Dificuldades de aprendizagem: interfaces entre o ciclo da alfabetização e seus reflexos no ensino fundamental

0
166
DOI: ESTE ARTIGO AINDA NÃO POSSUI DOI SOLICITAR AGORA!
Classificar o Artigo!
ARTIGO EM PDF

ARTIGO DE REVISÃO

LIMA, Cirilo Montenegro de [1], MONTENEGRO, Jilsete Braz dos Santos [2]

LIMA, Cirilo Montenegro de. MONTENEGRO, Jilsete Braz dos Santos. Dificuldades de aprendizagem: interfaces entre o ciclo da alfabetização e seus reflexos no ensino fundamentalRevista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 04, Ed. 03, Vol. 02, pp. 100-112. Março de 2019. ISSN: 2448-0959.

RESUMO

A grande importância que possui as habilidades básicas pode ser notada de maneira mais complexa durante a fase da pré-escola, possui a função de ensinar a criança os requisitos básicos para a alfabetização. Alguns educadores da pré-escola, ansiosos por uma alfabetização rápida, deixam de lado as devidas estimulações para que sejam rapidamente desenvolvidas as habilidades necessárias. O presente artigo tem como objetivo realizar um estudo acerca das dificuldades encontradas pelos professores e pela família no processo de alfabetização, problemas estes, que podem afetar em todo ensino fundamental, causando prejuízos no desenvolvimento escolar do aluno. Este estudo possui um teor científico acadêmico. Desta forma, esse artigo se propõe solucionar um problema ou adquirir conhecimentos a partir do uso de informações já existentes na literatura, por meio de documentos, livros e artigos científicos. Diante do estudado, nota-se que a escola, os pais e as crianças devem estabelecer uma constante sintonia, cada qual desenvolvendo sua função nesta relação. Portanto, a responsabilidade neste processo é compartilhada entre todos. Na escola, a criança irá receber auxílio e apoio do professor, e em casa será incentivado, conduzido e orientado pelos seus pais.

Palavras-Chave: Pedagogia, alfabetização, educadores, escola.

1. INTRODUÇÃO

Quando se fala em dificuldade de leitura e escrita, principalmente durante o processo de alfabetização, é de extrema relevância que sejam analisadas as situações em que a criança se inicia, certificado se que esta, já adquiriu, o necessário desenvolvimento, emocional, físico, intelectual, bem como, todas as habilidades indispensáveis para que haja condições de aprendizagem. Sendo um processo de apropriação da leitura e da escrita, a alfabetização é uma fase indispensável, nesta, ocorre a conquista dos princípios ortográficos e alfabéticos, que irão possibilitar ao aluno a leitura e a escrita com autonomia (SOARES, 2004).

Uma tática que pode ser utilizada para estimular os alunos é o constante exercício da comunicação, de modo que os sensibilizem e os convide para o novo aprendizado. Entretanto, vale ressaltar que o letramento é um processo que ocorre de forma individual e por meio deste, origina a escrita, neste sentido, envolve diversas habilidades para que ocorra a leitura, escrita e todas as práticas que envolvem a linguagem.

Assim, é possível identificar que os problemas que envolvem o processo de aprendizagem implicam amplamente no papel desempenhado pelo professor juntamente com a família do aluno, no que se refere a analisar as dificuldades apresentadas por estes e encontrar soluções. Vale destacar, que se o educador desconhece a forma de pensar em cada fase de aprendizado do aluno, dificilmente conseguira identificar qual problema está apresentado.

Dependendo do grau de intensidade dos sintomas que o aluno apresenta e o comportamento infantil deste, bem como a duração que estes permanecem na vida escolar e pela presença familiar na instituição durante o registro destas problemáticas , para o professor nem sempre é fácil a tarefa de distinguir qual tipo de problema de aprendizagem o aluno possui (SOARES, 2004).

Quando o ato de aprender se torna algo dificultoso, é necessário que seja feita uma minuciosa análise do aluno. O educador não pode deixar de considerar que o aluno é um ser social, que possui sua própria identidade, cultura valores e linguagem peculiar, aos quais, sempre deve se atentar principalmente para evitar que estas características os impeçam de auxiliar a criança no processo de educação.

De acordo Poppovic (1980), deve ser desenvolvido dentro da unidade escolar o autoconhecimento do aluno, e esta, deve ser a principal preocupação do professor. Somente possuindo uma autoimagem positiva que a criança terá um bom desempenho escolar, esta é a melhor maneira do aluno ser independente e manter suas relações sociais.

O presente artigo tem como objetivo realizar um estudo acerca das dificuldades encontradas pelos professores e pela família no processo de alfabetização, problemas estes, que podem afetar em todo ensino fundamental, causando prejuízos no desenvolvimento escolar do aluno.

2. METODOLOGIA

Este estudo possui um teor científico acadêmico, sendo caracterizado como uma Pesquisa de Revisão de Literatura. Desta forma, esse artigo se propõe solucionar um problema ou adquirir conhecimentos a partir do uso de informações já existentes na literatura, por meio de documentos, livros e artigos científicos.

Desta forma, este método de estudo se justifica por permitir um estudo mais abrangente e uma investigação de modo eficiente para temática, de modo que seja possível analisar as dificuldades enfrentadas pelos pais e professores no ciclo da alfabetização e seus reflexos no ensino fundamental.

Assim, almeja-se realizar um estudo sobre as dificuldades de aprendizagem no ciclo da alfabetização e seus reflexos no ensino fundamental. Sob a justificativa de que um processo falho de letramento nos estágios iniciais de educação pode afetar em todo ensino fundamental, causando prejuízos no desenvolvimento escolar do aluno.

Sob essa ótica, foi realizada, inicialmente, uma reflexão sobre a forma de atuação do sistema educacional atual, pontuando os possíveis entraves vivenciados pelos pais/responsáveis e, em especial os professores no processo de ensino-aprendizagem e por fim propor possíveis de intervenções.

Após as pesquisas iniciais, realizada através livros e artigos científicos, foi possível traçar reflexão realista da temática, podendo, desta forma, embasar e creditar a discursão do assunto neste projeto. Em seguida, os resultados foram analisados conforme as exigentes deste estudo e atendendo os objetivos almejados. Logo após, foram aprofundadas as leituras a respeito da temática abordada de modo a melhor embasar a discussão dos resultados com a literatura consultada.

Após este estágio, foram propostas possíveis soluções para a problemática, caso aja, obtendo os como proposta uma situação onde as condições educacionais se encontrem adequadas para atender os discentes com qualidade.

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

3.1 AS PRINCIPAIS DIFICULDADES APRESENTADAS PELOS ALUNOS NO PROCESSO DE ALFABETIZAÇÃO

Para que seja possível realizar uma correta leitura e escrita dentro do processo de alfabetização, é necessário que haja uma parceria entre os processos neurológicos e um bom desenvolvimento evolutivo no que se refere a habilidades básicas como por exemplo, lateralidade, boa percepção (SOARES, 2004).

Conforme Poppovic (1981), no processo de leitura e escrita não há a menor possibilidade de serem consideradas como funções isoladas e autônomas, mas sim, consideradas como manifestações oriundas de um mesmo sistema ao qual por meio de situações reais e concretas pode ser iniciado o processo que gera a alfabetização e é entendido no processo de leitura e consequentemente na sua transformação gráfica, que nada mais é que a leitura.

A grande importância que possui as habilidades básicas pode ser notada de maneira mais complexa durante a fase da pré-escola, pois possui a função de ensinar a criança os requisitos básicos para a alfabetização. Alguns educadores da pré-escola, ansiosos por uma alfabetização rápida, deixam de lado as devidas estimulações para que sejam rapidamente desenvolvidas as habilidades necessárias (SOARES, 2004).

As dificuldades que surgem no processo de leitura e escrita podem ser associadas a diversos fatores, como por exemplo, fatores orgânicos, psicológicos, socioculturais, dislexia e pedagógicos. Para Jonhson e Myklebust (1983), existem diversos distúrbios no processo de leitura e, estes, são encontrados especificadamente na memória onde, dentre outros problemas, pode gerar disfunções auditivas, visuais e cognitivos (onde retêm informações, que comprometem as percepções, na motricidade) estas dificuldades motoras são de extrema complexidade, pois em muitos casos as crianças não conseguem escrever.

No que se refere ao processo de escrita dentro do ciclo de alfabetização, é possível dar destaque para alguns tipos de distúrbios que são frequentemente identificados:

  • Disortografia – Neste processo a criança apresenta confusão de percepções das letras, deste modo, havendo uma troca ortográfica. Assim, gera confusões de letras de silabas com tonicidade parecida ou seja, trocas vocais, ademais a memoria virtual da criança que apresenta este distúrbio deve ser constantemente estimulada.
  • Disgráfia apresenta diversos erros como: identificação e apresentação desordenada dos textos, margens inexistentes ou mal feitas.

Diante destes distúrbios apresentados acima, é de inteira importância o papel do educador, para que possa identificar, em parceria com a família, os problemas que permeiam a aprendizagem no processo de alfabetização. Os professores são considerados de maior importância dentro deste processo, pois são eles que identificam as dificuldades de aprendizado, no entanto, estes na maioria das vezes não possuem a formação necessária para tais diagnósticos, podem ser dados com maior precisão por médicos, psicopedagogos e psicólogos.

A função do educador, consiste em analisar o aluno e auxilia-lo durante seu processo de aprendizagem, buscando maneiras de tornar as aulas mais interativas e dinâmicas, não determinando rótulos aos alunos, assim, dando-lhes as mesmas oportunidades para que possam desenvolver suas potencialidades (SOARES, 2004).

Para que seja possível uma reeducação dos alunos, é preciso que o professor tenha um profundo conhecimento das dificuldades que cada um individualmente apresenta, também, é de extrema importância, que, exista o acompanhamento por profissionais especializados na equipe pedagógica, deste modo, encontrando soluções para cada deficiência identificada.

Fonseca (1995), conclui que os educadores, assim como as escolas, precisam desenvolver seus trabalhos com competência, para que os alunos sintam-se atraídos pelo ambiente escolar, assim, terão acesso a diversas oportunidades de aprendizado. No entanto, não podemos negar, que a existência de alunos com deficiência no processo de alfabetização ligados a leitura e escrita, independem do estabelecimento escolar, devendo, assim, ser identificados e tratados da forma correta.

Na fase de alfabetização as crianças criam e recriam diversas possibilidades em relação a escrita. Contudo “o ato de escrever dar-se início antes que a escola possa imaginar, percorrendo por inusitados caminhos” (FERREIRO e TEBEROSKY, 1999). A criança vive em um mundo cercado de letras, formas geométricas, cores e formas de escritas e é, neste universo, onde circula as diversas informações que a criança precisará para mais tarde desenvolver sua escrita.

Os diversos conhecimentos que as crianças adquirem no seu dia-dia, seja por meio do contato familiar, social ou nas brincadeiras com outras crianças, todo conhecimento que ela consegue absorver fora dos muros da escola são justamente os que irão auxiliar no entendimento do sistema a gráfico de escrita. Em muitos casos a equipe pedagógica usa informações fora da realidade do aluno, causando grande estranhamento pelas crianças, que estão se esforçando para compreender como funciona o processo de escrita, pois a exposição simples de como funciona a escrita não é o suficiente para que haja alfabetização. No entanto, dar a oportunidade da criança possuir o contato com materiais que promovam momentos onde haja o uso real da escrita, pois “a língua escrita é um objeto de uso social” (FERREIRO, 1995, p.37).

A leitura não é uma pratica de ser adotada exclusivamente no ambiente escolar, mas também no local onde a criança vive. No inicio, a criança pressupõe que a escrita seja uma forma de desenhar os elementos do seu imaginário, depois passa a associar a fala com o que esta escrevendo, para compreender posteriormente o som das palavras e a identificação dos códigos para formação de palavras. A partir disso fará reflexões para solidificar sua capacidade de ler e associar o som a formação de palavras e relacionando-as (SOARES, 2004).

A cerca disso, o Programa de Formação de Professores Alfabetizadores – PROFA (2001) e os Parâmetros Curriculares Nacionais – PCN (1999) indicam que as atividades a serem desenvolvidas no ambiente escolar sejam em grupos ou individual, possam fazer com que as crianças identifiquem por si seus erros e trabalhem nisso.

Ferreiro e Teberosky (1999) desenvolveram estudos referentes a psicogênese da linguagem escrita, neste, mencionaram que as crianças desenvolvem possibilidades em relação ao que a escrita os representa. Estas possuem uma evolução de sua etapa inicial, onde a escrita não é apenas a representação do que é falado, sendo considerada como Hipótese Pré-Silábica, alterando-se para um momento onde esta representa uma fala por correspondência silábica, ou seja, Hipótese Silábica, e finalizando com uma correspondência alfabética, esta, portanto, adequando-se á escrita em Língua Portuguesa. Assim, a escrita desenvolvida pela criança percorre diversos caminhos e formas até conseguir chegar à escrita ortograficamente correta.

De acordo Ana Teberosky (2002, p.8), “a criança dispõe de um saber sobre a escrita mesmo antes de entrar para a escola”. Segundo esta linha de pensamento, podemos relembrar que muitas vezes o professor, por desacreditar deste conhecimento que o aluno carrega de suas vivencias fora da escola, acaba em descartar uma importante forma de parceria entre o conhecimento que já existe e um mundo já letrado e com grandes alternativas para o aperfeiçoamento e desenvolvimento do aluno.

Desta forma, quando é questionado sobre o processo de alfabetização, de imediato as pessoas acreditam ser apenas o momento ao qual aprendemos a escrever. No entanto, Solé (1998, p.50) diz que: “no domínio da linguagem falada, da leitura e da escrita, uma pessoa alfabetizada tem a capacidade de falar, ler e escrever e a consecução da alfabetização implica a falar, ler e escrever de forma competente”.

Ainda conforme o autor, para estar devidamente alfabetizado é necessário possuir domínio das competências de “falar, ler e escrever” para desenvolver uma comunicação correta e fluente. Neste conceito, nota-se que apenas ler não significa estar alfabetizado.

Assim, para que haja alfabetização é preciso que a criança pense, reflita, relacione, erre para assim poder acertar, estabeleça relações, faça deduções, ainda que nem sempre corretas. Este pensamento equivale a “alfabetização libertadora” de acordo Freire (1997). Sendo assim, propiciando oportunidades para que sejam cometidos erros positivos, ou seja, erros imprescindíveis para a elaboração do conhecimento e da prática da escrita. Ferreiro (apud Nova Escola 2003, p.28) diz que a “alfabetização não é um estado, mas um processo. Ela tem início bem cedo e não termina nunca”.

Quando a criança ainda não possui domínio da escrita, o seu nome exerce uma função primordial no seu desenvolvimento que será conduzido á escrita alfabética. É por meio desta forma de escrita que a criança consegue verificar suas hipóteses, esta atitude é indispensável para que esta consiga voltar sua atenção para a sua linguagem. Nesse panorama, dando atenção especial às palavras que compõem o próprio nome, a criança passa a melhorar o seu entendimento a respeito da composição silábica de cada letra (SEBER, 2009, p.101).

Assim, a autora diz que quando a criança sabe escrever seu próprio nome, pode este conhecimento ser base para que compreenda outras palavras. Portanto, é de grande relevância conduzir o aluno a identificar seu nome, para que assim aproxime progressivamente da escrita convencional. Entre as formas de recursos para o desenvolvimento da criança, atividades que possam juntar todos os nomes de alunos da classe, para que cada criança procure onde se encontra o seu. De acordo com Seber (2009), saber escrever o próprio nome irá fornecer as crianças um repertório básico de letras que lhes servirão de fonte de informação para produzir outras escritas. É importante realizar um trabalho que leve ao reconhecimento e reprodução do próprio nome.

Cagliari (2009) explica que alguns métodos de alfabetização ensinam a escrever pela escrita cursiva, chegando mesmo a proibir a escrita de forma. A razão que alegam frequentemente é que a criança que aprende a escrever com letras de fôrma tem de aprender depois a fazê-lo com letras cursivas e, isso, representa o dobro do trabalho, sendo inconveniente porque pode levar a criança a confundir esses dois modos de escrever.

O professor precisa ler sempre para sua turma e estimular os alunos para que também leiam, pois a leitura é um valoroso componente para a educação e abarca todas as disciplinas ofertadas pela instituição, seja onde o aluno for .

Antunes (2004, p. 60) chama a atenção para a maturidade verbal e escrita, pois esta “é uma conquista, uma aquisição, isto é, não acontece gratuitamente, por acaso, sem ensino, sem esforço, sem persistência. Supõe orientação, vontade, determinação, exercício, prática, tentativas”.

A escola desempenha o papel de ser formadora e facilitadora para seus alunos. O professor por sua vez possuindo habilidades e capacitação técnica, terá a função de despertar o interesse de seus alunos pela leitura e escrita, contribuindo o conhecimento necessário para a formação destas crianças.

3.1.1 DIFICULDADE DE APRENDIZAGEM NO ENSINO FUNDAMENTAL

Uma alfabetização falha compromete todo o ciclo educacional do aluno, causando prejuízos, inclusive, em seu desenvolvimento como adulto. Deste modo, fica visível a importância que possui esta fase, chamando a atenção para a real necessidade que os educadores possuem e devendo estar sempre atualizado com as diversas metodologias de ensino, visando evitas estas dificuldades de aprendizagem. Sobre isso, García (1998) diz:

Dificuldade de Aprendizagem (D.A.) é um problema que está relacionado a uma série de fatores e podem se manifestar de diversas formas como: transtornos, dificuldades significativas na compreensão e uso da escuta, na forma de falar, ler, escrever, raciocinar e desenvolver habilidades matemáticas. Esses transtornos são inerentes ao indivíduo, podendo ser resultantes da disfunção do sistema nervoso central, e podem acontecer ao longo do período vital. Podem estar também associados a essas dificuldades de aprendizagem, problemas relacionados as condutas do indivíduo, percepção social e interação social, mas não estabelecem, por si próprias, um problema de aprendizagem (p. 31-32).

Todos os problemas que são relacionados a dificuldade de adquirir conhecimentos essenciais a alfabetização e as demais anos do ensino fundamental preocupam e colocam o Brasil em condição de alerta. Segundo Antunes (1997), essas dificuldades podem ser notadas nas crianças que não possuem um rendimento satisfatório nas atividades desenvolvidas em classe, normalmente possuem problemas de expressão, compreensão dos textos e das dinâmicas propostas, erros de ortografia ou ausência desta baixa compreensão da leitura.

3.2 O PROCESSO DE LETRAMENTO: DIFICULDADE DOS ALUNOS E DESAFIOS DOS PROFESSORES

Outro processo que possui grande relevância e faz parte do processo de aquisição da alfabetização é o letramento, que constantemente vem sendo atrelado às pesquisas. O letramento possui como característica o desenvolvimento da leitura e escrita, levando em consideração seu contexto social, ou seja, pesa-se tanto o contexto social quanto o aspecto de hábitos e convívios da utilização da leitura e escrita, assim, é necessário inserir, compreender apreciar e avaliar tais fatores.

Pode ser considerado gradual a apropriação do sistema de escrita, este, demanda organização e disciplina por parte do educador. É necessário, assim, a constante organização, haja visto, que cada aluno possui suas necessidades particulares e ritmo de aprendizagem, e por que motivo, deverá ser respeitado e estimulado sempre. As crianças de hoje em dia, constroem seus conhecimentos por meio de interações que são diariamente estabelecidas nos meios sociais e culturais. Cada criança possui um desenvolvimento ativo, dinâmico e interativo (SOARES, 2004).

As características do espeço escolar, pressupõe previamente a reanalise das questões que envolvem as dificuldades de desenvolvimento escolar, o professor sendo o responsável pela identificação e resolução das dificuldades deve trabalhar a garantia do êxito de todos os alunos

As características que possui a unidade escolar pressupõe a releitura com relação as dificuldades escolares de aprendizagem, haja visto, que o professor é o responsável pela resolução e identificação das dificuldades apresentadas pelos educandos.

Este processo é completamente intencional, pois é por meio deste que o aluno passa a tomar posse da escrita e da leitura. É de total importância que o educador tenha a postura de um mediador, possuindo qualificação e um bom planejamento. Pra que, assim, consiga situar o aluno dentro do meio ao qual ele está inserido.

Ademais, vivemos em uma sociedade desigual, deste modo, esta situação reflete no processo de educação, gerando profundas instabilidades que comprometem o rendimento escolar do aluno.

Quando é feito um bom planejamento para o processo de desenvolvimento dentro do ciclo da alfabetização deve-se priorizar as múltiplas vertentes que o “pensar” possibilita, adotando como norte o espaço da instituição que esta sendo utilizado para esta execução, a alfabetização pode ser considerada como uma prática social, que detém o poder de mudar a vida do aluno (SOARES, 2004).

Depois de várias fundamentações acerca da alfabetização, diversos autores como Emília Ferreiro (1985), Magda Soares (2004) e Paulo Freire (2005) escreveram sobre este ciclo, nota-se as diversas dificuldades encontradas e os fatos diversos que causam este problema, são eles, principalmente: a situação pessoal que aluno esta vivenciando, a metodologia desenvolvida pelo professor e a postura da gestão escolar frente a realidade deste ambiente.

4.CONSIDERAÇÕES FINAIS

As dificuldades de aprendizado no ciclo da alfabetização devem ser identificados pelos educadores e pela família por meio da constante observação, para, deste modo, juntos, buscarem as soluções adequadas, dependendo de cada caso, sendo indispensável ajuda de um profissional capacitado.

Cabe a escola incentivar ao aluno e contribuir juntamente com a família para que este desenvolva todas as suas potencialidades e supere suas dificuldades de aprendizado, caso haja. Assim, apresentando-se perante toda comunidade escolar com uma postura ativa e dinâmica, almejando sempre melhorias no atendimento escolar.

Deste modo, a escola, os pais e as crianças devem estabelecer uma constante sintonia, cada qual desenvolvendo sua função nesta relação. A responsabilidade, neste processo, é compartilhada entre todos: na escola, a criança irá receber auxilio e apoio do professor; e em casa será incentivado, conduzido e orientado pelos seus pais.

Nesta perspectiva, o aluno tenha resguardado seu direito a educação de qualidade e que todas as atividades desenvolvidas sejam ofertadas em igual modo. Diante disso, é esperado, que seja valorizado, aprimorado e aperfeiçoado as qualidades e funções do professor, pois é o educador que detém a responsabilidade pelo desempenho e concretização do aluno. Pois para estar devidamente alfabetizado é necessário possuir domínio das competências de “falar, ler e escrever” para desenvolver uma comunicação correta e fluente. Neste conceito, nota-se que apenas ler não significa estar alfabetizado.

Vale ressaltar que, neste contexto, se faz indispensável a contribuição efetiva dos órgãos governamentais, para que haja uma melhor e maior estrutura educativa no cenário brasileiro, ofertando de maneira democrática para todos os segmentos da sociedade as mesmas oportunidades. O conhecimento deve ser adquirido fazendo uso da ludicidade de modo criativo e despertando o prazer dela aos alunos, e a escola se torna um local motivador e de novas descobertas para os esses educandos. Tudo isso, visando sempre o aprimoramento das potencialidades e criando sujeitos atuantes e capazes de superar as possíveis dificuldades durante a aprendizagem.

REFERÊNCIAS

ANTUNES, Celso. Professores: reflexões sobre a aula e prática pedagógica diversas. 2.ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2008.

ANTUNES, I. Aula de Português: encontro & interação. São Paulo: Parábola Editorial, 2004, p. 60-61.

BRASIL, Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN): Introdução. Brasília: Sec. De Educação Fundamental- Brasília: MEC/SEF, 1997.

_______. MEC – Ministério da Educação. Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) Língua Portuguesa- 1ª a 4ª séries. Brasília. Sec. De Educação Fundamental, 1997. p. 53.

_______. MEC – Ministério da Educação. Programa de Formação de Professores Alfabetizadores (PROFA), Brasília: Secretaria de Educação Fundamental. 2001. p. 2.

CAGLIARI, Luis Carlos. Alfabetização & Linguística. São Paulo: Scipione, 2009. (Coleção Pensamento e ação na sala de aula).

FERREIRO, Emília. Alfabetização e cultura escrita. Nova Escola, Ed. Abril, São Paulo nº 162, maio 2003. p.28.

_______. Alfabetização e cultura escrita. Nova Escola, Ed. Abril, São Paulo nº 162, maio 2003. p.28.

FERREIRO, Emilia. Reflexões sobre alfabetização. São Paulo: cortez, 1985.

FONSECA, Vitor da. Introdução as dificuldades de aprendizagens. 2º Ed. Porto Alegre, Artmed. 1995.

FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. 46. Ed. São Paulo: Cortez, 2005, pag. 87.

_______. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro. Ed. Paz e Terra, 1997. p. 183.

GARCIA, J.N. Manual de dificuldades de aprendizagem, leitura, escrita e matemática. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998.

JOHNSON, Doris J. e MYKLEBUST, Helmer R. Distúrbios de aprendizagem, princípios e praticas educacionais. São Paulo, pioneira/ Edusp. 1983.

JUNG, C. G. O desenvolvimento da personalidade. Petrópolis. Vozes, 1981.

POPPOVIC, Ana Maria. Alfabetização, disfunção psiconeurológicas, 3º Ed. São Paulo. Vetor. 1981.

SEBER, Maria da Glória. A escrita infantil: o caminho da construção. São Paulo: Scipione, 2009. (Coleção Pensamento e ação na sala de aula).

SOARES, Magda. Letramento e alfabetização: as muitas facetas. Revista Brasileira de Educação. Rio de Janeiro, nº 25, pag 05 – 17, jan/abr.2004.

SOLÉ, Isabel. Estratégias de Leituras.6ª ed. Editora Artmed – Porto Alegre, 1998. p. 50.

TEBEROSKY, Ana. Psicogênese da Língua Escrita. Porto Alegre, ed. Artes Médicas, 1999. Edição comemorativa 20 anos de publicação. 300p. p.37.

[1] Mestre em Ciências da Educação pela Universidade Interamericana, Paraguai. Licenciatura em letras – Fundação Educacional Jayme de Altavila, CESMAC. Especialização em Docência do Ensino Superior – CESMAC, Professor.

[2] Licenciatura em Biologia pela Fundação Educacional Jayme de Altavila – CESMAC.

Enviado: Janeiro, 2019.

Aprovado: Março, 2019.

 

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here