Tecnologia da Informação na Educação Universitária: A escassez no contexto pandêmico Angolano

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ARTIGO ORIGINAL

AFONSO, Fernão Osório [1]

AFONSO, Fernão Osório. Tecnologia da Informação na Educação Universitária: A escassez no contexto pandêmico Angolano. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 06, Ed. 03, Vol. 10, pp. 05-22. Março de 2021. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/educacao/educacao-universitaria

RESUMO

O presente artigo discorre a volta das Tecnologias de Informação na educação universitária, com foco para o impacto da escassez no contexto pandémico em Angola. A pesquisa foi desenvolvida na base de uma metodologia bibliográfica por diversas literaturas, com intuito de refletir sobre as limitações da tecnologia educativa com que atualmente se desenvolve a educação no país, essencialmente no ensino superior, considerando o seu distanciamento às (TI), e o impacto, principalmente em tempo de restrições diversas causadas pela pandemia. Fundamenta-se em três tópicos, sendo o primeiro enquadramento das (TI) no contexto educativo, o segundo um olhar para a realidade do funcionamento das (TI) na educação universitária angolana e o terceiro foca-se no impacto da escassez das (TI) na educação universitária focando para a eventualidade da pandemia em Angola. Como resultado, a pesquisa alimentou a visão de que, as Tecnologias da Informação constituem meios transformadores e proporcionam respostas a inúmeras questões dentre as quais, as do sector educativo, até mesmo em tempos difíceis como o da pandemia, pois evitam paralisações. No caso angolano, uma aposta na concepção e aplicação de uma adequada tecnologia educativa integrada as (TI) no contexto educativo atual configuraria a educação universitária numa nova realidade académica e científica, incidindo em ambiente de sucesso de aprender, fazer, conviver e ser. Sucedendo o contrário, claramente os retrocessos são elevados, e no contexto da pandemia o impacto da escassez tecnológica na educação é mais ainda negativo.

Palavras- chave: Tecnologias da Informação, Educação Universitária, Impacto da escassez, Contexto pandêmico Angolano.

1. INTRODUÇÃO

No mundo atual as Tecnologias de Informação (TI) ocupam um lugar de grande destaque quase em todas as esferas do desenvolvimento. Provas suficientes têm mostrado que no presente contexto não se pode falar de grandes produções e de resultados qualificados em qualquer sociedade, que não sejam mediados pelas Tecnologias de Informação. A sua participação ativa no processo acelerado de transformações nas sociedades é evidente, isto é, dependentemente da concepção que se tem sobre elas, da atitude e do investimento com que se apliquem e do lugar que a elas se atribuem cada sociedade, sector e área de conhecimento.
A transformação do mundo em uma aldeia global tendo em conta distâncias geográficas, económicas, culturais, educacionais e até mesmo políticas; o estreitamento das relações presenciais e não presenciais em contextos sociais anteriormente vistos impossíveis; o crescimento industrial exponencial, o longo alcance da comunicação e a qualidade que se tem conquistado nas últimas décadas, tendo em conta velocidade, pontualidade e eficiência, tornou uma realidade possível, graças a mediação das tecnologias de Informação e qualidade com que se fazem funcionar.

Portanto, apesar dos resultados brilhantes por intermédio das (TI)  que se têm vivenciado em diversos contextos internacionais, assiste-se ainda noutras sociedades um distanciamento na criação de compatibilidade entre a percepção sobre as (TI), a importância que a elas se atribui, a intenção da sua implementação, o investimento que nelas se faz e consequentemente os resultados que se obtêm. Realmente a falta de incidência entre a projeção e a realização conforma enormes fracassos, essencialmente no âmbito do desenvolvimento tecnológico, como é o caso dos países em via de desenvolvimento. Nesta perspectiva é pertinente considerar que os países africanos destacadamente Angola, o foco da nossa abordagem, são frequentemente os mais visados. A exiguidade no âmbito do investimento tecnológico nestes países incide, desde a ineficiente concepção das infraestruturas, a indisponibilização de recursos financeiros para a implementação adequada das (TI)  nas áreas necessárias, a gestão não prudente dos poucos recursos disponibilizados e a baixa preparação dos recursos humanos afins.

O sector da educação que deveria ser considerado o ponto central de preparação, e desenvolvimento de competências tecnológicas a partir de uma aposta na formação adequada de pessoal, para a aplicação e dinamização das Tecnologias de Informação nas diversas áreas como, por exemplo no ensino, na comunicação e noutras vertentes sociais e na indústria, é ao contrário o mais fracassado nos seus vários aspectos, seja no nível secundário, seja no nível superior. Consequentemente chega ao ponto de colocar no mercado de trabalho, jovens e adultos com elevados graus de escolaridade, porém sem domínio tecnológico adequado.
O planeta de 2020 tem sido fortemente desafiado por uma pandemia, colocando-se a prova grande parte da sua tecnologia. Para além dos enormes aspectos negativos que ela trouxe à humanidade, por outro lado, parece que tal eventualidade veio despertar e manifestar mais ainda quão são importantíssimas as Tecnologias de Informação na vida das pessoas, quão é diminuto o investimento que nelas se faz e que medidas a serem tomadas para a melhoria da condição menos favorável.

Em Angola a força pandémica da Covid-19 tem colocado em grande desafio todas as tendências e projeções sociais. Nisto, o sector da educação vê-se cada vez mais afetado, enfraquecido e, se calhar infeliz. Quanto à universidade, pode se notar que apesar do seu alto posicionamento na academia e nas iniciativas científicas, o seu despreparo e limitação acentuado na perspectiva tecnológica constituem um verdadeiro golpe, tornando-a cada vez mais frágil e limitada de aplicar alternativas para o desenvolvimento da atividade académica e científica.

O quotidiano da funcionalidade das (TI) no ensino superior em Angola constitui uma preocupação ao nível dos pedagogos, cientistas, estudantes e outras classes de opinião. É precisamente neste âmbito em que se insere esta pesquisa orientada para um despertar da sociedade educativa em geral e em particular, a sociedade angolana, face ao impacto da exiguidade tecnológica da informação e da comunicação, no sentido de repensar o investimento que a ela se faz na educação ao nível alto de ensino.
A pesquisa desenvolve-se na base de uma metodologia bibliográfica através da leitura de diversas literaturas, desde livros físicos e electrónicos, artigos científicos, e outras ferramentas da Web, refletindo a volta da tecnologia educativa no geral e associando a realidade Angolana. Tal permitiu a sustentabilidade do assunto e aprofundar o conhecimento a volta da importância das (TI) em circunstâncias de isolamento social. O maior enfoque da pesquisa vai para o impacto da escassez das Tecnologias de Informação na educação universitária em tempo da pandemia, e a sua abordagem fundamenta-se em três tópicos. O primeiro, enquadramento das Tecnologias de Informação no contexto educativo, o segundo, um olhar para a realidade do funcionamento das (TI)  na educação universitária angolana e o terceiro, impacto da limitação das (TI) no âmbito científico e formativo na era da Covid- 19 em Angola.

2. ENQUADRAMENTO DAS TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO NO CONTEXTO EDUCATIVO

A tecnologia é tida como um dos recursos e meios fulcrais para a produção e transformação em qualquer âmbito de trabalho, pois ela determina as ações e comportamento das pessoas e dos organismos em geral. Do ponto de vista comportamental humano, as tecnologias alteram positivamente a capacidade de as pessoas agirem e enfrentarem desafios de produção.

No contexto educativo existe um reconhecimento unânime de que é com a aplicação de tecnologias adequadas ao tipo de produção desejada, que se pode alcançar resultados correspondentes aos objetivos preconizados, pois em todas as circunstâncias, a educação se desenvolveu na base de uma tecnologia, desde a mais tradicional à moderna e desde a simples à complexa.

Diversos contribuintes à causa da educação apontam a tecnologia educativa como cerne do desenvolvimento de todas as variáveis tecnológicas, que refletem atualmente em tecnologias modernas e complexas. Conforme Santaló (1994) citado por Costa (2010) a tecnologia educativa surge e desenvolve na base de métodos, meios e técnicas intervenientes na orientação e desenvolvimento do conhecimento, desde os mais tradicionais aos modernos.

Como se pode constatar em alguns aspectos históricos, o contributo tecnológico educativo data há longos séculos, desde Atenas, Europa e EUA com essencial destaque os Sofistas, séc. V a.C. através de um ensino sistemático a grupos, baseado na retórica, dialética e gramática; Coménius através de um ensino baseado no método indutivo —  antecipação a diversos princípios modernos de aprendizagem; Lancaster com foco em manuais e arranjo de classes, em função do ensino de massa, monitores; Thorndike que fundamenta o seu contributo no conexíssimo —  desenvolvimento empírico-indutivo de uma ciência e de uma tecnologia virada ao ensino.

No âmbito da educação as Tecnologias da Informação se enquadram na jornada da evolução das diversas tecnologias educativas ao longo da história, na perspectiva de cada vez mais associar-se aos novos meios de produção, aplicar inovações tecnológicas atuais e incorporar dentre os referidos meios aqueles que se julgam ser mais adequados ao desenvolvimento educativo segundo o contexto. Compreende-se que entre o conhecimento, a informação, a tecnologia, as necessidades de produção e de satisfação da objetividade social, as Tecnologias de Informação constituem intermediários na conquista dos objetivos, sendo que Rascão (2008) define-as como:

conjunto de conhecimentos, de meios materiais (infraestruturas) e de know-how necessários à produção, comercialização e ou utilização de bens e serviços relacionados com o armazenamento temporário ou permanente dos dados, bem como o processamento e a comunicação dos mesmos (p. 73).

Nesta perspectiva, pode se compreender que as Tecnologias de Informação no contexto educativo são uma evolução na tecnologia educativa, atualmente fundamentais e, se calhar as mais recorridas na dinamização do ensino, aprendizagem, pesquisa científica, gestão e outras variáveis de funcionamento em educação. A partir de perspectivas tecnológicas por diversos pesquisadores, dos quais Rosenberg e Birdezel (1986); Mokyr (1990), citados por Castells (2011) percebe-se as valências do fator dinâmico e produtivo, que as tecnologias de informação oferecem à transformação social, cuja extensão se vivencia na obtenção e desenvolvimento do conhecimento para dar surgimento da progressão de outras áreas sociais, tal como afirmam no seguinte:

[…] a informação e o conhecimento foram sempre elementos cruciais no crescimento da economia e a evolução da tecnologia determinou em grande parte a capacidade produtiva da sociedade e os padrões de vida, bem como as formas sociais de organização económica (p. 95).

A informação, a comunicação e o conhecimento são elementos interligados em todas as tendências de progresso. Do ponto de vista da educação, é com base na informação e comunicação científica intencionalmente organizada, que se preparam todas as gerações académicas. Nesta conformidade, as (TI) surgem como mediadores perante o fornecimento, a aquisição e o desenvolvimento do conhecimento. Servem de meios e métodos ampliadores e geradores de saberes e, ao mesmo tempo, fatores revolucionários ao desenvolvimento da educação.

Conforme Rascão (2008), a era da informação e do conhecimento que vivemos em substituição da era pós-industrial exige uma grande capacidade de processamento, e armazenamento de informação de modo que o alto conhecimento que se necessita tenha lugar. Em contextos atuais, a produção, a difusão e a conservação da informação conheceram uma grande emancipação nos aspectos económicos das sociedades e, consequentemente nos sistemas educativos pela intervenção dos meios digitais ultrapassando maior parte das práticas anteriores.

Na base desta mesma dinâmica, as Tecnologias de Informação participam na gestão da informação, são fortemente incorporadas na gestão dos sistemas educativos, gestão científica e administrativa, relações humanas e nos tratamentos burocráticos.

A sua aplicação na gestão dos sistemas educativos e nas organizações afins tem melhor permitido, maior produtividade, dinamismo e qualidade na prestação de serviços, tal como se destaca a objetividade dos sistemas de informação ligados aos recursos humanos na perspectiva de López (2013, p. 60), onde o objetivo destes sistemas “é atrair, desenvolver e manter a força de trabalho da empresa”.

O contributo dos referidos sistemas estende-se, desde a sua aplicação no recrutamento e registo de pessoal, controlo de bens patrimoniais e desenvolvimento de programas de formação do capital humano. Nesta conformidade, as organizações das quais, essencialmente o sector educativo e em especial destaque a universidade devem primar pelas tecnologias de informação com mais atenção e aplicabilidade, isto é, ao contrário de viverem no paradoxo de não produzirem adequadamente nem na base dos meios tradicionais tão pouco na base dos meios modernos.

Cada organização ao entender utilizar as Tecnologias de Informação para a sua própria projeção para a competitividade e eficiência, deve aplicar-se no mercado. Para que tal suceda, o autor em referência recomenda o seguinte:

repensar e projetar a maneira como projeta, produz, liberta e mantem bens e serviços. É preciso usar a tecnologia da informação para simplificar e coordenar a comunicação, eliminar trabalho desnecessário e reduzir as ineficiências das estruturas organizacionais obsoletas (p. 61).

Além de as Tecnologias de Informação serem encaradas como meios impulsionadores do conhecimento, elas oferecem a permissão de fiscalizar, mesmo à distância, os serviços educativos com base numa dinâmica e critérios de transparência, eficiência e confiabilidade.
Ao nível da alfabetização e melhoramento de conhecimentos as (TI)  têm contribuído significativamente como assessórios de transformação ascendente, quer para os professores, que são ensinantes, quer para os alunos na condição de aprendentes. São reconhecidas como ampliadores cognitivos para os que as incorporam devidamente nos seus perfis tal como Silva (2010) ao afirmar no seguinte aspecto:

as tecnologias em suas mais variadas formas acabam ampliando as capacidades intelectuais dos seres humanos, colocando à disposição uma gama de informações e acesso de formas distintas com ambientes e ferramentas também distintos e, juntamente com toda a evolução os educandos as instituições de ensino acabam sendo afetados e acompanham estas mudanças (p.1).

Ao contrário de os investidores educacionais ao nível da superestrutura e ao nível de base, assim como os próprios educadores e educandos negligenciarem a importância das (TI) nas suas intenções na educação, Kenski (2012, p. 41) reitera a necessidade de se assumir os novos paradigmas educacionais sustentados pela dinâmica tecnológica da informação considerando que, “abrir-se para as novas educações, resultantes de mudanças estruturais nas formas de ensinar e aprender possibilidades pela atualidade tecnológica é o desafio a ser assumido por toda a parte da sociedade”.

Até aqui tem-se confirmado na presente abordagem que as (TI) são indispensáveis no contexto educativo, pois a vida da funcionalidade deste sector consiste nas variáveis de gestão referidas anteriormente. Mais, a própria gestão do processo ensino aprendizagem tem alterado, conhecendo melhorias com a presença das (TI) e obriga os gestores curriculares e do processo ensino aprendizagem, em sentido restrito uma dinâmica e atualidade no seu saber e modo de atuar. Nesta conformidade, a relação entre os atos da educação e os recursos tecnológicos de informação e comunicação é cada vez mais estreita e indispensável.

3. UM OLHAR PARA A REALIDADE DO FUNCIONAMENTO DAS (TI) NA EDUCAÇÃO UNIVERSITÁRIA ANGOLANA

As tecnologias de informação em Angola são uma realidade questionável, e se calhar com pontos de vista diversificados relativamente ao que se chama de escassez nesta abordagem, tendo em conta diferentes visões e variedades de posicionamento entre o ensino universitário do âmbito público e o privado. No entanto, partindo de um denominador comum daquilo que se percebe de escassez tecnológica neste nível de ensino no país, inicia-se por se reconhecer que as Tecnologias de Informação não são uma inexistência. Elas já fazem parte da convivência rotineira, quer nos serviços administrativos, quer no ensino-aprendizagem e investigação científica. A grande questão reside no contraste entre a cultura e a suficiência tecnológicas necessárias ao nível da universidade e o perfil tecnológico atual das instituições universitárias. Para a educação universitária, as instituições devem apresentar características próprias de acesso aos diversos recursos. Neste âmbito, a visão tecnológica educativa, segundo Silva (2010) elucida pertinentemente que:

a instituição do ensino superior deve ser um conjunto de novas tecnologias, onde criará novos trabalhadores e profissionais para o mercado de trabalho de trabalho, ficar atento ao que acontece no cotidiano e nas novas tendências de recursos, que serão futuramente instrumentos de trabalho (p. 11).

Desde um olhar para o perfil das infraestruturas destinadas ao ensino universitário em Angola, um dos principais veículos para o acesso e para a qualidade tecnológica de informação nas diferentes unidades de ensino superior, dá-se conta facilmente, que as instituições universitárias angolanas, apesar do seu alto nível de posicionamento académico e científico, muitas delas não possuem infraestruturas apropriadas para o seu correto funcionamento face às exigências universitárias. De modo associado não possuem infraestruturas tecnológicas aptas para os desafios da era digital, não estão suficientemente ligadas a redes tecnológicas de informação e da comunicação ao ponto de poderem fornecer serviços adequados às suas comunidades, desde os docentes, discentes e pessoal administrativo.

Na visão dos tecnólogos, dos quais Weill; Ross (2006) as infraestruturas tecnológicas são consideradas fatores importantíssimos para qualquer presença e funcionalidade qualitativa das (TI). Fora do qual, qualquer tendência de conectividade pode impossibilitar sua materialização.

No contexto angolano, a presença de computadores nas instituições do ensino superior é uma realidade inegável, porém na base de comunicação sem rede, desenvolvimento de tarefas e processos informatizados, assim como outros tratamentos burocráticos.
Embora a visão tecnológica atual advogue a importância e necessidade da virtualidade com suporte a Internet, a inserção das comunidades económicas em redes de comunicação, o uso da Internet como suporte material de comunicação e produção, tal como Castells (2007), o quotidiano angolano espelha o contrário.

Em Angola, essencialmente no âmbito das instituições educativas universitárias, a conectividade é ainda bastante ínfima. A “internet” é escassa nos ambientes universitários. Ela está presente nas instituições, com destaque nos serviços administrativos de maior referência para efeito de comunicação e intercâmbio de expedientes, porém, com bastantes restrições. Da parte de ensino-aprendizagem, embora se verifique alguma utilização da Internet por parte dos professores e dos alunos tal realidade aplicar alternativas de formação, como, por exemplo, os docentes desenvolverem formações não presenciais, não permite desenvolver adequadamente atividades científicas, desde a pesquisa e a comunicação em rede no caso de videoconferências. De modo extensivo o acesso às plataformas digitais faz-se com enormes desafios, desde a carência à ineficiência dos tais serviços. Os estudantes na sua maioria não têm acesso à rede de Internet nas instituições de ensino universitário, o que torna limitadas as referidas comunidades educativas no desempenho de suas atividades.

Mais a qualidade com que se fornecem os serviços de Internet no país em geral, desde os custos, o acesso ao cidadão e a velocidade por tempo de navegação chega a constituir um paradoxo, pois a natureza de serviços prestados pelos seus provedores distancia-se bastante e negativamente dos preços, ao ponto de os utilizadores investirem altas despesas, porém, sem o benefício proporcional ou aproximado, facto ativamente constrangedor e desmoralizante.

Portanto, a ausência da Internet nas instituições de ensino superior, a inexistência de bibliotecas com conectividade, salas de aulas com meios tecnológicos que permitam a dinamização das aulas constituem fatores de grande destaque que marcam ativamente uma desconectividade das instituições e consequentemente a limitação no desenvolvimento dos serviços que exigem uma comunicação rápida, pontual e à distância em contexto académico.

O défice tecnológico nas instituições de ensino na educação universitária em Angola é consideravelmente mais ainda profundo se tivermos em conta a carência de infraestruturas no país, levando igualmente em conta que as infraestruturas e serviços afins são bases essenciais para a funcionalidade das (TI) e que a sua inexistência torna qualquer contexto num submundo.

Weill e Ross (2006) agruparam os componentes das Tecnologias de Informação em duas camadas físicas e gestão, sendo a camada física composta de elementos: canais electrónicos integrados, segurança de risco, comunicação, administração de dados, aplicações de infraestrutura, administração das instalações de (TI). A camada de gestão é composta pelos componentes que têm a ver com a gestão de toda a infraestrutura de (TI) as quais: administração de (TI), arquitetura e padrões de (TI), educação e treinamento em (TI), pesquisa e desenvolvimento de (TI).

Dada a pertinência, advoga-se que a aplicação das tecnologias fundamentada na garantia destes componentes gera melhores resultados tecnológicos de informação nas organizações. No entanto, analisando a perspectiva voltando para o contexto universitário angolano, considera-se que apesar de dimensões diversificadas tendo em conta diferentes realidades, porém, em maior dimensão caracteriza-se num défice, desde a componente física e à de gestão. A tecnologia, os processos do seu desenvolvimento e as pessoas que devem assegurar a funcionalidade e a usabilidade da mesma tecnologia constituem desafios fundamentais para uma saúde tecnológica da informação e da comunicação nas instituições de ensino.

Na mesma conformidade da funcionalidade tecnológica Ribaut, Martinet e Lebidois (1991) citados por Arascão (2008, p. 72) apontam fatores recomendatórios, que dão conta que para qualquer tecnologia há que ter em conta três componentes as quais:

  1. Os conhecimentos — que por si só não constituem uma tecnologia.
  2.  Os meios — que caracterizam a tecnologia, mas que esta não se reduz a eles; em mãos não especializadas, qualquer tecnologia representa um desperdício de investimento.
  3.  “Know-how” — sem meios é uma especialização, mas não pode obter qualquer resultado e cai rapidamente em desuso por falta de aplicação.

Os fatores culturais e cognitivos tecnológicos caracterizam outros desafios na funcionalidade das (TI) nas instituições universitárias, desde o facto da inexistência em várias instituições de gestores tecnológicos empregues para garantirem o funcionamento pleno e a manutenção dos sistemas tecnológicos; a ausência da cultura tecnológica ao pessoal docente e discente, que se caracteriza pelo défice de domínio tecnológico geral em certos casos, e especificamente nos âmbitos da aplicação pedagógica e da investigação científica são todos os fatores negativos que conformam ao que se rotula de escassez tecnológica nesta pesquisa.

Todavia para se ter sucesso quanto a garantia do funcionamento tecnológico nas organizações das quais as universidades, é preciso considerar diversas perspectivas, dentre as quais a necessidade de existirem gestores de (TI) comprometidos com a causa, capazes de agir com base nas exigências da administração tecnológica.

Segundo López (2013) para o êxito tecnológico nas organizações, estas devem reunir qualidades tais como:

  1. Atitude proativa: inspirar ideias de renovação e inovação nas mentes e corações dos profissionais.
  2.  Administração do conhecimento: administrar informática e, sistematicamente, informações e conhecimentos mediante computador em rede Internet, bem como incentivar profissionais a manterem-se atualizados face à Tecnologia, principalmente à Tecnologia da Informação.
  3. Investimento em renovação e Inovação: investir não só em novos modelos de “hardware” e novas versões de “software”, mas, também, principalmente em ensino, treinamento e habilitação do peopleware (pessoal), continuamente (LÓPEZ, 2013, p. 87, 88).

Tal como se confronta em Rascão (2008), é reconhecível que a transição de uma sociedade baseada na indústria e no transporte para outra baseada na informação e no conhecimento traz consigo certos desafios para qualquer um que esteja a ela ligado.

Na perspectiva dos tecnólogos, os desafios para os gestores consistem em:

compreender em que consiste a informação, como se gere, interpreta e que decisão(ões) permite tomar numa era de comunicação à escala do globo, visto que a informação é o elo que nos une. Ao estarmos em condições de a transmitir em grandes quantidades rapidamente de continente para continente, transformamos o mundo numa metrópole global, pelo que na economia global, a informação e o conhecimento podem ser a maior vantagem competitiva das organizações (DAVENPORT e PRUSACK, 1998 apud RASCÃO, 2008, p. 66).

Apesar que a gestão tecnológica pura é especificamente das instituições afins e para tecnólogos, ao falarmos do âmbito das instituições educativas remete-nos na noção que devem ter os seus gestores quanto à necessidade de fazer-se funcionar as (TI) tendo em conta recursos para a sua funcionalidade, enquadramento de corpo técnico afim, garantia de manutenção, etc.

Nos organismos de ensino, inclusive no ensino superior os desafios da gestão tecnológica são outra realidade de impasse, mas muitas vezes ignorada resultando em várias vezes num grande paradoxo tecnológico. A garantia de funcionalidade tecnológica, quer no ensino, na investigação, quer na própria administração institucional está associada a uma gestão de qualidade, uma visão que vai desde os aspectos gerais administrativos aos aspectos específicos tecnológicos.

Nesta conformidade na base das qualidades expressas pelos autores já referenciados adicionamos outra, que é a vontade política. Compreende-se com isto que não é suficiente as instituições em destaque terem gestores e tecnólogos capacitados, mas também necessário neles haver vontade política, essencialmente da parte de quem toma decisões aos níveis da superestrutura. Neste caso vontade e coerência administrativas à questão da tecnologia educativa da parte do executivo central dos gestores das instituições universitárias.

4.O IMPACTO DA ESCASSEZ DAS TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO NA EDUCAÇÃO UNIVERSITÁRIA NA EVENTUALIDADE DA COVID-19 EM ANGOLA

A eventualidade da pandemia que levou a paralisação dos países mundiais nas suas variadas dimensões, surpreendeu as organizações de todos os níveis não permitindo os seus estadistas e gestores de diversos níveis organizacionais tomarem medidas suficientes para a minimização dos seus efeitos.

Para os países mais atentos à questão do investimento em tecnologia da informação e da comunicação o impacto foi minimizado comparativamente com os países menos atentos. A atenção às (TI) em diversas sociedades permitiu um enraizamento da cultura tecnológica e tem servido base para subsidiar e alternar a natureza de serviços, formas de trabalho e de estudos em tempo da pandemia.

Refira-se que “as instituições de ensino da atualidade, em grande número, recorrem às mais variadas formas de tecnologias, trabalham com laboratórios informatizados, “softwares” educativos, “internet”, videoconferência, sala de TV e muitas outras ferramentas que complementam as aulas” (SILVA, 2010, p. 1).

No caso de Angola a situação é contrária. Diversos sectores viram-se afetados pelas medidas de paralisação. O setor da educação no qual integra a educação universitária é um dos mais visados, ao ver o cancelamento parcial da atividade administrativa e científica por algum tempo, e a suspensão total da atividade letiva por longo tempo.
Os reflexos da exiguidade das (TI) na educação universitária em Angola no contexto da Covid-19 podem ser encarados essencialmente nas perspectivas do ensino, da investigação científica e da administração. Neste âmbito, é na perspectiva do ensino e investigação científica que vamos mais nos debruçar.

O débil investimento em tecnologia de informação impossibilitou a aplicação de alternativas que pudessem garantir a continuidade letiva e a funcionalidade dos demais serviços. O ensino presencial é o padrão formativo em Angola, seja no sector público, seja no privado. Por razões das condições de insegurança pública impostas pela pandemia, impossibilitou o seu funcionamento. As limitações tecnológicas na educação universitária impossibilitaram todas as tendências de alternativa educacional com recurso as (TI), como é o caso do ensino semipresencial e ensino virtual ou a distância.

Em tempo da pandemia as universidades atingiram a uma paralisação total sem a menor hipótese de se criar alternâncias educativas. Em condições de garantia de uma cultura tecnológica adequada à educação universitária, poderia se pensar em alternativas de se desenvolver um ensino-aprendizagem virtual no qual, o uso dos meios e ferramentas tecnológicos seriam os recursos, quer para os docentes, quer para os discentes e, até mesmo para o acompanhamento administrativo virtual da funcionalidade do processo.
A exiguidade consistente na falta de disponibilidade destes recursos, quer no âmbito institucional, quer no âmbito domiciliar, a falta de seu domínio suficiente pelo próprio coletivo estudantil e, nalguns casos pela classe docente, constituiu de algum modo um paradoxo face ao progresso académico universitário nestas condições.

Nota-se que longe de uma cultura académica e científica associada às Tecnologias de Informação impossibilita o progresso educativo universitário. A escassez de (TI) coloca em contramão, as tendências de desenvolvimento ao privilegiar direta ou indiretamente a perspectiva educacional tradicional, a qual conforme Rascão (2008) a obtenção de informação e conteúdos académicos pelos alunos era condicionada exclusivamente pela sua presença e dos professores nas escolas e em salas de aulas. Os professores eram detentores da informação e passavam o seu saber aos alunos. Nesta perspectiva os alunos tinham que se deslocar regularmente até as escolas, lugares do saber para aprender.

Portanto, a perspectiva tradicional de ensino é em várias vezes criticamente confrontada pela viragem do ensino moderno, que aponta para novos paradigmas simplificados. Em nossa visão, combinando a realidade das circunstâncias impeditivas laborais, pandémicas e de ordem social e económica deficitária das populações, a educação deve desenvolver na perspectiva moderna em conformidade com outras realidades sociais. Diferindo do tradicionalismo, a perspectiva na era das (TI) defende um ensino digitalizado, aberto e facilmente visualizado pelo seu público em qualquer espaço físico e contexto temporal. Dito de outro modo, as políticas voltadas ao ensino devem agir de maneira que a acessibilidade, o fornecimento e aquisição dos conteúdos, os métodos de orientar as aprendizagens e as modalidades da sua administração sejam articuladas às diversas modalidades associando a modalidade presencial à semipresencial e a não presencial. As novas políticas de ensino devem ir em conta aos novos contextos aplicando novas metodologias, desde a superestrutura à classe docente.

Nesta conformidade, esclarece-se com base Rascão, que no atual contexto das (TI), a informação é que se desloca através das redes virtuais ao encontro do consumidor, a informação pode ser obtida a partir de qualquer lugar, desde que haja disponibilidade dos meios afins, permitindo as pessoas aprenderem, ou ensinarem sem necessariamente estarem presentes em espaços físicos das escolas, ou de salas de aulas (Idem).

Do ponto de vista da pesquisa científica a escassez das (TI)  tem inviabilizado diversas tendências e iniciativas nas instituições universitárias, desde a carência e a impossibilidade dos investigadores estabelecerem uma comunicação necessária com as plataformas digitais, dificuldade de colaboração com diversos pesquisadores, e a impossibilidade da publicação electrónica dos resultados das pesquisas desenvolvidas.
Portanto, a volta da dimensão que a tecnologia ocupa na progressão académica e científica compreende-se que pensar positivamente nas (TI) na educação é pensar para o desenvolvimento. No contexto da pandemia, elas têm valências enormes dentre as quais permitir que apesar dos declarados confinamentos em proteção à saúde vida das pessoas, evitando a propagação do vírus e da doença, os serviços não estejam paralisados, permitindo as pessoas trabalharem e corresponderem umas com as outras.

No caso do ensino e aprendizagem, o seu desenvolvimento em domicílio, distando-se o professor do aluno, mas em correspondência e assistência em rede de comunicação de Internet, faz parte das alternâncias formativas necessárias nas universidades e fornece resultados satisfatórios, tal como se prova que em sociedades onde o investimento tecnológico se faz presente nas instituições educativas e se faz sentir aos usuários escolares, a aplicação de alternativas na base das (TI) passou a ser recurso inevitável e com resultados satisfatórios. O desenvolvimento do ensino à distância é um dos exemplos destas mudanças “permitindo maior participação e oportunidade ao acesso das pessoas ao ensino superior” (LOPEZ, 2013, p. 107).

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A tecnologia com que se educa constitui um fator determinante da dimensão da qualidade educacional, da educação que se fornece à sociedade e dos resultados que se obtêm, considerando que quando mais tecnologia estiver disponível ao serviço educativo e mais domínio houver sobre ela mais resultado positivos podem se alcançar, e consequentemente mais desenvolvimento para a sociedade.

Nesta perspectiva, as Tecnologias de Informação são consideradas por muitos especialistas, cientistas educacionais, educadores, educandos e gestores como meio excepcional de desenvolver o homem e a sociedade na base do saber, pois elas exercem um papel fundamental para promover o conhecimento, os projetos associados à academia assim como a própria qualidade de ensinar, aprender e de fazer a ciência.

A exiguidade tecnológica de informação nos níveis mais altos de escolaridade como é o caso do ensino superior, constitui elevado impasse ao desenvolvimento do processo educativo, limitação de competências naqueles cuja tarefa é formar profissionais para o bom desempenho e concomitantemente naqueles que na qualidade de educandos necessitam ser preparados para os desafios do mercado de trabalho, o que torna um grande paradoxo em relação ao desenvolvimento que se pretende para o país.

Desta forma propõem-se que o investimento tecnológico no campo educativo e científico em Angola em geral e em particular na educação superior seja repensado, devendo se prestar mais atenção, desde as infraestruturas, as políticas de fornecimento e de acesso às (TI), assim como a manutenção do sistema tecnológico nas instituições educativas.

Compreendendo que no ensino superior o desenvolvimento educativo, científico e tecnológico de qualidade passa em grande medida pela qualidade de investimento em Tecnologias de Informação, que a ele se aplica, torna cada vez mais necessário se redefinir as políticas de fornecimento e de acesso tecnológico às comunidades académicas e administrativas tendo em conta projeções sustentáveis.

É preciso valorizar, projetar e aplicar alternâncias educacionais contando com as valências das (TI), fazendo com que o ensino presencial não seja a modalidade educativa absoluta no país, mas sim noutra vertente podendo se contar também com a educação semipresencial e presencial de modo a se diminuir o impacto negativo por quaisquer circunstâncias, que impõem distanciamento dos educandos e dos educadores às instituições de ensino ao exemplo da situação da atual pandemia.

A velocidade com que atualmente as sociedades são transformadas para o desenvolvimento, na base das (TI)  é enorme, porém existe, por outro lado um grande desnível quanto aquelas sociedades que investiram ou continuam a investir na letargia e na negação direta ou indireta de apostarem nas (TI).

Nesta conformidade, e no contexto educativo angolano, considera-se condição importantíssima se promover uma cultura tecnológica nas comunidades académicas construindo competências e atitudes tecnológicas, valorizando deste modo as (TI)  enquanto ferramentas auxiliadores na construção de conhecimento, pensamento, reflexão para a melhoria dos atos de ensinar e de aprender e consequentemente de produzir, pois, a cultura simbólica das sociedades de informação e do conhecimento requer novas formas de aprender, organizar e gerir e novas formas de produzir e de comunicar os resultados.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CASTELLS, Manuel. A era da informação: Economia, sociedade e Cultura. 4ª Edição, vol. Fundações Calouste Gulbenkian, 2011.

_________________. A Galáxia Internet: Reflexões sobre internet Negócios e Sociedade. 2ª Ed. Lisboa, edição da fundação Calouste Gulbenkian, 2007.

COSTA, Rui Filipe Bernardo. Tecnologia Educativa: Incidência das Tecnologias da Informação e Comunicação nas escolas secundárias do Coimbra. Tese de Doutoramento. Universidade de Granada-Faculdade de Ciências da Educação, 2010.

KENSKI, Vani Moreira. Tecnologias e ensino presencial e a distância. 9ª Ed. São Paulo: Papirus, 2012.

LÓPEZ, Yanai. Sistemas de Informação para Gestão. Lisboa: Escolar Editora, 2013.

RASCÃO, José. Novos desafios da Gestão da Informação. 1ª ed. Lisboa: Edições Sílabo, 2008.

SILVA, Luciana Pereira. A Utilização dos Recursos Tecnológicos no Ensino Superior. Revista Olhar Científico – Faculdades Associadas de Ariquemes – V. 01, n.2. Ago./Dez. 2010.

WEILL, P.; ROSS, J.W. Governança de Tecnologia da informação. São Paulo: M. Book, 2006.

[1] Doutorado em Ciências da Educação: Currículo, Professorado e Instituições Educativas.

Enviado: Janeiro, 2021.

Aprovado: Março, 2021.

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