terrenos na capital paulista. A Prefeitura diz que os dados da CETESB contemplam áreas cujas atividades são licenciadas pelos órgãos estaduais, como postos de combustíveis e indústrias em operação.

A Prefeitura afirma também que os dados da CETESB serviram de base ao relatório da cidade, mas que a administração municipal ainda coletou dados com seu trabalho de fiscalização e análise de laudos enviados por proprietários. A Prefeitura alega que fez um levantamento criterioso e a divulgação ocorreu depois do prazo previsto em lei por causa da complexidade em centralizar os dados. A lista das áreas contaminadas pode ser encontrada no site da prefeitura, na página da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente.

2.5 De olho no transporte público

O Município é responsável por 63% das viagens motorizadas de toda a Região Metropolitana, sendo que 90% desses deslocamentos são internos. De acordo com o Diário Oficial da cidade de São Paulo (2013 p.23).

De acordo com Paulino (2007) a cidade “tem feito grandes esforços no sentido de organizar, aperfeiçoar e integrar aos modos de alta capacidade, metrô e ferrovia, e o serviço do modo ônibus, que é o subsistema que atende majoritariamente a população”. Ainda segundo Paulino;

A principal estrutura viária do Município e da Região Metropolitana é composta pelas marginais dos rios Pinheiros e Tietê, pelo Mini-Anel e pelo anel metropolitano, atualmente fechando na Avenida Aricanduva, no trecho em operação do Rodoanel e nas rodovias. Esta estrutura desempenha um papel de grande importância para a economia brasileira porque estabelece ligação rodoviária entre as regiões Norte e Sul do país e direciona os fluxos de tráfego de carga para o Porto de Santos (PAULINO, 2007).

No presente momento, está em implantação a integração tarifária entre estas modalidades de transporte coletivo que terá um grande ganho de mobilidade para a população que faz uso desse serviço segundo a Secretária dos Transportes da cidade de São Paulo (CTC).

Apesar de todos esses esforços já citados por parte do poder pública a pesquisa denota que há muito por fazer, com podemos constatar na fala de moradores da zona leste entrevistado pelo Datafolha (2012, p/sn). O balconista Luiz Carlos de Oliveira, 30, morador de Lajeado, diz que praticamente desistiu de sair à noite “por falta de ônibus”.

De acordo com PENA, (2016, p s/n) “Na maioria das vezes, as queixas referem-se ao fato de os veículos estarem sempre lotados, às condições ruins dos carros e à baixa qualidade dos serviços prestados”.

Essas situações juntando-se ao descontentamento da população com tarifas abusivas só agravam a insatisfação populacional que faz uso diário desses meios de locomoção. Pesquisas realizadas pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), em 2011 e 2012, revelaram um quadro negativo, com avaliações classificadas como “péssimas ou ruins” ultrapassando os 60%.

O que já é possível afirma é que o processo industrialização rápida não deu fôlego para que as políticas públicas pudessem se organizar para oferecer uma estrutura que dessa conta desse grande contingente de mão operária o que se refletiu em vários segmentos dentre eles saneamento, saúde, transporte e porque não dizer também o lazer.

Ainda de acordo com Pena (2012, p.s/n):

[…] esse verdadeiro exército de trabalhadores que passou a habitar as grandes metrópoles brasileiras a partir da segunda metade do século XX não encontrava boas condições de moradia. […], os terrenos das grandes cidades sofriam com um alto grau de valorização, o que dificultava a permanência das classes menos abastadas nas regiões centrais das cidades. (PENA 2012 p.s/n)

Nesse prisma a descentralização configurou uma nova organização urbana, modificando de forma irreversível a geografia do os locais que se instalaram, fazendo de forma improvisada instalações elétricas, encanamento o que gera a erosão uma das principais causas de deslizamento das encostas.

No decorrer do período, ocorreu um estímulo por parte do governo em elevar o mercado automobilístico proporcionando facilidades para que a classe popular pudesse adquirir o seu veículo o que agravou ainda mais a situação, além de ônibus lotados temos um trânsito carregado.

De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde) afirmou que “a questão do transporte coletivo é também uma questão de saúde pública, uma vez que um transporte eficiente diminuiria o número de carros nas cidades, diminuindo também os índices de poluição, acidentes, inatividade físico, entre outros”.

3. Ganho na saúde pra quem está em dia com a alegria

“Brincar […],é uma atividade imaginativa e interpretativa que compreende o corpo e a mente e revela experiência que envolvem os sentidos de modo a favorecer que o mundo ganhe sentido e significados próprios […]” Costa,Carlos e Pinheiros (2006 p.45).Com uma vida agitada, com o mau funcionamento do transporte público, com longas viagens entre casa e trabalho, com poucas opções de laser as sensações que o corpo e a mente são expostos são muito estressante.

A brincadeira pode ser interpretada como um fenômeno cultural abordado em uma perspectiva construída historicamente, tendo com base o lúdico que transborda as amarras etárias. Segundo o psiquiatra Vera, especialista em medicina Psicossomática;

Rir libera endorfinas, que são hormônios que promovem a sensação de bem-estar; também ativa a sua resposta ao estresse, aumentando a sua frequência cardíaca e pressão arterial e criando uma sensação de relaxamento. Por fim, ele também estimula a circulação e ajuda a relaxar os músculos, o que reduz os sintomas físicos do estresse. (VERA, 2012 p.s/n)

Sendo assim os entraves impostos pelo local onde se localizam as moradias, pode contribuir para o aumento do nível de situações estressantes, uma vez que o corpo não tem um lugar adequado para se sentir mais relaxado.

4. Considerações finais

Atualmente o lúdico é abordado apenas com um elemento que compõem a educação infantil, delimitando o tema. Analisando de uma perspectiva mais abrangente as possíveis flexibilizações do assunto não só é possível como também é do interesse de todas as áreas do conhecimento.

Dessa forma, podemos considerar a Geografia como uma área de interesse da sociedade em compreender como a sua organização pode influenciar ativamente esse fenômeno partindo do pressuposto de natureza humana, com o foco sobre a maneira com que essas manifestações se relacionam com o ambiente e conseqüentemente a organização desse espaço.

O objetivo desse estudo foi o de contribuir para a melhor maneira de se explorar os espaços e recursos que a cidade oferece. Com o levantamento de dados, a opinião de quem mora no local bem como as reclamações constatar que a organização urbanística e o processo natural de como se deram influenciam nas manifestações lúdicas nos locais aqui apontados e propor possíveis soluções.

No decorrer da pesquisa foi possível perceber que os próprios moradores se organizam para fazer do seu local de moradia um lugar mais lúdico como os grafiteiros que dão cor ao ambiente, aos jovens que zelam pelos lugares onde há praças, os mais experientes em organizar associações a fim de garantir seu lazer assim os munícipes demonstram interesse em influenciar o seu espaço de forma positiva usando os elementos geográficos a seu favor.

A organização de atividades lúdicas realizadas pela política público da cidade é um acerto importante, pois garante o mínimo de lazer, pensando em fazer uso dos benefícios já estruturados.

O passo na direção certa foi identificar os problemas, cada região tem sua especificidade, o passo seguinte está se desvelando por meio da organização dos moradores para propor soluções possíveis e procurar as parcerias tanto do poder publico quanto do privado, ampliar essa rede de informação fica como sugestão para pesquisas futuras.

Referências

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BARROS, Mariana. DNA Paulistano. Disponível em https://www.nossasaopaulo.org.br/observatorio/biblioteca/DnapaulistanoExtremo.Leste.pdf.acessado em 21 de jan.2016.

BRUNELLA, Nunes, artistas-brasileiros-que-você-conhece. Disponível, em: http://www.hypeness.com.br/2015/03/selecao-hypeness-15-. acessado em 30 de Nov 2015.

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[1] Graduação em Pedagogia. Especialização em Metodologia de História e Geografia pelo Centro Universitário Barão de Mauá, Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil.

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