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Contribuições dos jogos matemáticos na Educação Infantil

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CONTEÚDO

ARTIGO ORIGINAL

FERREIRA, Marta Madalena Tavares de Menezes [1], FREDERICHI, Danielli da Silva [2], COLLE, Jackeline Teixeira Del [3], MOREIRA, Lindaiane Rodrigues Soares [4], MENEZES, Maria Santa Tavares de [5]

TAVARES, Marta Madalena Menezes. Et al. Contribuições dos jogos matemáticos na Educação Infantil. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 05, Ed. 09, Vol. 02, pp. 55-67. Setembro de 2020. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/educacao/jogos-matematicos

RESUMO

Este trabalho visa destacar a importância e as contribuições dos jogos matemáticos na educação infantil, além de fazer uma breve análise sobre a eficácia da utilização desses jogos que facilita a ampliação do raciocínio lógico-matemático, pois no período da infância é que a criança está em fase de formação e desenvolvendo habilidades, fase esta em que a criança está bem receptiva a novos conhecimentos e desafios. Para a efetivação deste trabalho foi realizado uma pesquisa bibliográfica de autores que muito contribuíram para a educação. Na revisão bibliográfica pode-se perceber que os jogos são apoios metodológicos que uma grande parte dos professores utiliza para que a criança aprenda a conhecer os números, a contar e a comparar quantidades, tendo em vista o aprendizado do aluno de forma diferenciada através de diferentes situações problemas propostas a ela. O ato de ensinar matemática, através dos jogos, deve sempre estar presente na vivência da criança, no ambiente escolar, pois esta auxilia na formação dos conceitos, desenvolve habilidades motoras e psíquicas.

Palavras-Chave: Educação Infantil, jogos, brincadeiras, ludicidade.

1. INTRODUÇÃO

Com os avanços tecnológicos e as mudanças sociais, o ser humano acaba se adequando a essas reviravoltas do mundo. Sendo assim, o homem está em constante aprendizagem e com as crianças, que estão em fase de formação, a inclusão de jogos ajuda no seu processo de desenvolvimento. A ludicidade é muito importante para o crescimento da criança nos seguintes aspectos: pessoal, social, psíquico e cultural, pois o fato de brincar e interagir com o outro faz com que haja o favorecimento da lateralidade, coordenação motora, psicomotricidade, eleva a auto-estima, compreende o meio em que está inserida, regras (direitos e deveres nos jogos e brincadeiras), compreende a si mesmo e estabelece relações com o outro.

A criança gosta muito de brincar e assim aprende brincando. Contudo, faz-se necessário que o educador tenha conhecimentos em jogos para o aprimoramento do desenvolvimento de seu educando. Utilizando os jogos matemáticos com as crianças, como material didático e ter o domínio dos mesmos, valorizará e muito o seu trabalho pedagógico e facilitará o aprendizado, já que a criança já traz, desde o seu nascimento, a capacidade de aprender e a curiosidade para aprender.

Pode-se perceber, assim, que jogos e brincadeiras são de grande importância para o desenvolvimento do processo pedagógico quando as atividades são ensinadas de forma lúdica.

O presente trabalho tem por objetivo destacar, por meio de pesquisa bibliográfica, a importância e as contribuições dos jogos matemáticos na educação infantil, pois a infância é um período propício para o desenvolvimento de habilidades, tanto cognitivas quanto emocionais, já que a criança está em fase de formação e aprendizagem.

Destaca-se a necessidade de se trabalhar jogos matemáticos na educação infantil, visto que é neste momento que a criança aprende e é nessa fase que se dá o processo cognitivo.

2. EDUCAÇÃO INFANTIL NO BRASIL: DIRETRIZES POLÍTICO-NORMATIVAS

No decorrer da história da educação infantil no Brasil algumas transformações ocorreram, e estar na escola passou a ser um direito da criança, o qual está assegurado no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e na Lei de Diretrizes e Bases (LDB).

Com a educação infantil não foi diferente e esta, hoje, tem como aspecto fundamental a afetividade, sociabilidade, aspecto emocional e cognitivo para haver o desenvolvimento integral das crianças, onde as práticas adotadas devem favorecer a potencialidade de cada criança. Vale lembrar que o ato de brincar é fundamental para o desenvolvimento da autonomia e a identidade, onde a criança aprimora a atenção, memória e a imaginação.

Com a LDB e o ECA, a concepção de creche foi mudada, pois antes esta era tido como uma ação social e passou a ser uma instituição educativa, onde visa articular mecanismos para servir de suporte para os outros níveis da educação e esta deve ter como proposta dois eixos: a interação e a brincadeira, além de propiciar um espaço dinamizado e explorável, além de ser acessível para todos.

Atualmente, o que vale para os Centros de Educação Infantil (CEIs) são as diretrizes e a legislação, sendo obrigatória a matrícula a partir dos quatro anos, já que de 0 à 3 anos e 11 meses é uma escolha da família, sendo, contudo, assegurada pelo Estado e, quando não há vaga, a pessoa pode acionar judicialmente, pois está assegurada pelo ECA. Quem tem a responsabilidade de ofertar a educação infantil são os municípios, mas que também pode haver instituições privadas sem fins lucrativos que firmem parceria com a prefeitura.

Visto que os CEIs devem contar com profissionais qualificados e responsáveis, sendo que estes devem contar com o apoio do coordenador pedagógico da educação.

Os CEIs contaram com o Ministério da Educação para a que, em sua competência, elaborasse os critérios de referência para que as instituições garantam os direitos da criança, assegurando a ela o direito à brincadeira, ambiente acolhedor, estimulante, seguro, atencioso, limpo, alimentação saudável, explorável e que tenha atenção maior no período de adaptação.

As Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) são normas da Educação Básica, as quais orientam no planejamento curricular do sistema escolar e são debatidas e fixadas pelo Conselho Nacional de Educação. Estas visam promover o ensino em equidade para todos da rede de educação, levando em consideração os contextos culturais. As DCNs surgiram da LDB de 1996, os quais tem a incumbência da União estabelecer juntamente com Estados, Municípios e Distrito Federal, competências e diretrizes para a Educação Básica uma formação comum.

Para a formação das Diretrizes Curriculares Nacionais houve participação do Consed (Conselho Nacional dos Secretários Estaduais da Educação), Undime (União Nacional dos Dirigentes Municipais da Educação, ANPEd (Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação), docentes, dirigentes municipais e estaduais da educação, além de pesquisadores e representantes de instituições privadas.

Nos dias atuais há diretrizes para cada etapa da Educação Básica: Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio. Com essa modalidade, as escolas devem trabalhar os conteúdos de acordo com os contextos culturais e aspectos relevantes. A resolução de 17 de dezembro de 2009 instituiu as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil.

No artigo 4º deixa bem claro que:

[…] as propostas pedagógicas da educação infantil deverão considerar que a criança, centro do planejamento curricular, é sujeito histórico e de direito que nas interações, relação e práticas cotidiana que vivenciam constrói sua identidade pessoal e coletiva, brinca, imagina, fantasia, deseja. Aprende, observa, experimenta, questiona e constrói sentidos sobre a natureza e a sociedade, produzindo cultura. (DCNEI, 2009)

E no artigo 6º considera que as propostas pedagógicas de educação infantil devem respeitar os seguintes princípios: I. Éticos: da autonomia, da responsabilidade, da solidariedade e do respeito ao bem comum ao meio ambiente e as diferentes culturas, identidades e singularidades. II. Políticos: dos direitos de cidadania, do exercício da criticidade e do respeito a ordem democracia. III. Estéticos: da sensibilidade da criatividade da ludicidade e da liberdade de expressão nas diferentes manifestações artísticas e culturais.

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é um documento que orienta o desenvolvimento do currículo na educação no Brasil. Ela tem por objetivo o ensino comum a todos os que estão no ambiente escolar.

Na Educação Infantil, ela oferece os campos de experiência, que são:

  • O eu, o outro e o nós: que trabalha o “eu” da criança, sua identidade, seu autoconhecimento, além de experiências com o outro e o nós;
  • Corpo, gestos e movimentos: este está ligado ao contato com as linguagens artísticas, com o movimento, desenvolvendo a expressão corporal;
  • Traços, sons, cores e formas: neste campo, o professor irá trabalhar as mais diversas manifestações culturais, cores, formas;
  • Escuta, fala, pensamento e imaginação: este, por sua vez, é preciso ser trabalhado a linguagem oral, jogos e brincadeiras de roda, conversação, leitura de histórias, além da linguagem escrita através de textos em livros, revistas e afins;
  • Espaço, tempo, quantidades, relações e transformações: este campo auxilia as crianças na construção de noções de tempo, espaço, relações e transformações.

Os jogos, em sala de aula, para uma aprendizagem significativa é um instrumento de grande valia, pois a criança aprende brincando.

E se os jogos forem jogos matemáticos? Estes poderão ampliar o tempo de concentração, memorização, compreensão dos conteúdos, facilitando a resolução de problemas.

A matemática está inserida, de tal maneira, na nossa vida que o professor pode trabalhar, de forma lúdica, através de músicas, histórias, atividades artísticas, entre outros meios. Com uma história interessante, por exemplo, a criança pode conhecer os números, a quantidade de personagens, fazendo comparações etc. Ou o professor pode utilizar brinquedos com jogos matemáticos pedagógicos como quebra-cabeça, blocos de construção e até mesmo criar seus próprios jogos como instrumentos no processo de ensino/aprendizagem da criança.

3. BREVE HISTÓRICO SOBRE O JOGO

De acordo com Almeida (1978) os jogos não devem ser fins, mas meios para atingir objetivos, ou seja, como mecanismos para o aprimoramento do desenvolvimento da criança.

É importante que no desenvolvimento das atividades os aspectos físicos, psicológicos, cognitivos e sociais sejam realizados de forma eficaz e prazerosa para a criança, onde se deve haver combinações simbólicas, compensatórias, liquidantes, simbólicas antecipatórias e ordenadas, simples, além de haver as atividades que contemplem jogos que trabalhem com o corpo (movimento), jogos sensoriais, jogos de linguagem e jogo de regras. Tudo de acordo com a idade das crianças.

Piaget separa o processo cognitivo inteligente em duas palavras: aprendizagem e desenvolvimento. Para Piaget, de acordo Macedo (1994), a aprendizagem refere-se à aquisição de uma resposta particular, aprendida em função da experiência, obtida de forma sistemática ou não. Enquanto o desenvolvimento seria uma aprendizagem de fato, sendo este o responsável pela formação dos conhecimentos.

Para compreender o período do desenvolvimento cognitivo da criança, Wadsworth (1971) criou uma tabela segundo Piaget:

Tabela 1 – Resumo dos Períodos do Desenvolvimento Cognitivo

Período Características do Período Principal Mudança do Período
Sensório-motor (0-2 anos)

Estágio 1 (0 – 1 mês)

Estágio 2 (1 – 4 meses)

Estágio 3 (4 – 8 meses)

Estágio 4 (8 – 12 meses)

Estágio 5 (12 – 18 meses)

Estágio 6 (18 – 24 meses)

Somente atividade reflexa; não faz diferenciação Coordenação mão-boca; diferenciação via reflexo de sucção Coordenação mão-olhos; repete acontecimentos pouco comuns Coordenação de dois esquemas; atinge a permanência dos objetos Novos meios através da experimentação – segue deslocamentos sequenciais Representação interna; novos meios de combinações mentais O desenvolvimento ocorre a partir da atividade reflexa para a representação e soluções sensório-motoras dos problemas
Pré-operacional (2-7 anos) Estágio egocêntrico (2-4 anos) Estágio intuitivo (5-7 anos) Problemas solucionados através da representação – desenvolvimento da linguagem (2-4 anos); tanto o pensamento quanto a linguagem são egocêntricos. Não consegue resolver problemas de conservação; os julgamentos são baseados na percepção e não na lógica O desenvolvimento ocorre a partir da representação sensório-motora para as soluções de problemas e o pensamento pré-lógico
Operacional concreto (7-11 anos) Atinge a fase da reversibilidade; consegue solucionar os problemas de conservação – operações lógicas desenvolvidas e aplicadas a problemas concretos; não consegue solucionar problemas verbais complexos O desenvolvimento ocorre a partir do pensamento pré-lógico para as soluções lógicas de problemas concretos
Operações formais (11-15 anos) Soluciona com lógica todos os tipos de problemas – pensa cientificamente; soluciona problemas verbais complexos; as estruturas cognitivas amadurecem O desenvolvimento o corre a partir de soluções lógicas para os problemas concretos, para as soluções lógicas de classes de problemas

 

Fonte: Adaptado de B. Wadsworth, Piaget’s Theory of Cognitive Development (Nova York: David McKay, 1971)

É importante que os professores tenham conhecimento desses períodos de desenvolvimento cognitivo para planejar suas atividades, favorecendo a aprendizagem das crianças.

4. OS JOGOS NA EDUCAÇÃO INFANTIL E AS FUNÇÕES DO PROFESSOR

Jogo é uma atividade onde há regras a serem seguidas e há um perdedor e um vencedor. Os jogos também podem ser utilizados para fins pedagógicos em ambientes escolares, proporcionando experiências e liberdade de criação, pois através da brincadeira elas expressam suas emoções, sensações e idéias, além de interagir com o outro.

O professor tem grande responsabilidade ao expor jogos para as crianças, pois visa promover a socialização entre as crianças, ajudando-os, boa convivência social e o respeito pela diferença.

O professor ao escolher jogos e suas atividades deve considerar a oportunidade de diversão, aprendizado e o desenvolvimento das crianças. É importantíssimo também, o conhecimento e diferentes abordagens metodológicas, pois assim, o professor contribuirá significativamente na compreensão do conhecimento e na construção cognitiva da criança, promovendo um trabalho de qualidade.

Como a criança é um ser sociável e que brinca espontaneamente e indiferente do ambiente, é nesse período que acontece o processo de desenvolvimento físico, moral e social, pois com o brincar a criança também se desenvolve através da sociabilidade e construindo sua identidade e visão de mundo.

5. BRINCADEIRA E O JOGO: CONTRIBUIÇÕES

Atualmente a atividade lúdica está em alta na Educação Infantil, já que o brincar é essencial para o desenvolvimento infantil e o seu uso proporciona a produção do conhecimento e a estimulação afetiva na criança. Independente da idade, a ludicidade é uma necessidade da criança, pois facilita a aprendizagem, o desenvolvimento cognitivo, facilita a socialização, comunicação, pensamentos, construção de conhecimento e criação.

Antigamente, a criança era vista como um adulto em miniatura, pouco valorizada e era considerada útil, nas famílias de classes baixas, quando colaborava com a renda familiar e quando era de classes altas, eram educadas para o futuro.

Cunha (1988) apresenta de acordo com as fases do desenvolvimento proposto por Piaget as condutas, ações e tipos de brinquedos e jogos para a aprendizagem e o desenvolvimento infantil. Seguindo o raciocínio da autora, pode-se observar que a conduta sensório-motora compreende as ações de repetição, reconhecimento, generalização sensor-motor e o raciocínio prático.

É no momento da brincadeira que a criança entra em contato com as mais diversas formas de pensamentos, ideias e assim amplia seus conhecimentos, resolve problemas. Um exemplo é quando as crianças brincam com brincadeiras do cotidiano, elas estimulam o desenvolvimento infantil, por isso é que a brincadeira não é um passatempo, mas um momento de desenvolvimento da criança no âmbito social, nos conhecimentos, aprimoramento de habilidades e ela aprende a lidar com as dificuldades e angústias.

Na Educação Infantil, uma grande parte dos professores utilizam os jogos e as brincadeiras como prática pedagógica. Há aqueles que aderem a essa modalidade pelo motivo de facilitar a aprendizagem da criança e outros já pensam que o ato de brincar é aquele momento em que a criança fica solta, ou seja, brincando da maneira que quiser.

Contudo é imprescindível a parceria do professor com o aluno, pois as brincadeiras e as atividades de jogos devem ter o máximo de cuidado possível para que estas ofereçam à criança jogos e brincadeiras de acordo com a idade.

O ato de brincar faz com que a criança adquira confiança. A criança começa a entender a grande importância de se conviver em grupos, respeitando suas regras e valores, mas acima de tudo a importância da união. Quando uma criança brinca, ela está indo além de se divertir, ela expressa suas emoções e compartilha seus sentimentos.

Como a criança gosta muito de brincar ela pode, através da brincadeira e do jogo, aprimorar seus conhecimentos e desenvolver. Fantacholi apud Goés (2008, p 37), afirma ainda que:

[…] a atividade lúdica, o jogo, o brinquedo, a brincadeira, precisam ser melhorado, compreendidos e encontrar maior espaço para ser entendido como educação. Na medida em que os professores compreenderem toda sua capacidade potencial de contribuir no desenvolvimento infantil, grandes mudanças irão acontecer na educação e nos sujeitos que estão inseridos nesse processo.

Trabalhando atividades de acordo com a faixa etária, o professor proporciona o desenvolvimento motor da criança, pois a criança de 2 a 4 anos possui sua atividade motora ativa, já que ela gosta muito de correr, pular, arrastar, puxar e empurrar. Nesse período é notável o sentimento de posse da criança sobre objetos e brinquedos. Além de proporcionar o desenvolvimento motor, os jogos permitem uma articulação melhor, facilitando a oralidade.

Todo aprendizado obtido no ato de brincar proporciona a formação da criança em todas as etapas de sua vida, além de estimular seu desenvolvimento auditivo, motor, de espaço e tempo, e da linguagem. Oliveira (1997, p. 57) acrescenta o fato que a:

Aprendizagem é o processo pelo qual o indivíduo adquire informações, habilidades, atitudes, valores etc. a partir de seu contato com a realidade, o meio ambiente, as outras pessoas. É um processo que se diferencia dos fatores inatos (a capacidade de digestão, por exemplo, que já nasce com o indivíduo) e dos processos de maturação do organismo, independentes da informação do ambiente (a maturação sexual, por exemplo). Em Vygotsky, justamente por sua ênfase nos processos sócio-históricos, a ideia de aprendizado inclui a interdependência dos indivíduos envolvidos no processo. (…) o conceito em Vygotsky tem um significado mais abrangente, sempre envolvendo interação social.

Pode-se dizer que o jogo e a brincadeira são meios básicos da vida psíquica da criança e através do jogo que a criança se revela, mostra realmente quem ela é, o que precisa ser trabalhado para que haja mudança.

Desde a antiguidade os jogos e danças fazem parte da história da humanidade, seja em atos cívicos, religiosos ou afetivos. E é através dos jogos que as crianças expressam espontaneamente, criam, se relacionam e expõe seus sentimentos. Como os jogos auxiliam no desenvolvimento infantil, através dos movimentos motores, desenvolvimento cognitivo, facilita a interação com o outro (afetividade), é importante o professor possibilitar uma aula dinamizada e lúdica, pois a criança não é um ser pronto, tendo assim uma grande contribuição para sua vida futura, através de diversos brinquedos, complexidade de vivências para a criatividade. Lembrando que o ato de brincar é uma necessidade da criança e as atividades lúdicas ficam mais significativas quando a criança se desenvolve. Chateau destaca (1987, p. 14) que “uma criança que não sabe brincar, é uma miniatura de velho, será um adulto que não sabe pensa”.

Já para Piaget (1973), jogo e brincadeira são uma contribuição essencial para o processo de ensino/aprendizagem e afirma que utilizar o lúdico no processo pedagógico na escola é o berço obrigatório e que estas são indispensáveis nas práticas educativas, já que contribuem e enriquecem o desenvolvimento psíquico.

O ato de brincar e jogar são muito importantes, pois nesses momentos é que a criança revela seu estado de espírito e desenvolve o cognitivo, os sentidos, afetividade, coisas e símbolos.

Se a escola valoriza os jogos e as brincadeiras, esta ajuda a criança ver outra realidade que muitas vezes não condiz com o ambiente em que ela vive, a conhecer uma acolhida diferenciada, um lugar onde ela tem seus direitos respeitados. Pode-se dizer que o lúdico é de suma importância e essencial para uma escola que se comprometa não apenas com a parte pedagógica, mas também com a formação do caráter da criança e que se preocupe com o tipo de cidadão que quer formar para a sociedade.

Nos mais variados tipos de jogos têm os jogos matemáticos, onde a crianças aprende os números brincando e este tipo de jogo é de grande importância para o desenvolvimento da criança.

Piaget e Vygotsky são os dois teóricos contribuíram com propostas com base cientifica e para o ensino e aprendizagem da matemática.

De acordo com o pensamento de Piaget (1973), a criança ao manusear o objeto é o que ocasiona aprendizagem-ação através da estabilidade das construções cognitivas, pois a aprendizagem se submete ao processo de desenvolvimento. Na aprendizagem

[…] o jogo é elemento do ensino apenas como possibilitador de colocar o pensamento do sujeito como ação. O jogo é elemento externo que irá atuar inteiramente no sujeito, possibilitando-o a chegar a uma nova estrutura de pensamento (MOURA, 1994, p.20).

Vale lembrar que o pensamento piagetiano, o jogo assume papel de promover a aprendizagem e que no momento em que a criança é exposta diante de situações de brincadeiras, ela entende a formação lógica do jogo e paralelamente a estrutura matemática presente no jogo.

O jogo exerce um papel importante na educação matemática. Ao permitir a manifestação do imaginário infantil por meio de objetos simbólicos dispostos intencionalmente, a função pedagógica subsidia o desenvolvimento integral da criança (KISHIMOTO, 1994, p. 22).

Se os CEI´s permitem um ambiente acolhedor e dinâmico, que ensina através do lúdico, esta permite uma aprendizagem diferenciada. Para Piaget, citado por Sabini e Lucena (2005) os jogos e as brincadeiras são elementos primordiais para suas vivências, e que assim as reproduz, transformando o concreto de acordo com seus desejos e interesses. O ato de brincar é um elemento indispensável para que ocorra a aprendizagem e o ato de ensinar matemática além de desenvolver o raciocínio lógico, estimula o pensamento e a capacidade de resolver problemas.

Dependendo da intervenção do professor nos jogos, este se bem manejados contribuem e muito para o desenvolvimento da autoconfiança na criança, segundo Kishimoto (1989). O objeto, jogos e brincadeiras instigam a curiosidade da criança, despertando o aguçamento de suas habilidades e percepções.

O ato de brincar é universal. Sendo assim, o professor tem essa ferramenta poderosa para ensinar os alunos de forma dinâmica e prazerosa, já que as crianças aprendem a lidar com regras, possibilitando o desenvolvimento de elementos para a vida adulta.

Moura (2000, 76), afirma que “o jogo se aproxima da matemática via desenvolvimento de habilidades de resolução de problemas, permitindo, assim, trabalhar conteúdos culturais inerentes ao próprio jogo”.

Sendo assim, a forma em que o jogo é introduzido tem muita importância, quando se diz em faixa etária e o jogo ou brincadeira deve ser apresentado em ambiente com espaço e condições adequada, respeitando a seqüência das regras.

Ao trabalhar com jogos matemáticos o professor proporciona que o aluno registre os números, conheça e trabalhe com as quatro operações, relacionamentos entre os jogadores, raciocínio mais aguçado, representações mentais e concentração.

Algumas crianças tem um bloqueio em relação a matemática, mas o professor tem um papel fundamental ao proporcionar um ambiente acolhedor, dinamizado, que motive as crianças, quando media jogos voltados para a sequência lógica, classificação, ordenação, leitura de numerais, conceitos, raciocínio lógico, tempo, medidas, peso, espaço entre outros. Fazendo isso o aluno se sentirá seguro em aprender matemática de forma prazerosa.

6. CLASSIFICAÇÃO DOS JOGOS

É muito importante que a criança brinque com jogos e brincadeiras de acordo com a faixa etária. Piaget (1978) caracteriza os jogos em três grandes tipos de estruturas: jogos de exercício, simbólico e de regras, constituindo os jogos de “construção” a transição entre os três e as condutas adaptadas. A seguir, uma pequena explicação de cada um desses tipos de jogos:

Jogos de exercício (0 a 2 anos): esta fase a criança brinca basicamente sozinha ou com alguém que sinta confiança. Caracteriza-se pelo o fato de a criança brincar pelo prazer do conhecimento do objeto, da exploração, do desenvolvimento motor ou, como o próprio nome diz, do puro exercício.

Jogos simbólicos (2 a 6 anos): nesta fase a criança utiliza muito a imaginação, pois é um jogo em que a criança faz de conta que é um personagem, faz comida de mentira, brinca de mamãe. Representação simbólica de um objeto em outro, por exemplo.

Jogo de regras (acima de 6 anos): este caracteriza-se pelo conjunto de regras que é imposto pelo grupo ou pelo mediador do jogo. É um jogo social, onde há interação entre as crianças.

Os jogos e brincadeiras na Educação Infantil proporcionam a facilidade para o processo de ensino e aprendizagem, contudo é importante que os professores criem propostas pedagógicas que unem o aprendizado e o lúdico.

Outras modalidades de jogos são:

Jogos de exercício: este tipo de exercício pode-se iniciar a partir dos quatros meses de idade, pois é nesse período que começa a desenvolver a coordenação da visão e da preensão, maior flexibilidade e controle motor e a criança consegue agarrar, sacudir, morder, chupar e até lançar.

Jogos de manipulação: essa modalidade pode ser praticada a partir do contato da criança com os mais variados materiais. Nesse tipo de jogo a criança consegue perceber através do tato a densidade, a textura, percebe a diferença de tamanho.

7. CONCLUSÕES

Ao brincar, as crianças entram no imaginário e conseguem aprender brincando. Com isso os jogos e brincadeiras na Educação Infantil contribuem e muito no desenvolvimento das estruturas pedagógicas e psíquicas do aluno.

O lúdico é importante em todas as idades, mas é na infância que o ato de brincar é mais visto, e esta pode ser usada não apenas para diversão, mas para fins pedagógicos, pois as relações são criadas nas relações interpessoais, onde o caráter da criança é formado.

Ao utilizar o lúdico como ferramenta pedagógica, o professor consegue uma qualidade excelente na educação e alcança os interesses e necessidades da criança.

Conclui-se então que a criança aprende brincando e o uso dessa ferramenta facilita o trabalho do professor na Educação Infantil, proporcionando o desenvolvimento pessoal, cultural e social da criança, ou seja, desenvolve um indivíduo em um todo.

Piaget e Vygotsky partilham do mesmo pensamento em relação as fases de desenvolvimento da criança e características de cada faixa etária.

O ato de brincar contribui para a formação do caráter da criança, trabalha com valores morais e culturais, lapidando sua forma de ver o mundo.

Jogando e brincando, a criança pode resolver situações/problemas, auxiliar o próximo, lidar com as dificuldades, aprendendo.

Por fim, vale ressaltar, que a BNCC traz importantes orientações para o currículo, e assim que haja um processo ensino/aprendizagem significativo tanto para o professor quanto para as crianças.

8. REFERÊNCIAS

ALMEIDA, Paulo Nunes. Dinâmica lúdica jogos pedagógicos. São Paulo: Loyola. 1978.

CHATEAU, Jean. O jogo e a criança. São Paulo: Summus,1987. A Educação Matemática em Revista, nº 3, 1994.

CUNHA, N. H. S. Brinquedo, desafio e descoberta – Subsídios para a utilização e confecção de brinquedos.

FANTACHOLI, Fabiani das Neves. A Importância do Brincar na Educação Infantil. Disponível em: http://monografias.brasilescola.com/educacao/a-importancia-brincar-na-educacao-infantil.htm. Acesso em maio de 2016

MOURA, M. A séria busca no jogo: do lúdico na matemática. In: KISHIMOTO, Tizuko Morchida. Jogos, brinquedos, brincadeiras e educação. 4ªed. São Paulo: Cortez, 2000. p.73-87

MOURA, M. O. A séria busca no jogo: do Lúdico na Matemática. In: A Educação Matemática em Revista. São Paulo: SBEM – SP, 1994. 17-24 p.

OLIVEIRA, M., VYGOTSKY. Aprendizado e desenvolvimento: um processo Sócio-histórico. São Paulo: editora Scipione, 1997.

PIAGET, J. A formação do símbolo na criança. 3ª ed. Rio de janeiro: Editora Zahar,1973.

PIAGET, J. O. Nascimento da inteligência na criança. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1978.

WADSWORTH, B. J. Piaget para o professor da pré-escola e 1º grau. Trad. Marília Z. Sanvicente. 3.ed. São Paulo: Pioneira, 1989. 360p.

[1] Professora da Educação Infantil. Pós-graduada em Psicopedagogia pelas Faculdades Integradas Do Vale do Ivaí – UNIVALE, pós-graduada em Educação Infantil e Alfabetização pela Faculdade de Tecnologia do Vale do Ivaí – FATEC. Licenciada em Pedagogia pela Faculdade Integrada de Naviraí (FINAV).

[2] Pós-graduada em Psicomotricidade – FAESI, pós-graduada em Educação Especial e Inclusiva – UNINA, Pós-graduada em Educação Infantil e Séries Iniciais – UNINA, Licenciada em Pedagogia pela Faculdade Integrada de Naviraí (FINAV) e Graduanda em Artes pela UNIFAVENI.

[3] Pós-graduada em Neuropsicopedagogia pela Faculdade Única de Ipatinga; pós-graduada em Psicopedagogia com Ênfase em Educação Especial pela FAEL; Licenciada em Pedagogia pela UNIDERP e graduada em Administração pela Faculdades Integradas de Naviraí – FINAV.

[4] Pós-graduada em Neuropsicopedagogia pela Faculdade Ideal de Brasília em parceria técnico-científica com a Faculdade Instituto Brasil de Ensino – IBRA (FAMEV), pós-graduada em Educação Infantil e Alfabetização pela Faculdade de Tecnologia do Vale do Ivaí – FATEC. Licenciada em Pedagogia pelo Centro Universitário da Grande Dourados – UNIGRAN.

[5] Pós-graduada em Educação Especial pela FAEC e Licenciada em Pedagogia pela Faculdade Integrada de Naviraí – FINAV.

Enviado: Agosto, 2020.

Aprovado: Setembro, 2020.

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Marta Madalena Tavares de Menezes Ferreira

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