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Ensino híbrido na rede pública do Município de Vitória/ES em tempos de pandemia

RC: 151534
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DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/educacao/ensino-hibrido

CONTEÚDO

ARTIGO ORIGINAL

TRANCOSO, Solange Tiengo Vieira [1], CASTOR, Katia Gonçalves [2]

TRANCOSO, Solange Tiengo Vieira. CASTOR, Katia Gonçalves. Ensino híbrido na rede pública do Município de Vitória/ES em tempos de pandemia. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 09, Ed. 01, Vol. 03, pp. 148-162. Janeiro de 2024. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/educacao/ensino-hibrido, DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/educacao/ensino-hibrido

RESUMO

Este estudo tem como objetivo analisar a implementação do ensino híbrido por professores na educação básica de uma Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) na capital do estado do Espírito Santo. A pandemia global teve um impacto significativo no uso de tecnologias alternativas em várias áreas do conhecimento humano, e o ensino híbrido emergiu como uma estratégia metodológica promissora para abordar os desafios educacionais que surgiram durante esse período. O embasamento teórico da pesquisa se baseia em autores como Bacic (2018) e Morán (1999), que são referências importantes na área, bem como nas críticas à educação tradicional feitas por Paulo Freire (1979;1989 e 1992), Saviani (1992) e Libâneo (2013). A pesquisa adota uma abordagem qualitativa documental e utiliza um instrumento de coleta de dados baseado em rodas de conversa. O foco da pesquisa é entender como o ensino híbrido foi introduzido, utilizado e continua sendo empregado nesses centros de ensino após o impacto significativo da pandemia de Covid-19 na educação e nas relações de ensino em todo o mundo. Os objetivos específicos incluem identificar práticas voltadas para turmas do ensino fundamental I que fazem uso do ensino híbrido, compreender as estratégias dos professores ao empregar o ensino híbrido e descrever como essa abordagem é implementada na sala de aula. A literatura revisada sugere que o ensino híbrido tem contribuído de maneira significativa para enfrentar as lacunas de aprendizado decorrentes do distanciamento social causado pela pandemia. Portanto, este estudo busca analisar como o ensino híbrido tem sido aplicado na prática pedagógica e compreender as mudanças que ocorreram após a pandemia no contexto educacional.

Palavras-chave: Ensino Híbrido, Tecnologias Educacionais, Formação de professores.

1. INTRODUÇÃO

A pandemia da COVID-19 mudou significativamente a forma de trabalho dos profissionais da educação, e eu também tive que me adaptar ao ensino a distância. Com isso, percebemos a importância do Ensino Híbrido, que combina aulas presenciais e propostas online para oferecer uma experiência mais enriquecedora aos alunos. O aprendizado híbrido, em tempos de pandemia, ajudou os alunos a conhecerem melhor seu ritmo e tempo para absorver novos conceitos.

O ensino híbrido, definido como uma metodologia que integra a aprendizagem presencial e online, tem se destacado como uma abordagem promissora na educação contemporânea (Tanzi Neto, Bacich, & Trevisani, 2015, p. 13). A proposta é que os alunos se beneficiem das vantagens de ambos os formatos, enriquecendo sua experiência de aprendizado.

Essa modalidade educacional oferece diversas vantagens tanto para os alunos quanto para os professores. No que diz respeito aos estudantes, o ensino híbrido proporciona maior flexibilidade e autonomia, permitindo que aprendam em seu próprio ritmo e em diversos ambientes, como em casa, na escola ou em locais com acesso à internet (Tanzi Neto, Bacich, & Trevisani, 2015, p. 20). Já para os educadores, essa abordagem proporciona oportunidades de personalização, uma vez que podem adaptar o conteúdo e as atividades de acordo com as necessidades individuais dos alunos, além de explorar diferentes tecnologias para tornar o processo de ensino mais envolvente (Tanzi Neto; Bacich, & Trevisani, 2015, p. 21).

A implementação do ensino híbrido pode ocorrer de diferentes maneiras, seja com os alunos assistindo a aulas online em casa e participando de atividades presenciais na escola, ou alternando entre aulas presenciais e tarefas online (Tanzi Neto; Bacich, & Trevisani, 2015, p. 29). Essa diversidade de abordagens amplia as possibilidades de adequação às necessidades específicas de cada contexto educacional.

É importante ressaltar que o ensino híbrido, de acordo com Tanzi Neto, Bacich e Trevisani (2015), apresenta uma perspectiva promissora para a melhoria do aprendizado de todos os alunos, destacando-se como uma resposta eficaz às demandas de uma sociedade em constante evolução, impulsionada pelo desenvolvimento tecnológico. À medida que a tecnologia continua a se desenvolver, é possível antecipar um crescimento ainda maior da popularidade do ensino híbrido como estratégia educacional inovadora.

Portanto, a obra “Ensino híbrido: personalização e tecnologia na educação” de Tanzi Neto, Bacich e Trevisani (2015) fornece uma base sólida para compreender e explorar as nuances do ensino híbrido, oferecendo insights valiosos para educadores, pesquisadores e demais interessados no campo da educação.

Assim, acredito que minha dissertação possa contribuir para uma reflexão sobre o Ensino Híbrido na rede pública de Vitória-ES, a fim de propor melhorias e inovações no processo de ensino-aprendizagem.

2. PERCURSO METODOLÓGICO

A pesquisa foi realizada entre os dias 01 e 03 de novembro de 2023, abordando a produção de dados por meio de formulários Google e uma roda de conversa junto aos docentes da EMEF José Lemos de Miranda.

A abordagem metodológica adotada baseou-se em uma pesquisa qualitativa documental, reforçada pelo uso de um instrumento de produção de dados fundamentado em uma roda de conversa. O intuito foi aprofundar a compreensão do uso do ensino híbrido por professores no contexto do ensino básico.

A escolha da abordagem documental qualitativa justifica-se pela necessidade de explorar e analisar documentos pertinentes, como registros, relatórios e materiais pedagógicos relacionados ao ensino híbrido e à prática docente. A pesquisa documental possibilitará um exame detalhado desses materiais, contribuindo para uma compreensão mais aprofundada do contexto investigado.

Adicionalmente, a coleta de dados incluiu uma roda de conversa com os professores da EMEF José Lemos de Miranda. Essa abordagem facilitou a interação e a troca de experiências entre os participantes, proporcionando uma compreensão mais rica e contextualizada das práticas pedagógicas relacionadas ao ensino híbrido. Durante a roda de conversa, foram explorados temas como estratégias utilizadas, ferramentas tecnológicas adotadas, desafios enfrentados e percepções sobre os efeitos no processo de ensino-aprendizagem.

Os dados coletados, tanto pela pesquisa documental quanto pela roda de conversa, serão submetidos a uma análise qualitativa, seguindo as diretrizes de Bardin (2016) . A análise dos documentos buscará identificar padrões, tendências e informações relevantes, enquanto as transcrições da roda de conversa serão examinadas em busca de temas emergentes e insights que possam enriquecer a compreensão do uso do ensino híbrido na educação básica.

Para embasar teoricamente a pesquisa, serão considerados autores relevantes no campo da educação, como Bacic (2018) e Morán (1999), para compreensão das práticas de ensino híbrido. Além disso, serão exploradas as críticas à educação tradicional propostas por Paulo Freire (1979), Saviani (1992) e Libâneo (2013), a fim de contextualizar as mudanças paradigmáticas nas práticas educacionais.

A pesquisa também levará em conta o impacto da pandemia de Covid-19 na educação, especialmente as transformações aceleradas no uso de tecnologias alternativas. Mishra e Koehler (2006) destacam a necessidade de repensar abordagens pedagógicas em resposta aos desafios do ensino à distância, tornando o ensino híbrido uma solução adaptativa relevante.

A análise dos dados coletados proporcionará uma compreensão mais profunda das práticas pedagógicas dos professores e como o ensino híbrido tem sido incorporado em suas aulas. O objetivo final desta pesquisa é contribuir para a identificação de estratégias que possam otimizar a implementação do ensino híbrido no Ensino Fundamental I, promovendo uma abordagem mais eficaz e adaptativa ao processo educacional pós-pandemia.

3. ANALISANDO OS DADOS

Gráfico 1: Utilização do Ensino Híbrido

Fonte: Elaborada pela autora (2023).

As análises das respostas à pesquisa revelam que o ensino híbrido emergiu como uma prática amplamente adotada durante a pandemia de COVID-19, desempenhando um papel crucial na manutenção da continuidade educacional.

Dos 11 participantes, 8 indicaram ter incorporado o ensino híbrido durante a pandemia. Dentre esses, 7 mencionaram que a utilização ocorreu de forma semanal, indicando que o ensino híbrido se estabeleceu como uma estratégia regular de instrução.

Os restantes 3 participantes relataram a aplicação do ensino híbrido em contextos distintos da pandemia. Um deles mencionou a utilização no âmbito da educação inclusiva, enquanto outro destacou a aplicação centrada no aluno como figura central no processo de aprendizagem. O terceiro participante afirmou ter empregado o ensino híbrido ao longo de 18 meses, sugerindo uma adoção prolongada dessa modalidade.

Globalmente, as respostas sublinham que o ensino híbrido está gradualmente consolidando sua presença no cenário educacional brasileiro. A aceleração de sua adoção durante a pandemia, como apontado pelas evidências, sugere que essa modalidade de ensino provavelmente continuará a ser uma prática recorrente mesmo após a normalização do contexto pandêmico.

A análise das respostas suscita algumas considerações:

A resposta “Prefiro não responder” sugere que alguns professores podem sentir-se hesitantes em abordar o tema do ensino híbrido. Esta hesitação pode derivar da falta de familiaridade ou experiência com o assunto, ou possivelmente de preocupações acerca da aceitação da modalidade pela comunidade escolar.

A declaração “Utilizei o ensino híbrido no contexto da educação inclusiva” é notável, indicando que o ensino híbrido pode ser uma estratégia eficaz para promover a inclusão escolar, possibilitando a participação equitativa de alunos com diversas necessidades educacionais.

A resposta “Sim, a cada conteúdo novo” sugere a flexibilidade do ensino híbrido, adaptando-se às exigências específicas de conteúdo e às necessidades dos alunos. Esta adaptabilidade é uma vantagem intrínseca do ensino híbrido, permitindo que os educadores personalizem a abordagem educacional conforme o contexto específico.

Gráfico 2: Utilização do Ensino Híbrido

Fonte: Elaborada pela autora (2023).

Sobre a resposta “Pandemia, interação maior com os alunos”

Bacich (2018), afirma que a pandemia de COVID-19 acelerou a adoção do ensino híbrido em todo o mundo. O ensino híbrido foi uma estratégia eficaz para garantir a continuidade do ensino durante a pandemia, permitindo que os alunos continuassem a aprender mesmo com a necessidade de isolamento social.

No caso da resposta “Pandemia, interação maior com os alunos”, é possível que o respondente tenha utilizado o ensino híbrido durante a pandemia como forma de garantir a continuidade do ensino e, ao mesmo tempo, de manter a interação com os alunos. Isso pode ter sido feito, por exemplo, utilizando aulas online ao vivo ou aulas gravadas que permitiam aos alunos interagirem com o professor e com os colegas.

Sobre a resposta “O principal motivo foi o revezamento dos alunos”

Maria Alice Rodrigues, em seu artigo “Ensino híbrido na educação inclusiva: possibilidades e desafios”, afirma que o ensino híbrido pode ser uma estratégia eficaz para promover a inclusão escolar. O ensino híbrido permite que alunos com diferentes necessidades educacionais possam participar das aulas de forma equitativa, pois oferece diferentes opções de acesso ao conteúdo e ao suporte pedagógico.

No caso da resposta “O principal motivo foi o revezamento dos alunos”, é possível que o respondente tenha utilizado o ensino híbrido para promover a inclusão escolar, oferecendo aos alunos com necessidades educacionais especiais diferentes opções de acesso ao conteúdo e ao suporte pedagógico. Isso pode ter sido feito, por exemplo, disponibilizando materiais didáticos em diferentes formatos, oferecendo tutoria online ou organizando grupos de estudo para alunos com necessidades específicas.

Sobre a resposta “As obrigatoriedades da pandemia”

Claudia Costin, pesquisadora do Instituto Ayrton Senna, afirma que a pandemia de COVID-19 trouxe uma série de desafios para a educação, incluindo a necessidade de adotar novas tecnologias e estratégias de ensino. O governo federal e os governos estaduais adotaram uma série de medidas para garantir a continuidade do ensino durante a pandemia, incluindo a adoção do ensino híbrido.

No caso da resposta “As obrigatoriedades da pandemia”, é possível que o respondente tenha utilizado o ensino híbrido por força de uma determinação governamental. Isso pode ter ocorrido, por exemplo, em estados ou municípios que adotaram o ensino híbrido como estratégia para garantir a continuidade do ensino durante a pandemia.

Sobre a resposta “Para que os docentes não ficassem desempregados”

Marcelo Leão, professor da UFSC, afirma que a pandemia de COVID-19 levou ao aumento do desemprego no setor educacional. Muitos professores foram demitidos ou tiveram seus contratos suspensos. O ensino híbrido pode ser uma estratégia para evitar o desemprego de professores, pois permite que eles continuem a trabalhar mesmo com a necessidade de isolamento social.

No caso da resposta “Para que os docentes não ficassem desempregados”, é possível que o respondente tenha utilizado o ensino híbrido como forma de evitar o desemprego de professores. Isso pode ter ocorrido, por exemplo, em escolas que adotaram o ensino híbrido como estratégia para manter os professores trabalhando mesmo com a necessidade de isolamento social.

Sobre a resposta “O aluno chega com mais base na sala de aula”

Fernando Morán, professor da USP, afirma que o ensino híbrido pode ser uma estratégia eficaz para promover a aprendizagem ativa. O ensino híbrido permite que os alunos aprendam de forma mais autônoma e colaborativa, pois oferece diferentes oportunidades de aprendizagem.

No caso da resposta “O aluno chega com mais base na sala de aula”, é possível que o respondente tenha utilizado o ensino híbrido para promover a aprendizagem ativa. Isso pode ter ocorrido, por exemplo, oferecendo aos alunos atividades de aprendizagem online que lhes permitiam aprender de forma autônoma antes das aulas presenciais.

Gráfico 3: Dificuldades

Fonte: Elaborada pela autora (2023).

As dificuldades encontradas na implementação do ensino híbrido, conforme destacadas pela pesquisa, assemelham-se aos desafios comuns enfrentados em qualquer inovação educacional. Entre as principais barreiras, destaca-se a falta de recursos tecnológicos, especialmente em escolas públicas, onde alunos de baixa renda são mais afetados. A ausência de formação adequada dos professores também se configura como um desafio, uma vez que é essencial estar preparado para utilizar as ferramentas tecnológicas e metodologias específicas do ensino híbrido. Além disso, o desinteresse dos alunos pode surgir quando as atividades não são atrativas e desafiadoras.

À luz das teorias de Saviani (1992) e Paulo Freire (1989), essas dificuldades podem ser interpretadas como desafios a serem superados. Saviani, defensor da humanização na educação, sugere que o ensino híbrido pode promover uma educação mais dialógica e participativa, estimulando a participação ativa dos alunos.

Quanto às estratégias pedagógicas para engajar os alunos no ensino híbrido, a diversidade é crucial, adaptando-se às necessidades e contextos específicos. Atividades lúdicas, colaboração entre alunos e personalização do ensino são estratégias comuns. Essas práticas, à luz das teorias de Saviani (1992) e Paulo Freire (1992), alinham-se ao desenvolvimento da autonomia, criticidade e participação ativa dos alunos.

Além das dificuldades, o ensino híbrido apresenta desafios adicionais, como a desigualdade de acesso à tecnologia, a falta de integração entre ambientes presenciais e virtuais, e a necessidade contínua de formação dos professores. Esses desafios, à luz das teorias de Saviani (1992) e Freire (1979), representam obstáculos a serem superados para garantir a equidade na educação e a transformação social. Quanto à formação continuada dos professores, é essencial para o sucesso do ensino híbrido, abordando temas como o uso eficaz de tecnologias educacionais, metodologias específicas e desafios relacionados. Isso reflete a perspectiva de Saviani (1992) sobre a necessidade de formação contínua para garantir a qualidade do ensino. Finalmente, a diferença fundamental entre o ensino híbrido e o ensino presencial tradicional reside na combinação do ensino presencial com o ensino a distância. O ensino híbrido busca integrar o melhor de ambos, proporcionando uma abordagem mais flexível e adaptável às necessidades dos alunos e aos desafios educacionais contemporâneos.

Gráfico 4: Veio para ficar

Fonte: Elaborada pela autora (2023).

As respostas divergentes sobre a permanência do ensino híbrido revelam uma variedade de perspectivas e opiniões entre os participantes. A análise dessas respostas, à luz de especialistas na área, permite uma compreensão mais aprofundada das diferentes visões sobre a durabilidade desse modelo educacional.

A afirmação de que o ensino híbrido veio para ficar, principalmente devido à praticidade e eficiência que proporciona, ecoa a ideia de que a flexibilidade e a conveniência são fatores-chave para a aceitação e continuidade desse formato (Santos, 2016). A visão otimista aponta para as vantagens percebidas, como o acesso facilitado ao processo educativo em horários mais flexíveis.

Por outro lado, a expressão de dúvidas sobre a permanência total do ensino híbrido destaca preocupações relacionadas às mudanças necessárias no sistema educacional e nas práticas individuais dos educadores (Nunes,2019). Essa perspectiva enfatiza que a implementação bem-sucedida do ensino híbrido requer uma transformação mais profunda e abrangente no atual sistema de ensino.

A resposta que sugere que o ensino híbrido veio para ficar, mas não na forma atual, destaca a necessidade de adaptação e evolução contínua desse modelo.

Essa visão ressalta que, embora o ensino híbrido tenha vindo para ficar, é provável que sua implementação e práticas evoluam à medida que são refinadas com base na experiência e no feedback da comunidade educacional.

A variedade de opiniões expressas destaca a importância de uma abordagem cautelosa e adaptável na implementação do ensino híbrido. Considerando as complexidades envolvidas, é vital que as políticas educacionais e os profissionais da área estejam atentos às necessidades e desafios específicos para garantir uma integração bem-sucedida e sustentável do ensino híbrido no cenário educacional.

Gráfico 5: Inclusão

Fonte: Elaborada pela autora (2023).

As respostas sobre a contribuição do ensino híbrido para uma maior inclusão e participação dos alunos nas aulas revelam perspectivas diversas, permitindo uma análise à luz de diferentes teóricos brasileiros, como Lilian Bacich, José Moran, Paulo Freire, Dermeval Saviani, entre outros.

A afirmativa de que o ensino híbrido não contribui para uma maior inclusão, visto que os estudantes tendem a se afastar das salas de aula e do convívio com colegas e profissionais da educação, pode ser compreendida sob a ótica de Bacich (2018), que destaca a importância da construção de ambientes de aprendizagem inclusivos, considerando as diferentes necessidades e características dos alunos.

A menção à dependência da contribuição do professor e das estratégias de dinamismo propostas para a efetividade do ensino híbrido alinha-se com a visão de José Moran (2013), que destaca a importância da mediação docente e do planejamento de estratégias pedagógicas envolventes no contexto do ensino mediado pela tecnologia.

O argumento de que o ensino híbrido pode contribuir para a inclusão, desde que consideradas as estratégias de dinamismo propostas pela docente, encontra respaldo na perspectiva de Bacich (2018), que enfatiza a importância da prática pedagógica intencional e adaptativa para atender às necessidades variadas dos alunos.

A visão expressa na resposta “Sim, porque quebra as paredes tradicionais de ensino” remete à ideia de que o ensino híbrido pode superar limitações do modelo tradicional, alinhando-se ao pensamento de Saviani (1992), que defende a necessidade de superação de paradigmas educacionais para uma efetiva transformação.

O reconhecimento da discrepância social no acesso à tecnologia destaca uma preocupação relacionada à equidade, reforçando a abordagem de Freire (1979) sobre a necessidade de uma educação libertadora e comprometida com a redução das desigualdades sociais.

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Diante das variadas perspectivas expressas nas respostas sobre a contribuição do ensino híbrido para a inclusão e participação dos alunos, é possível tecer uma conclusão abrangente que envolve múltiplos aspectos pedagógicos, tecnológicos e sociais. Essa análise se baseia em autores como Bacich (2018), Moran (2013), Freire (1992) e Saviani (1992), que oferecem diferentes lentes para compreender as dinâmicas educacionais contemporâneas no contexto brasileiro.

A observação de que os estudantes podem se afastar das salas de aula e do convívio com colegas e profissionais da educação no ensino híbrido levanta a necessidade de repensar o design e a implementação dessas práticas. Nesse sentido, Bacich (2018) destaca a importância de construir ambientes de aprendizagem inclusivos, que considerem as diferentes necessidades e características dos alunos. A inclusão, nesse contexto, transcende o simples acesso à tecnologia e abrange a adaptação do ensino para atender a diversidade de perfis de aprendizes.

A dependência da contribuição do professor e das estratégias de dinamismo propostas para a efetividade do ensino híbrido, mencionada em algumas respostas, alinha-se à visão de Moran (2013).  Ele enfatiza o papel do educador como mediador e destaca a importância do planejamento de estratégias pedagógicas envolventes no contexto do ensino mediado pela tecnologia. A necessidade de uma liderança docente eficaz no ambiente híbrido é crucial para garantir que as experiências de aprendizado sejam significativas e alcancem seus objetivos educacionais.

A perspectiva positiva de que o ensino híbrido pode quebrar as paredes tradicionais de ensino, alinhando-se a Saviani (1992), reflete a busca por uma transformação mais profunda nos paradigmas educacionais. Saviani argumenta que é imperativo superar concepções ultrapassadas e promover uma educação comprometida com a formação integral dos indivíduos. No entanto, essa visão otimista requer uma abordagem crítica para garantir que as mudanças promovam uma verdadeira democratização do acesso ao conhecimento e à educação.

A preocupação com a discrepância social no acesso à tecnologia destaca um desafio fundamental para a implementação generalizada do ensino híbrido. Essa preocupação encontra eco nas discussões de Freire (1979), que defende uma educação libertadora e comprometida com a redução das desigualdades sociais. Para que o ensino híbrido cumpra seu potencial inclusivo, é vital desenvolver políticas públicas que abordem essas disparidades, garantindo que todos os alunos tenham igualdade de oportunidades.

REFERÊNCIAS

BACICH, Lilian. Ensino híbrido: personalização e tecnologia na educação. Porto Alegre: Penso, 2018.

BARDIN, L. Análise de conteúdo. São Paulo (SP): Edições, 2016.

FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979.

FREIRE, Paulo. Educação como prática da liberdade. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1989.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da esperança: Um reencontro com a pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992.

LIBÂNEO, J. C. Didática. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2013.

MISHRA, P.; KOEHLER, M. J. Technological Pedagogical Content Knowledge: A New Framework for Teacher Knowledge. Teachers College Record, 108(6), 1017-1054, 2006.

MORAN, J. M. Mudando a educação com metodologias ativas. São Paulo: Papirus, 2013.

NUNES, J. A. Currículo e responsividade. Entre políticas, sujeitos e práticas. Cuiabá, MT: EduUFMTT, 2019.

SANTOS, M. A. Ensino híbrido: uma abordagem pedagógica para a educação do século XXI. Curitiba: Appris, 2016.

SAVIANI, Dermeval. Escola e democracia. São Paulo: Cortez, 1992.

TANZI NETO, Antonio; BACICH, Lilian; TREVISANI, Fernando Martins. Ensino híbrido: Personalização e tecnologia na educação. Porto Alegre: Penso, 2015.

NOTA

Os autores utilizaram a IA Google Bard v1.0.0 para auxiliar na melhoria de estruturação textual, concordâncias verbais e vícios de linguagem. No entanto, todas as buscas pelos conteúdos e classificação da qualidade dos artigos foram realizadas de maneira autoral.

[1] Pós-graduações em Educação Inclusiva e Diversidade, Alfabetização e Letramento nas Series Iniciais e na EJA, Graduação em Pedagogia. ORCID: 0000-0002-3163-6592. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/6122694885211700.

[2] Orientadora. Pedagoga e Doutora em Educação pela Universidade Federal do Espírito Santo. Professora do Instituto Federal do Espírito Santo. Membro efetiva do Programa de Mestrado Profissional do Ensino em Humanidades do IFES. Professora Convidada do Programa de Mestrado Profissional em Ciência, Tecnologia e Educação da Faculdade Vale do Cricaré. Lider de Grupo do CNPQ Educação& Cultura e Natureza: Movimento Decolonial. ORCID: 0000-0002-7324-2196. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/4525902332048373.

Material recebido: 05 de dezembro de 2023.

Material aprovado pelos pares: 07 de dezembro de 2023.

Material editado aprovado pelos autores: 31 de janeiro de 2024.

5/5 - (12 votes)
Solange Tiengo Vieira Trancoso

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