Do colégio estadual João XXIII ao 4º colégio da polícia militar: as transformações do espaço urbano da vila operária na cidade de Maringá/PR

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CONTEÚDO

ARTIGO ORIGINAL

CAMPANO, Liz Aparecida Rocha [1], LIMA, Maria das Graças [2]

CAMPANO, Liz Aparecida Rocha. LIMA, Maria das Graças. Do colégio estadual João XXIII ao 4º colégio da polícia militar: as transformações do espaço urbano da vila operária na cidade de Maringá/PR. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 06, Ed. 04, Vol. 06, pp. 05-29. Abril de 2021. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/geografia/transformacoes-do-espaco

RESUMO

Um dos objetivos da Geografia é estudar o espaço geográfico e suas mudanças ao longo do tempo, evidenciando as características dessas transformações e as causas que a influenciaram. O espaço geográfico é modificado pela sociedade ao longo do tempo, levando cada localidade a expressar seu passado histórico, transformado com o passar do tempo, pela organização social, técnica e econômica das pessoas que habitaram esse local. Levando em consideração estas colocações, este artigo tem objetivo de apresentar as mudanças espaciais ocorridas no bairro Vila Operária (Zona 3) no município de Maringá – PR, usando como base as mudanças ocorridas no Colégio Estadual João XXIII que sofreu alterações até sua transformação para o 4º Colégio da Polícia Militar. Para tal, foram relacionadas as mudanças que ocorreram no espaço urbano e as propostas curriculares que ocorreram durante o período, com busca de material bibliográfico e entrevistas guiadas com a população residente. A caracterização socioeconômica da comunidade escolar é de classe média e pobre, moradores da Vila Operária e Jardim Aeroporto estudavam nos períodos matutino, vespertino e noturno, onde também se oferecia o curso técnico em Vestuário. Após a Militarização, o curso técnico e o período noturno deixaram de existir mudando significativamente o perfil socioeconômico dos estudantes.

Palavras-chave: Sistema de ensino, Espaço urbano articulado, Perfil social.

1. INTRODUÇÃO

Um dos objetivos da Geografia é estudar o espaço geográfico e suas mudanças ao longo do tempo, evidenciando as características dessas transformações e as causas que influenciaram. Assim, este artigo tem o objetivo de mostrar mudanças ocorridas no espaço geográfico da Vila Operária, localizada na cidade de Maringá, no Estado do Paraná, tendo como referência o Colégio João XXIII, localizado nesta Vila, fundado nos anos iniciais da cidade de Maringá, e que recebeu inúmeros nomes até sua transformação em 4º Colégio da Polícia Militar.

Podemos dizer que, para existir concretamente, o ser humano tem, necessariamente, que estabelecer relações com o seu entorno, com a natureza e técnicas de trabalho. É possível distinguir essa relação em dois níveis: as relações com o mundo físico e biológico, que são relações técnicas; e as relações com os outros seres humanos, que são relações sociais. Como as relações entre homem e natureza não se dão de forma direta e, sim, mediada pelo trabalho e por relações técnico-sociais, o espaço é, necessariamente, técnico-social.

O espaço geográfico foi modificado pela sociedade ao longo do tempo, levando cada localidade a expressar seu passado histórico, transformado com o passar do tempo, pela organização social, técnica e econômica das pessoas que habitaram esse local. Essas relações sociais que foram aumentando com o surgimento das cidades e da modernidade, deram início à necessidade de conhecimentos aprimorados para o convívio social e também no âmbito profissional, surgindo, então, as primeiras escolas.

O ponto de partida foi a compreensão histórica da educação brasileira desde os anos 50, década em que foi instalada a Escola Normal, em Maringá, a fim de identificar a organização da rede escolar maringaense, como parte de um projeto de educação Nacional.

Para Fazenda (1980), a sociedade brasileira, dos anos que se seguiram após a I Guerra Mundial, veio se tornando cada vez mais urbana e industrial e a ideia de uma educação pública, gratuita e obrigatória começava a fazer parte das lutas sociais no país. Na década de 30, a Reforma Francisco Campos, que propunha uma atuação mais concisa do Estado em relação à educação, foi um marco na luta ideológica pela escola pública; à qual o “Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova” fez coro na defesa da escola pública na educação nacional.

Maringá foi fundada em 10 de maio de 1947, e nasceu e cresceu orientada pelo planejamento urbano moderno. O engenheiro Jorge de Macedo Vieira foi responsável por traçar o plano geral da cidade, onde, inclusive, foi prevista a localização e a função dos bairros, divididos em residencial popular, industrial, operário e armazéns (DIAS E GONÇALVES, 1999).

O planejamento previa também espaços para a construção de escolas. A rede municipal foi a primeira a se constituir na cidade e, depois dela, consolidou-se a rede estadual e particular. (DIAS E GONÇALVES, 1999). Um texto escrito por Amaro e Rodrigues intitulado “Educação Municipal em Maringá, uma história em meio século” (DIAS E GONÇALVES, 1999) reconstituiu a história da rede escolar, e deixa perceber a importância de mais pesquisas que ampliem o conhecimento sobre a realidade escolar maringaense e suas peculiaridades.

Segundo sua planta, o planejamento para a cidade de Maringá, foi criado dentro de um plano urbanístico, e a Zona 3, onde está localizada a Vila Operária, foi destinada para ser um local de residência dos trabalhadores da Companhia Melhoramentos, seguindo uma concepção inglesa, do século XIX, em que operários deveriam morar perto do local de trabalho. As casas de madeira deram lugar às construções em alvenaria e está em curso a verticalização do bairro, desfigurando o caráter operário que caracterizou a zona 3 e deu nome à Vila.

De modo geral, a Vila Operária foi ocupada, nos seus anos iniciais por trabalhadores urbanos (escriturários, atendentes de lojas, de armazéns secos e molhados) (Figura 1). Para melhor evidenciar a realidade estudada o artigo abordou numa primeira parte a “Ocupação histórica de Maringá”, assim como suas “Primeiras escolas”; para relacionar a questão escolar às transformações urbanas estudou o “Plano Piloto de Maringá, a Vila Operária e Maringá Novo”.  

 Figura 1 – Mapa da Vila Operária no Município de Maringá – PR

Fonte: Autores, 2021

2. A OCUPAÇÃO HISTÓRICA DE MARINGÁ

Maringá é uma cidade que surgiu no processo de colonização desencadeado pelas Companhias de Terras e foi desenvolvida pela Companhia Melhoramentos Norte do Paraná – CMNP.  Considerando solicitação da CMNP, o engenheiro civil que planejou o Plano Piloto original, Jorge de Macedo Vieira, inseriu parques urbanos com manchas da floresta nativa (Floresta Semidecidual), justificando a localização de três parques na região do Plano urbanístico (Parque do Ingá; Parque dos Pioneiros e Horto Florestal); e conjugou o plano urbano à topografia de Maringá (PROJETO MEMÓRIA DOS BAIRROS,1992).

As construções eram quase todas de madeira fornecida por serrarias locais, que aproveitavam a derrubada da mata nativa. O banheiro sanitário ficava no quintal; a água era fornecida por poços, com profundidade média de 20 metros e retirada com uma corda e um sarilho; os banhos eram tomados em banheiros internos da casa, em bacias ou chuveiros. O mais popular era o chuveiro “tiradentes” – um balde içado por uma corda cuja água saia por uma torneira contendo um chuveiro na parte inferior.

O núcleo urbano conhecido hoje como “Maringá Velho” foi instalado por pressão de agricultores, e segundo o  historiador João Laércio Lopes Leal porque vários deles haviam comprado terras, estavam desbravando a mata e morando parcialmente no local. Como não havia um patrimônio por perto para adquirir sal, combustível, calçados, roupas, ferramentas e remédios, começaram a reivindicar a criação de uma pequena vila à empresa colonizadora, cujo referencial mais próximo era o escritório de compra e venda de terras em Mandaguari. (RECCO, 2012).

Planejada para ser uma cidade de 200 mil habitantes e hoje chegando a 430 mil (IBGE), Maringá transformou-se num grande centro de convergência econômica justificando desde seu início, na década de 1940, o traçado urbanístico original que previu zona industrial, zona comercial e zonas residenciais.

No começo, a maioria dos moradores e agricultores eram de origem paulista e mineira, mas havia paranaenses de diversas regiões, catarinenses e muitos nordestinos – parte dos quais vieram para o Sul para fugir da miséria gerada pela seca e suprir a demanda por mão de obra.

Os primeiros fregueses do comércio nascente em Maringá eram, em maioria o povo que vivia na roça, em lotes próprios ou de patrões. Esses fregueses trabalhavam na empreitada do café, poucos eram proprietários de terras, muitos moravam na colônia da fazenda, e almejavam conseguir um contrato de trabalho como meeiro, parceiro, porcenteiro ou como volantes em algum sítio ou fazenda (RECCO, 2012).

A venda de terrenos para casas comerciais e residências no primeiro núcleo da cidade, dura pouco. Ainda na primeira metade da década de 1940, diante da intensa procura e temendo que Maringá se desenvolvesse sem um plano urbanístico adequado, a Companhia suspende por tempo indeterminado as vendas de lotes urbanos, mantendo apenas os localizados na área rural (MEMÓRIA DOS BAIRROS, VILA OPERÁRIA, 2002).

Os dirigentes não queriam que se repetisse os mesmos erros de outras cidades, como ruas estreitas que segundo eles, dificultavam o crescimento, a falta de parques para o lazer da população e de espaços específicos para o setor industrial.

Em 1945 a versão do anteprojeto do Plano Piloto de Maringá é apresentada aos diretores da CMNP, que aprovam e levam cerca de dois anos para implementar o desenho ao longo da gleba (MEMÓRIAS DOS BAIRROS, VILA OPERÁRIA, 2002).

Segundo Ademar Schiavoni, em 1946 começa a derrubada da mata para a implantação do Maringá Novo, a partir da praça José Bonifácio que até então era a praça do Maluf, onde Alfredo Maluf havia instalado um posto de combustível em meio à mata. Faz- se ali o marco inicial da ocupação da cidade planejada. A faixa entre a atual igreja Santa Cruz e o posto Maluf permaneceu ainda por vários anos com mata em pé. É o “subidão” do Maringá Velho. (MEMÓRIAS DOS BAIRROS, VILA OPERÁRIA, 2002)

A única ligação entre  Maringá Velho e Maringá Novo era uma estrada de chão cercada por mata fechada em ambos os lados.

Segundo Caraçato; Lucas e Machado (2013) o desenvolvimento econômico do Paraná ocorreu por meio do ciclo do ouro, tropeirismo, erva-mate, madeira e café, sendo o café responsável pelo povoamento do norte paranaense.

Luz (1980) cita que as terras no norte do Paraná foram colonizadas, desbravadas e cobertas, rapidamente, de plantações, principalmente o café, uma vez que o solo era adequado e fértil para o desenvolvimento desse tipo de cultura.

Schaffrath (2020) menciona que, assim como as outras cidades da Região Norte do Paraná, Maringá nasceu sob o impulso da economia cafeeira, sendo planejada, loteada e seus lotes comercializados inicialmente pela Companhia de Terras Norte do Paraná e posteriormente pela Companhia Melhoramentos Norte do Paraná. De acordo com os autores supracitados, na década de 1940, o município recebeu um elevado número de migrantes trabalhadores de todo o país, que se integraram na derrubada da mata e posteriormente outra leva de migrantes trabalhadores paulistas do café compraram lotes e se integraram à economia cafeeira.

Segundo Caraçato; Lucas e Machado (2013) as condições de infraestrutura do município maringaense foi ampliando-se à medida que a cidade crescia e se desenvolvia. Diante dessa expansão econômica e de crescimento populacional, os moradores passaram a reivindicar a criação de uma escola efetiva e formal. A partir dessa conjuntura e do crescimento populacional e econômico da cidade de Maringá a rede escolar também se desenvolveu.

3. PRIMEIRAS ESCOLAS DE MARINGÁ

A criação da primeira escola de Maringá, também chamada de Escola Isolada de Maringá “Velho”, foi em 1947. Segundo Schaffrath (2003), por ocasião da criação da Escola Dr. José Gerardo Braga, no mês de março de 1946 “teve início o ensino em terras de Maringá. […] Dezoito carteiras e uma mesa pequena marcam a história do nascimento do ensino, […]  a professora Dirce de Aguiar Maia, 1ª diretora em Maringá ministravam instrução a 48 criancinhas” (SCHAFFRATH, 2003, p. 12).

Quando Maringá elevou-se a município, em 1951 (Lei n º. 790) a preocupação da primeira administração foi a construção de escolas, seguindo assim a tendência nacional de intenções de ampliação da rede escolar, conforme demonstra o quadro 01, quando as escolas criadas se localizavam na área rural, local de maior concentração da população na conjuntura cafeeira.

Figura 2 – Escolas criadas entre 1952-1956

ESCOLAS ANO
Escola Rural Municipal “Quintino Bocaiuva” 1952
Escola Rural Municipal “Afonso Pena” 1952
Escola Rural Municipal “Barão do Cerro Azul” 1952
Escola Rural Municipal “José Bonifácio” 1952
Escola Rural Municipal “Anita Garibaldi” 1953
Escola Rural Municipal “Benjamin Constant” 1953 1953
Escola Rural Municipal “Cesar Lattes” 1953
Escola Rural Municipal “João Teixeira Soares” (Antiga “David Carneiro”) 1953
Escola Rural Municipal “José de Alencar” 1953
Escola Rural Municipal “Marcilio Dias” 1953
Escola Rural Municipal “Nilo Peçanha” 1953
Escola Rural Municipal “Conselheiro Jesuíno Marcondes” 1954
Escola Rural Municipal “Frei Timóteo” 1954
Escola Rural Municipal “Julia da Costa” 1954
Escola Rural Municipal “Cristovão Colombo” 1955
Escola Rural Municipal “Epitáceo pessoa” 1955
Escola Rural Municipal “Olavo Bilac” 1955
Escola Rural Municipal “Teixeira de Freitas” 1955

Fonte: Relatório do Patrimônio Municipal de Maringá, 2010

Segundo Morelli (2010), o alto número de escolas rurais estava ligado diretamente às iniciativas dos moradores das fazendas, com apoio ou não dos proprietários das terras. Em alguns momentos, a contratação de funcionários nas fazendas tinha como condição a esposa ser professora ou saber ler e escrever em função da abertura das escolas rurais.

Posteriormente, mesmo depois do poder público ter iniciado uma rede escolar na área urbana, manteve a maior parte das escolas na zona rural até por volta da década de 1970, quando o café, por redefinição da política agrícola, foi erradicado.

Na área urbana de Maringá, nos anos de 1967 era possível perceber a ampliação da rede escolar maringaense. Se no início foi marcada pelas escolas rurais; durante a década de 1960 a ampliação se deu pela abertura de escolas estaduais e particulares.

Como sempre foi e embora tivesse a intenção em ampliar a rede escolar nacional, o fato é que nesse período, o município de Maringá construía escolas com recursos próprios, pois o Estado não repassava verbas públicas para a construção de escolas ou para sua manutenção. Conforme Schaffrath (2003) os recursos humanos, representados pela falta de professores, eram aqueles que mais dificultavam o avanço da rede de ensino público em Maringá. (CURIOSIDADES HISTÓRICAS DE MARINGÁ, 2019)

O Brasil iniciou sua formação de professores a partir do final da década de 1930 no estado de São Paulo e esta formação demorou para atingir todo o país, sendo deficitária até os dias de hoje nas regiões mais distantes das regiões mais desenvolvidas. Se formavam poucos professores na década de 1950, explicando a composição de um corpo docente com professoras que tinham formação apenas do curso Ginasial; outras com curso primário e até mesmo sem formação necessária para o magistério, inclusive algumas sem o curso primário completo.

Com base nas informações levantadas por Schaffrath (2003), o crescimento populacional de Maringá fez crescer também a demanda escolar, levando à criação da segunda Escola Pública, na zona urbana da cidade de Maringá: o “Grupo Escolar de Maringá Novo”, em 1955, que se chamou “Grupo Escolar Dr. Oswaldo Cruz”

A primeira escola – Escola Normal instalada no Município de Maringá certamente constituiu-se em uma instituição fundamental para a formação dos quadros docentes para o ensino primário (VIEIRA e MARTINIAK, 2011, p. 12). Complementando a ideia dos autores supracitados, Schaffrath descreve que:

[…] a demanda por uma escola que formasse os professores para o ensino primário era genuína. […] a urgência em se criar escolas primárias para instruir a população que se organizava no núcleo de Maringá, trazia também a necessidade de professores habilitados para o ensino (SCHAFFRATH, 2003, p. 30-31).

Segundo Caraçato; Lucas e Machado (2013, p. 42):

Até o início da década de 1950, não havia no distrito instituições que ofertassem o ensino secundário. Assim sendo, os indivíduos que quisessem prosseguir os seus estudos tinham que se dirigir a outros locais do estado, como Jacarezinho e Curitiba (CARAÇATO; LUCAS E MACHADO, 2013, p. 42).

A população pressionava a ampliação da rede escolar pública. Em Maringá, muitas famílias não podiam pagar escola particular, presente em Maringá desde seus anos iniciais, e reivindicaram junto à administração municipal um ginásio público. Diante desses fatos, no ano de 1953, foi inaugurado o “Ginásio Municipal de Maringá”. Por meio da Lei nº 2.168, de 04 de agosto de 1954, a Assembleia do Estado do Paraná autorizou a transferência desse ginásio para o sistema estadual de ensino. Em 1955, O Governador do Estado do Paraná, acatando a proposta da Secretaria da Educação e Cultura, renomeou o “Ginásio Municipal de Maringá” para “Colégio Estadual Dr. Gastão Vidigal” (Decreto Governamental nº 19.902).

Apesar dos problemas enfrentados na educação, o munícipio de Maringá organizava rapidamente sua rede escolar, justificando assim uma melhoria na estrutura da rede de ensino público (SCHAFFRATH, 2020). Para tanto, nos anos de 1956, criou-se a Inspetoria Municipal de Ensino, que trabalhava em conjunto com a Inspetoria Estadual já instalada em Maringá. Essa inspetoria tinha a missão de cuidar do ensino municipal, especificamente dos aspectos administrativos e pedagógicos.

Para combater o problema no ensino público de Maringá foi instalado, no ano de 1956, a “Escola Regional” e a “Escola Normal Secundária” com a finalidade de formar professores para atuar nas escolas de Maringá.

Em 1961, aprovou-se a primeira Leis de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), nº 4024/61, organizando o ensino primário, no mínimo, em quatro séries. Já para o ginásio deveria ter um ciclo de quatro séries anuais e o colegial, de três no mínimo. A lei mencionava ainda que as unidades de ensino deveriam ofertar disciplinas obrigatórias e optativas (BRASIL, 1961).

Em 1971, foi instituída a Lei 5.692/71 que reformulou a educação. Essa Lei passou a fixar as diretrizes e bases para o ensino de 1º e 2º graus. Os Institutos de Educação, que inicialmente foram criados para a formação de professores, foram convertidos em estabelecimentos de ensino de 1º e 2º graus . A partir dessa data, acelerou-se também o processo de criação de escolas municipais na zona urbana de Maringá, visando, primordialmente, a ampliação da infraestrutura da rede de ensino.

A Lei 5692 levou a administração municipal a investir no setor educacional de Maringá-PR, criando a infraestrutura necessária para a implantação da nova legislação, bem como iniciativas voltadas ao investimento para a formação profissional e capacitação docente. Nessa época, as propostas de trabalhos das instituições de ensino Pré-escolar “seguiram uma linha didático-pedagógica voltada para a preparação da criança pré-escolar por meio da relação família escola”. (AMARO E RODRIGUES, in: DIAS; GONÇALVES, 1999), citam que após os anos de 1986 as preocupações educacionais de Maringá foram orientadas por uma leitura majoritária do campo pedagógico, tendência indicada pela Secretaria de Educação do Estado do Paraná.

Em 1988, com a promulgação da Constituição Federal, os três níveis de ensino foram estruturados (Ensino Fundamental, Médio e Superior). As crianças de 0 a 5 anos passaram a ter o direito a ser matriculadas em creches e na pré-escola, não apenas para serem cuidadas, mas para participar de um processo educacional de qualidade, iniciando o processo de alfabetização (RUIZ, 2011).

O Estado passa a ter o dever de promover “educação básica obrigatória e gratuita dos 4 (quatro) aos 17 (dezessete) anos de idade, assegurada inclusive sua oferta gratuita para todos os que a ela não tiveram acesso na idade própria” (BRASIL, 1988, p. 01). Fica determinado também a responsabilidade dos Municípios para com o ensino fundamental e a educação infantil. Já os Estados e o Distrito Federal atuam, prioritariamente, no ensino fundamental e médio. A partir da Constituição Federal aprovada em 1988, a União, em parceria com Estados e Municípios, passou a aplicar porcentagem de suas receitas resultantes de impostos para a manutenção e desenvolvimento do ensino (BRASIL, 1988). Resultado da aprovação da Constituição, foi sancionada também a Lei 9.394, Leis de Diretrizes e Bases da Educação. Essa lei reafirmou o direito à educação, tal como previa a Constituição Federal de 1988.

De acordo com os dados de Atlas Brasil (2013), a proporção de crianças de 5 a 6 anos que está matriculada na escola da cidade de Maringá, no ano de 2010, foi de 96,45%. Já a proporção de crianças com idade entre 11 a 13 anos frequentando os anos finais do ensino fundamental foi de 92,25%; a proporção de jovens de 15 a 17 anos com ensino fundamental completo é de 71,46%; e a proporção de jovens de 18 a 20 anos com ensino médio completo é de 63,87%.

Entre 1991 e 2010, essas proporções aumentaram consideravelmente, haja vista que, nos anos de 1991, respectivamente, foi 51,13% de 5 a 6 anos; 67,44% entre 11 a 13 anos; 36,44% de 15 a 17 e 25,55% entre os jovens de 18 e 20 anos. No ano de 2000, respectivamente, foi 78,63%; 85,27%; 73,95% e 48,32%. A pesquisa registrou também que no ano de “2010, 90,57% da população de 6 a 17 anos do município estavam cursando o ensino básico regular com até dois anos de defasagem idade-série. Em 2000 eram 92,84% e, em 1991 eram 81,41%” (ATLAS BRASIL, 2013, p. 01). A proporção de jovens adultos entre 18 a 24 anos de idade que estavam cursando o ensino superior foi 31,38% em 2010, 17,76% em 2000 e 10,37% em 1991.

4. VILA OPERÁRIA – MARINGÁ NOVO

A Vila Operária foi criada em 1947 e estava prevista no Plano Piloto de Maringá, segundo o plano urbanístico de Maringá. Foi uma área do Plano Piloto reservada inicialmente, aos trabalhadores urbanos, que deveriam residir nas proximidades das fábricas, das lojas, dos armazéns e escritórios, principalmente da Companhia de Terras. No princípio, os lotes residenciais da Vila Operária não tinham a mesma valorização que outros bairros. Porém, com o processo de especulação imobiliária, com a modernização da agricultura e urbanização, esse núcleo inseriu-se na dinâmica imobiliária de Maringá. (CURIOSIDADES HISTÓRICAS DE MARINGÁ, 2019).

Além de uma rede de estabelecimentos comerciais, ali são instaladas indústrias diversas, entre as quais tornearias, fabricantes de ladrilhos, carroças, refrigerantes, vassouras, máquinas de beneficiamento de café e arroz, entre outras.

5. LOCALIZAÇÃO

A Vila Operária ou Zona 03 (segundo a Planta Urbana de Jorge de Macedo Vieira), está localizada na porção Sul da cidade de Maringá. Possui uma área de 1.683.000,00m², divididos em 70 quadras de tamanhos diferentes, subdivididos em aproximadamente, 1.434 lotes, também chamados de “datas” (Figura 2).

Quadro 2 – Organização viária da Vila Operária.

– Avenidas – Ruas – Praças
Mauá, Brasil, Paissandu, Laguna e Riachuelo Anhanguera, Pombal, Henrique Dias, Vidal de Negreiros, Matias de Albuquerque, Furtado de Mendonça, Guararapes, Madre Sueli de A. de Gion, Santos Dumont, Néo Alves Martins, Marcílio Dias, Barroso, Inhaúma, Monte Cáceros e Itapura Regente Feijó, Sen. Abilon de Souza Naves, Emiliano Perneta, Rocha Pombo e Praça sem denominação (Triângulo não urbanizado)

Fonte: Autores, 2021

O espaço destinado às indústrias, paralelo à Avenida Mauá, influenciou, de maneira decisiva, o perfil socioeconômico da vila.

Segundo o planejamento apresentado na planta desenhada por Vieira, o bairro deveria ser um misto de área residencial, comercial e industrial, prevalecendo o primeiro caso, justamente para garantir a morada aos trabalhadores das empresas fixadas ali e nas imediações.

Essa preocupação demonstrada pelos diretores da CMNP, traduziu-se nos preços mais baixos dos lotes, se comparados aos da Zona 01 e Zona 02, por exemplo. A diferença entre os valores cobrados pelos terrenos contribuiu para a caracterização social do bairro: um segmento despojado de riquezas materiais, que terá na sua força de trabalho o único bem a ser vendido. Uma fração representativa dos trabalhadores originais residia em casas alugadas, inquilinos de proprietários que se interessavam mais pela renda do imóvel, eram especuladores imobiliários.

Se considerarmos sua disposição espacial, a região ocupou uma função de zona de passagem, facilitada pelas avenidas Brasil e Mauá, responsáveis pela ligação de um lado a outro da cidade. Em suas extremidades (Praça Rocha Pombo e Praça Souza Naves) a Avenida Brasil (trecho da Zona 03) conta com seis postos de combustíveis, indício forte do intenso tráfego de veículos e pessoas que diariamente circulam pelas principais vias do bairro.

Os primeiros habitantes da Vila Operária provinham das mesmas regiões emissoras dos pioneiros colonizadores de Maringá (Estado de São Paulo, Minas Gerais e nordestinos que tinham migrado para o Vale do Ribeira e se deslocado para Maringá).

O ensino oficial no bairro teve início um ano após sua abertura (em 1948). A escola Dr. Osvaldo Cruz instalou- se num local contíguo à Vila (hoje rua Otávio Perioto), fato que fez sua frequência  ao longo dos anos ser um misto de alunos do Centro e da Vila Operária. Foi a segunda escola pública da cidade, sendo construída com madeira doada pela Companhia Melhoramentos Norte do Paraná.

Na segunda metade dos anos 50, outra escola pública nominada Theobaldo Miranda Santos, localizada na Rua Barroso, foi instalada na Vila. Era uma edificação de madeira, que servia, acima de tudo, como opção aos menos favorecidos financeiramente; e sua clientela, quase total, era da zona 03.

Em 1956, foi fundado o Colégio Estadual João XXIII. Instalado na Avenida Monteiro Lobato, entre a Vila Operária e Jardim Aeroporto. O João XXIII era considerado uma área “interseccional” (ponto de encontro de duas regiões), para onde vinham alunos do Centro e zona 03, na sua maior parte. A instalação da escola era para atender a população em idade escolar da Vila Operária, formada basicamente por empregados em atividades urbanas. Em 1960, mais uma escola foi instalada na Vila Operária. Na Rua Inhaúna, o Grupo Escolar Gabriela Mistral, oferecendo ensino de 1º a 4ª série do ensino fundamental. Esses estabelecimentos de ensino, solidificaram na história da Vila Operária uma marca permanente, sendo impossível para os moradores dissociar o bairro das escolas, quando seus nomes são ditos.

6. PLANO PILOTO DE MARINGÁ – VILA OPERÁRIA – MARINGÁ NOVO

Antes da demarcação das quadras para a comercialização dos lotes a maioria dos moradores residiam no interior da floresta, em casas de pau a pique[3]. Ao atingir a década de 1950, Maringá ostenta a condição de distrito altamente desenvolvido em vários setores e a formação da Vila Operária vai se consolidando.

Na área urbana, a mata que separava “Maringá Velho” de “Maringá Novo” foi derrubada, integrando os núcleos habitacionais que se espalhavam ao longo de uma estrada que chegava no “fim da picada”. A integração entre os moradores de “Maringá Velho”, “Maringá Novo” e Vila Operária promoveu a concessão dada em 1952 para uma empresa[4] explorar o serviço de transporte coletivo na cidade.

Enquanto isso, no mundo rural, a produção agrícola nos sítios e nas fazendas cresce em escala vertiginosa, com destaque para o café. Além do café, as pequenas propriedades eram responsáveis também pelo abastecimento alimentar das famílias que moravam na área rural e urbana e para isso produziam feijão, arroz, amendoim, milho e outros cereais.

Nesta época, o local também dispunha de seus armazéns ou mercearias, frequentadas pelos próprios moradores do local. Um estabelecimento comercial emblemático nos anos 50, e que resistiu até 2021, é a “Casa Estrela” (Figura 3), localizada na Avenida Riachuelo.

Figura 3: Casa Estrela

Foto: Autores, 2020

Durante a década de 1950, a cidade de Maringá recebeu uma corrente migratória vinda de Portugal. Um desses imigrantes, comerciante de ovos em Lisboa, comprou um terreno na Vila Operária, em 1954, de um casal descendente de japoneses e levantou uma construção em alvenaria (quando quase todo comércio era de madeira) que seria um “armazém” de “secos e molhados”. O fundador faleceu em 2018 e atualmente quem administra o estabelecimento é o filho Sérgio Hamilton da Silva que diz o seguinte: ”cresci e fui criado atrás dos balcões, mas estou à frente do negócio desde que meu pai morreu. Atendemos o público em geral, desde os idosos, até os mais jovens” (ENTREVISTA, 2020)

A forma como a mercadoria dispunha-se na prateleira, era uma fato de destaque na época. Quase não havia lugar para circulação de clientes em decorrência da otimização do espaço interior: enlatados, cereais a granel, ferragens, equipamentos para agricultura, caça e pesca. O dono do armazém e os funcionários, apesar do amontoado de mercadorias, tinham pleno domínio da situação. Geralmente o quadro de funcionários era a família do proprietário (esposa, filhos, parentes) e algum funcionário caso fosse necessária a contratação. Os proprietários moravam no fundo do estabelecimento.

Sobre o movimento da casa conta que: “Bom mesmo foi até os anos 70 quando a clientela do bairro se misturava ao povo do sítio, o povo se urbanizou e ficou mais exigente” (ENTREVISTA, 2020). Ao final de sua narrativa, o entrevistado caracteriza o que levou ao fechamento dessas casas de secos e molhados – a erradicação do café.

Misturando-se aos mercados que se pulverizaram-se pela cidade, como também aos supermercados e lojas de conveniência, a Casa Estrela sobrevive até os dias de hoje, vendendo mercadorias antigas, que nem se usa mais, e mercadorias que atende o dia a dia dos moradores do bairro.

Assim como a Casa Estrela, outras mercearias também se destacavam pelo bairro, porém não resistiram a urbanização do norte do Paraná e à reorganização do comércio que passou a implementar os mercados e supermercados.

Além das casas de secos e molhados havia também os vendedores de rua, os ambulantes, que até entregavam nas casas: leiteiros, padeiros, verdureiros e “bucheiros”. O bucheiro saia de sua casa em uma carroça com um compartimento em forma de caixa, cujo interior carregava miúdos de boi (fígado, bucho, rim, língua), e os vendia aos moradores da Vila Operária e bairros próximos. Para chamar atenção do povo, o bucheiro tocava uma corneta, anunciando sua chegada, ao que as donas de casa se aproximavam para comprar os miúdos que vendia. (MEMÓRIAS DOS BAIRROS, VILA OPERÁRIA, 2002)

A necessidade de trabalho para sobreviver levava até a Vila Operária uma quantidade expressiva de trabalhadores que se dedicavam a serviços braçais pesados como furador de poço de água (poceiro), saqueiro[5] de produtos agrícolas. A profissão de carpinteiro geralmente contava com a participação de pioneiros nordestinos que traziam da sua terra, conhecimento das técnicas em construções de madeira. Por concentrar esses trabalhadores diaristas a Vila Operária era procurada pelos interessados em contratar esses serviços (MEMÓRIAS DOS BAIRROS, VILA OPERÁRIA, 2002).

A utilização da força de trabalho feminina também contribuiu para a formação de uma identidade operária do bairro. Quando o Parque do Ingá não era urbanizado e nem cercado, elas trabalhavam de “lavadeiras” nas águas que brotavam no interior do parque, e ganhavam a vida lavando as roupas de moradores do centro e bairros próximos.

Inserida em um projeto que visava a especulação imobiliária, a maioria dos compradores de lotes da Vila Operária não pretendiam morar lá. Boa parte dos compradores não estavam interessados em residir no bairro, mas sim no investimento de capital no mercado imobiliário, antevendo a valorização da propriedade. Outra parte desses compradores optaram pela fixação do seu endereço na Vila Operária (MEMÓRIAS DOS BAIRROS, VILA OPERÁRIA, 2002).

A infraestrutura que foi sendo construída na Vila Operária incluía lazer. O Cine Horizonte, um dos primeiros de Maringá, foi inaugurado em 1951. Integralmente de madeira, localizava-se na Avenida Brasil, em frente à igreja São José Operário. No andar superior do Cine Horizonte foi instalado um hotel com 28 quartos. Fazendo uma leitura convencional do desenvolvimento da Vila Operária, abordando sua caracterização linearmente primeiro historicamente e depois do ponto de vista educacional.

7. EDUCAÇÃO – ESCOLA NORMAL REGIONAL

Em 1956, foi fundado na Vila Operária o “embrião” do que seria posteriormente o Colégio Estadual João XXIII. Ainda sob o nome de “Curso Normal Regional”, com a intenção de proporcionar um curso profissionalizante para atender a população em idade escolar da Vila Operária, formada basicamente por empregados em atividades urbanas. Foi uma concretização das reivindicações da comunidade maringaense, ao mesmo tempo em que acompanhava o movimento nacional em torno da democratização do ensino público. A Escola Normal preparava os professores para atuarem no magistério das séries iniciais das escolas públicas.

Como não tinha legislação nacional que desse as diretrizes para o funcionamento do sistema de ensino, pois a Leis de Diretrizes da Educação – LDBs ainda não tinha sido aprovada, cada estado e município organizava-se de forma distinta. O fato é que os critérios não estimulavam a continuação dos estudos; além de se ter um ensino primário que era suficiente para formar os empregados dos serviços urbanos.

A expectativa do governo federal e estadual, ao instalar as escolas normais num estado como o do Paraná, era preparar professores regentes de ensino primário para a zona rural (MIGUEL, 1997). Para Rocha, a história da Escola Normal está associada à implementação da instrução primária, cujo objetivo era a preparação de mestres para as escolas de primeiras letras.

Antes do curso Normal Regional, as professoras não tinham “diploma”, segundo conta a professora Agmar dos Santos (Depoimentos das Professoras Pioneiras de Maringá, 2018). “Sabe, antes do curso Normal, as professoras eram procuradas pelos pais. Eles sabiam que uma moça tinha diploma de primário, já ia atrás. Daí, mil novecentos e sessenta por aí, é que as professoras começaram a formar. (ENTREVISTA, 2020)

A professora Leonilda Rocha, 75 anos, afirma que cursou o Normal Regional e contou: “tinha umas doze moças na sala e tinha que fazer um teste para entrar, mas eu já tinha dado aula antes, depois começaram falar que tinha que ter o “Normal”. (ENTREVISTA, 2020). Segundo ela, as professoras tinham o quadro negro e o giz como recurso didático e um livro que orientava os conteúdos.

8. DÉCADAS DE 1960 A 1980

A partir da década de 1960, lojas populares de rua fazem sucesso, surgem os primeiros edifícios e salas comerciais. Lojas de departamentos ganham espaço e Maringá Tem várias concessionárias de veículos.

A cafeicultura, no entanto, sofre duro golpe e a economia regional muda seu perfil, com reflexos diretos no comércio da cidade. No plano regional, Maringá se consolida como centro comercial importante para toda a região e procura estruturar-se para acompanhar seu próprio crescimento.

Enquanto isso, na Vila Operária, com a derrocada da cafeicultura, o trabalho perene acabou e um novo personagem emergiu, o trabalhador volante, popularmente conhecido como boia-fria. Essa transição deu-se no final dos anos de 1960 para o início de 70, e mais uma vez a Vila Operária cedeu sua população ao preenchimento de uma lacuna, agora nas lavouras de algodão.

O local de embarque dos boias frias durante a madrugada, entre cinco e seis horas da manhã, era a Avenida Laguna, esquina com a Avenida Riachuelo, cruzamento estrategicamente localizado em uma das saídas do perímetro urbano. Segundo relatos, no auge das safras saíam até três caminhões de gente recolhida na Vila Operária (ENTREVISTA, 2020).

Assim como a Casa Estrela resistiu à modernização do comércio na Vila Operária, ainda permanece de portas abertas na Avenida Mauá, paralela à Avenida Brasil, um construtor de carroças; mantém-se na ativa recebendo encomendas e consertando pequenos defeitos.

Não havia um estilo arquitetônico único nas edificações, mas era perceptível o desenho homogêneo da cobertura das casas: “meia água”[6] ou “água inteira”[7] (formas triangulares)

Depois de 1975, um marco na erradicação do café, a paisagem da Vila Operária começou a sofrer uma de suas transformações. Seus habitantes, formados socialmente por pessoas de classe média, média baixa e pobre sofreram as primeiras consequências da erradicação do café e modernização da agricultura do Norte do Paraná: aumentaram em quantidade o número de casas, de madeira em sua maioria, que não tinham manutenção, emprestando um aspecto acinzentado à paisagem.

As casas em pior estado de manutenção ficavam abaixo da Avenida Paiçandu mais precisamente nas ruas Inhaúma, Monte Cáceres, Itapura e Avenida Riachuelo, vias que tiveram sua ocupação completada tardiamente, ao final dos anos 70 com implementação dos pavimentos asfálticos, redes de esgotos e galerias de águas pluviais, bem como arborização.

O benefício da infraestrutura construída pela Prefeitura Municipal de Maringá causou uma revolução na vida desses habitantes. Ao mesmo tempo que melhorou suas condições de vida, elevou o custo de sua permanência na vila , obrigando-os por força das leis, construir muros de tijolos ao redor de suas propriedades e calçadas de ladrilhos cimentadas, substituindo as cercas de balaústres e o chão de terra em frente as casas, isso sem contar os impostos que trouxeram embutidos os valores das inovações instaladas (MEMÓRIAS DOS BAIRROS, VILA OPERÁRIA, 2002).

Algumas casas de madeira ainda permanecem na paisagem urbana da Vila Operária nos dias atuais, podemos encontrá-las na Rua Inhaúma. Segundo Sr. Gersi, morador do local há 40 anos, sobraram esses casebres devido à repartição dos terrenos feita anos atrás, então ficaram pequenos para o interesse imobiliário. Para isso, precisaria que todos decidissem vender ao mesmo tempo, pois a área é muito assediada pelas construtoras para construção de prédios. (ENTREVISTA, 2020)

A “idade da Madeira” recebe seu golpe mais duro nos anos de 1980, quando surge um novo concorrente na paisagem, o condomínio vertical residencial, na maior parte das vezes, composto de seis andares (havendo outros mais altos).

A verticalização do bairro inaugura uma fase, em que pessoas de renda mais alta mudam-se para a Vila Operária, assim como alguns moradores também decidiram morar nos edifícios. A especulação imobiliária planejada desde a comercialização das glebas da cidade de Maringá, desde seu início, havia começado. Os moradores que iam morar nos edifícios o faziam por meio da “troca” do terreno por um ou mais apartamentos, dependia do valor do lote, que na especulação imobiliária tem a ver com a localização. A existência dos apartamentos causou impactos na rotina da região: a mais percebida foi a eliminação dos contatos de vizinhança quando somente o muro ou a “cerca” separavam uma casa da outra. A privacidade da família terá ganho significativo, sem contar o fator segurança, além disso, os prédios teriam um caráter quase definitivo quanto à sua durabilidade através dos tempos.

Essa Classe Média ocupante de apartamentos, desenhará uma nova fisionomia social e econômica na Vila Operária, criando hábitos e práticas diferentes, elevando também cada vez mais os preços dos lotes e aluguéis, pois todo terreno, em tese, poderia vir a ter um edifício.

Segundo o Sr. Gersi, morador da Rua Inhaúma, os terrenos medem em média 600 a 700 mt² e a maioria dos proprietários são pioneiros e não aceitaram ainda as propostas imobiliárias que chegam a R$ 2.000.000,00, por questões familiares ou apego ao imóvel. Ele cita o caso da sra Joana, vizinha que diz que aquele lugar é onde ela cresceu e só vai sair quando morrer, pois guarda as lembranças da infância e do falecido esposo (ENTREVISTA, 2020)

Na entrevista, ainda lembrou de um comércio que fez parte da vida de todos no bairro na década de 70 e ainda continua na ativa em pleno 2021: o bazar “A econômica”. Ainda ressalta: “Ali é preço bom de verdade” elogiando o comércio pioneiro. Inicialmente esse prédio foi ocupado pela Quitanda Brasil, estando localizada na avenida Riachuelo, entre a avenida Brasil e a rua Santos Dumont.

A Quitanda Brasil era de propriedade do casal Turikiti e Tania Sassaki. Anos depois, o espaço se transformou no bazar “A Econômica”. O Bazar destacou-se como um estabelecimento comercial onde se vendiam vários tipos de mercadorias (MEMÓRIAS DOS BAIRROS, VILA OPERÁRIA, 2002).

Assim como o bazar, outros prestadores de serviços passaram a compor a paisagem da Vila nos anos 70 e 80: barbeiros, sapateiros, relojoeiros, dentre outros, profissionais que dedicaram uma vida inteira ao público e que rotineiramente se viam. A Vila Operária guarda patrimônios culturais, arquivos vivos da memória local e da cidade em geral. Um exemplo é o senhor Lourenço Picoli, barbeiro há mais de 40 anos na Vila Operária, acompanhou as mudanças que aconteceram. Não há ninguém nas cercanias que não o conheça; um “arquivo” que aos 71 anos, continua cortando cabelos ouvindo e contando histórias.

Outros comércios surgiram na paisagem da Vila Operária entre as décadas de 1970 e 1980, derivado das mudanças que haviam acontecido; um deles o “Ferro Velho”, outro “Casas de Móveis Usados”. Os depósitos de “Ferro Velho” compravam ferragens, sucatas, metais e também papéis, garrafas, metais, num comércio de venda, compra e troca. Os “móveis usados” vinham da casa de antigos moradores que haviam morrido, ou mudado, ou trocado tais peças. A maioria em madeira, ganharam valor posteriormente nas casas de antiguidades. Esse tipo de comércio gerou um outro trabalhador volante: os catadores de papéis, metais e garrafas que transportavam esses materiais em carroças puxadas por animais ou pela força humana. O uso de tração animal neste tipo de serviço foi proibido por Lei em Maringá, muito embora esse tipo de sub trabalho ainda persista. Essa fonte geradora de empregos é responsável por uma parcela de trabalhadores que diariamente, até hoje, visitam os moradores da Vila, atualmente moradores dos prédios que se proliferam na paisagem urbana, em busca desses materiais descartados.

A maior parte dos depósitos de “ferros-velhos”, situa-se ainda hoje na Avenida Mauá, uma via que desde os anos de 1950 abriga fábricas, oficinas mecânicas, fundições, enfim, várias empresas que têm no metal sua matéria prima principal (MEMÓRIAS DOS BAIRROS, VILA OPERÁRIA, 2002). A avenida Mauá atravessou um momento de metamorfose no que tange a sua vocação original, quando passou a presenciar a construção de edifícios residenciais, o que acontecia em todo bairro. A “vocação original” da avenida Mauá era a de permitir a fixação de indústrias somente em um dos lados da avenida. Os terrenos tinham uma dimensão maior do que os destinados a residência (600 m²), em torno de 1.200 m², revelando a intenção de se criar um polo industrial na Vila Operária. A organização dos lotes propiciava o escoamento dessa produção industrial: a localização dos fundos dos lotes dava para a estrada de ferro, propiciando o escoamento dos produtos pelo transporte ferroviário.

9. PÓS DÉCADA DE 90

A partir dos anos 90 a Vila Operária evidenciou as mudanças que haviam ocorrido de forma tão rápida em seu espaço geográfico. Em 1994 apurou-se a existência de 30 edifícios, sem contar aqueles em processo de construção e que já haviam sido aprovados pela prefeitura, evidenciava a tendência implacável do mercado imobiliário. Se no passado os terrenos da Vila custaram mais barato aos moradores que primeiro ocuparam seu espaço, do que os terrenos de outras regiões de Maringá, nos últimos 20 anos essa discrepância acabou, equiparando-se os lotes da Vila Operária aos valores de mercado.

O desenvolvimento do bairro foi desigual do ponto de vista social e isso foi desenhando-se na paisagem da Vila. Benfeitorias para a infraestrutura da Vila, como energia elétrica, asfalto, esgoto e telefone foram instaladas primeiramente na parte localizada entre a Avenida Paissandu e Avenida Mauá, que foi se valorizando mais do ponto de vista imobiliário. A Avenida Paissandu se transformou num divisor social entre os que moravam entre a Avenida Mauá e Avenida Paissandu, de melhores condições econômicas; e entre os que moravam entre a Avenida Paissandu e Avenida Laguna, mais pobres economicamente.

A organização do espaço da Vila Operária, obedeceu a lógica capitalista e não poderia ser diferente. Produziu novos espaços, formando áreas especializadas em distintas partes, intensificando o uso e a ocupação do solo urbano, estimulando o mercado imobiliário (presente no planejamento urbano desde a comercialização das terras localizadas no espaço urbano de Maringá), entre os setores público e privado, para construção da infraestrutura. Essa organização acontece por causa de ações políticas, econômicas e sociais; a Vila resultou de intervenções privadas e estatais, que atuam no espaço através de investimentos estruturais e organizacionais, regulamentando os diversos interesses de poder e de classe, estabelecendo estratégias sociais e políticas, muitas vezes geradoras de segregações e exclusões sociais. (RECCO, 2012).

Embora tenha uma infraestrutura formada por comércios diversos, bancos privados e particular e escolas privadas e públicas que se distribuem pelo bairro atendendo o misto de classes sociais que ali se instalam, o que chama a atenção é o processo de verticalização, já que foi o fator que mais transformou o espaço geográfico, do espaço urbano da Vila Operária, devido à sua localização geográfica: próximo do centro urbano de Maringá.

Segundo Souza (1994, p. 135) “a verticalização é o resultado da multiplicação do solo urbano (…) provavelmente a resultante no espaço produzido de uma estratégia entre múltiplas formas de capital – fundiário, imobiliário e financeiro, que cria o espaço urbano”.

Consequência inevitável do avanço imobiliário, a verticalização das cidades traz diversos impactos na sociedade. Embora exista propostas de práticas sustentáveis, é fato que esta estrutura ainda não está presente em todas as edificações urbanas. Aqueles focados na resolução dos problemas urbanos, sociais e econômicos, defendem o adensamento das cidades, inclusive através da verticalização; outros, porém, entendem como um instrumento de imposição da força econômica e especulativa.

O próprio mercado imobiliário sustenta o princípio do adensamento, dizendo que é a maneira mais moderna e sustentável para morar. Porém, para viabilizar o adensamento, o planejamento urbano é fundamental.

Quanto às investidas do mercado imobiliário na compra de terrenos, percebe-se em conversas com os moradores que para alguns os laços afetivos têm aplacado esse avanço; as relações com o lugar ainda são bem estreitas.  Quando questionados sobre a possibilidade de venda de seus imóveis, as respostas estavam sempre calcadas em valores sentimentais. No espaço onde o interesse das imobiliárias se evidencia, os moradores ressaltaram a importância do lugar, geralmente enaltecendo o fato de ter nascido ali ou ter herdado a casa dos pais.

A concentração dessa população mais tradicional, apegada aos valores históricos resiste à expansão da verticalização da Vila Operária. Enquanto atores, não estão envolvidos diretamente no processo de produção do espaço urbano (CORREA, 1995), mas se configuram uma força, que por meio da sua inércia impede o avanço construtivo. Não negociar seu imóvel com as construtoras significa que elas terão que renunciar ao projeto de construção em determinadas áreas naquela localidade ou aguardar uma conjuntura propícia, que se apresenta quando falecem. Essa relação afetiva com a Vila Operária, assim como outras áreas tradicionais da cidade de Maringá, está presente nos moradores mais velhos; toda a geração de filhos e netos querem a comercialização do imóvel.

Alguns moradores, quando entrevistados, não apontaram a verticalização do bairro como negativa, e não é entendida pelos moradores antigos como elemento fragmentador das relações sociais do bairro, sendo considerada inclusive, como instrumento capaz de viabilizar investimentos de infraestrutura no bairro.

O perfil social e econômico dos novos moradores desse espaço, ou seja, a população que está adquirindo esses empreendimentos, são de classe média ou alta devido aos valores dos imóveis que giram em torno de R$ 600.000,00 à R$ 1.500.000,00.

O mercado imobiliário anuncia que a Vila Operária como o “Melhor bairro de Maringá”, “conta com opções para passeio, compras e acesso à comércios diversos e próximo a dois shoppings”.

10. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Quanto à caracterização socioeconômica e cultural da comunidade escolar, desde a sua fundação, o Colégio Estadual João XXIII, por ser pública, atendia alunos cuja procedência remete, em sua maioria expressiva, a classe média e pobre, moradores da Vila Operária e Jardim Aeroporto. Em 2018, atendia cerca de 1763 alunos, distribuídos nos períodos matutino, vespertino e noturno; e oferecia o curso técnico em Vestuário.

Em 11 de Outubro de 2018, foi assinado o Decreto que criou o IV Colégio da Polícia Militar de Maringá, pondo fim ao Colégio Estadual João XXIII, parte de um planejamento cujo objetivo foi a “interiorização do ensino militar”. Nessa nova fase verificou-se uma mudança no nível socioeconômico da nova clientela da escola, passando a atender a classe média, filhos de militares e de moradores da Vila Operária e de bairros localizados no entorno. A verticalização que aconteceu na Vila Operária, estimulada por especulação imobiliária, mudou a composição social do local; a instalação do Colégio Militar implantado a partir de um programa estadual, atendeu as novas necessidades: uma escola pública que atenda os filhos da classe média que passou a morar na Vila Operária, resultado da especulação imobiliária que modifica a paisagem urbana local.

REFERÊNCIAS

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ATLAS BRASIL. MARINGA. Disponível em:<http://www.atlasbrasil.org.br/2013/pt/perfil_m/maringa_pr#idh> Acesso em: 22/03/2020.

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BRASIL. CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988. Disponível em:< http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm> Acesso em 25/03/2020.

BRASIL. LEI Nº 9.394, DE 20 DE DEZEMBRO DE 1996. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9394.htm> Acesso em 25/03/2020.

CARAÇATO, V. de O. B.; LUCAS, M. A. O. F.; MACHADO, M. C. G. História do Colégio Estadual Dr. Gastão Vidigal: em análise os exames de admissão (1953-1971). Revista HISTEDBR On-line, Campinas, SP, v. 13, n. 52, p. 215–237, 2013. DOI: 10.20396/rho.v13i52.8640239. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/histedbr/article/view/8640239. Acesso em: 24 mar. 2021.

CORRÊA, Roberto Lobato. O espaço urbano. São Paulo: Ática, 1995.

CURIOSIDADES HISTÓRICA DE MARINGÁ. 2017. Disponível em: <http://www2.maringa.pr.gov.br/cdn-imprensa/Doc14.pdf> Acesso em 11/03/2020.

RECCO, Rogério. DESBRAVADORES DO COMÉRCIO DE MARINGÁ -: 1ª edição, 2012

DIAS, Reginaldo Benedito, GONÇALVES, José Henrique Rollo. Maringá e o Norte do Paraná. Maringá: EDUEM, 1999.

FELIX, Leiliane Aparecida Alcantara. CHAVES, Marta. SILVA, Aline Aparecida, STEIN, Vinícius. Educação Infantil no município de Maringá (1960-1970): aspectos históricos. 2013. Disponível em: <http://www.cih.uem.br/anais/2013/trabalhos/377_trabalho.pdf> Acesso em 22/03/2020.

IPARDES. Caderno Estatístico Município de Maringá. Disponível em: <http://www.ipardes.gov.br/cadernos/MontaCadPdf1.php?Municipio=87000&btOk=ok> Acesso em 22/03/2020.

LARA, Ângela Mara de B. Educação pré-escolar profanando o formal: a formalização da educação pré-escolar de 4 a 6 anos, na cidade de Maringá. 1992. Dissertação (mestrado) – Universidade Metodista de Piracicaba, Piracicaba, 1992.

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ROCHA, Lucia Maria de França. “A Escola Normal na Província da Bahia”. In: ARAUJO, José Carlos Souza; FREITAS, Anamaria Gonçalves Bueno de; LOPES Antonio de Padua Carvalho (orgs) As Escolas Normais no Brasil: Do Império à República. Campinas, SP: Editora Alínea, 2008.

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APÊNDICE – REFERÊNCIA DE NOTA DE RODAPÉ

3. Paredes de madeira e cobertura de folhas de alguma espécie de palmito.

4. A concessão foi dada aos Irmãos Polônio.

5. Colocava os grãos dentro dos sacos, ou carregava os sacos com os grãos.

6. Meia água: edificação composta por sala, quarto, cozinha e banheiro. Leva esse nome devido ao estilo da construção que consiste na metade de uma edificação básica comum. Seu telhado é de lado único, inclinado e, muitas vezes, suas telhas são de fibrocimento ou amianto.

7. Água inteira: edificações de terreno inteiro, diferente das de meia água.

[1] Graduação em Geografia. Pós-graduação. Mestrado.

[2] Orientadora.

Enviado: Março, 2021.

Aprovado: Abril, 2021.

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