O que muda no ensino de ciências com a proposta da nova base nacional comum curricular

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CONTEÚDO

ARTIGO DE REVISÃO

VIEIRA, Mauricio Aires [1], SOARES, Greici da Silva [2], LIMA JUNIOR, Agnaldo Mesquita de [3]

VIEIRA, Mauricio Aires. SOARES, Greici da Silva. LIMA JUNIOR, Agnaldo Mesquita de.  O que muda no ensino de ciências com a proposta da nova base nacional comum curricular. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano. 07, Ed. 01, Vol. 02, pp. 15-26. Janeiro de 2022. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/educacao/nova-base-nacional

RESUMO

Neste trabalho são abordadas possíveis mudanças no ensino de ciências com a proposta da nova Base Nacional Comum Curricular, em implantação. Buscamos através de uma revisão bibliográfica abranger a compreensão da temática proposta, com o intuito de realizar uma aclaração do que está presente no texto da BNCC a respeito de novos modelos/paradigmas do ensino na área de ciências. A questão norteadora que nos remete é a investigação de qual(quais) mudanças sinalizamos com o ensino de ciências, a partir da BNCC, homologada ao final de 2018. Tem-se como objetivo geral demonstrar de forma clara as mudanças de abordagem nos estudos do componente curricular de ciências, procurando fazer uma reflexão quanto às mudanças e o que elas acarretam no ensino e na aprendizagem dos alunos. A metodologia usada foi a análise, de forma então, bibliográfica (documental) do principal documento aprovado nos últimos anos e, em fase, de implementação nas escolas, a BNCC. Através do estudo, foi possível observar o modo de organização da BNCC e a forma como está disposta através de unidades temáticas, visando o ensino em um processo espiral em que se favorece a autonomia no ensino e na aprendizagem na vida escolar dos educandos. Neste diapasão concluímos que o melhor cenário e trajetória do ensinar e aprender ciências está no formato espiralizado em todos anos e momentos oportunizados aos alunos.

Palavras-Chave: Base Nacional Comum Curricular, Ensino de Ciências, Autonomia, Ensino, Aprendizagem.

INTRODUÇÃO

O presente trabalho surge como parte fundamental na graduação de Pedagogia, licenciatura, na Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA) no componente curricular Ensinar e Aprender Ciências Naturais. O assunto de nosso estudo traz como tema a nova regulamentação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC[4]) referente ao processo de aprendizagem de ciências da natureza e como ela está disposta no documento; tem como questão problematizadora as mudanças sinalizadas no documento, referente ao ensino de ciências a partir promulgação do documento e, para tal objetivo, estudamos, por um semestre a BNCC, com o foco no ensino de ciências, no tocante às suas novas apresentações e formato e abordagem. O recorte para responder nosso problema foi exatamente o foco nas questões voltadas ao ensino das ciências/natureza no documento, que até então tinham como base/parâmetros currículos diferenciados baseados nos Parâmetros Curriculares Nacionais, da década passada.

A BNCz[5] define os conhecimentos e as habilidades fundamentais que os educandos têm o direito de aprender (BNCC, 2018), na prática; isso denota que, independentemente da região, raça ou classe socioeconômica, todos os estudantes do Brasil necessitam estudar as mesmas habilidades e competências ao longo da sua vida escolar. Aqui abordamos e reiteramos de que todo nosso estudo está na análise do documento BNCC, promulgado no final de 2018, por tal razão, todas referências e citações a ela se referem, no tocante à alusão ao documento oficial.

A BNCC principiou a ser debatida em 2015, ganhando diversas contribuições em consultas e audiências públicas, onde a sociedade participou fazendo mais de 12 milhões de contribuições na 1ª versão, com propostas vindas de mais de 45 mil escolas[6]. De acordo com os registros no site do MEC, em 2016, aproximadamente nove mil pessoas, entre educadores e alunos, discutiram o documento em pormenores por meio de seminários estaduais, surgindo então a 2ª versão do documento. Em 2017, após uma nova rodada de seminários regionais a 3ª versão foi entregue ao Conselho Nacional de Educação (CNE). Em 2017, a BNCC foi homologada pelo MEC em sua primeira parte e, enfim, passa a ser debatida nas escolas de todo Brasil (BRASIL, s.d).

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC), aprovada em dezembro de 2017, passa a ser uma referência nacional obrigatória para processos de elaboração de currículos e materiais didáticos, de políticas de formação de educadores, além de critérios claros para avaliações em larga escala e concursos públicos. Para os gestores das redes públicas de ensino, trata-se de uma oportunidade para juntarem esforços na formulação de estratégias e na consolidação de práticas voltadas para assegurar a efetivação e o acompanhamento da aprendizagem dos estudantes. A definição das competências essenciais que todas as crianças e jovens têm o direito de desenvolver ao longo da escolaridade também contribuirá para que as escolas possam fazer escolhas mais assertivas de quais materiais didáticos adquirir ou elaborar. Idealmente, considerando um processo de implementação exitoso, os estudantes poderão mudar de escola, de cidade ou de estado que não haverá ruptura em seu processo de desenvolvimento, pois estarão assegurados da continuidade das aprendizagens. (PEREZ, 2018, p.11)

Sendo assim, a BNCC não consiste em um currículo, mas em um documento norteador e uma referência única para que as escolas elaborem os seus próprios currículos, respeitando e valorizando saberes locais, especificidades regionais, dentre tantos outros  fatores que poderíamos abordar (BNCC, 2018). Nesse contexto, então surge a necessidade de trazermos à tona nossa questão norteadora: qual(quais) mudanças sinalizamos com o ensino de ciências, a partir da BNCC, homologada ao final de 2018?

Com esse estudo pretendemos explanar a respeito das modificações que a BNCC trouxe no ensino de ciências para que possamos analisar e compreender a BNCC e assim, favorecer na sua reflexão, para que possamos como professores saber articular estratégias e/ou sequências didáticas para tornar os processos de ensino e de aprendizagem um impulsionador cognitivo, obter materiais de apoio, oportunidades de formação continuada (específica), romper com visões simplistas, saber dirigir os alunos na proposta da atividade, ter um plano estratégico para programar esta ação oportunizando a correlação do componente em todos os anos. Como metodologia, usamos única e exclusivamente a bibliográfica, com a análise atenta do próprio documento e dos apontamentos realizados no MEC desde sua homologação e os processos de implantação que estão ocorrendo pelo Brasil. O MEC homologou a totalidade da BNCC em 14 de dezembro de 2018 (BNCC, 2018)

O alicerce de análise desse texto será a própria BNCC, a obra organizada por Tereza Perez a respeito do debate acerca da BNCC e os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), que anteriormente eram considerados ao se pensar no ensino de ciências nas escolas.

O QUE PROPÕE A NOVA BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR

Ao examinar a BNCC, no tocante ao ensino de ciências, percebemos modificações nos nomes para os eixos temáticos que constituem os conteúdos do componente curricular (BNCC, 2018) Porém a alteração vai além da terminologia, com uma proposta de progressão da aprendizagem, com a capacidade sendo ampliada ano a ano, com nível crescente de complexidade.

A nova BNCC propõe a transformação do ensino em um processo espiral, ou seja, reflexivo, gradativo, onde o educando passa a ser percebido como papel principal no ensino e na aprendizagem, em que gradativamente vai se aperfeiçoando diante dos assuntos abordados, correlacionando-os desde os anos iniciais aos anos finais, ou seja, o conteúdo vai sendo aplicado cada vez mais aprofundado, sendo estudado em diferentes anos e de diferentes formas, reforçando e internalizando seu conhecimento e fortalecendo sua autonomia, enquanto processo de construção de conhecimento.

O desígnio basilar é proporcionar aos alunos o contato com processos, práticas e procedimentos da verificação/validação científica para que sejam competentes para interferir na sociedade positivamente. A BNCC, então pretende dar ascensão à diversidade de conhecimentos científicos produzidos ao longo da trajetória do discente, bem como a aproximação gradativa aos principais métodos, práticas e procedimentos da investigação científica, ou seja, experiências, saberes, interesses e curiosidades a respeito do mundo natural e tecnológico devem ser valorizados e incentivados (BNCC, 2018).

Por meio da análise deste progresso da base podemos compreender a preocupação com a formação integral do educando, e a importância em se trabalhar pelo viés das competências gerais da BNCC, conforme já mencionava, o então ministro de Estado da Educação, à época (BNCC, 2018, p. 5).

Sobre a Ciências da Natureza, elencamos sua importância na abertura do documento focado na área:

A sociedade contemporânea está fortemente organizada com base no desenvolvimento científico e tecnológico. Da metalurgia, que produziu ferramentas e armas, passando por máquinas e motores automatizados, até os atuais chips semicondutores, ciência e tecnologia vêm se desenvolvendo de forma integrada com os modos de vida que as diversas sociedades humanas organizaram ao longo da história. No entanto, o mesmo desenvolvimento científico e tecnológico que resulta em novos ou melhores produtos e serviços também pode promover desequilíbrios na natureza e na sociedade (BNCC, 2018, p. 321)

Elencamos, numa primeira análise, quatro competências da base voltadas para área de ciências naturais[7] para que possamos refletir a importância de trabalhar com este novo método e/ou abordagem, conforme apontam as 10 (dez) competências básicas (BNCC, 2018, p. 09)

  • “Conhecimento” – Valorizar e utilizar os conhecimentos sobre o mundo físico, social, cultural e digital.  Para que possamos compreender e elucidar a realidade, e com isso continuar aprendendo e colaborar com a sociedade;
  • “Pensamento científico, crítico e criativo” – Praticar a curiosidade intelectual e utilizar as ciências com criticidade e criatividade. Para que possamos averiguar os motivos, elaborar e testar hipóteses, estabelecer e resolver problemas e criar soluções.
  • “Repertório Cultural” – Dar valor às diferentes manifestações artísticas e culturais. Para que se possa desfrutar e participar de práticas diversificadas da produção artístico-cultural.
  • “Responsabilidade e cidadania” – Atuar pessoal e coletivamente com autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência e determinação. Sob a finalidade de ampliar a capacidade de adotar decisões com fundamento em princípios éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários.

Por intermédio das competências, conforme BNCC (2018, p. 09),  o educando deixa de ser um simples receptor de conhecimentos e passa a ser o protagonista ativo na sala de aula, ele propõe, testa, cria, inventa, modifica soluções verdadeiras para situações de seu cotidiano. Sendo então para o professor necessário conhecer a realidade dos educandos para estabelecer estratégias de ações, que venham a contribuir para seu desenvolvimento. A BNCC (2017, p. 325) diz que:

Ao estudar Ciências, as pessoas aprendem a respeito de si mesmas, da diversidade e dos processos de evolução e manutenção da vida, do mundo material – com os seus recursos naturais, suas transformações e fontes de energia –, do nosso planeta no Sistema Solar e no Universo e da aplicação dos conhecimentos científicos nas várias esferas da vida humana. Essas aprendizagens, entre outras, possibilitam que os alunos compreendam, expliquem e intervenham no mundo em que vivem.

Respeitando o repertório cultural de pertencimento do sujeito em sociedade, desse modo o educando tem o seu reconhecimento enquanto cidadão pertencente a uma cultura e o conhecimento sobre a diversidade de outras crenças, culturas, linguagens, formas de viver, etc. Por isso se faz necessário abordar estes temas no ambiente escolar que promovam saberes aos educandos para que os mesmos consigam se reconhecer e interagir, dialogar em sociedade de forma efetiva tendo noção das diversidades, sabendo respeitar os direitos de todos os seres. A BNCC (2017, p. 329) ressalta que:

Dessa forma, é importante salientar os múltiplos papéis desempenhados pela relação ciência-tecnologia-sociedade na vida moderna e na vida do planeta Terra como elementos centrais no posicionamento e na tomada de decisões frente aos desafios éticos, culturais, políticos e socioambientais.

Responsabilidade e cidadania são imprescindíveis na formação dos indivíduos que queremos formar para viver em sociedade, é importante que os educandos compreendam as regras de convivência, seus direitos, formas de conviver em harmonia, cultivando a resolução pacífica dos conflitos, obtendo empatia,  etc. A escola tem ação basilar na vida do educando, seja no contexto da aprendizagem e desenvolvimento, tal como na influência de futuros cidadãos que quer formar. Fazendo parte importante da construção de identidade do aluno, tendo a função de promover ações que contribuam para seu desenvolvimento integral, ampliando sua visão de mundo, favorecendo seu amplo desenvolvimento cognitivo com um olhar crítico, reflexivo a respeito do mundo que o cerca.

O QUE DE FATO MUDA NA NOVA BNCC E NO ENSINO DE CIÊNCIAS?

A BNCC (2018) acaba potencializando políticas educacionais importantes já existentes que auxiliam na diminuição das desigualdades e garantem os direitos de aprendizagem, sendo uma estratégia educacional mais completa do que as diretrizes seguidas no modelo educacional brasileiro, por isso, diferentes modalidades necessitam ser repensadas e adaptadas conforme as orientações do documento.

As principais mudanças que efetivamente ocorrem ao implantar a BNCC aparecem nas seguintes políticas educacionais: elaboração dos currículos locais, formação inicial e continuada dos professores, material didático, avaliação e apoio pedagógico aos alunos (BNCC, 2018, ao longo do documento).

Para os professores e gestores, a BNCC ajuda no planejamento com maior nitidez das potencialidades e desafios de cada aluno individualmente e da turma. Já para os responsáveis fica mais fácil compreender a expectativa do que o aluno deve aprender e assim consiga acompanhar a trajetória desse aprendizado.

Na BNCC, no campo do ensino de ciências, a disposição se dá através de três unidades temáticas: Matéria e Energia; Vida e Evolução; Terra e Universo (BNCC, 2018, p.325, 326 e 328 respectivamente). O ensino de Ciências deve ser feito em torno dessas unidades temáticas que se repetem e se reformulam e se incorporam ano a ano, se tornando cada vez mais complexa, resultando em uma classificação mais equilibrada entre conteúdo do componente curricular. Com o trabalho, que classificamos como “em espiral”, acontece um progresso na aprendizagem do conjunto de habilidades propostas, com objetivo de facilitar a compreensão, através de conceitos construídos gradativamente, com complexidade maior ano a ano, moldando-se ao desenvolvimento e a maturidade dos alunos.

A BNCC sugere uma integração entre as unidades temáticas. O documento indica que, para a compreensão completa do tema, a conteúdo propõem que:

De forma similar, a compreensão do que seja sustentabilidade pressupõe que os alunos, além de entenderem a importância da biodiversidade para a manutenção dos ecossistemas e do equilíbrio dinâmico socioambiental, sejam capazes de avaliar hábitos de consumo que envolva recursos naturais e artificiais e identifiquem relações dos processos atmosféricos, geológicos, celestes e sociais com as condições necessárias para a manutenção da vida no planeta. (BNCC, 2018, p. 329)

O documento além das unidades temáticas é organizado em divisões; os objetos de conhecimento são agrupados em temas guarda-chuvas que reúnem distintas habilidades que movimentam conteúdos específicos (BNCC, 2018). Sendo as habilidades aprendizagens ou conhecimentos fundamentais destinados para cada disciplina e ano, esmiuçando como está estruturado o conteúdo. O verbo inicial descrito em cada habilidade explica a ação da aprendizagem efetiva e o processo cognitivo envolvido na habilidade, o complemento do verbo aponta o objeto de conhecimento, o modificador do verbo traz dados sobre o assunto da aprendizagem esperada, especificando ainda mais do que se trata. Ou seja, as habilidades respondem às seguintes perguntas: Qual o fazer? Com que objeto? De que forma? Como esse fazer contribui para a aprendizagem? Ou seja, a BNCC (2018), e principalmente o ensino de ciências, busca a cultura investigatória, a cultura das perguntas e das respostas, e do entendimento de mundo ao qual nos rodeia.

O documento assinala que o ensino do componente curricular precisa gerar circunstâncias nas quais crianças e jovens possam submergir completamente nas etapas do processo de investigação científica: analisar, perguntar, ponderar ações, propor hipóteses, elaborar padrões e elucidações, ampliar, divulgar e implementar soluções para resolver problemas cotidianos, etc. O ensino de Ciências anteriormente enunciava que a aprendizagem deveria acontecer por meio desses métodos, porém, ressaltando que a princípio o professor deveria demonstrar para que os alunos o imitassem, para somente depois se tornarem autônomos. A nova BNCC (2018) ressalva a necessidade da abordagem investigativa com o aluno como membro central da formação, cabendo ao docente convidar os alunos a uma participação ativa na investigação científica.

O experimento nas lições de Ciências é um modo de acentuar o olhar dos alunos para a investigação científica, fazendo com que o ato de ensinar e aprender ciências não sejam mais uma simples exposição de conteúdo em aulas expositivas e/ou dialogadas e que visam apenas o trabalho através da memorização, não fazendo sentido o aprender aquele conteúdo, pois mais tarde ele vai acabar sendo descartado da memória por não fazer sentido ao aluno. Através da perspectiva da experimentação, o professor possui o papel de ser fonte de informação, além de ser o orientador nos atos investigativos dos alunos para que eles aprendam com autonomia.

A BNCC traz também claramente estabelecido o letramento científico que deve ser desenvolvido durante o Ensino Fundamental (BNCC, 2018, p. 321).

Portanto, ao longo do Ensino Fundamental, a área de Ciências da Natureza tem um compromisso com o desenvolvimento do letramento científico, que envolve a capacidade de compreender e interpretar o mundo (natural, social e tecnológico), mas também de transformá-lo com base nos aportes teóricos e processuais das ciências. Em outras palavras, apreender ciência não é a finalidade última do letramento, mas, sim, o desenvolvimento da capacidade de atuação no e sobre o mundo, importante ao exercício pleno da cidadania (BNCC, 2018, p. 321)

É sugerido trabalhar o letramento científico a fim de assegurar o acesso à diversidade de conhecimentos científicos produzidos ao longo da história, para que possam ser conhecedores dos principais processos, práticas e procedimentos da investigação científica.

Para que no decorrer de sua vida estudantil os alunos possam compreender, interpretar e formular ideias científicas em diversos contextos, inclusive os cotidianos, além dos passados e suas correlações. Enfatizando tal documento que o aprendizado de Ciências vai além do mero argumento da curiosidade trazendo modificações e melhorias para o planeta e o convívio dos seres que o habitam, e para que isso ocorra em completude se faz necessário desenvolver a competência de fazer uso social daquilo que se aprende, sob a intenção de que no futuro o sujeito consiga provocar um movimento de intervenção que modifique este meio em que vive.

Ao estudar Ciências, as pessoas aprendem a respeito de si mesmas, da diversidade e dos processos de evolução e manutenção da vida, do mundo material – com os seus recursos naturais, suas transformações e fontes de energia –, do nosso planeta no Sistema Solar e no Universo e da aplicação dos conhecimentos científicos nas várias esferas da vida humana. Essas aprendizagens, entre outras, possibilitam que os alunos compreendam, expliquem e intervenham no mundo em que vivem. (BNCC, 2018, p. 325).

Determinados pressupostos dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs[8]) foram mantidos na BNCC, tais como: a percepção da matéria de Ciências como um conhecimento que fornece informações para a compreensão do mundo e de suas transformações; a compreensão de que o componente contribui para o aluno perceber a importância de cuidar e respeitar o próprio corpo, bem como o dos outros, analisando a saúde como um valor pessoal e social; o pressuposto de que as ideias e experiências prévias dos estudantes são essenciais no processo de aprendizagem; a ênfase na precisão dos sujeitos perceberem a dimensão ética das Ciências, incluindo analisar e dialogar a respeito do impacto das ações do homem na natureza. De fato, foram e são importantes tais itens, e acrescentamos que, agora, na Base, eles estão mais vivos e crescentes a cada ano e a cada nova aprendizagem aguçada.

Ressaltamos aqui a importância do letramento científico que a base nos descreve, pois é através deste método que os educandos aprendem a compreender que a ciências está presente no cotidiano, e que diariamente nos utilizamos da ciência para facilitar a vida rotineira, porém a consciência disso é exposta ao aluno gradativamente de acordo com sua maturidade, fazendo com isso que os mesmos reflitam de forma adequada ao assunto, com isso possibilitando assim que os mesmos construam seu próprio conhecimento acerca do mundo que os rodeia.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O que de fato muda na nova BNCC (2018) é que o documento institui competências essenciais que devem ser desenvolvidas por crianças e jovens no percurso de sua escolaridade básica, e para que essas competências possam ser concretizadas, é necessário torná-las presentes no dia a dia escolar e nas práticas educativas, e principalmente no ensino de ciências.

Após analisar o documento da BNCC (2018), consideramos as propostas de grande importância para novos rumos educacionais na área de ciências tanto para as escolas públicas brasileiras quanto para as privadas, e assim almejamos sua implantação e que não seja apenas uma proposta capitalista governamental e sim que se cumpra com as normativas nela contida, numa proposição de política de Estado. Nossa questão norteadora foi cumprida: a de analisar as mudanças sofridas no documento, no tocante ao ensino de ciências, evidenciamos os eixos e os tópicos principais.

É perceptível a necessidade de os professores trabalharem de acordo com a proposta da BNCC, pois háHáha muito se sente na educação que na visão dos alunos, alguns conteúdos não se fazem necessário, pois os mesmos não veem sentido na colocação daqueles debates na composição curricular uma vez que não os utilizam na sua vida diária. Ao optarmos por trabalhar da forma que é proposta na BNCC (2018), percebemos a provocação da reflexão nos usos cotidiano dos conteúdos aplicados nas escolas, promovendo um currículo mais amplo onde o educando e sociedade possam ser favorecidos. Percebemos que nosso objetivo foi alcançado relatando que as mudanças foram significativas trazendo o aluno para um mundo mais real, mais natural, do ponto de vista do ensino de ciências e percebemos ainda, a evolução de que agora, o ensino e as aprendizagens são em forma de espiral, a cada semestre, ano, período, a complexidade pode ir aumentando e as aprendizagens podem ser aprofundadas, respeitando o mínimo da BNCC, mas valorizando a potencialidade de cada aluno.

A BNCC (2018) disposta através de unidades temáticas e em espiral favorece a autonomia, conhecimento, criticidade e desenvolvimento geral do indivíduo, a cada ano retornando e ampliando seus saberes. Respeitando a bagagem cultural e maturidade do aluno percebemos que faz sentido os processos de ensino e de aprendizagem na vida escolar do alunado.

REFERÊNCIAS

BRASIL, Ministério da Educação – MEC, Secretaria de Educação Média e Tecnológica – SEMTEC. Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio. Brasília: MEC/SEMTEC, 1998.

BRASIL. Histórico Da BNCC. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/historico, em adaptação.

PORTAL DO MEC. BRASIL, Ministério da Educação. BNCC: A Base Nacional Comum Curricular 2018. Disponível em: <http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf > Acessado em: 20 de ago. de 2021.

PEREZ, Tereza. BNCC: A Base Nacional Comum Curricular na prática da gestão escolar e pedagógica. — São Paulo: Editora Moderna, 2018.

APÊNDICE – REFERÊNCIA NOTA DE RODAPÉ

4. Todo documento estudado está no sítio institucional do MEC, no endereço eletrônico http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf (em formato PDF na integra, caso o leitor queira se aprofundar.

5. Optamos por referenciar por BNCC e o ano de sua total implementação como 2018, como forma de esclarecer ao leitor o principal ponto de apoio e suporte da construção do artigo.

6. De acordo com o site http://pne.mec.gov.br/noticias/473-consulta-publica-sobre-base-nacional-comum-recebeu-mais-de-12-milhoes-de-contribuicoes. Maiores informações e detalhamentos no site da implementação da BNCC: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/historico.

7. Todos extraídos do próprio documento, BNCC, com pequenas adaptações, sem perder o sentido e/ou modificá-lo.

8. Anterior à BNCC, muitos educadores usavam os PCNs para elaborarem suas aulas, ou sequências didáticas ou formulação de planos de ensino.

[1] Doutor em educação. ORCID: https://orcid.org/0000-0003-0737-9941.

[2] Formanda do curso Licenciatura em Pedagogia pela Universidade Federal do Pampa-UNIPAMPA- campus Jaguarão/RS. Formada em Téc. de Segurança do Trabalho pela Instituição de Ensino Dimensão- Unidade Pelotas/RS. ORCID: (0000-0002-8592-6819) (orcid.org).

[3] Licenciado em Letras Português/Espanhol pela Universidade Federal do Pampa – UNIPAMPA – Campus Jaguarão. Mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Rio Grande – FURG. Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Santa Maria – UFSM. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-5774-7303.

Enviado: Outubro, 2021.

Aprovado: Janeiro, 2022.

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