Desafios da coordenação pedagógica no ensino privado [1]

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ARTIGO ORIGINAL

BRANDÃO, Daniela Magno [2], FACHINI, Maria Ângela Bariani de Arruda [3]

BRANDÃO, Daniela Magno. FACHINI, Maria Ângela Bariani de Arruda. Desafios da coordenação pedagógica no ensino privado. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 04, Ed. 10, Vol. 03, pp. 159-164. Outubro de 2019. ISSN: 2448-0959

RESUMO

O presente artigo visa refletir o papel do coordenador pedagógico em uma instituição escolar privada e seus desafios cotidianos. Dentre as atribuições da coordenação destacam-se o acompanhamento do trabalho pedagógico, o envolvimento com a aprendizagem dos alunos, orientando-os como estudar e enfrentar suas dificuldades, e ajudando as famílias a organizar a vida escolar de seus filhos. O desejo em pesquisar este tema, surgiu a partir da reflexão e análise do número de notas abaixo da média ao final do primeiro bimestre de 2014, na escola privada investigada. Após a definição do tema de pesquisa e problema, optou-se em desenvolvê-la por meio do estudo de caso, por se tratar de uma situação particular, qual seja o desenvolvimento de um Programa de Orientação de Estudos pela coordenação pedagógica. Buscamos, com a pesquisa, revelar a importância do papel do coordenador pedagógico e a necessidade da organização do processo escolar, pois ele tem início na escola e continua nos lares dos alunos, por isso a relevância do trabalho da escola feito em parceria com as famílias. Essa pesquisa foi fundamentada em autores como Cortella (2014), Piazzi (2009), Méndes (2002), dentre outros, que debatem o tema, estabelecendo a relação entre o contexto social e a educação atualmente.

Palavras Chave: papel do coordenador pedagógico, orientação pedagógica, desempenho da aprendizagem.

INTRODUÇÃO

O papel do coordenador pedagógico é motivo de muitos debates no contexto do trabalho da escola. Entendemos que a coordenação pedagógica tem o papel de organizar o processo educacional da escola. Historicamente, o papel da escola é mediar o conhecimento prévio do aluno para que este obtenha o conhecimento científico.

A reflexão proposta, neste Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) é sobre o trabalho da coordenação pedagógica em uma instituição privada, no que se refere à orientação ao professor, no desempenho de um papel de “formação” e ao aluno, na orientação à organização de seus estudos.

Outro desafio é fazer com que os pais acompanhem, com compromisso, a vida escolar dos filhos, organizando seus estudos.

Esta pesquisa teve como base a atuação da coordenação pedagógica de um colégio privado na Zona Leste da cidade de São Paulo, no ano letivo de 2014, em que foi desenvolvido um Programa de Orientação de Estudos para os alunos com dificuldades de aprendizagem e para os que obtiveram notas abaixo da média no bimestre. Esse projeto teve como objetivos principais, trazer a família a participar da formação sistemática de seus filhos, conscientizar os estudantes de suas responsabilidades e apoiar os docentes em seus desafios e dificuldades. Com isto, buscando a superação dos problemas detectados e promovendo a aprendizagem dos alunos.

Para tanto, foi realizado um estudo de caso, pelo qual colhemos informações durante os três bimestres, observando aulas, analisando as notas dos alunos nos bimestres, construindo gráficos e buscando estratégias para auxiliar no processo de ensino aprendizagem dos alunos que obtiveram notas abaixo da média e com dificuldades de aprendizagem, a partir das análises feitas pela coordenação pedagógica do colégio.

Neste cenário, o trabalho da coordenação pedagógica é essencial para a mudança de postura, tanto dos professores no encaminhamento de seu trabalho pedagógico, como dos alunos e familiares, frente ao compromisso com os estudos.

1. PAPEL DA COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA E SEUS DESAFIOS

Inicialmente, nos propomos a entender o papel do coordenador pedagógico frente ao contexto educacional e social, para fundamentar as análises.

Nosso pressuposto é de que o principal papel do coordenador pedagógico é mediar e auxiliar no trabalho pedagógico dos professores e no desenvolvimento da aprendizagem do aluno.

Segundo Libâneo (2001), compete ao coordenador pedagógico, dentre outras, prestar assistência pedagógico-didática direta aos professores, através de observação de aulas, entrevistas, reuniões e outros meios. Buscando inclusive, subsídios para o seu trabalho de orientação pedagógica.

Cabe ao coordenador pedagógico auxiliar a prática pedagógica dos docentes e propor ações para que eles reflitam sobre o desenvolvimento do aluno, que é o principal foco da Educação, e, que encontrem caminhos para construir um ensino de qualidade. Para tanto, o coordenador pedagógico deve conhecer o trabalho do professor e conhecer os alunos e suas dificuldades, tudo isso só é possível se o coordenador pedagógico vivenciar algumas práticas, por exemplo, aulas ministradas na sala de aula, nos laboratórios, nas quadras etc. Logo após vivenciar as aulas, o coordenador pedagógico deve se reunir com o professor para destacar os pontos positivos e os pontos a serem desenvolvidos na aula assistida.

Quando o coordenador pedagógico vai para a sala de aula, ele tem a possibilidade de observar tanto a metodologia do professor, quanto os alunos que apresentam alguma dificuldade em sala, tanto na aprendizagem, quanto em comportamento. Colhendo assim, informações quanto ao processo pedagógico desenvolvido pela escola, analisando os objetivos contidos no Projeto Pedagógico, organização do Currículo Escolar, até o prescrito no Regimento Interno.

Segundo Cortella (2014), o bom ensinante é aquele que também é um bom aprendente, então o professor não deve considerar a presença do coordenador pedagógico em sala de aula como uma ameaça e sim como uma forma de auxílio para o seu trabalho pedagógico. “A humildade pedagógica é, portanto, a qualidade essencial de alguém que se disponha a educar, porque só quem é permeável a ser educado pode também educar.” (CORTELLA, 2014, p 39).

Além do professor, o coordenador pedagógico também tem papel fundamental no processo de aprendizagem dos alunos. É esse profissional que auxilia o professor nas análises de dificuldades apresentadas em sala de aula durante o ano letivo e busca encontrar soluções e intervenções para tais problemas.

O levantamento do rendimento quantitativo dos alunos, ou seja, as médias bimestrais também é um dado a ser acompanhado e interpretado pela coordenação pedagógica, ele pode apontar dificuldades de aprendizagem, de adaptação dos alunos ou dos professores e até mesmo a inadequação de algumas metodologias das aulas dadas, ou até mesmo das ferramentas de avaliação.

Coordenador pedagógico e professores precisam estabelecer uma relação de trabalho em equipe, para suprirem as necessidades que surgem no dia a dia escolar, e, juntos, proporcionarem o envolvimento da família no processo de ensino-aprendizagem de seus alunos.

Porque educadores todos nós somos de algum modo: na família, na sociedade, no clube, no partido, no sindicato, na mídia porque nos relacionamos com os outros. E como disse Paulo Freire: ‘Ninguém educa ninguém, ninguém se educa sozinho.’ Nós nos educamos vivendo em sociedade. (CORTELLA, 2014, p. 113).

O envolvimento dos familiares não se dá somente na presença dos mesmos nas reuniões de pais e mestres, mas também no acompanhamento das tarefas escolares realizadas pelos alunos em casa e também no momento em que estabelecem algumas regras aos alunos para que estudem de forma adequada em casa.

Além desse suporte ao professor e ao aluno, através da observação das aulas, o coordenador pedagógico também deve realizar reuniões com as famílias, para que possa orientá-las nas regras que devem estabelecer com seus filhos em casa, como, por exemplo, estabelecer horário de estudo diário, estando o aluno em um ambiente propício, sem a presença de televisões ligadas, ou qualquer tipo de interrupções no momento de seus estudos. Essas reuniões com as famílias devem ser individuais para tratar dos alunos que apresentem dificuldades durante o bimestre.

O coordenador pedagógico deve ser cauteloso para que as tarefas do cotidiano escolar não o impeçam de assistir as aulas e orientar os professores e alunos, pois por muitas vezes, observou-se no colégio analisado, que os problemas do dia a dia escolar, como resolver conflitos entre alunos, atender reclamações de pais que chegam à escola a qualquer horário e querem ser atendidos pela coordenadora pedagógica, e situações de outros tipos, acabavam tomando um tempo mais que necessário da coordenação pedagógica, tendo que muitas vezes adiar sua observação das aulas.

Para que isso não ocorra de forma constante, a coordenadora pedagógica deverá fazer sua rotina semanal com horários pré-estabelecidos, deixando esse cronograma fixado nos murais das salas dos professores e na secretaria escolar, para que sua rotina de observação das aulas e reuniões com professores, alunos e familiares não sejam interrompidas constantemente.

Segundo Fachini (2014), a coordenação pedagógica representa o profissional cujo desempenho promove na educação escolar, o debate e estudos necessários para compor o trabalho fundamentado, científico da escola.

Com o aqui exposto, acreditamos que juntos, escola, professor, coordenador pedagógico, aluno e família, o desempenho escolar dos alunos tem maior significado para eles e qualidade na oferta da educação estará garantida pela escola.

2. ESTRATÉGIAS PARA UM TRABALHO DE PESQUISA EFICAZ

Em primeiro lugar, é indispensável ter bem claro que um dos objetivos do trabalho da coordenação pedagógica, é tornar nossos alunos mais responsáveis por seus estudos, transformando-os em autodidatas.

Para tanto, as estratégias a serem seguidas são: assistir as aulas dos professores, identificando os problemas de aprendizagem e de notas abaixo da média; reunir-se com os professores para analisar os problemas identificados e encontrar caminhos a serem solucionados; reunir-se individualmente com cada aluno que apresentou problemas em seus estudos, para orientá-los à maneira que devem conduzir seus estudos diários, e por último, reunir-se coma família de cada aluno para concluir a orientação.

Com este entendimento sobre o papel do coordenador pedagógico, organizamos a proposta de pesquisa.

A pesquisa foi realizada em três bimestres, ou seja, de Março a Dezembro de 2014. Durante este período foi realizado um estudo de caso, que se refere a uma investigação qualitativa da pesquisa. Sua vantagem é que a pesquisa é fundamentada em fatos reais, analisados e submetidos a reflexões pertinentes para o processo de ensino aprendizagem.

Investigadores de várias disciplinas usam o método de investigação do estudo de caso para desenvolver teoria, para produzir nova teoria, para contestar ou desafiar teoria, para explicar uma situação, para estabelecer uma base de aplicação de soluções para situações, para explorar, ou para descrever um objeto ou fenômeno. (DOOLEY, 2002, p. 343-344).

O estudo de caso que analisou o Projeto de Orientação de Estudos para os alunos do Ensino Fundamental II, de 6º a 9º ano, turno matutino e vespertino, com dificuldades de aprendizagem e para os que obtiveram notas abaixo da média no bimestre, do colégio investigado, apontou alguns aspectos a serem desenvolvidos, tanto por parte dos professores, quanto por parte dos alunos.

A seguir apresentamos o perfil do Colégio investigado.

2.1 PERFIL DO COLÉGIO INVESTIGADO E A AÇÃO PEDAGÓGICA

O Colégio investigado tem 23 (vinte e três) anos de funcionamento, oferece as seguintes etapas da Educação Básica: Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio.

Possui cerca de 500 (quinhentos) alunos de famílias de classe média baixa, que mantém seus filhos em um colégio privado com muito sacrifício, porém, conforme foi detectado, para a organização e desenvolvimento do Projeto de orientação da coordenação pedagógica, com dificuldades em ajudá-los com os estudos.

O colégio conta com um quadro de 23 (vinte e três) professores da Educação Infantil ao Ensino Médio, três coordenadoras pedagógicas, sendo uma para coordenar as turmas da Educação Infantil e Anos Iniciais (1º ao 5º ano), outra para os Anos Finais (6º ao 9º ano) e a terceira para coordenar o Ensino Médio.

O colégio analisado tem seu funcionamento das 7h20min às 19h de segunda a sexta, e, aos sábados, ocorrem os eventos e reuniões pedagógicas quando necessário. As turmas da manhã funcionam das 7h20 min às 11h50, para Educação Infantil e Anos Iniciais, para Anos Finais e Ensino Médio das 7h20min às 12h40min, sendo a turma da 3ª Série do Ensino Médio até 13h30min.

Em sua estrutura, estão presentes, 24 salas, sendo 15 para salas de aulas, uma para sala dos professores, uma para sala de multimídia, uma brinquedoteca, uma sala de multiuso, uma sala para secretaria, uma para coordenação pedagógica, uma para atendimento, uma recepção e uma sala da direção, dois laboratórios, um de informática, outro de Ciências, uma cantina, uma quadra poliesportiva, uma biblioteca, três pátios para lanche e recreação e um parque para Educação Infantil.

O colégio analisado busca o constante conhecimento para a formação de seus alunos e além do conteúdo curricular explorado em sala de aula, são também vivenciadas experiências práticas com projetos extracurriculares voltados aos mais diversos temas, históricos ou da atualidade, dos quais os alunos participam ativamente, refletindo sobre o papel de cada um na sociedade, assim como dinâmicas com a presença dos pais de alunos, passeios, além de participação em olimpíadas e concursos externos.

2.2 A COLETA DE DADOS PARA A PESQUISA

Foram utilizadas várias formas de observação para que se pudesse compreender o motivo do rendimento baixo dos alunos nas avaliações e no fechamento do bimestre, tais como: observação das aulas dos professores, acompanhamento da aplicação de avaliações, orientação individual e em grupo de estudos para os alunos e observação de avaliações e trabalhos corrigidos dos alunos.

A observação das aulas se dá quando a coordenadora pedagógica presencia uma aula completa do professor, ou seja, permanece em sala durante os 50 (cinqüenta) minutos de aula, apenas observando, sem nenhuma interferência. Após a observação das aulas, a coordenação pedagógica deve se reunir com cada professor para dar o feedback, destacar os pontos positivos, parabenizando os professores e apresentar os pontos a serem desenvolvidos. A coordenação pedagógica traçou as linhas de intervenção por meio da elaboração de planos de ações, para que o professor supere suas deficiências, e fique ciente de dos objetivos que deve atingir e como fazê-lo e que está sempre apoiado pela coordenação pedagógica que acompanha todo o processo e avalia os resultados.

Segundo Willians (2005), acreditamos que o feedback de alta qualidade tem a capacidade de fechar alguns ‘furos’. Outro ponto importante é elogiar e reconhecer o trabalho do professor, desta forma o processo pedagógico torna-se um ato reflexivo, fazendo sentido para professores e alunos.

A coordenação pedagógica, durante o desenvolvimento do Projeto, assistiu um total de 16 (dezesseis) aulas por bimestres, nas turmas do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental. Foram realizadas 8 (oito) momentos de observação, durante o segundo e terceiro bimestres do ano letivo de 2014, pelo qual foram observadas quatro aulas de 8 (oito) professores. Essas observações trazem informações importantes em relação à dinâmica da sala de aula, em relação ao cumprimento do planejamento, objetivos propostos pelo material didático e as estratégias usadas com os alunos. Com as observações pretendeu-se verificar se a aula estava atingindo o objetivo de proporcionar ao aluno a aprendizagem da disciplina/conteúdo proposto no planejamento, e com isto compreender o motivo pelo qual o rendimento se apresenta abaixo do esperado.

Nas aulas observadas a coordenação pedagógica verificou as deficiências na metodologia utilizada, e uma dispersão por parte de alguns alunos, principalmente aqueles que apresentam dificuldades de aprendizagem. Além da deficiência na metodologia do professor, também verificou a ineficiência do estudo realizado em casa. Ou seja, o pouco envolvimento dos alunos na hora de estudar em casa, por falta de entendimento de como e quando estudar o conteúdo aplicado em sala.

Segundo Cortella (2014), o professor precisa ter a capacidade de observar que as pessoas têm processos distintos de aprendizagem e de ensino, que os alunos e os colegas de profissão vivem momentos diferentes. O professor precisa utilizar métodos de ensino que atinjam a todo tipo de aluno, aquele com dificuldade de aprendizagem, o distraído, o conversador, o tímido etc. Um aluno não aprende como outro aluno e um professor não ensina como outro professor. Essa diferença deve ser entendida e na mediação do trabalho pedagógico da coordenação pedagógica, ser levado em conta garantindo as características de cada pessoa, sua forma de aprender e forma de ensinar, enriquecendo o ambiente de sala de aula, levando a reflexões sobre a prática e analisando em conjunto os resultados da aprendizagem, levando em consideração se estão sendo satisfatórios.

O acompanhamento da aplicação de avaliações se deu em quatro turmas dos 6º a 9º anos do Ensino Fundamental, e com os professores das disciplinas propostas no currículo do Ensino Fundamental, a saber: Língua Portuguesa e Geografia.

A coordenação pedagógica permaneceu em sala enquanto o professor aplicava a avaliação, com esse acompanhamento pretendeu-se verificar se os alunos conseguiam fazer a avaliação sem a intervenção do professor, se conseguiam terminar no prazo estipulado da aula e se apresentavam dúvidas a respeito dos enunciados das questões. Observou-se que todos os professores eram solicitados a auxiliar os alunos no entendimento das questões, em todas as turmas do Ensino Fundamental, de 6º a 9º ano.

Após o processo de acompanhamento da coordenação pedagógica nas salas de aula, esse profissional organizou o rendimento dos alunos em gráficos que apresentaram as notas dos alunos no bimestre, pois assim possibilitou a melhor compreensão de todos sobre os rendimentos dos alunos, os pontos positivos e àqueles que deveriam ter maior intervenção pedagógica. Após análise, a coordenação pedagógica, professores, alunos e familiares refletiram sobre os encaminhamentos que deveriam ser definidos para a melhora significativa da aprendizagem dos alunos.

A seguir apresentamos os gráficos do rendimento dos alunos.

2.3 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS GRÁFICOS

Gráfico 1: Rendimento da disciplina de Língua Portuguesa

Fonte: Elaboração Própria

O primeiro gráfico da disciplina de Língua Portuguesa, indica uma queda das notas abaixo da média do 2º para o 4º bimestre, justamente no período em que foi realizado este estudo de caso e implantado o Programa de Orientação de Estudos. Porém nos 7º e 8º anos, houve um aumento de notas abaixo da média neste período. Porém comparado ao 1º bimestre, o Programa foi significativo.

Gráfico 2: Rendimento da disciplina de Geografia

Fonte: Elaboração própria

Já o segundo gráfico, analisando a disciplina de Geografia, pode-se observar que somente no 9º ano houve um aumento das notas abaixo da média após o Projeto.

Ao final do 1º bimestre de 2014, no colégio investigado, foi feito levantamento das notas abaixo da média, e o resultado foi que dentro de um universo de 180 (cento e oitenta) alunos do 6º ao 9º ano, 28% dos alunos dessas séries apresentadas, estavam com a nota bimestral abaixo da média. Esse número representa que o processo de ensino aprendizagem não estava acontecendo da maneira esperada, pois a média bimestral é composta por quatro ferramentas de avaliação, que são: avaliação mensal, avaliação bimestral, trabalho de pesquisa e participação, e, mesmo com todas essas oportunidades, aproximadamente um terço dos alunos não alcançaram a média, ou seja, não adquiriram os requisitos necessários para avançarem nos conteúdos de algumas disciplinas.

Por conta desses resultados, a coordenação pedagógica pesquisou entre os professores e familiares as maiores dificuldades que os alunos estavam enfrentando em seu processo de ensino aprendizagem. Percebeu-se que a maior delas era em relação a organização e o estudo diário que não acontecia, os alunos não realizavam as tarefas solicitadas para casa, não entregavam trabalhos nas datas solicitadas pelos professores e deixavam para estudar para as avaliações nas vésperas das mesmas.

Baseado nessas informações e em discussões com os professores, a coordenação desenvolveu e iniciou o Programa de Orientação de Estudos, para auxiliar esses alunos em seus estudos diários, em sua organização e em sua maneira de estudar.

2.4 A ATUAÇÃO DO COORDENADOR PEDAGÓGICO NA ORIENTAÇÃO DOS ESTUDOS

Após a coleta dos dados que detectaram as notas abaixo da média e dos alunos com dificuldades de aprendizagem, o plano de ação decidido pela coordenação pedagógica, foi realizar um Programa de Orientação de Estudos.

Esse Programa consiste em: orientar o aluno no uso de seus materiais escolares, como: agenda, apostila, recursos digitais e caderno; orientar o aluno do que ele deve estudar e de como ele deve estudar; orientar os pais de como organizar o espaço de estudos de seus filhos em casa e de como apoiá-los.

A orientação de estudos individual ou em grupo, consistia em verificar com os alunos como eles estudavam em suas casas, se realizavam tarefas, se estavam fazendo os trabalhos, solucionar suas dúvidas, ensiná-los a utilizar sistemas de pesquisas para realização dos trabalhos, ensiná-los a usarem a agenda escolar para que controlassem o tempo para a realização das atividades escolares.

Segundo Piazzi (2014), o aluno deve estudar em casa o conteúdo que foi aplicado em sala no mesmo dia, para que seu cérebro assimile a matéria aplicada. Sua teoria é conhecida como “aula dada, aula estudada hoje”. Foi baseado na teoria de Piazzi (2014), que a coordenação pedagógica do colégio investigado, criou este Programa de Orientação de Estudos.

Em paralelo a este Programa, desenvolveu-se com os professores uma discussão em relação às ferramentas de avaliação, provas, trabalhos e demais atividades do cotidiano, para que fosse verificada a eficácia dessas ferramentas, se elas realmente estavam adequadas, bem como a mudança na metodologia das aulas, pelo qual deveriam contemplar todos os tipos de alunos, com dificuldades ou não de aprendizagem.

Participaram do Programa, 51 (cinqüenta) alunos com baixo rendimento. Fazia parte desse Programa, além das orientações individuais dos alunos com a coordenação, aulas de reforço e plantões de dúvidas com os professores, que consiste em uma aula contraturno, com o professor da disciplina que o aluno apresentou dificuldades. Essa aula serve para que o aluno tire todas as suas dúvidas em relação ao conteúdo aplicado em sala de aula e até mesmo, dúvidas relacionadas às tarefas de casa.

Foram estabelecidos alguns níveis para participação no Programa. Esses níveis consistiam em:

Níveis de participação no programa:

Nível 1 – Alunos que apresentam notas abaixo da média por descuido, desorganização ou comportamento inadequado, ou seja, não apresentam nenhum problema de aprendizagem;

Nível 2 – Alunos que identificamos problemas/lacunas de aprendizagem e foram encaminhados para especialistas;

Nível 3 – Alunos com problemas de aprendizagem diagnosticados, com laudos e com notas abaixo da média ou não;

Nível 4 -Alunos com laudos de especialistas ou não, que estão em situação de reprovação.

Os alunos que participam do Programa recebiam alguns itens necessários para a organização de seus estudos. Esses itens consistem em: Cópia do horário de aula; Calendário de trabalhos (na agenda); Atividades de reforço de Matemática e Português; Normas para apresentação de trabalhos escolares; Orientação para confecção de trabalho escolar (modelo);

Termo de Ciência para os responsáveis. A primeira parte do Programa consistia em uma reunião da coordenadora pedagógica com os alunos participantes. Essa reunião era individual ou em grupo e a coordenadora pedagógica orientava os alunos nas seguintes questões:

  1. Ensinar a assistir aula

O aluno é orientado que no momento da explicação do professor, ele deve fazer silêncio, anotar os pontos principais da explicação e jamais sair da aula com alguma dúvida relacionada à matéria aplicada. O aluno deve anotar as tarefas a serem realizadas em casa em sua agenda, bem como datas de entregas de trabalhos e avaliações. Na orientação, é salientado a importância da entrega dos trabalhos escolares, dentro das datas solicitadas, pois um dos instrumentos de avaliação do colégio em questão, é o trabalho de pesquisa.

2. Ensinar a estudar

O aluno deve ter um horário específico em casa para estudar. Mesmo que não tenha tarefa de casa, ele era orientado a realizar a leitura do conteúdo aplicado em sala. O aluno não deve deixar para estudar para as avaliações somente na semana em que elas são agendadas, mas seu estudo deve ser diário. A orientação também levou o aluno a refletir sobre suas ações relacionadas a seus estudos, pois se notou que a maioria dos alunos estudam para tirar boa nota e não para realmente aprender.

3. Orientação à família

A família foi orientada pela coordenadora pedagógica sobre os estudos de seus filhos em casa. Muitos pais não colocavam horários de estudos para os filhos, muitas vezes deixando-os realizar as tarefas na frente da televisão. Foram orientados a estabelecerem horários de estudos para seus filhos e para que deixassem eles realizarem suas tarefas sozinhos. Os pais deviam auxiliá-los somente na interpretação dos enunciados.

Após todas estas ações, no fechamento do 2º bimestre, em relação ao número de alunos com nota bimestral abaixo da média, houve melhora em relação ao bimestre anterior, caiu para 20%. Esta queda demonstra que as crianças e adolescentes necessitam de atenção e orientação em relação aos seus estudos, pois eles têm mais dificuldades na organização de suas tarefas do que em realizá-las, observou-se que por diversas vezes, os alunos esqueciam de realizá-las em casa, ou não tinham estímulo por parte dos pais.

Também foram revistas as ferramentas de avaliação, pois o foco é a verificação da aprendizagem e não a “punição”.

Na avaliação das aprendizagens, percebe-se tradicionalmente uma tendência em avaliar sempre com a intenção de corrigir, penalizar, sancionar, qualificar. Precisamos recuperar o sentido positivo da avaliação educativa e deparamo-nos com ela tornando-a como uma atividade que convida a continuar aprendendo. (MÉNDEZ, 2002, p 64).

Professores e coordenadores pedagógicos precisam entender que as ferramentas de avaliação não avaliam somente o educando, mas também o trabalho docente e o trabalho da coordenação. Quando os resultados são abaixo da média, os educadores precisam refletir se a aula atingiu aquele aluno, ou se a ferramenta de avaliação estava adequada à aula.

Em reuniões docentes a coordenação pedagógica proporcionou a discussão de como seria uma avaliação adequada para a aferição da aprendizagem, sem prejuízo para o aluno, pois nosso sistema educacional exige que quantifiquemos a aprendizagem por meio de notas.

No Colégio x foi desenvolvido o seguinte critério: para uma das ferramentas de avaliação, 50% da avaliação devem contemplar os alunos da turma que apresentam maiores dificuldades, ou seja, que eles sejam capazes de realizar metade da avaliação com dedicação, do restante da prova, 40% contemplariam os alunos medianos, e os restantes 10% contemplariam os alunos que superam as expectativas. Deste modo, nenhum deles seria desmotivado, pois a avaliação deve medir a aprendizagem e incentivar o estudante a prosseguir e não o penalizar.

Durante este período, percebeu-se a dificuldade do professor em classificar as questões de sua avaliação como possíveis de serem realizadas por alunos com dificuldades, essa experiência contribuiu para que cada docente refletisse sobre a dificuldade que os alunos apresentam em estudar suas disciplinas. Além disso, refletiu-se também a respeito da confecção da avaliação, pois uma avaliação adequada deve proporcionar uma variedade de possibilidades para o aluno, portanto ela deve ter questões de diferentes tipos, como: objetivas, subjetivas e outras. Segundo Méndez (2002), do ponto de vista crítico, a avaliação deve ser uma oportunidade real de demonstrar o que os alunos aprendem, o que sabem e o que podem fazer aplicando o conhecimento adquirido e o seu próprio.

Após o fechamento do 3º bimestre, percebeu-se no Colégio X melhora significativa, apenas 6% dos alunos do Ensino Fundamental apresentaram em algumas disciplinas, médias bimestrais inferiores. Esse resultado superou as expectativas de todos, pais, alunos, professores e coordenação, o que demonstra que todos os estudantes são capazes, porém é preciso empenho e compromisso de todos os envolvidos.

Os resultados do estudo de caso do Colégio X demonstram que é preciso buscar conhecimento e ter persistência para mudar, características necessárias para quem ocupa a posição de coordenação dentro de uma instituição de ensino.

Segundo Cortella (2014), para ir da oportunidade ao êxito é preciso enfrentar os medos da mudança, romper com o mesmo e ter a capacidade de se antecipar. Essa capacidade de romper com o mesmo é exatamente o que o coordenador deve enfrentar com seu corpo docente, pois muitos professores já estão acostumados com as mesmas aulas, as mesmas avaliações, a mesma postura em sala de aula, e, é um grande desafio para o coordenador fazer com que o grupo se abra para mudanças.

A primeira etapa desse processo de mudança é fazer que o grupo compreenda que mudar é necessário.

O acompanhamento dos dados e sua apresentação é de grande relevância, pois sempre que um Programa apresenta resultados positivos, ele ganha credibilidade e adesão dos envolvidos.

No fechamento do 4º bimestre o número de alunos com notas abaixo da média foi de 15%, resultado que subiu em relação ao bimestre anterior, porém não gerou resultados anuais desfavoráveis, pois a média de alunos com notas abaixo da média no ano de 2014 foi de 17,5%. O colégio em questão, não teve nenhum caso de reprovação neste ano analisado e apenas 2% dos 180 (cento e oitenta) alunos de Recuperação Final.

Alguns alunos melhoraram seu comportamento em sala e sentiram-se valorizados por receberem atenção individual da coordenação e suas auxiliares. Sabemos que, principalmente na adolescência, o estado emocional influencia diretamente no nível de interesse e empenho dos estudantes, e, mais valorizados, eles empenharam-se mais.

No Colégio X, o Programa de Orientação de Estudos aliado a formação continuada dos professores, baseada na discussão das ferramentas de avaliação, resultou numa diminuição, em relação ao ano anterior, de 25% no número de alunos em Recuperação Final, com nota anual abaixo da média, e também no número de retenções. Este estudo de caso demonstra quantitativamente que uma atuação eficaz da coordenação pedagógica, focada no desenvolvimento da formação continuada do professor e na orientação dos estudantes, produz bons resultados para a comunidade educacional.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente trabalho foi desenvolvido com o intuito de refletir as atribuições do coordenador pedagógico, em um colégio privado, a partir do acompanhamento do rendimento e desenvolvimento escolar dos alunos de 6º a 9º ano do Ensino Fundamental da instituição investigada.

Primeiro analisou-se algumas dificuldades de aprendizagens através das notas abaixo da média, dos alunos do Ensino Fundamental do 6º ao 9º ano.

Essa análise foi realizada através de observação das aulas dos professores e reuniões docentes.

Logo após as análises, chegou-se à conclusão que deveria haver reflexões por parte do corpo docente, da coordenação pedagógica, dos alunos e dos familiares para que as mudanças necessárias no processo ensino aprendizagem acontecessem.

Surgiu então, o Programa de Orientação de Estudos por parte da coordenação pedagógica. Após essas ações, no Colégio investigado, houve mudanças por parte de toda a equipe escolar. Tanto os professores, quanto alunos e famílias compreenderam a importância do estudo diário dos alunos e a relevância da organização dos estudos.

Os professores compreenderam que metodologias devem ser variadas, atingindo todos os tipos de alunos, tanto os que apresentam dificuldades de aprendizagem quanto os que não apresentam.

Este trabalho deve ser realizado em conjunto com a família, pois os alunos dependem da orientação de ambos para a melhor organização de suas tarefas e estudos, que devem ser diários, pois muitos deles não sabiam como se organizar em seus estudos e a família não sabia como ajudá-los.

Com a instituição do Programa de Orientação de Estudos no Colégio x, os alunos tiveram um ótimo rendimento tanto quantitativo, como qualitativo no processo de aprendizagem, sentiram-se mais valorizados e empenhados em seus estudos.

Observando os dados colhidos no presente estudo de caso e através da experiência da coordenação pedagógica no Programa de Orientação de estudos, do colégio analisado, percebemos que a atuação do coordenador pedagógico junto ao trabalho do professor no cotidiano da sala de aula e apoio as famílias, produz como resultado um trabalho pedagógico mais eficaz e de maior qualidade.

REFERÊNCIAS

CORTELLA, Mário Sérgio. Qual é a tua obra. 10 ed., Petrópolis: Editora Vozes, 2010.

______. Educação, Escola e Docência, São Paulo: Cortez, 2014.

DOOLEY, L.M. Case Study Research and Theory Bulding. Advances in Developing Human Resources, vol.4, n.3, aug. 2002.

FACHINI, Maria Ângela Arruda. Prática do Coordenador Pedagógico – Desafios por Campo Grande: UCDB, 2014.

MÉNDEZ, Juan Manuel Álvarez. Avaliar para conhecer. Examinar para excluir. Porto Alegre: Artmed, 2002.

PIAZZI, Pierluigi. Ensinando Inteligência, São Paulo: Aleph, 2009.

SEVERINO, A. J. Metodologia do Trabalho Científico. 23 ed., São Paulo: Cortez, 2007.

WILLIAMS, Richard L. Preciso saber se estou indo bem! Rio de Janeiro: Sextante, 2005.

[1] Trabalho de conclusão de curso de pós-graduação latu-sensu a distância em Coordenação Pedagógica. São Paulo, 2015.

[2] Graduada em Pedagogia pela UNG (2011).Coordenadora Pedagógica da Educação Infantil e Ensino Fundamental em um Colégio particular da Zona Leste. Pós-graduanda em Coordenação Pedagógica pela UCDB (latu sensu).

[3] Mestre em Educação (UFMS), Especialista em Fundamentos Filosóficos da Educação (UFMS), graduada em Pedagogia (FUCMAT). Professora Orientadora de Pós-graduação a distância em Coordenação Pedagógica da UCDB (latu sensu).

Enviado: Maio, 2018.

Aprovado: Outubro, 2019.

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